Portugal Na Cauda Do Crescimento Na União Europeia

A comissão europeia publicou hoje as previsões de crescimento do Inverno de 2020. Novamente, Portugal aparece na cauda da lista perdendo terreno para os países comparáveis e que mais directamente concorrem com Portugal.

A este própósito vale a pena analisar estes dois gráficos abaixo (retirado daqui) sobre a evolução do PIB per capita e sobre a média do crescimento anual entre 2008 e 2018 de um conjunto de países Europeus onde se inclui Portugal.

 

 

O mundo da (nossa) dívida de hoje

Para o quadro mental de todos os que antes escreveram sobre a dívida e sobre os manifestos, convirá recordar a realidade do mundo e realidade econômica mundial em que Portugal se insere.

Não se trata apenas de relembrar o exemplo do Japão que tem um rácio de dívida sobre PIB com números brutais. A maioria dos países da OCDE, e talvez a totalidade deles, viu esta medida de endividamento de um país aumentar, e de forma generosa ao longo dos últimos 5-10 anos. Os EUA, o Reino Unido, a Franca e qualquer um dos países ditos desenvolvidos tem assente o combate a crise num relaxamento monetário (taxas de juro baixas e algum grau de QE), e num crescimentos do stock de dívida, permitida pelos tomadores da mesma: uns domésticos (com mais peso no caso Italiano e Japonês) e outros internacionais (caso notório dos EUA).

O mundo, dito ocidental, procedeu a uma massiva transferência de riqueza ao longo destes 10 anos, na prática com a liberalização do comércio internacional, para os países produtores de petróleo e para os ditos países emergentes, com a China a cabeça. Este movimento, só tem equivalente inverso, quando os ditos países , há séculos atrás, procederam a uma extração de riqueza de muitos países da América Latina, de África e de algumas, poucas, possessões asiáticas.

Neste contexto, concreto, em que Portugal se insere, a situação da sustentabilidade da dívida e do seu , ou não , pagamento, é tão verdadeira, e tão real como para muitos outros países. Portugal sendo um caso especial, por ser um caso em que o stock de dívida privada e pública, subtraída de riqueza acumulada interna é das mais altas do mundo ocidental, é também ainda assim , não tão diferente de muitos casos que não acabaram no passado, nem em reestruturação, nem em “default”. Porquê?

E a pergunta concreta que nós teremos que fazer, é : haverá tomadores “ad-eternum” da nossa dívida ?

É necessário entender a resposta a esta questão , à luz da enorme quantidade de alternativas, semelhantes em muitos detalhes, de emissões de dívida com que Portugal concorre em cada momento nos mercados internacionais. Todas elas com um capital acumulado de credibilidade e de história carregada de inexistência de discussão acerca de “default” na sua opinião interna.

E a resposta , do meu ponto de vista , é a de que haverá compradores e tomadores , para além das instituições oficiais , desde que haja demonstrações práticas, concretas e explícitas de que somos bons pagadores, que honramos compromissos e que tudo fazemos, para criar as tais condições de crescimentos por que muitos clamavam e que parecem estar a materializar-se neste início de 2014.

Se como o Manifesto dos 70 advoga, fossemos renegociar a dívida de forma “honrada” , esse capital de confiança acumulada com o esforço de muitos e com os impostos de alguns portugueses, a resposta à questão colocada acima passaria a ser negativa! E isso afectaria a actual e as futuras gerações da mesma forma que marcou o nosso “default” do fim do século XIX.

Em Portugal temos uma boa definição para os que não pagam o que devem, queremos receber esse epíteto colectivamente?