Persistir na asneira

Emissões de dívida soberana a taxas de juro negativas, algo que nunca antes acontecera, é mais um sinal dos tempos únicos que atravessamos. Um bom sinal para a União Europeia e para a Zona Euro em particular será a uniformização das taxas de juro pagas pelos diferentes Estados Europeus, o que irá significar o melhorar de toda a situação Europeia, mas a meu ver isso não irá acontecer, antes pelo contrário. Foi descoberto um ponto fraco da Zona Euro e os investidores mais agressivos estão a aproveitar esse facto. A única maneira séria de resolver o problema é o da mutualização das dívidas o que, inevitavelmente, ainda irá gerar muita discussão.

in “O Paradigma das yields negativas” de Francisco Lopes (Jornal de Negócios)

Que o descontrolo da despesa pública e do endividamente público e privado no “Clube Med” tenha sido incentivado pela “uniformização” das taxas de juro após a introdução do euro é algo que o autor das linhas supra parece não se aperceber. Não nos parece agora credível que os países do centro e da periferia tivessem acesso ao credito nas mesma condições mas foi isso mesmo que sucedeu na última década. Verdade seja dita que ninguém nos apontou uma arma à cabeça obrigando-nos a acumular dívida. Ainda para mais em tantos projectos de rentabilidade mais que duvidosa. A tal anestesia associada à esperança que mais cedo ou mais tarde alguém (leia-se, a Alemanha) viria pagar a conta fizeram o deleite de muitos governantes. Até que a realidade lhes bateu à porta e descobriram que os alemães estavam muito pouco inclinados para pagar contas alheias.

Desta feita, insistir na mutualização da dívida é recompensar o infractor e esperar por uma nova “uniformização” das taxas de juro é completamente inverossímel. Da mesma forma, esperava que por esta altura não fosse motivo de espanto as yields negativas que beneficiam os países com finanças públicas e economias mais sólidas. E que mesmo assim não convence muitos que preferem parquear os seus activos longe do alcance dos políticos da UE.

Dois terços dos alemães são austeritários

Diário Económico

De acordo com uma sondagem divulgada hoje, quase 66% dos alemães não concorda que se dê mais tempo a Portugal, Grécia e Espanha para cumprir as metas acordadas com a troika.(…) A poll da ZDF-Politbarometer, citada pela Reuters, também mostra que 63% dos alemães apoia a forma como a chanceler Angela Merkel tem gerido a crise de dívida(…).

Mais de metade dos alemães também não concorda com a mutualização da dívida na zona euro.(…) A mesma sondagem mostra que o partido conservador de Merkel continua a ser o mais popular na Alemanha, com um apoio de 36% dos sondados, dois pontos percentuais acima da última poll, de Maio