O risco de Rui Rio

A minha crónica no i.

O risco de Rui Rio

Ao que parece Rui Rio está disponível para entendimentos com o PS. Se tal suceder o PSD passará a concorrer com o BE, o PCP e, possivelmente, também o CDS, na aprovação das políticas no parlamento. A confirmar-se, a decisão de Rui Rio apresenta uma razão de ser e representa um risco.

A razão de ser prende-se com a revolução partidária que tem lugar em alguns países, nomeadamente, Espanha e França. Ainda esta semana uma sondagem colocou pela primeira vez os Ciudadanos à frente do PP e do PSOE. Há menos de um ano Emmanuel Macron foi eleito presidente da França sem o apoio dos partidos tradicionais e, um mês depois, o seu partido, La République en marche!, venceu as legislativas.

Há quem, como eu, considere que o PSD deve ser mais liberal, tornar-se numa verdadeira alternativa ao socialismo, em vez de uma peça na mera rotação do poder em prol dos favores estatais. Ao contrário, Rui Rio prefere um partido de menor carga ideológica porque vê que essa é também a marca que distingue os Ciudadanos e o fenómeno Macron que pertencem ao centro político.

O raciocínio de Rio parece também ter em conta o Portugal ser um país avesso à mudança. Na verdade, as possibilidades de o PSD perder o lugar para o CDS são mínimas. O CDS não tem condições para substituir o PSD, não só porque tem tantos anos e vícios como o PSD, como a sua veia ideológica nunca existiu, ou quando existiu foi confusa.

Mas representa também um risco. E o maior é que, caso Rio confirme a sua estratégia de viabilizar uma governação socialista não dependente da extrema-esquerda, o PSD perde contacto com o país a longo prazo. Preso às negociações das medidas de efeito imediato, o PSD perde discurso, legitimidade, para se afirmar mais tarde quando a falta de reformas, os efeitos perversos de uma governação que se cinge a aproveitar a conjuntura internacional, se fizerem sentir porque essa mesma conjuntura se alterou.

Nessa altura, algo como Macron ou os Cuidadanos terá todas as condições para surgir e se impôr na política portuguesa, mas dificilmente o PSD. Porque nessa altura o país precisará de gente sem mácula, liberta dos arranjos partidários para que um partido que não venceu governe. Uma força política deste género, atenta aos reais problemas das pessoas, aos verdadeiros desafios do país, sem passado, mesmo que sem grande carga ideológica pode pôr em causa a predominância do PSD. Por muito que se perceba a razão de ser da sua estratégia esta comporta um grande risco para Rui Rio.

Anúncios

A doença do centralismo

Sim, a ideia de enviar o Capoulas Santos e o Ministério da Agricultura para a Zebreira ou o Vieira da Silva e o seu (com sentido de propriedade, mesmo) Ministério da Segurança Social para as ilhas Selvagens apraz-me de sobremaneira, mas não iria resolver o problema do centralismo. O problema do centralismo é outro. É este:

http://observador.pt/opiniao/a-doenca-do-centralismo/

A Dádiva da dívida – Grémio Literário – 26/01/2018, 19h.30 com Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos

Tomem nota:

26 de Janeiro 2018, pelas 19:30, terá lugar no Grémio Literário, em Lisboa, uma Tertúlia sobre as consequências negativas da dívida pública no Portugal de hoje, tendo como pano de fundo a experiência portuguesa no século XIX e início do século XX.

São convidados Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos, dois reconhecidos professores de História, com especial ênfase no período em questão.

O desenvolvimento alcançado com a democracia foi conseguido à custa de um forte endividamento, tanto do Estado como dos indívíduos e das famílias. Mas, ao contrário do que possa parecer, o problema não é de décadas, pois há séculos que Portugal vive debaixo das consequências da dádiva da dívida.

Será a dívida assim tão indispensável que o país não seja capaz de reconhecer os seus efeitos nefastos? Ou será que o passar para as gerações futuras o pagamento do nosso bem-estar revela, não uma forma de desenvolvimento, mas o egoísmo dos cidadãos que ainda não perceberam o que o conceito de interesse público verdadeiramente pressupõe?

Candidaturas IEP-UCP – Até 18 de Janeiro

Encerram a 18 de Janeiro as candidaturas para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

22:00 no Porto Canal: a nova liderança do PSD e a situação política nacional

Juntamente com Luís Miguel Duarte, da Universidade do Porto, e Salvador Malheiro, director nacional de campanha de Rui Rio, sou um dos participantes do debate “Estado do País” no Porto Canal sobre as implicações da nova liderança do PSD para a situação política nacional que vai para o ar hoje às 22:00.

Alma minha gentil, que te partiste

imagesDiz a Dra. Manuela Ferreira leite, ex-Presidente do PSD, hoje, em entrevista à TSF:

“Da mesma forma que o Bloco de Esquerda e o PCP têm vendido a alma ao diabo, exclusivamente com o objetivo de pôr a direita na rua, eu acho que ao PSD lhe fica muito bem se vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua.”

Toda a gente tem direito às suas infelicidades, mas esta tirada parece-me particularmente infeliz.

  1. É infeliz desde logo porque, ao comparar o PSD com o BE e o PCP, está a colocar o PSD ao nível daqueles dois partidos. Tradicionalmente, e até por respeito à expressão eleitoral de cada partido, o “espelho” do PSD seria o PS e apenas o PS. Isso é, aliás, essencial para a estratégia de “alternância” entre os dois grandes.
  2. Daqui resultaria que o PSD deixa de alternar com o PS no governo para passar a alternar com BE e PCP na formação da maioria parlamentar de apoio ao PS. De facto, na equação montada por Ferreira Leite parece resultar que, ao fazer como o BE e o PCP, o PSD estaria disposto a assumir a posição presentemente ocupada por eles, assim vendendo “a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua”. Assumir esta posição de menorização e subalternidade é mau. Fazê-lo no dia seguinte às eleições directas no seu partido é péssimo.
  3. E é esta menorização, esta disponibilidade para “vender a alma ao diabo”, que não se admite a uma ex-Presidente do PSD. Não é apenas uma proposta de venda, é uma confissão de falta de alma. E, infelizmente, talvez a Dra. Ferreira Leite tenha razão, é isso que falta hoje ao PSD: alma.

Sobre as directas e a próxima liderança do PSD

Artigo e podcast com comentários meus sobre as directas e a próxima liderança do PSD publicados hoje no Público:

Pode o próximo líder relançar o PSD?

Podcast Poder Público: “Há uma percepção de que estamos perante um líder de transição” no PSD

SNS, pós-austeridade…

Por uma vez, Ordem dos Médicos e Ordem dos Enfermeiros estão de acordo.


Seminário Adérito Sedas Nunes sobre a Sociedade Portuguesa

Caro Pedro Santana Lopes

A crónica de hoje no i é um risco que corro. Não faz mal, apeteceu-me. Infelizmente, o mais certo é que não valha a pena. Não valha a pena que Pedro Santana Lopes a leia, não valha a pena que se candidate a líder do PSD, nem que tente ser primeiro-ministro. O mais certo é que nem tenha valido a pena escrever esta crónica.

Caro Pedro Santana Lopes,

Ao que tudo indica o senhor será o futuro líder do PSD, o partido com mais deputados no Parlamento. Além de sobejamente conhecido o senhor tem dado mostras de conhecer bem a natureza do país que quer governar, natureza essa na qual também se revê. A razão desta minha crónica em forma de carta aberta si dirigida é, pois, outra. Prende-se em saber se está preparado para ser diferente de Guterres, Durão Barroso, Sócrates e Costa.

Portugal encontra-se numa encruzilhada porque tem uma dívida colossal, cuja resolução obriga a um enorme esforço e sacrifício, a que se soma uma maioria de esquerda social-comunista que capturou o Estado e impede qualquer alternativa que não seja o caos que, historicamente, boa parte dessa esquerda deseja. Veja-se, a título de exemplo, o que sucede no Hospital de Faro, conforme denúncia dos enfermeiros que lá trabalham: situações indignas para qualquer doente num país europeu, num país como Portugal em que os cuidados de saúde são a pedra basilar do Estado social que construímos.

Situações como esta, a par de escolas sem aquecimento ou papel higiénico, acontecem porque o governo social-comunista de António Costa usa os dinheiros públicos para pagar a sua base eleitoral de apoio em detrimento, quando necessário, dos cuidados sociais, esses sim, uma função a que, constitucionalmente, o Estado se encontra obrigado. O fim último do Estado não é pagar salários, mas prestar serviços sociais. Goste-se ou não é o que está na Constituição.

A situação das finanças públicas é tão calamitosa que, para se manter no poder, a esquerda social-comunista pretere os que precisam em benefício dos que a apoiam. Nesta matéria o PS aprendeu com os melhores ou não fosse o comunismo pródigo neste tipo de estratégia para segurar o poder.

Caro Pedro Santana Lopes, se quiser ser primeiro-ministro não lhes restam muitas alternativas: ou reduz a dívida ou empobrecemos; ou temos um governo PSD/CDS ou a dita maioria de esquerda refém do PCP e do BE. O clima de urgência é semelhante ao do tempo de Sá Carneiro. Do tempo daquele homem que o senhor diz tanto admirar.

Pergunto-lhe directamente, caro Pedro Santana Lopes: está em condições para derrotar o PCP e o BE? Está em condições para governar sem endividar o país? Consegue convencer os eleitores a não se conformarem a trabalhar no Estado ou nas grandes empresas que beneficiam das ligações políticas? Tem condições para separar o Estado dos negócios? Tem condições para quebrar com a oligarquia? Consegue romper com os aristocratas? Quer respeitar uma Justiça soberana e independente? Está preparado para ser um novo Sá Carneiro ou quer só ser mais um na lista de cima?

Não basta responder que sim. Precisa de se convencer do seguinte: que se estiver, não vai ter vida fácil; se o fizer vai ter todos contra si, principalmente essa esquerda que vive do sistema que critica. Mas se não estiver disposto a isso, disposto a marcar a diferença, não vale a pena. Não vale a pena ler esta crónica nem candidatar-se, menos ainda governar o país.

Viver sem dívida: um salto civilizacional

Já me disseram que sou um chato por estar sempre a falar da dívida pública. A tertúlia no Grémio Literário com Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos é sobre isso (falarei sobre isso noutra oportunidade, mas podem já tomar nota: 26 de Janeiro, às 19.30). Faço-o porque este é o assunto mais premente dos nossos dias.

Se uma pessoa tem dívidas e morre, os seus herdeiros (filhos, netos incluídos) podem renunciar à herança. Até podia estar em causa um grande património, mas se a dívida for colossal e anular esse património têm sempre escapatória.

Com o Estado isso não sucede. Se o Estado (nós) vive com dívidas, os nossos filhos e netos não podem renunciar a ela, não podem renunciar à sua herança. Ficam de mãos e pés atados. Viver com dívida é uma ofensa e meter na cabeça que o Estado não se pode endividar como se não houvesse amanhã é um salto civilizacional que o país, no seu todo, tem de dar. Se não o fizer, a única forma dos nossos filhos e netos terão de escapar ao que lhes deixamos é ir embora. Isso será injusto para eles e significará o fim do país.

Se quiserem podemos pôr o assunto nos termos das questões ambientais.

Candidaturas IEP-UCP – Semestre de Primavera

Candidaturas abertas até 18 de Janeiro para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Afastar Joana Marques Vidal será uma opção política

A intenção e opção política do Governo liderado por António Costa é agora absolutamente clara e explícita. Tem a palavra o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: Constituição não impede renovação de mandato da PGR

A 10 meses de acabar o mandato da PGR, ministra abriu a porta à saída de Joana Marques Vidal. Costa secundou a “opinião jurídica”. Mas os especialistas são unânimes: a Constituição não diz nada disso.

Continue reading “Afastar Joana Marques Vidal será uma opção política”

Joana Marques Vidal e a peculiar doutrina do “mandato único”…

Esta parece uma situação clara em que muito importaria que fosse também conhecida a “perspetiva de análise jurídica” do Presidente da República, ainda para mais sendo Marcelo Rebelo de Sousa um dos mais destacados constitucionalistas portugueses: Governo abre porta à saída da Procuradora-geral Joana Marques Vidal

A ministra da Justiça abriu hoje a porta de saída à Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, que termina o seu mandato no próximo mês de outubro. Em entrevista à TSF, Francisca Van Dunem defendeu, na sua “perspetiva de análise jurídica”, que “há um mandato longo e um mandato único. Historicamente, é a ideia subjacente ao mandato”. Uma “grande questão” que, recorda, já se colocava quando Cunha Rodrigues era procurador — “o que se estabeleceu foi um mandato longo e um mandato único”, reforçou a responsável pela pasta da Justiça.

RTP 2: um caso sintomático

Audiências em 2017 – Panegírico dos grandes líderes da RTP. Por Eduardo Cintra Torres.

O ano termina com uma ligeira perda de audiência dos quatro canais generalistas, RTP 1 e 2, SIC e TVI. Os canais privados estancaram a queda; a diminuição deve-se apenas à RTP 1 e 2. Os canais do Estado confirmaram a tendência de perda dos últimos anos. A RTP 2 perdeu num ano um quarto dos seus espectadores. Embora seja o segundo mais antigo canal nacional, sustentado pelos impostos dos cidadãos, estes viram-lhe a cara e é hoje, incrivelmente, em audiência, o 12º canal no país. No cabo, estão à sua frente canais de informação, de filmes e séries e até dois canais infantis, quando a própria RTP 2 dedica muitas horas a esse público. É este o remate de quatro anos dos mandatos do Conselho Geral Independente (CGI) e da actual Administração da empresa, anos que reiteram em glória as promessas estratégicas e os amanhãs cantados pelos administradores à imprensa e ao parlamento. O meu conselho ao CGI: renovem-lhes já o mandato, sem abrir concurso.

A política tramou-nos

2017 foi o ano da crise dos partidos e da popularidade esmagadora de Marcelo. A minha crónica no i desta semana é sobre os riscos da personalização do poder.

A política tramou-nos

Um dos factos mais interessantes de 2017 foi a importância que a esquerda social-comunista que governa o país passou a dar à economia. Durante o período da troika, PS, PCP e BE só queriam saber da política. Da política que tinha de mandar na economia, lembram-se? Agora, quando politicamente o Estado falhou aos cidadãos (incêndios e degradação dos serviços públicos), a esquerda agarra-se aos ainda positivos resultados económicos.

O consolo com a eleição de Centeno para presidente do Eurogrupo é um sinal disso mesmo. Apesar de a presidência do Eurogrupo perder relevância com a criação da figura ministro das Finanças para a zona euro, o mais irónico é que a política continua. O discurso de Ano Novo de Marcelo é mais um sinal disso mesmo.

Devidamente traduzida, a frase “se o ano tivesse terminado a 16 de junho, podíamos falar de um ano singular constituído de vitórias” recorda-nos que a vida não é só economia. Também há política. E que nesse campo, o governo, a maioria de esquerda que o sustenta, falharam.

E, pior que isso, a frase chama a atenção para um facto que um Presidente de afectos por vezes faz esquecer: Marcelo é um político. E como político que é sabe muito bem que o regime está nas suas mãos. Marcelo, que se colou aos sucessos económicos de curto prazo do governo, não esquece que o Estado depende dos credores. Com o episódio do financiamento a desacreditar os partidos, com o PSD a colar-se a Marcelo, o processo de personalização do regime está em marcha, o que é negativo numa democracia liberal. Politicamente falando, estamos tramados.

A extrema-esquerda, o Povo e as pessoas concretas

Faz hoje três anos que publiquei este texto no Observador. Infelizmente, creio que mantém plenamente a sua actualidade: Raquel Varela, o Povo e os porcos

Nicolau Santos, homem do sistema

Panegírico do comendador Nicolau. Por Eduardo Cintra Torres.

Com 35 anos de jornalismo e muitos de direcção, Santos sabe da poda. É cordato, um democrata e exibe gosto pela cultura. Há anos que reproduz um poema na sua página de opinião no ‘Expresso’. Não gosta, porém, apenas de poesia, aprecia também o aroma do poder. É homem para se ambientar aos que forem, em cada momento, os Donos Disto Tudo. É dos jornalistas que mais bem demonstraram nestas décadas a grandeza de estar próximo dos poderosos. A sua extensa obra jornalística revela esse olhar a sociedade de cima para baixo. Para a apimentar com preocupações sociais, Santos era e é um “homem de esquerda”, nacional virtude santa que retoricamente desinfecta da proximidade com os poderosos e embala os leitores.

Notícias do Portugal pós-austeridade…

Transportes públicos sofrem aumento máximo de 2,5%

Governo anuncia aumento do imposto sobre os combustíveis

Em Portugal quem tem o Estado, tem tudo

Os partidos não precisam de nós. Por Rui Ramos.

Os partidos são a prova de que em Portugal quem tem o Estado, tem tudo: financiados com dinheiro público, não precisam da nossa militância, nem do nosso afecto nem sequer do nosso respeito.

Medina ajuda os carenciados III

A começar pelo vice-presidente da capital do país, Duarte Cordeiro omissões. Um bom trabalho de Rui Pedro Antunes, do Observador.

Jogadores do Rio Ave pagos para perder contra o Benfica?

Jogadores do Rio Ave terão sido pagos para perder contra o Benfica

Empresários ligados ao Benfica terão abordado os jogadores já constituídos arguidos, avança o Correio da Manhã. Benfica “não tem qualquer comentário a fazer”.

Continue reading “Jogadores do Rio Ave pagos para perder contra o Benfica?”

Medina ajuda os carenciados II

CML, uma amiga dos seus amigos. Porreiro, pá!

Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

(…) Os aumentos nas avenças em causa são significativos e foram atribuídos a assessores com ligações ao PS. Catarina Gamboa, ex-dirigente da JS e mulher do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, teve um aumento de mais de 2 mil euros no atual mandato e viu a sua remuneração subir para 4.615,57 euros ilíquidos mensais. O mesmo aconteceu com o filho do blogger que assinava como “Miguel Abrantes” no blogue Câmara Corporativa, que o Ministério Público acredita ter recebido verbas de José Sócrates dirigidas ao pai para defender o antigo governante socialista: António Mega Peixoto teve um aumento da avença de 2.135,39 euros para 3.468,04 euros mensais. O mesmo aconteceu com o vice-presidente da Federação do PS de Aveiro, Pedro Vaz — número dois de Pedro Nuno Santos nesta estrutura — que teve um aumento de 2.899,11 euros, para 4.615,57 euros.

Olhando para as 34 nomeações de gabinetes de vereadores eleitos nas listas PS publicadas até agora no site Base.gov, houve 30 reconduções de membros que já estavam na autarquia no anterior mandato. Em 26 desses 30 casos houve aumentos das avenças. (…)

Meat wallet

Miguel Tiago smacked his rocks off grandma’s meat wallet feverishly before shooting his moon cheese up the great divide.

Ents

Há muitos anos que acho os comunistas, regra geral, os tipos mais divertidos de debater porque tendem a ser intelectualmente honestos. Defendem aquilo em que acreditam e não fazem juízos de intenções, ao contrário de socialistas light e social democratas que fazem da desonestidade e da dissimulação um modo de vida. Continuo a acreditar nisto, embora ache que à medida que os velhos comunistas vão morrendo, os que os substituem têm um problema de solidão neuronal na caixa craniana. A prova é o exemplo do jovem deputado Miguel Tiago cujo solitário neurónio não dá para mais que para babar-se enquanto balbucia alarvidades. Creio que os velhos comunistas que conheci, já falecidos, teriam até vergonha da descendência.

Diz o hiposináptico deputado, entre dois fios de baba, que taxar os Partidos é taxar pessoas, que os Partidos não são como a Igreja que é um ente.

Ora bem, temos então dois tipos de pagadores de impostos: entes e pessoas (às tantas é má interpretação da imprensa e refere-se aos Ents, pastores de árvores do Tolkien). Segundo hiponeuronal deputado, quem paga o IMI não sou eu, é a casa (ganha bem o estupor do apartamento); quem pagou o IA e o IVA das viaturas cá de casa não fomos nós, foi uma coisa com quatro rodas, uma carcaça e um motor; quem paga o IRS não é a minha família, é a conta bancária; quem paga o IRC da empresa não sou eu, as pessoas que trabalham comigo ou os nossos clientes, é um ente-outro, é um papel escriturado, reconhecido por um Notário e com um número no Registo Comercial; quem paga o IVA quando vou ao supermercado não sou eu, são as maçãs, o pão e o os iogurtes (no que em parte está bem acompanhado, é isso que dizem o legislador e o fisco). Tudo entes (ou Ents pastores de árvores) que não são pessoas.

Na esperança que ainda haja tempo para que nasça um segundo neurónio que lhe permita meia sinapse e o torne décimo-digno dos antecessores, diria ao hipocognitivo deputado:

  • Para aprender a ler;
  • Que quem paga impostos são sempre pessoas, não há entes-outros que o possam fazer enquanto não formos invadidos por extra-terrestres que se sujeitem às alarvidades do mentalmente desafiado deputado e amigos;
  • Que, com o devido respeito a um deputado da nacinha (mesmo que balbuciante e com dificuldades cognitivas), se vá pôr num porco, mamar na quinta pata de um boi.

Da Igreja dos Últimos Dias…

…(sem desprimor para esta, se existir). E parabéns aos eleitores da nacinha, bem podem rastejar para debaixo dos calhaus de onde saíram.

Antes rara inteligência do que inteligência rara…

Não sei bem se devo encarar as referências (algo hiperbólicas) que me são feitas neste artigo do Luís Aguiar-Conraria como um elogio ou uma provocação. Talvez ambas as coisas ao mesmo tempo…

Civilização europeia e sentimento nacional

Com uma muito simpática referência ao novo livro Teoria Política e Geoestratégia: Desafios Contemporâneos, que tive o gosto de coordenar e que reúne contributos cujas versões iniciais foram apresentadas ao longo dos últimos anos na série de seminários de investigação organizados pelo Centro de Investigação do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica: Livros para o Natal (II). Por João Carlos Espada.

Felizmente, também entre nós, quatro livros muito recentes abordam uma problemática semelhante — embora com perspectivas diferentes. Carlos Gaspar acaba de publicar A Balança da Europa (Aletheia, 2017). [ ] André Azevedo Alves coordenou a edição de Teoria Política e Geoestratégia: Desafios Contemporâneos (Aletheia, 2017). De Portugal para a Europa é o título do livro de António Barreto (Relógio d’Água, 2017). E hoje mesmo será apresentado ao público Bárbaros e Iluminados: Populismo e Utopia no Século XXI, de Jaime Nogueira Pinto (D. Quixote, 2017).

O caso Raríssimas e o Estado (2)

O país pequenino onde uma mão lava a outra. Por José Manuel Fernandes.

A Raríssimas não é raríssima. Pior: se virmos como desde o topo do Governo a um pouco por todo o Estado há demasiados amigos e familiares, percebe-se que o exemplo até vem de cima. E ninguém estranha.

O caso Raríssimas e o Estado

Raríssimas: o Estado é parte do problema. Por Rui Ramos.

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.