O que a Greve dos enfermeiros nos ensina sobre as outras greves?

Os Enfermeiros estão em greve. Não sendo eu favorável a greves, algo que eu não aceito é a campanha de desinformação espalhada pelo governo, pela comunicação social que age como cão de guarda ao governo, e por uma certa parte da classe médica que apoia o actual entendimento político.

O curioso desta greve é que, para atacar os enfermeiros, um dos vectores de ataque escolhidos pela esquerda no poder pode ser usado para criticar muitas outras greves. Afinal, se os enfermeiros são “selvagens” e “assassinos” (na verdade nunca se fizeram tantas cirurgias urgentes como durante esta greve!), então…

… os médicos grevistas serão o mesmo que acusam os enfermeiros de serem.

… os juízes grevistas serão criminosos, pela não aplicação da lei ou pelo menos pelo atraso desta, e ainda pelo benefício ao infractor.

… os polícias grevistas serão criminosos e ladrões, senão de forma directa, pelo menos como cúmplices.

… os pilotos da TAP e os funcionários da CP grevistas odeiam os respectivos utentes e serão mesmo sociopatas porque impedem as famílias de se reunirem.

… os professores grevistas odeiam as crianças, não têm paixão pela educação, e serão contra o futuro do país – certamente não devem querer receber reformas.

Greve.jpeg… os estivadores em greve serão obviamente contra as exportações do país em geral e contra trabalhadores como os da Autoeuropa e respectivas famílias em concreto.

… os funcionários públicos em greve serão contra o serviço público – incluindo o SNS – e os cidadãos que é suposto servirem.

… obviamente então as inter-sindicais e os comunistas e bloquistas serão selvagens, assassinos, pelo atraso do país, pela perda de empregos, criminosos, ladrões, sociopatas, odeiam as crianças e cospem em muitos dos pratos que lhes dão de comer.

Se a lógica da geringonça contra os enfermeiros se aplica, então tudo isto é verdade.

Anúncios

O Infarmed A Ir Para O Porto

O primeiro ministro António Costa até podia repetir um milhão de vezes que o Infarmed iria para o Porto…

…e o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro bem que podia elogiar o governo a todas as horas de todos os dias sobre a decisão de mudar a sede do Infarmed para o Porto…

…que isso não alterava o facto do Infarmed nunca ir para o Porto.

Leitura complementar:

Eleitoralismo

Para o grande líder da geringonça, gastar em ano de eleições 750 milhões de euros dos contribuintes na compra de votos não é eleitoralismo.

03 Julho 2018 (fonte).

25 de Agosto de 2018 (fonte).

05 Setembro 2018 (fonte).

Moral da história:

Moralismo e Hipocrisia na Esquerda Chique

Como diz o José Manuel Fernandes, “é muito fácil ser moralista na casa dos outros“:

António Costa: Afirmações Versus Factos

Opiniões são opiniões, mas factos são factos. Quando se fazem afirmações sobre factos, estas afirmações ou são verdadeiras ou falsas.  A tabela abaixo, é retirada deste artigo do Adolfo Mesquita Nunes, onde é feita uma compilação de afirmações versus factos de António Costa enquanto primeiro ministro.

A lista acima exclui ainda os seguintes episódios:

  • A candidatura da Agência Europeia do Medicamento, com António Costa a dar o dito por não dito (ver a cronologia aqui);
  • A transferência do Infarmed para o Porto (ver Infarmed. Documento desmente versão de António Costa).
  • O episódio da assinatura do acordo de concertação social (ver aqui).
  • A afirmação de António Costa de que a carga fiscal tinha baixado/iria baixar em 2017  (ver aqui) quando na própria proposta de orçamento de estado para 2018 o governo reconhece que aumentou em 2017 (ver aqui).
  • A afirmação de António Costa a chamar a si os louros da redução da àrea ardida (ver aqui).

Ninguém (incluíndo o humilde autor deste post) esté imune a enganos e erros – todos somos humanos. No entanto, é uma questão de carácter reconhecer os erros, retratá-los e pedir desculpa. No entanto quer a capacidade de pedir desculpa, quer de reconhecer e retratar erros é algo que parece não estar presente no nosso actual primeiro ministro.

Não dizer a verdade é mau. Que seja o primeiro-ministro dirigindo-se ao parlamento ou ao país, é péssimo. Que não peça desculpa e se retrate, é ridículo.

Há várias maneiras de qualificar uma pessoa que falta sistematicamente à verdade: uma pessoa mal informada, uma pessoa equivocada, uma pessoa intelectualmente desonesta… …na minha terra, chamamos-lhe simplesmente mentiroso. Com António Costa enquanto primeiro-ministro, pode ser que o M na abreviatura de PM passe a ter outro significado.

António Costa, O Neoliberal

Muito bem, o primeiro-ministro António Costa a explicar que a austeridade não é uma opção ideológica, mas sim uma questão de realidade e de matemática. As imagens foram retiradas daqui e daqui.

António Costa de 2017 Chama Indigno e Ofensivo a António Costa de 2013

António Costa em 2013 como presidente da Câmara de Lisboa promovia jantares no Panteão Nacional, de acordo com a CM TV:

Já em 2017 – remando sempre ao sabor da maré mais populista (como toda a geringonça) com dois pesos, duas medidas e duas caras – António Costa diz que o jantar da Web Summit no Panteão Nacional é “absolutamente indigno” e “ofensivo”: