José Gomes Mendes, Secretário de Estado do Governo PS, Ameaça Camilo Lourenço e Defende a Censura

À esquerda, tudo é permitido, tudo é tolerado. Na passada Sexta-Feira, José Gomes Mendes, professor universitário (* suspiros *) e secretário de estado do planeamento, escreveu no facebook do Camilo Lourenço em resposta a um post muito crítico sobre a ministra da saúde o seguinte:

Basta. Nem tudo é possível em democracia. E o meu recado não é só para ele, é também para aqueles que lhe dão espaço nos seus canais informativos. Estou para ver se assobiam para o lado.

Não sei o que é pior: se a ameaça não só para o Camilo Lourenço mas para os meios de comunicação social; se a defesa em pleno século XXI da censura em Portugal.

À esquerda, tudo é permitido, tudo é tolerado. Imaginem se um episódio igual a este tivesse acontecido durante o governo de Passos Coelho, e certamente os leitores se recordarão de toda a espécie de insultos por parte da esquerda e da comunicação social ao governo de direita da altura.

Leitura complementar: Coisas que um secretário de Estado não pode dizer

A Conundrum

Um bom ponto do Camilo Lourenço:

A decisão do Tribunal Constitucional é a última prova de que Portugal não quer cortar despesa corrente (salários do Estado e prestações sociais). Precisamente aquilo que os nossos parceiros, que são quem nos empresta dinheiro, querem que o país faça. Conclusão: é mais do que certo que a partir de 2014 não nos conseguiremos financiar apenas pelos nossos meios. Ou seja, vamos precisar de um segundo resgate. Mas aqui está o busílis da questão: se não queremos cortar despesa, por que é que os nossos parceiros nos hão-de emprestar dinheiro? No fundo estamos a dizer-lhes que queremos continuar a viver com o dinheiro que eles poupam. Você emprestaria dinheiro a um país assim?

Camilo Lourenço sobre Antonio Borges

Camilo Lourenço, no Jornal de Negócios:

Esta é a crónica mais difícil que já escrevi. De um lado está a amizade de longa data para com o melhor economista que Portugal já teve; do outro o dever de isenção exigido a um jornalista. Não sei se conseguirei ser isento. Provavelmente não. Mas sei que o leitor me perdoará…

Durante 25 anos acompanhei a sua carreira. Umas vezes mais perto do que outras. Fui o primeiro jornalista a noticiar o seu regresso a Portugal, para ser vice-governador do Banco de Portugal. Fui o primeiro a noticiar a sua saída, depois das ingerências do governo, chefiado por Cavaco Silva, na independência do banco central (uma das suas convicções inabaláveis). Foi a sua carta de recomendação (soube-o mais tarde pelo director do curso…) que se revelou decisiva para ser aceite na University of Michigan.

A ele lhe devo muito do que aprendi sobre Economia desde os tempos de estagiário de Jornalismo. Não havia uma única conversa em que não aprendesse nada com ele. Às vezes era frustrante: chegava às conversas com tanta convicção nas minhas ideias para ver, ao fim de cinco minutos, as teorias reduzidas a pó… Era frustrante? Não. Era a confirmação do seu brilhantismo. Continue a ler “Camilo Lourenço sobre Antonio Borges”

Camilo Lourenço – Está na hora de um safanão da Troika

Está na hora de um safanão da Troika, por Camilo Lourenço no Negócios:

Os últimos dias mostraram bem a indigência da classe política portuguesa. Os que não querem o programa de ajustamento (parte do PS, BE e PCP) exultaram com a decisão do Tribunal Constitucional e recusam novas medidas. Os que não sabem muito bem o que querem (Cavaco Silva) tiraram o cavalinho da chuva, referindo que compete ao Governo tomar decisões. O que toda esta gentinha conseguiu, com os disparates das últimas semanas, foi que lá fora toda a gente percebesse que o risco de Portugal se deteriorou substancialmente. Mais propriamente desde que um Presidente da República resolveu dizer que não vê espaço para novas medidas de austeridade (como se um falido se pudesse dar ao luxo de dizer a quem tem dinheiro para emprestar que tem de ser… nos termos do falido). E desde que um ex-Presidente disse na televisão que o país não é tão sereno quanto o 1º ministro pensa. 

Para os que nos podem emprestar dinheiro o cenário ficou completo com uma decisão duvidosa do Tribunal Constitucional, que parece não perceber que salários do Estado são despesa corrente (e que ela tem de ser reduzida porque ratificámos um Tratado que nos obriga ao equilíbrio orçamental).

Perante esta degradação da imagem do país, que confirma que estamos outra vez a perder o juízo (bem vistas as coisas só fazemos o que tem de ser feito quando alguém de fora nos manda…), começa a ficar claro que precisamos de nova visitinha da Troika. Não, não daquelas missões que vêm cá fazer avaliações de três em três meses. Estou a falar dos chefões da missão, que precisam de cá vir dizer, preto no branco, que ou cumprimos os objectivos do programa… ou não há dinheiro. Ponto final!