O que a Greve dos enfermeiros nos ensina sobre as outras greves?

Os Enfermeiros estão em greve. Não sendo eu favorável a greves, algo que eu não aceito é a campanha de desinformação espalhada pelo governo, pela comunicação social que age como cão de guarda ao governo, e por uma certa parte da classe médica que apoia o actual entendimento político.

O curioso desta greve é que, para atacar os enfermeiros, um dos vectores de ataque escolhidos pela esquerda no poder pode ser usado para criticar muitas outras greves. Afinal, se os enfermeiros são “selvagens” e “assassinos” (na verdade nunca se fizeram tantas cirurgias urgentes como durante esta greve!), então…

… os médicos grevistas serão o mesmo que acusam os enfermeiros de serem.

… os juízes grevistas serão criminosos, pela não aplicação da lei ou pelo menos pelo atraso desta, e ainda pelo benefício ao infractor.

… os polícias grevistas serão criminosos e ladrões, senão de forma directa, pelo menos como cúmplices.

… os pilotos da TAP e os funcionários da CP grevistas odeiam os respectivos utentes e serão mesmo sociopatas porque impedem as famílias de se reunirem.

… os professores grevistas odeiam as crianças, não têm paixão pela educação, e serão contra o futuro do país – certamente não devem querer receber reformas.

Greve.jpeg… os estivadores em greve serão obviamente contra as exportações do país em geral e contra trabalhadores como os da Autoeuropa e respectivas famílias em concreto.

… os funcionários públicos em greve serão contra o serviço público – incluindo o SNS – e os cidadãos que é suposto servirem.

… obviamente então as inter-sindicais e os comunistas e bloquistas serão selvagens, assassinos, pelo atraso do país, pela perda de empregos, criminosos, ladrões, sociopatas, odeiam as crianças e cospem em muitos dos pratos que lhes dão de comer.

Se a lógica da geringonça contra os enfermeiros se aplica, então tudo isto é verdade.

Anúncios

João Miguel Tavares vota no novo partido Iniciativa Liberal

João Miguel Tavares, um dos maiores “inimigos” de José Sócrates, anunciou aqui no “Às onze no Café de São Bento” (programa de Paulo Baldaia e David Dinis) que, em princípio, vai votar no novo partido liberal, a Iniciativa Liberal, em vez de votar PSD.

João Miguel Tavares explicou que não apoia o PSD de Rui Rio, por este não ser economicamente de direita (ao contrário de Passos Coelho que João Miguel Tavares apoiava), e que nunca votou no CDS por este ser um partido beto/beato e não um partido liberal.

Do meu lado, vejo como positivo João Miguel Tavares ser o primeiro “intelectual” da praça mediática a dizer que vai votar na Iniciativa Liberal. É alguém famoso pelo seu combate a Sócrates, alguém que sempre se assumiu como liberal, que fala várias vezes em liberalismo nos seus artigos e na Tv e até porque foi um dos primeiros que “pediu” publicamente um partido liberal. Ora, agora que o partido já existe é tempo de votar e, já agora, de o promover. Fico contente.

Miguel Sousa Tavares e os enfermeiros

Meme Miguel Sousa Tavares.jpeg

A tragédia portuguesa enunciada em 10 actos

Image result for centro porto portugal em 2005

Após uma enorme manifestação popular (de uma pessoa) coloco agora aqui um texto publicado no Facebook, a propósito das declarações da secretária de Estado da Habitação, que quer «ir atrás dos prédios devolutos e penalizá-los a sério». Já não bastava perseguirem contribuintes, agora querem perseguir prédios também. Estas afirmações são um prólogo de um episódio que remonta à 1ª República e que é sintomático do que é Portugal, e que se desenrola em 10 actos, culminando no nosso triste fado: miséria. Até quando?

1º acto — Na 1ª República, para colher apoio popular — que era nenhum — à república, os republicanos decidem congelar as rendas
2º acto — Salazar, apercebendo-se que a medida colhe apoio popular, decide manter a lei, para desgraça dos senhorios e gáudio dos inquilinos
3º acto — O 25 de Abril vem, pois claro, reforçar o congelamento das rendas, proibindo os despejos, incluindo de quem não paga
4º acto — Em 1990, Cavaco acaba com a obrigatoriedade de contratos vitalícios, mas apenas para contratos posteriores a 1990
5º acto — Em 2012, por imposição externa (a nossa acção está sempre dependente de factores externos, raramente fazemos algo por iniciativa própria), estabelece-se um período transitório para a lei das rendas
6º acto — O mercado anima-se com o feito, e os centros de Porto e de Lisboa deixam de ser amálgamas de prédios devolutos e desertos, inabitados ou habitados por pessoas que pagam 20€ de renda
7º acto — Socialistas voltam ao poder; surge uma nova lei das rendas que na prática acaba com o período transitório e congela novamente as rendas antigas até 2025
8º acto — O efeito é, não surpreendentemente, um abrandamento do mercado de arrendamento e a indisponibilidade para os senhorios fazerem obras, até porque, em alguns casos não incomuns, isso agravaria ainda mais os encargos que os senhorios já têm com prédios habitados por titulares das rendas antigas
9º acto — Governo chateado vai atrás desses senhorios titulares de prédios devolutos que o são porque o próprio estado português, numa sequência de más decisões, assim o quis.
10º acto — Miséria, o fado português. Somos reiteradamente ultrapassados por todos os países da Europa do Leste. Estamos já no 5º lugar da liga dos últimos da Europa, e somos dos países que continua a divergir dos restantes.

Até quando?

Execução de Passadeira. Em apenas 4 semanas (!)

Execução de Passadeira.jpg

Creio que o cartaz tem um erro na palavra “horas”, na linha “Duração prevista”.

Citando João Caetano Dias: Uma passadeira. Uma. Quatro semanas para executar uma passadeira. Quatro traços, quatro semanas. Centenas de cartazes de propaganda. Uma passadeira. É o delírio.

Jerónimo de Sousa, o Novo Rico

Jerónimo de Sousa Capitalista.gif

Agradecemos ao nosso leitor MFA (Manuel Folque Antunes) o grafismo. Está excelente.

Quanto a Jerónimo, no fundo é apenas mais um “artista”. Apenas mais hipócrita.

Nota: para quem ler isto depois de 2019, aconselho: PCP, Sábado, Ana Leal com provas.

Racismo, segundo a cartilha do bloco de esquerda