The ECB’s Epic Failure In One Shocking Chart

Recomenda-se a leitura deste artigo no Zero Hedge: The ECB’s Epic Failure In One Shocking Chart

Europe’s QE experiment needs to end. Not because it succeeded, rather since there was no hope for it from the beginning. It was a giant waste, at best an enormous distortion. At most, it was a huge distraction from the real problem.

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Então e o multiplicador?

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Este edifício custou mil milhões de Euros, mas isso pouco interessa. Com o multiplicador keynesiano este investimento gerará coisas incríveis para gerações actuais e vindouras.

Alguns keynesianos, entre os quais João Galamba, estão indignadíssimos com o custo do novo edifício do BCE, que se estima em mil milhões de Euros. O que custa a compreender, tendo em conta que estes seguem e acreditam numa escola económica que advoga abrir e fechar buracos, e que refere que, sempre que não haja pleno emprego, o multiplicador da despesa pública é superior a 1, isto é, por cada 1€ gasto, existe um incremento do PIB superior a 1€. Aliás, o cúmulo da apoteose keynesiana seria se essa despesa tivesse sido paga com dinheiro acabado de imprimir, fluindo das impressoras do BCE para o bolso do construtor, assim monetizando-a.

Logo, o que estes keynesianos deveriam estar a reclaramar era por um edifício umas 100 a 200 vezes mais caro, e cuja construção aliás nunca terminasse, mantendo assim a despesa a fluir eternamente — que é o rendimento dos outros, recordam-se? —, num círculo económico virtuoso. Uma espécie de Sagrada Família, mas em Frankfurt. Ou, numa visão 2.0 do abrir e fechar buracos, estando permanente a construir e logo a seguir a destruir sedes do BCE, actividade ainda mais potenciadora do PIB, pois requer diferentes ofícios. Enfim, tarefa árdua esta de compreender os Harry Potters da economia.

Quantitative Easing numa imagem

QEJá aqui expliquei que Quantitative Easing (QE) não corresponde à criação imediata de moeda: o Banco Central apenas aumenta a base monetária (MB) disponibilizando liquidez a médio prazo (para além das vulgares cedências de liquidez de curto-prazo), mas a moeda só é efectivamente criada e chega à economia real quando os bancos cedem crédito, depositando esse dinheiro numa conta (expansão M2). O que tem acontecido é que esse dinheiro não tem chegado à economia, fruto da consolidação dos bancos, que têm não expandido mas contraído a cedência de crédito. O QE pretende ser mais um incentivo a que essa cedência de crédito aconteça.

Uma vez mais, e por forma a resfriar os ânimos daqueles que acham que o BCE vai atirar dinheiro para Portugal, construí uma pequena ilustração que tenta explicar como funciona o QE. Serve também para explicar porquê que o QE não gera necessariamente inflação: só quando toda (ou uma parte substancial) a liquidez for efectivamente canalizada para a economia é que a oferta de massa monetária inflacionária (M2) expande, podendo aí gerar-se inflação. Aliás, este é o grande problema do QE: o difícil não é começar, é parar.

 

O que fazer, Mario?

The European Central Bank's new chief Ma

É interessante tentar encarnar Mario Draghi enquanto Presidente do BCE, num exercício de puro pragmatismo. Em causa não está a existência do próprio banco central. Muitos de nós concordarão que as questões monetárias estariam melhor entregues ao próprio mercado livre, em alternativa a uma entidade indirectamente controlada pelo Estado que põe e dispõe dos agregados monetários e de algo que deveria reflectir de forma endógena o preço do crédito, o custo de oportunidade de não investir, o encontro entre procura e oferta: a taxa de juro. Nos actuais moldes em que o BCE é a entidade supranacional que controla a emissão de moeda e a expansão monetária, que deveria fazer o Mario?

A política monetária está esgotada. A taxa de juro nominal está próxima de zero, pelo que não é possível qualquer estímulo adicional ao investimento e ao crédito barato, admitindo que uma baixa taxa de juro efectivamente promove o investimento. Hayek argumentaria que promoverá também o mau investimento, tornando qualquer investimento viável ao tornar positivo o VAL do projecto, o que, inevitavelmente, conduzirá a más alocações de recursos. É um risco que tanto a Europa como os EUA têm vindo a correr há muitos anos. Uma corrente forte de pós-keynesianos como Simon Wren-Lewis ou Brad DeLong insistem numa política fiscal expansionista. Discordando, essa não é a competência directa do BCE, pelo que não vale a pena aprofundar a questão.

Depois existem as políticas não convencionais. O quantitative easing na sua forma mais light consiste em alargar o leque de activos que podem servir de colateral para os bancos solicitarem liquidez junto do banco central e numa forma mais extrema a um programa de compra de activos e a aquisição directa de dívida pública por parte do banco central são as hipóteses que restam. O QE é inócuo se os canais de transmissão não estiverem devidamente operacionais. Basta observar os últimos anos para perceber que não estão: a oferta monetária aumentou, a liquidez disponibilizada também, e ainda assim o crédito não expandiu, contraiu. Mas este não é um problema de liquidez, é um problema de solvência de estados soberanos. Assim sendo, resta a aquisição de títulos de dívida pública, forçando o aumento do preço dos bilhetes e a consequente baixa da taxas de juro. Isto coloca problemas morais: países incumpridores são desresponsabilizados dos seus actos, abrindo mais um perigoso precedente. Mais ainda, nenhuma política monetária, convencional ou não convencional, resolverá um problema que é estrutural: as contas públicas têm de ser consolidadas e importantes reformas estruturais têm de ser conduzidas para reforçar a competitividade. No entanto, reduzir encargos com o serviço de dívida ajudaria, em muito, os Estados-membros.

E isto conduz-me ao que poderia fazer o Mario: compra de títulos de dívida pública em proporção da quantidade de despesa estrutural reduzida ou do défice estrutural consolidado, embora prefira a primeira porque promove um corte da despesa em detrimento de um aumento de impostos. Um exemplo: aprovado um projecto lei que vise reduzir encargos de um determinado sector em X milhões de Euros, o BCE estaria disponível para adquirir dívida pública numa proporção desse montante. A proposta não está isenta de problemas, especialmente o de atribuir mais um mecanismo discricionário ao BCE, mas talvez tivesse o apoio Alemão, preocupado (justificadamente) com o laxismo fiscal do sul. Aliás, a proposta está longe de ser ideal, pois todo essa oferta monetária pode reverter em inflacção assim que os mecanismos de transmissão da política monetária voltem a estar operacionais. O problema é que pouco mais resta fazer: a Europa tem de se recompor, e fá-lo-à, mas algum alívio fiscal, o rollover da dívida pública e a redução com encargos do serviço de dívida, tudo isto efectuado de uma forma ordeira, certamente ajudaria.

BCE Baixa Taxa de Juro Para Novo Mínimo Histórico, Draghi Considera Taxas de Juro Negativas

Desde Outubro de 2011 quando Mario Draghi tomou posse como presidente banco central que já baixou a taxa de juro em 1% para um novo mínimo histórico de 0,5% (ver gráfico abaixo retirado daqui). O banco central europeu (BCE) tem um único mandato que é a estabilidade de preços, definindo a estabilidade de preços como uma inflação próxima mas abaixo dos 2%, mas neste caso parece que a decisão tem a ver como objectivo estimular a economia da zona euro.

Juros_BCE

Os ciclos económicos expansão-recessão são explicados pela Escola Austríaca pela manutenção de taxas de juro artificialmente baixas por longos períodos de tempo. Um resumo pode ser encontrado aqui.

Num verdadeiro mercado livre ou num verdadeiro mundo capitalista (muito longe do mundo em que vivemos hoje), os juros não deveriam ser definidos arbitrariamente por uma entidade central. Antes, deveria ser o resultado natural de equilíbrio entre a oferta de crédito (poupança) e a procura de crédito (investimento). Esta procura e oferta é determinada pelas preferências temporais dos diversos agentes económicos uma vez que a poupança representa consumo diferido (e cujo deferimento é remunerado através de uma taxa de juro) e o investimento que representa produção futura. A taxa de juro natural tem assim também um papel muito importante de coordenação intertemporal.

Ao contrário do que se possa pensar, uma taxa de juro baixa tem efeitos negativos para a economia pelas seguintes razões:

  • Desencoraja a poupança (essencial para a formação de capital) e encoraja o consumo e o endividamento.
  • Encoraja a especulação para se tentar obter retornos melhores para as poupanças – os esquemas de Ponzi costumam proliferar quando as taxas de juro estão muito baixas.
  • Gera inflação que é um imposto escondido sobre todas as pessoas que têm poupanças ou rendimentos fixos (salários, pensões) uma vez que reduz o seu poder de compra.
  • Permite que se iniciem investimentos que não são rentáveis em circunstâncias normais, investimentos esses que vão competir em termos de recursos com investimentos realmente rentáveis – o que mais tarde ou mais cedo, culminará numa recessão.

Mais assustadora é a perspectiva do próprio Mario Draghi considerar taxas de juro negativas. Medo.

Bottom line

O BCE propõe-se troca activos de qualidade por lixo tóxico. O balanço do banco, que já devia ser uma coisa linda, não vai certamente melhorar. E um dia vai ser preciso varrer todo aquele lixo. Mais cedo ou mais tarde.

A propósito. Ainda se recordam da forma como foi desplotada a presente crise? Ainda se recorda do subprime?. Já escrevia o saudoso Jorge Costa no Cachimbo de Magritte que o risco não se elimina. Propaga-se.