Trumpices

Steve Bannon sai da Casa Branca. A conter o riso, é melhor esperar pelas reações dos trumpistas lusitanos.

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Assessor do governo quer ilegalizar PCTP-MRPP

Um dia, de acordo com os desejos do Mestre Rui Cerdeira Branco, adjunto do gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, todos os partidos serão o Partido Socialista.  Aguardo com expectativa a reacção do Camarada Arnaldo Matos face ao desejo de Rui Cerdeira Branco de acabar com o MRPP.

O Grande Irmão, O Partido Socialista e a Polícia do Pensamento fazem o seu caminho.

Leitura recomendada: 1984, de George Orwell. Rápido, antes que seja “extinto” pela nobre vontade dos burocratas em obediência absoluta ao Estado.

Trumpices caseiras

António Costa inspira-se em Trump.

O comunismo como doença

O comunismo e o sarampo. Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

Sem querer meter a foice (e nunca melhor dito!) em seara alheia, temo que o comunismo possa ser em breve reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como doença. Em plena silly season, a proposta pode parecer disparatada, mas a verdade é que o comunismo reúne todas as condições das maleitas: tem sintomas específicos, provoca reacções alérgicas, costuma ser incurável, é geneticamente transmissível e terrivelmente mortal.

Portugal Forest Fires: Poor Choices and Inaction

Portugal Forest Fires Worsen, Fed by Poor Choices and Inaction

O penalty de Bas Dost contra o Setúbal e o video-árbitro

É urgente implementar o video-árbitro, que certamente impediria pelo menos erros tão grosseiros como este…

«Não houve penálti, Bas Dost veio para trás, bateu em mim e caiu»

Portugal’s troubled summer

Um artigo de análise no Politico sobre a situação portuguesa, para o qual contribuí com alguns comentários: Portugal’s troubled summer of fire, firearms and football.

Aos verdadeiros empresários

A minha crónica no Jornal Económico.

Aos verdadeiros empresários

Há uns anos fui jantar numa nova pizzaria no bairro onde vivo em Lisboa. Era uma pizzaria peculiar porque gerida por Nepaleses. Mas as pizzas eram boas, o ambiente simpático, com luzes ténues e agradáveis no interior, e uma esplanada que dava para a avenida, onde se jantava excelentemente no Verão. Os preços eram acessíveis e os donos prestáveis. Falavam mal o português e reparei que nos serviam com uma certa timidez e embaraço. Deram-me a sensação de que não queriam dar nas vistas, como se receassem que alguém reparasse no que estavam a fazer e perdessem o que tinham: aquele estabelecimento. Escrevo na forma verbal do passado, mas o restaurante continua a existir e recomenda-se.

Tornei-me cliente e vou lá de vez em quando. Outro dia, vi um dos donos à porta de outro restaurante que ia abrir no bairro. Ainda estava em obras e ele olhava para aquilo tudo com o mesmo ar inquieto de sempre. Parei e cumprimentei-o; foi a custo que me confirmou que aquele também era dele. E puxando a conversa lá arranquei a informação de que já tinham, em Lisboa, ele e os outros sócios, dez restaurantes. Disse-o a medo, olhando-me de lado devido talvez à minha cara de espanto, mas devo ter-me mostrado orgulhoso pelo seu feito, pois sorriu logo de seguida.

Como advogado tenho dado assistência jurídica a vários empresários assim: que trabalham com gosto, arriscam, têm medo. A maior parte das pessoas não percebe, mas o medo, aquele frio na barriga, é inevitável quando criamos um negócio nosso. A maioria não o percebe porque julga que ter uma empresa, criar um negócio, ser chefe, é mandar e andar por aí a dar-se ares de importante. Esta crónica reúne experiências de vários dias diferentes e foi num outro que tive uma conversa com um amigo que trabalha numa grande multinacional e que se quer despedir para montar um negócio. Rapidamente me apercebi que ele não tinha a mínima noção do risco inerente, não tinha a mínima ideia do que era dar a própria casa como garantia aos bancos para que conseguisse o empréstimo que precisava. Ele trabalha horas infindas, mas não sabe o que é arriscar.

Esta falta de noção da realidade, até entre quem trabalha no sector privado, deve-se a uma ideia preconcebida de que ser empresário é ganhar dinheiro fácil e ter pessoas a trabalhar por nós. Esta percepção advém de um preconceito socialista, cuja simplificação justifica o intervencionismo estatal e a redução das liberdades individuais, e de um sistema partidário que prefere empresários com fortes ligações ao poder político, como foi o caso de Ricardo Salgado, da PT e da EDP, a empresas fortes e independentes, mesmo que pequenas. Mas quem sabe, sabe que um bom empresário, acima de tudo, quer ser livre.

Mises, o economista

Ironicamente, o economista mais importante do Séc. XX não é considerado economista por muitos dos economistas dos dias de hoje, o que explica também (em parte) que seja possível fazer uma licenciatura em Economia sem sequer ouvir o seu nome: Afinal Mises era economista ou não? Por Pedro Almeida Jorge.

Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais – IEP-UCP

Termina amanhã a 1ª fase de candidaturas à melhor Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais em Portugal – a do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O concurso aos cursos da UCP é local, pelo que a opção “Universidade Católica Portuguesa” não está incluída no concurso nacional, devendo a candidatura ser feita directamente junto da UCP.

O PCP e o modelo chavista-madurista de democracia

PCP saúda o povo venezuelano pela defesa da democracia e da Paz

Polícia prende líderes da oposição na Venezuela

Venezuela: líderes da oposição levados para parte incerta

Francisco Veloso, the new Dean of Imperial College Business School

O primeiro dia de uma grande contratação por parte do Imperial College: ‘Innovation happens when you mix technology and business’ says new Dean

Professor Francisco Veloso talks about his new role as Dean of Imperial College Business School and the importance of innovation across the College.

Before joining Imperial, Professor Veloso was Dean of the Católica Lisbon School of Business and Economics in Portugal.

On his first day he spoke to Laura Singleton about his thoughts on becoming Dean at the Business School and a bit about his interests outside of work.

Seminários Internacionais IEP-UCP 2017/18

Decorrem até 1 de Setembro as candidaturas para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Dependentes

Segredo de injustiça. Por António Barreto.

Que é feito dos homens livres do meu país? Estão assim tão dependentes da simpatia partidária, dos empregos públicos, das notícias administradas gota a gota, dos financiamentos, dos subsídios, das bolsas de estudo e das autorizações que preferem calar-se? Que é feito dos autarcas livres do meu país? Onde estarão eles no dia e na hora do desastre? Talvez à porta do partido quando as populações pedirem socorro e conforto.

E há quem fale em “truques”

Ontem, António Costa usou a expressão “aproveitamento político” para classificar a polémica em torno do verdadeiro número de vítimas do incêndio de Pedrogão Grande. No dia seguinte, hoje, o DN destaca que o Presidente da República é contra “aproveitamento político das vítimas de Pedrogão”. Uma leitura do artigo do DN mostra, aparentemente, que Marcelo não usou a expressão. O título advém do critério editorial de destacar a interpretação de uma pequena parte da entrevista concedida pelo PR para se adaptar à “narrativa” lançada com as declarações do Primeiro Ministro na véspera. Enquanto, na verdade, o artigo do DN até cita o PR abundamentemente por forma a justificar um título como “Marcelo exige que governo apure tudo cabalmente”.

Note-se, no que toca a apuramentos cabais, que Marcelo Rebelo de Sousa fica ele próprio mal na fotografia. Foi o primeiro, logo no dia do incêndio, a concluir que foi feito o máximo possível, condicionando a priori o inquérito que necessariamente se seguiria. Que António Costa de queixe de aproveitamento político é que é realmente escabroso; quando o seu partido foi o primeiro, logo nos dias seguintes ao incêndio, a tentar passar responsabilidades para o anterior governo. Além disso, como lista José Manuel Fernandes, o nome de António Costa está inegavelmente ligado a múltiplas más decisões políticas no que toca a incêndios, protecção civil e floresta.

Logística na Coreia do Oeste

Como o Estado não divulga a lista de Pedrógão…

Seguradoras não conseguem pagar às famílias porque Estado mantém lista em segredo:

A não divulgação da lista oficial de vítimas mortais pelo Estado está a bloquear a chegada de ajuda monetária às vítimas de Pedrogão. Luís Marques Mendes revelou na SIC uma queixa da Associação Portuguesa de Seguradores às autoridades. Nádia Piazza, presidente da futura associação de apoio às vítimas, vai pedir audiências ao Presidente da República e outras entidades.

O dinheiro dos donativos não está a chegar a Pedrógão. Os familiares das vítimas de Pedrogão não estão a ter acesso nem aos fundos doados, nem aos seguros.

596100.pngLamentável!

Nota: a lista parcial de vítimas foi já publicada pelo Jornal i. E já tem mais de 64 nomes.

Os Sapos de Jerónimo e Catarina

Sapos Jerónimo e Catarina

A coleção de vídeos ridículos de Catarina a defender o governo está a ficar grande.

Aceitam-se sugestões do melhor nos comentários.

Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande? (3)

Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande? (2)

“…é este o número validado pelas autoridades competentes…”

Continue reading “Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande? (2)”

Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande?

Custa a acreditar que isto possa acontecer em Portugal em 2017: Incêndios. Empresária contou mais de 80 mortos em Pedrógão Grande

Isabel Monteiro, empresária de 57 anos, natural de Lisboa, reuniu uma base de dados com as vítimas mortais do incêndio dos concelhos de Pedrógão Grande e já contabilizou mais de 80 mortos, dos quais 69 estão confirmados pelas famílias com nomes completos, localidade e local da morte.

A intenção era criar uma lista de vítimas para a criação de um memorial na Estrada Nacional 236, hoje conhecida como “Estrada da Morte”, mas foi ao recolher a informação junto das famílias, funerárias, bombeiros e dados da comunicação social que Isabel constatou que o número de vítimas mortais seria superior ao número oficial divulgado pelas instituições do Estado. Começou então uma investigação de fundo e o total de mortos contados até à data, na sua base de dados, já ultrapassa os 80.

Continue reading “Quantas pessoas morreram na tragédia de Pedrogão Grande?”

O PCP, o Augusto Santos Silva e a Venezuela

Entre o nojo e um ministro aldrabão.

Todos têm direito ao disparate

Se calarem Gentil Martins por ser médico, terão de calar Francisco Louçã por ser economista. A minha crónica no i.

Todos têm direito ao disparate

Uma das críticas feitas a Gentil Martins, quando declarou que a homossexualidade é uma anomalia, reside no facto de este não ser um médico qualquer. Na verdade, Gentil Martins é um médico pediatra conceituado. A sua opinião é tida em conta, muitas vezes como verdadeira apenas porque proferida por ele.

Compreendo este ponto de vista, apesar de Gentil Martins ser quem é por ter mantido as suas posições ao longo da vida. Mas o argumento falha também porque, se o seguirmos, muitos outros intervenientes do espaço público, pessoas cujas opiniões são tidas em conta, teriam de pensar duas vezes antes de falar; seriam talvez proibidos de o fazer, o que seria inadmissível num Estado de direito como é Portugal.

A título de exemplo, o economista Francisco Louçã teria de ter muito cuidado com os seus comentários em matéria económica, na medida em que estes estão inquinados pelo seu projeto político. Louçã utiliza as suas credenciais de economista quando, na verdade, está a fazer política. As suas afirmações têm pouca base científica, servindo apenas para sustentar o seu projeto político.

Partindo daqui poderíamos dar outro salto em frente, desta vez em direção a Jerónimo de Sousa. O líder do PCP sabe melhor que ninguém no que deu o comunismo. Apesar disso, defende-o com unhas e dentes. Pior: fá-lo em nome dos pobres, que foram os que mais sofreram com os regimes totalitários que o seu partido apoiou. Ora, da mesma forma que não passa pela cabeça de ninguém calar Louçã e Jerónimo, não me parece que se deva calar Gentil Martins.

Convite ao desinvestimento

A imagem deste post retrata faixa de protesto do Bloco de Esquerda (BE) pendurada em frente à sede da Altice (ex-PT) e proprietária da marca MEO. E aquela diz muito sobre a política do BE, em particular, e de muitos portugueses em geral: a propriedade privada não é lá muito privada.

O mercado de telecomunicações, como todos outros, depende das vontades e preferências dos consumidores, que ao longo do tempo mudam. Exemplo disso poderia ser primeiro-ministro António Costa ter afirmado, durante debate do Estado da Nação, que escolheu diferente operador para sua casa.

Mas a intenção do socialista líder do governo português não foi elogio à liberdade de escolha dos consumidores mas, sim, ataque directo às opções de gestão da Altice. Como os neocomunistas aprendizes totalitários do BE fazem com habilidoso jogo de palavras e discursos esquivos que, bem visto, só têm um real significado: “a empresa não é vossa, é dos trabalhadores” (claro que, depois, nem os trabalhadores nelas mandam, pois assim tornar-se-iam também proprietários!). No que respeita a socialistas, comunistas e neocomunistas direito ao que é vosso terá sempre estatuto temporário.

Alterações nos mercados, pelas acções dos consumidores, implicam necessariamente mudanças nas empresas que tencionam manter-se em operação. Durante muitos anos a PT, fruto também do seu historial como empresa pública e líder de mercado, foi algo complacente com o crescimento da concorrência. No entanto, o maior erro foi cometido já depois de privatizada, ao continuar a ser instrumento das ambições políticas de governantes. Maus investimentos reduziram valor da empresa, acabando por ser alvo de oferta de aquisição da Altice. 

Antigos accionistas venderam porque o dinheiro recebido valia mais, para eles, que continuação como proprietários da PT. Altice comprou porque acreditava que, implementando mudanças estruturais e estratégicas, a empresa pode vir a valer mais do quanto nela gastou. Estava errada. Não contou com classe política que pretende manter status quo de em tudo e todos querer mandar.

Nota: a reboque da propaganda do BE muitos dirão que Governo deve agir “em defesa dos postos de trabalho”. Só que quanto mais eficazes forem menor o valor da empresa. E maior o convite para que não se invista em Portugal.

Você já morou num Bairro Social?

Há um enorme problema na comunidade cigana, um problema, ainda que em menor escala, com a comunidade africana e um problema gravíssimo, que transcende raça e etnia, e inclui os brancos, nos bairros sociais por este país fora. Quem achar o contrário, ou tem a paisana à perna e não acha grande piada à ideia, ou tem que começar a sair do condomínio fechado, passear nos subúrbios, andar de transporte público a más horas, deixar o gabinete da universidade e passar a leccionar numa escola de bairro, algo do género. Essa bolha do politicamente correcto onde vocês se enfiaram, uma das causas da imunidade que grassa e das reações, algumas bárbaras, que lhe sucedem, mata pessoas. E quando eu digo que mata pessoas não o escrevo num sentido figurativo, mas num bem real.

Vocês, doutorzinhos da merda nas vossas conferências da treta do raio da problematização que vos pariu, vocês políticos com sabidos problemas de coluna, vocês sociólogos da vitimização, vocês betinhos do Bloco de Esquerda, têm sangue nas mãos. É claro que vocês, nos vossos condomínios, não estão sujeitos a levar um tiro por sugerirem ao jovem à vossa frente que fumar um cigarro no metro é capaz de não ser lá grande marco civilizacional, não têm um largo grupo de familiares armados que nem uma célula terrorista a tentar arrombar-vos a porta porque a vossa mulher não consentiu que uma sujeita a ultrapassasse na fila do supermercado, não vivem sob a ameaça de tiroteios, assaltos, espancamentos, entre outras cenas que hoje são parte do quotidiano. Vocês não viram armas e drogas no vosso 5o ano de escolaridade, não havia disso no colégio.

Vocês são os mesmos mentalmente desavantajados que quase armam uma guerra civil porque uma pita se atirou à professora devido a um telemóvel – coisa comum que é capaz de se repetir no mesmo dia – e depois ligam para os direitos humanos nas questões de peso. Quando morre um puto esfaqueado por um telemóvel ou um mãe numa bala perdida eu não vos vejo no funeral nem nos jornais a soluçar de indignação. Quando uma miúda é proibida de ir à escola não berraram: “racistas”! Criaram turmas segregadas, medida digna aos olhos de uns quantos boers. Quando um traficante é apanhado, com mais espingardas que o Rambo e uma garagem que mete inveja a muitos jogadores da bola não vos vejo armar a paródia que armaram ao senhor do Pingo Doce. Quando os polícias são corridos a balas ou duas comunidades decidem reencenar um western não há escandaleira?

Claro que não coitados, são vítimas do sistema capitalista e racista ou da puta que vos pariu. E ainda se indignam por os sujeitos serem discriminados quando voltam. “Olhe, eu tenho aqui uns anos por sequestro, tráfico de drogas, umas navalhadas em goela alheia e umas caçadeiras que tinha lá em casa, mas sou um homem honesto, dava um excelente relações públicas da sua empresa”. Quem sofre? As pessoas de bem, trabalhadores, das próprias comunidades, que se vêm acorrentadas a um espaço que vive – e com sorte sobrevive – com leis e costumes que transcendem as da sociedade portuguesa, ocupadas com guerras diárias enquanto outros se ocupam com em contar os novos géneros, insultar os turistas ou partir barbearias.

Ide lá jogar polo aquático com o Salvador, escrever a vossas crónicas dignas de analfabetos funcionais, beber um gin com salada com a malta da jota, mas deixem os problemas de gente grande para homens. Os canalhas não têm lugar aqui.

Aceitar ‘os nossos’ é fácil

Podemos não concordar com ela, mas todos têm direito à sua opinião. É quando não concordarmos que o respeito se torna, não importante, mas indispensável. Aceitar quem pensa como nós é fácil. Tentar compreender, debater, contradizer as ideias daqueles de quem discordamos, isso sim é o que nos torna em verdadeiros amantes da liberdade.

Armando Pereira é bom demais para o país que o viu nascer

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Escreve o Público que Armando Pereira, «produtor de cabos de fibra óptica», não sossega o Governo, pois «parece não ter o perfil para dirigir uma empresa como a Altice». Armando Pereira é de facto insólito. Ao contrário de outras sumidades, Armando Pereira foi para um qualquer bairro de lata em França aos 14 anos, e aos 11 já era feirante — e não consta que o fosse por carolice. Não foi para um luxuoso apartamento em Paris pago por um amigo, frequentar um mestrado na Sorbonne, com uma dissertação escrita por um obscuro professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Não, foi mesmo trabalhar, imagine-se o despautério. Entretanto percebeu que havia ali uma oportunidade, numa época em que a rede por cabo estava em expansão. Sem o élan de um verdadeiro gestor, daqueles que ganham prémios internacionais e depois levam à falência a respectiva empresa, pede uns 80 mil Euros a um banco para constituir a sua empresa. Registe-se a saloiice do mendicante, que ao invés de pedir 100 mil Euros à Caixa Geral de Depósitos para comprar um Mercedes Classe S, pede-os para fazer efectivamente algo. Fá-lo, e, inusitadamente, chega mesmo a pagar o empréstimo de volta. Constrói um império — sem subsídios, sem o préstimo do Estado, sem favores de políticos.

Conclui-se, portanto, que Armando Pereira é um péssimo gestor, pelo menos quando medido pela bitola dos cânones portugueses que regem a boa gestão e a negociata dos indígenas. Compreende-se, assim, que o pobretanas feito milionário, que não janta no Tavares (quando o quiser fazer, Armando Pereira compra o Tavares), não frequenta a Rua do Grémio Lusitano, não vai caçar ao Alentejo ou recebe prémios de gestão, seja alvo da ira dos pelintras depenados que pululam por Lisboa e brunem os Oxford dos grandes empresários portugueses, dos que sabem negociar com políticos de igual estirpe. Estes, cujo maior feito de gestão terá sido ir à Staples comprar arquivos para o seu gabinete, arrogam-se do direito de criticar as competências de gestão de terceiros. Os mesmos que compactuaram com Zeinal Bava, Ricardo Salgado, entre outros portentos da gestão, glorificados vezes a fio pelo jornalismo indígena, são quem apontam as alabardas a Armando Pereira. Bem vistas as coisas, Armando Pereira não merece mesmo este país. Azar o dele que nele nasceu.

 

PCP reitera apoio ao regime de Maduro na Venezuela

Comunistas portugueses defendem Maduro

O PCP afirma que esta “violenta investida golpista” contra Caracas é uma “contraofensiva lançada pelo imperialismo” para “reverter os avanços e conquistas” — “democráticas e progressistas” — conseguidas pelos países da América Latina como a Venezuela.

No comunicado do gabinete de imprensa, o PCP “reafirma a solidariedade com o povo”, com o Governo de Nicolas Maduro e as “forças patrióticas, progressistas e revolucionárias”.

Como é que a história nos vai julgar?

Hoje no Jornal Económico.

Como é que a história nos vai julgar?

Em Maio, o BCE alertou Portugal que a economia nacional não vai crescer o suficiente para baixar a dívida. Há uns anos, o país precisava ter taxas de crescimento económico de 3% para compensar os défices de 3% do PIB, o máximo que a UE permitia aos nossos governantes, de forma a que estes não pusessem em causa o emprego e a estabilidade que o euro garantia. Agora, já nem isso chega. Na verdade, as taxas de juro da dívida são de tal forma elevadas que só com níveis de crescimento económico muito superiores aos alcançados nas últimas décadas é possível baixar essa mesma dívida. A situação é, pois, calamitosa.

A grande maioria olha para o parágrafo em cima e questiona-se: mas o país não está melhor? Não vemos todos os dias novos negócios a surgir e o Estado até não saiu do Procedimento por Défice Excessivo? Infelizmente, isso é tudo verdade ao mesmo tempo que é tudo mentira. Fruto da realidade incerta que o Governo fomenta, o país revive a conhecida experiência de crescer à custa de dívida. Quando a dívida pública subiu, entre Março e Abril de 2017, 3,9 mil milhões de euros contra os 5,3 mil milhões em todo o ano 2015, podemos concluir que parece que estamos mais ricos, quando na realidade estamos muito mais pobres.

O Governo de Costa tem vivido dos resultados do governo anterior, mas também de uma folga na política monetária que o BCE e a FED tornaram possível enquanto a economia mundial não descolava. Mas até isso tem os dias contados. Não só as políticas do período da troika têm efeitos limitados no tempo como, tanto a FED como o BCE se preparam para  subir as taxas de juros e reduzir os estímulos à economia. Quando isso suceder termina a folga que os bancos centrais permitiram para que os Estados se pudessem reformar, mas que Portugal usou para alimentar clientelas.

Há o sério risco de Portugal se tornar um Estado falhado dentro da Europa, apenas sobrevivendo porque a UE nos segura. Pedrógão, Tancos, as cativações orçamentais que põem em causa serviços públicos para que se conservem benesses dos que votam ordeiramente, são apenas um pequeno aviso do que aí vem. Tal só não acontecerá se o país mudar e mudar muito. Nesse sentido é muito importante que o PSD, ou outra formação política que surja em condições de implementar as reformas necessárias, apresente um programa de governo clarificador. Caso contrário, a letargia a que fomos conduzidos reduzirá Portugal a uma completa submissão em troco de um mínimo de paz social. É legítimo que o país o aceite, mas depois não será legítimo que se queixe. Tal como não será legítimo que nos espantemos com a forma como seremos julgados pela história.

Acima de tudo, manter a casta

A minha crónica hoje no i.

Acima de tudo, manter a casta

Afinal, o histórico défice de 2% do PIB foi conseguido à custa de cativações. Ou seja, o governo não permitiu certas despesas, pondo em causa a prestação de certos serviços públicos, para compensar a reversão dos cortes nos salários da função pública e das pensões.

Aquilo de que se suspeitava – porque o dinheiro não é elástico – está hoje à vista: o plano B do socialismo é pagar clientelas, mesmo que à custa do Estado. António Costa e o seu círculo político perceberam que a única forma de o PS não seguir o caminho de outros partidos socialistas europeus é através da compra de votos. E qual cacique dos tempos modernos, Costa prometeu benesses pagas com fundos públicos, mesmo que à custa do bem comum.

Para piorar a narrativa, e como o crescimento económico dos últimos meses foi conseguido à custa de mais dívida, lá chegará o dia, ou porque já não há condições para pagar mais benesses ou porque o Estado falhou outra vez como aconteceu em Pedrógão e em Tancos, em que acordamos outra vez para a realidade.

Esse momento será cómico, para não dizer triste. Aquele em que Bloco e PCP lavarão as mãos e se tentarão salvar a qualquer custo. Quais ratos, saltarão borda fora na esperança de escaparem e acusarem outros da desgraça para a qual contribuíram. Exímios que são nessa prática política, que agora se considera uma arte, não terão dificuldades em prevalecer. Não deixa de ser curioso como o socialismo se modernizou ao ponto de pôr em causa a boa execução das funções próprias do Estado.

My ass

“If you don’t read newspapers you are uninformed, if you read them, you are misinformed” – Samuel Clemens aka Mark Twain

Desde o início desta história do “assalto” ao paiol de Tancos que a explicação mais plausível sempre me pareceu um problema de inventário. Não me lixem, não conheço pessoalmente o Cmdt do RE1 (embora tenha boas indicações dele por terceiros) mas salvo raras excepções tenho a melhor das ideias acerca do Oficiais de Engenharia e de uma coisa que nenhum dos que conheci pode ser acusado é de falta de rigor. São tão Engenheiros como qualquer um saído do IST ou da FEUP. Aliás são o mais antigo curso de engenharia em Portugal.

 

As Unidades do Exército têm vários Depósitos; de bares onde estão as bebidas e outros produtos destinados aos bares e messes, de fardamento, disto e daquilo. E têm paióis. No limite do pessoal, nenhum Cmdt de um Regimento, mas nenhum mesmo, deixa de ter a noção das prioridades da Guarda. Entre armas e explosivos ou fiambre e cerveja não têm dúvidas. Assim desde que a história aparece, convenientemente logo a seguir ao desastre de Pedrógão, que tresanda. As torres de vigia estavam vazias mas é os tomates. O problema foi isto ter escalado e na Central de Informação não terem percebido a gravidade da versão (pudera, naqueles lados a Defesa é um detalhe do papel do Estado e pouco importante) que puseram a circular. Quem se lixaria no fim seriam uns Oficiais e uma ou outra alforreca com umas estrelas nos ombros e Pedrógão e a inacreditável incompetência do Governo, do Estado e das instituições operacionais geridas por enfermeiros e professores primários passaria à História. Pois, só que lá fora, isto de material de guerra desaparecido é levado a sério.

 

A ver, os tais 44 “lança granadas” são umas merdas que pesam 2,5Kg cada um (em cada pelotão há um certo número de soldados que leva às costas três LGFs – neste caso parece ser M72 LAW que é a mesma merda – Google it, embora não me lembre de quantas munições leva um cunhete, 1495 munições é ridículo; granadas de gás lacrimogénio e ofensivas? E granadas defensivas nem uma? É que quem quiser fazer estragos a sério usa granadas defensivas (bem sei que é contra intuitivo, Google it). Mais uns cordões e umas merdices e está o filme feito.

Ora bem, para haver um problema de inventário que é a única explicação plausível há duas hipóteses, uma envolvendo corrupção outra negligência.

 

  1. Periodicamente há material que tem que ser destruído por ultrapassar o prazo de validade e há, ou havia, vários métodos de o fazer. Basta o tipo encarregue de contar o material a abater fazê-lo sem rigor nenhum (em vez de contar , digamos 364 LGFs contou 320 meio a olho, em vez de 52 cunhetes de munições contou 51, etc. ). Passado uns tempos há uma inspecção e o inventário está todo gatado. Vocês sabem qual é a percentagem que as grandese profissionalíssimas cadeias de supermercados usam para desaparecimentos antes de os produtos chegarem às prateleiras: 7%. E não é só por roubos, é também e essencialmente por erros de contagem.
  2. Outra hipótese é o material ter sido encomendado (imaginemos 1500 LGF), pago e parte nunca ter sido entregue e alguém se abotoa com a diferença que, honestamente, são trocos. Claro que vai dar asneira mais cedo ou mais tarde, mas muita gente metida nestas coisas não prima pela inteligência (ver o caso recente na FA e os mantimentos).

 

Agora, ninguém, mas mesmo ninguém me convence que houve assalto algum ao paiol de Tancos. Mas é que não mesmo. Eh pá! Qualquer paiol está cheio de granadas defensivas. Alguém que quer fazer estragos ou ganhar guita as deixa lá ficar e leva mei a dúzia de ofensivas e de gás lacrimogéneo? Olhem, quem inventou esta história bem pode ir gozar com o raio que o parta. Pedrógão não vai ser esquecido e teve o lado bom de permitir identificar as alforrecas ao serviço do poder.

Nem era preciso PJ, bastaria a PJM agarrar em todos os inventários e ir andando para trás e facilmente chegaria ao buraco. Mas pronto, quem poderia explicar está constitucionalmente impedido de falar (e ainda sabe o que é a honra), quem pode falar está a salvar a pele, a própria e a de outros porque isto escalou. Os imberbes da Central de Informações são uns meninos cheios de maquiavelismo livresco mas sem noção nenhuma do Mundo.

 

Na imagem um M72 LAW, 2,5kg, 640€ cada um. Segundo os espanhóis são 44 coisas daquelas que faltam.