Bananas

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Perdoar-me-ão todos aqueles que se imbuíam na esperança de que a solução a ser proposta por Cavaco fosse uma first-best, uma second-best, ou sequer algo remotamente parecido com uma solução óptima. Não foi, nem nunca poderia ser, mas admiro a inocência. Com estes agentes políticos, o conjunto de possíveis soluções estará sempre majorado pelo melhor dos piores. Que é como quem diz, pelo menos mau.

Não compreendendo o pensamento político e económico de Cavaco, especialmente o pensamento, parece-me tácito que ele tentou minimizar os danos. Para tal, teria de atentar às seguintes restrições: 1) eleições antecipadas seriam o pior cenário possível; 2) é importante preservar a coligação PSD/CDS; 3) não seria aceitável que Portas beneficiasse com a birra, naquilo que seria uma clara declaração de jurisprudência de que a zaragata política compensa; 4) é fundamental incluir o PS na execução do plano que o próprio PS ajudou a partejar e do qual foi o principal mandatário; e, o mais bizarro, 5) uma revanche pessoal de Cavaco contra Portas.

Pesado tudo isto, a única solução que atendia a todas estas restrições era tão somente o cenário de um Governo de salvação nacional, embora sem os esteróides de um elenco tecnocrata. Cavaco optou por um Governo não de iniciativa mas de apoio presidencial, prescindindo do ónus de orientar as escolhas. Logo, não virá Monti, virão outros tantos de pedalada igual ou semelhante à atual.

Quem esperava melhor do que isto ou é inocente ou enganou-se no país.

“Politics is the art of looking for trouble, finding it everywhere, diagnosing it incorrectly and applying the wrong remedies.”

― Groucho Marx

Eleições Antecipadas são Solução?

Fantasias, o meu artigo de ontem no Diário Económico:

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”.

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”. Ri, mas de facto nesta crise a melhor apólice de seguro de Passos não é Portas, é Seguro.

A esquerda logo a seguir às eleições começou a tentar desestabilizar o Governo para voltar ao poder e retornar às mesmas políticas despesistas que nos puseram nesta posição, como se a solução para quem tenha demasiadas dívidas seja contrair mais dívidas e pagar cada vez mais juros. “Estimula a economia e o crescimento”, dizem os que esquecem o falhanço do aeroporto de Beja. O Tribunal de Contas Francês tem outra opinião, e está a obrigar Hollande a reduzir o número de funcionários públicos e a congelar salários e progressões nas carreiras – acordando os Franceses para a dura realidade de impraticabilidade das políticas socialistas e atirando a popularidade de Hollande para valores historicamente baixos. Portugal ir a eleições, ao contrário do que fantasia a esquerda, não terá grandes consequências.

Ganhe quem ganhar, o programa está escrito até Junho de 2014. Ganhe quem ganhar, um político profissional criado nas juventudes partidárias será primeiro-ministro. Ganhe quem ganhar, a equipa sairá da elite que governou Portugal nos últimos 40 anos. Ganhe quem ganhar, Portugal terá uma dívida superior a quando foi à falência em 1892 – e só tem a opção de nos próximos anos produzir mais do que consome. Assim eu pergunto: qual a finalidade de ir a eleições antes de Junho de 2014? Para se gastar dinheiro na troca de cadeiras e nada de substancial mudar? Para haver uma nova crise de confiança que faça disparar os juros e afundar a bolsa? Para eleger um professor de Teoria do Estado e História das Ideias Políticas e Sociais que recentemente provou desconhecer o conceito de média?

Políticas de esquerda só serão possíveis quando houver dinheiro. Até lá, a estabilidade política deverá ser o nosso activo mais valioso e o resto são fantasias de sonhadores.