Compreender o fracasso do modelo de agências reguladoras em Portugal

Um artigo bem fundamentado, corajoso e escrito por quem conhece como poucos a teoria e prática dos processos de captura institucional em Portugal: O Estado-Regulador portuguese style. Por Nuno Garoupa.

A chegada do modelo de agências reguladoras a Portugal encontrou, pois, uma cultura hostil, uma apetência pela governamentalização, a preponderância da opacidade e da falta de transparência, um sistema judicial ineficiente e incapaz de lidar com os desafios da regulação económica. Foi, portanto, um transplante incómodo destinado a falhar.

(…)

Em Portugal, o Estado-regulador morreu antes de começar. Os sucessivos governos lidaram mal com a independência dos reguladores e, rapidamente, decidiram que são despojos partidários. Invalidaram a possibilidade de contratação internacional de reguladores, fugiram das boas práticas (não há nenhum concurso digno desse nome), integraram os reguladores no grande esquema do aparelho do Estado sujeito às conveniências políticas do momento. A primazia da cultura administrativa portuguesa (deferente e amiga da governamentalização) manteve-se inalterável. Os tribunais não desempenham qualquer papel minimamente relevante. A captura privada dos reguladores merece alguma atenção na comunicação social, mas longe de irritar o poder político.

Num país que cultiva a fidelização pessoal ou partidária dos cargos públicos em detrimento da qualidade técnica, do mérito profissional ou da independência institucional, não há espaço para um modelo de agências reguladoras. Num país onde os tribunais não podem supervisionar a atividade regulatória e a regulação por litigância está absolutamente penalizada, não faz sentido pensar em regulação económica.

Sem prestação de contas efetiva e sem desgovernamentalização, não faz qualquer sentido o modelo de agências reguladoras. É simplesmente anacrónico. Defendo, por isso, dentro do Direito Comunitário, o regresso ao modelo das direções-gerais. Tem mais legitimidade democrática, mantém o capital humano necessário ao Estado-intervencionista, é mais barato orçamentalmente e adere à realidade cultural das elites políticas e económicas portuguesas.

Como maximizar a imigração ilegal do México para os EUA

Um artigo brilhante de Tyler Cowen: What If Trump Wanted More Illegal Immigration? Wait, He’s On It!

Imagine that a new U.S. president, different from the one we just elected, set out to maximize the number of illegal Mexican immigrants. Maybe he or she saw electoral advantage in this, or maybe just thought it was the right thing to do. But how to achieve that end? Imagine also that I was called into the Oval Office to give advice.

I would start by recommending an enormous new program of fiscal stimulus and construction. Let’s rebuild our roads, bridges and power grids, and put up some new infrastructure as well, including perhaps an unfinished border wall. That will require a lot of labor, and Mexican labor, including that of the illegal variety, is common in the construction business. The financial crisis, and the resulting freeze-up in the housing market, was a major reason why Mexican migration to the United States went into reverse, so a new building program might counteract that trend.

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Trump and higher education

Higher education is awash with hysteria. That might have helped elect Trump. Por George Will.

Many undergraduates, their fawn-like eyes wide with astonishment, are wondering: Why didn’t the dean of students prevent the election from disrupting the serenity to which my school has taught me that I am entitled? Campuses create “safe spaces” where students can shelter from discombobulating thoughts and receive spiritual balm for the trauma of microaggressions. Yet the presidential election came without trigger warnings? (…) Academia should consider how it contributed to, and reflects Americans’ judgments pertinent to, Donald Trump’s election. The compound of childishness and condescension radiating from campuses is a reminder to normal Americans of the decay of protected classes — in this case, tenured faculty and cosseted students. (…) Institutions of supposedly higher education are awash with hysteria, authoritarianism, obscurantism, philistinism and charlatanry. Which must have something to do with the tone and substance of the presidential election, which took the nation’s temperature.

23 e 24 Novembro: “Rawls and Nozick on Justice and Redistribution”

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Entrada livre, mas sujeita a inscrição.

A melhor arma contra a diabetes é o socialismo (2)

A minha vizinha anda a acumular um proto-fascismo que põe em risco o elevador. Por Vitor Cunha.

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Soluções para acabar com os proto-fascistas

Estaline também apontou para soluções saudáveis para resolver problemas.
Estaline também apontou para soluções saudáveis para resolver problemas.

O Ricardo Paes Mamede, usa a sua página de Facebook para esclarecer os mais desatentos sobre os caminhos a percorrer para travar o populismo proto-fascista.

Uma vida saudável previne o populismo proto-fascista. Esta parece ser a conclusão de um estudo publicado na edição desta semana da revista The Economist sobre o resultado das eleições americanas.

De acordo com o estudo, o desvio de votos a favor de Trump em cada condado está fortemente associado à incidência de fenómenos como a reduzida esperança média de vida, a obesidade, o alcolismo, a diabetes, ou a falta de exercício fisico. Isto verifica-se mesmo depois de se considerar o efeito de variáveis como a etnia, a educação, a idade, a situação perante o mercado de trabalho. As condições de vida da população local são estatisticamente mais relevantes do que a proporção de população branca com reduzida educação – o factor que tem sido mais apontado nas análises.

Só falta mesmo dizer que, como vários estudos têm mostrado, os problemas de saúde estão recorrentemente associados às desigualdades sociais e à inexistência de serviços públicos de qualidade.

A conclusão é óbvia e não é nova: só o socialismo previne a barbárie.

Isto foi tudo para prevenir a barbárie, através do empenho de pessoas boas que procuravam difundir os ensinamentos e as vantagens de uma vida saudável e de combate ao fascismo

Do Trumpismo

Vejo muita gente preocupada com o populismo que produziu luminárias no poder como Donald Trump e promete produzir mais, talvez já nas próximas eleições presidenciais francesas – na Alemanha aposto hoje que Merkel continua na frente do governo. 

Tem alguma graça que muitos desses preocupados sejam eles próprios campeões do populismo-os-bons-somos-nós-quem-é-contra-nós-é-fascista, mas adiante. 

Eu propunha que, em vez de olhar para as consequências depois do caldo entornado, olhassem para as causas. Pensem bo preço a pagar pelo politicamente correcto do “boa noite a todas e todos” que pinta de racista para baixo quem ouse fazer uma piada que comece por “um cristão, um judeu e um muçulmano entram num talho”. Pensem no que dá quando toda a gente que pensa que o salário mínimo pode ser mau para o emprego ou para os menos qualificados é carimbada de esclavagista. Ou pensem no que possivelmente pode correr mal quando parte da estratégia política é simplesmente interromper sessões, reuniões, debates onde falam aqueles que assinalámos como indesejáveis para “grandolar” e não permitir que terceiros tenham a seu liberdade de expressão por serem dos maus. 

Quando o “debate” político passa maioritariamente por chamar fascistas, racistas, misóginos, esclavagistas, homofóbicos,colonialistas, opressores, neo-feudalistas ou eu sei lá o quê ao adversário em vez de de facto assumir que há opiniões diferentes das nossa que podem ser honestas e válidas, então podem crer que o Trumpismo se vai espalhar e com muito sucesso. Tomem a palavra deste fascista. 
P.S.: E já agora podemos assumir que as migrações deste século trazem legítimos medos de perda de emprego (de que discordo) ou assimilação cultural (de que não discordo totalmente) à maioria das pessoas e que responder “és um racista se discordas da nossa solução la-la-land” só dá gás a quem reconhece e trabalhar esses medos e aparenta ter uma solução?

João Carlos Espada @ Heritage Foundation

The Anglo-American Tradition of Liberty: A View from Europe

Incerteza até ao fim (2)

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Hillary Clinton apresenta uma ligeira vantagem nas sondagens a nível nacional mas Estado a Estado – que é o que realmente interessa para o Colégio Eleitoral – as sondagens apontam para que tudo esteja ainda mais em aberto.

Assim sendo, perspectiva-se mesmo um cenário de incerteza até ao fim.

Tocqueville e as eleições presidenciais nos EUA

As eleiçōes americanas e as “dicotomias infelizes”. Por João Carlos Espada.

A presente campanha presidencial norte-americana tem exibido até agora apenas uma das dimensões detectadas por Tocqueville: o elevado grau de intensidade e de hostilidade mútua. É desejável que, a partir de amanhã, a democracia americana exiba a outra dimensão tocquevilliana: a arte de evitar dicotomias infelizes e de fazer conviver decentemente intensas convicções rivais.

IEA report: Abolish twenty taxes and go for growth

Abolish 20 taxes and set 15% flat rate of income tax in UK, says report

National insurance, business rates, stamp duty, the TV licence fee and excise duties on alcohol and tobacco should be among 20 taxes abolished by the government, a free market thinktank has said.

A report published by the Institute for Economic Affairs has proposed a 15% flat rate of income tax and a VAT shakeup as part of a plan that would significantly reduce the size of the state.

Relatório completo: Abolish twenty taxes and go for growth, says IEA

Compreender o putinismo LX

Soldado desconhecido ou para a famíla e amigos: Maxim Kolganov,
Soldado fantasma ou  Maxim Kolganov, para a famíla e amigos. Fotografia Reuters/Maria Tsvetkova.

Na Ucrânia ficaram conhecidos como os homens verdes, simples agricultores com óbvios problemas de orientação. Na Síria, passaram a soldados fantasma.  Só ao alcance de uma santa mãe pátria.

Ghost soldiers: the Russians secretly dying for the Kremlin in Syria

Post-Brexit tariffs would primarily hurt UK consumers

Repeat after me: Post-Brexit tariffs would primarily hurt UK consumers – not European exporters. Por Ryan Bourne.

Tariffs primarily hurt the consumers of the country imposing them on imported goods. That is such an important insight that it deserves reiterating, nay, repeating ad nauseam until everyone understands it: *tariffs hurt consumers in the importing country*.

Pedro Magalhães prevê vitória tranquila de Hillary Clinton

Uma entrevista que vale a pena ler e que inclui o que me parece uma bold prediction relativa a uma vitória tranquila de Hillary Clinton. Acho certamente possível que Hillary ganhe mas, face a todos os dados conhecidos (incluindo o histórico de sondagens), ficaria surpreendido se resultado não fosse razoavelmente equilibrado. Daqui por poucos dias saberemos.

Aqui fica o link para a recomendada leitura integral da entrevista : Pedro Magalhães: “As duas realidades em que vivemos são ambas alternativas à realidade”

A pouco mais de uma semana da eleição, o olhar analítico sobre os dados das sondagens leva-o a acreditar numa vitória tranquila de Hillary Clinton. Já a descermos para a rua, havia de me pedir para não dar muita atenção às previsões que tinha feito durante o almoço, sobretudo em política caseira. Esta escapa a esse pedido, decisão minha, porque está baseada em factos, em sondagens.

Comensalismo político

comensalismo Por razões sobre as quais não vale agora a pena elaborar, tenho gasto algum tempo a ler sobre o comensalismo, a classe de relações entre animais de espécies diferentes – como os tubarões e as rémoras, por exemplo – em que os indivíduos da espécie mais pequena se “sentam à mesma mesa” de um indivíduo de uma espécie maior, obtendo deste último o abrigo, alimento ou facilidade de locomoção de que precisa para sobreviver, beneficiando assim dessa relação mas deixando o “hóspede” em larga medida sem ser afectado, quer positiva quer negativamente. Enquanto o fazia, ocorreu-me que, no fundo, é esse o tipo de relação que o PS pretende ter com o Bloco de Esquerda e o PCP no governo por si formado e com o apoio destes últimos.

Depois de nas eleições de Outubro passado a coligação PSD/CDS ter perdido a sua maioria absoluta mas sem que o PS tivesse conquistado a sua ou sequer ter tido mais que os seus acasalados rivais, António Costa parece ter achado que que o PS “perdeu as eleições” pelo simples facto de não estar ainda no Governo, que “os portugueses” tinham preferido votar no diabo que conheciam em vez de no novo que lhes prometia o Paraíso mas não podia dar garantias de que lá se chegaria, que o PS lhes surgira como uma enorme incógnita enquanto o governo de então, por muito desprezado que fosse, trazia alguma previsibilidade e por isso segurança; e que, se o PS perdera as eleições por não estar ainda no governo, lhe bastaria chegar a São Bento para que o efeito psicológico que impedira muita gente de votar em Costa em 2015 passasse a beneficiar os socialistas numa futura eleição, fosse ela quando fosse. E assim, procurou ser uma espécie de “hóspede” para os “comensais” PCP e BE, sentando-os “à mesa” do Orçamento, acreditando que sairia dessa relação sem qualquer prejuízo junto do eleitorado que, uma vez olhando para Costa como o “diabo já conhecido”, não hesitaria em lhe “dar” a maioria absoluta. Afinal, a convicção de Costa até era plausível: no fundo, foi isso que ele conseguiu em Lisboa, e era apenas e só natural que ele acreditasse que poderia fazer o mesmo no país.

Infelizmente para o Primeiro-Ministro (e, como se verá, também para todos nós), as coisas não são bem assim. Quanto mais não seja, porque as expectativas dos “comensais” não são as mesmas do “hóspede”, e em certo sentido, o estatuto de “comensal” nem sequer é o que aspiram a deter. O Bloco, por exemplo, parece querer que a sua relação com o PS seja de carácter “amensalista“, em que o “hóspede” é prejudicado e o organismo mais pequeno sai incólume: como até é fácil de perceber pela forma como o BE insiste em se pôr em bicos de pés e roubar a iniciativa ao governo (como no caso do “imposto Mortágua”), os bloquistas pretendem que o seu acordo com os socialistas consiga simultaneamente “puxar” estes últimos para “a esquerda” e garantir que toda e qualquer medida encarada pelo eleitorado como popular seja atribuída à “frescura” do Bloco, enquanto toda e qualquer medida que seja impopular seja considerada da responsabilidade do “conservadorismo” e “timidez” do PS. O resultado esperado seria um enfraquecimento eleitoral do PS suficientemente ligeiro para não dar uma maioria a PSD e CDS, mas suficientemente pesado para tornar os socialistas dependentes de um Bloco cada vez mais forte para se manterem no Governo. Mas tal como o PS parece estar a ser excessivamente optimista quanto ao comensalismo político que espera ser a sua relação com o PCP e BE, também o Bloco pode muito bem estar errado ao pensar que ela corresponderá a uma espécie de amensalismo. Na realidade, o “governo da iniciativa do PS” assemelha-se mais a uma relação parasítica, da qual a longo prazo só o PCP sairá beneficiado.

Por não perceberem a natureza dos problemas do país, PS e Bloco estimam mal as consequências do seu arranjo. Ao permitir a comunistas e bloquistas banquetearem-se com uma parcela do festim orçamental, o PS dá-lhes uma oportunidade de saciarem as suas respectivas clientelas, ao mesmo tempo que o apoio parlamentar de BE e PCP aos socialistas estarem no poder e assim contentarem as suas. Mas para o fazerem, têm de manter o Estado e o seu aparelho intacto e inalterado, nem sequer podendo sonhar em fazer qualquer reforma que, mesmo melhorando a relação do Estado com os cidadãos e melhorando as vidas destes últimos, afectasse os interesses estabelecidos de quem está integrado no sistema vigente com o “estado de coisas” tão do agrado de tudo o que é partido político (incluindo, à sua maneira, PSD e CDS). Mas se os portugueses – ou, pelo menos, uma parte significativa deles – não parecem estar muito interessados nessas tais reformas pelas quais os partidos mostram ter ainda menor entusiasmo, não deixam de ficar descontentes com os resultados da sua não-realização; por muito que sonhem com um impossível estatismo de abundância, não deixam de se revoltar com as consequências que decorrem dessa mesma impossibilidade, nem de apontar essa revolta para quem quer que esteja no poder. Como o PS só poderá obter uma maioria absoluta se conseguir o apoio dos eleitores “flutuantes” que oram votam PSD, ora votam PS, ora se abstêm, todo e qualquer sucesso que consigam obter da compra de votos a que entusiasmadamente se têm entregado nos últimos tempos será meramente temporária, uma fugaz glória que se dissipará à medida em que até as clientelas beneficiadas pela sua política eleitoralista comecem a ter de pagar o preço do estatismo irreformado; e o BE, com um eleitorado extremamente volátil, que não só alterna o seu voto entre o BE, o PS e a abstenção, mas também entre o Bloco e o PSD, também acabará por sofrer do mesmo mal.

Já o PCP, para o (seu) bem e para o (seu) mal, vive num mundo à parte. O seu eleitorado pode ser envelhecido, mas é muito mais fiel do que o de qualquer outro partido. Essencialmente identitário, não se deixa levar pelo “ar do tempo” nem por “estados de alma”. As suas clientelas (e a sua força) vivem do poder que a sua implantação no aparelho de Estado (central e autárquico) e nos sindicatos – que a política governamental tem favorecido incansavelmente – lhes dá para distribuir benesses nos seus bastiões. E se em última análise o eleitorado comunista também sofrerá pessoalmente com as inevitáveis consequências do imobilismo reformista, será o único a ter o comportamento que o BE esperaria do seu: atribuirá o mais singelo benefício aos esforços “do partido” (o Comunista, claro está), e toda e qualquer dificuldade ao PS e a sua “traição” à “política de esquerda”. O PCP sairá desta experiência com o mesmo peso eleitoral que vai tendo há largos anos, mas naquilo que lhe interessa (sindicatos, ocupação do Estado, autarquias) sairá reforçado, enquanto que, naquilo que lhes interessa (conquistas eleitorais), PS e BE acabarão por, mais tarde ou mais cedo, sair prejudicados da aventura em que se meteram.

Resta que o verdadeiro prejudicado pelo parasitismo político travestido de comensalismo do “governo da iniciativa do PS” será o conjunto (ainda assim, largo) de portugueses que não tem a sorte de fazer parte de quem (não apenas no funcionalismo, mas entre os muitos “empreendedores” do sector “privado” cuja actividade é na realidade a obtenção de subsídios para “negócios” sem procura que os justifique) vive do Estado e do que ele extrai em impostos ao país. Esses verão, ano após ano, os seus rendimentos diminuírem, sugados por uma máquina fiscal cada vez mais voraz, autoritária e criminosa, com o propósito de dar ao poder político do momento a riqueza que precisam de redistribuir pelas clientelas que dele dependem, e das quais ele depende ainda mais, e, simultaneamente, de manterem junto dos mercados financeiros o crédito suficiente para endividarem o Estado a preços minimamente comportáveis, e com esse propósito, cumprirem as exigências orçamentais que possibilitem a permanência no Euro que dá a Portugal as taxas de juro baixas ou relativamente baixas de que vai gozando, para terem com que poder continuar a fazer essa redistribuição. No fundo, nada de muito diferente do que tem acontecido até aqui. Apenas cada vez pior.

O ministro da economia faz mal à saúde e inteligência

DV/NUNO ANDRÉ
DV/NUNO ANDRÉ

Imposto sobre refrigerantes? É por “razões de saúde”, diz ministro da Economia.

Liberalismo, Conservadorismo e a grande batalha dos nossos dias

O meu artigo de hoje no Observador: Liberalismo, Conservadorismo e Livre Comércio.

Não só no Reino Unido, mas também a nível europeu e global, a grande batalha dos nossos dias trava-se entre quem defende maior abertura ao mundo e o ressurgimento das velhas ameaças proteccionistas. Neste contexto, faz sentido terminar este artigo saudando uma outra conferência, organizada pela Universidade Católica Portuguesa em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira e dedicada às negociações em curso relativas ao acordo entre UE e Mercosul. Reunindo alguns dos principais intervenientes nessas negociações, a conferência terá lugar já na próxima segunda-feira a partir das 14h00 no Auditório Cardeal Medeiros da Universidade Católica, em Lisboa.

2016 EYC Freedom Summit – Porto

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A quinta edição da EYC Freedom Summit começa hoje no Porto e serei um dos oradores convidados num painel que terá lugar amanhã de tarde e onde se discutirá a relação entre conservadorismo e liberalismo.

Continue reading “2016 EYC Freedom Summit – Porto”

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A deliciosa vida política de Pedro Sánchez, o grande líder do PSOE.

 

Com estes truques, a imprensa está a desaparecer

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O artigo do Expresso intulado “O povo português está a desaparecer” pode ser lido aqui. Os dados têm como fonte a Portada.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

 

David Reynolds – “Churchill’s Sense of History”, 12 de Outubro, Cascais

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O Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa organiza no próximo dia 12 de Outubro, pelas 18h30, no Palácio da Cidadela em Cascais, a segunda “Winston Churchill Memorial Lecture and Dinner”.

O orador convidado deste ano será David Reynolds, Professor of International History, Cambridge University, que falará sobre “Churchill’s Sense of History”.

Com a presença de David Reynolds, o IEP-UCP dá seguimento a um longo registo de palestrantes, docentes e investigadores internacionais que não tem paralelo em Portugal nas áreas de Ciência Política e Relações Internacionais, ainda que curiosamente (ou talvez não) o mesmo seja muito pouco reconhecido e valorizado pelas instâncias competentes do “sistema científico nacional”.

Mais informações aqui.

As razões pelas quais o socialismo fracassa

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Una guía para principiantes sobre la economía socialista, de Marian L. Tupy.

João Galamba dixit

Para o Bloco, a solução para a pobreza e para as desigualdades é muito simples: estamos perante um problema de redistribuição da riqueza. É o estafado: existem pobres porque existem ricos. Há quem ache que se deve ir por aqui. Eu discordo. Ou melhor: a redistribuição e necessária, mas não chega. É uma fantasia achar que se resolve o problma da pobreza e das desigualdades criando um escalão de 45% de IRS e um imposto sobre as grandes fortunas. Os nossos problemas também não se resolvem nacionalizando a banca, os seguros e o sector energético — e muitos menos se resolvem introduzindo mecanismos de controlo administrativo e burocratico dos juros.

Em tudo o que cheire a economia a solução do BE é sempre a mesma: estatismo e penalização da iniciativa privada. Estamos perante, se me permitem, um liberalismo invertido: onde estes acham que o privado resolve tudo, o BE acha que o estatismo é a panaceia para todos os atrasos do nosso país. Um e outro, acreditam na solução varinha mágica e reduzem as razões do nosso atraso reside à estafada questão da propriedade dos recursos — e não na utilização dos recursos. Se o PSD tem um preconceito em relação ao Estado, o BE tem um preconceito em relação aos privados. Nenhum destes partidos entende que a relação entre Estado e privados não é um jogo de soma nula.

O PS mostra ser mais inteligente e vai buscar ensinamentos tanto à direita liberal como à esquerda estatista. Daí o PS propor uma solução intermédia que reconhece a complementariedade entre público e privado, isto é, o PS é o único partido que mostra ter aprendido com a crise actual e com a falência do socialismo real. Enquanto o PSD fala como se esta crise não tivesse existido, o BE fala como se só tivesse existido essa crise, como se o socialismo tivesse sido inventado em 2009.

Um dos maiores problemas do BE consiste na ausência de uma política que assegure um crescimento económico que garanta o a sustentabilidade do estado social. Para o Bloco, solidariedade não requer competitividade e crescimento económico. Por outras palavras: a solução para todos os nossos problemas não tem de ser construída, isto é, não depende da criação de um contexto que económico que ainda não existe. Os nossos problemas resolvem-se a partir dos recursos actualmente existentes, redistribuindo-os. Mas alguém acredita que as medidas propostas pelo Bloco garantam os crescimento económico que financie as políticas sociais que a esquerda bloquista deseja? Qual a tx de crescimento necessária para pagar o estado social defendido pelo bloco sem que o défice se torne insustentável? O BE, infelizmente, ignorou estas contas.

Esquerda tradicional vs Esquerda moderna, numa realidade pré-geringonça.

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O bloquismo e a geringonça (9)

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Mariana “Mouch” Mortágua. Por João Campos.

O que não deixa de ser um tanto ou quanto perturbador: qualquer pessoa que tenha lido Rand com um mínimo de atenção repara na inverosimilhança dos seus heróis, mas pelos vistos os vilões do Objectivismo não só não são implausíveis como ocupam posições de poder entre nós. Estamos bem arranjados.

“Uma catástrofe”

Mesmo numa perspectiva keynesiana, o que está em marcha não se aconselha ao pior inimigo: Daniel Bessa: forma como Governo quer que país cresça “é patetice”

Ex-ministro da Economia critica a aposta no crescimento por via da procura interna. “Sou a favor de políticas de procura mas não sou amigo de políticas de procura à escala de dez milhões de tesos e endividados, isso é uma catástrofe”, diz

Sobre a composição do ajustamento entre 2010 e 2014

Não rezem o terço! Por Luís Aguiar-Conraria.

Entre 2010 e 2014, a despesa pública primária (ou seja, sem contar com os juros) caiu um pouco mais de 8 mil milhões de euros. A receita aumentou ligeiramente acima de 4 mil milhões. Fazendo as contas, a conclusão é imediata: o ajustamento orçamental feito nos anos da troika foi de dois terços do lado da despesa e apenas um terço por via da receita.

Continue reading “Sobre a composição do ajustamento entre 2010 e 2014”

Advanced Program «Politics and Economics of Portugal»

PAPEP

Publicidade em causa própria, já que faço parte do corpo docente deste programa do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, mais especificamente no módulo 2 (Economics and Challenges of Governance), juntamente com Miguel Morgado, João César das Neves e João Salgueiro.

Mais informações aqui.

Um velho truque da imprensa

A partir do automóvel, um condutor palestiniano ataca soldados israelitas. Decide  sair da viatura e, supõe-se que por mero acaso, esfaqueia um militar e é abatido a tiro. A agência de notícias Reuters notícia o incidente assim: “Israeli soldier shoots dead Palestinian driver in West Bank: army.

truquesimprensa

Permanece um mistério as razões pelas quais as armas rudimentares continuam a ser usadas para matar pessoas e a mesma agência de notícias ter alterado o título inicial da notícia para “Palestinian who stabbed Israeli soldier shot dead: army“, de modo a clarificar o incidente.

Progress

Why can’t we see that we’re living in a golden age? Por Johan Norberg.

Karl Marx thought that capitalism inevitably made the rich richer and the poor poorer. By the time Marx died, however, the average Englishman was three times richer than at the time of his birth 65 years earlier — never before had the population experienced anything like it.

Fast forward to 1981. Then, almost nine in ten Chinese lived in extreme poverty; now just one in ten do. Then, just half of the world’s population had access to safe water. Now, 91 per cent do. On average, that means that 285,000 more people have gained access to safe water every day for the past 25 years.

Global trade has led to an expansion of wealth on a magnitude which is hard to comprehend. During the 25 years since the end of the Cold War, global economic wealth — or GDP per capita — has increased almost as much as it did during the preceding 25,000 years.