Irlanda e Portugal: descubra as diferenças

Ireland to repay €5.5bn in bailout loans after ESM approval

European authorities have given Ireland the green light to fast-track the repayment of €5.5 billion in outstanding loans from the International Monetary Fund (IMF), Denmark and Sweden.

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Excesso de zelo

O vício corporativo e o próximo colapso

O cancro da democracia. Por João César das Neves.

A doença mortal da nossa democracia volta a manifestar-se. É a maleita que arruinou liberalismo e Primeira República, gerou as várias ditaduras que suportámos, causou a dívida que hoje nos oprime e a recessão de que ainda recuperamos. É ela que gerará o próximo colapso que, após as manifestações recentes, está cada vez mais próximo. O vírus é o corporativismo exacerbado, com grupos poderosos esquartejando o país a seu favor, exigindo condições acima das possibilidades, destruindo o desenvolvimento, justiça social e equilíbrio nacional.

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A ética republicana da geringonça e as casas ardidas que pagam IMI

Costa a abraçar uma contribuinte passiva cuja casa ardeu num incêndio florestal e que acaba de chegar da repartição das finanças, onde pagou o IMI.  A contribuínte não tem casa mas cumpiu o dever patriótico e cívico. Não tem nada a ver com os figurantes, a Aximage e o focus group. 

 

Ontem choquei de frente com este tweet da Margarida B. Lopes.  E pensei: mesmo para a evidente falta de nível político, ético e moral da geringonça, é mau demais para ser verdade. Erro meu.
Pelo menos 110 pessoas morreram, vítimas de incêndios florestais. Milhares ficarem sem sustento, sem nada. E o que fazem o PS, o BE e o PCP a propósito de uma iniciativa do PSD de isentar de IMI (referente a este ano e ao próximo) as pessoas que perderam as casas (prédios urbanos, rústicos e industriais)? Chumbam a proposta dos sociais-democratas, obrigando estas vítimas a pagarem IMI sobre imóveis que foram destruídos pelos fogos.
Por uma questão de higiene, vale a pena seguir a discussão na página da Margarida B. Lopes.
E para os mais distraídos em geral e em particular, aos deputados nacional-socialistas de rosto humano, a autora do tweet relembra que existem várias propostas da geringonça para isenções de IMI no OE 2018 e aprovadas na Assembleia da República.
Em resumo: a geringonça não aprovou a medida proposta pelo PSD porque entendeu não o fazer. Em jeito de conclusão: a decisão da geringonça mesmo levando em linha de conta os baixos padrões da geringonça, é monstruosa.
Às criaturas do PS, Bloco de Esquerda e do Partido Comunista que de livre vontade o fizeram, desejo que seja insuportavelmente pesada a terra que levarão em cima.

Não têm vergonha? II

Pelos vistos, a pessoa que fez as perguntas à deputada Margarida Balseiro Lopes na imagem do post anterior (aqui abaixo), fê-las no papel de “advogado do diabo” para que as respostas fossem (muito bem) o que foram. Não me parece que, perante o recorte apenas, eu tenha feito uma interpretação abusiva das perguntas, até porque estou demasiado escaldado. Mas parece que sim, que a intenção de quem as fez não era a que eu entendi. E assim aqui ficam as minhas desculpas e não, não é um imbecil. Para já.

Não têm vergonha?

 

(correcção em post mais acima)

É raro acontecer-me mas não creio que a língua do Camões e do Bocage me faculte vernáculo suficiente para isto.

Quando ontem vi um post da deputada Margarida Balseiro Lopes (PSD) em que esta dizia que os deputados do Partido do Pote de Sebo, da boneca Chuckie e do Avô Cantigas e respectivo apêndice tinham votado contra uma proposta de isentar de IMI em 2017 e 2018 as pessoas que perderam as casas nos incêndios deste ano da (des)Graça de 2017, não quis acreditar. Achei que era talvez um lapso, ou parte da politiquice. Já me habituei a ser céptico quanto ao que dizem os políticos e ardinas, excepção feita a dois ou três que conheço. Fui saber e é mesmo verdade.

Os que votam e apoiam a solução que nos pastoreia não têm vergonha? São capazes de olhar um espelho sem uma vontade irreprimível de suicídio? Conseguem dormir? Passam os dias nessa insuportável posição de superioridade moral, na suposta defesa dos mais frágeis e desfavorecidos, a apregoar um suposto humanismo e suposta preocupação com os que menos podem e são capazes de aprovar uma barbaridade destas? O que isto vem mais uma vez demonstrar (como se fosse preciso) é que nesse mundinho adolescente da eterna luta do Bem contra o Mal, são V Exas as bestas. Isto é maldade pura. Continue reading “Não têm vergonha?”

Assim vai a relação do Presidente com o Governo…

Marcelo soube da transferência do Infarmed no dia do anúncio

A comissão de trabalhadores da Autoridade do Medicamentos (Infarmed) enviou um pedido de audiência urgente ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e alguns elementos vão ser recebidos pela Casa Civil do Presidente da República na segunda-feira à tarde.

Na carta de resposta ao pedido da comissão de trabalhadores, o chefe da Casa Civil refere que “o Chefe de Estado tomou igualmente conhecimento da decisão [da transferência da sede do Infarmed] com o anúncio público da mesma”.

Leitura complementar: Governo/2 anos: Tempos mais difíceis para Costa com pressão da geringonça e de Belém.

Carlos Guimarães Pinto no Blasfémias

A estreia do Carlos Guimarães Pinto no Blasfémias, que assim concretizou uma contratação verdadeiramente galáctica: O segundo país mais pobre da União Europeia.

2 anos de “geringonça”

Artigo com comentários meus e de António Costa Pinto sobre os dois anos de Governo/geringonça e perspectivas futuras: Governo/2 anos: Tempos mais difíceis para Costa com pressão da geringonça e de Belém

Colóquio Francisco Suarez – 29 de Novembro em Lisboa

No próximo dia 29 de Novembro, na Universidade Católica Portuguesa em Lisboa, serei um dos oradores no Colóquio que assinala os 400 anos da morte de Francisco Suarez.
Mais informações aqui.

Benfica 2017/18 continua a somar recordes!

Benfica em risco de se tornar a pior equipa portuguesa de sempre na ‘Champions’

12 golos sofridos e apenas um marcado. Benfica de Rui Vitória está a caminho de entrar para a história pelas piores razões.

O pior Benfica de sempre

Cinco jogos para a Liga dos Campeões, cinco derrotas, doze golos sofridos e um marcado. As estatísticas do Benfica falam por si, falam de uma crise. Com a derrota em Moscovo, os encarnados consolidaram o estatuto de pior cabeça de série de sempre

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Marcelo, o presidente dos sofredores

Terá Marcelo pena de nós por não passarmos da cepa torta? A minha crónica hoje no i.

Marcelo, o presidente dos sofredores

Na semana passada escrevi sobre como Marcelo mudou desde o princípio do seu mandato presidencial. Hoje faço-o sobre como essa mudança prova o quanto Portugal se mantém igual. É cada vez mais certo que o crescimento económico que temos presenciado está a ser distribuído através de favores que visam a manutenção do PS no governo, a satisfação dos interesses dos sindicatos do PCP e a agenda do BE.

Tal como no passado, a conjuntura internacionalmente favorável que vivemos não está a ser aproveitada para reformar o Estado e libertar a economia. O país vai pagar muito caro cada dia que passa com o atual governo. Marcelo já o percebeu e age em conformidade. Nas últimas semanas tem consolado as vítimas dos incêndio, da mesma forma que, dentro de algum tempo, consolará as vítimas das atuais políticas.

Marcelo é hoje mais um consolador da nossa tragédia que um político. Cada abraço de conforto que dá, cada palavra de força que profere vai nesse sentido: consolar um país cujo fado é sofrer. É muito interessante ver como, enquanto Cavaco, apesar de todas as suas idiossincrasias, apelava ao esforço e à vontade para se superarem as dificuldades, Marcelo se contenta em consolar os pobres porque serão sempre pobres.

Ao vê-lo no seu afã por estar com os que sofrem, este novo Marcelo que nos surge triste, contristado, com pena dos portugueses, faz-me crer o quanto ele finalmente compreendeu o sacrifício imenso que é viver aqui, de forma pequena. Sem horizontes, sem esperança, sem saída.

25 de Novembro

Alguns poderão estar esquecidos, outros nunca terão ouvido, outros estarão equivocados e alguns terão escutado uma versão deturpada ou selectiva da coisa. Mas quando Jaime Neves e os restantes comandos impedem o golpe dos pára-quedistas de Tancos, impedem não apenas um golpe militar, mas o golpe militar da extrema-esquerda que visava garantir que Portugal passava de uma ditadura de direita para uma ditadura de esquerda, comunista e à boa moda soviética, isto assumindo que os arrufos entre estalinistas e maoístas se resolviam. Isto foi no dia 25 de Novembro de 1975. O 25 de Abril sem o 25 de Novembro teria sido uma mera mudança de cores de camisola. É, portanto, uma data tão alusiva à democracia como é o 25 de Abril, e, como tal, merece ser recordada, celebrada, felicitada, festejada.

Um dos partidos que mais fez pela consolidação do 25 de Novembro foi precisamente o PS de Mário Soares. Que o Bloco de Esquerda, que mais não é do que a agremiação da UDP e do PSR, radicais que buscavam essa ditadura comunista, e o PCP, que, bom, é o PCP, não celebrem o 25 de Novembro parece-me coerente. Afinal, o sonho de uma ditadura comunista foi gorado. Que o PS alinhe no circo é que é absolutamente inaceitável. Uma vergonha.

Afinal

Afinal as hipóteses do Porto eram limitadas; afinal, as melhorias na economia europeia vão trazer taxas de juros mais elevadas, o que não nos ajuda nada. Afinal, o governo cede nos professores porque está preso pelas clientelas do PCP e do BE; afinal, o PCP não derrubou o muro; afinal, a dívida pública é ainda mais colossal do que era em 2011. São muitos os afinais. Porque, afinal os tempos felizes que vivemos foram ao género dos tempos felizes de outrora em que o país, apesar de pobre, se dizia único, com um povo simpático e acolhedor. Afinal isto está tudo igual e somos governados pela mesma mentalidade que governou o país naqueles 40 anos que alguns de nós desejávamos longínquos. Mas não são. Perseguem-nos, porque afinal tudo se resume a muito pouco.

A desigualdade salarial entre homens e mulheres e entre regiões em Portugal

O sexo e as cidades: uma visão regional das disparidades salariais. Por Carlos Guimarães Pinto.

Curiosamente, a diferença salarial de uma mulher no Norte em relação a um homem com as mesmas características (9,3%) é ligeiramente inferior do que em relação a uma mulher que trabalhe na Área Metropolitana de Lisboa (9,9%). Para uma mulher a trabalhar no Norte do país, a região onde vive tem um efeito mais negativo no seu salário do que o sexo com que nasceu.

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A esquerda está a dar cabo do Estado social

Hoje no Jornal Económico.

A esquerda está a dar cabo do Estado social

Primeiro soubemos das cativações orçamentais. Depois que essas cativações tinham sido a causa para o dito sucesso do défice de 2% do PIB, em 2016. Como não há milagres, apesar de na crença de alguns as vacas voarem, percebemos que as cativações compensaram os aumentos salariais na função pública, que é a plataforma eleitoral do Governo.

Mais tarde fomos sabendo outras coisas. Soubemos da má resposta das autoridades ao incêndio em Pedrógão, das deficiências do Estado no combate aos incêndios de 15 de Outubro, da anedota pública que foi o roubo de Tancos, das listas de espera nos hospitais que têm vindo a aumentar, das escolas, algumas sem professores outras sem comida decente para crianças. Uma lista interminável de falhas do funcionamento do Estado, das quais o surto legionella no São Francisco Xavier é apenas mais uma gota de água num oceano que, caso o Governo fosse outro que não este seguro pela extrema-esquerda e um ciclone de categoria 5 pairaria sobre nós.

Conforme noticiado pelo Público, o Conselho Nacional de Saúde, um órgão independente consultivo do Governo terá concluído que faltam cerca de mil milhões de euros para a saúde. Não é por nada, mas quando ouço rumores de que falta dinheiro na saúde, que há atrasos no pagamento a fornecedores e os partidos de extrema-esquerda se calam é porque o assunto, além de grave, os compromete. O que me assusta: sempre que os extremistas, e os comunistas são extremistas se nos recordarmos do que disseram aquando do centenário da revolução bolchevique, estão comprometidos é porque algo muito grave e perigoso se passa.

É chocante a forma como o Governo, e quem o sustenta, mentiu antes da troika, durante a intervenção da troika e agora, depois do programa de resgate financeiro a que o Estado se teve de submeter para salvar a sua dimensão social. Até 2011, com a economia estagnada, o PS comprometeu o país, apesar de alguns avisos em contrário, a um programa de dispendiosas obras públicas para fazer a economia mexer. O resultado foi a falência do Estado. Durante o programa de resgate que visou salvar o Estado social, a esquerda, da pretensamente moderada à extremista, acusou o governo de o destruir porque se cortavam salários apesar de se manterem as despesas sociais. Como se pagar salários na função pública fosse uma obrigação social e não laboral. Já em 2017, enquanto se cativa dinheiro que falta faz a quem precisa, aumentam-se salários, repõem-se regalias.

Agora que o Estado vai perdendo a sua dimensão social a esquerda já não sai à rua porque os seus não são os que mais beneficiam dos cuidados de saúde nem das políticas sociais. Os seus são apenas os que votam e esses são os que lhe interessam.

Constitutionalism in a Plural World

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No próximo dia 23 de Novembro apresentarei a comunicação “Beyond Constitutional Rules: the case of the Constitution of the Portuguese Republic of 1976” (elaborada em co-autoria com Inês Gregório e Daniela Silva) no âmbito da conferência internacional “Constitutionalism in a Plural World” no Campus da Foz da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. Mais informações, incluindo o programa completo da conferência, aqui.

Sobre o fim anunciado do ensino vocacional

O triste fim anunciado do ensino vocacional. Por Inês Gregório.

(…) a erradicação dos cursos vocacionais contribui para perpetuar o desprestígio social relativamente a esta via de ensino. Uma imagem negativa que se reflecte principalmente na ideia de que estes cursos se destinam apenas aos menos capazes, àqueles que não conseguem ter aproveitamento nas vias académicas de ensino. Um estigma que penaliza duramente quem mais precisa: os alunos com mais dificuldades no sistema actual e os provenientes de contextos sociais menos favorecidos, que são deixados para trás por um ensino que não os acompanha e que não acomoda as suas motivações e necessidades particulares.

Uma discussão séria e alargada sobre a estruturação de percursos de ensino com formação de natureza profissional, nomeadamente no que diz respeito a questões éticas mais sensíveis como o momento de introdução desta diferenciação ou o regresso a percursos de natureza académica, é bem-vinda em qualquer momento. Já a eliminação em absoluto dos cursos vocacionais (e a sua substituição por uma opção que se revelou pouco estruturada e incapaz de responder aos desafios do elevado abandono escolar e da falta de qualificação dos jovens portugueses) parece ser uma opção meramente ideológica e baseada num preconceito intelectual que vai contra a generalidade das recomendações das instituições internacionais e contra as melhores práticas de outros países da União Europeia.

A greve dos professores e a “bolha”

Por que é que os professores não têm razão (ou não têm toda a razão). Por José Manuel Fernandes.

O argumento dos professores parece imbatível: se aos outros trabalhadores da administração pública vai ser contado todo o tempo de serviço para efeitos de evolução na carreira, porque haverão os professores de ficar de fora? Mais exactamente, porque ficam de fora “nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço”, como dizem os sindicatos, contabilizando os períodos entre agosto de 2005 e dezembro de 2007 e entre 2011 e 2017?

Visto desta perspectiva a lógica sindical parece imbatível e a irritação dos professores uma maré imparável. Mas temos de ter também a perspectiva do contribuinte (serão mais 650 milhões de euros em salários de funcionários públicos), tal como não podemos perder a perspectiva de todos os que, não sendo trabalhadores do Estado, não beneficiam deste inominável princípio em que “a antiguidade é um posto”. No mundo real, aquele que fica fora do ambiente protegido em que vivem os professores e os outros funcionários públicos, não é assim. Nunca poderia ser assim. Sobretudo é cada vez menos assim.

É esta perspectiva que me interessa, pois é ela que interessa à maioria dos portugueses que pagam impostos e não sabem o que é isso de “promoções automáticas”. Pelo contrário: conhecem bem o mundo em que os empregos não são para a vida, em que as passagens pelo desemprego quase sempre se traduzem na aceitação de empregos com uma menor remuneração, o mundo em que muitas vezes se negoceiam reduções salariais e não promoções “porque sim”.

Esta greve dos professores teve o mérito de nos recordar como é diferente a “bolha” em que vivem aqueles para quem este Executivo tem governado – as corporações que vivem do Estado ou à sombra do Estado – e a dura realidade dos que têm que fazer pela vida e pela criação de riqueza.

Marcelo mudou, mas de pouco nos vale

A minha crónica hoje no i.

Marcelo mudou, mas de pouco nos vale

Para mim, como Presidente da República, o mudar de vida neste domínio é um dos testes decisivos ao cumprimento do mandato que assumi e nele me empenharei totalmente até ao fim desse mandato.” Marcelo Rebelo de Sousa, em 17 de outubro de 2017, ao finalizar o seu discurso em Oliveira do Hospital.

É importante relembrar estas palavras do Presidente da República porque marcam um ponto de viragem no seu mandato.

Até então, Marcelo andava sempre junto a Costa, apoiava o governo, alinhava, embora com as reservas normais numa pessoa minimamente inteligente e sensata, no optimismo dos socialistas. Marcelo ria, sorria, falava, gesticulava, tornara-se um homem fútil, um Presidente supérfluo que não fazia contraponto ao governo, mas à oposição. Alegre, jovial, folgava os bons tempos com que os bons ventos vindos do exterior bafejavam o seu mandato. Marcelo desfrutava ao mesmo tempo que rebaixava Passos, troçando do seu azar.

Mas depois Passos saiu, a tragédia instalou-se e Marcelo, qual verdadeiro animal político, mudou. Ele sabe que a felicidade da primeira parte do seu mandato não tem bases para se manter e que tudo se esboroará sem que se perceba bem como. É para esse tempo que Marcelo se prepara. Assim, enquanto Costa e Medina se abraçavam na abertura da Web Summit, quais crianças felizes e contentes, Marcelo visitava os sem-abrigo. Porque Marcelo já não tagarela; ainda sorri, mas de um jeito triste, e já não se ri por tudo e por nada. Marcelo deixou de querer estar na roda e já não dança. Mudou porque as circunstâncias mudaram. Tornou-se sério e passou a ser levado a sério.

O problema, no entanto, é que a ação de Marcelo não vai resolver problema nenhum. O país continua a endividar-se, e o Estado sequestrado por interesses vários; não há reformas que reduzam a despesa pública, nem Marcelo, mesmo que a isso estivesse disposto, podia fazer o que quer que fosse. Desta forma, caminhamos para o pior dos cenários numa democracia: um Estado endividado, preso por variadíssimos interesses que vão das empresas dependentes dos decisores políticos aos sindicatos que precisam de mostrar serviço, passando pelas fundações e demais entidades públicas. Com uma classe política desacreditada e um Presidente generoso, popular, mas totalmente incapaz de propor as mudanças que são indispensáveis, temo que muitos dos que hoje culpam a liberdade económica por todos os males do mundo acabem por apontar o dedo também ao liberalismo político. Marcelo mudou, mas a mudança serve-nos de alguma coisa?

Sócrates, o blogger e o ghostwriter

Sócrates. O que o blogger e o ghostwriter disseram à Justiça

21:30 no Porto Canal

Mais logo, a partir das 21:30, estarei no Porto Canal a debater o estado do país com o Prof. Daniel Bessa e o Presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, sob moderação de Júlio Magalhães.

Festa no Panteão: a culpa é do Passos, da Cristas e dos eucaliptos com dois anos

Entretanto, o site www.patrimoniocultural.gov.pt recolheu ao Panteão Nacional. Acreditemos que a culpa é do governo anterior.

Adenda “eu não fui”: (…)Quanto à presença de membros do Governo no polémico jantar, o gabinete do primeiro-ministro só esclarece que António Costa não participou. O mesmo gabinete não esclarece se qualquer outro membro do executivo esteve presente.

António Costa, o novo Odorico Paraguaçu

Festa rija no Panteão Nacional. Descubra as diferenças entre a personagem de ficção e um ser desprovido de vergonha o Primeiro-Ministro de Portugal.

Candidato a prefeito da cidade fictícia de Sucupira, elegeu-se com a promessa de construir o cemitério da cidade.[2] Apesar de corrupto e demagogo, era adorado pelos eleitores e exercia fascínio sobre as mulheres.[2][1] Era pai de Telma (Sandra Bréa) e Cecéu (João Paulo Adour).[2]

Dono de uma retórica vazia, gostava de citar filósofos e políticos, como Platão e Rui Barbosa, ou inventava frases que atribuía a personalidades.[2]

O problema de Odorico é que, após a inauguração do cemitério, ninguém mais morreu. Desesperado com a situação, tomou iniciativas macabras para concretizar sua promessa, provocando situações cômicas.

Para o futuro fica a ideia para mais eventos: só em Lisboa existem outros sete locais -Cemitério Alto de São João, Cemitério da Ajuda, Cemitério de Benfica, Cemitério de Carnide, Cemitério do Lumiar, Cemitério dos Olivais e o promissor Cemitério dos Prazeres-, que podem ser usados de uma forma moderna, festiva e progressista.  O poder local recentemente eleito promete e a Geringonça que é incapaz de cuidar dos vivos e de respeitar os mortos governa o país a cantar e a rir, de uma forma nunca antes vista. Não estranhem.

No país dos unicórnios aitéque

#thisisportugal, a crónica de  Alberto Gonçalves no Observador.

Sendo um cidadão atento, fui a correr descobrir o que é a Web Summit. Pouco depois, regressei a correr ainda mais. De medo. Só alguns dos oradores indígenas bastariam para assustar um herói de guerra: o dr. Costa (que, ficámos a saber, fala tão bem inglês quanto português), o prof. Marcelo, o eng. Guterres, o sr. Figo, dirigentes do futebol, senhores da banca e ilustres matarruanos em geral. Em suma, política, bola, Estado e a previsível tralha da “influência” e do compadrio. De brinde, o dr. Louçã, cuja presença num evento alegadamente dedicado a ideias novas é comparável a convidar Stephen Hawking para abrilhantar o carnaval de Torres Vedras.

Para cúmulo, tamanha maravilha aconteceu no exacto momento e na exacta cidade onde morrem pessoas por via da “legionella”, onde um ministro anuncia o aumento de IRC e onde, a pedido de corporações, a polícia enxota os condutores da Uber e similares que tentam aproximar-se do aeroporto (sou testemunha interessada: aterrei em Lisboa por motivos que não vêm ao caso e apenas o terceiro carro arriscou apanhar-me). Segundo a propaganda, a Web Summit mostra a nossa abertura à inovação e à iniciativa e ao investimento. A sério? Se no ano que vem resolverem transladar a festança para Caracas, as diferenças serão mínimas. Uma “hashtag” promocional jurava: #thisisportugal. E o pior é que é verdade. (…)

Web Summit no Panteão Nacional de um país que não se respeita (3)

António Costa diz que jantar da Web Summit no Panteão Nacional é “absolutamente indigno” e “ofensivo”

Costa diz que jantar da Web Summit naquele monumento é “ofensivo” e Ministério da Cultura diz que “estranhou” o evento. Ambos culpam lei do governo anterior, mas tiveram dois anos para alterá-la.

Barreto Xavier sobre jantar no Panteão: “Só por cobardia política é que o Governo não assume responsabilidade”

O ex-secretário de Estado acusa António Costa de fazer “fuga para a frente” no caso do jantar da Web Summit no Panteão. Despacho que permite eventos em monumentos é do governo anterior.


Web Summit no Panteão Nacional de um país que não se respeita (2)

O jantar exclusivo da Web Summit foi no Panteão Nacional

Um jantar à luz das velas, ao lado dos túmulos de Humberto Delgado e Amália, e só para um grupo restrito de empresários e investidores? Não é montagem, aconteceu mesmo no Panteão.


A Web Summit e Portugal

Os novos beatos do Web Summit. Por Rui Ramos.

Duas coisas detestáveis do Web Summit: a importância que a si próprios se dão estes profetas do écran, e o delírio governamental com a ideia de replicar Silicon Valley numa Albânia.

PPPs: pela sua Saúde

Against all odds, as PPPs em Saúde foram uma excelente solução, que trouxe uma poupança líquida para o Estado na prestação de cuidados de saúde. Só na PPP do Hospital de Cascais são 30M€/ano. BE e PCP querem revertê-las por mero capricho ideológico, quando toda a evidência vai em sentido contrário. Aliás, a participação do sector privado tem sido absolutamente fundamental para

a melhoria da eficiência no financiamento e na prestação de cuidados de saúde pela competição e cooperação geradas, pela utilização mais racional dos recursos, pela repartição de responsabilidades e pelo aumento da produtividade, pelo incremento da equidade, no acesso, através do aumento da oferta, da maior cobertura geográfica do país, da redução de barreiras de acesso, da redução das listas de espera e ainda pela melhor articulação entre os setores traduzida na melhoria global dos resultados em saúde.

Quem o diz não sou eu, é o actual Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, na sua tese de doutoramento.

O meu artigo no Observador.

Web Summit no Panteão Nacional de um país que não se respeita