Sindicalismo para o Século XXI

O meu artigo intitulado “O mito da exploração capitalistaoriginou uma resposta do Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários, que cito:

Excelente leitura. São hoje as mentes falaciosas que constituem o maior perigo para a estagnação social. O mercado do trabalho, intrinsecamente ligado ao capitalismo, carece de novas mentalidade e, acima de tudo, que mentes retrógradas, como certos responsáveis sindicais com ideais partidários, desapareçam do espectro sindical.

Antes de partir para o cerne da questão que, aliás, motivou a escrita do artigo original, uma nota relevante sobre os sindicatos. Enquanto instituições cuja adesão seja voluntária e que procurem defender os interesses dos seus associados, os sindicatos são estruturas perfeitamente legítimas e recomendáveis numa sociedade democrática. Desempenham um importante papel de auto-regulação do mercado de trabalho. São importantes veículos para denunciar assimetrias e consequentes abusos de poder, que os há, e resultam da interação livre dos agentes num mercado. O sindicato é, afinal, uma instituição que emana do mercado. E se não receber nenhum subsídio, é tão somente isso.

No entanto, um outro tipo de sindicatos existe, como a CTGP-IN, cuja abordagem não é a de reposição de forças entre agentes no mercado, mas a de uma abordagem holística que esconde todo um radical e disruptivo programa político que, em última análise, anula qualquer mercado de trabalho, transferindo o ónus desse empreendimento para uma entidade estatal, a que um dia esse sindicato espera estar ligado. Sindicatos que prejudicam aqueles que prometem proteger, e ainda fazem umas vítimas pelo meio, como inocentes alunos e famílias. Danos colaterais em nome de algo maior, dizem eles. Tal como afirma o SINF, tais sindicatos introduzem mais ruído e instabilidade no mercado do que propriamente benefícios para os seus associados, pelo que devem ser minorados ou extinguidos.

O que as sociedades necessitam é de sindicatos com uma postura contemporânea, adaptados ao mercado livre e que procurem valorizar os seus activos: os trabalhadores. Neste sentido, gostaria de deixar algumas sugestões para linhas de ação para sindicatos que não se revejam nas intersindicais.

  • Desenvolvimento contínuo dos seus associados, promovendo sessões de formação, melhoria contínua e pós-graduação;
  • Parcerias com as empresas no sentido de atualizar metodologias e técnicas de produção, disseminando modelos de gestão lean, produção just in time, 6 sigma, entre outros;
  • Análise competitiva das empresas, colaborando no crescimento da empresa e na progressão na carreira dos associados;
  • Negociação de complementos salariais via capitais próprios (equity), permitindo a integração dos trabalhadores que assim o desejem e que a empresa aceite na estrutura social da empresa — é, aliás, um modelo comummente usado nos EUA e em start ups.

Dado que a adesão aos sindicatos está em eminente queda (estranhamente, excepto em Portugal, claro está), esta é uma boa oportunidade para se reformarem e redefinirem, tornando-se estruturas úteis às sociedades e aos seus associados e não somente aos sindicalistas que delas vivem e que delas comem. É a parasitagem a dar lugar à simbiose.