A Criação De Emprego Segundo O PS

AntonioCostaSe eu bem percebi, as propostas de António Costa para criar emprego qualificado – a tal aposta na “inovação e no conhecimento, e contra os baixos salários” – que impeça os jovens licenciados de emigrarem, passa por baixar o IVA na restauração e apostar na reabilitação urbana. Portanto, segundo António Costa, a aposta tecnológica e de alto valor acrescentado reside nos restaurantes e na construção civil – tudo empregos de qualidade e sem qualquer tipo de precaridade.

Ao mesmo tempo, o PS desencoraja o investimento (e portanto a criação de emprego) ao abandonar o compromisso realizado pelo seu antecessor para baixar a taxa de IRC e ao propor o aumento da TSU às empresas com mais rotatividade – ainda que isso seja necessário para manter as empresas competitivas.

Porreiro, pá.

Há falta de jovens em Portugal?

Em resposta ao meu artigo O Receio de Bagão Félix…, “jo” comentou:

“Se o problema actualmente fosse a demografia teríamos empregos para jovens que não encontravam tomador. É isso que significa falta de jovens. O que temos é um desemprego muito maior entre os jovens do que entre o resto da população. Por tanto (sic) só há falta de jovens se houver falta de desempregados. Se o problema fosse falta de pessoas em idade para trabalhar bastava ir buscar uns barcos ao Mediterrâneo. Se a população está a decrescer e os vossos gurus dizem que o PIB vai crescer pelo menos 2,5% ao ano a partir de agora o problema também não é a falta de recursos. Parece que o único problema com as pensões é que há bancos e seguradoras que já não encontram mais nada que valha a pena pilhar.”

Vamos começar pelo facto: conforme disse no meu artigo, têm nascido menos jovens, desde 1970. Muito menos. Do-tipo-3-para-1,23 menos. Logo, o facto é muito real e qualquer pessoa que ande na rua, vá a escolas, passe em maternidades, e fale com pessoas com atividades infantis pode facilmente confirmar isso.

A questão não é negar o facto, a questão é compreender: se há menos jovens, porque é que estes têm cada vez mais dificuldade em arranjar emprego? Porque há uma coisa que tem diminuído ainda mais que os jovens: os empregos disponíveis para estes.

Vejamos mais uma estatística do PortData, a idade média dos novos pensionistas de velhice subiu de 62,3 para 63,4 entre 2011 [ano da entrada da Troika] e 2013, e eu suspeito que continue a subir. Em apenas 2 anos, aumentou mais de 1 (!). Os pensionistas por escalão etário têm estado a começar a diminuir nos escalões <60 e 60-64, numa altura em que a população nestes segmentos tem aumentado.

Vamos a um exemplo: a enfermagem. O problema não é ter havido uma explosão de enfermeiros em Portugal que, como são em tão em altas quantidades, não encontram emprego. O problema é que os hospitais pararam de contratar, e os enfermeiros que lá estão não se reformam (porque não os deixam). Menos de 10% dos jovens formados em enfermagem nos últimos anos anos encontram emprego na sua área. Metade, vai para fora. Cerca de metade, vai para outros empregos.

Sobre previsões de PIB: a) eu não tenho guris nem sei a quem se refere, b) duvido muito que o PIB cresça a uma média de 2,5%/ano nos próximos 20 ou 40 anos, c) os recursos nunca são ilimitados pelo que haverá sempre uma limitação mais ou menos severa de recursos. Por fim, a pilhagem foi feita por outros, não pela banca e pelas seguradoras – mais uma vez, nem sei com que base alguém afirma isso.

Por fim, haverá outras justificações para esta falta de emprego para os jovens. O crescimento do PIB é recente e tem sido lento por agora. O crescimento do emprego é uma variável desfasada do crescimento da produção (agregada no PIB). Um crescimento sem grande correspondência em termos de emprego (“jobless growth”) devido à rigidez do mercado laboral. A acumulação por parte de alguns de 2 empregos para ajudar a pagar as contas – não só as suas como as de familiares em situação difícil. O facto de algumas posições preferirem pessoas não formadas, para “controlar”custos. O facto de as qualificações mais teóricas de muitos jovens não incluírem conhecimentos técnicos. Enfim, as justificações são inúmeras. Não me digam é que não há uma crise de nascimentos, há muito e em crescendo.

Adenda: esta é uma realidade que é para continuar e acelerar. Senão vejam nas páginas 31/32 deste relatório de Roberto Carneiro:

De acordo com a Estratégia Europeia 2020, adotada em Conselho Europeu de 8 de março de 2010, entre as três prioridades que foram aprovadas, considera-se relevante a do crescimento inclusivo, nomeadamente o objetivo duma taxa global de emprego de 75% para a população dos 20-64 anos e de (50%) para a população idosa com mais de 65 anos.

“Não À Substituição De Trabalho Por Máquinas”

maquinasExiste uma história sobre  Milton Friedman que numa viagem por um país asiático por volta de 1960 visitou a construção de um novo canal. Ele ficou chocado ao observar que em vez de usarem equipamento pesado tal como escavadoras, os trabalhadores utilizavam pás. Ao perguntar porque é que os trabalhadores usavam pás o burocrata governamental que o acompanhava respondeu que se tratava de um “Programa de Emprego” ao que o Milton Friedman retorquiu: “Se são empregos que querem, porque é que não usam colheres?”.

De algum tempo para cá que tenho observado um certo número de artigos (tipo esteeste ou este) relacionados com a “ameaça” da substituição de empregos por máquinas. Depois de um amigo meu me ter facultado a foto ao lado (priceless) de uma manifestação da CGTP que teve lugar no Porto no fim-de-semana passado onde se pode ler um cartaz onde está escrito “Não à Substituição de Trabalho Por Máquinas – Em Defesa do Emprego“, resolvi escrever este post em grande parte baseado no Capítulo 7 – The Curse Of Machinery do Economics In One Lesson, um livro absolutamente imperdível do Henry Hazlitt.

A proliferação da utilização de máquinas é de facto bom ou mau e irá-se traduzir em mais ou menos emprego?

Na medida em que a utilização de máquinas e equipamento aumenta a produtividade (já os homens das cavernas tinham descoberto isso), a sua proliferação é altamente benéfica, pois:

  • O aumento da produtividade aumenta a produção, reduz o preço e permite o aumento de salários.
  • Liberta recursos humanos para se dedicarem a outras actividades que de outra forma não seria possível.

Do ponto de vista do emprego, o progresso tecnológico e a utilização de máquinas em particular também é muito positivo para o emprego uma vez que:

  • São sempre necessárias pessoas para desenvolver, instalar e manter as máquinas pelo que se vão criar novos empregos (geralmente muito qualificados).
  • O aumento da produtividade estimulará a competição; a concorrência terá também que comprar mais equipamentos; e no geral a indústria terá que baixar os preços. Se o preço for elástico e uma redução do preço causar um aumento percentual maior da procura, então serão precisas mais pessoas a trabalhar na produção desse bem. Isto foi o que aconteceu com a indústria textil Inglesa no início da revolução industrial tendo o número de pessoas a trabalhar no sector textil passado de cerca de 7.900 em 1760 para 320.000 em 1787 (um aumento de 4.400% em 27 anos!).
  • O aumento da produtividade reduz os custos o que resulta numa libertação de fundos. Estes fundos podem ser distribuídos – em parte por opção, em parte por força do mercado –  pelos accionistas (distribuição de lucros), pelos trabalhadores (aumento de salários) ou pelos consumidores (redução de preços).  Estes fundos que passam a ficar disponíveis como resultado do aumento da produção, serão aplicados quer pelos accionistas, quer pelos trabalhadores, quer pelos consumidodes em três formas todas elas criadoras de emprego:
    • Investimento – em mais máquinas, ou noutras empresas ou indústrias
    • Poupança – que permitirá a outras pessoas e empresas realizar investimentos
    • Consumo – porque foi precedida de um aumento da produção

Embora em termos agregados o volume de emprego cresça com a introdução de equipamento que aumente a produtividade, alguns tipos de empregos serão de facto reduzidos ou até extintos (operadores de telégrafo, condutores de carruagens, dactilógrafos, etc.). Esses empregos que deixam de ser necessários serão substituídos por outros empregos necessários. Afinal de contas, os desejos humanos são infinitos e os recursos são finitos. O perfil dos novos empregos necessitará obviamente de qualificações e competências diferentes.

Um emprego não pode ser visto como um fim em si mesmo. Se o objectivo é criar empregos, o governo (quem mais?) poderia facilmente criar inúmeros empregos que consistiriam apenas em cavar e tapar buracos. Um emprego deve ser visto como um meio de se produzir algo útil que seja valorizado pelos consumidores, o que por sua vez permite que se efectuem trocas comerciais com outros bens e serviços que também são valorizados pelos consumidores.

De notar que o objectivo da tecnologia não é criar empregos, mas sim aumentar a produção e elevar os padrões da qualidade de vida. O aumento da qualidade de vida é conseguido através da produção mais barata de bens e serviços assim como de salários mais elevados resultantes do aumento da produtividade. O aumento do emprego é um efeito colateral.

Por redução ao absurdo, admitamos que o progresso tecnológico causa desemprego. Tendo este ocorrido de forma contínua desde o tempo em que o homem começou a produzir machados e lanças, o desemprego deveria ter vindo a aumentar continuamente desde então.

O facto é que o mundo tem hoje cerca de seis vezes mais população do que existia quando começou a revolução industrial. Sem o progresso tecnológico que se verificou desde então seria impossível que este planeta conseguisse suportar este volume de população. O futuro da humanidade certamente que dependerá da evolução e do progresso tecnológico.

Para terminar, fica aqui uma das muitas pérolas que se encontram pela Internet.

PostosDeTrabalho

Obamanomics: A Pior Recuperação Económica Desde a Segunda Guerra Mundial

A recuperação da economia da dos Estados Unidos da crise de 2008/2009 é já a pior recuperação desde a segunda guerra mundial. E isto tendo em conta a alteração das formas de cálculo de vários indicadores económicos com o objectivo de os fazer parecer melhor do que na realidade são – a este propósito consultar o site shadowstats.com.

O gráfico abaixo é retirado do Fed de St. Louis e compara  a evolução do PIB americano da crise actual com a média das crises desde a segunda guerra mundial.

GDP_GrowthÀ comparação da evolução do PIB podemos juntar a comparação da evolução do emprego no sector privado com outras crises que ocorreram no pós-guerra e que se encontra  no gráfico abaixo (retirado daqui).

PrivateJobs

Finalmente, se considerarmos a evolução da dívida pública americana que ocorreu no mesmo período e cujo valor já vai em 16,48 triliões de dólares o cenário fica bem pior. Forward, Obama?

usdebtlevel

Bélgica procura Engenheiros Portugueses para 8000 vagas de trabalho

Notícia completa no Económico.

Um salário limpo de dois mil euros, em início de carreira, e rápida progressão salarial são as condições oferecidas.

A Bélgica procura portugueses para ocuparem os cerca de oito mil empregos disponíves para engenheiros e profissionais de Ciência e Tecnologia (C&T) que há nas empresas da região flamenca. “Só para engenheiros há cerca de três mil vagas, mas, se juntarmos os profissionais do sector da Ciência e Tecnologia, as vagas chegam às oito mil”, explicou Gert de Buck, responsável pelo recrutamento internacional da agência de emprego da comunidade flamenga na Bélgica, ao Diário Económico.

(…)

Muitas vezes, a dificuldade está em saber onde encontrar as vagas disponíveis nestes países. Para além das ofertas de emprego que poderá encontrar na rede Eures, há hipóteses de emprego no portal da Associação Europeia dos Estudantes de Tecnologia (Best) em best.eu.org.

(…)

Oportunidades
Um salário limpo de dois mil euros, mais carro, telemóvel e computador. São estas as condições oferecidas a um diplomado em engenharia na Bélgica,em início de carreira. E a progressão salarial é muito rápida, garante Ludo Froyen, director da Faculdade de Engenharia da Universidade de Lovaina. Esta escola quer aumentar em cerca de 30% os estudantes nos seus cursos e está a convidar estudantes portugueses a frequentar o 2º ciclo. Se vierem do IST entram sem qualquer limitação. Neste momento, já há 25% de estudantes estrangeiros neste nível de ensino, mas gostariam de ter mais. A propina é de 600 euros por ano, mais baixa que a cobrada em Portugal. A maioria dos estudantes consegue emprego mesmo antes de terminar o curso.

Se eu fosse Engenheiro, era mais um Insurgente a escrever a partir do exterior…
E depois dá nisto (fonte do gráfico):

Estado do Emprego nos EUA

Para quem quiser saber o Estado do Emprego nos EUA, recomendo vivamente a leitura deste artigo detalhado sobre o assunto:

Why the Jobs Situation is Worse than it Looks – US News

Neste artigo são fornecidos os números de Empregados (131M, os mesmos que em 2000, apesar de a população ter aumentado em 30M), Desempregados oficiais (7.5M), Desencorajados (3M), Trabalhadores temporários (8.5M), Desempregados de longa duração (6.2M), Incapacitados a receber pensões de invalidez (8M, mais 3M que 10 anos antes), Trabalhadores em greve (0, ou seja, zero). Aprendam estes e outros números, os pressupostos do BLS  para chegar a eles (cómicos, no mínimo) e como esta situação se compara com 1929 e como está bem longe de recessões “normais”.