António Costa de 2017 Chama Indigno e Ofensivo a António Costa de 2013

António Costa em 2013 como presidente da Câmara de Lisboa promovia jantares no Panteão Nacional, de acordo com a CM TV:

Já em 2017 – remando sempre ao sabor da maré mais populista (como toda a geringonça) com dois pesos, duas medidas e duas caras – António Costa diz que o jantar da Web Summit no Panteão Nacional é “absolutamente indigno” e “ofensivo”:

 

Definição Técnica De Cara De Pau

Apenas dois dias separam as duas notícias abaixo.

16 de Outubro de 2017 (fonte) –  Já depois dos incêndios trágicos do fim-de-semana passado que vitimaram mortalmente 42 pessoas

18 de Outubro de 2017 (fonte) – Já depois da demissão da ministra da administração interna

Se isto não configura a definição técnica de Cara-de-Pau, recordemos a declaração do mesmo Bloco de Esquerda na longínqua data de Agosto de 2015, numa altura em que o governo era constituído por uma coligação PSD-CDS.

12 de Agosto de 2015 (fonte) – Por comparação, no total do ano de 2015 arderam 64.444 hectares (fonte) contra mais de 520.000 hectares em 2017 – quatro vezes mais do que a àrea total que ardeu em Espanha no mesmo período (fonte); e que em 2015 se registaram sete mortos em consequência dos incêndios (fonte) enquanto que em 2017 o número de vítimas mortais de incêndios ascende a um número inacreditável de 113, a que se juntam mais de uma centena de feridos.

Este é o mesmo partido que qualifica a moção de censura apresentada pelo CDS como “um truque grotesco” e a moção de confiança pedida pelo PSD como “ridícula” – tendo ambas as moções sido propostas em sequência das mais de cem vidas perdidas nos incêndios deste ano (fonte).

Enfim, quando não se tem espinha dorsal nem falta de vergonha, existem parasitas políticos e partidos como este.

Imaginem A Cobertura E A Reacção Do PS/PCP/BE A Esta Notícia Num Governo PSD-CDS

Caro leitor,

Peço-lhe que faça um pequeno excercício mental. Imagine que a notícia abaixo retirada daqui tivesse ocorrido entre 2011 e 2015 durante o Governo PSD-CDS. Peço-lhe que imagine a cobertura mediática; a indignação dos vários comentadores e opinadores; os posts virais nas redes sociais; e as reacções e declarações dos partidos que actualmente suportam o governo da geringonça:  PS, PCP e BE.

Agora, constatem a cobertura e tratamento actual que esta notícia – objectivamente gravíssima – tem tido, assim como as reacções do PS, PCP e BE.

Pelo menos, todos os funcionários públicos viram o seu horário de trabalho reduzido de 40 para 35 horas e os funcionários públicos com vencimentos acima de 1.500 euros viram os seus salários repostos; assim como os pensionistas que recebiam uma pensão mensal acima de 4.600 euros.

Sua Santidade, o Governo

Leitura muito recomendada de Manuel Carvalho, hoje no jornal Público: Sua Santidade, o Governo:

[…] Pedir silêncio quando o Estado falha e o país arde é um absurdo a menos que tenha uma finalidade sub-reptícia: dar argumentos às hostes que defendem com unhas e dentes o Governo. Ou seja, de criar uma narrativa. Já sabemos como isso funciona. É munir os sapadores políticos dos partidos da coligação com uma cartilha: não se pode falar dos erros no combate aos incêndios; não se deve pedir a demissão da ministra; o Governo virou mesmo a “página da austeridade” porque é uma estrela que veio do firmamento para nos salvar da troika; a união de facto entre os partidos da esquerda é uma maravilha da política contemporânea celebrada pelo mundo fora e só rejeitada entre portas por causa da proverbial estupidez e inveja dos indígenas.

[…] Hoje Portugal começa a viver debaixo de uma impiedosa rede de vigilância montada pelos intelectuais do Bloco, pelos apparatchiks do PCP e pela intelligentsia socialista que se investiu da missão de purgar as mentalidades dos perigos desviantes. Só se pode falar do Governo e das suas políticas com perfume de incenso e mãos juntas em jeito de oração. Pouco a pouco, foram sendo criados os códigos, as palavras e as frases que podemos dizer e citadas as questões da actualidade que podemos criticar. Quem não o fizer quebra consensos ou faz fretes a obscuras forças nacionais ou estrangeiras. Ou se é a favor do Governo, ou se é “pafiano” ou “troikiano” ou, como agora, entra no “aproveitamento político de tragédias” que estrafega os “consensos nacionais”.

Não Brinquem Com Os Números, Respeitem As Pessoas

Agosto de 2015: o PS colocava cartazes onde uma pessoa que perdeu o emprego durante o governo de José Sócrates se queixava da falta de subsídios que atingiam 353.000 desempregados (fonte).

Desempregados_353000

Junho de 2016: Já com a geringonça a todo o vapor, a Segurança Social deixa sem prestações quase 377.000 desempregados (fonte).

Desempregados_377000

Ideia via o Lobo Neoliberal.

Portugal bom e barato

Acresce a tudo o que o Rodrigo aqui escreveu que o ministro ou é completamente ignorante, ou acha que os empresários são, ou acha isso da imprensa e de quem a lê.

É que como é por demais evidente para quem tenha dois dedos de testa económica, o valor pago em salários em Portugal é relativamente irrelevante para os empresários. O que importa é o valor acrescentado da mão-de-obra. Há salários, digamos assim, que poderiam ser literalmente zero que não compensavam um determinado investimento.

Fiquei sem perceber se é estupidez pessoal, se má-fé, mas registo o silêncio sepulcral de quem se indignaria se declarações análogas fossem proferidas noutros tempos pelos detentores do mesmo cargo. E registo mais um prego na credibilidade do Czar das Finanças.

Dois Pesos e Duas Medidas

No longínquo ano de 2009 quando o PS venceu as eleições com 36,5% dos votos (abaixo do resultado de 38,5% da PaF) mas sem maioria absoluta, afirmava José Sócrates com o apoio do seu partido o seguinte (fonte):

“Sabemos todos que o novo quadro parlamentar não confere a nenhum partido uma maioria absoluta. É verdade. Mas isso não significa que as eleições não tenham tido um partido vencedor. Porque tiveram. E os portugueses deram até ao partido vencedor aquilo que se pode considerar uma vitória clara.”

“O Governo que aqui se apresenta, diante do Parlamento, é o Governo que corresponde à vontade dos portugueses, livre e democraticamente expressa nas urnas. Este é, pois, um Governo com inteira legitimidade democrática para governar nos quatro anos desta legislatura!“, afirmava o ex-primeiro-ministro no Parlamento.

“Pois bem: o Governo que os portugueses escolheram, está aqui para apresentar exatamente o mesmo Programa que os portugueses votaram! O Programa que o Governo submete à apreciação desta Assembleia é aquele que foi apresentado como programa eleitoral e de Governo pelo partido que ganhou as eleições – apenas expurgado, naturalmente, das referências partidárias ou de mero balanço da legislatura passada. Esta é, sem dúvida, a melhor forma de garantir o respeito integral pela vontade expressa dos eleitores!“, reforçava Sócrates.

“Então o Governo, não apresentando o Programa do PS, devia afinal de contas apresentar o Programa de quem?! (…) não podem por isso estranhar que o Governo apresente aqui o Programa que é o seu!”.

“Do que se trata, é de o Parlamento – que representa a Nação, em resultado das eleições legislativas – reconhecer que este XVIII Governo Constitucional, empossado pelo Senhor Presidente da República, corresponde, de facto, ao resultado das eleições“, insistia o então líder socialista e primeiro-ministro.

Socrates_Costa2

A Constituição É Clara Mas Deve Ser Intepretada Como Nos Convém

Corria a longínqua data de 19 de Setembro de 2015 quando (fonte):

No final de uma arruada em Matosinhos, Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre a manchete do Expresso, que hoje avança que Cavaco Silva dará posse a quem tiver mais mandatos, prevalecendo o número de deputados sobre a percentagem de votos, tendo-se a bloquista escusado a comentar declarações de Cavaco Silva que não viu em lado nenhum. “Eu acho que nós não precisamos de inventar muito. Temos 40 anos de democracia, temos uma Constituição que é clara. O Presidente chamará o partido que tiver a maior bancada parlamentar para formar um Governo. Eu não percebo muito bem porque há todo esse debate“, disse, perante a pergunta de se esta decisão seria legítima.

AConstituicaoEClaraImagem roubada daqui.