Que significa “se as eleições fossem hoje”? (2)

Convém relembrar o que “diziam” as sondagens cerca de um ano antes do governo PS levar o país à beira da bancarrota e ter de pedir um resgate (meus destaques). Em 2010:

Quase 60% dos portugueses acham que José Sócrates mentiu no Parlamento sobre o seu desconhecimento do negócio PT/TVI.

(…)

Mas nem essa “mentira” nem a alegada ligação de José Sócrates a escândalos recentes lhe retiram condições para governar. Aliás, se as eleições fossem hoje, o PS voltava a ganhar e reforçava mesmo a sua votação, ficando à beira da maioria absoluta.

As eleições afinal não foram naquele dia da sondagem. Acabaram por ter lugar no ano seguinte (2011) e PS nem esteve próximo da maioria absoluta.

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Que significa “se as eleições fossem hoje”?

«Se as eleições fossem hoje». Esta é a habitual introdução das sondagens sobre as preferências políticas dos inquiridos no momento. Nesta última o PS estaria próximo da maioria absoluta.

Porém, considerem o seguinte: uma legislatura tem duração de 4 anos. Ainda só passou 1 ano. Se as eleições fossem hoje algo teria acontecido para Governo de António Costa ter caído em desgraça. Com tal em mente, se as eleições fossem hoje acham que estaria mesmo PS próximo da maioria absoluta?

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Sondagem: SMN (4)

Hoje o inquérito pretende sondar a vossa opinião sobre qual deveria ser o valor do salário mínimo nacional (SMN) para 2017.

Sondagem: SMN (3)

Desta vez a sondagem aos leitores d’ O Insurgente pretende saber a opinião sobre as melhores alternativas para ajudar um desempregado menos qualificado a encontrar emprego (resposta múltipla).

Sondagem: SMN (2)

Nova sondagem insurgente sobre o Salário Mínimo Nacional:

Sondagem: SMN (1)

Salário Mínimo Nacional (SMN). Entre as duas seguintes opções qual escolheriam?

Torturando os números

Os grandes meios de comunicação social e as elites comentadeiras tiveram um grande choque com a vitória de Donald Trump nas eleições da passada semana. O resultado não seguiu o guião martelado até à exaustão pelos próprios, cujo viés foi o maior de sempre. Efectivamente, estamos perante uma surpresa; não tanto pela vitória de um candidato republicano, partido supostamente em vias de se tornar inelegível pela demografia, mas pela derrota dos fazedores de opinião, que não conseguiram fazê-la.

Olhando para as estatísticas, pretendeu-se criar a ideia que Trump tinha um eleitorado branco, masculino, pouco educado e revoltado; e que tal eleitorado seria sempre insuficiente para a vitória. Este maniqueísmo impediu os analistas de ver que milhões de negros, hispânicos, mulheres, diplomados e cidadãos perfeitamente pacatos também votariam nele. Ou, possivelmente, em qualquer outro republicano.

As sondagens à saída das urnas realizadas pela Edison Research ajudam a perceber o que se passou. A maior parte das notícias que têm saído a esmiuçar a votação de dia 8 usam os dados da Edison Research para tirar conclusões. Exemplos no Washington Post e no Pew Research Center.

Tal como o saber convencional dos media afirmava, Trump teve mais apoio entre homens que mulheres, entre brancos que negros ou hispânicos, entre não-diplomados que diplomados. Mas no fim do dia, a visualização dos gráficos mostra de imediato que o resultado é a continuação de uma tendência. Barack Obama teve um resultado excepcional em 2008. Conseguiu tirar da abstenção milhões de votos de pessoas que nunca haviam votado. Em 2012, conseguiu menos e, em 2016, Hillary Clinton conseguiu menos ainda.

A tendência de queda dos democratas, presumivelmente desiludidos pela presidência de Obama, pela própria Clinton, ou simplesmente desmotivados depois do interesse passageiro que as eleições de 2008 proporcionaram, deveria ter levado a uma vitória ainda maior dos republicanos. O facto de isto não ter ocorido é que é a coisa interessante que se retira dos números.

A vitória republicana não foi maior pelo único efeito gritante contra-tendência que se verifica na sondagem da Edison Research: Mais mulheres votaram democrata em 2016 que em 2012. Se as mulheres tivessem seguido o ciclo político de forma igual aos homens, Trump teria tido uma vitória tão esmagadora como Obama sobre McCain. É possível que este efeito no eleitorado feminino resulte de Clinton ser mulher. Ou que a estratégia democrata de enfocar a propaganda nas alegações de assédio sexual sobre Trump tenha assustado o eleitorado feminino. Ou que as duas coisas tenham tido influência.

Independentemente das causas, a verdade é que este “efeito feminino” tem grande valor explicativo na evolução da demografia dos eleitorados republicano e democrata. Sendo certo que negros e hispânicos votam mais democrata que republicano, fizeram-no menos em 2016 que no passado. Já o aumento da votação democrata entre diplomados deve-se quase exclusivamente ao aumento da proporção de mulheres que assim votaram. Não é portanto uma verdade inquestionável que o eleitorado de Clinton seja mais educado que o de Trump* (embora até possa ser, marginalmente). Ele é, acima de tudo, mais feminino**.

* A título de exemplo: A proporção de negros licenciados a votar Trump é muito maior que a proporção de negros não licenciados que o faz.
** Dentro do eleitorado feminino há um efeito curioso: Mulheres casadas votam em Trump e Clinton de forma quase igual (49-47). É entre mulheres solteiras que a diferença se nota (62-33). É possível que esta diferença ajude a explicar parte da vantagem de Clinton no segmento jovem (18-29), se assumirmos que a proporção de mulheres solteiras é maior neste grupo etário.

Incerteza até ao fim (2)

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Hillary Clinton apresenta uma ligeira vantagem nas sondagens a nível nacional mas Estado a Estado – que é o que realmente interessa para o Colégio Eleitoral – as sondagens apontam para que tudo esteja ainda mais em aberto.

Assim sendo, perspectiva-se mesmo um cenário de incerteza até ao fim.

A vantagem de Trump sobre Clinton no Ohio

Enquanto na média das sondagens nacionais Hillary parece nos últimos dias ter recuperado alguma da vantagem que tinha sobre Trump, a evolução no Ohio – tradicionalmente um dos mais relevantes bellwether states (ma que poderá deixar de o ser…) – foi no último mês extraordinariamente favorável a Trump. Mais um contraste interessante a acompanhar na noite eleitoral de amanhã…

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Michigan e New Mexico

Dados interessante de Michigan e New Mexico: Hillary Clinton com menos de 5 pontos percentuais de vantagem nas sondagens mais recentes em dois Estados que Obama venceu por larga margem em 2008 e 2012.

Pedro Magalhães prevê vitória tranquila de Hillary Clinton

Uma entrevista que vale a pena ler e que inclui o que me parece uma bold prediction relativa a uma vitória tranquila de Hillary Clinton. Acho certamente possível que Hillary ganhe mas, face a todos os dados conhecidos (incluindo o histórico de sondagens), ficaria surpreendido se resultado não fosse razoavelmente equilibrado. Daqui por poucos dias saberemos.

Aqui fica o link para a recomendada leitura integral da entrevista : Pedro Magalhães: “As duas realidades em que vivemos são ambas alternativas à realidade”

A pouco mais de uma semana da eleição, o olhar analítico sobre os dados das sondagens leva-o a acreditar numa vitória tranquila de Hillary Clinton. Já a descermos para a rua, havia de me pedir para não dar muita atenção às previsões que tinha feito durante o almoço, sobretudo em política caseira. Esta escapa a esse pedido, decisão minha, porque está baseada em factos, em sondagens.

Um final de campanha interessante nos EUA…

GOP Candidates Seize on News of FBI’s Clinton Email Probe

Harry Reid’s incendiary claim about ‘coordination’ between Donald Trump and Russia

Make Trump Great Again!

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Se eu acreditasse nesse tipo de conspirações (em regra, não acredito), pensaria que, sendo Hillary Clinton uma candidata com profundas fragilidades a vários níveis e muito dificilmente elegível, a campanha de Trump até ao momento poderia ser um exercício cuidadosamente projectado para a tornar POTUS não obstante essas mesmas fragilidades: Trump campaign chairman Paul Manafort resigns

The resignation comes as the campaign seeks to correct course after weeks of damaging controversies and self-inflicted wounds, effectively evaporating Trump’s steady footing against Clinton in the polls and his post-convention bump. Trump is now trailing Clinton in every major poll.

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It’s never too late to say you’re sorry?

Donald Trump pede desculpa por “algumas coisas que disse”

Donald Trump mudou de equipa de campanha (pela segunda vez em dois meses) e, agora, poderá estar, também, a mudar de estratégia comunicacional. “Por vezes, no calor dos debates e dos discursos sobre uma vasta gama de temas, não se escolhem bem as palavras ou dizem-se as coisas erradas”, afirmou Donald Trump na quinta-feira.

“Eu fiz isso e, acreditem ou não, eu lamento tê-lo feito. Lamento, em particular, casos em que posso ter causado dor pessoal”, acrescentou o candidato republicano.

O pedido de desculpas poderá ser uma tentativa de virar o jogo na campanha eleitoral, perante a queda nas sondagens protagonizada por Trump e pelo Partido Republicano. Como recorda o The Guardian, numa entrevista em que se falava sobre declarações de Trump sobre o republicano John McCain, Donald Trump deixou claro: “Não gosto de me arrepender de nada”, afirmava Trump. “Dizemos coisas, fazemos coisas e, francamente, aquilo que disse está dito“, notava o empresário há cerca de quatro meses.

Trump and the “religious right”

Why America’s Christian leaders tolerate Trump: Five influential conservatives talk about Trump’s conversion to Christ, and their conversion to Trump.

The leadership of the religious right once looked like a promising stronghold for the Never Trump movement, a bastion of the GOP deeply at odds with a man who is heretical on many of the political and personal values the country’s most prominent Christian leaders hold dear.

But in an exclusive roundtable conversation with POLITICO, five of America’s most influential religious conservatives said they are committed to supporting the GOP nominee, and some committed to activating their extensive grass-roots networks on his behalf this fall.

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Don’t underestimate Trump

Kristol to Democrats: Don’t underestimate Trump

Kristol, like most mainstream Republicans, mis-underestimated Trump badly and assumed he would burn off like a bottom-shelf casino hangover and reason would prevail. Kristol’s opponents, especially those who blame him for playing a central role in the early Iraq fiasco, accused him of I-know-better intellectual arrogance. (…) That Kristol has finally reached the fifth, and presumably final, stage of Trump grief — acceptance — is no piddling matter. He was one of the final dead-enders, spending weeks this spring trying to recruit a third-party alternative (his lawyer pal David French, who said no thanks, was the closest he got), and denial was the burning river that ran through the Cleveland of his pre-convention dreams. (…) “I do think the thing he has going for him that I think — and maybe I’m, again, too scarred by ’92, to go back to the Bush-Quayle years — in a change year, being the candidate of change is a huge advantage. Voters will want to overcome their concerns about the change candidate, because they do want change.”

Leitura complementar: CNN/ORC: Trump bounces into the lead.

DNC opens today

Democrats in chaos as convention opens

The Democratic National Convention opens Monday marred by the sudden resignation of its unpopular chairwoman after a series of leaked emails suggested she might have used her office to help Hillary Clinton defeat the insurgent candidacy of Bernie Sanders.

CNN/ORC: Trump bounces into the lead

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A convenção republicana correu francamente bem a Trump, mas a campanha de Hillary terá oportunidade de rebater com a convenção democrata e, em qualquer caso, falta ainda muito tempo.

Neste momento, o dado que me parece mais interessante nas sondagens mais recentes são os very high negatives de Hillary Clinton (isto não deve ter ajudado mesmo nada à já profundamente negativa imagem que Hillary tem junto de grande parte do eleitorado), superando inclusivamente os de Trump em muitos segmentos.

Tudo está em em aberto: Donald Trump bounces into the lead

Donald Trump comes out of his convention ahead of Hillary Clinton in the race for the White House, topping her 44% to 39% in a four-way matchup including Gary Johnson (9%) and Jill Stein (3%) and by three points in a two-way head-to-head, 48% to 45%. That latter finding represents a 6-point convention bounce for Trump, which are traditionally measured in two-way matchups.

There hasn’t been a significant post-convention bounce in CNN’s polling since 2000. That year Al Gore and George W. Bush both boosted their numbers by an identical 8 points post-convention before ultimately battling all the way to the Supreme Court.

The new findings mark Trump’s best showing in a CNN/ORC Poll against Clinton since September 2015. Trump’s new edge rests largely on increased support among independents, 43% of whom said that Trump’s convention in Cleveland left them more likely to back him, while 41% were dissuaded. Pre-convention, independents split 34% Clinton to 31% Trump, with sizable numbers behind Johnson (22%) and Stein (10%). Now, 46% say they back Trump, 28% Clinton, 15% Johnson and 4% Stein.

Massive swing to Brexit

EU Referendum: Massive swing to Brexit – with just 13 days to go

The campaign to take Britain out of the EU has opened up a remarkable 10-point lead over the Remain camp, according to an exclusive poll for The Independent.

The survey of 2,000 people by ORB found that 55 per cent believe the UK should leave the EU (up four points since our last poll in April), while 45 per cent want it to remain (down four points). These figures are weighted to take account of people’s likelihood to vote. It is by far the biggest lead the Leave camp has enjoyed since ORB began polling the EU issue for The Independent a year ago, when it was Remain who enjoyed a 10-point lead. Now the tables have turned.

6 meses de geringonça

Passaram seis meses desde a posse do Governo de António Costa. Através de apoio parlamentar do seu partido (Partido Socialista), Bloco de Esquerda, Partido Comunista e Verdes foi possível a Costa acabar(!) com a austeridade. A julgar pelas intenções de voto das últimas sondagens a esquerda continua em maioria. Será que assim continuará quando novamente chegar a factura? Relembro que Sócrates também foi bastante popular…

Brasileiros precisam prestar mais atenção ao Prof. Boaventura

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Sondagem: Dilma Rousseff e Lula da Silva em queda livre

Uma nova sondagem do instituto de pesquisa Datafolha revela que a popularidade de Dilma Rousseff e de Lula da Silva nunca esteve tão baixa: 68% dos brasileiros apoiam a destituição de Dilma (mais 8% que no mês de fevereiro) e 57% deixaram de acreditar em Lula da Silva.

Leitura complementar: “Quando um rico rouba, vira ministro”.

Sondagem: quando é duplicada yield da dívida portuguesa?

Antes das eleições legislativas de 4 de Outubro de 2015 a yield da dívida portuguesa fechou a 2,299%.

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Quatro meses da geringonça de António Costa e a taxa ontem subiu para os 4,107%. Fica então a pergunta: quando chegará a yield da dívida portuguesa ao dobro da verificada antes das eleições (cotação de fecho no site Bloomberg)? Aceitam-se apostas:

Tesourinhos deprimentes

Mestre Nódoa

O ainda Mestre Nódoa.

Imagem nacionalizada ao Queremos estas fotos no Panteão Nacional.

Sondagens – eleições presidenciais 2016 (2)

As eleições presidenciais através das sondagens. Por Miguel Maria Pereira.

O que e que tudo isto nos diz sobre as eleições de 2016?

Em primeiro lugar, as flutuações nas estimativas de intenção de voto até ao final do mês passado parecem-me perfeitamente naturais; não só tendo em conta o comportamento das sondagens no passado, mas especialmente dadas as características dos candidatos presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa não vem de cinco anos no Palácio de Belém, mas de mais de uma década a governar audiências. Além disso, alguns dos principais opositores eram praticamente desconhecidos do eleitorado até há poucos meses.

Em segundo lugar, pelas mesmas razões descritas acima é expectável que as intenções de voto em Marcelo Rebelo de Sousa divulgadas nos últimos meses se diluam nas próximas semanas.

Em terceiro lugar, é previsível que os institutos de sondagens tenham dificuldade em captar com precisão as intenções de voto nos candidatos sem apoios dos principais partidos. Potencialmente esses desvios são no sentido da subestimação.

Teste do algodão

E Se As Eleições Fossem Hoje?

A TVI publicou hoje os resultados de uma sondagem Intercampus sobre as intenções de voto caso as eleições se voltassem a realizar e que apresentam um reforço da intenção de voto na coligação Portugal à Frente que ficaria perto de alcançar uma maioria absoluta.

Sondagem_18Out2015

Que governo irá Presidente empossar?

Este não é um inquérito sobre o cenário que desejam mas, dada a recente evolução dos acontecimentos, a vossa expectativa do futuro.