Votos de Um Excelente Ano de 2019

A todos os eleitores, votos de Um Excelente Ano de 2019

…ano esse em que, segundo o plano macroeconómico do PS elaborado em Abril de 2015 e actualizado em Agosto de 2015 pelos sábios do PS por Mário Centeno (coordenador), Fernando Rocha Andrade, Sérgio Ávila, Manuel Caldeira Cabral, Vítor Escária, Elisa Ferreira, João Galamba, João Leão, João Nuno Mendes, Francisca Guedes de Oliveira, Paulo Trigo Pereira e José António Vieira da Silva, serão criados 466 empregos como resultado das políticas de “‘promoção do papel da lusofonia e de apoio às  comunidades portuguesas no mundo“.

À atenção do Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel.

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Descredibilidade Colossal

Abril de 2015. A pedido de António Costa, o grupo de sábios economistas abaixo assinava e publicava o documento Uma Década Para Portugal:

  • Mário Centeno (coordenador)
  • Fernando Rocha Andrade
  • Sérgio Ávila
  • Manuel Caldeira Cabral
  • Vítor Escária
  • Elisa Ferreira
  • João Galamba
  • João Leão
  • João Nuno Mendes
  • Francisca Guedes de Oliveira
  • Paulo Trigo Pereira
  • José António Vieira da Silva

O Partido Socialista fazia deste documento a sua grande bandeira para se apresentar como alternativa:

Este documento foi revisto em Agosto de 2015 com o Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS e serviu de base para toda a tese da campanha eleitoral do PS e da sua apresentação enquanto alternativa de governação.

Este documento foi várias vezes questionado e criticado aqui neste blog (ver aqui, aquiaqui ou aqui). Foi feito também um apelo para a disponibilização do modelo subjacente (que entre outras coisas previa que fossem criados 466 empregos em 2019 devido aos efeitos da “promoção da lusofonia“) que nunca foi tornado público.

Nada como testar e avaliar o modelo e a sabedoria dos sábios que elaboraram o tal documento contra a realidade. Para tal, referencio os seguintes documentos:

Vejamos então as previsões para o crescimento do PIB para 2016 no gráfico abaixo.

crescimento_pib_2016

Dos 2,4% de crescimento do PIB previstos para 2016 no Plano Macro económico do PS inicial, e que mesmo em Janeiro de 2016 foi revisto para 2,1%, o próprio governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,2%, muito abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Analisemos então o desempenho dos sábios economistas para 2017.

crescimento_pib_2017

Dos 3,1% de crescimento do PIB previstos para 2017 no Plano Macro económico do PS inicial, o governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,5% – menos de metade do valor previsto inicialmente; e mais uma vez, abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Finalmente, para prestar a devida homenagem e tributo aos sábios economistas do PS, deixo aqui um gráfico que contem os valores do crescimento do PIB previstos entre 2016 e 2019 no seu cenário macro económico revisto em Agosto de 2015 com três séries:

  1. A cor de rosa, a previsão do crescimento do PIB entre 2016 e 2019 com as medidas propostas pelo Partido Socialista
  2. A laranja, a previsão do Partido Socialista para o crescimento do PIB entre 2016 e 2019 caso a coligação Portugal à Frente continuasse no governo
  3. A vemelho, os últimos valores previstos pelo Partido Socialista quer para 2016 quer para 2017.

crescimento_pib_2016_2019

Com tal desempenho, é apenas justo que os portugueses reiterem a sua confiança no governo da geringonça; e que os venerados autores do documento Uma Década Para Portugal sejam promovidos a ministros, secretários de estado e a reputadíssimas figuras destacadas dentro do partido socialista, e que mais tarde sejam colocados nas universidades para ensinarem estes modelos tão bonitos aos estudantes àvidos de conhecimento.

A única coisa que consegue tramar o socialismo é a realidade.

Momento Insurgente Memória (3)

Corria a longínqua data de 26 de Janeiro de 2016 quando o João Galamba, um dos sábios economistas que assinou o Cenário Macroeconómico do PS defendia assim no twitter a discrepância entre a previsão do crescimento do PIB por parte de outras instituições com a previsão do crescimento do PIB por parte do governo, que na altura ainda se encontrava nos 2,1%.

tweet_galama_26jan2016

No mesmo dia, o sábio João Galamba confirma um impacto positivo das medidas do orçamento de estado do governo da geringonça de pelo menos 0,5% do PIB em 2016.

tweet_galama_26jan2016_2

Essencialmente, a teoria do reputadíssimo economista João Galamba é que as empreas de rating Fitch e Moody’s se baseavam num cenário base (de um governo PaF) para um crescimento do PIB entre 1,6 e 1,7%; e que não contabilizavam o impacto positivo das medidas do orçamento de estado do governo da geringonça.

No dia em que o PS concede que o crescimento do PIB em 2016 ficará pelos 1,2% do PIB, abaixo do cenário base e bem abaixo das previsões do governo; podemos confrontar a tese de João Galamba com a realidade e concluir que as medidas do orçamento de estado do governo da geringonça tiveram de facto um impacto no crescimento do PIB;  só que em vez do impacto positivo no valor de +0,5% do PIB previsto pelo João Galamba, o impacto foi na realidade negativo no valor de exactamente -0,5% do PIB; isto é, um efeito multiplicador com 100% de precisão, mas com sinal errado.

Se por algum acaso o João Galamba ler este post, aproveito para lhe recomendar de forma entusiasta a Pós-graduação em Escola Austríaca da Economia no Porto.

O Primeiro Teste ao Centeno, ao seu Excel e à Frente De Esquerda

Bruxelas contraria programa económico de Centeno:

“A Comissão Europeia considera que Portugal não tem margem suficiente para estimular a economia no curto prazo e, ao mesmo tempo, assegurar a sustentabilidade das contas públicas no médio e no longo prazo. É a primeira vez que Bruxelas se pronuncia oficialmente sobre os planos do novo governo português do Partido Socialista.”

Como é possível que a Comissão Europeia não perceba que é preciso virar a página da austeridade e que não ache que seja boa ideia aumentar a despesa para reduzir a dívida e o défice? Mas, mas… e o efeito multiplicador? Está visto que a Comissão Europeia se deixou subjugar pelo neo-liberalismo.