Porcos pretos

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Os porcos pretos espanhóis, que posteriormente serão usados para produzir o jámon ibérico, entram em Portugal pelas herdades do Alentejo, são pesados, são alimentados a bolotas, e saem passados alguns anos. Vêm para a engorda.

Espanha não faz nada na engorda do porco, mas ganha bem mais do que Portugal a vender os seus Joselitos. Malditos espanhóis, Francisco Louçã.

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Nespresso Grand Demos Ago

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Há cinco, seis séculos atrás, simples mercadores eram objecto de perseguição das autoridades e de condenação da Igreja. Estes mercadores cumpriam uma importante tarefa — a de arbitragem. Compravam bens onde eles eram abundantes e, logo, baratos, e vendiam-nos onde eles eram escassos ou até inexistentes. O lucro que auferiam era o prémio de risco pelo transporte, pela logística, e pelo risco de serem assaltados ou até mortos durante a travessia. Embora perseguidos, porque aparentemente não produziam nada, a actividade nunca foi totalmente proibida, não obstante as considerações morais de então sobre o mesma. Isto porque estes mercadores asseguravam que populações isoladas tivessem acesso a bens que, doutra forma, não conseguiriam ter.

Passados seis séculos, a ignorância que outrora perseguia estes mercadores continua a manifestar-se, desta vez envolvida em demagogia. Douto na arte, e até doutorado, Francisco Louçã conta-nos a história do Brasil, produtor de café, e da Alemanha, que, embora não o produza, é o terceiro maior exportador de café do mundo. À luz da iliteracia que versava no século XV, a interpretação é a mesma — a Alemanha, que não produz, colhe apenas o fruto do trabalho dos outros.

Não são necessárias complexas teorias económicas para perceber o erro crasso por trás deste raciocínio, basta uma simples dose de bom senso. A Alemanha faz precisamente aquilo que os mercadores de outrora faziam. Beneficiando da sua posição estratégia na Europa e das suas boas infraestruturas, a Alemanha importa para depois exportar. Importa o café, armazena-o, e depois revende-o em quantidades menores. E, se o café for reprocessado pela Nespresso no Norte da Alemanha — empresa Suíça, atente-se —, então existe ainda mais valor acrescentado: o grão tostado do café vira um produto de luxo com uma enorme procura mundial.

Se a Alemanha não acrescentasse valor, ninguém lhe compraria café. Afinal, porquê comprar o saco do café ao dobro do preço, quando o poderia fazer a metade directamente ao Brasil? Por vários motivos, que são fáceis de elencar: 1) tempo de entrega ordens de magnitude inferior; 2) MOQ (minimum order quantity) muito menor; 3) burocracia intra-EU vs Brasil facilitada; 4) menores custos de transporte por Kg; etc. Ou seja, embora o custo unitário do saco seja mais barato no Brasil, fica mais barato comprar diretamente à Alemanha até uma certa quantidade. Na verdade, não é apenas a Alemanha que faz isto com o café. Existem entrepostos por toda a Europa cuja finalidade é precisamente esta, a de servirem de ponto intermédio entre produtores e consumidores, ajustados à medida de cada um.

Tudo isto seria irrelevante se não fosse Francisco Louçã professor catedrático de Economia no ISEG. O obscurantismo económico do século XV perpetua-se assim nas universidades portuguesas.

Tão amigo da indecência

Francisco Louçã na Moita

Francisco Louçã, numa tentativa esvaziada de substância mas devidamente condimentada com maldizer e diz que disse, escreve num blog do Público que Hayek era amigo de Salazar, baseando tal informação numa carta que este escreveu ao então Presidente do Conselho de Ministros alertando para os perigos da democracia. Numa jogada de pluralidade democrática, Francisco Louça censurou o comentário que lhe redigi e em que retorquia a infundada acusação. Após ter tentado submeter por duas vezes o mesmo, e o mesmo continuando censurado, talvez por ressentimento de Trostky ter sido censurado por Stalin, publico-o então aqui.

É lamentável que um professor universitário perca a cátedra e use mera panfletagem para denegrir a imagem de alguém. É pena ou é sintomático de algo pior. Hayek alertou Salazar para algo muito óbvio, que é estudado em ciência política (pelo menos) desde os tempos de Burke: a democracia é a ditadura das maiorias, e como tal pode ser usada para oprimir as minorias. Minorias essas que V. costuma defender em bailaricos de causas. Hayek, e tantos outros liberais, advertiam para a opressão de uma minoria significativa, o indivíduo. Aliás, como bem sabe ou deveria saber, servem as democracias liberais como garrote a este potencial abuso. Quanto à associação que faz de Hayek ao Chile, acho curioso que pegue no que um intersindicalista revolucionário Chileno lhe disse para retratar a opinião de Hayek. Por fim, é interessante recordar a todos os leitores que a ideologia que V. defende gerou a USSR, a China de Mao, a Jugoslávia de Tito, Cambodja de Pol Pot, Albânia de Hoxha, Cuba de Castro e Che, entre tantos outros paraísos comunistas que mancham a história da humanidade com centenas de milhões de mortes. Se o seu melhor rebate ao liberalismo é uma carta de Hayek a Salazar, estamos conversados. Não lhe restam quaisquer argumentos, excepto a maledicência. 

Uma má notícia para o BE, uma esperança para o país

Ao anunciar a sua saída da Assembleia da República,  Francisco Louçã espeta mais um prego – daqueles bem grandes – no caixão do Bloco. A arrogância extrema, a superioridade moral cega e a demagogia perigosa que têm servido de imagem de marca e de pilares de sustento da existência bloquista perderam o seu principal executante. Uma má notícia para o BE, uma esperança para o país.

Ideologia Vs Realidade

Pelo Rev. Robert Sirico, traduzido para Brasileiro pelo CIEEP:

Se percebermos que o argumento moral do socialismo está equivocado — e que o capitalismo, na verdade, traz benefícios e serve ao bem comum — por que nos mantemos na ideologia em vez de abandoná-la? Evidentemente, é difícil abrir mão de uma vida inteira dedicada à ideologia, especialmente se a considerarmos a única alternativa existente ainda não contaminada pelo mal. Assim, o socialismo foi, por gerações, simplesmente um dogma arraigado. É possível aos socialistas discutir pontos delicados, mas não abandoná-los.

Contudo, por mais compreensível que seja, não é louvável. Continuar a afirmar uma doutrina comprovadamente falsa é abrir mão de qualquer pretensão de objetividade. Se alguém provar que o livre mercado e a propriedade privada levam ao empobrecimento, à ditadura e à violação dos direitos humanos em grande escala, creio que deveria ter senso e capacidade de admitir e mudar meus conceitos. Em todo caso, aos socialistas falta humildade intelectual. Eles se agarram a sua fé — sua falsa religião — como se suas vidas estivessem em jogo. Muitos continuam ainda assim hoje.

A maioria dos intelectuais no mundo tem consciência do que o socialismo fez na Rússia. E ainda há muitos que se mantêm fiéis ao ideal socialista. O império do terror de Mao Tsé-Tung (1893-1976) não é mais segredo. E ainda assim, é moda lamentar o avanço do capitalismo na China, mesmo com a evidente melhora das condições de vida do povo chinês pela crescente liberdade ao ingresso no mercado. Muitos europeus estão totalmente conscientes de quão nociva a social-democracia tem sido na Alemanha, na França e na Espanha. E ainda continuam a se opor à liberalização dessas economias. Aqui nos Estados Unidos temos visto o fracasso dos programas de redistribuição de renda e o desequilíbrio fiscal que geram. E ainda há muitos que continuam a defendê-los e promovê-los.

(…)

Depois de mais um exemplo por parte de Louçã, a esperança de uma mudança em breve é bem diminuta…

Fica para a próxima

O lider do bloco de extrema-esquerda acha que é o ”fanatismo orçamental” que colocou vários países europeus a caminho da falência. Para o nosso Robspierre parece que quanto mais um país gastar melhor será o seu saldo orçamental. Espanta-me que a apesar dos recorrentes saldos orçamentais Portugal esteja mais próximo da penúria do que do paraíso. A sério. Tal como escreveu o Carlos, estes modernos vendedores de banha da cobra merecem ganhar as eleições. Venham daí combater a realidade com uma contabilidade alternativa. Vai ser bonito de se ver.