Quotas, Quotas e Mais Quotas

Por entre tanto socialismo, é cada vez mais difícil distinguir os partidos portugueses.

Que o estado queira impor quotas de género nas administrações das empresas públicas – como cidadão e contribuinte, acho mal. Os únicos critérios que me parecem apropriados no caso do estado são exclusivamente a competência e o mérito.

Algumas pessoas poderão pensar que propositadamente um género é discriminado em relação a outro. O género é apenas um critério – facilmente observável é um facto – mas existe do mesmo modo uma inúmera outra quantiade de critérios mais ou menos observáveis subjacentes a cada pessoa.

Que se queira à força da lei, impor qualquer composição por quotas das administrações das empresas públicas já é mau. Que o estado, que não é prima pela gestão das suas empresas e administrações, pretenda também por força da lei se intrometer na liberdade da gestão das empresas privadas é algo que como libertário acho profundamente repugnante e por si só uma razão forte o suficiente para mudar a sede de uma empresa deste país. Amanhã, o estado terá legitimidade para impor quotas por raças, etnias, faixas etárias, orientações sexuais, religiões ou outra coisa arbitrária que um grupo de interesse qualquer consiga trazer para a agenda do dia.

Algumas questões que podem ser colocadas sobre esta lei:

  • Porquê apenas quotas de género? Porque não quotas para outro tipo de característica pessoal (raça, etnia, faixa etária, religião, orientação sexual)?
  • De onde vem o número mágico de 33,3% – e não 32% ou 34%? Existe algum estudo que este é o número mínimo ideal de composição mínima para elementos do sexo feminino em empresas de todas as indústrias (por exemplo construção civil) e de todas as actividades económicas?
  • Se uma empresa tiver uma gestão composta na sua grande maioria por pessoas do sexo feminino, terão estas também que preencher quotas de 33,3% de pessoas do sexo masculino?
  • Porquê quotas de género apenas nas administrações de topo? Porque não na gestão intermédia ou até em todos os níveis?
  • Porquê quotas de género apenas em empresas cotadas em bolsa? Porque não em todas as empresas?
  • E finalmente, que direito fundamental está a ser violado, que exige a intromissão do estado, reduzindo a liberdade da gestão das empresas privadas?

Leitura complementar: Um Insulto Às Mulheres E Um Atentado Aos Acionistas

CDS, o partido inimigo da juventude urbana

Na rádio ouvi Mota Soares a gabar-se de algumas vitórias nas negociações com a troika. Parece que conseguiu que, entre outras coisas, não existissem o equivalente aos mini-jobs alemães nem que jovens possam aceitar empregos com remuneração abaixo do salário mínimo.

Estas ferramentas podem fazer a diferença para jovens que queiram entrar no mercado de trabalho progressivamente, valorizando-se com a experiência ao mesmo tempo que mostram o valor que tÊm para os empregadores.  O orgulho do ministro em bloquear medidas que teriam inevitáveis efeitos positivos no desemprego jovem, medidas provadas em outros países europeis só não é inacreditável porque vivemos em Portugal.

A triste verdade é que no PS, PSD ou CDS encontramos a mesma matriz socialista e corporativista. Mais ou menos progressista, mais ou menos centralistas, mais ou menos outras variáveis laterais, mas todos socialistas.

Não vais ser fácil esquecer que foi o CDS/PP que forneceu 2 dos ministros mais colectivistas deste governo, Conceição Cristas e Mota Soares. A ala social-cristã tem demasiada força para que o CDS seja uma alternativa de voto para jovens urbanos liberais.

Entretanto temos os mesmos jovens urbanos a emigrar para países que têm mini-jobs e não têm salários mínimos. Países de destino que usaram essas ferramentas exactamente para melhorar as condições de acesso ao mercado de trabalho a jovens. Se existir justiça neste mundo nem um dos jovens que cá ficar votará no CDS nas próximas eleições.