As pilhas lixam isto tudo

Há alguns anos saí de Lisboa às 4 da manhã, no meu mini cooper vermelho de capota branco, a caminho do Porto para uma inquirição de testemunhas. Cheguei ao tribunal às 9. Já na sala de audiências, e durante a inquirição da segunda testemunha, a escrivã interrompe-me muito atrapalhada com um:
– ai!
– O que foi? – perguntou-lhe o juiz.
– O gravador não está a gravar. Não sei porquê.
– Chamem o Carlos – diz o juiz – ele percebe destas coisas. E apanhem a testemunha que saiu há pouco. Temos de repetir a inquirição.
Um funcionário sai a correr à procura da primeira testemunha. Entretanto, a senhora levanta-se, sai e volta com o Carlos.
O Carlos, que tresandava a tédio, olha para o gravador, pega-lhe, vira-o e revira-o, e diz:
– O gravador não tem pilhas.
Foi com muito esforço, e com todo o respeito que um órgão de soberania me exige, que não me escangalhei a rir.

Da palermice

Acho piada aos portugueses que, mesmo sendo governados pelo PS com o apoio dos comunistas, mesmo tendo sido governados por Sócrates, concluem, sem mais nem menos, que os americanos só podem ser ‘isto e aquilo e o outro’ porque podem votar em Donald Trump.

Trump é mau. Apela ao pior que há em cada um. Mas o PCP e BE e este PS fazem o mesmo. Baseiam-se no medo que a mudança provoca, na desconfiança como forma de relacionamento. Dividem o país entre s bons que recebem e os maus que pagam. Apelam à fúria contra o neoliberalismo, contra os alemães, esses tipos em tempos nazis. E governam-nos. Apesar de terem falido o Estado e nos terem feito sofrer o que sofremos nos últimos 5 anos, governam-nos. Se há coisa pior que um retrógrado, é um palerma.

O burro e o Ferrari: never again!

De facto, o burro parece visivelmente stressado

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O “clientelismo de massa” da “geringonça”

As três condições deste governo. Por Rui Ramos.

Os actuais governantes esperam controlar o país através do que podemos chamar um “clientelismo de massa”, que compreende o funcionalismo público, os pensionistas de maiores rendimentos e ainda os banqueiros do Estado – uma espécie de “chavismo rico”. A austeridade foi redistribuída de modo a dar aos rentistas do regime uma sensação de segurança, à custa de todos os contribuintes e da degradação dos serviços públicos. É a segunda condição deste governo: a passagem do Estado social ao Estado clientelar.

Os sindicatos e o SNS: no pasa nada

Sindicatos. Por Luis Carvalho Rodrigues.

Os médicos com contratos individuais de trabalho que são sindicalizados recebem mais pelas horas extraordinárias.

São os sindicatos que negoceiam e impõem estas condições. Sem se preocuparem com as desigualdades que daí resultam para o trabalho que se faz e o salário que se recebe. São estas histórias menores que melhor ilustram o espírito ferozmente corporativo dos sindicatos. E que nos ajudam a perceber melhor as razões por que, com tantos problemas a afligirem neste momento os hospitais (devido ao aperto orçamental), se não ouça um só protesto dos mesmos sindicatos que, há dois anos, rasgavam as vestes e carpiam na praça pública a morte anunciada do SNS. Quem trabalha nos hospitais já sabe há algum tempo que o dinheiro para compras escasseia e que o serviço começa a ressentir-se. E todos sabem que isso resulta da reposição acelerada dos cortes salariais. Mas nenhum sindicato admitirá que a reposição criou problemas orçamentais, nem que esses problemas atingem directamente quem nada tem a ver com isso: os fornecedores, tornados mais uma vez financiadores do SNS, e os doentes. Qualquer um deles está capaz de afirmar que “no pasa nada”.

Na página depois da austeridade não há colonoscopias

Médicos pressionados de modo “imoral” para não solicitarem colonoscopias

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) denunciou esta quarta-feira uma “imoral pressão de índole económica” sobre os médicos de medicina geral e familiar para que estes sejam “restritivos na solicitação dos exames necessários, nomeadamente colonoscopias”.

A propósito do Dia Europeu de Luta Contra o Cancro do Cólon, que se assinala quinta-feira, José Cotter alertou para o facto de estas “restrições” trazerem “consequências graves para os cidadãos, uma vez que não permitem o diagnóstico atempado da doença”.

(…)

Em Portugal, o cancro do cólon e do reto é o que mais mortalidade provoca em Portugal. Só em 2014, houve sete mil casos da doença, com a mortalidade a cinco anos a ser de 50%.

Alojamento local e direito de propriedade

O meu artigo hoje no ‘i’. Nova Iorque vai restringir o arrendamento de curta duração. Barcelona e Amesterdão seguem pelo mesmo caminho e Lisboa não lhes ficará atrás.

Não é segredo para ninguém que o arrendamento de curta duração cria alguns problemas de vizinhança; aos proprietários dos outros imóveis no mesmo prédio.

Lamentavelmente, a solução não vai ser encontrada entre os interessados, mas imposta pelo Estado em nome do mais forte.

Alojamento local e direito de propriedade

O Estado de Nova Iorque aprovou uma lei que impõe grandes restrições aos arrendamentos de curta duração. Esta decisão é da máxima importância porque influenciará outros Estados dos EUA, bem como outras cidades, como Amesterdão e Barcelona, que também se inclinam para restringir este tipo de arrendamento aos turistas que visitam estas cidades.

Alguns dos argumentos são as queixas dos vizinhos relativas à segurança, com as constantes entradas e saídas nos prédios de pessoas diferentes todas as semanas, e o ruído que esses turistas provocam nos apartamentos em que estão durante um curto período de tempo.

Lisboa tem beneficiado com esta actividade e a polémica estará em cima da mesa dentro de pouco tempo. É que se o alojamento local é uma excelente forma das pessoas aumentarem os seus rendimentos, e a livre utilização da sua propriedade é também um direito fundamental e inalienável, os outros proprietários também têm direito ao silêncio e à segurança.

Custa-me que um Estado diminua um direito que é a base de uma sociedade democrática e liberal. O desafio, tanto jurídico como de respeito pela propriedade privada, é conciliar esses direitos através do seu próprio exercício. Na verdade, os condomínios podem impedir o alojamento local. Os proprietários devem respeitar os direitos de propriedade dos demais. Infelizmente, em vez de uma harmonia entre direitos de propriedade que se chocam, começamos a assistir à imposição arbitrária de uma vontade única e prepotente. Nova Iorque pode dar o exemplo, mas no mau sentido.

Querida esquerda, nada acaba até estar acabado

O meu texto de ontem no Observador.

‘E o que dá por ‘encerrado’ a geringonça? Escândalos que alguma malvada comunicação social e a sempre aleivosa oposição inventam. Santos Silva deu por encerrado o caso das viagens pagas pela Galp a Rocha Andrade, e agora o BE também já informou que o caso das licenciaturas falsas de um chefe de gabinete do secretário de Estado da Educação está encerrado. E ai de nós se discordarmos. Ainda apanhamos mais umas décimas de impostos sobre os combustíveis se não formos dóceis e obedientes.

Há quem se escandalize pela sobranceria destes encerramentos compulsivos. Neste caso das licenciaturas falsas, por exemplo, pessoas miudinhas (e sem gosto pelas distrações ornitológicas preferidas pela geringonça) podem argumentar que há muito por explicar. Se Nuno Félix foi uma escolha do ministro Tiago Brandão Rodrigues, amigo próximo, independentemente de este saber ou não da mentira da nota biográfica, o ministro não é responsabilizado por escolher (e voltar a escolher) uma pessoa capaz de mentir sobre o seu percurso académico? Já não se avaliam os governantes pela qualidade das pessoas que escolhem recrutar?

Lembrando o motorista – teimariam os tais picuinhas –, não será um ministro politicamente responsável pela rebaldaria, inclusive financeira, de viagens diárias de quatrocentos quilómetros para transportar um chefe de gabinete de casa para o trabalho? Claro que não. Vamos agora submeter a geringonça a esse tipo de escrutínio? Pensam que estão a lidar com um governo de direita?’

O texto todo está aqui.

Familiares de funcionários públicos terão de pagar para ter ADSE

Falta ainda conhecer os pormenores mas, à partida, trata-se de uma medida justa e que contribuirá para a sustentabilidade e autonomia da ADSE: Familiares de funcionários públicos vão ter de pagar para ter ADSE

Atualmente, os familiares dos funcionários públicos que quisessem beneficiar da ADSE não tinham de fazer qualquer desconto, fazendo-os apenas os próprios trabalhadores do Estado. Agora, estas regras mudam e para poderem beneficiar da ADSE, os familiares vão ter de pagar.

Alguém está a mentir…

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… e era bom que se esclarecesse quem é o mentiroso e se retirassem daí as devidas consequências políticas: Emails provam que Brandão Rodrigues quis manter Nuno Félix

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, terá mesmo pedido ao antigo secretário de Estado do Desporto, João Wengorovius Meneses, que não exonerasse o seu chefe de gabinete, Nuno Félix. Segundo escreve esta quinta-feira o jornal i, entre março e abril deste ano houve uma troca de emails entre ministro e secretário de Estado sobre a situação do chefe de gabinete, que mostra a interferência, negada esta terça-feira, de Brandão Rodrigues na equipa de Wengorovius Meneses.

Leitura complementar: O ministro da Educação e as licenciaturas falsas; Quando a mentira não tem consequência.

Quando a mentira não tem consequência

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, disse dias atrás, em entrevista à SIC, que não tinha interferido na gestão da equipa do seu ex-secretário de Estado João Wengorovius Meneses.

Sabemos agora por notícia no Jornal i que tal não é verdade:

Ao contrário do que afirmou, esta terça-feira em direto na SIC, Tiago Brandão Rodrigues tentou intervir ativamente na equipa do ex-secretário de Estado, João Wengorovius Meneses. Foram várias as vezes que o ministro, oralmente e na presença de várias pessoas do gabinete, terá exigido a João Meneses como sinal de confiança política que exonerasse a sua adjunta sem qualquer fundamento aparente.

Foi também o ministro que terá escolhido Nuno Félix – que João Meneses até aí não conhecia – para chefe de gabinete da secretaria de Estado da Juventude e Desporto e que travou a sua exoneração (que a dado momento passou a ser considerada essencial pelo ex-secretário de Estado).

Quem mente sobre assunto tão banal como os amigos do partido terem tratamento especial, que devemos nós pensar da veracidade das palavras do ministro quando tiver de esclarecer, por exemplo o Parlamento, sobre questões bem mais importantes?

Tiago Brandão Rodrigues manterá certamente o cargo. É que “pequena” mentira revela algo sobre o carácter de uma pessoa mas, não sendo caso isolado na classe política, fica fácil deixar passar.

Projecção e execução, alhos e bugalhos

É digna de nota artística a capacidade da máquina de propaganda do PS para criar fumaça e arremessar umas quaisquer confusões técnicas, desviando por completo do cerne da questão: o orçamento da educação vai mesmo ser reduzido. Já um pouco mais preocupante é ver alguns jornalistas a ir atrás do engodo, como foi o caso do Paulo Baldaia.

A contenda é simples: se o OE2017 deve comparar com as projecções iniciais do OE2016 ou com a execução orçamental efectiva. É inacreditável que se discuta isto. Para ilustrar o ridículo, imagine-se que queremos atirar uma pedra. Inicialmente estimamos que ela irá cair num determinado local. À medida que a pedra percorre o caminho teremos uma ideia mais apurada de onde poderá cair. Logo, se quisermos calibrar melhor a força a empregar no lançamento, comparamos com a actual trajectória, e não com a trajectória que imaginávamos que a pedra iria seguir.

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A discussão com a projecção vs execução do Orçamento do Estado é precisamente esta. Como é óbvio, a previsão que se faz com 70% do caminho percorrido (execução) é menos sujeita a incertezas do que a projecção inicial do Orçamento do Estado. E isto nada tem a ver com contabilidade pública ou nacional, nem com óptica de caixa ou compromissos, nem com alhos ou bugalhos. Ambas são previsões, sendo que uma tem menos incerteza do que outra.

Ora, se as projecções do OE2016 estimaram mal a receita ou a despesa, o novo OE2017 aumenta ou reduz a despesa sempre em comparação com o valor executado, e não com o valor estimado. Aliás, se assim não fosse, pela imagem em supra iríamos usar mais força para projectar a pedra, quando provavelmente deveríamos usar, porque a execução assim o indica, menos força.

Se o governo orçamentou mal a despesa na educação para 2016, e se esta foi superior ao previsto, o novo orçamento tem de ser trabalhado em cima do valor executado, porque este dá uma ideia mais rigorosa da despesa efectiva.

***

O Paulo Ferreira foi ao baú dos OEs para verificar qual é a prática recorrente. Surpresa: comparam sempre com a execução, e não com a projecção inicial do orçamento.

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Novo recorde de dívida pública

Dívida pública volta a aumentar em Setembro para novo recorde

Há sete meses consecutivos que a dívida pública portuguesa aumenta, encontrando-se em níveis nunca vistos. No espaço de um ano a dívida aumentou em mais de 12 mil milhões.

Sobre a baixa cotação da liberdade de expressão em Portugal

A heteronormatividade do virgem ofendido. Por Luís Aguiar-Conraria.

O que é incompreensível é que um deputado, que a coberto da sua imunidade pode insultar quem lhe apetecer, recorra aos tribunais porque um cidadão o insulta. Não é aceitável que quem tem o direito de chamar vulgar canalha a alguém se arme em virgem ofendido quando alguém lhe chama camelo. E, sendo aceitável que na nossa Assembleia se chame mentiroso a alguém, não pode alegar ofensa o deputado a quem acusam de ser desprovido de neurónios. Diria mesmo que sempre que alguém cita Oscar Wilde se contribui para a elevação intelectual do debate político português. Mesmo que a citação seja para dizer que “os loucos por vezes curam-se, os imbecis nunca”. O regime de imunidade dos deputados devia exigir que no início de cada mandato tivessem de fazer uma escolha simples: ou prescindiam da imunidade parlamentar ou prescindiam de perseguir judicialmente quem os atacasse.

Quando as consequências precedem as causas

A “geringonça” é tão boa que medidas aplicadas em 2016 e 2017 produziram efeitos nos dados da emigração relativos a… 2015…

Ou como a agenda político-partidária se pode sobrepor até às mais elementares regra de lógica: Portugueses voltaram a ter um “capital de esperança” que fez baixar a emigração

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Pós-Graduação em Medicina Social – ICS-UCP

Estão abertas as inscrições para a Pós-Graduação em Medicina Social organizada pelo Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, na qual serei responsável pelo módulo de Ciência Política e integro com muito gosto a Comissão Científica.

Mais informações aqui.

Prioridades da nova reitora da Universidade Católica

Isabel Capeloa Gil, reitora da Católica

Igreja/Ensino: Católica vai abrir curso de Medicina centrado na defesa da vida

Nova reitora da Católica quer avançar com a criação de uma faculdade de Medicina

Na ADSE não esperam meses

É destaque hoje no Diário de Notícias que a espera para a realização de ressonância magnética pode chegar a 16 meses. 

Se médicos pedem tal exame não é porque paciente apresenta sintomas de micose. Exige-se alguma urgência no diagnóstico. A notícia revela que há falta de profissionais e pobre manutenção dos equipamentos (resultado das cativações no Ministério da Saúde?).
Há, contudo, um segmento do Estado que não tem de se preocupar com esta parca qualidade de serviço no SNS: os funcionários públicos. É que os nossos impostos servem para pagar-lhes comparticipação daqueles exames no sector privado (não sei se total ou parcial). O Zé Povinho terá de pagar por inteiro. Até ao dia em que exiga ter igualdade de tratamento àqueles a quem paga salário.

Educação sofre corte de 2.7%

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O Alexandre Homem Cristo já o havia dito, mas agora foi finalmente noticiado. O Orçamento da Educação vai mesmo sofrer um corte de 170 milhões.

E porque não foi isto óbvio? Porque o Governo, com o seu já recorrente chico-espertismo, daqueles que vai pela bomba de gasolina para ultrapassar meia dúzia de carros na auto-estrada, comparou o Orçamento do Estado para 2017 com as previsões do OE2016 e não com a efectiva execução orçamental de 2016. Porquê? Porque segundo o Governo, fazendo amplo uso do chico-espertismo que mina esta país, o exercício de extrapolação da execução para o final do ano está sujeito a incertezas. Vai daí e usa projecções do início do ano — ainda mais incertas.

Não está em causa o corte — a eficiência, ou fazer o mesmo com menos, é sempre bem vinda. Está em causa as patranhas e os embustes a que este governo recorre para disseminar a sua propaganda, que foi diligentemente difundida, pois claro, pelos media. As alvíssaras já foram entregues pelos demais idiotas úteis, que aplaudiram o aumento de 3.1% no orçamento na educação.

E Mário Nogueira? Mário Nogueira está vivo, parece, mas continua desaparecido. Quem souber do seu paradeiro que informe na 5 de Outubro, que o Ministro da Educação está desesperado sem saber o que fazer.

Um retrato do Opus Dei que não corresponde à realidade

Rui Pedro Antunes, jornalista, publica «Opus Dei: Eles estão no meio de nós»
Um retrato do Opus Dei que não corresponde à realidade.

Salvas! Mário Nogueira está vivo!

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Não é só Pedro Dias que está a monte, o soviet Mário Nogueira também tem andado desaparecido. Para sorte dele, não tem a polícia atrás. Para azar o nosso, tem a política educativa como refém.

Consta que Mário Nogueira terá escrito um artigo, atestando assim que continua vivo, embora a monte. Suspeitei. Nos tempos que correm torna-se difícil aferir a verdadeira autoria do que por aí aparece. Mas fiquei assegurado quando li «os cretinos da direita». Aqui estava o traço distintivo de Mário Nogueira: outrora (faz 27 anos) professou na escola, representa os professores do sistema educativo, manieta o ministro da coisa, mas educação foi coisa que nunca recebeu.

Acrescenta depois que o actual ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, «já recebeu mais vezes a Fenprof do que Crato em todo o mandato». Disso não tenho dúvidas. Por muito que o email e o telemóvel estejam em voga, há ordens e instruções que têm mesmo de ser passadas em pessoa. No fundo, é uma visita de manutenção ao titereiro, que isto de andar a encobrir pseudo-licenciados desgasta.

Depois afirma que a Fenprof «não baixou a guarda». Tirando as manifestações que organizava dia sim, dia sim; as greves e concentrações; o entupimento dos media e as constantes queixas e queixumes, denúncias e demonstrações claras da austeridade neoliberal que mata, o ensino português tornou-se num exemplo a seguir. Ou isso, ou a Fenprof baixou a guarda a troco de umas concessões dos transportes dadas ao PCP. O intersindicalismo vende-se por pouco, especialmente aquele que tem como principal objectivo tornar isto numa pocilga comunista.

Finalmente, Mário Nogueira garante que, pese embora o excelente trabalho desempenhado, «existem problemas de enorme importância que urgem ser resolvidos». Nisso estamos de acordo. Um deles é a total subserviência do ministério da educação. Outro é o próprio ministério da educação. E o mais grave de todos é a Fenprof, que mantém a política educativa refém de um projecto soviético, liderada por alguém que entra em sabática a mando do PCP.

Banda de tributo ao Duo Ouro Negro por…

….Picareta da República e Alguidar de Banha.

“Olá companheiro
Do fato rasgado
Não estendas a mão
Foge do passado”

duoouronegro

 

 

 

(obrigado ao Vitor Cunha)

Um país doente

Os mais recentes episódios das falsas licenciaturas, principalmente este último do  chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, que presumivelmente Tiago Brandão Rodrigues conhecia, mostra o quanto a maioria está disposta a suportar para aguentar este governo.

O falhanço deste governo pode significar o fim dos direitos de muitos que vivem à sombra do Estado e que têm aproveitado os últimos meses para entrincheirar as suas posições.

A capacidade de suportar este governo diz muito sobre o estado de Portugal. Não tenhamos dúvidas: o país, a maioria do país, está doente.

 

 

As licenciaturas falsas e Tiago Brandão Rodrigues

O meu artigo desta semana no Observador: O ministro da Educação e as licenciaturas falsas.

Se ainda restar algum vestígio de decência e sentido institucional no governo da “geringonça”, o tempo de Tiago Brandão Rodrigues no papel de ministro da Educação só pode ter chegado ao fim.

A bem da república

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No dia em que Relvas se demitiu, Nuno Félix desafiou o Ministério Público e os senhores jornalistas para investigarem todas as licenciaturas dos políticos, colocando-se à disposição dos investigadores. Tudo em prol da república tão bem representada por ele próprio.

Isto não tem preço.

Imagem nacionalizada ao Rui Rocha.

Nem temos direito a aldrábias com panache

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Sobre esta epidemia de senhores do PS que por terem ido uma dúzia de vezes a universidades se apresentam como licenciados, e a outra criatura que já vai em autor proclamado de dois livros que as escutas mostram que não escreveu, só me ocorre dizer uma coisa. Que saudades daquelas pessoas que, tendo subido na vida e desgostosas das origens familiares pouco aristocráticas, corriam a comprar retratos antigos nos leilões e nos antiquários, penduravam-nos nas paredes de casa e alegremente os apresentavam aos convidados como os seus antepassados. Ou dos corruptos de bom coração como Lord Chiltern de An Ideal Husband, que sempre tem o mérito de ser personagem na minha peça preferida de Oscar Wilde.  Parecendo que não, até para se ser aldrabão é aconselhável algum nível e gosto.

Pois tem…

“A vossa presença tem significado político”, disse José Sócrates a dirigentes e militantes do PS

Um burro com um diploma

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Vamo lá a ver. O escândalo todo que se montou à volta da licenciatura do Relvas teve que ver exclusivamente com uma coisa: a possibilidade de parte substancial da RTP ser privatizada concorrendo com TVI e SIC pelo mercado publicitário. E isso não podia acontecer. Foi um trabalho bem feito, sendo certo que o erro foi por um lado da lei que permitia equivalências absurdas, por outro da Universidade de faz de conta que as concedeu. No entanto, o Relvas não mentiu, não aldrabou, não cometeu qualquer ilegalidade. Mas não tinha o cartão do partido certo, já sabemos.

Já a do Coiso, que mete exames ao Domingo e o caralho, é outro assunto. Configura aldrabice pura do “licenciado” e de um dito “professor” que fez de conta que o suposto “aluno” teria feito as cadeiras que não fez.

Fast forward para o caso recente de dois burros, inacreditavelmente burros, dois calhaus com olhos absolutamente surreais. Tanto o Rui Roque como o Nuno Félix se há coisa que revelam é a total e absoluta falta de inteligência, leva-me a duvidar sequer se podem ser considerados vida inteligente ou se são uns vegetais, tipo alfaces com pernas. Então o segundo, p’amordedeus! Duas licenciaturas? E o primeiro que com, foda-se, 4 cadeiras feitas reencaminha a dúvida para a Universidade de Coimbra? Como é que é possível ser tão, mas tão burro? (Embora vá, tudo isto pareça é uma guerra intestina dentro do PS entre socretinos e adeptos do Alguidar de Banha.)

Enfim, enquanto durou só deu mordomias, se calhar mantêm amigos (e o ministro da educação sai disto como?) in high places que lhe continuarão a garantir o sustento. Já não percebo nada disto, eu tinha vergonha sequer de sair à rua após uma merda destas. Não sei como é que estes gajos encaram amigos, vizinhos ou família. Não percebo, de todo.

Vou contar-vos uma história. Andei três anos a pastar no IST, fiz umas quantas cadeiras (essencialmente matemáticas) mas aquilo não era pra mim, não pedi adiamento e fui incorporado no Exército. Há uns anos quando me convidaram (através deste blogue) para escrever no Diário Económico telefonaram-me do jornal uma data de vezes porque não acreditavam que a profissão junto ao nome fosse “comerciante”. Fartei-me de explicar que não, não sou licenciado, sei umas cenas, sou curioso e gosto de estudar e de ser ensinado. Não acreditavam, era Dr praqui, Dr prali. Tive quase que exigir que em frente ao nome pusessem “comerciante”. Ora foda-se mais o sr doutor. Mandem-me gestores licenciados, pode ser que aprendam alguma coisa porque do que vejo não valem grande coisa nem se percebe o que lhes ensinam. E cheira-me que se o Observador e outros merdia desatam a indagar meia AR demite-se.