Carrega Portugal II


Conhecem a dívida acumulada pela instituição que preside a pessoa que está entre o Ministro das Finanças e o Primeiro Ministro da República da Portugalândia? 

Sabem que a CGD e o Novo Banco são dois importantes credores desta instituição? Mesmo que não o saibam, conhecerão  certamente as perdas e prejuízos destas duas instituições bancárias e as recapitalizações a que foram ou vão ser sujeitas , de largos milhares de milhões de Euros. 

Sabem que existem “garantias” dadas pelo fundo de Resolução ao comprador do Novo Banco, a Lone Star (ver post Carrega Portugal),  que caso certos créditos malparados não sejam pagos, os contribuintes (o Fundo de Resolução para ser mais preciso) entram com massa? E se a instituição que preside o senhor que está entre o MoF e o PM da República da Portugalândia não pagar, lá vão os contribuintes contribuir para o perdão da dívida,  sejam eles adeptos do Sporting, do FCP, do Guimarães ou do Arouca…

No Europeu Pedro Passos Coelho sentou-se no meio da bancada no Estádio de Paris , enquanto o Sec. Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, e outros, iam a convite da Galp.

A separação entre politica e futebol é higiénica e saudável , em especial quando os conflitos de interesses são enormes, e as tentações dos milhões  (que se podem perdoar à custa do contribuinte) são ainda maiores .
#CarregaPortugal

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Estrela Serrano, como seria de esperar

Recorde-se que Estrela Serrano, doutorada em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação pelo ISCTE, foi também membro da ERC: Membro do Conselho de Opinião da RTP diz que agressões a jornalista “seriam de esperar”

Estrela Serrano, membro do Conselho de Opinião da RTP, sugeriu nesta sexta-feira no seu blogue Vai e Vem que a equipa de jornalistas da RTP agredida junto a uma escola em Chelas, Lisboa, não se deveria ter deslocado ao local para fazer a cobertura jornalística de uma eventual violação de um aluno de 12 anos a um outro de nove anos. Conclui mesmo que “como seria de esperar [a equipa] acabou agredida”.

Uma Europa a duas velocidades

Uma Europa a duas velocidades é importante para a Europa e bom para Portugal. Com o Brexit, e ficando Portugal para trás na integração europeia, permitiria ainda uma aproximação ao nosso aliado tradicional, que é a Inglaterra. O meu artigo no Jornal Económico.

Uma Europa a duas velocidades

Foi no fim do mandato, numa cimeira em Versalhes, que François Hollande decidiu ser presidente da França. No dia 6 deste mês, Hollande recebeu os líderes da Alemanha, Itália e Espanha e disse-lhes que, ou a Europa corre a duas velocidades ou explode. As simple as that. Aquele presidente socialista que, em nome dos fracos, ia fazer frente a Merkel, acabou por afirmar, ao lado da chanceler alemã, o que ela nunca ousou dizer.

E fez bem, há que o reconhecer. Tivesse Hollande sido nos últimos cinco anos o que foi naquela segunda-feira, em Versalhes, e as nossas vidas seriam diferentes para melhor. Como é que um português pode dizer uma coisa destas? Como é que um português pode aceitar uma Europa a duas velocidades sabendo que, à partida, Portugal não estará no pelotão da frente? A resposta é simples e passa por uma pergunta.

 Preferimos uma Europa a duas velocidades, em que os países mais fortes se unam e se protejam, ou uma Europa desunida e em conflito permanente? Quem olhe para a História do nosso continente não terá dúvidas que a primeira opção é a preferível. E quem dê atenção ao que está a acontecer nos últimos anos na Europa reconhece que a união forçada dos diferentes países é uma das causas para a tensão permanente e para o conflito entre as nações europeias.

Em destaque está o euro. A união monetária, quando foi pensada, devia incluir os países europeus em condições de suportar uma moeda forte. Foi por isso que se estabeleceram limites ao endividamento público e aos défices orçamentais. Por muito que nos custe admitir, sabemos hoje que Portugal não devia ter aderido à moeda única europeia. Na altura, a classe política apresentou a adesão como um feito, mas é essa mesma classe política que hoje, porque o euro lhe tira margem para governar sem escrutínio, que em surdina o lamenta, culpando-se não a si por ter falhado, mas à Alemanha por ter sido exigente.

Sabemos que tanto a imigração como as questões da defesa e da segurança se resolvem, num mundo globalizado, com união e acordos entre os países. Ora, tal só é possível se as ainda potências europeias tiverem margem para o fazer. O que só terão se os países periféricos, e dependentes da solidariedade dos europeus, os deixarem deixando-se de lamentar e de travar qualquer passo mais que outros entendam como crucial.

Fala-se em reformar a UE e, em Portugal, ouvimos dizer que é preciso corrigir erros. Ora, um dos erros foi o excessivo alargamento do projecto europeu porque era politicamente incorrecto uma Europa a duas velocidades. Já não é. Já não pode ser. A Europa precisa de um rumo para enfrentar a Rússia, a Turquia, a China e o mundo árabe. Para tal, França e Alemanha, e outros, devem entender-se. Para nosso bem.

Merde d’socialiste

Um governo socialista procede assim: pega em duas coisas; uma saudável e em bom estado; outra feita num oito sem ponta por onde se lhe pegue; juntas as duas e fica com duas coisas feitas num oito sem ponta por onde se lhe pegue. É o que se está a armar com a Santa Casa e o Montepio. Junta-se um balde de água e um balde de merda seca, fica-se com dois baldes de merda húmida.

O défice mais baixo… em democracia

Quero aqui complementar o post do CGP, onde ele escreveu:

«Em quarenta anos de democracia, esta deve ser a primeira vez que há um consenso em relação aos méritos de ter contas públicas equilibradas».

Esse consenso limita-se, claro, aos partidos do “arco da governação” (PS, PSD e CDS) em períodos de dificuldades orçamentais e sob pressão de compromissos externos (credores ou acordos internacionais). Caso contrário, nem pio sobre o défice. Por qualquer um deles!

Porém, no PS, este discurso de rigor orçamental só é feito enquanto está no Governo. E, como diz CGP, há que lembrar-lhes do que agora defendem quando mudar o ciclo político. É que já o esqueceram no passado recente. Relembro não só os PEC (1, 2, 3 e 4) e o Memorando de Entendimento que PS negociou com “troika” mas também, esta frase incluída na moção de estratégia política do PS em 2011, então coordenada por António Costa e aprovada no XVII Congresso do partido:

[A consolidação orçamental] é um esforço que tem de ser feito para garantir o nosso empenhamento na criação de condições de financiamento da economia portuguesa, indispensável à actividade económica.

Agora que PS voltou à cadeira do poder executivo não é de admirar que haja novo “empenhamento” em atingir metas orçamentais definidas em Tratados Europeus. Têm, contudo, um grande problema: apesar do continuado apoio parlamentar pelos partidos da extrema-esquerda (a dita “Geringonça”), estes – principalmente BE e PCP – clamam por maiores défices:

Durante as suas interpelações ao ministro das Finanças, Bloco de Esquerda e Partido Comunista mostraram o seu desagrado com o valor de défice anunciado pelo ministro das Finanças, argumentando que existia margem para mais medidas de reposição de rendimentos.

Não fossem as pressões da União Europeia e/ou PS estivesse na oposição, certamente o discurso político de António Costa e seus acólitos estaria mais de acordo com bloquistas e comunistas. Aliás, foi assim que ganhou o apoio destes a seguir às eleições legislativas de 2015.

Com a necessidade de continuar a descida do défice (em 2017 esperam voltar a ter o «défice mais baixo de sempre em democracia»), o descontentamento dentro da “Geringonça” tenderá a agravar-se. A “bengala” de António Costa tem sido – e será cada vez mais – desviar culpas para Comissão Europeia, Eurogrupo, Banco Central Europeu, credores internacionais, conjuntura económica, sistema bancário, etc. Deste modo, conseguiu manter BE e PCP como… “cordeiros em pele de lobo”. A ver se continuam assim.

Sobre a cegueira

Fechamos os olhos e perdemos. O meu artigo no ‘i’.

Gostamos de nos enganar

Numa entrevista a um jornal alemão, o presidente do Eurogrupo, o socialista Jeroen Dijsselbloem disse: “Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o pacto no seio da zona euro baseia-se na confiança.

Na crise do euro, os países do norte mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu”.

Em Portugal foi a indignação geral porque, bem aproveitadas, as palavras de Dijsselbloem são um pretexto para o descredibilizar. Não demitir, pois a derrota do Partido do Trabalho a que pertence o afastará do futuro governo holandês e, por consequência, do Eurogrupo. Descredibilizar Dijsselbloem é, pois, ridicularizar qualquer outro que exija responsabilidade fiscal.

Portugal está no euro, mas sem assumir responsabilidades. É triste reconhecê-lo, mas é assim e a nossa classe política, desejosa para livremente comprar votos com o nosso dinheiro, não dá o exemplo. Sejamos sinceros por um momento: foi por mero egoísmo que o país falhou o desafio do euro. Quis viver melhor, mas sem o esforço que essa melhoria implicava. O falhanço foi nosso. Podemos bater à vontade em Dijsselbloem, que até estudou numa escola católica, mas o maior cego não deixa de ser aquele que não quer ver.

Incursão da Ordem dos Médicos pela misoginia

O meu texto de ontem no Observador.

‘Tinha pensado esta semana escrever sobre a reação pacóvia de António Costa (perdoem a redundância de ‘pacóvia’ e ‘António Costa’) às declarações do senhor dos caracóis holandês. Mesmo sabendo que Costa não tem um vocabulário numeroso, ainda assim revirei os olhos pelas suas queixas de ‘sexismo’ e ‘racismo’ de Dijsselbloem. Foi o que se lembrou o pobre PM, não soube melhor que inventar para os portugueses uma raça diferenciada e supostamente menor que a raça holandesa. Ou ir para o politicamente correto infantil de afirmar que é um insulto as mulheres serem destinatárias de despesas masculinas – como se alguém, homem ou mulher, gostasse de um significant other sovina, gastando tudo consigo em vez de com as pessoas importantes da sua vida (mulheres lá no meio).

Mas adiante, que vi esta reportagem no fim de semana, sobre a alteração legislativa que permitiu aos pais assistirem às cesarianas nos hospitais públicos, bem como a recente oposição da Ordem dos Médicos. Resolvi, então, concentrar-me num efetivo ataque da Ordem dos Médicos às mulheres, em vez de nos sexismos inventados por Costa e tola esquerda nacional.

Tenho dois filhos e ambos nasceram de cesariana. O primeiro porque não fiz dilatação e o segundo porque passei os últimos dias de gravidez em repouso absoluto, às tantas rompeu-se o saco amniótico e a cesariana, que já havia sido recomendada, foi adiantada. Não tive desgostos pelas cesarianas, confesso. Foram partos cómodos, estive medicada para as dores, tive pós-partos fantásticos e, de resto, escapei de fazer uma episiotomia – que era o que mais me horrorizava em todo o processo. Ainda tentei convencei o médico de que não era precisa, umas semanas antes do parto, mas sem sucesso. Lá está: os médicos não ligam às necessidades e preferências das mães. Somos, evidentemente, umas histéricas (mesmo quando muito lidas e informadas sobre o assunto, como foi o meu caso) e os senhores doutores sabem sempre o que é melhor.

Chegando ao parto por cesariana. Leio que os anestesistas torcem o nariz à presença dos pais no bloco operatório aquando das cesarianas. Ora nas minhas duas cesarianas o pai da criançada claro que esteve presente. No primeiro, na Cruz Vermelha em Lisboa, o anestesista estava tão agoniado e assustado com os perigos desta intrusão que até filmou partes do parto e, no fim, nos ofereceu um cd com os melhores momentos do evento. Não faço ideia já do nome do médico, mas tem em mim uma fã adoradora até ao fim dos tempos. No segundo, noutro privado, não houve filme mas houve a presença do pai. Num país que, no fundo, da direita à esquerda, aprecia muitos os marcadores de diferenciação social, parece que minorar os desconfortos de um parto só deve estar reservado para quem tem dinheiro para pagar hospitais privados ou seguros de saúde – diz a Ordem dos Médicos.’

O resto está aqui.

Alianças que não se desfazem

I have an anouncement to make to the House arising out of the Treaty signed between this country and Portugal in the year 1373 between His Majesty King Edward III and King Ferdinand and Queen Eleanor of Portugal. This Treaty was reinforced in various forms by Treaties of 1386, 1643, 1654, 1660, 1661, 1703 and 1815 and in a secret declaration of 1899. In more modern times, the validity of the old Treaties was recognised in the Treaties of Arbitration concluded with Portugal in 1904 and 1914. Article I of the Treaty of 1373 runs as follows: “In the first place we settle and covenant that there shall be from this day forward … true, faithful, constant, mutual and perpetual friendships, unions, alliances and needs of sincere affection and that as true and faithful friends we shall henceforth, reciprocally, be friends to friends and enemies to enemies, and shall assist, maintain and uphold each other mutually, by sea and by land, against all men that may live or die.” This engagement has lasted now for over 600 years and is without parallel in world history. I have now to announce its latest application. At the outset of the war the Portuguese Government, in full agreement with His Majesty’s Government in the United Kingdom, adopted a policy of neutrality with a view to preventing the war spreading into the Iberian Peninsula. The Portuguese Government have repeatedly stated, most recently in Dr. Salazar’s speech of 27th April, that the above policy is in no way inconsistent with the Anglo-Portuguese Alliance which was re-affirmed by the Portuguese Government in the early days of the war.

His Majesty’s Government in the United Kingdom, basing themselves upon this ancient Alliance, have now requested the Portuguese Government to accord them certain facilities in the Azores which will enable better protection to be provided for merchant shipping in the Atlantic. The Portuguese Government have agreed to grant this request, and arrangements, which enter into force immediately, have been concluded between the two Governments regarding (1) the conditions governing the use of the above facilities by His Majesty’s Government in the United Kingdom and (2) British assistance in furnishing essential material and supplies to the Portuguese armed forces and the maintenance of the Portuguese national economy. The Agreement concerning the use of facilities in the Azores is of a temporary nature only, and in no way prejudices the maintenance of Portuguese sovereignty over Portuguese territory. All British Forces will be withdrawn from the Azores at the end of hostilities. Nothing in this Agreement affects the continued desire of the Portuguese Government, with which His Majesty’s Government have declared themselves in full sympathy, to continue their policy of neutrality on the European mainland and thus maintain a zone of peace in the Iberian Peninsula.

In the view of His Majesty’s Government, this Agreement should give new life and vigour to the Alliance which has so long existed between the United Kingdom and Portugal to their mutual advantage. It not only confirms and strengthens the political guarantees resulting from the Treaties of Alliance, but also affords a new proof of Anglo-Portuguese friendship and provides an additional guarantee for the development of this friendship in the future. On the conclusion of these negotiations my right hon. friend the Foreign Secretary, who has, I think, conducted them with the very greatest skill and patience, has exchanged most cordial messages with the Portuguese President of the Council. In his message, my right hon. friend affirmed his conviction that the facilites now granted by the Portuguese Government would greatly contribute to the effective defence of our shipping and thus prove an important factor in shortening the war. He added that the Agreement would give fresh vitality to the ancient Alliance and enhance the close and friendly relations which have so long subsisted between Portugal and Great Britain. In replying to this message, Dr. Salazar stated that he shared the hope that the facilities granted by Portugal to her Ally would help to bring about greater safety for shipping in the Atlantic and that he trusted that this new proof of Portugal’s loyalty to her traditions would fortify the secular Alliance and serve to draw still closer the bonds of friendship between the two peoples.

I take this opportunity of placing on record the appreciation by His Majesty’s Government, which I have no doubt is shared by Parliament and the British nation, of the attitude of the Portuguese Government, whose loyalty to their British Ally never wavered in the darkest hours of the war.

Churchill nos Commons, Outubro de 1943

Não faltarão em 2017, e daqui em diante, oportunidades para continuar a trilhar estes caminhos conjuntos. Godspeed!

Teoria da Conspiração 

Eu se fosse de teorias da conspiração esquerdolas (“direita dos interesses” e outros mimos do ataque pessoal) questionava porque raio os mesmos que travam o controlo parlamentar sobre a Caixa e aplaudem a sua transformação num banco privado de facto (infelizmente pagando nós a factura na mesma) são os mesmos que querem o Novo Banco público. 
Mas, enfim, sou só um fixola. 

Is Democracy Logic? – Dia 30 de Março na UCP

Na próxima Quinta-feira, dia 30 de Março, será tempo de recordar os contributos de Kenneth Arrow. Uma iniciativa conjunta da Católica Lisbon School of Business and Economics e do Instituto de Estudos Políticos, juntamente com os respectivos centros de investigação. Entrada livre.

Um pouco mais de pudor

Uma discussão interessante: Bloco pede a Rui Tavares “mais rigor na história”

Numa nota ao jornal Público, o Bloco assinala que não aceita que as suas posições “para as quais Miguel Portas contribuiu (neste caso, de forma decisiva) sejam publicamente falseadas”. “Pedimos apenas um pouco mais de rigor. E, já agora, de pudor”, lê-se na missiva.

Rácio de verborreia orçamental

ACREDITE SE QUISER: Rácio de verborreia

Orçamento de Estado português 2017

Despesa total 57 mil milhões de euros
Número total de páginas 270 (Lei 233 + Normas de Execução 37)

Orçamento do Reino Unido 2017

Despesa total 784 mil milhões de libras (900 mil milhões de euros)
Número total de páginas 68

Número de páginas por cada milhão de euros

Portugal 4,7 / Reino Unido 0,076
Rácio de verborreia 1 para 62

Unidade de Missão Impossível

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que será lançada uma unidade de missão destinada a incentivar a localização de empresas em Portugal que pretendam continuar sem condicionalismos no espaço europeu após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Tenho a propósito desta unidade de missão una proposta para poupar despesa ao estado:

Basta imprimir um único panfleto informativo e escrever: “há iniciativas legislativas dos partidos de governo com vista a limitar salários no sector privado“. Impresso e enviado para todas as empresas-alvo, podem fechar a unidade de missão.

Le Pen: a candidata dos jovens, em especial dos portugueses

Dados que dão que pensar: Marine Le Pen tem mais apoio entre os jovens do que entre o eleitorado em geral e, entre os jovens, são os de origem portuguesa quem mais apoia a candidata da Front National.


(via Alexandre Afonso)

A presunção de inocência e os prazos no dia da felicidade

O meu texto de ontem no Observador.

‘Vejam por exemplo os disparates que foram ditos e escritos sobre a presunção de inocência de Sócrates. A presunção de inocência é um conceito jurídico que garante que ninguém é condenado sem que existam provas sólidas de um crime cometido. Ponto final. Ora como qualquer pessoa pensante percebe, o que existe e ocorre no mundo, seja criminoso ou não, não é apenas o que é suscetível de ser provado em tribunal – e provado segundo regras que são elas próprias mutáveis e discutíveis, não desceram dos céus como presente intergaláctico de uma qualquer deusa da justiça do mundo greco-romano.

Alguém ser absolvido em tribunal, ou nem sequer ser acusado, não é selo de garantia de que não cometeu nenhum crime: é reconhecimento de que não há indícios suficientemente fortes para levar à privação de liberdade, ao pagamento de multas e indemnizações, à censura pública em forma de condenação. Desde logo porque muitos crimes são difíceis de provar – os criminosos geralmente aproveitam-se da falta de testemunhas e de registos de imagem e som para cometerem os crimes. Só nas séries televisivas como The Closer é que Kyra Sedgwick convence os meliantes a confessarem tudo. Acresce que a justiça é administrada por humanos, limitados, com a tendência para disparatar que todos temos (mesmo quando com boas intenções), e suscetíveis a preconceitos e estados de alma.

Mas do que se lê por aí os argumentos pela presunção de inocência de Sócrates são ainda mais salazarentos que esta constatação de que a justiça humana é falível. Segundo nos dizem, enquanto não houver uma sentença judicial transitada em julgado, devemos permanecer todos intimamente convencidos que Sócrates é inocente como um rebento de jasmim a aromatizar um chá verde. Quando, e se, houver condenação pelos tribunais, passaremos então, no momento em que lermos ou ouvirmos tal ansiada notícia, a acreditar convictamente (por ordem do tribunal) que Sócrates é culpado dos crimes por que for condenado.

É isto: temos gente que tem espaço em jornais e televisões, numa democracia liberal em 2017, a afirmar que os indivíduos não podem ajuizar por si próprios da culpabilidade de um ex primeiro-ministro. As convicções de cada um não podem ser por si determinadas, nada disso, temos de ficar à espera que um tribunal nos diga como devemos considerar, na nossa consciência, Sócrates – inocente ou culpado. Vade retro conceito demoníaco de formar opinião em regime de livre iniciativa. O estado ensina-lhe generosamente em que acreditar.’

O texto completo está aqui.

As autárquicas não são um plebiscito

O meu artigo no ‘i’. Relativamente às escolhas do PSD para as autárquicas discordo do que o meu amigo Alexandre Homem Cristo escreveu segunda-feira no Observador. O governo quer que as autárquicas substituam as legislativas, legitimando-o e forçando a demissão de Passos Coelho, que venceu as eleições.

O PSD não pode ser usado neste esquema. Nas autárquicas elegem-se autarcas. Os governos são votados nas legislativas.

As autárquicas não são um plebiscito

O mundo político anda numa polvorosa porque o PSD escolheu uma desconhecida do aparelho partidário, Teresa Leal Coelho, como candidata à câmara de Lisboa. De acordo com os analistas esta escolha, a que se junta a do Porto, ditará o fim da carreira política de Passos Coelho.

As eleições autárquicas estão a ser apresentadas como um plebicisto ao governo da Geringonça que não foi sufragado nas legislativas. É verdade que o governo tem sustentação parlamentar, mas também não deixa de ser verdadeiro que tal não foi o proposto aos portugueses quando estes votaram. A esquerda sabe que defraudou a vontade do eleitorado e, com essa ferida que não confessa mas que mói, vê nas autárquicas a oportunidade para legitimar este governo.

A governação da Geringonça teve esta linha de rumo. Sucede que as autárquicas não são um plebiscito e, apesar dos tiques da Geringonça, ainda não vivemos numa democracia populista. Todo o cenário político, desde a política governamental à discrepação presidencial, passando pela forma como Medina – o presidente não eleito de Lisboa – geriu a cidade, está ser preparado para uma vitória que limpe as legislativas.

É por este motivo que não embarco nas críticas a Passos Coelho. O PSD não pode ser usado neste jogo próprio de uma democracia populista. Os governos devem sair das legislativas, como o presidente das presidenciais e os autarcas das autárquicas. É tendo em conta este cenário que é perfeitamente legítimo que o PSD reduza as eleições de Setembro àquilo que são.

Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação

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O motto foi dado por uma partilha do sempre recomendável Pedro Romano. O link apontava para um artigo do Simon Wren-Lewis, um pós-keynesiano indefectível de Oxford, que, à semelhança de outros economistas como Larry Summers, acham que a grande estagnação económica, particularmente visível no século XXI, se deve a um problema crónico, ou estrutural, de falta de procura agregada.

A posição tem alguns argumentos válidos, embora, em última análise, se trate mais de um problema de método: como os modelos keynesianos dão muito ênfase à procura agregada (basta ver que o modelo IS/LM de Hicks nem inclui oferta agregada; foi necessária uma alteração tardia, que, de forma mal amanhada, resultou no modelo AS/AD), então tudo é um problema de procura agregada. Parece-me — e isto é uma perspectiva pessoal, pois a questão está longe de estar encerrada — que existem outros factores, especialmente do lado da oferta, que poderão explicar este declínio no PIB, ou mesmo na percepção do crescimento do PIB (uma outra teoria é que muitos dos ganhos actuais não são contabilizados no PIB).

Seja como for, escrevi um pouco sobre o assunto. O pouco alongou-se, e de pouco virou um (pequeno) ensaio, que recua ao século XVIII para fazer compêndio para o que temos hoje. Um pequeno ensaio sobre a grande estagnação.

Indiferente, desde que ganhe Lisboa…

Declarações muito interessantes do coordenador autárquico do PSD: Não importa que CDS fique à frente do PSD… desde que ganhe Lisboa

Em entrevista à TSF Carlos Carreiras deseja que as candidatas do PSD e do CDS fiquem em primeiro e em segundo lugar. “A ordem dos fatores é-me indiferente”, diz.

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

(in)segurança na CGD?

Já pensaram na razão da CGD eventualmente pagar a investidores internacionais taxa de juro de 10% por dívida subordinada enquanto remunera portugueses com depósitos a prazo em 1-2%?

Certamente os nossos leitores rapidamente chegam à resposta: o risco é diferente.

É admissão (implícita) do governo do Estado accionista que existe probabilidade da CGD não cumprir o pagamento desses títulos. Sendo assim, é compreensível que a emissão seja realizada além-fronteiras. Não só permite a investidores menor carga fiscal, como também evita futuros”lesados da Caixa” portugueses. É que, por cá, há muita iliteracia financeira. Veja-se, por exemplo, o recente regozijo com os números da execução orçamental de 2016…

O panorama político português em perspectiva

Os leitores mais atentos terão notado a alegria de alguns membros do Partido Socialista pelo fraco resultado do Partido Trabalhista nas eleições holandesas. Alguns acharão estranho que responsáveis políticos do Partido Socialista regozigem com a derrota de um partido que pertence à mesma organização política europeia: o Partido Socialista Europeu. Na realidade, sendo teoricamente da mesma força política europeia, estão longe de representar a mesma ideologia. O panorama político português inclinado à esquerda faz com que um partido teoricamente de centro-esquerda em Portugal seja, no contexto europeu, um partido mais próximo da esquerda dura. E no contexto mundial, um partido bem próximo da extrema esquerda. No gráfico abaixo podem ver uma representação do panorama político de 6 países: Portugal, 4 outros países europeus e os EUA. À esquerda os partidos mais socialistas e á direita os mais amigos da economia de mercado. Esta análise só considera a política económica. Excluí da análise os partidos nacionalistas por, normalmente, não se focarem demasiado nas questões económicas e variarem bastante as suas posições nesses temas. No caso da França, da da a sua situação específica, optei por colocar os candidatos presidenciais em vez dos respectivos partidos (da esquerda para a direita: Melenchon, Hamon, Hollande, Macron e Fillon. A linha preta representa o que é visto como centro em cada um desses países.

O campo ideológico inclinado em Portugal faz com que aquilo que é visto como o centro seja na verdade algo que noutros países europeus seria evidentemente de esquerda. O Partido Socialista Europeu junto os partidos de centro-esquerda de cada país, mas ser de centro-esquerda em Portugal é muito diferente de ser de centro esquerda na Alemanha ou na Holanda. Se juntarmos os EUA à equação (e aqui não quis juntar outras zonas desenvolvidas como a Oceania ou o Sudeste Asiático para que o gráfico não se alargasse demasiado à direita), então o centro-esquerda em Portugal torna-se indiferenciado da extrema esquerda no panorama internacional. No gráfico abaixo destaco aquelas que são as verdadeiras famílias ideológicas de cada partido:

Visto desta forma, é mais fácil de entender o entusiasmo do PS local pelo Syriza e o desdém pelo Partido Trabalhista Holandês ou pelo parceiro de coligação de Merkel, que também é da sua família política. Já o PSD e o CDS têm mais em comum tanto com o SPD alemão ou com o Partido Trabalhista Holandês do que o PS. Estando mais próximos ideologicamente do partido de Merkel, do VVD ou dos democratas americanos, estão ainda assim à sua esquerda. Não é também surpreendente olhando para a área destacada a azul que haja pessoas dentro do PSD que admirem Bernie Sanders. Destacado a verde está o espaço tido como centro político nos EUA: uma área política apenas a espaços preenchida na Europa e inexistente em Portugal.

Portugal, o país onde não podemos escrever livros

O meu texto de ontem no Observador.

‘Ontem quando escrevia este texto o país estava calmo, mas aposto que hoje existem, pelo menos, três bairros barricados em Lisboa. Nem imagino o atroz sofrimento da esquerda nacional por tão hedionda traição. Caso a PSP não tenha pensado atempadamente (o que é imperdoável e justifica por si só uma chamada da ministra Urbano ao parlamento) em vedar o acesso ao Tejo ao longo de toda a zona ribeirinha lisboeta, que o faça a correr, que eu temo um colapso na vontade de viver dos militantes da esquerda nacional e tentativas de suicídio em massa. Há que evitar um auto genocídio, senhores guardas.

Falo de quê? Bem, caro leitor, olhe à sua volta. Vai sair uma biografia de Jorge Sampaio nos anos da sua presidência, com colaboração do ex Presidente. Estou certa que as muito numerosas alminhas sensíveis que gritaram pela falta de elegância de Cavaco Silva por escrever as suas memórias do seu tempo de coabitação com Sócrates, pelo inimaginável atentado à privacidade (risos abundantes) das conversas entre um PR e um pm, essas alminhas sensíveis, digo eu, que andaram a fazer figuras tristes nas televisões, rádios e jornais, estão em agonias pela traição de Jorge Sampaio. E neste momento ou correm para as zonas ribeirinhas das cidades portuguesas para se desgraçarem ou estão em casa debaixo dos cobertores e encharcados em antidepressivos.

É que, pelo que leio, Jorge Sampaio conta conversas efetivamente privadas, sobre assuntos da sua candidatura, com o líder do partido por que queria ser apoiado. Estou à espera do pior dos paladinos da defesa do direito à privacidade – é como quem diz, dos maluquinhos que argumentam que os contactos entre um ministro e um particular, versando uma empresa pública e a futura relação da empresa com o dito particular, são privados e, como tal, fora do escrutínio democrático dos media e dos representantes dos eleitores. (Não são.)’

O resto está aqui.

Compreender Fátima

Rui Ramos. “Fátima é como um elefante na sala”

Há todas as questões de um regime que desde 1910 funciona como a ocupação de um estado pelo Partido Republicano Português. Um partido em guerra não apenas contra aqueles que não são republicanos, mas também em guerra contra muitos que são republicanos, mas que não se reconhecem nesse partido, dirigido por Afonso Costa. O Partido Republicano Português, conhecido também como Partido Democrático, ocupa o poder de uma maneira violenta e agressiva para com as oposições. E depois um conflito que é aberto também pelo Partido Republicano e que o partido se recusa nessa época a atenuar com a Igreja Católica.

1910 e 1911 são também o começo de uma guerra ideológica contra a Igreja Católica, que é o projecto que Afonso Costa assume: acabar com o catolicismo em Portugal em duas ou três gerações. Em 1911 temos a chamada “separação”, mas de facto é uma integração violenta da Igreja no Estado porque aquilo que visa é tornar o clero dependente do Estado e eliminar a influência da hierarquia e da relação com o Vaticano, destruir a Igreja e reduzi-la a um conjunto de padres, funcionários do Estado. Em 1917, quase todos os bispos estavam proibidos pelo governo de estarem em suas dioceses.

Francisco Veloso no Imperial College London

Uma perda importante para a Universidade Católica mas também (mais) um significativo reconhecimento internacional de como a UCP, em várias áreas, difere para melhor do triste panorama do ensino superior em Portugal: Francisco Veloso troca Católica por Imperial College em Londres

Francisco Veloso vai deixar a direção da Católica-Lisbon para liderar a Business School do Imperial College London, uma das mais prestigiadas universidades e escolas de gestão do mundo, a partir do próximo dia 1 de Agosto. O académico português, com 47 anos, deixa a universidade portuguesa ao fim de cinco anos como ‘dean’ (diretor) da Católica Lisbon School of Business and Economic, anunciou o vice-diretor, Guilherme Almeida e Brito, num comunicado enviado aos antigos alunos da instituição.

A seleção de Francisco Veloso “decorre, em larga medida, da trajetória de sucesso que a Católica-Lisbon tem evidenciado ao longo destes anos”, explicam no mesmo comunicado. “O compromisso com a excelência académica, a visão global, a aposta na investigação e um foco crescente na inovação e empreendedorismo, têm vindo a afirmar a nossa escola a nível internacional”, reforçam, o que justificou que a escola atingisse “a 23ª posição no ranking das Top European Business Schools do Financial Times, a melhor de sempre para uma faculdade nacional.”

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