A perda da narrativa da esquerda

constantinoRodrigo Constantino, na Isto É faz um excelente retrato da Hipocrisia da Esquerda Brasileira (e mundial) e da decadência moral que ela actualmente passa.
Excerpto:

A extrema esquerda vive dias de profunda angústia. Não é mais capaz de lotar as ruas com seus protestos, mesmo colocando show grátis de septuagenário da MPB e artista global para bater selfies. Só chama a atenção mesmo quando adota a estratégia do quebra-quebra, com a convocação paga com mortadela dos marginais ligados aos sindicatos e MST.

Essa decadência se deve em parte ao avanço das redes sociais, que permitem a exposição da hipocrisia dessa turma de “intelectuais” e artistas engajados, antes protegidos pela hegemonia esquerdista na imprensa. Agora, com direito ao contraditório, fica evidente a perda da narrativa desses socialistas, que sempre viveram só de narrativa, já que seus resultados foram invariavelmente terríveis.

Como essa extrema esquerda pode, por exemplo, gritar por “Diretas Já”, se defende o regime de Maduro na Venezuela ou mesmo Cuba, a ditadura mais longeva e opressora do continente? A democracia e a “vontade do povo”, como podemos perceber, não passam de um engodo, um slogan bonito para enganar trouxas – os que restaram.

Que tal o combate à corrupção, a velha bandeira da ética? Como alguém vai fingir que condena a corrupção se poupa Lula, o chefe da quadrilha petista, a quem Joesley Batista, da JBS, diz ter dado US$150 milhões na Suíça? Essa bandeira está completamente esgarçada. A extrema esquerda é conivente com o crime, desde que o criminoso também seja da esquerda radical.

Primeiras impressões de Maputo

Não ia a Maputo há 3 anos. Uma coisa não mudou. Por cá nada causa tanta insegurança quanto um polícia. No final da semana conto poder fazer uma melhor comparação entre o ambiente sócio-económico de Moçambique e a evolução dos mesmos nos últimos anos. As primeiras impressões não são nada positivas. Em menos de 10 horas na cidade já tinha sido parado, revistado e intimado a entrar em um carro da polícia para ser levado para a esquadra por “ter demasiado dinheiro na carteira para andar na rua”. A corrupção na rua é apenas um sintoma do que passa por aqui. Dá que pensar no porquê é que se fala tão pouco na corrupção em Moçambique e tanto na corrupção em Angola. Fica para outro dia.

A Factura (a sua)

Estou certo de que, neste momento, você já se indignou  com os “fiscais da factura”. Já arremessou o comando ao televisor, já se juntou ao tal grupo do facebook que pede a demissão da classe política e, num acto de rebeldia nata, já fez estremecer o café berrando indecências contra a progenitora do Ministro. Mas você, caro Leitor, é uma besta. E eu vou-me abster de lhe pedir para que não se ofenda. Eu quero que se sinta ofendido. Porque você, caro Leitor, é um idiota chapado.

Onde estava o meu amigo quando, fim de semana atrás de fim de semana, os mesmos agentes que nunca o impediram de ser roubado, cercaram as zonas de diversão nocturna incomodando quem quer que se faça passear numa viatura ? Provavelmente até concorda. Provavelmente até aplaude as vistorias aos popós, que se vêm tornando frequentes e escreve belas monografias enaltecendo a segurança, como se cada condutor fosse um perigoso terrorista à espera de rebentar. Provavelmente você viu aquele bar ser encerrado porque um artista se lembrou de acender um cigarro e aquela loja de conveniência fechar pelo simples facto de estar rodeada de bares e não ousou abrir a boca.

Sim, você que ejacula com as ASAEs e o seu fascismo gastronómico, para depois ir ao tasco da esquina queixando-se – e com razão – que as bifanas já não têm o sabor de antigamente. Você que quer limpar os bolos das escolas e arredores e meter as crianças a comer verduras no almoço e bananas no café da manhã. Você que branqueia os espancamentos nas esquadras e as rusgas nos subúrbios, que defende sem se questionar os gorilas de farda azul, legitimando que quem mora num bairro social – ahh, esse antro de bandidos e marginais – seja sujeito ao mesmo procedimento que um check-in de aeroporto. E por falar em aeroporto, já se sente mais seguro com por saber que o tipo que se senta ao seu lado só tem uma garrafinha de água ?

Você que pretende inspeccionar quem fuma com os filhos no carro ou com a empregada doméstica em casa. Você que acha que esses ladrões desses empresários devem ser constantemente incomodados para não fugirem às suas obrigações, que quer o Estado a inspeccionar as contas bancárias dos banqueiros e dos políticos, que festeja com as escutas da PJ ao Presidente do clube adversário. Você que que vibra com as rusgas aos feirantes, com o encerramento das Smartshops, que consentiu o assédio à restauração até entrarem no seu café, que consentiu o assédio aos agricultores até entrarem no seu quintal, que aplaudiu o assédio ao comércio até chegar ao supermercado e perceber que o produto que queria comprar tinha sido apreendido.

Hoje, observando o culminar da tirania que tem defendido, sente-se incomodado. Chega mesmo a sentir que o Estado se está a intrometer na sua vida. Chega ao ponto de, na sua inocência, citar chavões dos tais extremistas, dos mesmo anarquistas que tem vindo a insultar no café, no facebook e nas caixas de comentários dos blogues que lê. Mas você perdeu a guerra no dia em que deixou o Estado entrar na casa do seu vizinho. Abriu o precedente –  a caixa de pandora – para que ele um dia entrasse na sua. E esse dia chegou.

Agora sente-se, relaxe, beba um copinho de maduro tinto, acenda um cigarro e desfrute. Porque mais tarde ou mais cedo o Estado também o privará desses pequenos prazeres com tons de pecados. Por razões de saúde, por razões de segurança, por razões que o próprio imbecíl que fizer essa lei desconhecerá. Mesmo que isso implique entrar em sua casa, mesmo que isso implique a sua detenção por resistir à autoridade suprema dos fascistas que o governam. Como se diz em bom português, você fez merda, caro Leitor. Agora aguente-se à bronca. Aqui tem a factura do que pediu.

PS: Por cá o Carlos, a Maria João e o Ricardo (o outro) e no Estado Sentido o João Quaresma, o Samuel, o Fernando Melro dos Santos e o José Maria Barcia já escreveram sobre o assunto. Vale a pena uma vista de olhos.

Fumou mas não inalou

Começa, finalmente, hoje no Brasil o julgamento do processo do “mensalão”. Um esquema de compra de votos dos deputados que permitia ao PT a construção de maiorias para aprovar as suas propostas. Foram implicados no escândalo elementos do círculo interior do bem-amado Lula da Silva que ainda assim jurou a pés que não sabia de nada.