Bel’Miró por Bel’Miró – um ensaio auto-cognitivo

A Arte não representa a vida, a vida representa a arte. Bel’Miró não escolheu ser artista, A Arte é que o escolheu para Lhe dar vida, vida esta que representa A Arte, que é meta-arte e o próprio mistério da vida, que é A Arte e a sua representação através da vida. Em Portugal não se ensina A Arte às crianças e isso destrói a criação do Ser Pleno, o Homem Novo pós-contemporâneo.

Bel’Miró vive em frente a uma escola e vê o quão se maltrata o colectivo infantil com matérias factuais que qualquer um pode descobrir na internet. Bel’Miró também vê a total ausência d’A Arte nas caras infelizes de petizes, aos saltos, com os pequeninos pezinhos, tão fofinhos, inocentes para a problemática d’A Arte e da cultura para A Arte. É fundamental ensinar a pensar A Arte mas, igualmente fundamental, é ensinar a pensar a pensar o ensino da arte de ensinar a pensar A Arte. O objectivo último de Bel’Miró é a criação de um grupo de trabalho que crie uma comissão de inquérito para a criação de um grupo de estudo que leve o grupo de investigação a determinar os passos que podem ser dados para que as aprendizagens d’A Arte levem a adquirir competências para o conhecimento policultural e anti-monoartístico.

Bel’Miró aceitou o amável convite d’O Insurgente porque Bel’Miró é, também ele, e em si mesmo, um pedagogo do que é real. O distanciamento que Bel’Miró consegue ter sobre todos os assuntos, incluindo sobre si mesmo, permite ao Artista ver o mundo pelo prisma correcto, a única lente que distingue o Real do Refractário.

"monsieur connoisseur Guy de la Note", Chelas, 2014
“monsieur connoisseur Guy de la Note”, Chelas, 2014

Porém, o artista não é importante, importante é a urgência da su’A Arte, que não lhe pertence, pois pertence à sociedade. Pouco tenciona Bel’Miró falar da biografia de Bel’Miró porque Bel’Miró é um mero veículo para A Arte num catastrófico cenário pós-austeriário-pré-estruturalista. Porém, Bel’Miró gostaria de explicar aos leitores d’O Insurgente que as suas influências artísticas remontam ao terracotismo de África e que a sua causa política é a autodeterminação cubista do Povo Basco, lugar onde passou um marcante – por quasi-impressionista – fim de Sábado em Agosto de 1989.

Bel’Miró está, desde Segunda-Feira, completamente dedicado à fusão do pontilismo com o cubismo-austeritário, o movimento já designado pelo connoisseur monsieur Guy De La Note como octotriangularismo.

Bel’Miró
Avignon, Outubro de 2014

P.S.: é muito importante que este post seja publicado exactamente às 18 horas e 18 minutos do 42º dia que antecede o solstício de inverno.

Hoje, eu aqui me confesso

Hoje, eu aqui me confesso. O convite para me associar a uma colectividade, O Insurgente, deixou-me algo perplexo.

Em primeiro lugar, porque o processo convencional, em vigência em terras lusas, é outro: a associação é involuntária e obrigatória, subtilmente implícita neste contrato social que nos ajoelha ao invés de nos erguer. É uma forma de coercividade paternalista em que alguém — altruisticamente zelando pelo nosso próprio bem — nos absolve da pesada responsabilidade de escolher. Foi uma surpresa, portanto, que me tenham perguntado a minha opinião sobre o assunto.

Não menos importante, porque esta não é uma colectividade convencional, daquelas instituições vigentes a que estamos habituados. É uma colectividade precária. Senão, vejamos. Carece de uma forte e prudente burocracia que estatize os seus membros. Abdica de alguns instrumentos de escrita, especialmente o lápis azul. Não tem um comité central que dite linhas editoriais. Padece de uma ausência de consenso — imagine-se que os membros constituintes têm linhas identitárias autónomas e distintas e por vezes estão em desacordo. Não tem cargos vitalícios nem contratos sem prazo. Por fim, é uma colectividade que não beneficia de subsídios e que, pior ainda, é tão ineficiente a arrecadar uma pequena e indolor receita fiscal dos seus membros que depende das parcas receitas próprias.

Perante esta proposta, a de pertencer voluntariamente a um grupo cujo valor é acrescentado pela contribuição individual de cada um dos seus membros e não pela assimilação por parte dos colectivizados de uma ideologia e regência imposta, mas que se rege pelos princípios que enaltecem a liberdade individual, a livre ação e livre arbítrio, a ordem e a paz, recusar seria um erro não menor que a acomodação passiva das escolhas que os outros fazem por nós. Hoje decido eu.

MAL