Não é pesar, é homenagem

Ao contrário do que diz Passos Coelho, rejeitar um voto de pesar não se equipara, de todo, a festejar uma morte.

Todos os dias morrem centenas de pessoas em Portugal. Centenas de milhar pelo Mundo fora. A Assembleia da República não aprova votos de pesar por todas elas. Isso não quer dizer que os deputados daquela casa não lamentem a perda humana que essas mortes representam ou que festejem essas mortes. A Assembleia da Rapública não apresenta votos de pesar por todos os portugueses que morrem porque um voto de pesar não é uma forma de demonstrar tristeza pela morte de alguém. É sim uma forma de homenagear o seu percurso de vida. Quando um voto de pesar passa na Assembleia da República, os portugueses ficam a saber que os deputados daquela casa aprovaram por maioria uma homenagem à vida do falecido. Fidel Castro não merecia essa homenagem. Pese embora entenda o raciocínio de Passos, o PSD deveria ter votado contra a homenagem a Fidel em vez de ter alinhado no branqueamento da ditadura. Ao fazê-lo, desrespeitou a memória das dezenas de milhares de pessoas assassinadas por Fidel, que nunca tiveram direito a voto de pesar. E nisto (pelo menos nisto) o PSD deveria ser diferente.

Duas escolas portuguesas no Top 25 do FT

Os “rankings” e a exportação do ensino superior. Por Francisco Veloso.

Foi conhecido hoje o resultado do “ranking” do Financial Times para as Top European Business Schools 2016. As escolas nacionais consolidam a sua posição, obtendo o melhor resultado de sempre.

Em particular, pela primeira vez, duas das três escolas portuguesas estão presentes dentro do “top” 25, juntando-se este ano à Católica Lisbon School of Business and Economics, que começou a fazer parte deste seleto grupo em 2013, a Nova School of Business and Economics.

É naturalmente motivo de grande orgulho para a Católica-Lisbon, escola que tenho o privilégio de dirigir, alcançar esta prestigiada avaliação. A faculdade foi pioneira em Portugal no reconhecimento do Financial Times, e tem liderado este “ranking” a nível nacional de forma muito consistente. A posição #23 entre 90 classificadas, a melhor de sempre de uma escola nacional, é um resultado que espelha a qualidade e consistência da investigação e ensino da faculdade a todos os níveis.

Mas o reconhecimento conjunto de várias escolas é também espelho da capacidade e potencial do ensino superior nacional para se afirmar internacionalmente. De facto, se olharmos para as outras escolas que fazem parte do “top” 25, encontramos sete baseadas em França, cinco no Reino Unido, três espanholas (todas no “top” 10, note-se), duas vindas da Alemanha, Holanda e Suíça, e ainda uma italiana e outra belga. Vale a pena refletir um momento sobre esta composição, porque demonstra bem como o mercado europeu de educação a nível superior está neste momento aberto às escolas e regiões capazes de criar ofertas competitivas a nível internacional. Estando presentes as principais economias do continente, algumas regiões, com destaque para Portugal, têm um reconhecimento que vai muito além do que seria esperado dada a sua dimensão e desenvolvimento.

Desigualdade em Portugal caiu desde 2010

Corre uma narrativa que postula, convenientemente, que a desigualdade se agravou em Portugal com a crise e com o programa de ajustamento. Se não considerarmos quaisquer políticas para corrigir o efeito, é natural que assim seja. Se uma pessoa pobre perder 10€ por mês e uma rica perder esses mesmos 10€, o impacto na pobre é relativamente maior. Esse impacto desproporcional pode ser mitigado com transferências sociais e políticas discricionárias que tentem proteger os mais pobres. Com efeito, as políticas dos últimos anos deixaram intocados, e bem, os mais pobres.

Um relatório recente da OCDE nega a narrativa de que a crise agravou as desigualdades — pelo menos em Portugal. De 2010 para 2014, o coeficiente de Gini reduziu-se significativamente. A explicação é simples: todos perderam rendimentos e houve uma redução das transferências sociais, mas os mais pobres mantiveram-se relativamente iguais. Não é que isto seja propriamente uma boa notícia, até porque a desigualdade reduz-se pelo pior dos motivos, mas deve ser frisado a bem da verdade.

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Compreender o fracasso do modelo de agências reguladoras em Portugal

Um artigo bem fundamentado, corajoso e escrito por quem conhece como poucos a teoria e prática dos processos de captura institucional em Portugal: O Estado-Regulador portuguese style. Por Nuno Garoupa.

A chegada do modelo de agências reguladoras a Portugal encontrou, pois, uma cultura hostil, uma apetência pela governamentalização, a preponderância da opacidade e da falta de transparência, um sistema judicial ineficiente e incapaz de lidar com os desafios da regulação económica. Foi, portanto, um transplante incómodo destinado a falhar.

(…)

Em Portugal, o Estado-regulador morreu antes de começar. Os sucessivos governos lidaram mal com a independência dos reguladores e, rapidamente, decidiram que são despojos partidários. Invalidaram a possibilidade de contratação internacional de reguladores, fugiram das boas práticas (não há nenhum concurso digno desse nome), integraram os reguladores no grande esquema do aparelho do Estado sujeito às conveniências políticas do momento. A primazia da cultura administrativa portuguesa (deferente e amiga da governamentalização) manteve-se inalterável. Os tribunais não desempenham qualquer papel minimamente relevante. A captura privada dos reguladores merece alguma atenção na comunicação social, mas longe de irritar o poder político.

Num país que cultiva a fidelização pessoal ou partidária dos cargos públicos em detrimento da qualidade técnica, do mérito profissional ou da independência institucional, não há espaço para um modelo de agências reguladoras. Num país onde os tribunais não podem supervisionar a atividade regulatória e a regulação por litigância está absolutamente penalizada, não faz sentido pensar em regulação económica.

Sem prestação de contas efetiva e sem desgovernamentalização, não faz qualquer sentido o modelo de agências reguladoras. É simplesmente anacrónico. Defendo, por isso, dentro do Direito Comunitário, o regresso ao modelo das direções-gerais. Tem mais legitimidade democrática, mantém o capital humano necessário ao Estado-intervencionista, é mais barato orçamentalmente e adere à realidade cultural das elites políticas e económicas portuguesas.

XX Congresso do PCP: entre a ortodoxia e a “geringonça”

Além do meu habitual artigo semanal, tive muito gosto em contribuir para o especial do Observador sobre o XX Congresso do PCP, que inclui também análises de Miguel Pinheiro, José Milhazes, Helena Matos, Alexandre Homem Cristo e Vítor Matos. Aqui fica o meu contributo: PCP: entre a ortodoxia e a “geringonça”.

O PCP procura persuadir o eleitorado mais à esquerda de que o apoio ao governo do PS não é bem um apoio, um pouco como Bill Clinton afirmava há uns anos atrás que “fumou, mas não inalou”. É a esta luz que devem ser entendidas as constantes referências e críticas dirigidas ao PSD e CDS – mais de um ano depois de Passos Coelho ter deixado de ser primeiro-ministro. O papão de um “governo de direita” continua a ser a única forma de o PCP justificar o seu apoio ao governo do PS em contradição com quase tudo o que defendeu durante anos. Mas esta é uma estratégia retórica que pode estar a chegar ao final do prazo de validade.

As elites gostam dum país sossegado

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36 anos depois da morte de Francisco Sá Carneiro, Portugal encontra-se na mesma situação que o então líder do PSD descreveu quando deu título ao seu livro escrito em 1978: num impasse. No meio de uma grave crise orçamental e bancária, sem crescimento económico digno desse nome, a maioria prefere aceitar que nada de grave se passa. Com o dinheiro do orçamento compra-se o silêncio dos que, interesseiramente, vivem à sombra do Estado, contra os quais todos protestam mas que, espantosamente, compõem a maioria; através da banca financiam-se empresas públicas e concedem-se empréstimos a privados que não produzem, mas consomem. Entretanto, a imprensa anda sossegada com dados económicos ilusórios que mais não são que fogo de vista; com a ajuda dos comentadores de serviço deleita-se com a habilidade com que Costa, mascarando a verdade, se mantém no poder e, em vez de o denunciar, parece preferir as elites que gostam, sempre gostaram, de um país assim: sossegado, tranquilo, imóvel.

Há 10 anos publiquei n’O Insurgente este texto sobre Sá Carneiro. Lê-lo faz impressão: Portugal está na mesma.

Pobre país o nosso…

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António Filipe: “É simplista e errado qualificar Fidel como ditador”

Leitura complementar: O legado de Fidel e a duplicidade moral da esquerda.

Adolfo Mesquita Nunes em entrevista ao ECO

Adolfo Mesquita Nunes: “Não me resigno com o baixo crescimento que temos”

Hoje dedica-se à advocacia e é vice-presidente do CDS. Uma das revelações do anterior Governo pela sua política no setor do Turismo Adolfo Mesquita Nunes fala nesta parte da entrevista sobre a atual situação económica do país e identifica as diferenças com a política económica que está a ser seguida pelo Governo de António Costa.

Fidel, o brutal ditador cubano

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O meu artigo desta semana no Observador: O legado de Fidel e a duplicidade moral da esquerda.

(…) o legado negativo de Fidel transcende em muito o sofrimento imposto ao martirizado povo cubano. Ao longo de décadas – e em especial no auge da Guerra Fria – Fidel e o seu regime semearam o terror e a destruição em vários pontos do mundo, desde Angola ao Chile. Este é um aspecto relevante e que importa não esquecer na avaliação histórica do castro-comunismo e das suas consequências globais. (…) Segundo os relatos recebidos, o brutal ditador cubano terá morrido na cama, pacificamente. Importa recordar que, infelizmente, as suas milhares de vítimas não tiveram a mesma sorte.

“o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus”

As palavras que nunca te direi. Por Michael Seufert.

Já afastado do dia-a-dia da liderança do país que tanto lhe deve, não deixou de estar no coração do seu povo, que tanto chora a sua morte, e que continuava a acreditar na sua liderança e na sua entrega abnegada. A sua morte,após invulgar resistência contra a doença, abre caminhos para novas reformas no regime e a melhoria de relações com o exterior, o que se saúda. O seu povo, enlutado, não o esquecerá e certamente se daqui a 40 anos a televisão quiser fazer a retrospectiva da sua vida o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus, muito na frente daqueles que, derrotados pela história, lhe fizeram frente.

O menor défice de sempre em democracia

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Justiça seja feita, ninguém bate o Partido Socialista na propaganda política. Não obstante — ou obstante — o minguamento do PIB, o aumento dos atrasos nos pagamentos aos fornecedores, o total colapso do investimento, o falhanço da estratégia do estímulo ao consumo interno, o PS, demais títeres e uns quantos jornalistas embevecidos vendem o défice projectado para 2016 como um feito incrível, como «o menor défice de sempre em 42 anos de democracia». Repare-se na ironia do destino: os mesmos que criaram o maior défice de sempre da história da democracia, registado em 2010, são agora aqueles que se fazem rogar pelo menor défice da democracia, de 2.6%, que poderá ser atingido graças à trajectória de ajustamento dos últimos 4 anos, aos fornecedores do Estado (obrigadinho), à suspensão do investimento e ao adiamento da recapitalização ultra-urgente da Caixa.

Tudo isto não seria de um provincianismo atroz se o feito fosse efectivamente acompanhado de algum mérito. Mas não é. Quando olhamos para o esforço de consolidação orçamental (i.e. redução do défice orçamental, líquido de medidas extraordinárias, entre dois anos seguidos) vemos que os 2.6% que se estimam para este ano constituem uma tímida redução de 0.4pp, a menor redução dos últimos anos.

Como se tanta tontice não chegasse, aqueles que advogavam e elogiavam a inteligentíssima estratégia de estímulo ao consumo — falo, entre demais quejandos, de Nicolau Santos —, vêm agora elogiar a «inteligente» alteração da estratégia de Mário Centeno, que, em 2017, pretende apostar mais no investimento e — pasmem-se — nas exportações. Esta nem o Éder.

Fonte: 2010-2013: Comissão Europeia (pp. 19, Tabela 2.1); 2014 e 2015: INE. O valor para 2015 foi revisto em baixa (de 3.1% para 3%) após revisão em alta do crescimento do PIB de 2015 de 1.5% para 1.6%.

Fidel Castro e as ditaduras fofinhas

O meu texto de hoje no Observador.

‘As reações dos políticos foram igualmente repugnantes. Do PCP veio o gozo descarado costumeiro. Jorge Sampaio, essa insignificância política de que não rezaria a história se um dia Cavaco não tivesse perdido umas eleições, deu um testemunho (e porquê, Deus meu, alguém se lembra de pedir um testemunho a Jorge Sampaio?) onde aplaudiu a simpatia do hirsuto Castro, entre outras qualidades adoráveis. Do atual Presidente, que há pouco tempo se fez fotografar sorridente ao lado do tirano, também nada de tragável veio.

Mas o pior chegou na forma dos votos de pesar que o parlamento aprovou pela morte da criatura. E se do PS extremista se espera todos os enlevos com as ditaduras comunistas, já não se perdoa que o PSD tenha escolhido abster-se nesta votação. É por estas e por outras que a suposta direita parlamentar merece todas as geringonças que a atropelem: os eleitores não respeitam quem não se dá ao respeito.

Enfim. Para terminar com uma nota de humor, depois das entranhas revolvidas com as reações portuguesas à morte de um carrasco das Caraíbas, podemos pelo menos reconhecer que ninguém por cá foi tão ridículo como Trudeau – deu azo a uma das hashtags mais divertidas dos últimos tempos –, que produziu um tributo a Fidel Castro que até a canadiana CBC chamou de ‘deliberadamente obtuso’. Parece que Fidel amava de amor profundo o povo cubano (matou e prendeu uns tantos, mas o que interessa isso?) e criou um maravilhoso mundo com boa saúde e educação.

O que é verdade. Quem não aprecia um destino de turismo sexual com oferta de gente muito escolarizada a prostituir-se? Também me lembro do filme Guantanamera, dos idos dos anos 90, onde uma professora universitária e um seu antigo aluno referiam áreas do saber cubanas, utilíssimas em qualquer curso superior, da estirpe de ‘marxismo dialético’ ou ‘socialismo aplicado’. Quem não saliva pela oportunidade de estudar isto?’

O texto com princípio, meio e fim está aqui.

Rápido, rumo a Cuba!

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Bolivia, Equador, El Salvador, Guiné Equatorial, Namibia, Nicarágua, Venezuela e Zimbabwe são alguns dos países cujos Chefes de Estado estarão presentes no funeral de Fidel Castro. Farolins da democracia, da liberdade, do desenvolvimento e da prosperidade, a que se juntam outros portentos como a Grécia, representada por outro febeu da política, Tsipras.

Dada a participação deste ramalhete de cânones da democracia e o voto de pesar pela morte de Fidel submetido ontem à Assembleia da República pelo Partido Socialista, deixa-me algo perplexo que o sr Primeiro Ministro, António Costa, e o Cicerone da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, não se apressem a entrar no primeiro avião que rume a essa ilha, com escala nos EUA para comprarem um iPad em desconto, prestando assim sentida homenagem a esse grande homem revolucionário — pese embora alguns pequenos erros cometidos, como os milhares de dissidentes políticos que foram executados por sua ordem —, que foi Fidel Castro.

O PS e Salazar – uma admiração revelada

O voto que o Partido Socialista apresentou a chorar Fidel Castro serviria sem muitas alterações para branquear Salazar. Na verdade pode ler-se assim sem grande imaginação.

Nem falta a violação dum povo inteiro ao assinalar-se o luto que os cubanos assinalam do falecido ditador. Como cá no Estado Novo, também o povo cubano é prostituído para servir de bandeira de quem branqueia um ditador que morre num sistema que não permite a celebração de quem sofre e sofreu 50 anos no criminoso regime – e é obrigado a assistir que no estrangeiro isso seja motivo de gozo e diversão por supostos democratas.

O PS do Tempo Novo é afinal o PS do Estado Novo. Do de foice e martelo, em vez do de Deus, Pátria e Família, mas igual no essencial. Depois estranhem o sucesso dos Trumps e das Le Pens desta vida.

PS apresenta voto de pesar pela morte de ditador

O PS apresentou hoje um voto de pesar pela morte de um ditador, Fidel Castro, que mandou executar dezenas de milhares de pessoas pelos pelotões de fuzilamento, e que submeteu o povo cubano a pobreza e racionamento.

Escrevi bem, o voto de pesar foi do PS e não do PCP. Isto revela muito do que é este novo PS.

Em defesa da municipalização da Carris

O meu artigo desta semana no Observador: Em defesa da municipalização dos transportes.

É indiscutível que a manutenção a 100% da dívida no Estado é profundamente injusta mas importa reconhecer que passar empresa com défice significativo e passivo avultado não seria fácil de outra forma. O mais importante — vale a pena realçar novamente — é que a responsabilidade pelas obrigações futuras incorridas pela nova gestão fiquem estritamente circunscrita ao nível da autarquia de Lisboa, sem ajudas estatais ou possibilidade de bailouts.

25 de Novembro, sempre!

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No dia 25 de Novembro de 1975 foi colocado o ponto final ao PREC (Processo Revolucionário em Curso). A esquerda radical que hoje governa o país, recorria então à violência, à ameaça, intolerância e censura que colocavam Portugal no mesmo rumo da Albânia de Enver Hoxha ou da República Democrática Alemã.

À beira de um novo totalitarismo, militares como Jaime Neves e Ramalho Eanes derrotaram a esquerda radical, defenderam a liberdade e colocaram Portugal na rota da democracia Ocidental. Desde então os caminhos tomados são discutíveis mas até por isso, agradeço a quem lutou e consagrou a liberdade para todos. Obrigado Jaime Neves.

Que significa “se as eleições fossem hoje”? (2)

Convém relembrar o que “diziam” as sondagens cerca de um ano antes do governo PS levar o país à beira da bancarrota e ter de pedir um resgate (meus destaques). Em 2010:

Quase 60% dos portugueses acham que José Sócrates mentiu no Parlamento sobre o seu desconhecimento do negócio PT/TVI.

(…)

Mas nem essa “mentira” nem a alegada ligação de José Sócrates a escândalos recentes lhe retiram condições para governar. Aliás, se as eleições fossem hoje, o PS voltava a ganhar e reforçava mesmo a sua votação, ficando à beira da maioria absoluta.

As eleições afinal não foram naquele dia da sondagem. Acabaram por ter lugar no ano seguinte (2011) e PS nem esteve próximo da maioria absoluta.

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Que significa “se as eleições fossem hoje”?

«Se as eleições fossem hoje». Esta é a habitual introdução das sondagens sobre as preferências políticas dos inquiridos no momento. Nesta última o PS estaria próximo da maioria absoluta.

Porém, considerem o seguinte: uma legislatura tem duração de 4 anos. Ainda só passou 1 ano. Se as eleições fossem hoje algo teria acontecido para Governo de António Costa ter caído em desgraça. Com tal em mente, se as eleições fossem hoje acham que estaria mesmo PS próximo da maioria absoluta?

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Uma autêntica anedota

Portugal é uma autêntica anedota, e nós os palhaços que financiam o circo. Não há outra forma possível de comentar o assunto em infra:

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A violência simpática da esquerda que nos salva da barbárie

O meu texto de hoje no Observador.

‘Apoiar assassinos, ditadores, protoditadores e catalisadores de pobreza generalizada, sendo estes de esquerda, é bom. Visitar um evento na única democracia decente do Próximo Oriente é mau.

Vai daí, um blogue anarquista decide punir o chefe português provocador que ousou associar-se ao extorsionário cubano, perdão, aos guerrilheiros terroristas colombianos, perdão, (muito pior!), aos israelitas. Fizeram muito bem. Pintalgaram-lhe o restaurante de tinta encarnada. É para o chefe aprender. Deixo aqui a justificação do ato:

‘O vermelho que escorre no vidro é o sangue que Avillez avilta com a sua colaboração culinária. A cola que veda a fechadura é a fome provocada que Avillez quer gourmet. As ementas recheadas de realidade são a face visível de que ‘o destino das nações depende da forma como elas se alimentam.’

Eu não percebi nada do que queriam dizer, ofereço um bombom a quem traduzir a algaraviada, mas em boa verdade as sequências de palavras e frases vindas das pessoas de extrema-esquerda costumam gritar falta de lógica formal e conteúdo revelador de um autor com QI aí, no máximo, 79. Pelo que não me espantei. Como de resto considerei a lambuça pretensiosa a armar ao poético refrescantemente consistente com o que esperamos da extrema-esquerda. Gosto sempre que não me desfaçam as desilusões.

E o chefe nem pode argumentar que não estava avisado, que estes anarquistas, perdão, anjinhos, que destroem propriedade privada são leais e avisam atempadamente o mundo das consequências das suas aleivosias. Depois do chefe ter ignorado os avisos feitos na ‘imprensa dos monopólios’ (e quem ousa ignorar avisos de maluquinhos deste calibre?), os criminosos, perdão, os justiceiros decretaram ‘que não nos encheu os olhos, deixando um travo amargo nos nossos estômagos de poetas, que apenas um copo de ação direta – essa forma máxima de poesia – mitigará’. Mais uma vez não se percebe nada, mas dá para rir com o estilo de escrita adolescente. E para nos questionarmos se os ‘estômagos de poetas’ não estarão a necessitar de transplante à conta da ingestão de comprimidos com substâncias alucinogénias.’

O texto completo está aqui.

Notícias surpreendentes: redução do IVA dá 2 milhões à Ibersol

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Ninguém poderia antever tal coisa. A geringonça — todos nós — fomos apanhados completamente desprevenidos por isto. Ninguém poderia antecipar que a baixa do IVA na restauração, que já é uma situação de excepcionalidade face a outros sectores, não se iria repercutir nos preços. Quem poderia adivinhar que os preços não seriam actualizados e que as empresas ficariam com a margem? E que isso não iria aumentar procura nenhuma, pelo que não iria aumentar o nível de emprego?

Resposta: qualquer pessoa que não um socialista.

Da péssima gestão pública

Num país normal — um país onde as instituições e empresas são dirigidas por pessoas com o mínimo de instrução para o cargo —, uma empresa cuja missão fosse a prestação de um serviço público, como é o caso da Carris, pugnaria por apresentar, como qualquer empresa não-falida, um EBITDA positivo. Mesmo sendo a missão da Carris a prestação de um serviço social, tendo de praticar, como tal, um preço por bilhete muito abaixo do preço de mercado, a Carris apresentaria um EBITDA positivo. Como? Os resultados operacionais seriam naturalmente negativos, pois a Carris estaria a praticar um preço inferior ao seu custo operacional e a abdicar de uma margem de lucro, suportando assim a sua função social. No entanto, os subsídios à exploração, em particular as transferências do Orçamento do Estado, pagariam o diferencial para um preço de mercado, permitindo assim à Carris ter lucro desde que seja eficiente. Este é o modelo de concessão que é formulado quando as empresas são entregues à gestão privada. Isto acresce transparência à gestão da coisa: se os resultados operacionais forem negativos é porque, salvo situações extraordinárias, boys andam a ser empregados, dinheiro anda a ser desviado, a despesa está descontrolada; em suma, é porque gerem mal.

Em Portugal, a Carris acumula resultados financeiros negativos, resultado de anos a acumular dívida — porquê? por causa da sua função social? porque emprega boys? porque a gestão é má? Não sabemos —, a estrutura de custos está completamente desalinhada com aquilo que seria um preço de mercado, o passivo acumula-se, o Orçamento de Estado e os orçamentos municipais não transferem as verbas devidas, a Carris afunda-se em dívida para cumprir a sua função social, e, cereja em cima da esterqueira, o Governo diz isto:

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Gestão socialista é isto. O sector privado anda a produzir EBITDA para que as empresas públicas o espatifem.

Os foguetes e a dura realidade

Estamos tão afogados em boas notícias que nem notamos que estamos… afogados. Por José Manuel Fernandes.

(…) a dura verdade é que estes números permitem que o crescimento fique, muito provavelmente, pelos 1,2% da mais recente previsão do Governo, ou seja, metade do que o PS prometera no seu programa eleitoral e um terço menos do que estava inscrito no Orçamento do Estado, que já fora revisto em baixa. Mais: 1,2% ou mesmo 1,3% de crescimento em 2016 compararão sempre com os 1,6% de 2015. Deitar foguetes quando se falha tão estrondosamente os objectivos não deixa de ser paradoxal. Como paradoxal é o quase silêncio com que este falhanço tem sido recebido pelos que no passado fustigavam qualquer desvio de 0,1% nas previsões económicas.

A melhor arma contra a diabetes é o socialismo (2)

A minha vizinha anda a acumular um proto-fascismo que põe em risco o elevador. Por Vitor Cunha.

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BE e PNR separados à nascença e unidos no anti-semitismo

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O pasquim do Bloco de Esquerda apoia a luta contra os colaboracionistas que dão voz à propaganda de Israel.

Tradução: a esquerda caviar apoia o vandalismo e a destruição de propriedade privada e orgulhosamente sublinha a propaganda anti-semita dos vândalos.

A extrema-esquerda anti-semita difere em quê do PNR ou dos nazis?

Soluções para acabar com os proto-fascistas

Estaline também apontou para soluções saudáveis para resolver problemas.
Estaline também apontou para soluções saudáveis para resolver problemas.

O Ricardo Paes Mamede, usa a sua página de Facebook para esclarecer os mais desatentos sobre os caminhos a percorrer para travar o populismo proto-fascista.

Uma vida saudável previne o populismo proto-fascista. Esta parece ser a conclusão de um estudo publicado na edição desta semana da revista The Economist sobre o resultado das eleições americanas.

De acordo com o estudo, o desvio de votos a favor de Trump em cada condado está fortemente associado à incidência de fenómenos como a reduzida esperança média de vida, a obesidade, o alcolismo, a diabetes, ou a falta de exercício fisico. Isto verifica-se mesmo depois de se considerar o efeito de variáveis como a etnia, a educação, a idade, a situação perante o mercado de trabalho. As condições de vida da população local são estatisticamente mais relevantes do que a proporção de população branca com reduzida educação – o factor que tem sido mais apontado nas análises.

Só falta mesmo dizer que, como vários estudos têm mostrado, os problemas de saúde estão recorrentemente associados às desigualdades sociais e à inexistência de serviços públicos de qualidade.

A conclusão é óbvia e não é nova: só o socialismo previne a barbárie.

Isto foi tudo para prevenir a barbárie, através do empenho de pessoas boas que procuravam difundir os ensinamentos e as vantagens de uma vida saudável e de combate ao fascismo

O que falta às escolas

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Talvez não fosse descabido que a Frente Comum, em alternativa à patética manifestação que retrospectivamente fazem contra o anterior Governo [1], se preocupasse um pouco mais com o funcionamento da máquina administrativa, que não começa e acaba nos salários de suas excelências — vai dos salários dos funcionários públicos aos tinteiros e ao papel higiénico. É que para acalentar os pensionistas que recebiam mais de 6000€ e todos os visados pela sobretaxa de IRS, a Geringonça puxou o farrapo, deixando a descoberto todos os outros.

Há escolas onde os fornecedores de tinteiros e papel têm dívidas a haver com mais de 1 ano. Há outras onde a EDP recebe às prestações, quando recebe. Há outras onde os livreiros recebem com meses de atraso, tendo de ser eles a assumir os encargos com o financiamento. E há outras — limite do patético — onde as cartas são rejeitadas pelos CTT por falta de pagamento. E há ainda outras onde tudo isto se passa.

Assim, e para que estas manifestações sindicais de fantochada para cumprir agenda sirvam efectivamente algum propósito, talvez não fosse de somenos importância exigir que o Governo cumpra com as suas obrigações.

[1] – Do panfleto da convocatória geral pode ler-se: «Nos últimos anos, particularmente sob as políticas de exploração e empobrecimento do PSD/CDS, as populações…».

Na saúde, os preconceitos ideológicos podem ficar muito caros

Na saúde o dinheiro nunca chega. Por Miguel Gouveia.

Não é fácil resolver todos estes problemas, mas talvez começar por não os agravar seja uma boa estratégia, por exemplo não gastando mais do que atualmente para ter os mesmos serviços. No caso da saúde, as posições assumidas por algumas forças políticas perante as parcerias público-privadas (PPP) correspondem a um preconceito ideológico que pode custar bastante caro. Os estudos recentes de algumas PPP indicam que o Estado teria custos mais elevados se prestasse diretamente os mesmos serviços. A evolução do Hospital Amadora-Sintra após o término da gestão privada indicia um aumento substancial dos custos. Quem tem o poder de decisão pode resolver gratificar inclinações ideológicas, é essa a prerrogativa do poder. Se ao menos depois houvesse dinheiro para os cuidados continuados, para a saúde mental, para reequipar hospitais ou para ter médicos de família para todos…

Summit à portuguesa

O meu artigo no ‘i’ de hoje.

Summit à portuguesa

A Web Summit foi uma oportunidade para quem precisa de um investidor. Mas a sua realização em Lisboa foi utilizada pelo governo para convencer meio mundo de que Portugal é um excelente país para se iniciar um negócio, e Lisboa uma cidade fabulosa para um empreendedor ficar no Bairro Alto até às quatro da manhã, dar um saltinho à Ericeira, onde surfa uma onda, almoçar no Chiado, dar um giro pelo Príncipe Real e ainda passar pela empresa onde, qual passe de mágica, faz um milagre antes de jantar numa esplanada com vista para o Tejo.

Como advogado, conheço vários empreendedores. Não levam esta vida. Trabalham horas e dias e semanas e meses, sem férias, sem descanso, sem parar. Sem parar de trabalhar, de pagar contas, de se preocuparem.

Um empreendedor sofre. Não recebe subsídios estatais, não beneficia de incubadoras, de programas de aceleração de empresas ou startups, fablabs, e outras inúmeras formas de gastar o dinheiro dos outros. Arrisca o que é seu e espera que alguém se junte a ele. Por isso, sofre. Infelizmente para o próprio, gosta desse sofrimento e não sabe viver doutra forma.

O país quer inovação? Esqueça a praia, as esplanadas e as ajudas estatais. Aposte no equilíbrio orçamental, no pagamento da dívida pública, na estabilidade fiscal, na liberalização do arrendamento e do trabalho e apetreche-se com tribunais que dão resposta a tempo e horas. Dá trabalho? Dá. É mais difícil? É. Mas os resultados são melhores que os tidos com experiências de deslumbramento fácil.