Lisboa Vs Interior no OE2018

Governo quer tirar fundos do “interior” para cumprir promessas em Lisboa.

O debate do Orçamento do Estado tem permitido perceber os truques que o governo de António Costa tem na manga para conseguir cumprir as promessas eleitorais que andou a fazer quer aos seus autarcas quer ao PCP e ao BE. O mais recente e talvez o mais chocante de todos é a tentativa do Ministro Pedro Marques de renegociar as verbas do PT2020, retirando 1.000 milhões de euros que estavam previstas para as regiões de convergência, as mais pobres e desertificadas (Alentejo, Norte e Centro), para poder investir na construção de mais estações de metro em Lisboa e Porto, na remodelação da Linha de comboio de Cascais, entre outros.

O que está em causa com o OE 2013

O meu artigo de hoje no Diário Económico. 1ª Parte:

“Há mais vida para além do défice”, disseram Sampaio em 2003 e António Costa em 2011.

Foi com esta linha de raciocínio que chegamos a um rácio dívida/PIB superior à que nos obrigou a declarar a falência do Estado no final do Século XIX. A incapacidade do Estado cumprir as suas obrigações implicaria o caos na função pública, a saída forçada do euro e, via desvalorização, a uma descida dos salários reais e pensões de 30% a 50% – uma situação que decerto todos querem evitar.

“Se quisermos um país mais competitivo, o que só pode surgir do lado privado, teremos de reduzir o peso do sector público.”, disse Pedro Passos Coelho à Revista Veja em 7 de Setembro. De 2012. Palavras sábias que infelizmente, oportunidade após oportunidade, não são levadas à prática.

Resta o consolo de que cerca de 50.000 pessoas já entenderam que os dados do défice e a chave da competitividade obrigam a menos impostos e já assinaram a petição do Diário Económico – um sinal de esperança.

“Equidade na distribuição dos sacrifícios”, pedem Duarte Marques (JSD), Pedro Roque (TSD) e Marcelo Rebelo de Sousa. Às medidas já anunciadas falta adicionar a redução das transferências para as beneficiárias das PPPs, o ataque à subsídio-dependência de muitas fundações, a alienação de empresas em áreas em que o Estado é regulador, a extinção das empresas municipais, o plafonamento das reformas mais elevadas segundo o modelo Suíço, a impossibilidade de acumular pensões elevadas com rendimentos de trabalho dependente e a construção de um orçamento de base zero. O povo anda insatisfeito e aquelas três personalidades com fortes ligações ao PSD concordam – um sinal que deveria ser tido em conta.