Unidade de Missão Impossível

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que será lançada uma unidade de missão destinada a incentivar a localização de empresas em Portugal que pretendam continuar sem condicionalismos no espaço europeu após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Tenho a propósito desta unidade de missão una proposta para poupar despesa ao estado:

Basta imprimir um único panfleto informativo e escrever: “há iniciativas legislativas dos partidos de governo com vista a limitar salários no sector privado“. Impresso e enviado para todas as empresas-alvo, podem fechar a unidade de missão.

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A presunção de inocência e os prazos no dia da felicidade

O meu texto de ontem no Observador.

‘Vejam por exemplo os disparates que foram ditos e escritos sobre a presunção de inocência de Sócrates. A presunção de inocência é um conceito jurídico que garante que ninguém é condenado sem que existam provas sólidas de um crime cometido. Ponto final. Ora como qualquer pessoa pensante percebe, o que existe e ocorre no mundo, seja criminoso ou não, não é apenas o que é suscetível de ser provado em tribunal – e provado segundo regras que são elas próprias mutáveis e discutíveis, não desceram dos céus como presente intergaláctico de uma qualquer deusa da justiça do mundo greco-romano.

Alguém ser absolvido em tribunal, ou nem sequer ser acusado, não é selo de garantia de que não cometeu nenhum crime: é reconhecimento de que não há indícios suficientemente fortes para levar à privação de liberdade, ao pagamento de multas e indemnizações, à censura pública em forma de condenação. Desde logo porque muitos crimes são difíceis de provar – os criminosos geralmente aproveitam-se da falta de testemunhas e de registos de imagem e som para cometerem os crimes. Só nas séries televisivas como The Closer é que Kyra Sedgwick convence os meliantes a confessarem tudo. Acresce que a justiça é administrada por humanos, limitados, com a tendência para disparatar que todos temos (mesmo quando com boas intenções), e suscetíveis a preconceitos e estados de alma.

Mas do que se lê por aí os argumentos pela presunção de inocência de Sócrates são ainda mais salazarentos que esta constatação de que a justiça humana é falível. Segundo nos dizem, enquanto não houver uma sentença judicial transitada em julgado, devemos permanecer todos intimamente convencidos que Sócrates é inocente como um rebento de jasmim a aromatizar um chá verde. Quando, e se, houver condenação pelos tribunais, passaremos então, no momento em que lermos ou ouvirmos tal ansiada notícia, a acreditar convictamente (por ordem do tribunal) que Sócrates é culpado dos crimes por que for condenado.

É isto: temos gente que tem espaço em jornais e televisões, numa democracia liberal em 2017, a afirmar que os indivíduos não podem ajuizar por si próprios da culpabilidade de um ex primeiro-ministro. As convicções de cada um não podem ser por si determinadas, nada disso, temos de ficar à espera que um tribunal nos diga como devemos considerar, na nossa consciência, Sócrates – inocente ou culpado. Vade retro conceito demoníaco de formar opinião em regime de livre iniciativa. O estado ensina-lhe generosamente em que acreditar.’

O texto completo está aqui.

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

Portugal, o país onde não podemos escrever livros

O meu texto de ontem no Observador.

‘Ontem quando escrevia este texto o país estava calmo, mas aposto que hoje existem, pelo menos, três bairros barricados em Lisboa. Nem imagino o atroz sofrimento da esquerda nacional por tão hedionda traição. Caso a PSP não tenha pensado atempadamente (o que é imperdoável e justifica por si só uma chamada da ministra Urbano ao parlamento) em vedar o acesso ao Tejo ao longo de toda a zona ribeirinha lisboeta, que o faça a correr, que eu temo um colapso na vontade de viver dos militantes da esquerda nacional e tentativas de suicídio em massa. Há que evitar um auto genocídio, senhores guardas.

Falo de quê? Bem, caro leitor, olhe à sua volta. Vai sair uma biografia de Jorge Sampaio nos anos da sua presidência, com colaboração do ex Presidente. Estou certa que as muito numerosas alminhas sensíveis que gritaram pela falta de elegância de Cavaco Silva por escrever as suas memórias do seu tempo de coabitação com Sócrates, pelo inimaginável atentado à privacidade (risos abundantes) das conversas entre um PR e um pm, essas alminhas sensíveis, digo eu, que andaram a fazer figuras tristes nas televisões, rádios e jornais, estão em agonias pela traição de Jorge Sampaio. E neste momento ou correm para as zonas ribeirinhas das cidades portuguesas para se desgraçarem ou estão em casa debaixo dos cobertores e encharcados em antidepressivos.

É que, pelo que leio, Jorge Sampaio conta conversas efetivamente privadas, sobre assuntos da sua candidatura, com o líder do partido por que queria ser apoiado. Estou à espera do pior dos paladinos da defesa do direito à privacidade – é como quem diz, dos maluquinhos que argumentam que os contactos entre um ministro e um particular, versando uma empresa pública e a futura relação da empresa com o dito particular, são privados e, como tal, fora do escrutínio democrático dos media e dos representantes dos eleitores. (Não são.)’

O resto está aqui.

António Costa, retratos de um não-aficionado

Nacionalizado ao 

Sinais de perigo

Porque os sinais de perigo são cada vez em maior número. O meu artigo no ‘i’.

Sinais de perigo

Quando o país discutia o triângulo das Bermudas que é a CGD, a esquerda inventou uma polémica sobre algo já conhecido há meses e desviou as atenções para as offshores. Se o neoliberalismo é chavão dos que fogem para denegrir quem debate, os paraísos fiscais são o novo filão para, com ignorância e demagogia, mudar de assunto.

Sobre as offshores, a esquerda não explica por que razão é que a CGD tem uma sucursal nas ilhas Caimão (https://www.cgd.pt/English/Contacts/International-Network/Pages/Cayman-Islands.aspx); que, se sai dinheiro para offshores, também entra dinheiro vindo de offshores; e que estas são importantes nos negócios internacionais, o que talvez leve a que o banco público, que a esquerda – e boa parte da direita – tanto preza, tenha a dita sucursal num paraíso fiscal.

A informação é poder. E estar informado é estar protegido. Protegidos contra a má-fé, a mentira, a demagogia e o populismo. Não esqueçamos que foi aproveitando-se da falta de conhecimento sobre as questões mais importantes que ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo, imperaram. Fomentando o ódio que nasce da ignorância.

A demagogia dos partidos extremistas portugueses, de que este PS – que ainda não tirou as ilações da sua derrota eleitoral – se aproveita, é preocupante. E quando as offshores cumpriram o seu papel de desviar as atenções, eis que surge o ataque ao Conselho de Finanças Públicas por não subscrever a narrativa dominante. No meio de tantos perigos, estar alerta tornou-se um dever.

Holodomor: o negacionismo de deputados socialistas sobre o genocídio ordenado por Estaline

Em nome da russificação, Estaline matou à fome milhões de pesssoas na Ucrânia, Cáucaso do Norte e Cazaquistão
Em nome da russificação, Estaline matou à fome milhões de pesssoas na Ucrânia, Cáucaso do Norte e Cazaquistão
Isabel Moreira,, descontraída, a cuidar da sua pele.
Isabel Moreira,, descontraída, a cuidar da sua pele.

Isabel Santos, Presidente da Comissão de Democracia, Direitos Humanos e Questões Humanitárias da Assembleia Parlamentar da OSCE; Paulo Pisco, pós-graduado em Estudos Europeus e a célebre Isabel Moreira que dispensa apresentações, foram os deputados socialistas que votaram contra no Voto de Condenação Nº 233/XIII  – Reconhecimento do “Holodomor” – Grande Fome de 1932 e 1933 ocorrida na Ucrânia, um dos crimes maiores do regime  comunista soviético.

Leituras complementares: Holodomor: o negacionismo do PCP sobre o genocídio ordenado por Estaline e Parlamento português reconhece Holodomor ucraniano como genocídio comunista.

O mesmo caminho socialista

antoniocostasyriza

A austeridade acabou. Grécia pede fotocópias assistência financeira.

Botões de rosa

ascensoIsto tem duas explicações:

  1. É sarcasmo;
  2. É a sério e o autor ou comeu cogumelos (dos que fazem rir) estragados, ou ao acordar enfiou com os cornos na mesinha de cabeceira e perdeu o tino.

CGD: a constitucionalidade dos sms de Centeno

Muitos deputados “geringonços” (PS/BE/PCP) andam a dizer que o acesso aos sms entre o ministro das Finanças Mário Centeno e o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) António Domingues violam a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o Artigo 34º:

Artigo 34.º Inviolabilidade do domicílio e da correspondência
1. O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis.

Voltem a ler esta parte do referido Artigo: «comunicação privada»! Ora, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à CGD não quer saber das mensagens em que Centeno elogiava o estilo cromático das gravatas de Domingues.

A investigação da CPI centra-se nas mensagens referentes a assuntos de Estado e, como tal, não podem ser consideradas comunicações privadas. O acesso às negociações sobre a não obrigatoriedade de apresentação, ao Tribunal Constitucional, de declaração de rendimentos/património dos administradores são necessárias para o escrutínio do Parlamento às acções do Governo. Sabem que, supostamente, existe separação de poderes entre os órgãos legislativo e executivo, certo? Especialmente, quando Centeno primeiro diz à CPI que aquela isenção não era o objectivo de alterar o Estatuto de Gestor Público e, depois de valente “bofetada” do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que tudo se tratou de «erro de percepção mútuo».

Aliás, convém ler o preâmbulo do decreto-lei nº 39/2016, de 28 de Julho (dias antes das férias parlamentares) ,que alterou o Estatuto de Gestor Público (meus destaques):

Impõe-se um ajustamento do estatuto dos titulares dos órgãos de administração que seja apto para alcançar o objetivo de maior competitividade das instituições de crédito públicas, sem perda de efetividade do controlo exercido sobre os respetivos administradores, preocupação que se encontra acautelada pela regulação hoje aplicável a qualquer instituição de crédito.

Da mesma forma, salienta-se que a designação dos membros dos órgãos de administração das instituições de crédito significativas com natureza pública continua a ser sujeita a um exigente escrutínio, estando obrigada ao cumprimento de rigorosos requisitos de adequação e idoneidade daqueles titulares, por forma a assegurar a solidez da governação da instituição. A este respeito, assumem especial relevância, para além do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, as regras respeitantes à avaliação e análise permanente da idoneidade dos membros dos órgãos de administração das instituições de crédito como «entidades supervisionadas significativas», nos termos do Regulamento (UE) n.º 468/2014, do Banco Central Europeu, de 16 de abril de 2014, que estabelece o quadro de cooperação, no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão, entre o Banco Central Europeu e as autoridades nacionais competentes e com as autoridades nacionais designadas (Regulamento-Quadro do MUS).

«Continua a ser sujeita a um exigente escrutínio». Das instituições nomeadas não está lá o Tribunal Constitucional. Erro de percepção mútuo? Pois claro…

É tirar o carro e o motorista a Fernando Medina, sff

Apanhei este vídeo no facebook da Sofia Vala Rocha e, depois de quase engasgar, venho aqui dizer que acho Fernando Medina pouco ambicioso. É muito pouco querer tornar um eixo de Lisboa, que percorre a cidade quase na totalidade de sul a norte, numa avenida de passeios largos (a Av. da Liberdade é a mais çarga da Europa, julgo já ter lido por aí), com esplanadas, lojas fabulosas, hotéis e por aí – e, claro, com tremendas restrições ao trânsito automóvel. Afinal há que tornar Lisboa numa cidade com trânsito ainda mais infernal. Como está ainda se chateia pouco os munícipes.

Que se queira impedir que a Av. da Liberdade seja só um sítio de atravessamento automóvel está muito bem. Que se queixa dividir Lisboa em duas partes inatravessáveis, com o eixo Fontes Pereira de Melo e Av. da República, tipo muro clintonista-trumpista, no meio, já me parece um tanto excessivo. Ou não. Se calhar o melhor mesmo é tornar Lisboa uma cidade pedonal (exceto para os carros dos membros do governo e da CML, claro). Acho que seria um grande sucesso. Sobretudo para reduzir população. Tornar-se-ia uma cidade muito mais fácil de governar e de ganhar eleições, especialmente se se desse umas casas que entretanto vagassem às clientelas socialistas – e a atribuição de casas pela CML, com finalidade de ganhar votantes PS, já é uma política perseguida por todos os socialistas municipais de Lisboa.

Só peço que, enquanto eu continuar a viver em Lisboa, o imaginativo Medina construa uns pequenos cais ao longo da margem do Tejo. Assim, quando eu quiser ir jantar à Bica, é só descer um bocadinho até ao rio e depois apanhar o barco para a secção oriental da cidade. Tipo como se lê de Londres nos livros de Dickens. Tudo pela modernidade.

“Anónimos” apoiantes de Sócrates

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Um bom resumo de Vítor Matos e Miguel Santos, no Observador.

O modus operandi do blogger que defendia Sócrates

Escreveu sob anonimato e atacou todos os que se opunham a Sócrates. Entrou nos radares da Operação Marquês por causa das alegadas avenças pagas pelo ex-PM. Quem era e o que escrevia “Miguel Abrantes”?

Governo acaba com imposto*

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*Poluídores-gulosos-fascizantes, é apenas o fim da reavaliação do imposto sobre os combustíveis que “servia  para garantir que os consumidores não seriam penalizados se o preço do petróleo subisse.”

Uma lição para o PSD

ps-psdDificilmente o país poderia ter um governo mais à esquerda do que este. O governo é liderado pelo PS mais ideologicamente extremado de sempre. É um PS que se confunde com o BE de há 10 anos na retórica, e cujos deputados apoiam abertamente partidos de esquerda radical noutros países. Nunca o PS esteve tão à esquerda desde os tempos do PREC. A somar a isto, o PS apenas governa graças ao aval de dois partidos histórica e assumidamente de extrema esquerda: o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda. Todos estes factores juntos, tornam este o governo ideologicamente mais à esquerda desde o 25 de Novembro.

Mas a realidade não se coaduna com ideologias. Assim, é este governo ideologicamente tão à esquerda, apoiado pelo PCP e BE, que não aumentou a função pública em 2017, manteve o congelamento de carreiras e continua a limitar o pagamento de horas extraordinárias. Fora um governo de direita a fazê-lo e haveria greves todos os dias. A certas alturas na nossa democracia, houve muito mais greves por muito menos do que isto.

Imaginemos um hipotético cenário em que PSD e CDS tinham tido maioria absoluta nas eleições de 2015 e eram hoje governo. Que diferenças relevantes se notariam? Vejamos:

– Não teriam sido feitas reversões nos transportes
– A deriva ideológica na educação não teria acontecido
– Não teria existido uma queda tão abrupta do investimento público de forma a devolver mais rapidamente os salários da Função Pública
– O Salário Mínimo talvez fosse 10-15 euros mais baixo
– A Caixa teria sido recapitalizada com capitais privados (muitas dúvidas aqui) e a resolução do BANIF talvez tivesse custado menos aos contribuintes

O leitor consegue pensar em mais alguma diferença de política relevante? Dificilmente. Mas convém não nos esquecermos de uma coisa: este governo não é mais à esquerda, não por falta de vontade, mas porque a realidade não o permite. E, para lá das palavras, é dentro dos limites da realidade que se pode fazer política.

Portanto, nós temos o governo mais à esquerda que a realidade permite e, mesmo assim, não se notam muitas diferenças em relação ao que teriam feito PSD e CDS. Isto é preocupante, tanto para os portugueses em geral como para o PSD em particular. Para os portugueses é preocupante porque se apercebem de que não existem grandes alternativas no espectro político. Não existe um projecto político alternativo que não esteja no mesmo cantinho da realidade em que os partidos portugueses se colocam. Mas isto é também uma enorme preocupação para o PSD. Os eleitores começam a aperceber-se que entre o PSD e uma alternativa apenas ligeiramente pior, mas que consegue paz social, talvez não valha a pena o esforço de votar no PSD. Entre a social-democracia do PS e a social-democracia do PSD, pelo menos a primeira garante alguma paz social. Aqueles que, dentro do PSD, querem encurtar ainda mais o espaço entre eles e o PS, talvez devessem pensar melhor. Se a realidade empurra PS-PCP-BE para o mesmo espaço do PSD, talvez seja altura de olhar para o meio da sala.

Quando a palavra não vale um Centeno

 
Hoje diz o mesmo ministério que afinal era tudo jajão. Felizmente Catarina e Jerónimo não se interessam por essas coisas miúdas de ministros que mentem. Já foi tempo. Ou então (e isso eu respeito) sabem que se segue o senhor forte da GALP e preferem este…

A propósito de prejuízos causados

socrassemprezesocrates

Recordar é viver.

Os truques da política portuguesa

centeno-truques A notícia, com estas ou outras palavras, está em todos os jornais e televisões: Mário Centeno, Ministro das Finanças e embaraço ambulante, esteve ontem na reunião do “Eurogrupo” e deixou um “recado” aos seus congéneres do Tesouro dos vários países da “zona euro”: Portugal e, acima de tudo, a sua excelsa pessoa, mostraram-lhes que estavam “muito enganados”. Aparentemente, na cabeça do senhor Ministro, o país está a ter resultados brilhantes na execução do Orçamento de Estado, com um défice baixíssimo, e tudo sem afectar o crescimento económico do país. O facto de grande parte desse “controlo” do défice ter sido conseguido através da suspensão de pagamentos a que o próprio Estado se obrigara, contraindo assim uma dívida que só pelas artes mágicas da contabilidade não é considerada como tal, ou de que esse crescimento continua a ser menor que o do endividamento, cujos juros a longo prazo continuam também eles aumentar, não ocorre a Centeno, ou, se lhe ocorre, não o incomoda. Afinal, nenhuma destas críticas passa de um conjunto de “mitos” propositadamente lançados por gente maldosa com o terrível propósito de causar danos ao país e, claro, ao Governo a que pertence (que é o que mais o preocupa).

Como qualquer pessoa minimamente inteligente – ou que não tenha optado por voluntariamente se deixar obnubilar pela sua paixão pelo que um senhor entretanto desaparecido chamou de “o tempo novo” – facilmente perceberá, todo e qualquer “recado” que Centeno tenha dado teve como destinatário imediato a imprensa portuguesa e como alvo fundamental o público português. O “recado” de Centeno não é na realidade o de que os seus parceiros do Eurogrupo haviam estado excessivamente pessimistas em relação a – ou deliberadamente a conspirar contra – Portugal, mas o de que ele, Centeno, e por interposta pessoa o Governo, “batem o pé” aos malévolos “senhores” da “Europa”, ao contrário dos ainda mais pérfidos responsáveis do anterior executivo, que tudo faziam para que “a senhora Merkel” nos castigasse ainda mais severamente do que a sua “moral protestante” a inspirava inicialmente.

O truque, claro, é velho: sair das reuniões e cimeiras da UE a alardear o esforço na “defesa” do “interesse nacional”, logo equiparado através do tom ao desembarque na Normandia, a fazer lembrar o comum português que em casa ou no café não consegue deixar de inventar um qualquer “e aí eu disse-lhe” e um “e o gajo calou-se logo” ao contar o episódio em que o patrão o destratou. A intenção, essa, é óbvia: criar na cabeça das pessoas uma realidade em que tudo está bem e qualquer notícia negativa não passa de uma invenção de interesses obscuros de potências estrangeiras com obedientes serviçais internos, contra os quais o Governo, por espírito de sacrifício e amor ao país, não se cansa de batalhar “lá fora”.

O resultado também é sempre o mesmo: durante uns tempos, a propaganda vai funcionando, talvez não tanto no propósito de fazer com que as pessoas acreditem nela, mas certamente no (principal) de as fazer não ter energia nem paciência para a contestar. Mas, com o passar do tempo e o consequente agravamento dos reais problemas do país, a ilusão propagandística dissipa-se, e os seus autores são forçados a abandonar o poder. Não antes, no entanto, de terem alimentado devidamente as suas clientelas e dependentes, assegurando assim a sobrevivência destes últimos e a sua lealdade para quando, passado algum tempo e a raiva popular contra os seus desmandos tiver sido aligeirada, precisarem de quem os alce novamente a São Bento, onde rapidamente voltarão a fazer das suas, com os mesmos resultados. Como de todos os lados do hemiciclo parlamentar, o apreço pela prática não varia – apenas a respectiva competência para a manipulação difere de bancada para bancada – os portugueses que não pertençam aos beneficiados do balancé partidário não podem senão ficar a assistir, com a garantia de que, aconteça o que acontecer, ficarão sempre pior do que estariam se vivessem num pais minimamente decente.

O que importa é a amizade entre as pessoas

amizade

O verdadeiro significado da amizade, está na TAP.

Amizade é a relação afetiva entre os indivíduos. É o relacionamento que as pessoas têm de afeto e carinho por outra, que possuem um sentimento de lealdade, proteção etc.

A amizade pode existir entre homens e mulheres, irmãos, namorados, maridos, parentes, pessoas com diferentes vínculos. É um relacionamento social voluntário de intimidade. Algumas bases do sentimento de amizade são a reciprocidade do afeto, ajuda mútua, compreensão e confiança.

A amizade pode ter diversas origens, como o meio em que as pessoas convivem, por exemplo, o trabalho, o colégio, a faculdade, amigos em comum, mas também pode surgir por acaso. Alguns amigos, inclusive, se chamam de melhores amigos, pois se consideram mais que amigos, um irmão de coração.

A amizade não precisa acontecer com pessoas exatamente iguais, com os mesmos gostos e vontades, e em certos casos é exatamente esse o fato que os une. A amizade tem a função de acrescentar ao outro, com suas ideias, momentos de vida, informações, ou é apenas ter alguém para dividir momentos e sentimentos.

Alguns valores, atitudes e comportamentos relacionados com a amizade podem variar de acordo com a sociedade ou com o momento específico da história.

in Significados.

Costa quebra acordo com o Bloco

António Costa ao colocar na Concertação Social a redução da TSU dos empregadores quebra o exposto no acordo de governo com o Bloco de Esquerda. Extraordinariamente o próprio Bloco não quis lembrar a questão.

Na “Posição conjunta” assinada entre PS e Bloco sobre a “solução política” da XIII Legislatura, lê-se:

BlocoPS.png

(número 3 do anexo)

De António Costa, claro, espera-se tudo. Parece que o estou a ver com o seu sorriso cínico a afirmar “como acordado não constou do Programa de Governo”- estranho é a sempre reinvindicadora Catarina Martins ficar calada.

Palavra dada, palavra honrada.

Ler também: Costa quebra acordo com Os Verdes

Costa quebra acordo com Os Verdes

António Costa ao colocar na Concertação Social a redução da TSU dos empregadores quebra o exposto no acordo de governo com Os Verdes. Extraordinariamente os próprios Verdes não quiseram lembrar a questão.

Na “Posição conjunta” assinada entre PS e PEV sobre a “solução política” da XIII Legislatura, lê-se:

verdesps

(artigo VI, número 2)

De António Costa, claro, espera-se tudo. Parece que o estou a ver com o seu sorriso cínico a afirmar “como acordado não constou do Programa de Governo”- estranho é a sempre reinvindicadora Heloísa Apolónia ficar calada.

Palavra dada, palavra honrada.

 

Geringonça no eucaliptal

A assinatura do acordo de constituição da geringonça foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital
A assinatura do acordo de constituição da geringonça entre Heloísa Apolónia e António Costa foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) tem a arte de existir, possuir um grupo parlamentar sem nunca se conhecer a quantidade de votos expressos em qualquer urna de votos, desde que existe, decorria o mês de  Dezembro do ano de 1982.

Este partido claramente democrático e de votações expressas muito constantes, criado pelo PCP durante a Guerra Fria por forma a acudir aos desejos ambientalistas de Moscovo e a enganar algum ecologista militante mais distraído, comtempla a “ecologia como concepção  política”. No fundo, como “portadora de uma nova forma de pensar o mundo e a organização das  sociedades. A ecologia política toma a espécie humana como uma componente da Natureza, tal  como outras espécies, constatando a sua dependência em relação a elementos naturais  imprescindíveis à sua sobrevivência – como o ar, a água, o solo, a fauna e a flora.” O PEV descobre mesmo o  demónio no planeta Terra (pois deconhece-se a sua acção noutros planetas):“os modelos liberais e  neo-liberais, que têm imperado no mundo, têm resultado no esgotamento e na delapidação dos  recursos naturais, corporizando formas de organização económica que fomentam a produção  intensiva e descontrolada e o consumismo desregulado, concentrando e intensificando sempre mais  a riqueza nas mãos de uma pequena minoria, sem pudor na negação de direitos a largas faixas da  população e na generalização da pobreza a biliões da seres humanos.” A solução apontado é o “eco- desenvolvimento”.

Quero acreditar que a convergência política na geringonaça é possível com o investimento de milhões na indústria de papel e a exploração económica do eucaliptal. As palavras do Primeiro-Ministro, António Costa são, como é costume, claras como o petróleo verde:

(…) Assinados os contratos de investimento, que vão permitir criar a maior unidade de descasque e destroçamento de madeira da Europa, o primeiro ministro plantou a ideia de reconstruir o setor florestal e explicou como fazê-lo: “valorizando os nossos recursos autóctones, que são decisivos para a riqueza do país, mas também necessariamente a plantação do eucalipto”.

Portugal precisa de melhorar a produtividade da Floresta e com isso melhorar a produtividade do eucalipto. É “o grande desafio que temos pela frente”, assume António Costa, que acrescenta que “a produtividade média por hectare é baixíssima. Não são só os matos que estão ao abandono, há muita área de eucalipto que também o está”.

Uma melhor produção de eucalipto permite responder à procura das indústrias e aumentar a produção de pasta de papel, setor onde Portugal dá cartas e que ajuda a equilibrar a balança comercial. Tal como está previsto desde 2015, na estratégia florestal nacional, a área prevista para a plantação de eucaliptos permitirá responder àquilo que é a procura crescente por parte da indústria, permitindo aumentar a produção de pasta e de papel”, afirma.

Carrega, Medina

medina

EMEL estuda alargamento da fiscalização e das multas até às 23h e ao fim-de-semana.

Acho pouco, a fiscalização devia estender-se às 24 horas do dia, todos os dias do ano. E em jeito de bónus, carregar mais nos preços durante o período de Verão, feriados e época natalícia.

Guião de thriller financeiro “O Lobo do Intendente”

  1. Afirma-se que esta coisa do Novo Banco é para vender com urgência. Se não for vendido, o melhor é fechar, resolver, liquidar, etc.
  2. Surpreendentemente (Not), ao ser confrontados com esta informação os potenciais compradores fazem ofertas baixas.
  3. Algumas vozes queixam-se que as ofertas são demasiado baixas. Dizem que se é para pagar então mais vale nacionalizar.
  4. Depois daquele negócio espectacular do Banif, isto de o contribuinte pagar para uns estrangeiros ficarem com o banco é uma coisa mal vista. O povo agita-se.
  5. Inúmeros idiotas aparecem a dizer que, se calhar, o é melhor nacionalizar. Com a memória que caracteriza os protozoários, já ninguém se lembra do BPN.
  6. Técnicos do FMI compram bilhetes para Lisboa.

Estamos no grau zero, certo?

O meu texto de ontem no Observador.

‘Durante horas pensei que o lamento oficial de Marcelo Rebelo de Sousa pela morte de George Michael era uma piada das redes sociais à hiperatividade presidencial a que MRS nos vem habituando. Nem acreditei quando li as notícias. Tive de ir ao site da Presidência da República confirmar que a mais recente exuberância pesarosa de MRS existia mesmo. Pelo que, queridos concidadãos, está na hora de assumirmos mais esta cruz nacional (e peço perdão por trazer este travo quaresmal para o tempo natalício): temos um Presidente que perde tempo a emitir lamentos oficiais pela morte de estrelas pop estrangeiras.

Enquanto aguardamos a publicação no site da Presidência da nota congratulatória de Marcelo Rebelo de Sousa pelo regresso das andorinhas na primavera (que as andorinhas não são menos que George Michael), ou talvez mesmo um comentário oficial do Presidente sobre a problemática das notícias falsas, devemos, quem sabe, perder uns momentos e dirigir a uma qualquer divindade do nosso agrado uma oração pedindo uma mordaça para Marcelo Rebelo de Sousa (já que o bom senso e o sentido das proporções não são suficientes para o moderar).’

O resto do texto está aqui.

Augusto Santos Silva em alta no mercado bovino

Fotografia Rui Carmo. Reunião da concertação social, realizada em Odiáxere, Lagos.
Fotografia Rui Carmo. Reunião da concertação social, realizada em Odiáxere, Lagos.

Já recordei aos membros do governo que, enquanto membros do Governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo e, portanto, devem ser contidos na forma como expressam as suas emoções, e se é assim à mesa do café quanto mais nestes novos espaços comunicacionais que hoje não são de conversa privada nem reservada e tornam-se naturalmente públicos”.

António Costa, o chefe da geringonça sobre a polémica que levou ao afastamento de João Soares.

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“Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante… Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns…”

As liberdades que não são de esquerda

O meu texto desta semana no Observador.

‘É oficial: pelos lados da geringonça cortaram as últimas amarras que os ligavam à realidade. É o que qualquer pessoa sensata conclui da promessa de Pedro Marques do novo aeroporto complementar no Montijo para 2019. Os tempos dessa entrada cimeira da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o ‘direito ao TGV’, exigido pelos lunáticos da Juventude Socialista em 2009, estão de volta.

Claro que em 2019 dificilmente haverá aeroporto. A razão é simples e bruta: não há dinheiro. Mas, em boa verdade, o que interessa ao PS também não é a construção do aeroporto. É muito mais útil enganar os tolos com a retórica do investimento; encher jornais e noticiários com projetos grandiosos que o magnífico governo apadrinha (os jornalistas assim sempre se esquecem de referir os números risíveis do investimento que, de facto, temos tido e que mostram que com este desgoverno ninguém arrisca investir); oferecer uma cenoura coberta de chocolate, à laia de esperança, aos eleitores dos municípios da zona do futuro-barra-imaginário aeroporto.

O PS sempre foi um partido da pós-verdade, muito antes do conceito estar na moda. Lembramo-nos das promessas de Centeno e Costa para o crescimento económico, não lembramos? Pelo que dizer que se quer construir o aeroporto, para o PS, é muito mais útil que construir mesmo o aeroporto. Quanto menos o pretenderem construir, mais proclamações enfáticas de amor assolapado pelo novo aeroporto deveremos ouvir. Vamos ser todos endoutrinados na bala de prata (mais uma, já houve tantas) que é o novo aeroporto para o desenvolvimento português. Quem não amar o projeto do novo aeroporto acima de todas as coisas, não é patriota. António Costa, naquela sua peculiar maneira de esmigalhar a língua portuguesa, ‘incontrará’ maneira de argumentar que é ‘inconxional’ não construir o novo aeroporto.’

O resto do texto está aqui.

Uma cabala de sangue

Que está a atingir a tralha socrática da geringonça.

O concurso internacional realizado chegou a tribunal. Mas apesar da polémica e dos protestos, foi a farmacêutica Octapharma que acabou por ganhar o contrato para aproveitar o plasma do Hospital de S. João no Porto.

Apesar de haver cinco concorrentes, a farmacêutica com a exclusividade de fornecimento de plasma às unidades de saúde em Portugal, era a única que reunia diretamente os dois principais requisitos. Definidos nas regras do concurso.

Fernando Araújo, atual secretário de Estado da Saúde, era então diretor do serviço de Imunohemoterapia. E “esteve diretamente envolvido” no concurso, segundo relata a investigação da TVI. (…)