Geringonça Incomodada Com o Sucesso das Empresas Privadas

O sucesso da privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) – tendo o próprio António Costa se referido recentemente à WestSea como uma referência da indústria naval –  será porventura um sapo difícil de engolir para os partidos que sempre se opuseram à sua privatização . Por exemplo em 2013, Catarina Martins afirmava o seguinte (fonte):

É um negócio por si só “ruinoso para os cofres públicos” e “irresponsável” para a economia e emprego da região.

Ainda assim, não é compreensível que PS, PCP e BE tenham votado contra um voto  de congratulação aos trabalhadores, aos gestores e à sociedade civil de Viana do Castelo pela viabilização dos estaleiros (fonte).

Voto_Contra_Estaleiros

Estes partidos da geringonça não convivem de todo bem com o sucesso da iniciativa privada.

Anúncios

Esquema Em Pirâmide

Um esquema em pirâmide conhecido também como pirâmide financeira, é um modelo comercial previsivelmente não sustentável que depende basicamente do recrutamento progressivo de outras pessoas para o esquema, a níveis insustentáveis.  – Wikipedia

A imagem acima foi retirada daqui.

Regular a Liberdade de Expressão?

Numa altura em que tanto se fala do “combate” legal às fake news, em que o Governo está tão preocupado com a “desinformação” (quando os membros do PS têm sido os que mais têm mentido nas análises feitas pelo Polígrafo), em que há muitos à esquerda e à direita que querem regular o que se pode ou não escrever, em que há muitos que querem regular o que se pode dizer para não se “ofender” outros, numa altura em que há gente a falar sem se rir de criar um Ministério da Verdade como aquele relatado no livro 1984 de George Orwell, numa altura em que comediantes são condenados por injúrias a deputados (ver o caso do Danilo Gentili ontem no Brasil)…..

Numa altura como esta importa perceber que, muitas vezes, mais do que esquerda-direita, a “luta” é entre pessoas com um mínimo de noção de liberdade e pessoas que têm posições autoritárias.

Salvemo-nos dessa ideia totalitária de que o Estado, bom ou mau, pode definir o que pensamos e o que dizemos. Há um direito inalienável a dizer barbaridades, e há um dever de combater as barbaridades, não no terreno da proibição de falar ou impor determinadas palavras “correctas”, a barbárie combate-se na disputa politica e social de uma sociedade justa, livre e igualitária

Quem escreveu esta frase acima? Certamente alguém da direita liberal? Não. Foi Raquel Varela, pessoa de esquerda.

Parece-me que deixar um idiota falar é quase sempre menos nocivo do que calá-lo. Às ideias de que não gostamos responde-se com ideias de que gostamos. A minha posição sempre foi essa. 

Quem escreveu esta frase acima? Certamente alguém da direita liberal? Não. Foi Ricardo Araújo Pereira, pessoa de esquerda.

Num altura como esta importa definir bem os “inimigos” e numa altura como esta, a todos os que pretendem regular a liberdade de expressão, convém dizer: Que se fodam. Como disse, e bem, o Carlos Guimarães Pinto num Ask Me Anything que a Iniciativa Liberal fez ontem no Reddit.

Páginas de Austeridade Que Se Viram (III)

Afinal, o próprio Doutor Mário Centeno, Ronaldo das Finanças e presidente do Eurogrupo admite que a “viragem da página da austeridade” foi manifestamente exagerada (fonte):

Ainda asssim, a notícia acima parece-me fake news. Corrigindo a notícia, ela fica assim:

Novilíngua

O controlo do pensamento faz-se pelo controlo do discurso e pela distorção das palavras. Assim, imprimam a tabela abaixo e usem-na sempre que lerem um jornal ou ouvirem um político a falar.

A imagem acima foi roubada à Iniciativa Liberal.

A “democracia” do PCP

À pergunta “Incomoda-o o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia?”, Jerónimo de Sousa respondeu: “Eu não fazia essa classificação de ser ou não ser”. Ao contrário do que pensam os incautos, a intelectualidade comunista está viva e com boa saúde, veja-se o devaneio hamletiano do dirigente do PCP. Não fosse Shakespeare suficiente, Jerónimo trata de apimentar o debate com a boa e velha dúvida socrática: “ O que é a democracia?”, pergunta o dirigente comunista. Como um digno socrático (nas mais diversas acepções do termo), Jerónimo logo corrige o seu discípulo, cujo conceito de democracia envolve “políticos eleitos, por exemplo”, relegando-o ao domínio do “é uma opinião”, ou seja, da doxa platónica (δόξα, para os entendidos). O diálogo terminou, infelizmente, numa aporia. Porém, tenho a certeza que o processo dialético continuará o seu caminho rumo ao esclarecimento.

Podemos tirar duas conclusões deste episódio: Jerónimo de Sousa não sabe o que é uma democracia ou, quiçá, Jerónimo de Sousa sabe perfeitamente o que uma democracia, nos é que não o entendemos. Tendo a ser simpático à segunda opção. Afinal, visto a quantidade de vezes que o PCP usa a palavra democracia, o ignorante aqui devo ser eu. Veja-se a marcha “Liberdade e Democracia”, a palestra “Liberdade, democracia e socialismo”(num colóquio sobre o famigerado democrata Karl Marx) ou as diversas manifestações do partido em relação ao “golpe contra a democracia” no Brasil e na Venezuela. O PCP reclama o conceito, usa-o abundantemente e não sabe o que ele significa? Estranho. Felizmente, o próprio Jerónimo começou a traçar um esboço conceptual, invocando a “democracia avançada tendo em conta os valores de Abril”, conceito que peca, creio, por falta de brevidade. Ao falar da “democracia avançada tendo em conta os valores de Abril”, porém, continuamos sem saber o que quer dizer com “democracia”. Não desesperemos. Dadas as diversas manifestações do partido contra o “golpe” na Venezuela e no Brasil, encontramos duas democracias aceites pelo PCP: o Brasil petista e a Venezuela de Chávez e Maduro. Ao que parece, democracia envolve, no caso do PT: esquemas de compra de votos; organização o maior escândalo de corrupção do país; tentativas de censura de imprensa; e regozijo pelo facto de “não ter um candidato de direita na campanha”. Já no caso da Venezuela atingimos um estado hiperdemocrático: em 14 eleições, o regime perdeu apenas uma; os poderes estão devidamente divididos: Maduro no executivo, Maduro no judicial e Maduro no legislativo; e os media estão devidamente controlados. Continuo, assim, sem descartar a segunda opção, apenas creio que deve ser devidamente reformulada: Jerónimo de Sousa sabe perfeitamente o que ele quer dizer com democracia e nós continuamos, voluntariamente, a ignorar esse facto.

Vemos isto ao verificar que a tirada do dirigente do PCP, como qualquer barbaridade proferida à esquerda do PSD, foi recebida com a devida leniência. Houve, efetivamente, alguma indignação (ou, pelo menos, afetação de indignação), porém, sempre travada pela aura de desculpabilidade que rodeia o PCP. Donald Trump gabava-se de poder “dar um tiro a alguém” sem perde qualquer voto. Se conhecesse os encantos nacionais, saberia que o PCP já goza de tal complacência há muito mais tempo. Bernardino Soares pode ter “dúvidas de que não haja lá [na Coreia do Norte] uma democracia” e o Partido dos Trabalhadores da Coreia pode marcar presença no Avante sem que tal “aura de desculpabilidade” se perca. Esta, por sua vez, baseia-se em dois mitos: a ideia de que o PCP lutou pela liberdade e a ideia de que o PCP se desradicalizou.

O primeiro mito é facilmente desmascarado: a “democracia” do PCP costuma fazer par com a “liberdade” do PCP (veja-se a marcha “Liberdade e Democracia”) e, tendo em conta o seu sentido peculiar de “democracia”, podemos concluir que esta “liberdade” nada mais significa do que o seu contrário. Como notou Alberto Gonçalves, umas das misérias que o Salazarismo nos legou “foi o mito de que o PCP combateu a ditadura em nome da liberdade. No mundo real, o PCP lutava por uma ditadura mais repressiva, da qual aliás se espreitou o grotesco rosto em 1975.” Continuarmos a louvar a luta do PCP como uma luta democrática, como fez Marcelo Rebelo de Sousa, é cair na ladainha do partido. Para o PCP, “ditadura”, “liberdade”, “democracia” são conceitos flutuantes, cujo significado varia com a maré e que servem, pura e simplesmente, como eufemismos para a defesa do socialismo. Entretanto, a experiência mostra-nos que “liberdade e socialismo” ou “democracia e socialismo” fazem tanto sentido quanto “putaria e castidade”.

O segundo mito, igualmente enraizado, parte de uma má compreensão da trajetória do PCP. Este seduz, inclusivamente, parte da direita e baseia-se na ideia de que o PCP é agora um partido do sistema, que conversa com o PS, que faz a barba e usa gravata. Assim sendo, pensar um PCP radical seria perpetuar um “vem aí o diabo” que não espelharia nenhuma situação politica real. Ora, eu conheço poucas situações mais expressivas do “diabo” na política do que a de um partido “do sistema” que tem dúvidas quanto à natureza do regime Norte-Coreano.

É óbvio que o PCP de 2019 não tem planos de socialização dos meios de produção a curto prazo. Contudo, o PCP já faz a barba e usa gravata desde que passou à legalidade. Achar que isso significa uma desradicalização dos comunistas é não entender que o “PCP responde a nova realidade revolucionária”. Esta começou, por exemplo, no momento em que houve a “alteração da expressão «ditadura do proletariado», deixando de se usar a formulação mas mantendo-se o conceito”. Segundo o próprio partido, o conceito mantém-se sob diferentes formulações: “democracia” e “liberdade, quiçá. Esta nova realidade revolucionária é aquela em que vivemos: a realidade onde dúvidas em relação à natureza do regime Norte-Coreano ou Venezuelano são aceitáveis e têm representação parlamentar; a realidade onde conceitos como “liberdade” e “democracia” servem exatamente para subverter o seu sentido; a realidade onde a foice e o martelo são vistos como símbolos libertadores; a realidade em que acontece na FLUL o colóquio “Hegel/Marx- “Cães mortos” ainda vivem”, que já em 1963 era datado ; a realidade em que ser comunista é “cool”.

Apesar do seu caráter quase folclórico, a fala do dirigente do PCP é paradigmática tanto de um PCP que nunca se desradicalizou (e que continua a radicalizar o debate) como da nossa leniência frente aos radicalismos. E esta leniência é ainda mais visível quando falamos do Bloco de Esquerda. Esse caratér quase folclórico do PCP (que funciona para alguns como uma espécie de memorabilia de outubro de 1917) espelha, apesar de tudo, uma genuinidade que não se encontra no Bloco. Enquanto o Bloco apaga publicações de apoio à Venezuela, pelo menos o PCP não esconde as suas simpatias. Enquanto o PCP quer uma revolução para chamar de sua, o BE quer uma casa-de-banho não-binária para chamar de sua. Com isto, trabalham espontaneamente na mesma direção: alargar o espetro de opiniões aceitáveis de modo a abarcar posições que são, na sua essência, radicais — e, pior, transvestidas de virtude.

Aproveitando o espírito platónico/socrático de Jerónimo de Sousa, vale lembrar que, segundo Platão, a democracia está a um passo da tirania. É essa a democracia do PCP.

Sem Título

Páginas de Austeridade Que Se Viram (II) – Investimento Público Em Mínimos Da Década, Do Século e Do Milénio

Eu ainda sou do tempo em que a esquerda em Portugal defendia as virtudes do investimento público e do seu efeito multiplicador na economia; e que proclamava a urgência em aumentar o investimento publico em Portugal.

Já sem a troika por cá e sem um programa de ajustamento para cumprir, a geringonça leva o investimento público ao mínimo da década, do século e do milénio.

A imagem acima foi retirada daqui.