Pó car….

Estive a ler com atenção o artigo do Dr Paulo Rangel e fico, como dizê-lo, nas horas do diabo (evito recorrer ao vernáculo portuense).

Caso o Dr Paulo Rangel não tenha ainda percebido aqueles que mobilizaram o PSD (e não os que o PSD mobilizou) estão em vias de extinção há muitos anos, com a prestimosa colaboração do Partido Socialista Desorientado desde pelo menos o Professor Doutor Cavaco. O que tem é uma massa enorme de funcionários, pensionistas e subsídio-dependentes a quem o PPD não tem nada a propor. O PS trata deles. Já nem o PCP tem seja o que for a propor-lhes.

Este parágrafo “A liberalização não é nem pode ser a operação através da qual os interesses que opacamente colonizam o Estado passam abertamente a colonizar a sociedade. Por isso não somos liberais.” se não fosse indigente seria digno de um marxista com menos de três neurónios funcionais. O Dr Paulo Rangel que procure debaixo do calhau de onde saiu ou, se tiver tempo, neste calhau que roda à volta do Sol onde existem esses liberais ou esse liberalismo que promovem a colonização do Estado e da sociedade. Nós, os que nos consideramos liberais, sabemos há muito, há mais de 250 anos que o rent seeking e o capitalismo de compadrio é apanágio do socialismo-democrático, não do liberalismo. Se não sabe para mais, ou se é parvo, ou vá aprender ou que passe pela Sede Social ali no Cristo Rei que a gente explica-lhe. Entretanto vá encher-se de pulgas e mentir lá no assento dourado que alguns infelizes fizeram questão de lhe atribuir em Bruxelas, ou lá onde for onde se governa.

Aturo de tudo, burros ou vigaristas intelectuais, não aturo. De todo. Prefiro vigaristas e ladrões no sentido normal dos termos, pelo menos existe alguma honra nestes últimos.

Um dia destes o Dr Rangel acorda e dá-se com três Partidos: o Partido Dono do Regime (o PS pode já mudar a sigla para PDR), o Bloco dos intelectuais lisboetas do eixo Cais do Sodré-Santa Apolónia e do Eleven e do Tavares mais o CDS da lavoura, dos pobrezinhos e da caridade institucionalizada. Que venha com conversas de merda sobre a liberalização e a liberdade é um sintoma da decadência tanto do tal Partido de que fala (qual Partido?) como dos que o mobilizaram nos anos 70.

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Evoluções nas Eleições Autárquicas (PSD)

Antes de fazer alguns breves comentários, aqui está a evolução das Presidências de Câmara do PSD (a azul: coligações com CDS, a preto: coligações com outros).

PSD

Agora a evolução da mesma variável, mas para o PS (vermelho para coligações).

PS

O resultado das Autárquicas de 2013 tinha sido o pior de sempre, com 106 Câmaras.

O PSD teve agora uma derrota devido a diversos factores:

  1. A incapacidade do PSD de cativar os “Grupos de Cidadãos” por todo o país.
    Quase todos esses grupos são de pessoas à direita que não se revêem no PSD, o que é grave para o partido e para a direita em geral.
  2. Mudança de ciclo em 2013, com a “extinção dos dinossauros” que não se puderam recandidatar, logo no ano em que o partido estava no poder a impor políticas de aperto de cinto impostas pelo endividamento de Sócrates. Sem dinossauros, perderam-se várias câmaras e agora em 2017 estas não se recuperaram.
  3. Costa subiu pensões pouco antes das eleições. Ganhou o PS, ganharam as câmaras instaladas, reforçaram-se maiorias (ex: Santarém e Faro são Câmaras PSD que estavam 4-4-1 e agora estão 5-4, dispensando em ambos os casos o vereador comuna). À custa do endividamento, mas isso que se dane. Depois vê-se.
  4. Desgaste da “marca“, associada hoje à austeridade, que certos comentadores dizem que o PSD fez por “prazer” (!) e ideologia (!) liberal (lol), como se um partido político não tivesse prazer em ser popular. Aguardo novo ciclo, que terá de ter este ponto em consideração (populismo? despesismo? austeridade de rosto humano?).
  5. Incapacidade de Passos se impor a opções locais e apostar em candidaturas fortes. 10% em Porto e Lisboa. 4º em Gondomar e Matosinhos. Perda de São João da Madeira e Oliveira de Azeméis. Todas estas derrotas pesadas poderiam ter sido pelo menos mitigadas com candidatos mais fortes.

Na minha interpretação, uma perda de 7% das câmaras é uma derrota, mas não é uma derrota catastrófica – à PCP, ou como a do PS em 1979, ou do PSD em 2013.
Passos cai não pelos resultados autárquicos mas também por causa dos resultados autárquicos. Estes vêm no seguimento de uma liderança que perdeu os media, perdeu as universidades (culpa de Passos, que instalou Bilhim), tem vindo a descer nas sondagens para legislativas, tem um discurso cansado à espera da queda da geringonça, tem vindo a perder apoio nas estruturas, e que agora depois de tudo isto tem uma derrota nas autárquicas. As Autárquicas foram a gota de água. Nos próximos dias veremos o futuro.

Para que serve o PSD?

A vitória do PS não garante a resolução do endividamento do Estado (eu sei que o assunto é chato, mas chateia-me mais falir e ter de pagar por isso). E não se resolve se o PSD mudar de direcção para ser tornar numa muleta do PS com vista a contrabalançar a influência do PCP e do BE na geringonça. Um PSD calado e conivente, e por isso aceite em Belém e pelas redacções dos jornais, como tantos nos anos 70 queriam que fosse, até pode ter melhores resultados eleitorais durante uns anos, mas não serve para nada.

O Grande Peso do Bloco

Número de Vereadores do Bloco a nível nacional (entre os 2048 já atribuídos)

Bloco de Esquerda

Em Câmaras o resultado foi ainda mais relevante:

Zero

Assim se percebe porque é que o Bloco comanda a agenda nacional.
Não, espera… Como?

Álvaro vs Isaltino

AA_vs_IM.png

Álvaro Almeida: vida dedicada ao serviço público, currículo irrepreensível; professor universitário, doutoramento na LSE, alto quadro no FMI, Presidente de várias instituições pública, condecorado.

Resultado 2017: 10.4%

***

Isaltino Morais: perda de mandato autárquico; condenado a 9 anos de prisão por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.

Resultado 2017: 41.7%

Esta é a imagem do país. Em suma, temos o país que merecemos, com os políticos que merecemos, com o fado que merecemos.

-0,07%

Evolução PSDDepois de tanto ouvir sobre a morte política anunciada do Passos, fui fazer um breve cálculo sobre a evolução nas capitais de distrito, com os resultados disponíveis às 2:30.

Das 20 capitais de distrito, o PSD tinha 8… e ficou com 8.
Em 20, subiu a votação em 9 e desceu em 11.
Nas 20 câmaras, a média simples de votos era de 31,89%. Nestas eleições até agora foi de 31,82%. Uma queda de 0,07%.

Se Passos poderia ter feito melhor? Claro que sim.
Se Passos está morto? Manuela Ferreira Leite e os seus companheiros de caminhada bem gostariam, mas a morte de Passos foi, mais uma vez, prematuramente anunciada.

O Grande Derrotado

jeronimo-de-sousa

Perde as Câmaras de:

  1. Almada (!)
  2. Alandroal
  3. Alcochete
  4. Barrancos
  5. Barreiro
  6. Beja
  7. Castro Verde
  8. Constância
  9. Moura
  10. Peniche

Caríssimo Jerónimo,
Num governo de coligação, o partido pequeno tende a perder para o grande, pois as populações preferem sempre o original à cópia. Se o PCP se vendeu ao poder e assume as políticas hoje colocadas em prática pelo Partido Socialista, então para quê votar PC?
Mereceu. E ficará para a história como o Secretário Geral que entregou mais câmaras ao centrão.
Durma bem.

Pela minha parte fico satisfeito: sempre é uma viragem à direita e, se outras câmaras no Alentejo são algum indicador, este é o 1º passo para virem a votar PSD dentro de alguns ciclos eleitorais. Já era tempo de o PC perder força nas autarquias. Finalmente!

Adolfo Mesquita Nunes

Covilha2013

Para que possam acompanhar a evolução da votação este ano na Covilhã, aqui ficam os resultados de 2013.

Acima de 10% será um bom resultado. Veremos como vai acabar a noite =)

O que esperavam?

Principais sondagens das Autárquicas:

  1. Lisboa – PS
  2. Porto – Independente aliado com o PS até ao inicio da campanha
  3. Matosinhos – PS
  4. Coimbra – PS
  5. Sintra – PS
  6. Odivelas – PS
  7. Oeiras – Independente

Falta desmontar a lógica do despesismo neste país.
Enquanto a lógica da despesa não for desfeita, estamos condenados a isto.

Universidade Católica Portuguesa: os primeiros 50 anos

Por estes dias – e por ocasião dos 50 anos da UCP – ocorre-me que é um verdadeiro privilégio poder trabalhar quotidianamente para contribuir, na medida das minhas modestas possibilidades, para o importante projecto nacional que é a Universidade Católica Portuguesa. Um projecto cuja importância é directamente proporcional à autonomia e independência que a UCP tem globalmente conseguido manter num contexto tão desafiante como o português.

Álvaro Almeida, obviamente

Que tenha memória, das poucas vezes que votei, só uma votei pela positiva e já lá vão 26 anos. O meu voto é sempre essencialmente “contra”, nada do que me propõem há mais de 30 anos merece a minha aprovação, sou regularmente impedido de votar a favor seja do que for, se votar é contra. Há quatro anos já nem me lembro se votei ou não, mas se o fiz votei seguramente no Rui Moreira. Qualquer coisa me servia excepto a tralha socrática-trotskista ou o despautério menezista. Já há muitos anos em Gaia votei na Ilda Figueiredo pela mesma razão, porque o resto era inenarrável, votei contra esse resto com uma convicção inabalável que ainda hoje continua igual.

Seja como for não me lembro de me sentir tão traído nestas merdas como quando vi o actual Presidente da CMP entrega-la direitinha nas mãos dos lunáticos de parto socrático. Às tantas não percebeu porque foi eleito. Eu explico-lhe: foi eleito porque não era o Menezes nem o PS socrático. Só por isso, até o Emplastro lhes tinha ganho. Dito isto, estava convencido que desta vez não ia votar, as opções que tenho são um pavão vaidoso sem ponta por onde se lhe pegue, uma chusma de lunáticos e um grupo de inábeis que devem ter dificuldade em atar os atacadores e mascar pastilha elástica ao mesmo tempo. Não discuto sequer que o grupo do actual Presidente seja o mais sério no meio disto, mas tenho dificuldade em aturar inúteis vaidosos com confidence issues e falta de resiliência. Se não sabe, repito, eu explico: quem se mete com putos sai mijado. O que está a acontecer é o resultado de se ter metido na cama com as MILFs do PS. Agora é tarde para abortar, aguente-se. Não sei se já repararam mas passou um mandato inteiro com boa imprensa que de um momento para o outro lhe tirou o tapete. Bastou romper com a associação de malfeitores a quem se aliou há quatro anos.

Vou votar e vou votar convicto. Vou votar no Álvaro Almeida que do que sei é decente, não é um inútil, não é o Rui Moreira, nem faz parte do gang socrático-trotskista. Por muito que o PSD local seja um antro mal frequentado.

 

Nota: há pouco mais de uma semana tinha decidido não votar. Quando a primeira sondagem do CESOP deu um empate técnico entre Moreira e Manuel Pizarro (de quem tenho boa ideia como pessoa) pensei: “Bem, lá tenho que ir votar no Rui Moreira” (contra os lunáticos do PS e a Quinta Coluna trotskista). Após esta segunda sondagem e a reacção do dito, ai vou votar vou. Mas não voto em gente que revela esta falta de carácter e resiliência. É nos apertos e quando a corrente é contra, que se vê quem os tem no sítio. De frouxos e mimados já estamos bem servidos. Um voto no Álvaro Almeida, sei-o bem, é um voto contra a chusma de imbecis que nos pastoreiam, a mim chega-me. E também sei que o meu voto não interessa para nada, que se lixe.

Álvaro Almeida

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Álvaro Almeida tem obra feita, mas não da obra que interessa. Não fez rotundas, não repavimentou três vezes a mesma avenida, não andou a virar frangos em comícios vários, não surge com frequência na televisão a repetir lugares-comuns e banalidades que tais, não tem processos dúbios com a justiça, não tem um círculo de amigos que vai do eixo Bairro Alto-Príncipe Real, não tem antecedentes em jotas. Não prometeu, entre canapés, alterações ao PDM para satisfazer um qualquer construtor.

Em suma, um péssimo candidato sem capital político — pelo menos a fazer fé no comentariado habitual que pulula nos media, emitido antes e depois de comentarem o desaire do Benfica na Basileia. Álvaro Almeida é professor universitário com créditos firmados e vasto currículo, foi alto quadro no FMI, Presidente da Administração Regional de Saúde do Norte, Presidente da Entidade Reguladora da Saúde. Uma vida dedicada ao serviço público, não se servindo, porém, da cousa pública. Confirmam-se, portanto, os clamores dos comentadores da bola, perdão, de política.

Isto não faz de Álvaro Almeida aquele personagem amplamente conhecido, popular, que faz passeatas grandiosas por Lisboa e se publicita. É, aliás, um enorme choque com o historial autárquico de Portugal — muito pródigo e disponível para reeleger autarcas condenados ou em vias de. Mas faz de Álvaro Almeida o melhor candidato à Câmara Municipal do Porto, ou de qualquer Câmara. Talvez não desta época, talvez não deste país, mas o melhor.

Declaração de interessestenho um enorme apreço e consideração por Álvaro Almeida por circunstâncias várias, mas especialmente porque foi meu professor e meu co-orientador de doutoramento. Mas nada disto influencia a minha posição, apenas a corrobora.

Declaração de voto

A minha declaração de voto em Lisboa, com uma pequena confissão de que me arrependo amargamente. A minha crónica no i.

Declaração de voto

Por motivos de transparência, é importante que quem faz comentário político declare o sentido do seu voto. Ora, em Lisboa não é fácil escolher em quem votar nestas autárquicas. Não voto Medina porque, além de um voto no PS ser entendido como uma legitimação política de António Costa, Fernando Medina exerceu um mandato para o qual não foi eleito, com um projeto pensado para ganhar as eleições seguintes.

Por razões éticas e morais não posso votar no PCP nem no Bloco. Votei uma vez no PCP para a junta de freguesia, decisão de que ainda hoje me envergonho: milhões de pessoas sofreram com o comunismo e eu, para ter passeios limpos, traí-as. Nunca me perdoarei, mas uma coisa é certa: jamais repetirei o erro.

Resta o CDS e o PSD. Desde o princípio que desejei que os dois concorressem juntos a Lisboa, num quadro de antecipação das legislativas. A situação financeira do país, as reformas do Estado, que antes eram inadiáveis e hoje estão esquecidas, assim o exigiam. Infelizmente, não foi isso que aconteceu.

Além de me parecer que Lisboa nada ganha com a eleição de mais um líder partidário com outras ambições que não as de vereador ou presidente de câmara, estas eleições terão, inevitavelmente, uma leitura nacional. Ora, e por muitas falhas que Passos Coelho tenha, um erro não cometeu, que foi o de ter embarcado na euforia que o país vive. Gosto de pessoas sóbrias, resilientes, qualidades ainda mais indispensáveis na política. A sua saída de cena daria luz verde ao desnorte emocional que anda por aí. Assim sendo, votarei no que sobra.

José Soeiro, indocumentado crónico

O indocumentado a indocumentar. A foto é de Paulete Matos, propriedade do Esquerda.net.

Bela resposta de Javier Martin, correspondente do El País, à ignorância e má-fé do bloquista sobre a Catalunha.

“ A rejeição e a anulação do estatuto de autonomia da Catalunha, aprovado pelo povo catalão e negociado com Madrid em 2006, foi um poderoso carburante para o sentimento nacionalista ”

Falso. O Estatuto de Autonomia está vigente, não foi anulado. O Tribunal Constitucional anulou alguns artigos que iam contra a Constituição, como acontece em Portugal ou em qualquer país com uma Constituição. Ao contrário, foi a maioria do Parlamento de Catalunha que nos dias 6 e 8 de setembro aprovou leis contra o seu próprio Estatuto.

“ Até ver, o seu gesto autoritário [do governo do PP], que na prática impõe um estado de exceção e suspende direitos fundamentais como a liberdade de expressão e o direito de reunião na Catalunha, só pode atiçar ainda mais o incêndio.”

Pergunto, está o senhor Soeiro em Barcelona ou lê as notícias na internet? Tenho todas as dúvidas. Se o senhor Soeiro for a Barcelona poderá acampar e dormir nos jardins públicos, frente ao Ministério das Finanças ou dos Tribunais de Justiça; também poderá ler jornais independentistas, ouvir rádios independentistas e ver televisões independentistas; e também poderá levar cartazes para dizer qualquer borrada, pode também fazer chichi dentro dos carros da Guardia Civil, como fizeram os manifestantes, e nada aconteceu. Nem uma detenção.

“… o governo de Madrid lançou uma vaga de repressão política, com aintimidação de altos funcionários catalães (acusados dos crimes de desobediência, prevaricação e desvio de fundos, por estarem a organizar um referendo “não autorizado”), a interdição da atividade pública de líderes eleitos e, agora, a apreensão de mais de 10 milhões de boletins de voto, o confisco das urnas e a prisão de altos dirigentes.”

Falso, não foi o Governo, foi um juiz (catalão, aliás). (…)

Não é um tema de votar, como bem sabe o senhor Soeiro. Votam muito em Cuba e em Venezuela. O voto não é garante de democracia e a votação do referendo do dia 1 não é uma votação nem democrática, nem livre, nem legal. (…)

“Política orçamental: eficácia, sustentabilidade, equidade e controle democrático” – 26 de Setembro

No próximo dia 26 Setembro, a partir das 14:00, terá lugar na Nova School of Business and Economics a conferência “Política orçamental: eficácia, sustentabilidade, equidade e controle democrático”, na qual serão apresentados alguns resultados intermédios da investigação levada a cabo no âmbito do projecto “Orçamento, economia e democracia: uma proposta de arquitectura institucional”, coordenado pelo Professor Abel Mateus e em cuja equipa tenho tido o prazer de participar. Por me encontrar em Londres nesse dia devido a obrigações na St. Mary’s University, a apresentação da parte do projecto na qual trabalhei mais directamente estará a cargo da investigadora Catarina Leão, que colaborou comigo na sua elaboração.

Os restantes oradores da conferência serão Abel Mateus, Pedro Magalhães, José Tavares, Francesco Franco, Rita Calçada Pires, com comentários a cargo de Carlos Farinha Rodrigues, Orlando Caliço, Ricardo Reis, Teodora Cardoso, João Borges de Assunção e Rui Lanceiro.

A entrada é livre mas sujeita a inscrição. Mais informações aqui.

A patranha de António Costa

A minha crónica hoje no i.

A patranha de António Costa

A crónica de hoje tem demasiados números. É chato, mas seria importante que o leitor perdesse algum tempo com ela porque, no fim de contas, é quem vai pagar a conta. Algo de que pode não gostar, mas que não pode mudar. E o que tem sido difícil mudar em Portugal é a trajectória da dívida pública. Vejamos bem: em 2011, o ano de intervenção da troika, a dívida pública era de 183,3 mil milhões de euros, 107,2% do PIB, mais 22 mil milhões que em 2010. Em 2012 atingiu o valor de 203,4 mil milhões de euros, uma subida de 20 mil milhões, representando 122,5% do PIB. Foi com enorme esforço que subiu “apenas” para 213 mil milhões em 2013, ou seja, uns meros 10 mil milhões de euros. Em 2014 chegou aos 224 mil milhões, 128,7% do PIB, subindo em 2015 “apenas” 7 mil milhões, para os 231 mil milhões de euros.

Depois veio a geringonça: 241 mil milhões em 2016 (subida de 10 mil milhões) e 249 mil milhões em Julho de 2017 (mais 8 mil milhões em seis meses). Dizem-nos: mas o défice desceu. Certo. Mas desceu o défice face ao PIB, que subiu. O aumento da dívida pública é tão grave que, mesmo com o crescimento económico de 2017 – o maior do século, e o pior da Europa quando comparado o segundo com o primeiro trimestre deste ano –, a dívida pública em percentagem do PIB traduziu-se, em 2016, num rácio de mais de 130%.

António Costa veio agora, durante a campanha eleitoral, dizer que a partir de outubro, depois das eleições, o governo vai reduzir a dívida pública. Como, não diz. E não diz porque a redução a que se refere é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do seu montante absoluto, que continuará a subir. Ou seja, não será a dívida que diminui, mas o PIB que cresce. O que significa que, apesar de tudo, vamos dever mais, que cada vez mais viveremos o hoje com o que vamos ganhar amanhã.

A ideia de Costa é que o PIB cresça a qualquer custo, fazendo de conta que está tudo bem. Mas quando a economia tropeçar devido a uma calamidade natural, a uma guerra, a uma recessão num país próximo de Portugal, ou até porque quem compra a nossa dívida ache que é demais, o crescimento abranda, a recessão instala-se, mas a dívida pública lá continua. Já não serão 250 mil milhões de euros, mas 260, 270, e com a queda, nessa altura inevitável, do PIB, não 130%, mas 140% ou 150%. António Costa anda contente, mas as causas da sua alegria são o esforço que todos fizemos e que não deveríamos permitir que alguém pudesse desbaratar para mero prestígio pessoal. O nosso amor-próprio devia reclamar que exigíssemos mais. Porque quem vai pagar isto é o leitor, não eles.

 

Direitos dos animais

Cabras aguardam, com alguma impaciência, pelos donos antes de entrarem no restaurante.

Proponho que os animais sejam obrigatórios nas cozinhas e casas de banho dos restaurantes frequentados pelas criaturas do PAN.

Um caso curioso

Bagão Félix apoia Medina, mas está nas listas… do CDS

António Bagão Félix, antigo ministro das Finanças em governos do PSD e do CDS, aceitou o convite de Fernando Medina para fazer parte da Comissão de Honra da sua recandidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas também aceitou o convite para integrar a lista do CDS-PP à Junta de Freguesia das Avenidas Novas.

O livro de Hillary na Amazon

No Telegraph: Amazon appears to delete over 900 reviews of Hillary Clinton’s book.

No Qz: Amazon just deleted over 900 reviews of Hillary Clinton’s new book.

No Youtube: Hillary Clinton’s Book Sucks So Bad Amazon Has to Manipulate Reviews.

Na Amazon: Link para o livro (aproveitem -parece ser bom, só tem 5 Estrelas…).

What Happened

III Fórum Economia Social – 20 de Setembro, no Porto

No próximo dia 20 de Setembro serei um dos oradores (com Nuno Ornelas Martins e José António Pereirinha) no painel da manhã do III Fórum Economia Social, que terá lugar no Campus da Foz da Universidade Católica, no Porto. Mais informações e inscrições aqui.

Pela desmercadorização de Boaventura Sousa Santos e do Islamismo

O Professor Doutor Boaventura Sousa Santos, académico de renome internacional, anunciado nas tv’s e na grande maioria da acéfala imprensa portuguesa, gere como poucos o seu quintal, também conhecido como Centro de Estudos Sociais. Autor e patrono de  muitos  disparates, o Homem que sonha desmercadorizar o Universo, sabe-se agora que lucra com os inesgotáveis fundos provenientes da Comissão Europeia especialmente dedicados a projectos ímpares como o Islamic Human Rights Commission.

Se é conhecido o apelo do distinto académico a correntes de pensamento e acção que visam, a título meramente exemplificativo, a destruição física de Israel e do Ocidente tal como foi construído e joga todo o seu prestígio na defesa de uma coisa islâmica intitulada  Islamic Human Rights Commission (com sede no Reino Unido, local propício a infelizes incidentes), ainda consigo ser apanhado de surpresa quando é o Centro de Estudos Sociais a não desmercadorizar-se do vil metal, proveniente da ultra-liberal Comissão Europeia.
Perdoem-me a blasfémia mas por Alá, nem o Professor Doutor Boaventura Sousa Santos nem o Centro de Estudos Sociais parecem conseguir erradicar as necessidades e a ânsia de uma acumulação infinita de riqueza, obtida a qualquer preço, parecendo que se esqueceram de aplicar a si mesmos o que defendem para os outros. Em síntese, a Pacha Mama, não fica bem tratada mas o Islamismo fica bem servido. No final das contas e como bem sabe o Boaventura Sousa Santos, tudo se compra e vende.

O que é que o PS pensa da nova União Europeia?

Hoje mesmo Jean-Claude Juncker defendeu que a União Europeia deve passar a ter um ministro europeu das finanças. Acrescentou, ainda, que a UE precisa “de um ministro europeu da Economia e Finanças, alguém que acompanhe as reformas estruturais nos nossos Estados-membros.”

O que Juncker disse hoje no Parlamento Europeu não está longe do que Emmnauel macron tem defendido para a Europa e que referi neste meu artigo no Jornal Económico saído no passado dia 2 de Junho. Macron quer um orçamento comunitário para a zona euro direccionado ao investimento estratégico. Um orçamento que implica, necessariamente, um ministro das finanças europeu que tutele todos os demais ministros das finanças. Este orçamento servirá também para apoiar os países que se encontrem numa situação de emergência financeira, como sucedeu com Portugal. A moeda de troca, ou seja, a condição para que um país da zona euro beneficie dessa ajuda e beneficie dos referidos investimentos estratégicos é a apresentação de reformas estruturais: no Estado e na economia, nomeadamente na lei laboral.

A pergunta que então coloquei nesse meu artigo, volto a repetir agora: Como é que o PS, o PCP e o BE vão lidar com este projecto europeu? Considerarão que um orçamento europeu e um ministro das Finanças da zona euro ferem a soberania nacional, ou aceitam os fundos daí provenientes em troca de reformas, como a liberalização do Código Laboral que sempre recusaram?

Guerra às crianças

O meu texto de ontem no Observador.

‘Eu sei, eu sei: os milhões doados para alívio das vítimas de Pedrógão, de que o PS apressadamente se apoderou para distribuir como se fosse a generosa origem do dinheiro, estão em parte incerta; o relatório sobre Pedrógão foi atrasado para depois das eleições autárquicas, que o PS não brinca em serviço nem deixa que 66 mortos lhe atrapalhem pretensões eleitorais; a ministra da Administração Interna pede relatórios atrás de relatórios sobre o que corre mal – no caso, as refeições próprias de alturas de más colheitas na África subsaariana dadas aos bombeiros – como se não lhe coubesse antecipadamente garantir que uma ou outra coisa, pelo menos, corresse bem. E um quilométrico etc.

Mas deixem-me voltar ao caso dos cadernos de atividades que foram retirados por coação do ministro Eduardo-‘frígida’-Cabrita e a sua Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Porque, com a recomendação da CIG, iniciou-se a tentativa de institucionalização daquilo que as crianças do sexo feminino não podem fazer.

Em 1917 as meninas tinham de ser prendadas, não podiam correr como os rapazes nem subir às árvores, tinham de saber bordar e tocar piano, usavam roupas que lhes tolhiam os movimentos, desporto só, com sorte, ténis. Em 2017, as meninas não podem vestir cor de rosa (atenção, um menino transgénero pode vestir cor de rosa para se afirmar menina, mas as miúdas têm de escolher azul ou uma cor neutra), as princesas foram guilhotinadas e joguem futebol feminino faz favor.

Os espartilhos colocados às meninas mudam mas permanecem afiados. Jamais deixar a meninada escolher cores e atividades e brinquedos, com toda a liberdade conforme os gostos, desde o karaté à ginástica rítmica. Melhor negar o direito às miúdas de usufruírem de qualquer divertimento associado ao universo feminino. (Horror! Repitam mantras satânicos para vos proteger desse pavor que são TODOS os comportamentos femininos.)’

O resto está aqui.

Aos verdadeiros empresários (2)

As revelações sobre as viagens pagas pela Microsoft a autarcas portugueses (bem como as de outras empresas a diversos políticos com excelentes, e sempre produtivas, relações com ‘empresários’) obrigam-me a trazer de volta o meu artigo no Jornal Económico de 4 de Agosto último.

Aos verdadeiros empresários.

PSD e CDS devem fundir-se num novo partido

A minha crónica no i.

PSD e CDS devem fundir-se num novo partido

Ana Sá Lopes noticiou há dias no i que António Costa gostaria de manter a Geringonça, mesmo que o PS conquiste a maioria absoluta. A informação confunde, os pactos de regime de Costa com o PSD seriam afinal para inglês ver, mas percebe-se: Costa prefere acordos com os deputados do PCP e do BE, com quem se entende, a depender apenas dos do PS, muitos dos quais, devido às devisões internas no partido, não controla.

Mas a ilação mais importante a tirar desta novidade é para a direita. PSD e CDS. Com a Geringonça estes dois partidos apenas regressam ao poder se a dívida pública rebentar com o Estado. E até isso é discutível porque o discurso da vitimização à esquerda pode ser empolado para que, eleitoralmente, 2011 não se repita. Vencer a histeria não será fácil.

E só se repete se PSD e CDS se juntarem. Já desde Outubro de 2015 tenho tido a oportunidade de o defender, primeiro no Diário, depois no Jornal Económico que lhe sucedeu, que estes dois partidos se deveriam juntar num só. A vantagem não seria apenas a mera soma de votos que, como se viu em 2015 pode não chegar para vencer a Geringonça, mas porque a junção dos dois num possibilita a capacidade destes apresentarem um programa verdadeiramente reformador, que apresente soluções para a reforma o Estado, que reduza a dívida pública (e privada) que se tem acumulado, e crie condições para que a economia se desenvolva sem os condicionalismos impostos pelo Estado e a sua dívida. O equilíbrio de forças mudou e é pena que PSD e CDS ainda não tenham agido em conformidade.

A warm welcome to Ambassador Glass

Ambassador Glass – Video de Apresentação

Lá como cá

Um presidente, e Marcelo

Mais uma crítica ao professor Marcelo. Desta vez, vinda de Emmanuel Macron, na entrevista que concedeu à Le Point, e que saiu ontem, já depois da referência de Cavaco à “verborreia frenética”. Em terras francesas, o sentido de Estado tem outro sentido.

RBI em análise

Artigo no Jornal Económico sobre o RBI, para o qual contribuí com alguns comentários: Trabalho: E se todos tivéssemos um rendimento básico?

Viciados em proibir

O meu texto desta semana no Observador.

‘Sabem quem deu indicação à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) que ‘recomendou’ (pois) retirada dos cadernos da Porto Editora? O ministro da tutela, Eduardo Cabrita. O deputado socialista que em 2013, para fins políticos, chamou ‘frígida’ a Maria Luís Albuquerque. Cabrita é, além de malcriado e censor, um protozoário machista que não sabe debater política envolvendo uma mulher sem ir buscar ataques sexuais. Donde, para António Costa e PS, é o ministro ideal para tutelar a promoção da igualdade de género.

Mas cheguemos ao caso em concreto. Simples: as editoras publicam os livros que entendem, respaldadas no conhecimento de mercado, e os consumidores compram ou não. Umas publicam livros para meninas e/ou para meninos, outras para ambos, ilustrações ao gosto do freguês. Quem incentiva as filhas a gostar de princesas e os filhos de piratas, compra(va) os da Porto Editora. Quem apreciava mais outras temáticas, ou é um indefetível dos produtos unissexo, compra para outros lados.

E o estado não tem que vigiar o bem-estar das criancinhas? Tem, claro. Tem que assegurar que os pais alimentam devidamente a criançada, cumprem a escolaridade obrigatória, dão cuidados médicos, não os espancam nem os torturam psicologicamente, não os violam nem deixam violar por outros. E cuidados semelhantes. O estado também deve certificar manuais escolares que promovam a igualdade de direitos e oportunidades entre os sexos. Fora desta esfera, e nos livros não obrigatórios, é desandar.

Mas desmascarada a mentira ‘os exercícios são mais fáceis para as meninas’, há razões incontornáveis para o marialva Cabrita e a CIG banirem dois livros? Há, porque para a CIG tudo o que tenha vagamente a ver com o universo feminino merece esgares de desprezo e é para proibir. De resto, qualquer pessoa com neurónios mirrados percebe que a forma das famílias estupidificarem as filhas é comprar-lhes cadernos para estimularem as capacidades cognitivas.’

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