CGTP em Loures já!

Bernardino Soares admite dificuldades:

Hoje iniciou-se um processo de auditoria às contas da Câmara de Loures, com a qual, entre outras coisas, Bernardino Soares pretende aferir às áreas onde podem ser “combatidos desperdícios”.

“Temos de procurar medidas que podem ajudar a reajustar os serviços da câmara. Temos de ver onde podemos reduzir os custos”, afirmou.

Já imagino alguém na sede da CGTP: “Eh pá, camaradas: se queremos ser coerentes, temos de organizar já uma manif em Loures. Lamento, eu também gosto muito do Dino, eh pá, mas reduzir os custos é palavreado para cortes e cortes é austeritarismo. E isso pá é que não.”

Ah, não, espera. É a CGTP. A lógica não funciona por ali.

PS: e aproveito para manifestar o meu apoio ao Bernardino Soares neste medida.
Boa sorte!

FAQ sobre a Greve Geral

Para quem hoje procure algumas respostas liberais sobre a Greve Geral de hoje, aqui ficam as minhas:

1. Quantas pessoas aderiram? Portugal tem mais de 4 milhões de trabalhadores (a população activa passa de 5, mas 1 está no desemprego real – mesmo que não esteja no estatístico). Destes 4, menos de meio milhão participou em alguma greve nos últimos 5 anos, e a de hoje não deve ter passado dessa barreira. A UGT sonhou com 2. A CGTP tem uma lista com menos de 0,1% dos empregadores do país.

2. Porque foi convocada a greve? Segundo sites especializados – por ex, CGTP e o seu Manifesto – para pedir eleições antecipadas, para substituição constante dos governos até que o Presidente seja obrigado a nomear um governo vermelho. Como foi feito na Alemanha em 1932, mas com greves em vez de saídas do Parlamento
A UGT também fala em pedir a demissão do governo.

3. E qual seria a política de um governo vermelho? De acordo com a mesma literatura – Manifesto, 2ª página – seria: terminar com corte nos direitos adquiridos de todos os trabalhadores, aumentar os salários e as pensões, diminuir impostos sobre estes últimos, aumentar a produção nacional e diminuir importações para criar emprego, melhorar as condições de trabalho e a legislação laboral, assegurar melhor protecção social de trabalhadores, desempregados e reformados, obter receita a partir da taxação adicional dos lucros dos grandes grupos e da banca, fim dos benefícios fiscais e das offshore, romper com a troika e “renegociar” a dívida.

4. Parece tudo muito bom. Porque não? A dívida do Estado Português em 1974 era de 15% do PIB. Hoje aproxima-se dos 130% e a um ritmo que se está a constatar ser impossível abrandar.
A taxação adicional é a especialidade do Gaspar e, como vou dizer aqui amanhã, é filão que se está a esgotar. Essencialmente, grandes grupos já não têm assim tanto lucro e podem sempre passar mais negócio via as sedes no estrangeiro, que neste momento já todas as empresas do PSI-20 têm. E mesmo que se ataque os offshore, mesmo que se tenha sede na Irlanda ou na Holanda já se poupa imenso e ainda com os níveis de hoje. Como eles são países da UE, é impossível evitar isso e assim fura-se a única fonte de receitas adicional.
Renegociar a dívida… só se planearem ter orçamento equilibrados a partir de agora.

5. Mas não é mesmo possível? Infelizmente não. Gostaria eu que fosse – também gosto de direitos e de ganhar mais – mas se fosse concretizável, o governo já o teria feito, pois qualquer governo gosta de fazer coisas populares, como dar benefícios a todos os possíveis eleitores. Basicamente, é um plano infantil e impossível de concretizar por falta de dinheiro. E por isso mesmo que seja pedido na rua e por pessoas primárias, e sem grande jeito para a matemática.

6. Devo então assumir que está tudo bem, é isso? Longe disso! O país está a viver a maior crise desde o fim da Monarquia e este governo de facto não está a dar conta do recado. Faltam medidas de corte na despesa. Falta coragem de enfrentar os lobbies.  Por Daus, falta mesmo a união dentro do executivo! E falta um sentimento de justiça nas medidas que estão a ser tomadas, que têm de ser sentidas também por quem mais têm.

7. Quais seriam então as medidas mais urgentes a serem tomadas, de uma perspectiva liberal? Essa é a pergunta de 1.000.000. Aqui ficam algumas sugestões (e vou evitar baixar impostos, pois esta lista visa equilibrar o défice):
I – Denúncia dos contratos das PPP. Alternativamente, taxação de uma elevada parte dos benefícios assim concedidos às construtoras.
II – Salvamento dos bancos pelo BCE e não pelo Estado. Alternativamente, falência dos mesmos e aplicação restrita do Fundo de Garantia dos Depósitos até ao limite deste.
III – Venda imediata de todo o sector de transportes ao melhor perço, para permitir concentrar o Estado nas funções mais essenciais.

Quão Geral é uma Greve Geral?

Talvez hoje valha a pena recordar um artigo da Maria João Marques82% dos trabalhadores nunca fizeram greve na sua vida. Apenas 9% fez greve nos últimos cinco anos.

A CGTP não quis cair no ridículo, mas a UGT saiu-se com este número: 50%!

De alguma forma, Ridículo não é suficiente para sequer começar a descrever este número. Mais de 2.000.000 em greve? Devem ter passado o dia na praia, só pode…

“Não À Substituição De Trabalho Por Máquinas”

maquinasExiste uma história sobre  Milton Friedman que numa viagem por um país asiático por volta de 1960 visitou a construção de um novo canal. Ele ficou chocado ao observar que em vez de usarem equipamento pesado tal como escavadoras, os trabalhadores utilizavam pás. Ao perguntar porque é que os trabalhadores usavam pás o burocrata governamental que o acompanhava respondeu que se tratava de um “Programa de Emprego” ao que o Milton Friedman retorquiu: “Se são empregos que querem, porque é que não usam colheres?”.

De algum tempo para cá que tenho observado um certo número de artigos (tipo esteeste ou este) relacionados com a “ameaça” da substituição de empregos por máquinas. Depois de um amigo meu me ter facultado a foto ao lado (priceless) de uma manifestação da CGTP que teve lugar no Porto no fim-de-semana passado onde se pode ler um cartaz onde está escrito “Não à Substituição de Trabalho Por Máquinas – Em Defesa do Emprego“, resolvi escrever este post em grande parte baseado no Capítulo 7 – The Curse Of Machinery do Economics In One Lesson, um livro absolutamente imperdível do Henry Hazlitt.

A proliferação da utilização de máquinas é de facto bom ou mau e irá-se traduzir em mais ou menos emprego?

Na medida em que a utilização de máquinas e equipamento aumenta a produtividade (já os homens das cavernas tinham descoberto isso), a sua proliferação é altamente benéfica, pois:

  • O aumento da produtividade aumenta a produção, reduz o preço e permite o aumento de salários.
  • Liberta recursos humanos para se dedicarem a outras actividades que de outra forma não seria possível.

Do ponto de vista do emprego, o progresso tecnológico e a utilização de máquinas em particular também é muito positivo para o emprego uma vez que:

  • São sempre necessárias pessoas para desenvolver, instalar e manter as máquinas pelo que se vão criar novos empregos (geralmente muito qualificados).
  • O aumento da produtividade estimulará a competição; a concorrência terá também que comprar mais equipamentos; e no geral a indústria terá que baixar os preços. Se o preço for elástico e uma redução do preço causar um aumento percentual maior da procura, então serão precisas mais pessoas a trabalhar na produção desse bem. Isto foi o que aconteceu com a indústria textil Inglesa no início da revolução industrial tendo o número de pessoas a trabalhar no sector textil passado de cerca de 7.900 em 1760 para 320.000 em 1787 (um aumento de 4.400% em 27 anos!).
  • O aumento da produtividade reduz os custos o que resulta numa libertação de fundos. Estes fundos podem ser distribuídos – em parte por opção, em parte por força do mercado –  pelos accionistas (distribuição de lucros), pelos trabalhadores (aumento de salários) ou pelos consumidores (redução de preços).  Estes fundos que passam a ficar disponíveis como resultado do aumento da produção, serão aplicados quer pelos accionistas, quer pelos trabalhadores, quer pelos consumidodes em três formas todas elas criadoras de emprego:
    • Investimento – em mais máquinas, ou noutras empresas ou indústrias
    • Poupança – que permitirá a outras pessoas e empresas realizar investimentos
    • Consumo – porque foi precedida de um aumento da produção

Embora em termos agregados o volume de emprego cresça com a introdução de equipamento que aumente a produtividade, alguns tipos de empregos serão de facto reduzidos ou até extintos (operadores de telégrafo, condutores de carruagens, dactilógrafos, etc.). Esses empregos que deixam de ser necessários serão substituídos por outros empregos necessários. Afinal de contas, os desejos humanos são infinitos e os recursos são finitos. O perfil dos novos empregos necessitará obviamente de qualificações e competências diferentes.

Um emprego não pode ser visto como um fim em si mesmo. Se o objectivo é criar empregos, o governo (quem mais?) poderia facilmente criar inúmeros empregos que consistiriam apenas em cavar e tapar buracos. Um emprego deve ser visto como um meio de se produzir algo útil que seja valorizado pelos consumidores, o que por sua vez permite que se efectuem trocas comerciais com outros bens e serviços que também são valorizados pelos consumidores.

De notar que o objectivo da tecnologia não é criar empregos, mas sim aumentar a produção e elevar os padrões da qualidade de vida. O aumento da qualidade de vida é conseguido através da produção mais barata de bens e serviços assim como de salários mais elevados resultantes do aumento da produtividade. O aumento do emprego é um efeito colateral.

Por redução ao absurdo, admitamos que o progresso tecnológico causa desemprego. Tendo este ocorrido de forma contínua desde o tempo em que o homem começou a produzir machados e lanças, o desemprego deveria ter vindo a aumentar continuamente desde então.

O facto é que o mundo tem hoje cerca de seis vezes mais população do que existia quando começou a revolução industrial. Sem o progresso tecnológico que se verificou desde então seria impossível que este planeta conseguisse suportar este volume de população. O futuro da humanidade certamente que dependerá da evolução e do progresso tecnológico.

Para terminar, fica aqui uma das muitas pérolas que se encontram pela Internet.

PostosDeTrabalho

Reduzir a despesa não basta. È necessário punir a acumulação de riqueza

O deputado do CDS/PP Ribeiro e Castro defendeu hoje que o governo deve fazer um “esforço musculado” para reduzir a despesa pública e admitiu estar de acordo com algumas propostas da CGTP, para maior tributação do capital.

Parece que o aumento de impostos apenas é indesejável e contraproducente quando nos atinge. Quando a extorsão fical apenas afecta terceiro já náo há qualquer problema. Neste ponto Ribeiro e Castro e a CGTP parecem estar de acordo.

Dia do Consumidor ou Dia do Trabalhador

Existem 2 visões opostas sobre o 1º de Maio:

1. A visão de uma esquerda de mentalidade retrógrada, presa ao passado, com propostas inadaptadas ao actual mercado de trabalho e que grita os mesmos slogans do século XIX, usando o povo simplesmente como legitimador do seu poder. Grita pelo “trabalhador” que pretende mais direitos e menos deveres que, se fosse brioso, teria conseguido essas mesmas benesses por si. Enquanto vive à grande.

2. O povo que, pressionado por um Estado esmagador, sem o apoio de uma Economia que também soçobrou perante o peso crescente do Estado na mesma, e sem poupanças pois vem de uma fase em que acreditava ser rico e não precisar de poupanças, tem dificuldade em pagar as contas e agradece promoções, descontos e outras oportunidades de aumentar o seu escasso poder de compra.

Como será o 1º de Maio de 2013? Nas ruas ou nas lojas? Do trabalhador ou do consumidor? Você decide!

Obrigado ao leitor Nuno Granja pela imagem. Leituras complementares: O último independente, Micro-sondagemGrotesco,
Hoje, como ontem, Portugal continua a ser o paraíso dos inimigos da liberdadeQuando é que a Esquerda passou a Odiar o Povo?.

PS: Obviamente que eu não concordo que isto seja levado a votos, preferindo a solução presente neste post do Miguel Noronha:

Espero, sinceramente, que no próximo 1º de Maio os sindicatos e os partidos se possam manifestar livre e pacificamente. Da mesma forma, espero que quem assim o desejar possa ir trabalhar, fazer compras ou exercer a sua liberdade para fazer o que lhe apetecer sem ser ameaçado ou impedido pelo governo ou pela CGTP.