Um Problema de Falta de Crescimento

Quando António Costa e companhia dizem que Portugal está a crescer acima da média da união europeia, estão a omitir dois factos indissociáveis muito importantes:

  1. A média do crescimento da união europeia tem sido penalizada pelo desempenho fraco das grandes economias, especificamente da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Itália – países que estão num campeonato acima de Portugal (fonte).
  2. Em relação ao conjunto dos 28 países que constituem a União Europeia (incluindo a Alemanha, França, Reino Unido e a Itália que têm um crescimento muito pequeno), Portugal regista apenas o 20ª lugar. Existem 19 países em 28 a crescer mais do que Portugal, sendo que essa lista de 19 países inclui países que estão no mesmo campeonato que Portugal. De facto, Portugal caminha para se tornar no quinto país mais pobre da União Europeia (fonte).

E o que prometia o PS em 2015? Que era possível crescer 2,6% ao ano…

Mesmo com a melhor conjuntura económica de que há memória (juros baixos, bom desempenho da economia mundial, boom do turismo, baixos preços do petróleo) e que não seria possível prever no plano macro-económico do PS de 2015, o PS apenas uma vez foi capaz de atingir o valor de 2,6%. De facto, o PS prepara-se para terminar a legislatura em 2019 a crescer apenas 1,7% (fonte), portanto um valor inferior ao crescimento registado pelo governo de Passos Coelho em 2015 de 1,8%.

Confrontemos o que o PS prometia no seu plano macro-económico em 2015 com a realidade:

Como se pode verificar no gráfico, não obstante uma conjuntura económica excepcional:

  1. Nem uma única vez o PS conseguiu atingir o crescimento previsto no plano macro-económico nos quatro anos em que governou o país.
  2. Não obstante toda a retórica da “devolução de rendimentos” e da “viragem da página da austeridade”, o PS irá acabar a legislatura em 2019 a crescer menos do que o governo de Pedro Passos Coelho em 2015.
  3. Ainda depois de todas as políticas da “devoluçaõ de rendimentos” e da “viragem da página da austeridade”, o PS irá terminar a legistatura com um crescimento do PIB igual ao do cenário base, isto é, o crescimento que o próprio PS previa para Portugal em 2019 caso a coligação Portugal à Frente estivesse no governo.

Só posso imaginar a frustração de António Costa e dos sábios economistas do PS que elaboraram o plano macro-económico. Certamente estarão a preparar um pedido de desculpas público, ou pelo menos a prepararem-se para reconhecer publicamente que erraram. Esperarei sentado.

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Momento Insurgente Memória

A propósito do crescimento revisto em baixo pelo governo para 1,2% em 2016 e para 1,5% em 2017, O Insurgente Memória recorda um tweet do Partido Socialista quando este se encontrava na oposição e “vendia” uma alternativa que consistia no “virar da página da austeridade” e num ciclo de crescimento virtuoso:

Mas, Mas… Onde Está o Crescimento Prometido Pela Geringonça?

Eu ainda me recordo da longínqua data de 21 de Agosto de 2015, quando os sábios economistas do PS no seu Estudo Sobre o Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS prometiam um crescimento de 2,4% para 2016 e de 3,1% para 2017 como se pode verificar no quadro abaixo.

planops21aug2015

No Orçamento de Estado de 2016, Mário Centeno, então já no governo, reduziu a previsão do crescimento para 2016 para apenas 1,8% (resultado dos acordos à esquerda?). Apesar de todas as previsões de outras instituições que apontavam para um crescimento do PIB perto de 1%, o governo da geringonça sempre defendeu estoicamente as suas metas.

Eis que finalmente, o Excel de Mário Centeno parece ter cedido. De acordo com o Observador (destaques meus):

O Governo espera que a economia portuguesa só cresça 1,2% este ano [2016], menos um terço do que o estimado no Orçamento para 2016 e no Programa de Estabilidade. Este valor é pior que nos cenários mais negativos simulados pelo Governo tanto no orçamento deste ano, como na carta enviada em julho à Comissão Europeia na defesa contra as sanções. No próximo ano [2017], a economia não deve crescer mais que 1,5%, menos que o verificado em 2015 (que foi de 1,6%).

De notar que quer em 2016, quer em 2017, o próprio governo parece admitir que o crescimento será menor do que o crescimento verificado em 2015 com o austeritário governo PaF. De notar ainda, como referiu aqui o Carlos Guimarães Pinto, o próprio Partido Socialista, assumia – ver tabela acima – que com um governo PaF, o PIB cresceria 1,7% em 2016 e 1,7% , um crescimento do PIB superior ao crescimento do PIB previsto agora pela geringonça.

A realidade é de facto tramada para o socialismo.

“Crescimento Económico”

Produção: pode cair à vontade. Investimento, Poupança, Taxa de Juro, Valor da Moeda, … : podem cair e nem vem nas notícias.

Consumo: tem que subir, seja como for – esgotamento de recursos, impostos sobre quem produz riqueza e gostaria de poupar para mais tarde investir, crédito de estrangeiros, criação de moeda sem equivalente económico, seja como for.

Giro, mas giro mesmo, é quem considera gastar dinheiro emprestado como “crescimento económico”.
Mas é o mundo em que vivemos…

O Crescimento e O Emprego

CrescimentoO AJS continua a repetir – a todos os dias e a todas as horas – que o que Portugal precisa é de “crescimento e emprego“. Acho difícil encontrar alguém – em todo o espectro político e em toda a sociedade portuguesa que não ache o “crescimento e emprego” desejável. O único ponto de discordância é o meio de atingir esse desejado “crescimento e emprego”.

A sociedade portuguesa – de maneira muito geral e muito paradoxal – não quer pagar mais impostos mas também não quer perder “direitos”, como se a saúde, educação, justiça, segurança e protecção social não tivessem que ser financiados.

Um pequeno àparte: não existe saúde gratuita ou educação gratuita ou nenhum direito que o estado possa providenciar que seja gratuito. A não ser que os médicos, enfermeiros, professores, pessoal auxiliar, juízes, magistrados, forças de segurança, etc. ofereçam os seus serviços gratuitamente em conjunto com quem constroi, mantém e fornece os hospitais, escolas, esquadras e tribunais, alguém (o contribuinte) terá sempre que pagar por estes serviços. E o alguém (o contribuinte) não são os outros (os ricos, a banca, os “capitalistas”) – somos todos nós!

Recuperando a linha de pensamento inicial, o estado social tem que ser financiado. Em 2011, o estado português gastou 49,4% do PIB! (Fonte: Eurostat)

As  diferenças de opinião em como se alcançar o “crescimento e o emprego” variam desde o “Documento de Coimbra” do PS onde se defende mais investimento público, a criação de um banco de fomento, um programa europeu de combate ao desemprego jovem, apoio I&D, etc. até ideias que vão sendo passadas pelo governo actual que inclui um programa de combate ao desemprego jovem, o o corte do IRC para 10% novos investimentos ou a a deduções para efeitos de IRC de lucros retidos ou reinvestidos, etc. etc. etc.

Para todos os políticos, burocratas e para aqueles que acreditam que o governo pode criar (ou decretar) crescimento e emprego: o estado nunca pode criar crescimento ou emprego porque o estado é o sector não produtivo da economia que é financiado à custa do sector produtivo da economia! Em genética, o estado pode ser considerado como um gene inibidor do crescimento e ao emprego. E quanto maior for o estado, mais interventivo for na economia, e mais recursos consumir, menor será o crescimento e menor será o emprego. Todos os recursos que o estado (o sector não produtivo) absorve deixam de estar disponíveis para o sector privado (o sector produtivo). Por outras palavras – cada emprego que o estado cria, está a destruir um ou mais empregos no sector privado. Por cada investimento que o estado faz, existe um ou mais investimentos melhores que deixam de ser realizados.

E agora, a fórmula secreta e mágica de como o governo pode promover o crescimento e o emprego: baixar todos os impostos para todos! E já agora, eliminar muita burocracia e regulação que na prática funcionam como impostos escondidos. É na realidade tão simples quanto isso – as pessoas gostam de complicar as coisas que são simples – sobretudo políticos, burocratas, comentadores, jornalistas, etc. (afinal de contas, eles têm que se manter ocupados).

Claro que, para se poder baixar os impostos (o que implica uma redução da receita), é necessário reduzir a despesa – ou seja, reduzir o peso do estado. Mas isso é muito desejável num “inibidor” ao crescimento e ao emprego. Por isso, eu defendo um corte agressivo em todas as vertentes do estado: desde as PPPs, investimento público, transferências para autarquias e regiões autónomas até à massa salarial do estado e prestações sociais; de maneira a permitir uma redução de impostos generalizada.

Crescimento vs política de crescimento

“O mal-entendido” de João César das Neves (Diário de Notícias)

É espantoso mas muitos dos que afirmam com clareza a urgência de promover o crescimento e criação de emprego, logo na frase seguinte se põem a falar de outro tema, propondo medidas e intervenções que não só pouco têm a ver com a dinâmica produtiva, mas até a prejudicam.(…)

Promover crescimento é, segundo eles, dar subsídios (que implica impostos que oprimem a economia), criar incentivos (que distorcem o dinamismo e rigidificam a estrutura), fazer planos (que estabelecem clientelas e prejudicam negócios), ajudar sectores (que perpetua favores e encarece produtos). Esta foi precisamente a política seguida pelos sucessivos ministérios que nos trouxeram à crise. Eles achavam saber melhor que a sociedade o que havia a fazer, e o resultado está à vista. A década perdida da economia portuguesa, que já se aproxima de década e meia, foi o mais intenso período de política de crescimento da nossa história. Isto não constitui um paradoxo pelo simples facto de que crescimento económico não é política, mas economia.

A razão deste mal-entendido não é distracção ou ignorância. O motivo é que grande parte daqueles que exigem crescimento têm uma agenda própria, que pretendem mascarar de progresso.(…) Esses, mesmo que o crescimento nunca chegue a ser promovido, já receberam o seu. O que eles querem não é crescimento mas política de crescimento.

China Vs América

O que gostaria de propor com este artigo era testar uma hipótese: a Liberdade Económica (WikiÍndice) é um dos mais importantes factores que determina a Produção Económica e, portanto, o Crescimento Económico.

Caso em Estudo: China Vs EUA

1. Vamos começar por apresentar o PIB Chinês:

Reparem no ponto onde começam as reformas económicas e onde a Economia dispara… (informações históricasgráfico mais recente;  Wikipedia).

Facto 1: A China disparou desde que adoptou uma Economia de Mercado. Ou mais explicitamente: ter crianças a trabalhar e não respeitar normas ambientais, sociais e de trabalho infantil – como regimes socialistas fazem habitualmente na prática – não ajudou a China a crescer. Mas quando liberalizaram a posse das quintas, o resultado foi este. Curioso…

2. Vejamos agora o crescimento Americano (com outras economias para comparação)

Um ritmo muito menor de crescimento que o Chinês (como aqui incluí menos anos, é útil ter a China neste gráfico para comparação realista), mas ainda assim um PIB muito superior com apenas uma fracção da população (300M em vez dos 1300M Chineses). Estranho?

Facto 2: A partir do momento em que a Administração Americana começou a nacionalizar a Economia, entrou-se numa estagnação duradoura que, ao contrário da Depressão de 1920-1921 se prolongou no tempo.

(informações oficiais BLSNúmeros deprimentes SSDiscussão SS-BLSComponentes da DívidaProd/Import de PetróleoOptimistasWikipedia)

3. EUA e China no mesmo gráfico (na “The Economist”, segundo o blog China Mike)

Facto 3: A China tem uma moeda em valorização e mesmo assim está a crescer ao ponto de se acreditar que vá ultrapassar os EUA como maior Economia mundial em menos de 10 anos.

4. De acordo com o Ranking da Heritage, Os EUA têm uma Liberdade Económica de 78 – 9º posto, com uma variação de -0,2% face ao ano anterior -, enquanto que a China tem uma liberdade económica de 52 – mas mais 1.0% que no ano anterior.

Facto 4: A China é muito menos Livre que os EUA, mas a Liberdade Económica Chinesa está a aumentar a bom ritmo enquanto que os EUA estão a regular e a nacionalizar sectores importantes da Economia a um ritmo forte que torna a economia Americana cada vez mais e mais parecida com a descrita em Atlas Shrugged.

 

Afirmações minhas, baseado nas evidências apresentadas anteriormente:

I – Ponto actual: Os EUA são mais produtivos – e logo mais ricos – porque são Economicamente mais Livres do que a China.

II – Variação: A sociedade que se está a “Socializar” – ou seja, a diminuir a Liberdade Económica – está a ter dificuldades económicas, enquanto a que sociedade que se está a Liberalizar está a crescer a bom ritmo.

III – Encontro: A China pode até atingir os EUA em termos de PIB, pois tem mais população. Mas como não me parece que atinja o mesmo nível de Liberdade Económica, creio que nunca atingirá o nível de PIB per capita dos Americanos. Ao crescimento actual seguirá um crescimento menor e a ritmos decrescentes, conforme descrito pela função de Verhulst.

Como diria Adam Smith:

“Little else is requisite to carry a state to the highest degree of opulence from the lowest barbarism but peace, easy taxes, and a tolerable administration of justice: all the rest being brought about by the natural course of things.”