Quem Protege Os Consumidores Dos Preços Baixos?

Além do Banco Central Europeu que tenta com que os preços subam 2% por ano (algo que orwellianamente designam por “estabilidade de preços”); do governo mais liberal de sempre ter impedido que os livros sejam vendidos com descontos superiores a 10%; temos também a ASAE de forma incansável a proteger os consumidores dessa grande calamidade pública que são os preços baixos. Continuem – bom trabalho!

ASAE_PrecosBaixos

A Factura (a sua)

Estou certo de que, neste momento, você já se indignou  com os “fiscais da factura”. Já arremessou o comando ao televisor, já se juntou ao tal grupo do facebook que pede a demissão da classe política e, num acto de rebeldia nata, já fez estremecer o café berrando indecências contra a progenitora do Ministro. Mas você, caro Leitor, é uma besta. E eu vou-me abster de lhe pedir para que não se ofenda. Eu quero que se sinta ofendido. Porque você, caro Leitor, é um idiota chapado.

Onde estava o meu amigo quando, fim de semana atrás de fim de semana, os mesmos agentes que nunca o impediram de ser roubado, cercaram as zonas de diversão nocturna incomodando quem quer que se faça passear numa viatura ? Provavelmente até concorda. Provavelmente até aplaude as vistorias aos popós, que se vêm tornando frequentes e escreve belas monografias enaltecendo a segurança, como se cada condutor fosse um perigoso terrorista à espera de rebentar. Provavelmente você viu aquele bar ser encerrado porque um artista se lembrou de acender um cigarro e aquela loja de conveniência fechar pelo simples facto de estar rodeada de bares e não ousou abrir a boca.

Sim, você que ejacula com as ASAEs e o seu fascismo gastronómico, para depois ir ao tasco da esquina queixando-se – e com razão – que as bifanas já não têm o sabor de antigamente. Você que quer limpar os bolos das escolas e arredores e meter as crianças a comer verduras no almoço e bananas no café da manhã. Você que branqueia os espancamentos nas esquadras e as rusgas nos subúrbios, que defende sem se questionar os gorilas de farda azul, legitimando que quem mora num bairro social – ahh, esse antro de bandidos e marginais – seja sujeito ao mesmo procedimento que um check-in de aeroporto. E por falar em aeroporto, já se sente mais seguro com por saber que o tipo que se senta ao seu lado só tem uma garrafinha de água ?

Você que pretende inspeccionar quem fuma com os filhos no carro ou com a empregada doméstica em casa. Você que acha que esses ladrões desses empresários devem ser constantemente incomodados para não fugirem às suas obrigações, que quer o Estado a inspeccionar as contas bancárias dos banqueiros e dos políticos, que festeja com as escutas da PJ ao Presidente do clube adversário. Você que que vibra com as rusgas aos feirantes, com o encerramento das Smartshops, que consentiu o assédio à restauração até entrarem no seu café, que consentiu o assédio aos agricultores até entrarem no seu quintal, que aplaudiu o assédio ao comércio até chegar ao supermercado e perceber que o produto que queria comprar tinha sido apreendido.

Hoje, observando o culminar da tirania que tem defendido, sente-se incomodado. Chega mesmo a sentir que o Estado se está a intrometer na sua vida. Chega ao ponto de, na sua inocência, citar chavões dos tais extremistas, dos mesmo anarquistas que tem vindo a insultar no café, no facebook e nas caixas de comentários dos blogues que lê. Mas você perdeu a guerra no dia em que deixou o Estado entrar na casa do seu vizinho. Abriu o precedente –  a caixa de pandora – para que ele um dia entrasse na sua. E esse dia chegou.

Agora sente-se, relaxe, beba um copinho de maduro tinto, acenda um cigarro e desfrute. Porque mais tarde ou mais cedo o Estado também o privará desses pequenos prazeres com tons de pecados. Por razões de saúde, por razões de segurança, por razões que o próprio imbecíl que fizer essa lei desconhecerá. Mesmo que isso implique entrar em sua casa, mesmo que isso implique a sua detenção por resistir à autoridade suprema dos fascistas que o governam. Como se diz em bom português, você fez merda, caro Leitor. Agora aguente-se à bronca. Aqui tem a factura do que pediu.

PS: Por cá o Carlos, a Maria João e o Ricardo (o outro) e no Estado Sentido o João Quaresma, o Samuel, o Fernando Melro dos Santos e o José Maria Barcia já escreveram sobre o assunto. Vale a pena uma vista de olhos.

Hoje não há “inocentes” no Pingo Doce

Aproveitando o feriado, o Pingo Doce lançou a mais subversiva de todas as campanhas: Preços baixos em todos os seus produtos! Como se atreveram!
50% de desconto generalizados. Lembram-se do buliço pela venda do leite a preços baixos (enquanto pagava a tempo e horas aos fornecedores)? Agora esta medida de destruição maciça afectou lojas inteiras (excepto bazar, electrodomésticos, têxtil e farmácia – somos rigorosos no relatório). Sem discriminação positiva por produtos amigos do ambiente!
E para piorar tudo, só para clientes que gastassem mais de 20% do salário mínimo em compras! Elitistas!

Os consumidores, mostrando pouca solidariedade com os produtores, responderam em massa: filas à entrada, entradas só perante correspondentes saídas, prateleiras vazias, …
E não foi para “Ah e tal, só estou aqui para ir ao Multibanco”. Não. Foram seres gananciosos, com vontade de consumir mais e mais e mais este mês.. sem terem trabalhado mais para isso!
Quem hoje for ao Pingo Doce é reaccionário! Não há inocentes!

Os verdadeiros culpados são a Troika – que colocou o povo neste estado de necessidade – e o Grande Capital – que assim divide para conquistar.
Ouvimos até – mas nem queremos acreditar – que foi uma iniciativa do senhor Holandês em conluio com o Governo para tirar força às manifestações populares do 1º de Maio!!!

E o apelo ao boicote dos que se revoltam por as lojas abrirem no Dia do Trabalhador?
E os apelos à greve do CESP?
E onde está a ASAE para impedir o dumping em múltiplos produtos (aguardamos lista dos camaradas… que só foram monitorar a situação)?

(imagem de arquivo; hoje estas prateleiras já deverão estar vazias)

Post Scriptum: De acordo com as nossas fontes, já ouve incidentes entre clientes, intervenção policial e até encerramentos (temporários…) de algumas lojas na zona de Lisboa.

Em vez de desbaratar o orçamento de marketing assim, deveriam era promover campanhas junto dos camaradas da RTP e RDP. Os camaradas estão a estudar a assunção de uma posição sobre o assunto.

E claro, se têm assim tanto dinheiro, deverão pagar mais impostos. O gabinete de Cristas será notificado para aumentar o seu imposto para pagar por tão necessárias obras na sede da FENPROF em Lisboa.

ASAE on fire

Mais sete produtos alimentares sob suspeita de venda abaixo do custo.

Próximos ataques (suposições minhas):

1. RyanAir expulsa de Portugal (vôos a 9,99 EUR?!?). EasyJet sobre estudo

2. Groupon e demais concorrentes obrigadas a fechar sites para Portugal. Europa estuda tomar a mesma medida

3. Saldos tabelados. Venda abaixo do preço de custo proibidas

4. Liquidações Totais têm novas regras. Bancarrota mais difícil

5. Ofertas e Brindes terão de ser cobrados pelo Preço de Custo. Responsáveis evocam princípio do “utilizador-pagador”

6. Autoridade da Concorrência passa a integrar a ASAE. Esvaziamento dos poderes da primeira justifica decisão

7. Computadores, telemóveis e outros bens tecnológicos não poderão mais ser vendidos abaixo do preço que custaram

E claro…

-> Inflação dispara porque não está mais a ser presa por queda de preço de alguns sectores tradicionalmente deflacionários

Se não aconteceu, pode perfeitamente acontecer em breve…

Até quando a ASAE vai andar impunemente a prejudicar os consumidores Portugueses?

Se subir os preços dá multa por ser monopolista e ter iguais a todos dá multa por ser cartelista, também dará multa ter preços baixos? Please…

O que esperará o governo PSD para afastar António Nunes (sim, esse mesmo)?

Dumping

De acordo com a Wikipedia, Dumping é:

“uma prática comercial que consiste em uma ou mais empresas de um país venderem seus produtos, mercadorias ou serviços por preços extraordinariamente abaixo de seu valor justo para outro país (preço que geralmente se considera menor do que se cobra pelo produto dentro do país exportador), por um tempo, visando prejudicar e eliminar os fabricantes de produtos similares concorrentes no local, passando então a dominar o mercado e impondo preços altos. É um termo usado em comércio internacional e é reprimido pelos governos nacionais, quando comprovado. Esta técnica é utilizada como forma de ganhar quotas de mercado.”

Por exemplo, no caso da produção de móveis, isto significaria que uma empresa com algum capital financeiro resolveria em vez de tentar melhorar o produto ou o processo produtivo, vender móveis abaixo do preço de custo para levar os concorrentes à falência e, depois de se tornar a única produtora da zona, obter lucros de monopólio.

Quem Ganha:
– Consumidores: Com a baixa de Preços, vêm aumentar o seu Poder de Compra
– Fornecedores: Com o aumento do Poder de Compra dos consumidores, aqueles compram mais e portanto os fornecedores vendem mais do seu produto, ao mesmo preço

Quem Perde:
– Concorrentes: Os consumidores deslocam as suas compras de quem não faz dumping para quem o faz. Em determinados casos, estes concorrentes podem falir e os que tinham ficado a ganhar no Curto Prazo, perdem no Médio e Longo Prazos
– Executor da Prática: Enfrenta prejuízos para ganhar posição de mercado. Se conseguir falir os concorrentes, obtém poderes de Monopolista e passa a ser o único que ganha

Note-se que a prática de dumping deve ser dissociada de estratégias promocionais, sob pena de não se poderem fazer descontos ou ofertas! Isto poderá conseguido, por exemplo, comparando médias de preço de venda e o custo num período suficientemente longo para ver se constitui dumping (em vez de analisar preço vs custo a cada momento). Só aí a ASAE poderá actuar.

Por fim, fica uma das anedotas preferidas de Ayn Rand:

3 empresários encontram-se numa prisão e, como todos os presidiários, começa a falar sobre o motivo pelo qual estão ali:
1º: – Eu estou aqui porque pratiquei Preços Muito Altos, e me acusaram de abuso de Poder de Monopólio.
2º: – Eu estou aqui porque pratiquei Preços Muito Baixos, e me acusaram de Dumping.
3º: – Eu estou aqui porque pratiquei Preços Iguais a Todo o Mundo, e me acusaram de Cartelização.

Pois…

Impõe-se algumas palavras sobre um caso que tem sido muito badalado nestes dias: o mercado da distribuição do Leite. Neste processo a Lactogal queixou-se ao Estado de que o Continente estava a cobrar preços abaixo dos 30 cêntimos que o Continente a que o Continente tinha o leite à Lactogal.

Ao contrário do que seria de supor, quem fez a queixa não foram os concorrentes do Continente (por exemplo, associações de pequenos comerciantes) mas os fornecedores, os tais que venderão mais do que numa situação normal e receberão o mesmo preço.
Mais estranho ainda, o medo da Lactogal não é a falência do restante canal de distribuição (que a afectaria mais tarde…), pois os restantes distribuidores vendem muitos outros bens e, depois de uns dias a vender menos leite, voltarão a vender a quantidade normal quando a promoção terminar.

De acordo com quem “anda no terreno”, o motivo pelo qual a Lactogal intentou esta queixa foi porque, no “competitivo mercado da distribuição”, se o Continente vender abaixo um “produto bandeira” como o leite, os outros grandes distribuidores vão ter de “responder” e portanto vão “exigir” que a Lactogal faça um “desconto significativo”, levando a “perdas insuportáveis” por parte da Lactogal.
Recordo que mesmo que outros distribuidores tivessem tentado obrigar a Lactogal a fazer preços mais baixos, esta última pode não o fazer devido à sua situação de “monopólio com franja competitiva” (marcas Lactogal) que possui. E se o fizesse, a perda de Curto Prazo será compensada por ganhos de Médio e Longo Prazo em termos de maiores vendas, a preços “normais”.
No Longo Prazo, é natural que os clientes prefiram produtos de qualidade semelhante e preços muito inferiores mas isso meus caros, já sabem de quem é a culpa, não é?

Se a ASAE aceitar esta situação, terá de o fazer sempre que um fornecedor se queixe de situações idênticas, pois a lei é igual para todos. O que é abrir uma Caixa de Pandora…

Veja-se como realmente a estratégia é fazer cross-selling: o cliente paga 78 cêntimos, obtém descontos para o mês de Janeiro e Fevereiro (obriga a fazer mais 2 compras) e é limitado a 16 litros, pelo que o cliente é convidado a comprar mais para ter o cabaz entregue em casa.

Estado Vs Produtores de Leite – Quem é o “Biggest Loser”?

Apesar de eu habitualmente não comentar medidas da actualidade, surgiu nestes dias uma notícia que é grave demais para não ser comentada.

Noticiou-se no Público:

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica [ASAE] já apreendeu 240 mil litros de leite, desde que pôs em em marcha, na quinta-feira, uma operação de fiscalização nas grandes superfícies comerciais, para averiguar denúncias dos produtores sobre a prática de dumping (venda abaixo do preço de custo pago aos produtores).

Comentários prévios:

  1. Modus Operandi. Para se averiguar a referida denúncia não era necessário a “apreensão” (é mais destruição, dado o prazo de validade…) do leite. A qualidade do produto não está em causa! Os hipermercados envolvidos só por este motivo, já têm razões para processar o Estado.
  2. Realidade do Desconto. É de referir que o desconto praticado pelo Continente não é sobre o leite apreendido. O cliente paga a totalidade do Preço e, se pretender o desconto, terá de voltar em datas posteriores.
  3. Hábito da prática. Estas são práticas promocionais comuns no mercado. Tratando-se de “marcas brancas” outro objectivo será levar o consumidor à experimentação do leite comercializado com a marca do distribuidor (“cross-selling”). Por vezes, produtores também oferecem produtos com semelhante objectivo e não lhe chamam “dumping”. Mas todos os outros produtores foram mais inteligentes e só os do leite exibiram este comportamento auto-destrutivo.
  4. Orçamento de Promoção da Lactogal. A Lactogal tem gasto bastante em publicidade para convencer consumidores a comprar o seu leite. Agora, como as promoções das “marcas brancas” aparentemente estão a ter melhores resultados (não deve ser leite da Lactogal…), fizeram queixa na ASAE. Maus perdedores! Se pudessem voltar atrás, provavelmente teriam usado grande parte desse orçamento para oferecer leite. É que, por exemplo, a oferta de 240 mil litros custar-lhes-ia apenas 72 mil euros. Quanto é que gastaram em publicidade??!
Mas isto são fait-divers. O que me choca mesmo é a análise a quem ganha e quem perde:
  • Base:
  1. Preço – O Preço pago ao Produtor vai ser agora menor do que o preço recebido do consumidor. Tal pode ser feito ou exigindo mais ao consumidor ou pagando menos aos produtores ou fazendo ambos os movimentos. Possivelmente o ajuste far-se-á mais pelo lado dos consumidores, que vão ter da pagar mais pelo Leite;
    Os consumidores vão pagar mais por um Bem Essencial!
  2. Quantidade – Como o preço ao Consumidor deverá aumentar, a quantidade vendida será consequentemente menor (não muito contudo, dado o carácter de Bem Essencial deste bem – o que tecnicamente se designa por inelasticidade da quantidade transaccionada face ao preço). Decorre necessariamente de aceitarmos a existência de curvas da Oferta e da Procura.
    Os Consumidores vão consumir menos Leite!
  • Quem ganha:
  1. Outros Vendedores de Leite. Devido à sua reduzida dimensão, os poucos que no comércio tradicional ainda vendiam leite não conseguiam vender este ao preço dos grandes distribuidores. Com a subida do preço ao consumidor na grande distribuição, alguns consumidores deixarão de se dirigir às grandes superfícies para comprar o leite. São dos maiores beneficiários com esta polémica e não me consta que sequer se tenham pronunciado.
  2. Publicitários. Como o Continente não pode agora atrair consumidores pela Campanhã dos descontos em cartão (sim, porque num futuro próximo se fizer o mesmo com fruta, pão ou varinhas mágicas, as mesmas acusações surgirão…), terá de pagar mais aos gráficos que desenham a Popota ou aos actores que levam milhares de Euros por cada spot. Pessoas necessitadas, certamente. Lá se vai a “Justiça Social” do Estado.
  3. Produtores de Outros Bens. Como o preço do leite sobe, os consumidores vão consumir outros bens. Geralmente outros líquidos: Sumos, Leite achocolatado, Cerveja, … depende do agregado familiar e do que eles decidem comprar para aquele lugar no frigorífico. E já agora medicação para doenças do ossos, no futuro. Se os produtores de leite não recuarem, pode-se esperar um aumento do custo com a saúde dos Portugueses em algumas áreas.
  • Quem perde:
  1. Consumidores. O Estado Português cobra a cada contribuinte alguns dos impostos mais asfixiantes da Europa (sobre os combustíveis, por exemplo) (sobre o Tabaco) (sobre o rendimento, se considerarmos que um Nórdico paga mais mas sobre um valor muito superior de ordenado) e proporciona dos benefícios dos mais baixos da Europa (veja-se a qualidade de serviços prestados, como a Educação, a Saúde e a Justiça). Agora, vem obrigar o mesmo contribuinte a pagar mais por um bem essencial!
    Ou sendo mais preciso: paga o mesmo pelo leite, mas perde o desconto para levar o que quisesse sem pagar no mês seguinte, até 75% da despesa deste mês em leite. Perde poder de compra no próximo mês, perde incentivo para levar leite hoje, ganha incentivo a levar algo menos saudável (e portanto perde saúde) e perde campanhas que o Continente lançaria no futuro se não fosse este episódio. Ganha o direito a assistir a mais Popota na televisão.
  2. Produtores de Leite. Se o Continente pagava 30 cêntimos e, para atrair consumidores, escolhia esse produto para vender mais barato, então vendia mais leite do que venderia em circunstâncias normais. Agora, os consumidores vão consumir menos leite, o Continente vai comprar menos leite e, dado o seu poder negocial, vai continuar a pagar 30 cêntimos aos produtores.
    Produtores vão continuar a receber 30 cêntimos por MENOS litros de leite.
    Na melhor das hipóteses, pois o Continente pode REDUZIR o preço pago aos produtores para passar a cumprir o que lhe é imposto pela ASAE.
  3. Distribuidores. O Continente tem agora menos opções para atrair consumidores, pois o seu orçamento de marketing deverá agora ir mais para publicidade em vez de ir para descontos mais fortes. Limitado assim na sua liberdade, melhor não fica. Na melhor das hipóteses fica igual, nos produtos em que a decisão seria sempre essa mesmo que pudesse oferecer descontos.
  4. Estado.  O Estado obtém assim o efeito de:
    A) Diminuir o consumo (e a produção) de leite;
    B) Substituir o consumo deste por bens menos saudáveis;
    C) Diminuir o preço pago aos produtores e/ou aumentar o preço cobrado aos consumidores;
    D) Promover a “justiça social” de cobrar mais aos consumidores de leite e canalizar os fundos de marketing da grande distribuição para as classes altas que estão no mercado publicitário;
    E) E tudo isto enquanto se prepara para gastar mais em cuidados de saúde no futuro.
    Parabéns Estado!
Enquanto isto, os produtores de leite, que foi quem desencadeou esta loucura, rejubila.
Talvez por ter sido quem mais perdeu (Preço recebido, Vendas desviadas para outros bens, …) e viver num mundo ao contrário.
Fica a pergunta: Quem perdeu mais, o Estado, os Produtores de Leite ou os Consumidores?
E o mais grave é que a população passa ao lado disto como se isto fosse normal, como se isto fosse Cuba. Ao que chegamos…
Este artigo é baseado num original n’O Insurgente: “Vacas Loucas na ASAE“.