Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais – IEP-UCP

Apresentação Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

Está em curso a 1ª fase de candidaturas à melhor Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Portugal – a do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

Entretanto na Alemanha e arredores

Um jovem refugiado afegão enquanto grita Allahu Akbar,  ataca e fere pelo menos duas dezenas de passageiros de um comboio em Wuerzburg. No Reino Unido, a BBC noticía que a polícia alemã matou o pobre atacante.

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Imagem nacionalizada ao Romeu Monteiro.

Mais tarde, a BBC emenda o título para um informativo Germany axe attack: Assault on train in Wuerzburg

O atentado terrorista em Nice visto por et’s revolucionários

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Persononificados no PCTP/MRPP, pela facção Arnaldo Matos, o eterno educador do proletariado português.

(…) Há um ano que os factos têm sobejamente demonstrado a absoluta incapacidade das forças armadas e policiais da França para impedir o sucesso dos franceses nos actos de guerra que têm estado a praticar em França.

Existe em França uma guerra civil larvar, de franceses contra franceses, promovida por elementos do povo francês contra o imperialismo e os imperialistas da França.

Essa guerra civil vai crescer cada vez mais e vai mundializar-se. Hollande e os maoistas franceses chamam-lhe terrorismo. Mas a verdade é que essa guerra é cada vez mais a guerra que os maoistas do Partido Comunista de França (m-l-m) se recusam a reconhecer como a guerra do povo contra a guerra imperialista, guerra imperialista esta que o imperialismo francês levou e leva a cabo em África e no Médio Oriente, e que, quer queiram os maoistas da França quer não queiram, está a chegar a França, ao covil dos imperialistas.

Há em França dois milhões de imigrantes portugueses e seus descendentes. Mais cedo ou mais tarde, de um lado ou do outro, esses dois milhões de portugueses vão estar envolvidos na guerra imperialista, como carne para canhão dos imperialistas franceses, ou na guerra do povo contra a guerra dos imperialistas.

De que lado é que estarão então os maoistas do Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista)? Em Portugal, os seus amiguinhos liquidacionistas já estão do lado do imperialismo francês e das polícias secretas portuguesas… Pobre canalha!

Nova Cidadania 59

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A Nova Cidadania 59 está à venda nas livrarias Alêtheia, Almedina, Bulhosa, Coimbra Editores, Europa-América, Férin, Papelaria do Alto (Estoril), Wook e também na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa, Porto e Viseu).

Neste número destaco, por o assunto estar na ordem do dia e assim ir continuar ao longo dos próximos meses, os artigos (escritos antes do referendo) sobre o Brexit de Michael Gove, Timothy Gartin Ash, Ryan Bourne e Diego Zuluaga.

Mais informações aqui.

A selecção e os ‘doutores da bola’

Estudar relvas. Por João Pereira Coutinho.

Depois de a Dinamarca ter vencido o Euro’92 vinda directamente de férias, o triunfo de Portugal seria o descrédito dos ‘doutores da bola’, que gostam de transformar o jogo em ciência. Quem não brindaria a isso?

No Fio da Navalha

Quando votamos para o Parlamento, votamos para 4 anos; quanto tempo vale uma decisão tomada em referendo? O meu artigo hoje no ‘i’.

Os referendos e a força das massas

Quem acompanhe os canais de televisão britânicos notou como até os comentadores favoráveis ao Brexit estão apreensivos. Parece que queriam votar naquele sentido, mas não com aquele resultado. E os efeitos são muitos: baixa dos ratings das agências de notação financeira, queda da libra, saída das empresas da City, possibilidade de desintegração do Reino Unido. Fala-se em milhões que se arrependeram de como votaram. Como é que os fleumáticos britânicos se puseram nesta situação?

São os mais jovens a criticar o resultado que os mais velhos lhes impuseram e com que terão de viver o resto das suas vidas. São os trabalhadores dos setores mais integrados na União Europeia que criticam o sentido de voto dos que sentem viver à margem da Europa. Este referendo foi a possibilidade de pessoas decidirem o destino, não de um país, mas da vida de pessoas que não conhecem e cujas necessidades ignoram.

O fenómeno repetiu-se até no Partido Trabalhista, quando Jeremy Corbyn, atacado pelos seus deputados, se virou para as massas que, conduzidas por ele, o apoiam. A massificação do voto, que ignora as particularidades das minorias, é o caminho para o poder absoluto dos populistas e radicais.

Foi Karl Popper quem elogiou a democracia representativa como um dos instrumentos que limitam o poder. Ela previne o poder absoluto da decisão tomada num momento em que o poder passa de uns para outros num mero instante. Para Popper, a democracia representativa prevenia o que aconteceu no Reino Unido. Seria bom que esta fosse uma das lições a tirar do que aconteceu.

A diferença britânica

O meu artigo desta semana no Observador: A Rainha, a diferença britânica e o Brexit.

Queen Elizabeth II

Ainda sobre comunismo e fascismo

Ainda sobre a convergência entre comunismo e fascismo. Por João Carlos Espada.

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Marxismo, fascismo e a importância de estudar o pensamento político

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Na sequência do muito feedback suscitado pelo meu artigo De Marx a Mussolini – mais de 1.000 partilhas nas redes sociais e algumas centenas de comentários por vários meios – gostaria, na impossibilidade de responder individualmente, de agradecer por esta via o interesse de todos quantos partilharam e reagiram. Ficam também várias ideias, críticas e sugestões como mote para eventualmente regressar ao assunto de forma mais desenvolvida no futuro.

Sobre o tema abordado, gostaria de destacar dois textos adicionais. O primeiro, de Alexandre Franco de Sá (Fascismo é quando a esquerda quiser), por ser o mais sustentado e interessante contributo teórico adicional para esta discussão que tive oportunidade de ler. Recomendo a leitura integral do artigo, mas parece-me especialmente relevante destacar este parágrafo:

É no contexto deste uso e abuso do “fascismo” por alguma da nossa esquerda que o clamor suscitado pelas afirmações de José Rodrigues dos Santos pode ser explicado. Qualquer evocação das relações históricas entre socialistas e fascistas, ou qualquer comparação conceptual entre marxismo e fascismo, ofende imediatamente uma mentalidade dicotómica que vê o mundo político como uma batalha do bem contra o mal; uma mentalidade que, neste esquema simples, não permite que se toque nas “sagradas escrituras” do marxismo, incensadas como “progressistas”, “emancipatórias”, “defensoras da justiça e direitos humanos” e outros epítetos anacrónicos.

O segundo texto, de Francisco Louçã, não inclui nenhum contributo teórico relevante para a discussão e está escrito no estilo grosseiro e pedante a que o ex-líder do BE nos habituou, mas creio que deve ser destacado por evidenciar a incomodidade que o tema provoca junto da extrema-esquerda e a mentalidade dicotómica típica dos revolucionários monistas, aspectos que como abordei no meu artigo no Observador e que me parecem fundamentais para compreender o que está em causa. Pelo proeminente perfil público do seu autor como referência intelectual da extrema-esquerda em Portugal e por ser, de entre todos os textos que li, o que melhor ilustra os aspectos referidos tenho pena que fique remetido à relativa obscuridade do blogue do Público onde foi publicado.

Por fim, não posso deixar de manifestar o meu agrado pelo interesse que temas de teoria e filosofia política suscitaram em tanta gente, ainda que o nível da discussão tenha frequentemente deixado a desejar. Como refere Alexandre Franco e Sá na conclusão do seu excelente artigo: “(…) Portugal precisa de uma escola em que se forme para o conhecimento, para a cultura, para a verdadeira discussão e para a crítica; não uma escola que promova as ideias feitas ou as “gargalhadas” que há poucos meses faziam as preferências de certa dirigente partidária”.

Pela minha parte – e pese embora a necessária declaração de interesses pela minha ligação ao Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa – não resisto a aproveitar a oportunidade para fazer publicidade recomendando a todos quantos desejem aprofundar conhecimentos sobre teoria política e história do pensamento político o Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais do IEP-UCP. Além de um plano curricular com forte ênfase na história do pensamento político e na teoria política contemporânea, o programa beneficia de um corpo docente de inegável qualidade e pluralismo.

Aproveito também para recordar que estão abertas as inscrições para o Estoril Political Forum 2016, este ano realizado em parceria com o International Forum for Democratic Studies e dedicado ao tema “Democracy and its Enemies: New Threats, New Possibilities”.

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Estoril Political Forum 2016: “Democracy and its Enemies”

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The title of this year’s meeting is reminiscent of the famous book by Karl Popper, The Open Society and Its Enemies, published in 1945. The book was an energetic defense of liberal democracy and Western civilization against its totalitarian enemies, both from the revolutionary left and the revolutionary right, communism and national-socialism.

(…)

The registration for the ESTORIL POLITICAL FORUM 2016, the XXIV International Annual Meeting in Political Studies is now open!

XXIV International Meeting in Political Studies – Estoril Political Forum 2016, on “Democracy and its Enemies: New Threats, New Possibilities”, this year in association with the International Forum for Democratic Studies, Washington, D.C.

Please see the Programme here»

For registrations click here»

For more information please contact: summerschool.iep@iep.lisboa.ucp.pt

Cantar as glórias do socialismo, de colapso em colapso

O colapso da Venezuela não irá acabar com o poder sedutor do socialismo – e há explicações para isso. Por Marian Tupy.

Olhando para o futuro, é seguro prever que mais países irão se recusar a aprender com a história e irão adotar novamente políticas socialistas, ainda que talvez sob outra roupagem e sob outro rótulo. Pior ainda: estou igualmente certo de que, quando isso novamente ocorrer, haverá “idiotas úteis” — para utilizar as palavras de Lênin — como David Sirota, que irão cantar as glórias do socialismo até o momento em que tal país se afundar no mais profundo colapso. E, após o colapso, esses nobres palpiteiros irão simplesmente tirar o time de campo, ignorar tudo o que escreveram, e passarão a parolar eloquentemente sobre outros assuntos.

O que nos leva a essa importante pergunta: dado que o socialismo sempre fracassou em todos os locais em que foi tentado, por que ainda existem inúmeras pessoas que insistem em lhe tecer glórias e em tentar fazê-lo funcionar?

José Rodrigues dos Santos sobre fascismo e marxismo

O meu artigo de hoje no Observador: De Marx a Mussolini.

Mas porventura o mais estranho no artigo de Paulo Pena é que se insira numa rubrica intitulada “Prova dos Factos”. Se se tratasse apenas – e assumidamente – de um artigo de opinião, seriam de lamentar as imprecisões e inconsistências (algumas das quais bastante grosseiras) mas pelo menos não estaria em causa a natureza do texto (apenas a sua falta de rigor e qualidade). Ao tentar apresentar-se como algo que notoriamente não é nem poderia ser, o artigo assume natureza mais gravosa por se inserir numa campanha de propaganda dirigida contra José Rodrigues dos Santos. Num contexto de hegemonia quase absoluta da esquerda e extrema-esquerda nas redações da comunicação social portuguesa, Rodrigues dos Santos – goste-se ou não do estilo – é uma presença incómoda. Mais ainda por não ser facilmente intimidável e por ter uma posição que lhe garante alguma autonomia.

Zilu

Zilu e o traidor. Por José Miguel Pinto dos Santos.

Basta folhear os Analectos para perceber que ninguém recebeu tantas críticas de Confúcio como Zilu. Criticas que, algumas, mordazes que eram, Zilu legitimamente poderia ter tomado como ataques pessoais e insultos. Apesar de impulsivo, nunca se deu por ofendido, e aceitou-as todas com elegância porque, na sua grandeza de caráter percebia a importância do diálogo e do debate, mesmo quando ríspidos, não só para o crescimento pessoal, nem tão pouco apenas para a boa gestão da coisa pública, mas também para o polir das ideias e o avanço do conhecimento. Foi esta abertura ao debate, na procura do que é ético e do que é verdadeiro, que manteve florescente o Confucionismo durante dois milénios e meio, mesmo sem nunca ter envergado as vestes diáfanas dos ideais democráticos. A crítica, ensinava Confúcio, é para o bem de quem a recebe se este a recebe bem: “O Mestre disse: ‘Se os estimas, não os corriges? E se lhes és leal, não os instróis?’” (Analectos 14, 7)

“Os lóbis mandam” porque o Estado mexe em tudo

Polvo estatal Na sua coluna no Expresso, Daniel Oliveira apela à participação cívica de quem “defenda a Escola Pública ou o Serviço Nacional de Saúde”. Diz o Daniel que, “numa sociedade como poucos hábitos de activismo cívico”, só “os interesses mais diretos – profissionais, corporativos ou locais – movem as pessoas”, o que faz com que “quem, com responsabilidades no Estado, queira defender o bem comum está muito fragilizado perante a pressão de interesses, corporações ou lóbis que tente enfrentar”. O Daniel continua, argumentando que “para além das decisões deste ou daquele ator político, o futuro da comunidade depende sempre do confronto entre interesses conflituantes”, e “se um desiste de se manifestar o outro acabará inevitavelmente por prevalecer. Se os cidadãos são passivos, serão sempre os interesses mais ativos a levar a melhor”.

Em parte, o Daniel tem razão. Os vários grupos de interesse que se manifestam nos mais diversos sentidos em torno das mais variadas questões têm muitas vezes uma agenda subordinada aos seus “interesses particulares”, potencialmente postos em causa pela acção política em prol de “algo mais abrangente a que chamamos de bem comum”, pelo qual “o Estado deve zelar”, e se só uma parte dos vários grupos que compõem uma sociedade se esforçam por defender os seus interesses particulares (ou, de forma mais benévola, a sua particular concepção do que é o “bem comum”), as decisões do Estado tenderão a reflectir os seus desejos, e não necessariamente aquilo que seria melhor para o país e a sociedade como um todo. Mas, ao contrário do que o Daniel pensa, “os lóbis” não “mandam” simplesmente “porque se mexem”; “mandam porque se mexem” num país em que o Estado mexe em tudo.

O que o Daniel não consegue perceber, como aliás geralmente acontece com aquilo a que por preguiça ou ignorância chamamos de “esquerda” (e especialmente em Portugal, também com aquilo a que por preguiça ou ignorância chamamos de “direita”), é que a esfera do Estado não está umbilicalmente ligada à prossecução do “bem comum”, nem o seu redondo e aconchegante seio está livre do peso da cabeça de “interesses particulares”. O Estado, como as empresas, as associações cívicas, as famílias ou qualquer conjunto de mais de uma pessoa, é formado por – pasme-se – pessoas, com as suas opiniões, interesses e preconceitos muito seus – numa palavra, privados. Sempre e onde quer que uma actividade ou série de actividades estejam entregues “ao mercado” – ou seja, à livre interacção e escolhas das pessoas que nelas participam – os resultados reflectem essas interacções e escolhas. Não reflectirão sempre a vontade de quem as faz – uns terão mais sucesso nas escolhas que fazem, quer por terem mais talento, mais sorte ou melhores condições à partida – mas serão resultado – desejado ou indesejado – dessas interacções e escolhas. Mas sempre e onde quer que o Estado intervenha (e circunstâncias em que a sua intervenção é mesmo mais que justificada, como, por exemplo, para dar meios de conduzir uma vida digna a quem por esta ou aquela razão não os obtenha por si próprio, ou garantir o acesso a cuidados de saúde a quem não os possa aceder pelos seus próprios meios, e especialmente na administração da justiça e do policiamento), está a substituir esse mercado da livre interacção e escolhas dos membros de uma sociedade pelo mercado da influência política, e a inevitável corrupção que o acompanha. Os “lóbis mandam” e têm o poder que têm porque em muitas actividades em Portugal, os tentáculos do polvo estatal tocam toda a sua extensão, quer através da legislação quer através da sua intervenção directa como prestador de serviços. Sendo assim, o sucesso ou insucesso na satisfação dos interesses particulares de cada um dos grupos que participam nessas actividades depende, não da satisfação dos que a eles possam recorrer, mas da pressão que conseguem exercer sobre quem toma as decisões políticas, e dos “favores” que conseguem oferecer ao poder político para depois serem devidamente cobrados. Onde o Estado interfere, mesmo que justificadamente, ganham, não o “bem comum”, mas os “interesses particulares” de quem consiga ter acesso privilegiado aos corredores do poder.

Veja-se por exemplo o que se passa na educação. A “esquerda” indigna-se com a pressão do “lobby” dos colégios com contratos de associação. A “direita”, por sua vez, revolta-se com a acção de Mário Nogueira e dos sindicatos de professores de escolas do Estado. O que nem uns nem outros fazem é defrontar a razão pela qual esses respectivos grupos de interesse exercem essa pressão da forma que exercem: o seu futuro e as suas condições de vida dependem das decisões do poder político – no caso dos colégios, da renovação dos contratos, no dos sindicatos, na atribuição de uma série de benefícios que exigem – e portanto dependem do quão bem sucedidos são a convencer os governos a satisfazerem a sua vontade. Mas se, por exemplo, o Estado deixasse de financiar directamente qualquer escola, fosse ela detida pelo Estado ou por privados, passando a financiar os alunos cujos pais não tivessem meios próprios para pagar o acesso da sua criança à escola da sua preferência, o bem-estar e futuro dos indivíduos dessas escolas deixariam de depender de decisões políticas, tornando obsoleta a necessidade de fazer pressão sobre os decisores governamentais; passariam a depender da capacidade de uns e outros de oferecerem a pais e alunos um serviço de educação que satisfizesse as suas necessidades e desejos, em vez de dependerem da facilidade que têem ou não em ligar para o telemóvel do Ministro da Educação ou de o assustar com o número de participantes nas suas respectivas manifestações. Como ninguém propõe uma solução deste tipo, “os lóbis” – sejam os das escolas privadas sejam os “da Escola Pública” – continuam a mandar. E a vida das pessoas a piorar.

“The financial crash and its causes”, 25 Maio, 18h30, em Lisboa

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Entrada livre mas sujeita a inscrição. Mais informações aqui.

A inspiração de Bento XVI

O meu artigo desta semana no Observador: Fé e Razão: a inspiração de Bento XVI.

Numa altura em que os laicistas radicais procuram monopolizar o espaço público, é mais importante que nunca promover o debate livre e aberto e combater pela liberdade contra a intolerância e o fanatismo

Debate na Universidade do Minho – dia 23, às 11:00

Na próxima Segunda-feira, dia 23, às 11:00, estarei na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho para participar num debate inserido nas comemorações dos 20 anos da licenciatura em Economia na EEG.

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O Inverno da ignorância está a chegar

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Nacionalizado à página de Facebook do Rui Rocha.

Prémio Europeu Professor Sousa Franco 2016

Parabéns à Graça, vencedora da edição deste ano do Prémio Europeu Professor Sousa Franco na categoria investigação.

O Estado Educador no Despotismo Iluminado de Ribeiro Sanches

O Estado Educador no Despotismo Iluminado de Ribeiro Sanches*

Nota introdutória – Como é sabido, Ribeiro Sanches foi um português do século XVIII (1699-1783), que, desde os seus 27 anos, viveu em países estrangeiros, numa carreira de médico ilustre, mas também escrevendo em defesa das ideias do despotismo iluminado, tendo inspirado, segundo esta orientação, as reformas pombalinas, designadamente no âmbito do ensino. Os escritos de Ribeiro Sanches, a este respeito, mostram que a sua argumentação era regalista, como advogado de defesa da competência régia e advogado de acusação da Igreja quanto ao direito de ensinar. Também resulta clara a sua concepção funcionalista, e não personalista, da educação. Vejam-se os seguintes breves excertos.
Continue reading “O Estado Educador no Despotismo Iluminado de Ribeiro Sanches”

De Trudeau a Trump vai um pequeno passo


O Primeiro-Ministro canadiano Justin Trudeau lançou um vídeo “viral” a promover um evento desportivo e, como seria de esperar, a internet enlouqueceu. O facto do homem ter uma compleição física e um palminho de cara que agrada às senhoras (e senhores) que gostam de senhores, bem como o de ser um “progressista”, ajudam à festa. Mas a verdade é que hoje em dia, como nota na Spectator Freddy Gray, quase não há política ou figura de Estado que não se preste a estes papéis para “contactar” com o cidadão “comum”. Enfim, são os tempos em que vivemos. Mas é precisamente por isso que, ao ver o vídeo de Trudeau, não fiquei encantado com a “frescura” de Trudeau”: ao ver o vídeo de Trudeau, pensei em Donald Trump.

À primeira vista, poucos políticos parecem tão diferentes como o Primeiro-Ministro do Canadá e o aspirante a Presidente dos Estados Unidos (que Deus exista e nos proteja): um é jovem e bem parecido, o outro é praticamente decrépito e todo o seu corpo deve ser tão artificial e grotesco como o seu cabelo; um é (juntamente com o Papa “Francisco”) o novo “moço fofo” do falso progressismo das boas intenções superficiais, o outro abundantemente (e justificadamente) odiado por essas e muitas outras pessoas. E no entanto, ambos vivem no e do mesmo meio ambiente mediático, e em certo sentido, é por causa de políticos como Trudeau que existem políticos como Trump: ambos vivem politicamente da actual memeficação da política, e é por políticos como Trudeau usaram e abusaram dela que abrem caminho para políticos como Trump a explorarem.

A queda de Trudeau por vídeos virais que tiram partido do seu aspecto físico poderá ser uma versão bem menos agressiva e melhor intencionada do estilo político de Trump, mas não deixa de ser precisamente uma versão do estilo político de Trump: tanto os vídeos de Trudeau como as diatribes e declarações bombásticas (e com uma relação ainda mais complicada com a verdade do que aquela que Sócrates mantinha com ela) retiram ao discurso político toda e qualquer réstia de argumentação, racionalidade e significado, reduzindo-o à emoção e ao sentimento. As suas respectivas “marcas” poderão ser diferentes uma da outra, mas tanto Trudeau como Trump têm um estilo política meramente publicitário. Trudeau poderá apelar a emoções “positivas” enquanto Trump é exclusivamente “negativo”, mas o estilo político de ambos é estritamente irracional e “passional” (no velhinho sentido da palavra “paixões”). Demagogos como Trump (ou Le Pen, ou Louçã, ou o rapaz do Podemos cujo nome não me recordo) só poderão sobreviver num ambiente em que as “paixões” imperem: a crença – que eles alimentam e de que dependem – de que todos os males da sociedade são atribuíveis a um inimigo – seja “a banca”, “os poderosos”, “a globalização” ou “os Mexicanos” – só é aceitável e só floresce num ambiente em que a discussão pública é incapaz de se concentrar na análise racional dos argumentos, reconhecendo a complexidade da vida de uma comunidade política e, consequentemente, a impossibilidade das “soluções” simples que esses demagogos oferecem. Quando o discurso é puramente emotivo, o apelo à irracionalidade – e portanto, à simplificação – torna-se não só possível como praticamente indispensável, e aqueles que vivem da “paixão”, da irracionalidade e da sua exploração – ou seja, os demagogos – encontram terreno fértil para plantar as suas sementes. Quando políticos que deveriam ser responsáveis como Trudeau embarcam em números destes, esvaziando o discurso político e apelando exclusivamente a emoções, estão – mesmo que apelando a emoções positivas – a transformar a o debate político em algo que só favorece aqueles políticos que limitam o seu discurso político ao apelo a emoções e “paixões” muito pouco louváveis. Compreensivelmente, a generalidade das pessoas deixa-se seduzir pela bonomia de Trudeau, de Obama ou do Papa, como antes se deixaram seduzir pela de Clinton, Reagan ou Blair. Mas a verdade é que sem eles, sem a sua forma mais benévola de demagogia, gente como Trump, Le Pen ou o rapaz do Podemos cujo nome não me lembro não teriam a força que têm para fazer vingar a sua demagogia bem mais nociva.

Austeridade politicamente correcta

Na passada terça-feira, dia 12 de Abril, o convidado do programa “Olhos nos Olhos” (TVI24, video) foi João Ferreira do Amaral. A sua intervenção inicial incluiu o seguinte (meu destaque):

“Do meu ponto de vista penso que não [haverá futuro dentro do euro], ou seja, nós precisamos de um choque de crescimento económico porque com estes crescimentos económicos da ordem de 1%-1,5% não conseguimos, de facto, enfrentar os problemas estruturais graves que temos. E eu não creio que seja possível um choque de crescimento dentro da Zona Euro. A Zona Euro tem demasiadas limitações em termos de política monetária e política orçamental que não permitem que haja um choque, uma dinâmica induzida para fazer crescer a economia. É preciso dar incentivo ao investimento, em particular investimento em sectores de bens que são susceptíveis de exportação ou de substituição de importações e isso a política cambial, neste momento, é crucial.”

Não são declarações novas para o professor do ISEG. Sempre defendeu que Portugal não devia entrar no euro e, agora que lá está, é necessário organizar saída ordeira. Sobre isso escreveu dois livros. Um deles em conjunto com seu colega professor Francisco Louçã.

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Para este economista, a alternativa de desvalorização da moeda tem benefícios dificilmente alcançáveis por uma austeridade interna (que Governo Sócrates tentou aplicar com PEC1, PEC2, PEC3 e, depois de pedido de resgate, através do “Memorando de Entendimento”, tarefa que coube mais tarde ao Governo Passos Coelho). É verdade. Começa por ser não só politicamente correcta (maioria da população não percebe que a consequente subida de preços resulta daquela política estatal) mas também constitucional (corte de rendimentos via inflação não seria chumbada pelos juízes do Tribunal Constitucional).

Mas fica a dúvida: se esta política monetária agressiva é assim tão eficaz para resolver desequilíbrios orçamentais (é uma das medidas exigidas pelo FMI a países em dificuldades com moeda própria), porque razão, nos anos 80 do século passado, semelhante austeridade aplicada por Mário Soares não produziu melhores resultados no crescimento económico?

 

Europe’s top economics degrees

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These are Europe’s 16 most elite economics degrees

Given its name, its not surprising that the LSE excels when it comes to teaching economics. Famous LSE alumni include 12 winners of the Nobel prize for economic sciences. The school keeps its place as the top European university for economics and econometrics from QS’ 2015 ranking.

Reproduzo a síntese feita pelo Nuno Garoupa no Facebook: UK (6), Netherlands (3), Spain (2), Switzerland (2), Germany (1), Sweden (1), Italy (1), Portugal (0).

Joseph Weiler sobre o julgamento de Jesus

Mais uma excelente iniciativa da melhor escola de Direito em Portugal – a Católica Global School of Law: “Há pelo menos 14 erros no julgamento de Jesus”

Joseph Weiler esteve em Lisboa para uma conferência sobre o julgamento de Jesus. O académico e especialista em direito diz que a condenação era inevitável e que “moldou a nossa forma de fazer justiça”

Tibor Machan (1939-2016)

Conheci pessoalmente Tibor Machan em 2002 e, desde então, mantivemos contacto com alguma regularidade (ainda que menos nos últimos anos), quase sempre à distância. Tinha um perfil algo distante do que se poderia considerar um académico tradicional, mas nem por isso era menos conhecedor das suas áreas de especialidade. Aprendi bastante com ele sobre ética empresarial e em várias ocasiões, mesmo discordando, fez-me perceber que não era tão fácil como poderia parecer à primeira vista refutar alguns dos pilares do objectivismo de Ayn Rand: Tibor Machan, a Founding Editor of Reason, RIP

Refugee from communism, academic philosopher, Objectivist, popular columnist brought precision and clarity to Reason’s early years.

Madison e a crise no Brasil

Se os homens fossem anjos… Por João Carlos Espada.

Talvez os defensores do chocante expediente agora encontrado entre Dilma Rousseff e Lula da Silva pudessem meditar sobre as palavras de James Madison. Muitos deles gostam de acusar o “imperialismo americano” como causador da pobreza comparativa do Brasil. Talvez pudessem admitir a hipótese de que os EUA, que eram mais pobres do que o Brasil na época da independência, se tenham tornado mais ricos porque limitaram todos os poderes através da lei — o que inclui através da “mão invisível” de uma economia de mercado independente do poder político.

Hayek seria a favor ou contra a Brexit?

Pessoalmente, não tenho opinião firme sobre qual seria a posição de Hayek. Por um lado, foi um influente defensor da ideia de integração europeia a seguir à Segunda Guerra Mundial. Por outro, ficaria certamente horrorizado com muitos aspectos da eurocracia e do estatismo promovido via Bruxelas e suas instituições. Ficam os textos para reflexão:

Hayek would have voted to remain. Por Diego Zuluaga.

Hayek would have been a Brexiteer. Por Ryan Bourne.

Weiler e o julgamento de Jesus

“O julgamento de Jesus”. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Muito haveria a dizer sobre os resultados da investigação histórico-jurídica do Prof. Weiler, bem como sobre as suas interessantes, mas mais discutíveis, interpretações teológicas do julgamento de Cristo. Na sua abalizada opinião, esse processo, cujas repercussões culturais vão muito além do âmbito confessional ou meramente religioso, estabeleceu três principais consequências, que o jurisconsulto norte-americano considerou estruturantes da cultura jurídica moderna, bem como da civilização ocidental. A saber: todas as pessoas, desde as socialmente mais importantes até às aparentemente de mais baixa condição, têm direito a serem julgadas; todos os julgamentos devem ser justos, ou seja, realizados de acordo com as exigências da justiça e as normas processuais vigentes; e todas as pessoas, também as condenadas pelos piores crimes, têm direito a um tratamento de acordo com a dignidade humana.

O mensalão segundo Snowden

Mais de 100 mil dólares são mensalmente depositados numa conta bancária em Nassau.
Mais de 100 mil dólares são mensalmente depositados numa conta bancária em Nassau.

Bin Laden vive nas Bahamas com pensão completa, paga pela CIA, afirma Edward Snowden. O material proveniente do Afeganistão continua a provocar os efeitos procurados.