Quando a vergonha muda de cor

Ninguém vociferou mais contra o ajuste directo do Metro do Porto e dos STCP quanto o agora deputado Tiago Barbosa Ribeiro, então líder da concelhia do PS Porto. Recordemos que o ajuste directo foi feito por consulta a 24 concorrentes, isto depois de um concurso internacional ter sido encerrado sem vencedor.

Recordemos a trama.

1. Através do PS Porto, em nota de imprensa da autoria ou subscrito pelo presidente da concelhia do PS Porto, dizia

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As palavras não são leves. Reiteradamente é-nos dito que o ajuste directo é um «escândalo nacional».

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Os órgãos de comunicação social davam palco a toda a indignação:

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2. Com o PS já no Governo, o mote era agora lançar um novo concurso, desta feita sem os escândalos dos ajustes directos. «Prometer, cumprir!», ou pelo menos assim prometiam:

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Para que este concurso público tivesse tempo de ser preparado, o ajuste directo então em vigor teve de ser prorrogado pelo menos durante 3 meses.

3. Volvidos três meses, o que temos?

Um ajuste directo por mais dois anos, sem concurso público, atribuído à Barraqueiro, que, coincidentemente, ou talvez não, aceitou uma reversão nas condições da privatização da TAP.

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4. Posto isto, é de esperar que a mesma indignação seja agora dirigida a esta opaca decisão do Governo, criticando a decisão. Sem qualquer ironia, o Tiago Barbosa Ribeiro foi dos deputados que mais fez e trabalhou para estar no Parlamento, e bateu-se por temas que considerava importantes, como era o caso da subconcessão por ajuste directo. Estou certo que não permanecerá calado agora que o «escândalo nacional» se mantém, e que o PS Porto será igualmente assertivo na «defesa dos interesses da cidade do Porto» e contra o «centralismo».

5. Adenda: o Tiago Barbosa Ribeiro justificou o sucedido com o facto de se tratar de uma  extensão do contrato actual até que seja preparado uma nova PPP. Três notas a este propósito: (i) uma extensão foram os 3 meses anteriores, não 2 anos. 2 anos não é uma extensão, é uma eternidade; (ii) Paulo Campos fazia contratos PPP em tempo recorde. Não vejo porque é que este haveria de necessitar de tanto tempo. Mesmo sendo um concurso internacional, um ano já seria muito; (iii) Devemos concluir que se o anterior ajuste directo tivesse sido atribuído à Barraqueiro, e não à Transdev, já não haveria motivo para tanta celeuma e indignação?