30.000 Postos de Trabalho versus 10.000.000 de Clientes

Os grupos de interesse focam-se sempre nos interesses exclusivamente do grupo (passe a redundância), descurando e desprezando o interesse de toda a população em geral.

Vejamos no caso dos taxistas: os clientes preferem usar um serviço diferente (ou porque é mais conveniente, ou porque é mais barato, ou porque os motoristas são mais simpáticos, etc.); um grupo de interesse não quer que exista concorrência e quer impedir que os clientes possam escolher fornecedores alternativos.

Claro que a concorrência e a inovação irão sempre colocar em risco alguns empregos e algumas empresas, que terão que se adaptar ou então correr o risco de desaparecer – a história está repleta destes casos (e.g.: Nokia, Blackberry, Kodak, Polaroid). No entanto, a concorrência e a inovação são fundamentais para o progresso – para que se possam oferecer bens e serviços novos: mais baratos, mais funcionais, mais convenientes. Os grandes beneficiários desta concorrência e inovação são os clientes, que ficam com mais liberdade de escolha e com acesso a bens e serviços diferenciados pelo preço, pela qualidade, e pela funcionalidade.

Mesmo do ponto de vista socialista que privilegia o colectivo em detrimento do indivíduo, ainda que a Uber/Cabify/etc. acabassem de vez com os táxis (como o automóvel um dia acabou com os coches) – deveriam ser privilegiados os 30.000 taxistas ou os 10.000.000 de clientes? Mais ainda – porque é que os potenciais empregos perdidos do lado dos taxistas devem ser considerados mais importantes que os empregos criados do lado das plataformas electrónicas?

Acresce o facto que os taxistas a qualquer momento podem aderir às plataformas electrónicas de transportes (não existem barreiras à entrada), enquanto que o contrário não é possível.

Ainda sobre a mobilidade e a inovação tecnológica: num futuro não muito distante, os serviços de mobilidade serão prestados por veículos autónomos sem condutor.

A imagem acima foi retirada daqui.

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Depois de Londres, Lisboa (Here We Go Again)

O presidente da ANTRAL defendeu hoje que o serviço de mobilidade da Uber que permite encontrar um motorista privado em qualquer lugar, «é ilegal» e, por isso, «não pode ser feito» em Lisboa”. (fonte).

Já em Londres, os taxistas organizaram protestos contra o uso desta aplicação, cuja cobertura mediática, ironicamente, levou a um aumento de 850% de novos registos de utilizadores.

Leitura complementar: Petição dos Fabricantes de Velas de Frédéric Bastiat

uber

A “boa” concorrência

A propósito de várias manifestações e manifestos de produtores e empresários, escrevia ontem no facebook o Carlos Novais que “Há sempre um mercado que não aguenta mais concorrência. O deles“. Eu acrescento. “Não é que eles sejam contra as livre concorrência. Querem (exigem) é que seja feita com regras. As deles.

O Pingo Doce à distância

Segui à distância a campanha do 1º de Maio do Pingo Doce.

A campanha lembrou alguns consumidores que a principal razão para a existência das autoridades da concorrência é para prevenir não os preços “anormalmente” altos mas sim os preços “anormalmente” baixos.

Foi bom os Portugueses terem visto tanto responsáveis políticos de direita e esquerda, como sindicalistas e representantes de corporações a combaterem a concorrência em preços.

Infelizmente concordo com Alexandre Soares dos Santos. O Pingo Doce não vai ser formalmente acusado de dumping. Se fosse daria ainda mais visibilidade para a vergonha que é a legislação e fiscalização económica em Portugal. Preferirão continuar a multar e perseguir quem se atreve a concorrer em preço, com pouca visibilidade e resultados sustentados.

Por fim vale a pena lembrar que se o Ministério da Economia quer ter um verdadeiro papel no fomento da concorrência devia preocupar-se apenas e só com a eliminação de barreiras à entrada e à saída dos mercados. Para este efeito devia ser o polícia não das empresas mas sim do Estado, criador destas mesmas barreiras. Deveria ser o provedor do consumidor, beneficiário da concorrência, em vez de ser o provedor dos interesses corporativos instalado, beneficiários de uma economia centralizada.