Deve Ser Isto Mais Um Virar da Página da Austeridade

No tempo novo, a “austeridade” passa a ser designada de “consolidação orçamental” (fonte).

Consolidação

Confiança, Crescimento e Emprego?

Ao contrário do que o governo da geringonça possa repetir vezes sem conta com o “virar da página da austeridade” e do “tempo novo“, depois da subida do desemprego no quarto trimestre do ano passado surgiu ontem mais um indicador pouco animador que mais faz parecer o “tempo velho“. Ao contrário do que a “esquerda iluminada” possa desejar, a realidade não se molda por retórica ou por decreto… e é tão mais fácil distribuir a riqueza produzida por outros do que ter que a produzir.

Empresas_Insolvencias

Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade

Começa a ficar claro o que signfica para o governo da Frente da Esquerda “virar a página da austeridade“:

  • Impostos sobre combustíveis poderão subir até 5 cêntimos (fonte)
  • Aumenta o imposto sobre o tabaco (fonte)
  • Aumenta o imposto de selo (fonte)
  • Governo projecta mais 390 milhões de euros com impostos sobre o capital (fonte)

Afinal sempre existia outro caminho ao contrário do que afirmavam os malvados neoliberais.

A Geringonça em Risco?

Geringonça

A aprovação do orçamento de estado para 2016 para ser o primeiro teste a sério para a estabilidade, duração e credibilidade da geringonça, noticiando o Observador que:

“O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que o acordo que possibilitou o Governo liderado por António Costa poderá estar em causa se o Governo ceder às exigências da ‘troika’ na liquidação dos direitos dos trabalhadores.”

Uma Política Amiga do Investimento

O PS só decidirá a favor da reversão das operações de concessão e privatização de empresas públicas se tal não acarretar custos para os contribuintes” apurou o Económico junto de fonte socialista (12 de Novembro de 2015). Os custos legais para os contribuintes estão já assegurados. A estes custos, podem-se juntar valores mais elevados dependo das decisões dos tribunais internacionais. Tudo por causa de uma ideologia que privilegia a compra de votos e a manutenção do poder dos sindicatos em detrimento do contribuinte e do utente.

A imagem abaixo foi retirado da capa do suplemento de Economia do Jornal Expresso de hoje (16 de Janeiro de 2016).

Concessoes

Sobre as 35 Horas de Trabalho Semanal Na Função Pública

Não deixa de ser curioso que a proposta de redução do horário de trabalho na função pública para 35 horas seja constitucional uma vez que benefícia apenas os funcionários públicos dado que o tribunal constitucional alegando o “princípio da igualdade” declarou inconstitucional uma medida de redução salarial que afectava precisamente a mesma classe de cidadãos.

Não deixa de ser curioso também que o mesmo PS que para “virar a página da austeridade” decidiu repor os salários na função pública tenha alegado na altura que era uma medida de estímulo ao crescimento económico via aumento do consumo interno; e que agora o mesmo PS se pronuncie afirmando que  “35 horas na função pública só se tiver custo nulo“. Em que ficamos – a despesa pública tem um efeito multiplicador de estímulo à economia ou não?

Já o PCP e BE querem alargar a redução do horário semanal de trabalho ao sector privado, sendo que o BE alega que “a diminuição do horário de trabalho é eficaz para criar emprego” e que “não existe alguma relação entre o aumento do horário de trabalho e o aumento da produtividade”. Começando pela dimuição do horário de trabalho como medida de criação de emprego: eliminando os custos fixos por trabalhador e assumindo que a produtividade e o salário-hora dos novos trabalhadores seria exactamente igual à dos trabalhadores que vêem o seu horário de trabalho reduzido, teríamos exactamente a mesma produção, os mesmos custos salariais apenas utilizando mais trabalhadores sem daí advir qualquer vantagem. Pode-se também levar o exercício mental mais longe e pensar quantos empregos se criariam se se reduzisse o horário de trabalho para 30 horas, 25 horas, 20 horas… Em relação à relação entre “o aumento do horário de trabalho e o aumento da produtividade: se se estiver a falar em produção/hora, até poderá ser que um aumento do horário de trabalho acabe por reduzir a média de produção/hora, no entanto ninguém no seu bom juízo quererá convencer alguém que a produção do trabalho de 35 horas será maior ou igual à produção do trabalho de 40 horas (sendo a única explicação possível que o trabalhador ficasse parado sem fazer nada 5 horas por semana).

Acho que começo a perceber a estratégia da Frente de Esquerda para sair da crise, a saber: 1) Menos horas de trabalho por semana; 2) Mais férias e mais feriados por ano; 3) Aumento do salário mínimo; 4) Aumento da despesa pública; 5) Cedências aos sindicatos; 6) Quebra da confiança aos investidores internacionais. Tem tudo para dar certo. Boa sorte lá isso!

Orçamento Rectificativo: The Plot Thickens

Relativamente ao orçamento rectificativo que será votado hoje e que se não aprovado implica a reversão da venda do Banif ao Santander:

Já agora fica aqui o registo de que a Frente de Esquerda durou três semanas (ainda assim, pareceu-me uma eternidade).

ActualizaçãoPSD abstém-se em favor do “sentido de responsabilidade”

O Primeiro Teste ao Centeno, ao seu Excel e à Frente De Esquerda

Bruxelas contraria programa económico de Centeno:

“A Comissão Europeia considera que Portugal não tem margem suficiente para estimular a economia no curto prazo e, ao mesmo tempo, assegurar a sustentabilidade das contas públicas no médio e no longo prazo. É a primeira vez que Bruxelas se pronuncia oficialmente sobre os planos do novo governo português do Partido Socialista.”

Como é possível que a Comissão Europeia não perceba que é preciso virar a página da austeridade e que não ache que seja boa ideia aumentar a despesa para reduzir a dívida e o défice? Mas, mas… e o efeito multiplicador? Está visto que a Comissão Europeia se deixou subjugar pelo neo-liberalismo.

Mais Uma Página da Austeridade Virada

A Frente de Esquerda acabou de aprovar mais uma medida de viragem da página da austeridade, com 68% das famílias a verem o o seu rendimento anual aumentado em 67 cêntimos e criando uma progressão na sobretaxa sobre um IRS já de si progressivo.

A propósito da sobretaxa, vale a pena recuperar algumas notícias relativamente recentes que envolvem o PCP:

Os dados completos da medida aprovada incluindo o número de agregados familiares afectados e a respectiva poupança anual podem ser encontrados na tabela abaixo retirada daqui.

Sobretaxa

O Lenine no lugar certo

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Escreve assim José Diogo Quintela

«O Museu Nacional de Arte Antiga está a recorrer aos portugueses para comprar a ‘Adoração dos Magos’, pintura de Domingos Sequeira. Uma estupenda iniciativa que está, erradamente, a ser anunciada como a primeira do género em Portugal. É a segunda. Uns dias antes, começou outra campanha que conta com a contribuição dos cidadãos para adquirir uma relíquia: um Governo marxista-leninista. Cheira-me é que vai custar aos portugueses mais do que os 600 mil euros do quadro.

— Filha: No Natal quero a boneca que faz bolhinhas com a boca.
— Eu: Este Natal não há presentes.
— Filha: Mas a Rita vai ter uma!
— Eu: Brincas com essa, porque vai ser nacionalizada e passa a pertencer a vocês todas.
— Filha: Nacionalizada? Mas é um brinquedo!
— Eu: Produz bolhinhas? É um meio de produção. Logo, é colectivo.
— Filha: A Rita não vai nisso.
— Eu: O partido explica-lhe no campo de reeducação.»

O resto está no jornal banido de publicar artigos sobre José Sócrates.