O elitismo europeu

Mais um adepto do “paga e cala-te”. E é claro que o euro nunca poderá um assunto interno dos países-membros. (Nem sequer do maior contribuinte líquido.) O tema só pode ser discutido pelas elites. Foi graças a “iluminados” como o Sr. Juncker que acham que acreditam que a “construção europeia” é decida por vanguardas esclarecida e longe do sufrágio popular que chegamos ao presente caos. Os alemães podem e devem conhecer, discutir e decidir internamente quanto custa o resgate da Grécia e quanto custa não o fazerem.

A germanofobia tem destas coisas

Com a germanofobia a atingir por estes dias o estatuto de religião laica é natural que qualquer noticia negativa sobre a Alemanha (veja-se o recente europeu de futebol) seja, para muitos, motivo de júbilo. Ainda assim seria conveniente manter um mínimo de racionalidade coisa que neste post parece ter-se ausentado para parte incerta . 

A  autora parece acreditar que coisas que dão pelo nome de “liderança” ou “visão europeia” poderiam ter salvo a Grécia ou Portugal (ou mesmo a Espanha) da bancarrota. Aliás, não é difícil perceber que se tivesse havido maior empenho (leia-se endividamento) alemão em favor do Clube Med em vez de um simples “negative outlook” teriamos já assistido a vários descidas na notação da dívida alemã. E também não parece credível que a ameaça da Moody’s torne os alemães mais generosos.

Dois terços dos alemães são austeritários

Diário Económico

De acordo com uma sondagem divulgada hoje, quase 66% dos alemães não concorda que se dê mais tempo a Portugal, Grécia e Espanha para cumprir as metas acordadas com a troika.(…) A poll da ZDF-Politbarometer, citada pela Reuters, também mostra que 63% dos alemães apoia a forma como a chanceler Angela Merkel tem gerido a crise de dívida(…).

Mais de metade dos alemães também não concorda com a mutualização da dívida na zona euro.(…) A mesma sondagem mostra que o partido conservador de Merkel continua a ser o mais popular na Alemanha, com um apoio de 36% dos sondados, dois pontos percentuais acima da última poll, de Maio

E o vencedor foi…

Wolfgang Munchau rejeita a tese que a Alemanha tenha cedido em toda à linha, na última cimeira à pretensões da Espanha e Itália.

“The real victor in Brussels was Merkel” de Wolfgang Munchau (Financial Times)

Mario Monti faced down the German chancellor and won the battle. He will survive a few more weeks or months in politics. It was clever of him to threaten a veto on something Angela Merkel badly needed. He had her in the corner. It was an example of classic EU diplomacy.

But this was only the foreground spectacle. If you look behind the curtain, you will find that, for Italy at least, nothing has changed at all.(…)

Continue a ler “E o vencedor foi…”

Alemanha deles e a nossa Grécia

Em vez de demonizarmos os alemães e de lhes atribuirmos intenções perversas convinha perceber a lógica das suas exigências e que em posição idêntica agimos da mesma forma. E fazemos bem. Não concordo com tudo o que o Luís Naves aqui escreve. Mas pelo menos ele coloca a questão nos seus devidos termos:

Merkel defende os interesses do seu país e, se houvesse um chanceler social-democrata, a política alemã não seria muito diferente, o que se prova pela forma como os partidos alemães chegaram a acordo sobre a ratificação do Tratado Orçamental que obriga os signatários ao rigor nas contas públicas. Não é possível imaginar que a Alemanha abra os cordões à bolsa sem garantias políticas. O eleitorado não aceitaria pagar mais impostos e ter abrandamento económico ao ajudar outros países, sem ter a certeza de que o dinheiro seria bem gasto.

Num programa da TV, ontem, Henrique Medina Carreira (um dos comentadores mais lúcidos em Portugal) tentou explicar isto e lembrou o exemplo da relutância nacional em pagar as dívidas da Madeira. Os contribuintes continentais têm dificuldade em aceitar manter um sistema que sabem ser ineficiente e um estilo de vida que sabem ser insustentável. Confesso que quando vejo Jardim a mandar “umas bocas” contra o continente sinto uma indignação muito teutónica

Ui! Aposto que a Sra Merkel até ficou com a pernas a tremer

Daniel Oliveira no Arrastão

Na realidade, nós estamos todos a pagar para a Alemanha manter, numa Europa disfuncional, um poder económico para o qual não tem, sem a União e o euro, dimensão. E está na altura de pensarmos como um alemão e dizermos à senhora Merkel: ou faz parte da solução ou prepare-se para umas décadas de penúria. Quer mesmo arriscar o fim do euro? Não? Então ponha-se fina. O problema é que temos todos sido os anjinhos no meio de um jogo de poker. Está na altura de desfazer o bluff alemão.”

O deputado Pedro Nuno Santos é que tinha razão. Vamos então dizer à Sra Merkel que ou ela nos dá todo o dinheirinho que queremos (e sem exigências!) ou então ela que vá ressuscitar o Marco Alemão. Está-se mesmo a ver que após cortar o financiamento ao “Clube Med” (um termo mais simpático que PIGS) a Alemanha irá enfrentar a penúria. Como ontem dizia o par da esquerda no P&C, vamos descobrir onde é que o dinheiro está escondido.
e nós entraremos (finalmente) no paraíso socialista.

E pensar que os gregos queriam tanto entrar para o euro que até aldabaram as contas. Ainda estou para descobrir como é que os alemães os convenceram enganaram obrigaram a fazer isso!

Misturar alhos com bugalhos

É curiosa a insistência de alguns denominados “historiadores” em comparar a dívida alemã nos pós-guerras – imposta pelos vencedores como reparações – à a dívida contraída pelos gregos para financiar um Estado Social moribundo e um vasto exército cuja raison d’être é defender o país de uma guerra em grande escola com a Turquia que nunca se materializou – e que ninguém com cabeça acredita que se materialize num futuro próximo.

Mas aproveito a questão levantada para expôr a posição do historiador Niall Ferguson sobre a I Guerra Mundial e a culpabilidade da mesma: