O bloquismo e a geringonça (9)

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Mariana “Mouch” Mortágua. Por João Campos.

O que não deixa de ser um tanto ou quanto perturbador: qualquer pessoa que tenha lido Rand com um mínimo de atenção repara na inverosimilhança dos seus heróis, mas pelos vistos os vilões do Objectivismo não só não são implausíveis como ocupam posições de poder entre nós. Estamos bem arranjados.

19.000

A Comunidade Insurgente no Facebook agrega já mais de 19.000 pessoas.

Estão também de parabéns o Carlos Guimarães Pinto e o Helder Ferreira pelo extraordinário sucesso dos seus posts Contos infantis para bloquistas – A cigarra e a formiga e Carta à Ministra das Finanças, cada um dos quais com várias dezenas de milhares de leituras no site e mais de 10.000 partilhas nas redes sociais.

Obrigado a todos pela preferência.

A farsa e a bravata jacobina

A farsa no virar da página. Por Manuel Carvalho.

Como não pode ter um discurso ancorado na verdade do problema, o Governo entra na bravata jacobina e transforma a austeridade numa banal factura só para alguns.

Um Portugal comunista

Há dois meses escrevi no ‘i’ este artigo sobre o que o BE quer para Portugal e para a Europa. Houve quem me dissesse que estava a exagerar. Depois das afirmações de Mariana Mortágua sobre o ir buscar as poupanças e de Catarina Martins que se arroga o direito de definir o que é investimento, parece-me que não há mais lugar para dúvidas.

O bloquismo e a geringonça (8)

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Declarações de Mortágua dividem socialistas

No Facebook, João Galamba e Porfírio Silva defendem a deputada do BE; Sérgio Sousa Pinto (num post com muitos likes de outros socialistas) diz que as declarações da deputada vão sair caras ao PS

O bloquismo e a geringonça (7)

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Poupança, riqueza e a política do Bloco de Esquerda. Pedro Pita Barros.

Agora que o Bloco de Esquerda é parte da solução governativa, é importante dar atenção ao que são os seus instintos profundos, os que constituem na realidade o seu programa político, pois será assim que serão insistentes para com a governação socialista. E as recentes declarações de Mariana Mortágua (aqui), “do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro” traduzem esse instinto profundo, e uma visão de sociedade.

O bloquismo e a geringonça (6)

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Helena Roseta: alterações ao IMI não estão nos acordos com a esquerda e anúncios são “erro crasso”

A deputada eleita pelo PS critica fortemente a forma como as alterações ao imposto têm sido conhecidas na praça pública sem a “ponderação” necessária, ameaçando a confiança dos contribuintes e o investimento e apela directamente a António Costa para que evite “anúncios enviesados”.

O bloquismo e a geringonça (5)

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Não percas a vergonha… Por Rita Carreira.

Vou dar-te um conselho: guarda a tua vergonha, Mariana. É a única coisa que te resta, pois o juízo já saiu porta fora há muito tempo. Se tu achas que num país que faz parte de uma união de países com fronteiras abertas e livre circulação de pessoas tu consegues seguir políticas de perseguição de poupanças, estás enganada. A única coisa que vais conseguir é fazer com que quem tenha opção de sair de Portugal saia mais depressa e, antes disso, até envia as poupanças que tem para fora. A propósito, tens acompanhado as estatísticas de emigração ou será que o teu governo decidiu não as recolher e publicar?

Pensava eu que ia regressar a Portugal qualquer dia; mas neste momento, já tenho dificuldades em pensar ir a Portugal de férias, quanto mais ir para aí na minha velhice gastar o que acumulei.

O bloquismo e a geringonça (4)

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“Temos um Governo que executa o programa de 15% dos portugueses que votaram no BE e PCP”

O bloquismo e a geringonça (3)

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Sobretaxa do IMI. “Polémica tira margem de manobra” para aplicar medida, diz Medina

O presidente da Câmara de Lisboa não poupou críticas à maioria parlamentar liderada pelo seu partido pela “fuga de informação” sobre o novo imposto sobre o património imobiliário. Fernando Medina falou sobretudo da forma do anúncio, “pela forma pouco preparada como o debate surge”, mas também deixa algumas preocupações, nomeadamente sobre o impacto de uma medida desta natureza para o investimento estrangeiro.

O bloquismo e a geringonça (2)

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Muito bem Rui Moreira: “O Porto não precisa de sobretaxas sobre o IMI mas deve ser a cidade a decidir”

Rui Moreira apresentou hoje uma declaração política em reunião de executivo, defendendo que sejam os municípios a decidir a taxação do IMI e do património imobiliário. O presidente da Câmara diz que a autarquia do Porto não precisa e não quer a receita de uma taxa extraordinária sobre património imobiliário, mas defende que, em qualquer caso, devem sempre ser as Câmaras Municipais a decidir sobre a sua aplicação, já que o IMI é um imposto municipal.

O bloquismo e a geringonça

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O bloquismo, doença infantil da geringonça. Por Rui Ramos.

Os bloquistas, segundo as crónicas, tiveram de correr atrás do PCP e de António Costa na fundação da geringonça. Desde então, insistem em ir à frente. Aparecem em todo o lado, opinam sobre tudo, reivindicam todas as ideias, sempre com aquela dicção martelada que Francisco Louçã lhes deixou em herança. Onde Costa e o PCP dizem mata, têm eles de dizer esfola.

Não está mal visto…

Mariana Mortágua quer ‘ir buscar dinheiro a quem está a acumular’, contribuintes recomendam que vá buscar ao Fisco

Bloco School of Economics

Cada tiro, cada melro…

Catarina Martins:

Não estou a falar de investimento. Estou a falar de comprar casas. Comprar casa não é investimento. Investimento é quando se cria valor. Investimento é quando se criam postos de trabalho.

Mariana Mortágua:

Porque é que há pobreza? Acho que há pobreza porque há muita riqueza. Muita riqueza acumulada, que não pode ser redistribuída pelos mais pobres.

Quando o PCP é a voz mais moderada…

Mãos ao ar!

metralhaDe acordo com Mariana Mortágua, para conseguir taxar os bens escondidos de Ricardo Salgado é preciso taxar toda a gente que tem alguma poupança…

Sócrates e o PS: faz sentido

Sócrates “estrela principal” em iniciativa do PS/Lisboa

Faz sentido: Sócrates é o modelo do homem sem poupanças

Rui Moreira sobre o imposto Mortágua

Além da paternidade de um novo imposto, há outra questão que me preocupa ainda mais. Sucede que a lei Mortágua, como vai sendo conhecida, mais não é que uma sobretaxa sobre o IMI. Ora o Imposto Municipal sobre os Imóveis é a principal fonte dos orçamentos autárquicos. Um imposto cuja receita deveria ter aumentado mas que, afinal, diminuiu com as novas regras, e por erro de cálculo do Ministério das Finanças e dos seus abastados e pouco competentes consultores.

A verdade é que, mesmo sendo uma receita municipal, já se percebeu que o Governo não irá flexibilizar a aplicação do IMI, não pretende dar às autarquias autonomia nessa matéria, nem informá-las sobre a origem e composição da coleta que recebem, inibindo-as de utilizar este imposto como instrumento da sua política económica. E, agora, também não pretende entregar às autarquias esta sobretaxa sobre um imposto municipal, já que a receita servirá apenas para engordar o depenado Orçamento do Estado.

Este pseudo-imposto Mortágua é, portanto, um saque. Um saque aos contribuintes, mas também aos municípios, que deveriam ter a possibilidade de definir, livremente, as taxas, sobretaxas, discriminações e isenções de um imposto cuja receita, por definição, é sua e deveria poder ser usada de acordo com as suas estratégias de desenvolvimento.

Solto das amarras do Partido Socialista na Câmara do Porto, Rui Moreira começa a fazer sentido. Ler mais aqui.

Perceber a Srª Doutora Ministra das Finanças Mariana Mortágua

Mariana Mortágua afirma, “do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro“. Percebamos a génese da ideia: afinal a senhora doutora ministra das finanças da geringonça é filha de um assaltante e terrorista.

Carta à Ministra das Finanças

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Exma Sra Doutora Ministra das Finanças Mariana Mortágua, dado que pelo cheiro VExa aparenta ter abandonado os cueiros há pouco, e o filho que tenho já ser suficientemente crescido para que me tenha esquecido como se explicam as coisas às crianças, não sei bem como lhe começar a explicar as particularidades da vida das pessoas normais. Mas tentarei e faço-o com a melhor das intenções. Creia que quero ajudá-la.

Sabe, alguns de nós na minha geração e mais velhos, por vicissitudes da realidade, tivemos que começar a trabalhar muito jovens ainda (no meu caso aos 11 anos). Aprendemos desde cedo a virtude do esforço e da poupança, aprendemos a adiar prazeres e a ter uma perspectiva de vida. Aprendemos que não seríamos sempre jovens e um dia iríamos precisar de algum suporte que só nós mesmos, com esforço, inteligência e foco no futuro poderíamos garantir. Depois fomos pais e esse foco cresceu, a nossa esperança de vida aumentou e o futuro prolongou-se. Creio que quando formos avós estas coisas tornar-se-ão ainda mais importantes.

Cara Doutora Ministra das Finanças, VExa diz que têm que “perder a vergonha de ir buscar a quem acumula dinheiro”. Não sei o que o senhor seu pai lhe terá ensinado. A viver à custa de outrem? A aproveitar-se do esforço alheio? A fazer tábua rasa da vida de pessoas que não conhece e para cujo bem estar nunca contribuiu? Se o fez, lamento informá-la mas isso tem um nome e não é bonito.

Repare: não ando há décadas a trabalhar com honestidade e rigor para que VExa e os infelizes que a aplaudem venham após todo este tempo tirar-me o que me custou sangue, suor e lágrimas a acumular; não ando há décadas a fazer das tripas coração para que VExa e respectivo séquito me roubem o que já foi várias vezes tributado para a sustentar a si e a outros semelhantes. Note que se a Sra Doutora Ministra das Finanças algum dia provar o que eu e muitos outros provamos há décadas, terei todo o gosto em ganhar respeito pelas suas opiniões, até lá, perdoe mas oiço-a como ouvia o meu filho quando ele acabava de molhar a fralda. Somada alguma irritação que ele, pelo amor que lhe tenho, não me provocava, evidentemente.

 

Com cordialidade

 

Helder Ferreira, Profissão: desgraçado.

A importância da autoridade moral

Head in HandsO país anda há anos a empobrecer. Com excepção de 2014 e 2015, nunca teve um crescimento decente que fosse feito sem recorrer a dívida externa. Não há investimento privado e, consequentemente, há pouco emprego qualificado. O pouco que existe é oferecido muitas vezes em condições miseráveis e até abusivas. Para que haja mais investimento, mais empregos e mais crescimento é necessário tornar o país atractivo para o investimento, nomeadamente o investimento estrangeiro. Portugal precisaria de uma revolução fiscal que diminuisse bastante a carga fiscal das empresas e de uma legislação laboral que diminuisse os riscos de contratar. O grande problema é que a maioria destas soluções são contraintuitivas para o português médio. É difícil convencer um português já sobrecarregado de impostos que o melhor para o país é baixar impostos sobre as empresas. É difícil convencer um grupo de pessoas que já se sentem (justamente) maltratadas pelos seus empregadores que Portugal precisa de flexibilidade laboral para poder criar mais e melhor emprego. Se é difícil convencer as elites disto, ainda mais difícil será de convencer o português médio, por muitos exemplos que se apontem de sucesso destas políticas. Para existir algum tipo de apoio político às reformas que são tão necessárias como incompreendidas, elas têm que ser empurradas por uma pessoa em quem as pessoas acreditem. Não podendo explicar com arugmentos técnicos que o eleitor médio não entende, essas reformas precisam de ser empurradas por uma pessoa com autoridade moral.

Para lançar reformas populares não é necessária autoridade moral. Para lançar as reformas que o país precisa, é. Ao associar-se a uma das peças literárias mais nojentas e imorais já publicadas em Portugal, Passos fica mais distante de ter essa autoridade moral. É uma pena, porque não se vislumbram grandes alternativas.

para contextualizar indignações de gente hipócrita

De facto indigna que uma pessoa escreva um livro a contar a intimidade sexual de outras pessoas, fazendo uso de alegadas confidências de terceiros que já morreram. Mas convém lembrar (e eu lembrei no facebook e este post nasce dessa recordação) que São José de Almeida já fez o mesmo: escreveu um livro onde exibe a homossexualidade de pessoas que já morreram, outras ainda não (tal como JAS), que nunca assumiram essa orientação sexual e que não mandataram (certo pelo menos no caso dos mortos) jornalistas de esquerda para lhes vasculhar assuntos de cama. As informações que revela obteve-as muito por confidências de terceiros que se mantêm anónimos. (Até José António Saraiva é mais corajoso aqui.)

O mais engraçado: é que este livro foi muito apreciado pela gente que agora se indigna apopleticamente com José António Saraiva. As revelações de sexualidade alheia escritas por gente amiga, está muito bem; revelações de sexualidade alheia escritas pelos ódios de estimação, ai o mundo que acabou. É verem por exemplo esta publicidade ao livro de São José de Almeida no jugular. E este texto embevecido de Fernanda Câncio no DN (obrigada pelo envio, João Pereira da Silva). Sobre o livro promovido por Vidal e por Câncio, ler o Malomil. Deixo aqui um pedaço, para se ver o livro que foi promovido.

‘Convém dizer, antes de mais, que a gravidade moral desta empresa jornalístico-historiográfica é adensada por um facto singelo, mas decisivo: na sua esmagadora maioria, as fontes orais a que recorreu São José Almeida reservaram para si o absoluto anonimato. «O que está nestas páginas é […] fruto da recolha de depoimentos de pessoas que são homossexuais e que me deram o privilégio de me confiar as suas experiências, conhecimentos e reflexões, a grande maioria das vezes sob reserva de absoluto anonimato» (pág. 23, itálico acrescentado). Por outras palavras, os homossexuais que falaram com São José Almeida salvaguardaram a sua intimidade. Mas não tiveram pudor em revelar a intimidade de terceiros, já falecidos, sem que a estes, como é evidente, haja sido dada a possibilidade de contraditarem (ou confirmarem) o que sobre eles é dito. Fizeram sair do armário gente morta e indefesa, mas mantiveram-se lá dentro, acobertados, no calorzinho confortável da sua vidinha «normal». […]

Sendo lésbicas ou não, há um denominador comum às várias mulheres referenciadas neste cadastro narrativo: é tudo gente morta. […] Várias, como se vê, morreram já depois do 25 de Abril, muito depois, podendo ter assumido mais livre, enfática e publicamente a sua orientação sexual. Não o quiseram fazer. Mas São José tratou bem delas, fê-las a todas saltar da toca. Cá p’ra fora do armário, vá, suas malucas, que isto de se andar a esconder no roupeiro é coisa bem feia e muito hipócrita.

Ao Capítulo 6 entramos no closet masculino. De acordo com o depoimento do dirigente comunista Ruben de Carvalho, cuja autoridade nestas matérias desconhecemos qual seja, o Subsecretário de Estado da Presidência, Paulo Rodrigues, «era conhecido publicamente pelas suas relações homossexuais» (pág. 126). Também Pedro Feytor Pinto, responsável pelo Secretariado Nacional de Informação, «o António Ferro dos anos setenta», era «assumidamente homossexual» (pág. 126). Porém, nas suas memórias, recentemente publicadas (Na Sombra do Poder, Lisboa, 2011), Feytor Pinto não se revela, em lugar algum, «assumidamente homossexual». Aliás, em duzentas páginas de texto não dedica sequer uma linha à sua intimidade. E o «António Ferro dos anos setenta» está aí, vivo e lúcido, escrevendo memórias, dando entrevistas, aparecendo na televisão, proferindo conferências. Por que motivo não o contactou São José Almeida? Era o mínimo que se impunha, não apenas a uma historiadora como a uma jornalista digna desse nome: cruzar as fontes, confrontar testemunhos, ouvir os visados. Por que não falou a autora com Pedro Feytor Pinto?’

Uma aliança PSD/CDS

O meu artigo ontem no Jornal Económico. Esta aliança podia iniciar-se no apoio do PSD à candidatura de Assunção Cristas à Câmara de Lisboa.

Uma aliança PSD/CDS

A situação do país é tão extrema que é urgente que PSD e CDS se entendam e apresentem um projecto que rompa com o passado. Não é a primeira vez que o digo, nem será a última. O desenvolvimento do país deveu-se, essencialmente, ao endividamento, porque se decidiu não pagar, nessa altura, os custos que implicava viver melhor. Sem crescimento económico resta aumentar impostos e controlar, na medida do possível, a despesa pública. Algo difícil, porque vai contra os interesses corporativos e pessoais que dominam o Estado. A prova disso é o aumento da dívida pública que, em Junho último, ultrapassou os 130% do PIB.

O governo anterior conseguiu alguma contenção orçamental à custa de um programa que passava pela abnegação e pelo sacrifício como forma de manter o Estado de pé. Ora, isto é pouco. Pedir que as pessoas desistam delas próprias para que o Estado possa continuar é torná-las escravas desse mesmo Estado – algo característico dos regimes socialistas, mas inaceitável entre partidos de direita.

Os orçamentos de Estado devem ser excedentários, para que se pague a dívida pública e se consiga uma estabilidade fiscal que capte investimento. Esse objectivo só é possível com a liberalização do discurso político-económico. Com a apresentação de medidas que não punam quem trabalha e quem investe. Com um projecto que confira às pessoas uma alternativa à Segurança Social. Com uma política educativa em que os pais possam escolher a escola dos filhos, independentemente dos seus rendimentos e da sua zona de residência ou de trabalho; que liberte as novas áreas de negócio dos interesses das classes profissionais instaladas; que inclua a descentralização fiscal como modo de libertar o interior do país do centralismo de Lisboa; que explique porque é que um banco público serve mais os interesses corporativos e pessoais que o bem comum. Só assim se desce a despesa e se cativa o eleitorado para algo mais que mero sofrimento e sacrifício.

Este discurso exige uma aliança entre PSD e CDS. Só unidos, os dois conseguirão vencer eleições e só juntos poderão romper com o passado. Juntar o eleitorado, transmitindo-lhe confiança ao mesmo tempo que se corta na despesa pública. Esta aliança não é oportuna quando os partidos querem marcar pontos antes do novo embate eleitoral. Mas não tenhamos dúvidas do seguinte: apenas juntos, PSD e CDS afastam a geringonça do poder; apenas juntos o novo programa político pode ser de mudança e seria conveniente que esta inevitabilidade fosse assumida o quanto antes.

Rumores maliciosos sobre Passos Coelho

Depois de ler a notícia sobre a possibilidade de Passos Coelho ir apresentar o livro de José António Saraiva, fiquei com curiosidade de o ler. De certeza que não poderia ser tão mau quanto dizem. Depois de um par de horas na FNAC, posso concluir que estava enganado: o livro é bastante pior do que pensei.
Para ser justo, 95% do livro não diz absolutamente nada. É simplesmente entediante. Tem, por exemplo, uma página inteira dedicada à história de como uma pessoa qualquer entrou no gabinete do ministro Medina Carreira enquanto este apanhava uma injecção, e lhe viu o rabo. Para entenderem o tédio que é o livro, esta é a história mais interessante entre aquelas que podem ser verificadas por testemunhos vivos. Mas depois há uma outra parte do livro que resulta exclusivamente de testemunhos de pessoas que já morreram. Toda esta parte é simplesmente nojenta. Sendo o resultado de testemunhos em segunda mão (que o próprio autor não pode confirmar) de pessoas que já morreram (que não podem desmenti-los), é particularmente covarde. O livro parte de rumores de tasca, atribui a sua confirmação a conversas privadas com pessoas que já morreram e chama a isso “revelações”. Fiquei com a ideia que muitas “revelações” serão simplesmente mentiras escritas para humilhar os alvos e vender mais uns livros. Em baixo podem ver o teor de uma dessas “revelações”:

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Dei o meu tempo como perdido. Nem o livro é interessante, nem Passos certamente o irá apresentar. Do que se conhece da sua imagem pública, Passos nunca se associaria a um livro que, pela boca de testemunhos já falecidos, fala dos desejos privados do seu antigo colega de coligação ou da cobiça que um ex-líder do PSD tinha pela mulher de outro. Podem-se fazer muitas críticas a Passos Coelho, mas nem no imaginário da esquerda radical, Passos Coelho tem o tipo de carácter que leva alguém a querer associar-se a este tipo de esgoto “literário”. Suspeito que a notícia de que irá apresentar o livro será mais uma a ser desmentida em breve.

A ASAE ataca de novo

O meu texto desta semana no Observador.

‘Um dos melhores efeitos secundários do governo da coligação PSD-CDS foi a ASAE com trela curta. Depois veio o tempo novo e à esquerda gostam do mundo arrumado, catalogado, com muitos fiscais disto e daquilo a atormentarem as empresas respeitáveis. Donde: a ASAE anda satisfeita a mostrar de novo os caninos aguçados, e até já faz operações na comunicação social queixando-se de necessitar de maior orçamento.

Pelo que sugiro dissecar as atividades da ASAE. E encontramos as seguintes práticas apocalípticas dos privados que a ASAE, num comportamento reminiscente de Tintin a desmascarar traficantes de droga, nos livrou. Há a venda especulativa (não desmaiem) de bilhetes para jogo de futebol. Apesar de não se saber de gangs apontando armas de fogo a obrigar à compra, e de aparentemente os compradores terem pago o valor que atribuíam a verem o jogo dentro do estádio, a ASAE gastou o dinheiro dos contribuintes a impedir valdevinos de venderem bens que eram sua propriedade (os bilhetes) a outros que os queriam comprar.

Numa inspeção a bombas de gasolina, situações mais destrutivas que um atentado terrorista (atos para os quais a ASAE também tem formação) foram encontradas. Houve casos de ‘incumprimento de requisitos gerais e específicos de higiene relativos aos géneros alimentícios’. Não se diz que os géneros alimentícios estavam estragados, e não deixariam de o referir para fins propagandísticos, pelo que presumimos que a falta de cumprimento de ‘requisitos gerais e específicos’ não impediu os ‘géneros alimentícios’ de se manterem em bom estado.

Mas os comportamentos verdadeiramente diabólicos estancados pela ASAE vêm a seguir: ‘desrespeito pelas regras de anúncio de venda com redução de preços e a violação dos deveres gerais da entidade exploradora do estabelecimento de restauração e bebidas’. Uau, a ASAE protegeu-nos do desrespeito pelas regras de anúncio de vendas com redução de preço – mais uma vez foram só as regras desrespeitadas, aparentemente a redução do preço ocorreu mesmo – e de violação de uns misteriosos (mas seguramente essenciais para manter vivos três quartos da população portuguesa) ‘deveres gerais’. Deus guarde a ASAE que tais préstimos nos dá.

O resto está aqui.

Descubra as diferenças

Recordemos que o aumento do Salário Mínimo Nacional tem como efeito de primeira ordem a diminuição da criação de emprego, o que naturalmente impacta o desemprego no médio-prazo.

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A nuvem de fumo do orçamento

dom-quixote-2O governo prepara-se para subir impostos indirectos que recaem desproporcionalmente sobre os mais pobres e a classe média. Mas essa é uma discussão que não importa ter. Por isso, foi lançada esta ideia do imposto adicional sobre o património acima de 500 mil euros. Ao que se sabe excluirá primeira e segunda habitação, assim como património industrial. Ou seja, incidirá sobre aquelas pessoas que depois de descontada a primeira e a segunda habitação, mais as propriedades colocadas em nome de empresas, ainda têm mais de 500 mil euros. As 7 pessoas nestas circunstâncias tremem de medo e já se devem estar a preparar para vender esse património e colocar o dinheiro fora do país.

Por isso fica aqui a minha estimativa sobre a receita fiscal resultante desse imposto em 2017 (arredondada à dezena de milhão): zero. Será uma receita absolutamente irrelevante. No entanto, a discussão nos próximos dias vai-se centrar em muito neste imposto. E a esquerda conseguirá aquilo que procurava: centrar a discussão pública numa taxa sobre milionários que não existem e deixar em segundo plano os aumentos de impostos efectivamente relevantes pagos pela classe média.

Estamos assim numa situação em que a Geringonça finge que Portugal tem milionários para taxar, o eleitorado finge que acredita, e no final, a classe média paga a conta.

Mais vale um turista na não do que dois portugueses a voar

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Não sou especialista em turismo, nem sou comentador televisivo ou tenho um curso de sociologia, condições que confeririam propriedade para ser especialista em tudo. No entanto, experienciei a transformação da baixa do Porto, que passou de um deserto urbano para um centro de cidade vivo, habitado, por onde circulam turistas e tipos novos. Vai daí que tenho pouquíssima paciência para os tudólogos que volta a meia arremessam a sua arrazoada contra o turismo. Ide passar! — idealmente para bem longe de Portugal.

Vai daí e escrevi algo sobre isso no Observador.

A austeridade que mata

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Acabou a austeridade. Bom, quase. Acabou a austeridade má. Agora temos austeridade boa. Devolvemos os rendimentos a quem recebe mais de 1500€ e aumentamos os impostos indirectos a todos, incluindo pobres, classe média e quem ganha mais de 1500€. Eu diria que tirar a quem ganha 700€ para dar a quem ganha mais de 1500€ é uma política redistributiva pouco equitativa, mas que ninguém ouse importunar esta nova era de franca expansão económica e felicidade, ainda que o PIB cresça metade do que crescia, o investimento tenha colapsado, as exportações caído e os juros da dívida pública disparado. Mas estamos melhor do que com a austeridade que mata e a redacção do Público está feliz, e isso é que é importante. E por isso agora vem mais um novo imposto, que a austeridade acabou e há que virar a página. É um imposto só sobre os muito ricos, com muito património, o que pode ser facilmente comprovado pelo facto de José Sócrates estar isento desse imposto (já o BFF, Carlos Santos Silva, não). É um imposto só sobre os muito ricos, que Portugal é um país pouco progressivo. Basta pensar que os 9% mais ricos pagam 70% do rendimento colectado em sede de IRS. 70%, quando poderia ser 100%? Ou 150%? Pensamos poucochinho, já dizia o ex-alcaide de Lisboa, e, como tal, só nos saem na rifa políticos poucochinho, que fazem de Portugal um país poucochinho. E assim definhamos até à hora da nossa morte, Troika.

Especial Informação Porto Canal – Rentrée política

Para eventuais interessados que não tenham tido oportunidade de ver, aqui fica o video integral do Especial Informação do Porto Canal (dedicado à rentrée política) em que participei juntamente com João Cerejeira, da Universidade do Minho, e Manuel Carvalho, do Público, com moderação de Ana Rita Basto: Especial Informação – 12 de setembro.