Disparidade Salarial Entre Homens e Mulheres

Celebra-se hoje o Dia Internacional da Mulher. Por tradição, a comunicação social e os políticos aproveitam este dia para alimentar o mito da desigualdade salarial para trabalho igual com títulos deste género:

  • Diferença salarial entre homens e mulheres cai 80 cêntimos para 148,9 euros em 2018 (fonte)
  • Mulheres ganham menos 14,5%, em média, e as mais qualificadas menos 26,1% (fonte)

Em Portugal, estes estudos são liderados pela entidade com o nome Orwelliano CITE – Comissão para Igualdade no Trabalho e no Emprego, entidade essa paga com os impostos de todos nós. Vejamos o que escreve a CITE sobre a disparidade salarial de género em 2016 (fonte):

De uma forma generalizada, as mulheres ganham menos que os homens para realizarem trabalho igual ou de valor igual. As causas para as disparidades salariais entre homens e mulheres são múltiplas, complexas e muitas vezes interligadas, podendo incluir fatores estruturais, legais, sociais, culturais e económicos, como sejam as escolhas e as qualificações escolares e profissionais, a ocupação profissional, o setor de atividade, as interrupções na carreira, a dimensão da empresa onde se trabalha, bem como o tipo de contrato de trabalho e a duração da jornada.

Curiosamente, logo o parágrafo seguinte, escrito também pela própria CITE desmonta a base da conclusão que é a falácia do “trabalho igual“:

As mulheres encontram-se sub-representadas em determinadas profissões e setores de atividade, bem como nas áreas de gestão e em cargos de decisão onde os níveis salariais são mais altos (mesmo em setores nos quais estão relativamente bem representadas). Frequentemente, quer os setores de atividade, quer os empregos nos quais as mulheres predominam caracterizam-se por serem menos valorizados e mais mal remunerados.

Isto é, as mulheres predominam em empregos e sectores de actividade  que são menos valorizados pelo mercado. Dito isto, ninguém se choca com a notícia abaixo (fonte) em que o emprego de um licenciado é mais valorizado pelo mercado do que o emprego de um não licenciado. Da mesma forma, os políticos não promovem leis ou estratégias para combater a desigualdade entre licenciados e não-licenciados ao contrário do que acontece com a “desigualdade salarial de género” (ver aqui ou aqui). Curiosamente, cerca de 60% dos licenciados em Portugal são do sexo feminino (fonte) e isto também – e bem – não choca ninguém .

Também aparentemente ninguém se choca com este tipo de desigualdades de género (fonte e fonte):

Para desmontar o mito de uma vez por todas, se fosse verdade que as mulheres recebessem um salário menor para um trabalho igual, onde estão os empresários e empresárias que só contratam mulheres?