The European Debt Crisis Visualized

Um vídeo interessante da Bloomberg que explica o principal problema da moeda única como sendo o resultado das tensões provocadas por uma política monetária central homogénea e de várias políticas fiscais descentralizadas e heterogéneas.

A culpa não é sempre dos alemães

Rui Ramos no Observador

Não foi, porém, a Alemanha que forçou a adesão dos países do sul à moeda única. Os alemães desconfiavam do euro, e os seus governantes receavam a companhia da Grécia. Foram os países do sul que se impuseram, e se os nórdicos têm culpa, é talvez a de não terem resistido mais. Entretanto, a paixão grega pelo euro não acabou. Os gregos, hoje, parecem não querer pagar a dívida ou ajustar a despesa ao produto nacional. Mas continuam a querer o Euro, ou mais exactamente, o dinheiro estável e barato que o Euro significa, e que nunca a Grécia conheceu noutro regime. Mas querendo os benefícios, dispensam as regras. Porque é que julgam que isso será possível?

Um Retrato Económico Da União Europeia

Dados revelados esta semana pelo Eurostat, ainda que relativos a 2013, permitem nos comparar os diversos países da União Europeia sob diferentes indicadores. Em particular neste post, são analisados os critérios do Tratado de Maastricht referentes ao valor do défice (que deverá ser inferior a 3% do PIB); e à dívida (que deverá ser inferior a 60% do PIB); ainda que só se apliquem aos estados membros da zona euro.

A tabela resumida – referente a 2013 – é apresentado abaixo. A verde estão os países que cumprem os dois critérios referidos acima (onze países); a amarelo os países que cumprem apenas um dos critérios (oito países); e a vermelho os países que não cumprem nenhum dos critérios (nove países onde se inclui Portugal).

Eurostat_Data

A seguir, são desdobrados os indicadores em gráficos para ser mais fácil compreender as diferenças e posicionamento dos diferentes países – dados referentes a 2013. As linhas paralelas a preto nos gráficos da Dívida (% PIB) e do Défice (% PIB) representam os limites do Tratado de Maastricht.

Eurostat_Divida

Eurostat_Defice

Eurostat_PIB_Normalizado

Eurostat_VariacaoDoPIB
Eurostat_Receita

Eurostat_Despesa

Áreas Monetárias Óptimas: Euro e Atlante

Para quem estudou Áreas Monetárias Óptimas*, estes são tempos históricos.

Só hoje, o Negócios fala no Euro só para os ricos, nas discussões Franco-Alemãs para uma Zona Euro mais pequena, num Comissário Europeu a prometer “problemas” para Portugal se não cumprir as metas acordadas com Bruxelas e no desejo de Bruxelas de “inspeccionar as contas da CP, Parque Expo e ANAM.

Se querem perceber o assunto, Mundell explica. Leiam as condições para as OCAs:

The four often cited criteria for a successful currency union are:[5]

  • Labor mobility across the region. This includes physical ability to travel (visas, workers’ rights, etc.), lack of cultural barriers to free movement (such as different languages) and institutional arrangements (such as the ability to have superannuation transferred throughout the region) (Robert A. Mundell). In the case of the Eurozone, while capital is quite mobile, labour mobility is relatively low, especially when compared to the U.S. and Japan.
  • Openness with capital mobility and price and wage flexibility across the region. This is so that the market forces of supply and demandautomatically distribute money and goods to where they are needed. In practice this does not work perfectly as there is no true wage flexibility. (Ronald McKinnon). The Eurozone members trade heavily with each other (intra-European trade is greater than international trade), and most recent empirical analyses of the ‘euro effect’ suggest that the single currency has increased trade by 5 to 15 percent in the euro-zone when compared to trade between non-euro countries.[6]
  • A risk sharing system such as an automatic fiscal transfer mechanism to redistribute money to areas/sectors which have been adversely affected by the first two characteristics. This usually takes the form of taxation redistribution to less developed areas of a country/region. This policy, though theoretically accepted, is politically difficult to implement as the better-off regions rarely give up their revenue easily. Theoretically, Europe has a no-bailout clause in the Stability and Growth Pact, meaning that fiscal transfers are not allowed, but it is impossible to know what will happen in practice. Of course, during the 2010 European sovereign debt crisis, the no-bailout clause was de facto abandoned in April 2010.[7]
  • Participant countries have similar business cycles. When one country experiences a boom or recession, other countries in the union are likely to follow. This allows the shared central bank to promote growth in downturns and to contain inflation in booms. Should countries in a currency union have idiosyncratic business cycles, then optimal monetary policy may diverge and union participants may be made worse off under a joint central bank.
Agora pensem comigo: Quantas OCAs há na Europa?
Bem, na minha opinião, 2:
– A Zona Euro, com a Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Áustria, Finlândia, Estónia, Dinamarca e talvez a Irlanda e a Suécia.
– Chamemos à 2ª a Zona Atlante: Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Malta, Grécia e talvez Eslováquia, Eslovénia e Chipre.
A 1ª zona beneficiaria de uma moeda forte, que permitiria à população pagar importações a preços baixos e fazer turismo a bons preços.
A 2ª zona beneficiaria de desvalorizações competitivas, permitindo à indústria sobreviver apesar dos hábitos da população.
As balanças comerciais estariam em equilíbrio, mas na 1ª isso seria feito sem esforço, enquanto que na 2ª o Banco Central de Roma (ou Paris…) estaria sempre a intervir. E claro que uma moeda estaria permanentemente a desvalorizar-se face à outra (o que deriva logicamente de tudo o que foi dito antes).
Obviamente o que os divide é uma questão cultural: empenho Vs facilitismo, fortaleza Vs fraqueza, objectividade Vs desculpabilização, meritocracia Vs desresponsabilização.
A moeda é um reflexo do povo. E os Portugueses pertencem ao 2º grupo: melhores amantes, mas fracos trabalhadores.
Ficam com uma imagem do Atlante.
* Esteve para ser a minha Tese de Mestrado, em vez de “Como Lucrar por Ser Liberal”