Salazar e Le Pen: a luta continua

Daqui se conclui com relativa evidência: tivesse Salazar tido a “lucidez” de chamar União Nacional Trabalhista ao seu partido único e de chamar às colónias “territórios de resistência ao imperalismo” teria podido contar com Cunhal como seu fiel ministro – tudo o resto seria o Estado Novo como o conhecemos: prisão de opositores (banal desde Lenine), censura prévia na imprensa (nada mais comum no Pacto de Varsóvia) e colonialismo (URSS, alguém?).

 

Isto e mais no Expresso online.

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Rui Moreira e as expropriações à Estado Novo

“Se porventura pensarem que vão expulsar [cafés e lojas históricas] resistentes da cidade, saibam que a Câmara do Porto utilizará todos os recursos legais ao seu alcance para o impedir. Para sermos claros, no Estado Novo usavam-se expropriações por esta razão”.

(…)
“Não consigo imaginar a cidade sem o [café] Guarany, sem o [café] Majestic, sem a Loja das Sementes”

Salazar inicialmente não se via como de esquerda ou de direita. Era simplesmente um pragmático com uma missão: salvar o seu país.”todos os recursos legais ao seu alcance

Rui Moreira também tem uma missão: salvar os espaços tradicionais da cidade, utilizando “todos os recursos legais ao seu alcance”, não hesitando em evocar o Estado Novo para esclarecer o alcance das suas afirmações.

Cada um escolhe a bitola pela qual quer ser referenciado. Já ouvi muitos ataques aos direitos, liberdades e garantias fundamentais por parte de políticos da III República. Este é um dos mais claros, contundentes e graves ataques ao direito de propriedade. Uma pessoa sem direito à sua propriedade perde o direito ao seu passado e aos respetivos frutos – um forte desincentivo ao esforço fundamental para a recuperação económica.

É também um ataque gravíssimo ao Princípio da Certeza Jurídica, um princípio repetidamente reiterado pelo Tribunal Constitucional como um dos mais relevantes do nosso documento fundamental.

E por fim é um sinal de prepotência. Quero, posso e mando. Demonstrador de um defeito grave de personalidade num dirigente em democracia. Que será recordado em futuras eleições – aquelas coisas chatas que há de 4 em 4 anos e que podem tirar o pequeno ditador do posto que por demérito alheio ocupa.

A conspiração fascista na extrema-esquerda

Neste artigo do Expresso é feita a decomposição dos eventos considerados mais importantes na história de Portugal e consultada a vox populi sobre o assunto. Ignoremos que alguns desses eventos, como a restauração da independência em 1640, foram cruciais para que possamos estar hoje a votar se esse foi, ou não, o evento mais importante.

É especialmente interessante analisar o que cada um dos simpatizantes dos diversos partidos políticos tem a dizer sobre o Estado Novo:

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Uma significativa percentagem de pessoas que é simpatizante do BE, do PCP ou do PS parece encontrar mais coisas positivas do que negativas no Estado Novo. Assumamos, contudo, que estes conspiradores fascistas que se enraizaram nos partidos da esquerda e extrema-esquerda portuguesa não se revêm no utilitarismo de Mill. Caso contrário, dado que o benefício ultrapassa o prejuízo, só lhes restaria defender afincadamente um retorno ao fascismo.

Curiosamente, é o CDS o único partido onde não existe quem ache que o Estado Novo foi mais positivo do que negativo. A questão não pode nem deve ser abordada na óptica utilitarista. É uma questão de princípio. Nenhum país vergado onde os seus indivíduos vivem do Estado e para o Estado enquanto sujeitos à vontade discricionária dos seus beneméritos líderes é uma solução admissível, por muita riqueza que daí provenha.

Ainda a polémica Rui Ramos/Manuel Loff

Na sequência do esclarecimento de Rui Ramos e da efectiva leitura da obra em causa, Pedro Rolo Duarte reconhece que errou. Um gesto que só lhe fica bem.

Este é, em primeiro lugar, um pedido de desculpas ao historiador Rui Ramos e à equipa que, com ele, coordenou e escreveu a História de Portugal que a editora Esfera dos Livros publicou, há algum tempo, e o jornal Expresso decidiu oferecer, em fascículos, ao longo deste Verão. Mas é também, e especialmente, um pedido de desculpas aos leitores deste blog.(…) Continue a ler “Ainda a polémica Rui Ramos/Manuel Loff”