Da péssima gestão pública

Num país normal — um país onde as instituições e empresas são dirigidas por pessoas com o mínimo de instrução para o cargo —, uma empresa cuja missão fosse a prestação de um serviço público, como é o caso da Carris, pugnaria por apresentar, como qualquer empresa não-falida, um EBITDA positivo. Mesmo sendo a missão da Carris a prestação de um serviço social, tendo de praticar, como tal, um preço por bilhete muito abaixo do preço de mercado, a Carris apresentaria um EBITDA positivo. Como? Os resultados operacionais seriam naturalmente negativos, pois a Carris estaria a praticar um preço inferior ao seu custo operacional e a abdicar de uma margem de lucro, suportando assim a sua função social. No entanto, os subsídios à exploração, em particular as transferências do Orçamento do Estado, pagariam o diferencial para um preço de mercado, permitindo assim à Carris ter lucro desde que seja eficiente. Este é o modelo de concessão que é formulado quando as empresas são entregues à gestão privada. Isto acresce transparência à gestão da coisa: se os resultados operacionais forem negativos é porque, salvo situações extraordinárias, boys andam a ser empregados, dinheiro anda a ser desviado, a despesa está descontrolada; em suma, é porque gerem mal.

Em Portugal, a Carris acumula resultados financeiros negativos, resultado de anos a acumular dívida — porquê? por causa da sua função social? porque emprega boys? porque a gestão é má? Não sabemos —, a estrutura de custos está completamente desalinhada com aquilo que seria um preço de mercado, o passivo acumula-se, o Orçamento de Estado e os orçamentos municipais não transferem as verbas devidas, a Carris afunda-se em dívida para cumprir a sua função social, e, cereja em cima da esterqueira, o Governo diz isto:

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Gestão socialista é isto. O sector privado anda a produzir EBITDA para que as empresas públicas o espatifem.

Piedosos samaritanos

Comentário do leitor Baptista da Silva ao post do Miguel “Uma boa razão para privatizar urgentemente o Metro e a Carris“:

Os trabalhadores dos transportes públicos fazem greve para defender a qualidade do serviço que prestam à comunidade, os professores fazem greve para defender o ensino público, os médicos fazem greve para defender os pacientes, até os pilotos fazem greve para defender a segurança dos passageiros. Portugal é uma borrasca de piedosos samaritanos, cheios de vontade de oferecer as suas vidas e o seu trabalho pelo bem da pátria.