Democracia Em Portugal É Silenciar As Vozes Incómodas

De acordo com a notícia abaixo os partidos da ex-geringonça: PS, BE, PCP e os Verdes (estes com apenas dois deputados e que nunca foram a eleições sozinhos), vão impedir os partidos com um único deputado de intervirem e interpelarem o governo durantes os debates quinzenais. E isto, depois de na legislatura anterior, terem aprovado um regime de excepção para o PAN que na altura só tinha um deputado.

De referir que o Chega, Iniciativa Liberal e o Livre obtiveram cerca de 192.000 votos e 3,7% dos votos (fonte) e que usando um método proporcional teriam obtido 8 a 9 deputados entre os três partidos.

Um partido novo tem que superar obstáculos herculianos para eleger um deputado em Portugal:

  • A falta de cobertura (e enviesiamento) da comunicação social.
  • A diferença de meios para realizar campanhas eleitorais – fundos esses que vêm dos contribuintes, portanto, de todos nós (ler Legislativas dão 64 milhões aos partidos, PS ganha 25).
  • O sistema eleitoral Português, com base em círculos distritais e utilizando o método d’Hondt que beneficia claramente os grandes partidos.

Não tenho dúvidas de que se o único pequeno partido que tivesse eleito um deputado nesta legislatura tivesse sido o Livre, que o regime de excepção da legislatura anterior se fosse manter. Os partidos da geringonça não se importam de dar voz a quem pense como eles ou a quem se preocupe com os animais. As vozes incómodas vêm da Iniciativa Liberal e sobretudo do Chega. Mas o princípio basilar da democracia é precisamente dar voz às minorias e dar voz a ideias diferentes – por mais incómodas que sejam.

Ideias combatem-se com ideias, não amordaçando e silenciando as ideias de que não se gosta.

A Domesticação do Bloco de Esquerda

Uma das maiores realizações do governo da geringonça, senão porventura a maior foi a domesticação e o amansamento quer do PCP quer do Bloco de Esquerda – quem os viu e quem os vê.

Imaginem a reacção que teria o Bloco de Esquerda se o cenário das relações familiares no governo acontecesse com um governo de direita. Acham que nesse caso a Catarina Martins iria pedir ao governo que “fizesse uma reflexão”?

A imagem acima foi retirada daqui.

Camarada Em Luta Pelo Seu Direito Como Trabalhador

O PCP a oprimir a classe trabalhadora (fonte):

Na participação, apresentada no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, o ex-funcionário, que tinha gabinete nas instalações da Organização Regional de Setúbal (ORS) do PCP, nesta cidade, invoca a criação de um ambiente de hostilidade contra si, que descreve como de «marginalização e perseguição», supostamente para o impedir de «livremente expressar a sua opinião». A fricção com o partido culminou numa diretiva emanada em março deste ano pela direção para mudar o seu local de trabalho de Setúbal para a Quinta da Atalaia, no Seixal, a qual Miguel Casanova entendeu não acatar, com base na disposição legal que estabelece que tal alteração do posto laboral para outro concelho só pode ser efetuada por acordo entre as partes.

Doutor Mário Centeno de 2015 versus Doutor Mário Centeno de 2018

Sobre a saída limpa de Portugal do programa de ajustamento da troika, declamava de forma poética o Doutor Mário Centeno em Dezembro de 2015:

[…] Hoje, caídas todas as máscaras, e levantados todos os véus, percebemos que a expressão ‘saída limpa’ foi um resultado pequeno para uma propaganda enorme.

A economia portuguesa apresenta um crescimento anémico, em que o investimento teima em não aparecer. Em que, pelo esforço das empresas e dos trabalhadores, se conseguiu conter a destruição de emprego. Mas esse esforço traduziu-se numa redução inédita dos salários e também num aumento nunca visto da imigração”. […]

Doutor Mário Centeno , 2 de Dezembro de 2015

Já em Agosto de 2018, já com o estatuto de “Ronaldo das Finanças”e presidente do Eurogrupo, o mesmo Doutor Mário Centeno afirmava de forma bem menos prosaica:

Hoje é um dia especial para a Grécia. O seu programa de assistência chegou ao fim depois de um caminho longo e tortuoso do qual todos nós aprendemos liçoes.[…]

O crescimento económico foi retomado, estão a ser criados novos empregos, há um excedente orçamental e comercial, a economia foi reformada e modernizada.

A Grécia re-conquistou o controlo pelo qual lutou. Mas com controlo vem responsabilidade. Os Gregos pagaram duramente as más politicas fiscais do passado.  Voltar atrás seria um grande erro.[…]

Doutor Mário Centeno , 20 de Agosto de 2018

Este post foi elaborado com base nesta notícia do jornal ECO.