Esta podemos agradecer à crise

No Público

O projecto ferroviário português de alta velocidade cancelado em 2012, um investimento superior a 11.600 milhões de euros, não teria “viabilidade financeira”, de acordo com a auditoria do Tribunal de Contas (TdC).

“Os estudos preliminares demonstraram que o investimento na rede ferroviária de alta velocidade não apresentava viabilidade financeira. Os mesmos estudos demonstraram que o eixo Lisboa-Madrid, o primeiro que se previa vir a ser implementado, também seria financeiramente inviável”, lê-se na auditoria divulgada hoje sobre o projecto que se iniciou em 1988 e foi cancelado em 2012.

Passados mais de dois anos, o TdC chega a uma conclusão que vários foram defendendo desde o início do projectos e que lhes valeu todo o tipo de insultos. Verdade seja dita, antes das eleições até Passos Coelho (contra Manuela Ferreira Leite) defendia a construção do TGV. Felizmente, ainda que provavelmente devido à falta de recursos, mudou radicalmente de opiniões. Perderam-se uma largas dezenas de milhões mas pelo menos ficamos com menos um “elefante branco” para sustentar.

Saudades dos “elefantes brancos”

Ana Paula Vitorino: Interromper TGV foi “profundo retrocesso” para economia

Ainda há quem lamente não se terem construído mais “elefantes brancos”. Mas mais inacreditável é continuar a insistir na fantasia que o projecto era “auto-sustentável.”

Leiam, a propósito, os comentários do João Ferreira do Amaral.

Megalomanias, PIN’s e (mais) uma excelente razão para se privatizar a CGD

“Build it, they will come” de João Miranda (Blasfémias)

Um empresário que se propunha gastar 1000 milhões de euros pára tudo antes de investir 3% desse valor alegando que não está interessado em em arriscar o seu próprio dinheiro e que quem deve arriscar deve ser a banca. Felizmente, a banca está ela própria confrontada com as suas próprias limitações pelo que este tipo de loucuras deixaram de ser possíveis. Note-se que o empresário abandona o projecto a partir do momento em que a CGD lhe exige garantias pessoais, não se dando sequer ao trabalho de procurar outros financiadores, provavelmente por ter consciência que só um banco politizado é que lhe ofereceria um empréstimo nas condições que ele quer.(…)

O que nos leva à questão fundamental: os PINs são projectos políticos que servem interesses partidários e figuras bem relacionadas. Desviam crédito e fundos do QREN de empresas funcionais e com provas dadas para projectos que não conseguem desenvolver-se por si próprios. Não é por acaso que muitos destes projectos têm uma componente megalómana. A megalomania não seria possível fora dos negócios politizados e até serve como um elemento de marketing junto da classe política e jornalística.

A semi-privatização da RTP

Presidente da RTP já não renova contratos da ‘dois’ para 2013, dando força à ideia de que o canal deverá ser vendido.

Boa notícias. Parece que o governo sempre vai avançar com a privatização de um dos canais públicos.

Más notícias. Infelizmente ainda resta outro. E tudo indica que o que vai ser alienado é o 2º canal que é o que ainda faz alguma coisa parecida com “serviço público de televisão” e cuja programação não é replicada pelos canais privados que emitem em antena livre.

Duvidas. Irá a RTP alterar significativamente a programação do 1º canal ou continuarão os contribuintes a custear o “Preço Certo” e outros programas de inegável interesse nacional? Irá a RTP adequar os meios logisticos e humanos à nova realidade ou a cosmética resume-se à privatização de um canal? E os restantes canais de cabo serão mantidos?