Autonomias (4)

No ABC

La consejera andaluza de Hacienda y Administración Pública, Carmen Martínez Aguayo, se dirigirá al ministro de Hacienda y Administraciones Públicas, Cristóbal Montoro, para que “revise” la “penalización” a Andalucía en su límite de endeudamiento acordada en el Consejo de Política Fiscal y Financiera (CPFF) antes que sea aprobada por el Consejo de Ministros.

Os limites ao endividamente das regiões não são tratados como limites máximos inultrapasséveis mas como objectivos de curto prazo antes de, perante a “força das circunstâncias”, negociarem um novo limite superior. (refira-se de passagem que a administração central faz precisamente o mesmo). Uma solução seria impedir o endividamento das regiões mas, nesse caso, porquê dar-lhes autonomia financeira?

Autonomias (2)

No seguimento do post sobre o descalabro financeiro no Canal Sur, aconselho a leitura deste artigo do ABC sobre as televisões autonomicas em Espanha

Más de mil millones de euros tendrán que inyectar este año los gobiernos regionales para mantener sus radiotelevisiones autonómicas, que además siguen sumando pérdidas multimillonarias. Estos más de mil millones salen directamente de cada presupuesto regional y constituyen la principal fuente de ingresos de estos entes. El coste casi triplica al que le supone al Gobierno central sostener Radio Televisión Española (RTVE), que este año será subvencionada con 383 millones de euros con cargo a los Presupuestos Generales del Estado. RTVE sale a ocho euros por español.(…)

Cerraron 2006 con unas pérdidas de 750 millones de euros, en 2007 rozaron los 950 millones, en 2008 superaron los 760 millones euros, en 2009 rondaron los 700 millones

Spain Pain – A imprensa internacional finalmente descobre os problemas de Espanha

E já não era sem tempo! Imprensa internacional insiste no resgate total de Espanha.

Tinha de chegar o dia em que até os jornalistas notariam que do outro lado da fronteira as contas são insustentáveis.

Continua sem haver notícias de quando o país vai ter superavites para começar a pagar o que deve…

A Marcha dos Inúteis até Madrid

Mineiros espanhóis ameaçam fazer guerra frente ao palácio do Governo. Leia-se o detalhe:

Se fecharem as minas não teremos mais nada”, disse Francisco Martim, mineiro de 35 anos que veio da região de Teruel, em Aragão. “Devemos fazer o Governo tomar consciência de que as localidades mineiras devem sobreviver”, adiantou à AFP Antonio Risco, de 52 anos, 22 passados no fundo da mina.

A ideia é essa camarada: Fechar algumas das muitas minas de carvão. Se há tantas e se não conseguem ser rentáveis por si, têm que fechar algumas para que as outras sejam rentáveis.
Localidades mineiras ou reagem ou são abandonadas. Já aconteceu muitas vezes. Na história económica, empresas abrem e empresas fecham consoante as preferências do consumidor e o que é necessário para o satisfazer. Há que mudar de ramo…

Adenda: para quem não sabe, Inútil em Economia é aquele que destrói mais valor do que aquele que cria.
Ou seja, se para obter um determinado produto se gasta 500 e a sociedade só o valoriza em 100 (por exemplo), isso significa que a sociedade está a exigir que se produza menos, desvie os recursos usados para outros fins e se equilibre a necessidade e a oferta.

Qual é a alternativa? Produzir uma quantidade enorme de todos os minérios mesmo que não sejam necessários? Acumular materiais desnecessários só para que se continuem a produzir as ferramentas usadas para manter empregos que não produzam nada de valor? Se fosse para isso, mais vale mantê-los em casa a receber transferências do Estado sem fazer nada. Ao menos poupa-se nos custos de saúde (pois aquelas minas bem não devem fazer).

A Espanha está como está porque com crédito a baixo preço, iniciaram-se muitos projectos de construção sem interesse, pois os consumidores não os valorizavam e deles não tinham necessidade. Até quando vai Espanha vai resistir à regra “Consumer is King“?

I wonder…

Como é que estas declarações do Paul Krugman a situação em Espanha estão a ser (irão?) comentadas nos sectores esquerdistas e abrantinos?

É que pelos vistos para Krugman a culpa é do governo espanhol e não da pérfida Sra Merkel e da vil Alemanha. Falta-lhes um plano interno. Plano esse que terá de passar “por uma “grande desvalorização interna”, com uma forte queda de preços e salários.

PS: Para os jornalistas, Paul Krugamn continara a ser eternamente O Nobel da Economia. Ainda que seja uma distinção atribuida anualmente desde o início dos anos 70. Ainda há poucos dias faleceu outra vencedora do Nobel da Economia, bem mais recente que Krugman, Mas quase ninguém sabia quem era.

A Liberdade é para todos?

Não.

Pelo menos, de acordo com o que escreve certa imprensa, este claramente não é o caso.

Indescritíveis Capitalistas são incorrigíveis e portanto já não surpreende e deles espera-se quase tudo.
Até abastecerem onde o gasóleo é mais barato.

Agora, membros de Casas Reais, com vidas públicas estudadas ao mínimo detalhe, devem representar o melhor de cada sociedade a cada instante.
Caçar é claramente politicamente incorrecto. Fazer um safari no Botswana quando o país sofre com uma crise gravíssima, é claramente inaceitável.
Merece perseguição, manifestações, comunicados, petições e notícias internacionais. Ficam alguns excertos:

“Preocupa ao PP e ao Governo que o rei possa perder o apoio não da esquerda republicana, que nunca teve, mas de boa parte da direita e incluindo da direita monárquica”

A alimentar a polémica está também a demora da Casa Real espanhola em anunciar o que acontecera, o que levou a que a notícia se tenha sabido mais depressa através das autoridades do Botswana. Por fim, a fotografia de Juan Carlos armado diante de um elefante morto – a imagem é de 2006 – correu mundo e contribuiu para intensificar o escândalo.

A actriz francesa Brigitte Bardot escreveu uma carta aberta ao rei espanhol a dizer-lhe: “É indecente, repugnante e indigno de uma pessoa com a sua responsabilidade. Você é a vergonha de Espanha”. E na Internet está a circular uma petição para que Juan Carlos abandone o cargo de presidente honorário da filial espanhola da WWF, a qual já conta com mais de 40 mil assinaturas. O próprio Fundo para a Conservação da Natureza, para o qual não serão novidade as caçadas de Juan Carlos, prometeu através de uma mensagem no Twitter fazer chegar ao rei de Espanha todos os comentários e críticas que entretanto recebeu.

Em Espanha, a imagem de um rei a caçar no Botswana num momento de grave crise económica causou indignação. “Não é o que esperavam os espanhóis. É pouco edificante”, considerou Tomás Gómez. Várias organizações de defesa dos direitos dos animais, como a Igualdade Animal ou a Equanimal, chegaram mesmo a convocar manifestações para a porta do hospital onde Juan Carlos está internado.

A caçada do rei junta-se a outros escândalos recentes que têm atingido a família real espanhola, como o processo de corrupção de que é acusado o genro do rei e marido a infanta Cristina, Iñaki Urdangarín, ou o acidente em que, na semana passada, o neto de 13 anos de Juan Carlos, Felipe Juan Froilan Marichalar Borbón, disparou sobre o próprio pé com uma espingarda de três canos de calibre 36 quando praticava tiro ao alvo com o pai.

A polémica atravessou fronteiras. No New York Times foi referida a “polémica viagem de caça” que “acalentou as críticas sobre o modo de vida do rei num momento em que o país enfrenta uma crise económica”. E no britânico Guardian leu-se que “enquanto os espanhóis enfrentam a austeridade e a recessão, a família real desfruta de caras viagens de caça.”

Acho bem. Quem vem com o discurso intervencionista e ainda por cima é líder da WWF tem de agir em coerência e aceitar a ingerência de todo e qualquer eventual peticionário na sua vida. Agora não se queixem e aceitem a consequência natural: a resignação em favor do filho. Enquanto ele se comportar, claro.

Juan Carlos’s expensive trip to Botswana – from which he was flown home injured – arouses anger in recession-hit country

Eleições em Espanha

Faltam duas semanas para as eleições e tudo aponta para uma derrocada inédita do PSOE e para uma maioria absoluta do PP. Não são novidades. Os socialistas espanhóis preparam-se para este cenário há meses. Com Rubalcaba na liderança, esperava-se, e espera-se, uma mistura de manobras sujas e trapalhadas na pré-campanha e campanha eleitorais do PSOE. E é isso mesmo que estamos a ter.

Primeiro, foi o infame comunicado da ETA, que tresanda a arranjinho e embuste: declaramos a trégua definitiva, mas não tiramos os barretes ao estilo Klu Klux Klan nem entregamos as armas. (As lágrimas no comício do PSOE, derramadas pelo comunicado da ETA e pelo “fim” do terrorismo, foram confrangedoras e insultantes). Agora, desesperado, Rubalcaba recorre às velhas glórias do partido, com Felipe González à cabeça do pelotão. Isso mesmo, González, o pai da crise económica dos 1990s, do terrorismo de Estado e de uma mancheia de escândalos e casos de corrupção. Manobras sujas e trapalhadas, como fora “prometido”. É Rubalcaba, senhoras e senhores, também conhecido como o Rasputín da Moncloa. Um patético e desajeitado Rasputín que teve um papel central nos governos que deixaram Espanha de joelhos, e que agora, também de joelhos e com as mãos enlaçadas em posição de súplica, pede o perdão e o voto dos eleitores, com uma ladainha que oscila entre a canção do bandido e o tango do arrependido. Pouco sucesso terá, num país finalmente cansado da trágica gestão socialista.