A geringonça vista de Espanha

Aqui fica um artigo espanhol para o qual contribuí com alguns breves comentários sobre a situação política portuguesa e o funcionamento da geringonça até ao momento: Portugal y Alemania, la gran esperanza de los socialistas europeos.

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Le Pen e Macron: sinais

Macron Jeered by Hometown Crowd After Le Pen’s Ambush

Emmanuel Macron was booed and whistled at by striking factory workers in his hometown of Amiens, northern France, after an ambush by his nationalist rival Marine Le Pen forced him into a confrontation with some of her hardcore supporters.

Le Pen made a surprise visit to the Whirlpool Corp. plant on the edge of Amiens while election front-runner Macron was meeting with union leaders from the plant in the center of town. Le Pen told reporters on the picket line that Macron’s decision to meet the workers’ representatives behind closed doors showed his “contempt” for their plight, forcing her rival to change his plans and engage with the demonstrators live on television.

With the black smoke of burning tires whipped up by a cold wind and cries of “Marine! President!” punctuating his remarks, Macron tried to mount a defense of the European trade regime in the factory parking lot as angry demonstrators crowded round.

“When she tells you the solution is to turn back globalization, she’s lying,” Macron told the workers, his comments picked by the microphones of more than 100 reporters witnessing the clash. “We cannot outlaw firing. We must fight to find a buyer.”

(…) Although the 39-year-old rookie in his first political campaign is the strong favorite to win the presidential runoff on May 7, he needs to regain the initiative after stumbling at the start of the week. A survey by Harris Interactive released Wednesday showed 61 percent of voters thought Le Pen had started the final stretch of campaigning well and 52 percent thought Macron had done badly.

Uma perspectiva optimista sobre o Brexit

Brexit is not nationalism. It is not extremism. It is our defence against both those things. Por Tim Stanley.

Last Sunday, England celebrated its national saint’s day with face paints and bell ringing. Meanwhile, France went to the polls and gave nearly half its vote to a fascist and a communist. The contrast between the politics of our two countries is stark, and it’s one of the reasons why Britain voted for Brexit last year – to inoculate ourselves against European extremism.

Jean-Marie Le Pen elogia decisão de Mélenchon

Jean-Marie Le Pen juge «très digne» l’absence de consigne de vote de Mélenchon

“Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, amanhã no ISCTE

Amanhã a partir das 14:30 participarei na quarta edição do Economics Day do ISCTE-IUL, num debate sobre “Espaço Orçamental no Espaço Europeu”, juntamente com João César das Neves, da CLSBE, João Duque, do ISEG, Nuno Teles, do CES-UCoimbra e Rui Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas. A moderação estará a cargo de Rui Peres Jorge, do Jornal de Negócios.

Sim, a noite eleitoral de ontem foi positiva

Podem quanto quiserem lembrar que Macron pode ter dificuldades a eleger deputados, sendo que não tem partido. E que houve 40% de alminhas eleitoras francesas que recusaram a União Europeia (que estes 40% assustem quando vários referendos já se fizeram e perderam sobre questões europeias, sem que tenha havido levantamento para abandonar a UE, já acho que é alguma tendência para o susto). Podem aventar todos os cuidados. Que, mesmo assim, a maior votação de Macron, e a sua provável eleição, é uma boa notícia: Macron provou que o anti establishment – que ganhou a noite eleitoral francesa, depois de ganhar outros lados – não tem de estar capturado por maluquinhos da estirpe de Trump, Melechon, Le Pen, Farage, o inimigo do banho e da higiene pessoal que manda no Podemos, Wilders. E isto, caríssimos, é de grande significado.

Quanto ao resto, sem embarcar em messianismos e vendo as dificuldades, Macron não é um tevolucionário que quer deitar às urtigas o bom da UE – as quatro liberdades, desde logo, a paz europeia, a prosperidade que traz fazermos parte de um espaço maior com trocas intensas de todo o género – para defender projetos pessoais de poder (que não se alcançam sem inventar um demónio). É economicamente sensato. E, cereja no topo do bolo, a criatura laranja – que, tal como os comunistas não consegue conceber que todas as relações dos humanos e das instituições humanas não são um jogo de soma zero, e se esforça por criar uns Estados Unidos fortaleza num mundo de escombros, sem entender (porque mede tudo com o seu ego e precisa de se ver como o líder cimeiro do universo) que uma UE resistente e sólida não é nenhum perigo para os EUA, pelo contrário – apoiou Marine Le Pen (como se um presidente de um aliado tivesse de dar palpites sobre os candidatos franceses). Pelo que também se tratou de os franceses mandarem Trump dar uma volta. Em suma, já vi noites eleitorais bem piores.

(Mais logo digo umas coisas sobre o voto em Marine Le Pen.)

Sobre sondagens e projecções em França

Acertaram quase ao milímetro (espantosamente considerando as naturais margens de erro, o facto de haver quatro candidatos à passagem à segunda volta e uma situação altamente volátil), ainda que quase ninguém fale disso.

A persistência do Estado-nação e do sentimento nacional

Eleições em França: A ilusão pós-nacional. Por João Carlos Espada.

(…) os dois partidos centrais da democracia francesa — os Republicanos, ao centro-direita, e os Socialistas, ao centro-esquerda — ficaram em ruínas. Nenhum dos seus candidatos estará na segunda volta. Em conjunto, não terão alcançado 30% dos votos. Isto merece uma análise ponderada, pois terá necessariamente consequências muito sérias para a democracia em França. E deve ser olhado em perspectiva comparada com o que sucedeu no Reino Unido e nos EUA.

No Reino Unido, uma ruptura política radical — a decisão de sair da UE — não afectou a solidez dos partidos tradicionais. O partido político que associou essa decisão a uma revolta popular contra “o sistema” — o Ukip de Nigel Farage — tem hoje 7% nas sondagens e não detém neste momento nenhum deputado no Parlamento britânico (o único que tinha acabou de se demitir).

Continue reading “A persistência do Estado-nação e do sentimento nacional”

O que há a festejar na (quase certa) eleição de Macron?

Macron, um Presidente sozinho. Por Alexandre Homem Cristo.

O que há a festejar na (quase certa) eleição de Macron, na segunda volta, para além do facto de ele não ser Le Pen? Nada. Ele é um homem sozinho e sem força política para reformar uma França decadente

O principal resultado da noite eleitoral em França (2)

Metade dos franceses votaram contra o euro e a UE. Por Rui Ramos.

Esta primeira volta das eleições presidenciais não trouxe boas notícias para a Europa da integração. Com Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon , mais de 40% dos eleitores franceses manifestaram-se contra o euro e a União Europeia: quase tantos como os que, através de Emmanuel Macron, François Fillon e Benoit Hamon, se manifestaram a favor. A França revelou-se tão dividida acerca da questão europeia como o Reino Unido estava o ano passado, aquando do Brexit. Mas no Reino Unido, os partidos tradicionais mantiveram a iniciativa política (o Brexit é conduzido pelo Partido Conservador, não pelo UKIP), enquanto em França, os grandes partidos do regime, representados por Fillon e Hamon, ficaram pela primeira vez ambos de fora de uma segunda volta das presidenciais.

Presidenciais francesas na TVI24

Hoje, às 23.30, vou estar na TVI24 a comentar os resultados da primeira volta das presidenciais francesas. Até lá.

3 mulheres polícia Suecas… 1 refugiado… Resultado: humilhação

A realidade impõe-se na Suécia:

Quando ao fim de 2:50 ele pega numa pedra final e a atira contra o vidro do carro sem qualquer oposição, lembro-me dos jogos da juventude e parece-me ouvir “Humilliation”. Patético. No que a Suécia se tornou…

Este vídeo faz-me lembrar da grande diferença entre Bill Maher (esquerdista mas não mangina) e Michael Moore (total mangina) neste vídeo histórico (ver aos 8:43):

Todo o vídeo é muito revelador e se apreciam o género recomendo.

Renaud Camus & Pat Buchanan

N’O Estado da Arte, blog do jornal O Estado de São Paulo, encontra-se um interessante perfil de Renaud Camus, candidato presidencial francês que sequer é chamado para os debates.

Confesso que a primeira vez em que ouvi falar em Renaud Camus foi num almoço com um amigo, diplomata brasileiro. Ele próprio, descendente de franceses, demonstrava interesse pela ideia camusiana do “Partido da In-Nocência” — não da inocência no sentido de não ser culpado, mas de não fazer mal. Primum non nocere.

Discordemos o quanto quisermos de Camus, claro, mas tentemos entendê-lo. E uma comparação que me veio à mente foi com o velho Pat Buchanan (ou apenas oito anos mais velho do que Camus). Buchanan foi assessor de Reagan, perdeu repetidamente as primárias republicanas para ser candidato, e ajudou a criar o Reform Party, tendo sido um dos primeiros “terceiros candidatos” de monta às eleições presidenciais americanas. Como Camus, também foi excluído dos debates televisivos, e era difícil não entender isso como um ato de prudência: como Buchanan era também apresentador do programa Crossfire na CNN, seria difícil superar alguém que já dominava toda a linguagem da TV.

Buchanan, porém, foi uma espécie de pioneiro do nacionalismo que hoje encontra em Camus um representante à direita de Marine Le Pen: defendia o poder dos sindicatos, queria que os EUA parassem de exportar empregos, era abertamente nacionalista. Denunciava os acordos multilaterais de comércio, e um de seus slogans era free trade is not free, no sentido de que o livre comércio custa algo a alguém — o importante era que o eleitor de Buchanan acreditasse que o outro é que estava pagando, talvez.

Contudo, Buchanan escreve muitíssimo bem. Pode não ser um mestre do estilo como Camus, mas tem clareza e teve a coragem de escrever um livro que sugere que a Segunda Guerra Mundial foi desnecessária. Deu-nos um dos melhores títulos do mundo, o de sua autobiografia: Right from the Beginning, ou Desde o começo, Certo desde o começo, e Direitista desde o começo.

Três anos antes do famoso Le Suicide Français de Éric Zemmour, Buchanan também escreveu Suicide of a Superpower.

Com a eleição de Trump, ficam as perguntas: Buchanan veio cedo demais para os eleitores? E Camus? Encontrará em Le Pen seu voto útil?

É muito melhor tentar entender essas figuras do que descartá-las — o que é óbvio quando dito assim, mas não quando se considera o tratamento que boa parte da mídia lhes dispensa.

To: Macron, From: Russia, with Love

Emmanuel “Rothschild” Macron: The Globalists’ Response to Trump, Putin, and Le Pen.

Macron’s PR workers have for now managed to combine two incompatible things in his image: it is as if he is for soft economic neoliberalism, but for the common man and against the establishment. In addition, he is also in favor of Europe and multiculturalism, but they’re trying to make these aspects not stick out, since you never know when the next terrorist attack or mass rape could take place and harm his approval rating.

A França para mim é um estado desinteressante e eu não acompanho as eleições. Por mim, ficaria em casa. Mas realmente há que reconhecer: ninguém – ninguém mesmo – sabe criar um político vazio e bonzinho como Soros.

EnMarche

Treat the UK like Norway

Uma boa ideia, desde que prevaleça o bom senso de ambos os lados do Canal: Brussels’ Brexit plan: Treat the UK like Norway

Copying EU’s deal with Oslo would keep Britain in single market during the transition.

The ‘Pandora’s Box’ of EU-funded NGOs

Parliament report opens ‘Pandora’s Box’ of EU-funded NGOs

Almost 60% of funding available under the EU’s environmental, social, health and human rights programmes was allocated to just 20 NGOs, the report noted, calling on the Commission to improve its control procedures.

Returning a criticism often levelled at corporate lobby groups, the report also called on the Commission to introduce requirements for NGOs to publish the details of the lobbying contacts they’ve had with EU officials and MEPs on an annual basis.

More generally, the German MEP called for “harmonised rules” to apply on any grants awarded by the EU, suggesting no double standards should apply in the way funds are allocated and controlled.

Nunca subestimar a estupidez dos eurocratas…

Mais um excelente artigo de Rui Ramos: Castigar os britânicos por causa do Brexit é uma má ideia.

O Reino Unido faz falta à Europa unida. Pela sua tradição de liberdade, pela sua abertura ao mundo, pelo seu papel de contrapeso do eixo franco-alemão, que a Itália ou a Polónia não estão em condições de desempenhar. Sem o Reino Unido, aquilo a que chamamos “Europa” será cada vez mais uma aliança franco-alemã, com parceiros periféricos. As tentações de proteccionismo e de ensimesmamento serão maiores. A bem da Europa, conviria às potências europeias, que já reconheceram o princípio das várias velocidades, desdramatizarem o Brexit, e aceitarem que há outras formas de integração, que não as da União Europeia. Porque se tudo acabar mal, a culpa será suficientemente grande para poder ser repartida por todos.

Uma Europa a duas velocidades

Uma Europa a duas velocidades é importante para a Europa e bom para Portugal. Com o Brexit, e ficando Portugal para trás na integração europeia, permitiria ainda uma aproximação ao nosso aliado tradicional, que é a Inglaterra. O meu artigo no Jornal Económico.

Uma Europa a duas velocidades

Foi no fim do mandato, numa cimeira em Versalhes, que François Hollande decidiu ser presidente da França. No dia 6 deste mês, Hollande recebeu os líderes da Alemanha, Itália e Espanha e disse-lhes que, ou a Europa corre a duas velocidades ou explode. As simple as that. Aquele presidente socialista que, em nome dos fracos, ia fazer frente a Merkel, acabou por afirmar, ao lado da chanceler alemã, o que ela nunca ousou dizer.

E fez bem, há que o reconhecer. Tivesse Hollande sido nos últimos cinco anos o que foi naquela segunda-feira, em Versalhes, e as nossas vidas seriam diferentes para melhor. Como é que um português pode dizer uma coisa destas? Como é que um português pode aceitar uma Europa a duas velocidades sabendo que, à partida, Portugal não estará no pelotão da frente? A resposta é simples e passa por uma pergunta.

 Preferimos uma Europa a duas velocidades, em que os países mais fortes se unam e se protejam, ou uma Europa desunida e em conflito permanente? Quem olhe para a História do nosso continente não terá dúvidas que a primeira opção é a preferível. E quem dê atenção ao que está a acontecer nos últimos anos na Europa reconhece que a união forçada dos diferentes países é uma das causas para a tensão permanente e para o conflito entre as nações europeias.

Em destaque está o euro. A união monetária, quando foi pensada, devia incluir os países europeus em condições de suportar uma moeda forte. Foi por isso que se estabeleceram limites ao endividamento público e aos défices orçamentais. Por muito que nos custe admitir, sabemos hoje que Portugal não devia ter aderido à moeda única europeia. Na altura, a classe política apresentou a adesão como um feito, mas é essa mesma classe política que hoje, porque o euro lhe tira margem para governar sem escrutínio, que em surdina o lamenta, culpando-se não a si por ter falhado, mas à Alemanha por ter sido exigente.

Sabemos que tanto a imigração como as questões da defesa e da segurança se resolvem, num mundo globalizado, com união e acordos entre os países. Ora, tal só é possível se as ainda potências europeias tiverem margem para o fazer. O que só terão se os países periféricos, e dependentes da solidariedade dos europeus, os deixarem deixando-se de lamentar e de travar qualquer passo mais que outros entendam como crucial.

Fala-se em reformar a UE e, em Portugal, ouvimos dizer que é preciso corrigir erros. Ora, um dos erros foi o excessivo alargamento do projecto europeu porque era politicamente incorrecto uma Europa a duas velocidades. Já não é. Já não pode ser. A Europa precisa de um rumo para enfrentar a Rússia, a Turquia, a China e o mundo árabe. Para tal, França e Alemanha, e outros, devem entender-se. Para nosso bem.

O défice mais baixo… em democracia

Quero aqui complementar o post do CGP, onde ele escreveu:

«Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas».

Esse consenso limita-se, claro, aos partidos do “arco da governação” (PS, PSD e CDS) em períodos de dificuldades orçamentais e sob pressão de compromissos externos (credores ou acordos internacionais). Caso contrário, nem pio sobre o défice. Por qualquer um deles!

Porém, no PS, este discurso de rigor orçamental só é feito enquanto está no Governo. E, como diz CGP, há que lembrar-lhes do que agora defendem quando mudar o ciclo político. É que já o esqueceram no passado recente. Relembro não só os PEC (1, 2, 3 e 4) e o Memorando de Entendimento que PS negociou com “troika” mas também, esta frase incluída na moção de estratégia política do PS em 2011, então coordenada por António Costa e aprovada no XVII Congresso do partido:

[A consolidação orçamental] é um esforço que tem de ser feito para garantir o nosso empenhamento na criação de condições de financiamento da economia portuguesa, indispensável à actividade económica.

Agora que PS voltou à cadeira do poder executivo não é de admirar que haja novo “empenhamento” em atingir metas orçamentais definidas em Tratados Europeus. Têm, contudo, um grande problema: apesar do continuado apoio parlamentar pelos partidos da extrema-esquerda (a dita “Geringonça”), estes – principalmente BE e PCP – clamam por maiores défices:

Durante as suas interpelações ao ministro das Finanças, Bloco de Esquerda e Partido Comunista mostraram o seu desagrado com o valor de défice anunciado pelo ministro das Finanças, argumentando que existia margem para mais medidas de reposição de rendimentos.

Não fossem as pressões da União Europeia e/ou PS estivesse na oposição, certamente o discurso político de António Costa e seus acólitos estaria mais de acordo com bloquistas e comunistas. Aliás, foi assim que ganhou o apoio destes a seguir às eleições legislativas de 2015.

Com a necessidade de continuar a descida do défice (em 2017 esperam voltar a ter o «défice mais baixo de sempre em democracia»), o descontentamento dentro da “Geringonça” tenderá a agravar-se. A “bengala” de António Costa tem sido – e será cada vez mais – desviar culpas para Comissão Europeia, Eurogrupo, Banco Central Europeu, credores internacionais, conjuntura económica, sistema bancário, etc. Deste modo, conseguiu manter BE e PCP como… “cordeiros em pele de lobo”. A ver se continuam assim.

Alianças que não se desfazem

I have an anouncement to make to the House arising out of the Treaty signed between this country and Portugal in the year 1373 between His Majesty King Edward III and King Ferdinand and Queen Eleanor of Portugal. This Treaty was reinforced in various forms by Treaties of 1386, 1643, 1654, 1660, 1661, 1703 and 1815 and in a secret declaration of 1899. In more modern times, the validity of the old Treaties was recognised in the Treaties of Arbitration concluded with Portugal in 1904 and 1914. Article I of the Treaty of 1373 runs as follows: “In the first place we settle and covenant that there shall be from this day forward … true, faithful, constant, mutual and perpetual friendships, unions, alliances and needs of sincere affection and that as true and faithful friends we shall henceforth, reciprocally, be friends to friends and enemies to enemies, and shall assist, maintain and uphold each other mutually, by sea and by land, against all men that may live or die.” This engagement has lasted now for over 600 years and is without parallel in world history. I have now to announce its latest application. At the outset of the war the Portuguese Government, in full agreement with His Majesty’s Government in the United Kingdom, adopted a policy of neutrality with a view to preventing the war spreading into the Iberian Peninsula. The Portuguese Government have repeatedly stated, most recently in Dr. Salazar’s speech of 27th April, that the above policy is in no way inconsistent with the Anglo-Portuguese Alliance which was re-affirmed by the Portuguese Government in the early days of the war.

His Majesty’s Government in the United Kingdom, basing themselves upon this ancient Alliance, have now requested the Portuguese Government to accord them certain facilities in the Azores which will enable better protection to be provided for merchant shipping in the Atlantic. The Portuguese Government have agreed to grant this request, and arrangements, which enter into force immediately, have been concluded between the two Governments regarding (1) the conditions governing the use of the above facilities by His Majesty’s Government in the United Kingdom and (2) British assistance in furnishing essential material and supplies to the Portuguese armed forces and the maintenance of the Portuguese national economy. The Agreement concerning the use of facilities in the Azores is of a temporary nature only, and in no way prejudices the maintenance of Portuguese sovereignty over Portuguese territory. All British Forces will be withdrawn from the Azores at the end of hostilities. Nothing in this Agreement affects the continued desire of the Portuguese Government, with which His Majesty’s Government have declared themselves in full sympathy, to continue their policy of neutrality on the European mainland and thus maintain a zone of peace in the Iberian Peninsula.

In the view of His Majesty’s Government, this Agreement should give new life and vigour to the Alliance which has so long existed between the United Kingdom and Portugal to their mutual advantage. It not only confirms and strengthens the political guarantees resulting from the Treaties of Alliance, but also affords a new proof of Anglo-Portuguese friendship and provides an additional guarantee for the development of this friendship in the future. On the conclusion of these negotiations my right hon. friend the Foreign Secretary, who has, I think, conducted them with the very greatest skill and patience, has exchanged most cordial messages with the Portuguese President of the Council. In his message, my right hon. friend affirmed his conviction that the facilites now granted by the Portuguese Government would greatly contribute to the effective defence of our shipping and thus prove an important factor in shortening the war. He added that the Agreement would give fresh vitality to the ancient Alliance and enhance the close and friendly relations which have so long subsisted between Portugal and Great Britain. In replying to this message, Dr. Salazar stated that he shared the hope that the facilities granted by Portugal to her Ally would help to bring about greater safety for shipping in the Atlantic and that he trusted that this new proof of Portugal’s loyalty to her traditions would fortify the secular Alliance and serve to draw still closer the bonds of friendship between the two peoples.

I take this opportunity of placing on record the appreciation by His Majesty’s Government, which I have no doubt is shared by Parliament and the British nation, of the attitude of the Portuguese Government, whose loyalty to their British Ally never wavered in the darkest hours of the war.

Churchill nos Commons, Outubro de 1943

Não faltarão em 2017, e daqui em diante, oportunidades para continuar a trilhar estes caminhos conjuntos. Godspeed!

Le Pen: a candidata dos jovens, em especial dos portugueses

Dados que dão que pensar: Marine Le Pen tem mais apoio entre os jovens do que entre o eleitorado em geral e, entre os jovens, são os de origem portuguesa quem mais apoia a candidata da Front National.


(via Alexandre Afonso)

Liberdade na Torre de Babel

MEPIsto é grave. E triste. Em vários planos e por várias razões.

Ver um homem, já com alguma idade, a dizer aquele chorrilho de disparates, é triste. Tratando-se de um deputado europeu, é grave.

Mas, enfim, o ridículo fica com ele e, diga-se de passagem, o fórum em que ele falou, não é muito relevante para a maioria dos europeus. E essa irrelevância, não sendo muito grave agrava a tristeza que vai caindo aos poucos sobre o projecto europeu.

Os eleitores europeus e os eurodeputados que (alegadamente) os representam agitaram-se incomodados perante as declarações e terão (assim espero…) respondido à letra ao seu colega. Óptimo, é para isso que serve um Parlamento. Mesmo que seja triste que só ouçamos falar deste Parlamento neste tipo de ocasiões…

Mas, para além destas reacções, o presidente do Parlamento Europeu também achou por bem lançar a sua acha para a fogueira. E não foi de modas: condenou o dito eurodeputado impondo-lhe “sanções inéditas”.

E é aqui que isto fica grave. E sério.

Qual foi, afinal, o objecto das sanções? Corrupção? Abuso de poder? Tráfico de influências? Aproveitamento indevido das imensas mordomias que assistem aos deputados europeus? Não, nenhuma das anteriores. O objecto da sanção foi, afinal de contas, puro delito de opinião.

Limitar a liberdade de expressão a alguém que foi legítima e democraticamente eleito para um parlamento é absolutamente injustificável. Fazê-lo em nome da liberdade é… perigoso.

Uma visão eslovaca sobre os desafios que se colocam à UE

Dia 13 de Março no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que continua a ser um espaço ímpar de liberdade, reflexão e debate pluralista em Portugal.

No meio desta harmonia universal…

Tudo há-de correr bem, até acabar mal. Por Rui Ramos.

No meio desta harmonia universal, é preciso má vontade para lembrar que o défice foi obtido com medidas extraordinárias e temporárias, e com base na maior despesa pública e na maior carga fiscal de todos os tempos. Que a economia cresceu menos do que em 2015, e cerca de metade da economia de Espanha, aqui ao lado. Que a dívida continua a aumentar e que sem o BCE ninguém a compraria, a não ser a juros impossíveis.

Continue reading “No meio desta harmonia universal…”

Dois entendimentos de “democracia”

Dois conceitos de “democracia”. Por João Carlos Espada.

Uma vigorosa manifestação de pluralismo veio da “mãe de todos os Parlamentos”, em Londres. A Câmara dos Lordes, curiosamente não eleita, aprovou por larga maioria (358 contra 256) uma emenda à resolução dos Comuns sobre a saída da UE. Os Lordes solicitam que o Reino Unido declare unilateralmente que os 3 milhões de europeus residentes poderão continuar nas Ilhas Britânicas, independentemente do que a UE decida fazer aos 900 mil britânicos residentes no continente. Isto contraria a posição do Governo de Theresa May, que tem feito depender o futuro estatuto dos europeus residentes da posição que a UE vier a adoptar relativamente aos britânicos residentes no continente.

A decisão da Câmara dos Lordes foi naturalmente criticada por vários defensores do Governo da sra. May. Mas, que eu tenha visto, nenhum se lembrou de atacar os Lordes por “traírem o povo ou a democracia”. Essa bizarra acusação coube, como seria de esperar, ao sr. Farage, ex-líder do UKIP que aliás nunca conseguiu ser eleito para o Parlamento britânico. Ele disse que os Lordes tinham votado contra o resultado do referendo de Junho. Obviamente, ele está equivocado: o referendo de Junho votou pela restauração da soberania do Parlamento britânico. No âmbito dessa soberania constitucional, os Lordes votaram uma emenda à decisão dos Comuns. Por outras palavras, o pluralismo constitucional do Parlamento britânico está a funcionar.

Um país dependente do BCE

Tudo em Portugal depende do BCE, até a verdade. Por Rui Ramos.

(…) quando o véu de fantasia monetária do BCE deixar de cobrir a nudez forte da verdade portuguesa, descobriremos talvez, não o que se passou com as transferências ou com a CGD, mas o que se vai passar com todos nós, para além de todas as mistificações facciosas. Tudo em Portugal depende do BCE, até a verdade.

Portugal: riscos financeiros e económicos em 2017

Mais uma excelente análise de Joaquim Miranda Sarmento: Os riscos financeiros e económicos de Portugal em 2017.