Rápido, rumo a Cuba!

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Bolivia, Equador, El Salvador, Guiné Equatorial, Namibia, Nicarágua, Venezuela e Zimbabwe são alguns dos países cujos Chefes de Estado estarão presentes no funeral de Fidel Castro. Farolins da democracia, da liberdade, do desenvolvimento e da prosperidade, a que se juntam outros portentos como a Grécia, representada por outro febeu da política, Tsipras.

Dada a participação deste ramalhete de cânones da democracia e o voto de pesar pela morte de Fidel submetido ontem à Assembleia da República pelo Partido Socialista, deixa-me algo perplexo que o sr Primeiro Ministro, António Costa, e o Cicerone da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, não se apressem a entrar no primeiro avião que rume a essa ilha, com escala nos EUA para comprarem um iPad em desconto, prestando assim sentida homenagem a esse grande homem revolucionário — pese embora alguns pequenos erros cometidos, como os milhares de dissidentes políticos que foram executados por sua ordem —, que foi Fidel Castro.

O PS e Salazar – uma admiração revelada

O voto que o Partido Socialista apresentou a chorar Fidel Castro serviria sem muitas alterações para branquear Salazar. Na verdade pode ler-se assim sem grande imaginação.

Nem falta a violação dum povo inteiro ao assinalar-se o luto que os cubanos assinalam do falecido ditador. Como cá no Estado Novo, também o povo cubano é prostituído para servir de bandeira de quem branqueia um ditador que morre num sistema que não permite a celebração de quem sofre e sofreu 50 anos no criminoso regime – e é obrigado a assistir que no estrangeiro isso seja motivo de gozo e diversão por supostos democratas.

O PS do Tempo Novo é afinal o PS do Estado Novo. Do de foice e martelo, em vez do de Deus, Pátria e Família, mas igual no essencial. Depois estranhem o sucesso dos Trumps e das Le Pens desta vida.