Limitação De Salários (Mais Um Atentado À Liberdade Em Nome Do Populismo)

Parafraseando Thomas Sowell e que resume perfeitamente a questão da limitação de salários dos gestores de topo:

Existe uma fábula russa sobre dois pobres camponeses, Ivan e Boris, em que a única diferença entre os dois é que o Boris tem uma cabra e o Ivan não. Um dia, o Ivan encontra uma lâmpada mágica. Depois de a esfregar, aparece um génio que lhe concede um desejo – qualquer desejo.

O Ivan diz ao génio: “Eu quero que a cabra do Boris morra.”

Quem defende a limitação do salário dos CEOs (onde se incluí o líder da geringonça) apenas pretende cavalgar uma onda de demagogia e populismo, pretendendo demonizar os CEOs implicando que: 1) pelo facto dos CEOs ganharem muito, os trabalhadores ganham menos; e/ou que 2) os clientes acabam por pagar mais pelos bens e pelos serviços porque têm que pagar os salários dos CEOS; e/ou (à falta de melhor argumento) 3) é “moralmente inaceitável” que os CEOs ganhem tanto.

Porque é que os mesmos políticos e pseudo-intelectuais não usam atletas (podem começar pelo Cristiano Ronaldo) em vez de CEOs de empresas para levarem esta sua agenda para a frente?

Mais uma vez, o estado que não é exemplo nenhum de gestão, a querer se intrometer na gestão de empresas privadas, limitando a sua liberdade e opções de gestão.

A motivação destes políticos e pseudo-intelectuais é meramente populista, demagógica e sem mérito – acrescentava ainda ignorante, pelas seguintes razões:

  • Porque razão é que as empresas, sendo descritas como “gananciosas” por esses mesmos políticos e pseudo-intelectuais, haveriam de pagar salários milionários aos CEOs se não achassem que o benefício compensava o custo?
  • Ninguém tem maior incentivo para escolher o CEO certo e para pagar o valor certo ao CEO do que a própria empresa que é a entidade que no meio desta discussão toda é quem tem mais “skin in the game” – paga o salário do seu próprio bolso e é quem tem mais a ganhar e mais a perder.
  • Se reduzissem o salário do CEO no limite para zero, os restantes trabalhadores não passariam a ganhar mais (ver o exemplo acima da cabra do Boris). Nem tão pouco, os preços dos bens e serviços cobrados aos clientes seriam reduzidos em um cêntimo.
  • O salário dos CEOs não é pago por estes políticos e pseudo-intelectuais demagogos. Falar não custa nada (Talk is cheap). Se têm de facto essas convicções, constituam empresas e apliquem as políticas salariais que bem entenderem. Desde já lhes desejo boa sorte!
  • Para quem discorda das políticas salárias (ou da representividade dos géneros nos conselhos de administração, ou da publicidade que a empresa faz, ou das cores do logotipo da empresa, etc, etc.): a beleza do mercado livre é que existem sempre várias opções – excepto quando o estado estabelece artificialmente monopólios. Pelo que em vez de votarem “com palavras” podem votar “com euros” e passarem a comprar bens e serviços noutra empresa. Isto também se aplica aos trabalhadores das empresas com “grandes disparidades salariais” que no caso de se sentirem descontentes por essa razão, podem sempre “votar com os pés” e irem trabalhar para outras empresas. Viva a liberdade!

Leitura complementar:

 

O Desespero do PS

Só o desespero poderá explicar a demagogia e populismo de António Costa ao desenterrar e misturar o assunto dos submarinos com a contabilização do empréstimo  ao fundo de resolução para a capitalização do Novo Banco.

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Leitura complementarComo deve ser discutida a questão do NB (e não tem sido); Desculpe?Comissão europeia desmente António Costa; Confiança?.

Porcos pretos

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Os porcos pretos espanhóis, que posteriormente serão usados para produzir o jámon ibérico, entram em Portugal pelas herdades do Alentejo, são pesados, são alimentados a bolotas, e saem passados alguns anos. Vêm para a engorda.

Espanha não faz nada na engorda do porco, mas ganha bem mais do que Portugal a vender os seus Joselitos. Malditos espanhóis, Francisco Louçã.

Nespresso Grand Demos Ago

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Há cinco, seis séculos atrás, simples mercadores eram objecto de perseguição das autoridades e de condenação da Igreja. Estes mercadores cumpriam uma importante tarefa — a de arbitragem. Compravam bens onde eles eram abundantes e, logo, baratos, e vendiam-nos onde eles eram escassos ou até inexistentes. O lucro que auferiam era o prémio de risco pelo transporte, pela logística, e pelo risco de serem assaltados ou até mortos durante a travessia. Embora perseguidos, porque aparentemente não produziam nada, a actividade nunca foi totalmente proibida, não obstante as considerações morais de então sobre o mesma. Isto porque estes mercadores asseguravam que populações isoladas tivessem acesso a bens que, doutra forma, não conseguiriam ter.

Passados seis séculos, a ignorância que outrora perseguia estes mercadores continua a manifestar-se, desta vez envolvida em demagogia. Douto na arte, e até doutorado, Francisco Louçã conta-nos a história do Brasil, produtor de café, e da Alemanha, que, embora não o produza, é o terceiro maior exportador de café do mundo. À luz da iliteracia que versava no século XV, a interpretação é a mesma — a Alemanha, que não produz, colhe apenas o fruto do trabalho dos outros.

Não são necessárias complexas teorias económicas para perceber o erro crasso por trás deste raciocínio, basta uma simples dose de bom senso. A Alemanha faz precisamente aquilo que os mercadores de outrora faziam. Beneficiando da sua posição estratégia na Europa e das suas boas infraestruturas, a Alemanha importa para depois exportar. Importa o café, armazena-o, e depois revende-o em quantidades menores. E, se o café for reprocessado pela Nespresso no Norte da Alemanha — empresa Suíça, atente-se —, então existe ainda mais valor acrescentado: o grão tostado do café vira um produto de luxo com uma enorme procura mundial.

Se a Alemanha não acrescentasse valor, ninguém lhe compraria café. Afinal, porquê comprar o saco do café ao dobro do preço, quando o poderia fazer a metade directamente ao Brasil? Por vários motivos, que são fáceis de elencar: 1) tempo de entrega ordens de magnitude inferior; 2) MOQ (minimum order quantity) muito menor; 3) burocracia intra-EU vs Brasil facilitada; 4) menores custos de transporte por Kg; etc. Ou seja, embora o custo unitário do saco seja mais barato no Brasil, fica mais barato comprar diretamente à Alemanha até uma certa quantidade. Na verdade, não é apenas a Alemanha que faz isto com o café. Existem entrepostos por toda a Europa cuja finalidade é precisamente esta, a de servirem de ponto intermédio entre produtores e consumidores, ajustados à medida de cada um.

Tudo isto seria irrelevante se não fosse Francisco Louçã professor catedrático de Economia no ISEG. O obscurantismo económico do século XV perpetua-se assim nas universidades portuguesas.