Grande Sondagem O Insurgente Para As Eleições Europeias: Os Resultados

A todos que participaram na Grande Sondagem O Insurgente Para As Eleições Europeias lançada no dia 14 de Abril, deixo o meu agradecimento. Naturalmente, não é possível fazer uma leitura nacional dos resultados da sondagem uma vez que esta reflecte o perfil muito particular dos leitores deste blogue.

Sem grande surpresa, a Iniciativa Liberal reúne quase metade da preferência dos leitores. Surpreendente é o terceiro lugar do Chega que fica próximo do PSD  e que reúne cerca do dobre das intenções de voto do CDS. Entre os participantes na sondagem há quase tantas pessoas a votarem PS como na Aliança ou a absterem-se. Registo ainda com agrado as intenções de voto nos partidos mais à esquerda que são sistematicamente “maltratados” neste blogue – todos são bem vindos neste espaço.

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Campanha Eleitoral Financiada Pelos Contribuintes

Muito interessante o gráfico abaixo retirado daqui que revela os orçamentos dos diferentes partidos com assento parlamentar para a campanha das eleições para o parlamento europeu.

É curioso observar que a grande maioria dos partidos esperam que as subvenções estatais, pagas com o dinheiro de todos nós contribuintes, cubram a maior parte do orçamento da campanha eleitoral. Mesmo o CDS-PP que não prevê receber ajudas estatais, tem despesa orçamentada suficiente para poder vir a beneficiar delas caso venha a eleger um deputado, de acordo com a lei eleitoral.

E ainda dizem que não há margem para cortar nas despesas do estado.

Relativamente aos partidos “mais pequenos”, o orçamento é o seguinte (fonte e fonte):

  • Chega / Basta – 500 mil euros de orçamento, prevê receber 400 mil euros de subvenções estatais.
  • Aliança – 350 mil euros de orçamento, prevê receber 350 mil euros de subvenções estatais.
  • PDR – Partido Democrático Republicano – orçamento de 62.500 euros, não prevê subvenções estatais.
  • Iniciativa Liberal – orçamento de 28.000 euros, não prevê subvenções estatais. Aliás, tanto quanto tenho conhecimento é o único partido que assume publicamente que não aceitará subvenções do estado para a sua campanha eleitoral, mesmo no caso de eleger um eurodeputado (fonte).
  • PCTP-MRPP – orçamento de 16.000 euros, não prevê subvenções estatais.
  • Livre – orçamento de 11.650 euros, não prevê subvenções estatais.
  • PURP – Partido Unido dos Reformados e Pensionistas – orçamento de 5.000 euros, não prevê subvenções estatais.
  • PNR – Partido Nacional Renovador – 1.800 euros de orçamento, não prevê subvenções estatais,
  • PTPPartido Trabalhista Português – 1.000 euros de orçamento, não prevê subvenções estatais.

De entre os “partidos pequenos”, destaque para os orçamentos a coligação Basta e para o partido Aliança com um orçamento superior ao do CDS-PP e que contam cobrir na sua grande maioria com subvenções estatais.

De referir ainda que além da imoralidade das subvenções estatais, estas subvenções servem para defender e proteger os partidos grandes já confortavelmente instalados no mundo político português e para criar barreiras à entrada de novos partidos.

Leitura complementar: Europeias. Partidos contam gastar 4,9 milhões de euros na campanha eleitoral

Orbán: Podia ser Pior

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Esta questão do Orbán preocupa-me imenso, pois sou um pessimista e considero que pode sempre ficar pior. Ora imaginem lá que o homem não se dedicava apenas a fechar a Universidade do Soros e apertar uns adversários, mas decidia implementar uma ampla estratégia de censura de modo a condicionar globalmente o debate político?

Imaginem que o Orbán, à semelhança de um certo VP do Parlamento Europeu vinha afirmar que a intenção da UE era afastar determinados partidos do boletim de voto. Equacionem um cenário em que Orbán, ainda que admitindo a falta de provas, empreendia um vigoroso ataque contra um gigante tecnológico estrangeiro alegando interferência externa.

E se ele não se limitasse a correr com os refugiados? E se fosse a casa deles bombardear a malta até à idade da pedra, removendo no processo os líderes de países soberanos e deixando um rastro de morte e miséria? Era capaz de ser bem pior.

E se apostasse em montar um super-estado federal à revelia da população e ignorasse constantemente as decisões desta? Aí teria, claramente, uma grande parte das características de um fascista.

Felizmente a coisa ainda não está tão preta e Orbán ainda não se transformou nisso.

Conheça Voteman, um herói europeu muito polémico

Há, realmente, diferenças entre os países do Sul da Europa e os países do Norte da Europa. Um exemplo é a estratégia (falta dela no nosso caso), adoptada pelo Parlamento Dinamarquês, para lembrar os mais novos de que existe um acto eleitoral neste mês, que ele é importante e, por isso, fez-se um apelo ao voto jovem para as próximas eleições europeias: inspirado pela “diplomacia” dos episódios de South Park, na Dinamarca existiu, por breves momentos, um super-herói, o Voteman (para muitos um vilão), que, além de ser um mundano (demasiado peludo para o meu gosto), se esqueceu de votar nas últimas eleições europeias mas aprendeu a sua lição quando percebeu que a União Europeia mete o bedelho em tudo, desde a política de subsídios agrícolas à quantidade de canela que deve ser usada nos bolos. Se o jovem eleitor não entende a importância disso, bem, Voteman aplica a sua terrível vingança. Nós, por cá, preocupadíssimos com a abstenção, apelamos ao voto por via de pregações professorais deste e daquele e os nossos tempos de antena (alguém vê? alguém ouve?) dão sono. O vídeo do Voteman foi retirado 24 horas depois de ser lançado por imposições da moralidade pública mas, felizmente para a sua vida póstuma, a Internet não esquece os seus heróis…

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Sondagens Das Eleições Europeias

Abaixo estão duas imagens com os resultados de duas sondagens – Aximage e Eurosondagem respectivamente. Aparentemente, o PS não consegue fazer capitalizar a estratégia da “política de empobrecimento” e da sua alternativa – que além da “solidariedade europeia” não se percebe bem qual é. É de salientar que apesar de todas medidas forçosamente impopulares, da cobertura mediática desproporcionalmente negativa em relação ao governo actual, e dos vários “tiros nos pés”, os partidos do governo ainda conseguem manter um eleitorado muito significativo.

Aximage

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