Sobre a marca “Che”

Santa Comba Dão lança “marca Salazar” para vender produtos locais, escreve o Público.

Vamos fazer um exercício de inversão e ver se a “lógica” usada é consistente.
Imaginemos o seguinte artigo:

Cuba do Alentejo lança “marca Che” para vender produtos locais

Che vai ser marca registada para potenciar a economia do concelho cujo nome é homónimo do país de eleição do antigo guerrilheiro, Cuba, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho “Pinga de Che”. O projecto da marca “vai contar com a firme oposição” dos Insurgentes.
 Ernesto Rafael Guevara de la Serna nasceu em Rosário (Argentina), a 14 de Junho de 1928, mas a ideia de recorrer à “marca Che” para o desenvolvimento do concelho, como explicou à Lusa o presidente da autarquia, Galinha Orelha (PS), “não pretende alicerçar-se no seu aspecto belicista mas antes no seu contributo humanista“.

“A nossa é sempre uma perspectiva objectiva e histórica, porque os juízos de valor não têm de ser feitos pela autarquia, têm de ser as pessoas, os historiadores, os investigadores [a fazê-los]. Nós temos apenas de demonstrar a nossa convicção de que o que estamos a fazer é útil para o concelho e para a região. E se temos um vinho “Pinga de Che” é porque sentimos que as pessoas procuram essa ligação quando nos visitam”, disse o autarca.

Miguel Noronha, “comandante” do blog O Insurgente, lamentou que a autarquia prossiga na ideia de recorrer à “realidade trágica” do guerrilheiro, “que conduziu à detenção de milhares e à morte de centenas”, para alicerçar o desenvolvimento do concelho. “Estamos perante a mesma questão de sempre, a tentativa de reescrever a história daquilo que foi um dos regimes mais sanguinários a nível mundial”, apontou, sublinhando que “este revisionismo histórico é uma ofensa a milhares que sofreram às mãos de Serna”. O Think-Tank Português, adiantou o dirigente do núcleo da união em Viseu e Santa Comba Dão, “nada tem contra a investigação e o estudo daquilo que foi a chacina cometida por Che na prisão Fortaleza de San Carlos de La Cabaña”, mas frisou que “toda a documentação importante está em Cuba” e, por isso, “aquilo que se pretende para Cuba do Alentejo nada adianta”.

O objectivo da autarquia – que criou já a Associação de Desenvolvimento Local (ADL) de Cuba – é “ligar um nome conhecido em todo o mundo aos produtos da terra”, como é o caso do vinho, criar condições para historiadores e investigadores poderem estudar o “humanista” e fornecer aos visitantes um espaço que lhes permita contactar com o passado de Che na Europa”.

A questão comercial e da marca merece “a clara oposição” do Think-Tank, frisou Noronha, que contesta a ideia de ligação das memórias de Che ao desenvolvimento quando “é sobejamente conhecido que o social-fasssssista produziu subdesenvolvimento, obrigou milhões latino-americanos a emigrarem para fugir à miséria e conduziu milhares à morte e às prisões e a anos de uma guerrilha geradora de imenso sofrimento”. “Todos os dados estão aí para desaconselhar esta ideia. O resultado da Revolução Cubana é bem prova disso”, acrescentou.

A ideia da autarquia é dar agora um “novo fôlego” ao projecto, criar uma “marca Che” e, através da ADL, “procurar investidores que permitam o desenvolvimento integral da ideia, que passa pelo desenvolvimento de Faro do Alentejo e de divulgação do nosso lete e cafei.

Toda a parte de recuperação patrimonial pode custar, segundo o autarca, dez milhões de euros, dinheiro esse que terá de vir da Comunidade Europeia, “mas também de entidades públicas portuguesas” que tenham como missão o desenvolvimento local, sendo que este “é um dos ‘projectos-âncora’ para o desenvolvimento da região”.

Segundo Galinha Orelha, “o tempo dos grandes investimentos acabou para as autarquias. Os municípios têm tudo feito, das redes de saneamento aos espaços culturais e desportivos, e, obrigatoriamente, o papel dos municípios terá de ser redireccionado, o desenvolvimento tem de partir de ideias locais”.

Em cima da mesa há, todavia, questões por resolver, pois existem divergências com os vereadores e juntas Comunistas, “com quem decorrem conversações com muitos pormenores por acertar”.

Se o projecto “entrar agora em definitivo nos carris”, apesar dos “passos seguros” que já foram dados, este poderá estar concluído, de acordo com Galinha Orelha, “num espaço de cinco, seis anos”. Na opinião do autarca, “para a população, quase a 100 por cento, ainda é muito tempo perdido”.

Assim pensa Vargas Gatinho, pai do Tesoureiro da junta de Cuba, cuja casa vai ser comprada para construção de uma loja de recordações alusivas ao guerrilheiro, e para quem, como contou a própria à agência Lusa, “é uma necessidade não deixar morrer a memória de Che”.

Antes de mais deixem-me descansar a todos: O Noronha em particular e O Insurgente em geral não se oporiam a um museu em Cuba. Não somos contra a Liberdade de Expressão.
Já dos Democratas (do tipo de Democratas que dirigiam a República Democrática Alemã) da URAP não sei se se pode dizer o mesmo.
Agora cada um que tire as suas conclusões.