Resultados Eleitorais: Europa & La La Land

Por toda a Europa, os cidadãos já acordaram para o lero lero do Socialismo: Gente rica, sempre a mesma, a pedir cada vez mais, para depois distribuir a seu belo prazer. Dizem que é pelos pobres, pelas crianças, e mais recentemente pelos cãezinhos. Na verdade é pelos amigos, pelos propagandeiros (“jornalistas”) e pelos grandes grupos económicos (hoje alinhados com a esquerda e a imprensa; o último foi o Pingo Doce, que hoje também já pode abrir no 1º de Maio e ter sede na Holanda sem a mínima crítica nos media). Um discurso “correcto” e “amigo” permite todo o tipo de abusos e roubos.
Itália e Grécia já arrepiaram caminho, mas nós na Ibéria é que continuamos a acreditar nos unicórnios, nas fadas e nos cantares da revolução.

Eu dizia “acordem”, mas creio que ou vamos pelo caminho alemão (inflação de Weimar tornou aquele país imune a esses erros), ou pelo caminho grego (Syriza já perdeu o lustro), ou teremos de passar por mais um ciclo PS – Bancarrota – PSD. Parece que este povo só aprende com catástrofes, e entretanto até conseguimos ver os socialistas a envelhecer perante os nossos olhos. Parece que é o nosso Fado.

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Da poltrona para a mesa de voto

Os liberais são uma espécie rara que gosta de debater ideias e acima de tudo criticar a situação, quase sempre deplorável, da coisa pública. Cépticos no que toca à natureza dos partidos políticos e do exercício do poder, são frequentadores habituais da poltrona, lugar privilegiado para discorrer sobre os problemas políticos da nação. A poltrona é confortável e o seu usufruto evita que as mãos fiquem sujas, exceptuando a tinta dos jornais, cada vez mais em desuso. Esta característica é universal de liberais em quase todo o lado. Os anglo-saxónicos chamam-lhes armchair liberals.

Pela primeira vez em Portugal, haverá um partido liberal no boletim de voto. A Iniciativa Liberal. Apesar deste facto, é possível que alguns liberais fiquem nas suas poltronas a dissertar sobre o costume. Cépticismo oblige. Por mim acho que já era hora de sair desse recatado conforto e ir, no mínimo, até à mesa de voto. Se não pelo princípio da coisa, pelo menos pelo esforço meritório do Carlos Guimarães Pinto e do Ricardo Arroja, entre outros, que foram os primeiros a tomar a iniciativa de sair da poltrona.

Talvez não seja possível

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Talvez o nosso entorpecimento crónico não tenha mesmo solução. Os funcionários públicos, resignados, preferirão aqueles que mais patacas prometem. Os pensionistas, preocupados, optarão pelos que desdenham dos riscos do futuro e por quem os acalenta com promessas pífias de que tudo está bem, tudo vai bem. Os jovens, abnegados, continuarão à margem de um sistema político que nada lhes diz. Os empresários, estafados, querem é ser deixados em paz, privilegiando assim a certeza do sofrível à incerteza do superlativo, favorecendo a previsibilidade da máquina que, atormentando-os, não os assusta. Os trabalhadores, esmorecidos e rendidos à marcha lenta que dita os seus miserentos salários, revoltados mas conformados, levantarão as suas vozes mas assinalarão a mesma cruz, o mesmo caminho de sempre que os levou exactamente ao mesmo sítio onde sempre estiveram e de onde nunca saíram. E todos juntos digladiar-se-ão pelas migalhas que saem dos seus bolsos e voltam a entrar, tocados pela graça daqueles que lhes prometem ser a sua salvação.

E talvez esta enorme letargia que asfixia Portugal e o condena à estagnação, nos paralisa no marasmo e nos hebeta a alma, não tenha solução. Talvez estejamos mesmo condenados, num qualquer fado batê a que os deuses nos condenaram, a sermos isto, nada mais do que isto, e sempre menos do que poderíamos ser. Talvez tudo isto seja verdade. Mas não menos verdade é que um conjunto de indivíduos — são sempre indivíduos — capitosos, persistentes, achou que a ideia de que Portugal é isto, mas pode ser muito mais do que isto. Olhando para a toalha que ali jaz, no chão, e de que já quase todos abdicamos, estes teimosos tiveram o arrojo de dizer: só depende de nós. E por tudo isto, e mesmo que falhem, e mesmo que não seja possível fazer melhor, no Domingo irei votar Iniciativa Liberal.

O Berardo Expiatório

Quem vir as inúmeras manifestações públicas de virtude a vilipendiar Joe Berardo poderia facilmente ser induzido em erro: Até parece que a Caixa Geral de Depósitos não era o braço armado de sucessivos governos para financiar operações de pessoas amigas do regime. Até parece que os créditos concedidos pela CGD a investidores, para comprarem ações da PT e do BCP, não tinham como propósito fazer pender as decisões das Assembleias Gerais dessas empresas num determinado sentido, pretendido pelo governo (e por Ricardo Salgado). Até parece que os administradores da CGD Santos Ferreira e Vara não se tornaram administradores do BCP depois dos créditos concedidos aos novos acionistas.

O grau de demagogia relativamente a Berardo atinge o cúmulo nas declarações do Primeiro-Ministro, que se manifesta muito indignado pela CGD ficar sem receber a totalidade de um crédito para compra de ações tendo apenas estas últimas como garantia (e isto não é totalmente verdade, pois as garantias foram reforçadas depois), quando isso era a prática corrente do banco na altura e estando a tutela do banco sob um governo do seu partido e de que ele próprio tinha feito parte até umas semanas antes. A lata estanhada do PM é incrível, quase igualada pelo grau de hipocrisia das declarações de José Miguel Júdice, que “ameaça” devolver a condecoração que recebeu se Marcelo não retirar o grau de Comendador a Berardo. Ainda assim o populismo demagógico mais miserável veio de Paulo de Morais, que sugeriu que Berardo enriqueceu à custa do crédito que potenciou esta operações desastrosa para todos os envolvidos, como se tivesse desviado o dinheiro.

Não há inocentes nesta indignação colectiva. Todos os partidos deram para o peditório. O que é extraordinário, tendo em conta que a dita indiganação ajuda a atirar areia para os olhos dos portugueses e esconde as responsabilidades do PS e de vários membros do atual governo num periodo que foi altamente lesivo dos interesses dos contribuintes. Mas nada disso interessa. Todos a bater no peito: Queimem o porco capitalista na fogueira! Malandro! Gatuno! O que interessa a carga fiscal mais elevada de sempre quando o malandro do Berardo conseguiu um crédito sem aval pessoal e não foi morar para debaixo da ponte?

Fake news com a alta chancela do DN

Circula por aí a teoria que postula que as fake news terão sido uma criação das redes sociais. Até ao surgimento destas redes, o mundo contemplava apenas a verdade com estoicismo. Na verdade, na verdade as fake news já existem há séculos, mas sob outro nome: propaganda. E a propaganda, diligentemente veiculada pelos apparatchiks e demais idiotas úteis, serve fins políticos. Lenine sabia-o: pese embora ter ganhado apenas por um voto, apelidou o seu grupo de bolshevicks (maioria) e ao grupo oposto de menchevicks (minoria), e assim ficou. A política é a arte da percepção.

Logo, não é de estranhar que surjam notícias que são pura propaganda, ou, como agora se diz, fake news. É o caso desta. Depois de fazer capa com o Maserati de um dirigente sindical — como se isso tivesse qualquer relevância política no caso em apreço —, o DN excede-se a si mesmo (já de si uma tarefa difícil) e consegue uma artifício propagandístico de igual monta e engenho: vender um aumento da despesa como uma arrecadação para o Estado. Veja-se: os aumentos da Função Pública, oportunamente anunciados em vésperas de eleições, custarão 1462 milhões de Euros aos contribuintes. Parte desse montante são impostos, pelo que o custo líquido estimado será de 1334 milhões. O DN distorce assim a notícia, servindo os interesses políticos do governo.

Comprova-se, portanto, que as redes sociais são apenas um catalisador, carecendo sempre de uma fonte que produza a propaganda. Neste caso foi o DN. Recomenda-se, assim, que a Lusa actualize da seguinte forma o parágrafo que reproduz em todas as suas peças a propósito das fake news:

As notícias falsas, comummente conhecidas por ‘fake news’, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. São também exemplo disso os anúncios do ex-Ministro Pedro Marques e as capas do Diário de Notícias.

Greve, combustíveis, escassez e racionamento

Lição para o futuro. Em apenas quatro dias (entre a segunda-feira e quinta-feira antes da festividade da Páscoa) uma greve dos motoristas de matérias perigosas – especialmente combustíveis – lançou o caos em Portugal.

Pessoalmente, como muitos outros condutores, eu nem sequer sabia da greve. Até à manhã de terça-feira, quando se noticiou que aeroportos estavam a ficar sem combustível e que postos de abastecimento poderiam ir pelo mesmo caminho… Nesse dia, a incerteza dos portugueses quanto a potenciais limitações à continuação da mobilidade automóvel levou-os em massa a encher depósitos dos seus automóveis. Que provocou o efeito pretendido pelos grevistas: escassez da disponibilidade de combustível. Como muitos, ao final do dia já não consegui abastecer.

A solução do governo de António Costa foi declarar “crise energética” e estipular serviços mínimos bem como recorrer à requisição civil (suspeito que seria a solução de qualquer outro partido da Assembleia). E, para fazer face à corrida aos combustíveis, alguns postos limitaram os litros que consumidores podiam abastecer.
Mas havia melhor solução para gerir a escassez de combustíveis: preços!!!

Considerem o seguinte cenário: cientes que haveria greve a partir do dia 15 de Abril (sindicato deu pré-aviso a 1 de Abril), postos notificavam consumidores que, caso greve fosse efectivada, os preços iriam aumentar, por exemplo, 25 cêntimos. Em resposta a esse aviso, muitos condutores iriam abastecer nas semanas anteriores à greve a preço “normal” e empresas fornecedoras poderiam encher tanques para responder ao acréscimo de procura. Ainda, na(s) semana(s) de greve – e com preços mais altos – apenas iria abastecer quem realmente tivesse necessidade de o fazer. É que vi exemplos de condutores na fila dos postos a dizerem que tinham ainda metade do depósito mas estavam ali para encher o restante por precaução. Involuntariamente, “ajudaram” a que escassez fosse maior.

Ainda, ao contrário de limites quantitativos ao abastecimento (ex: litros por carro) preço também é melhor forma racionar o consumo. Quando se impõe uma quantidade máxima por consumidor não há forma de saber se 10 litros para determinado condutor são mais valiosos que para outro condutor no fim da fila que, quando chegar a sua vez, poderá não conseguir comprar combustível. Preço obriga a selecção mais justa.

Também, a acrescida margem financeira resultante de mais altos preços dos combustíveis, iria contribuir para pagar prémio aos motoristas que não fizessem greve, ajudando a mitigar consequências da mesma.

Porque postos não optaram por esta solução? Poderia ser por ignorância económica destes sobre o papel dos preços na gestão de escassez. Mas aposto que se trata mais da ignorância dos consumidores que, certamente, não iriam perceber os benefícios elencados acima e ainda iriam acusar aquelas empresas de exploração/especulação. Prova disso é imagem que circulou nas redes sociais de posto em Sintra a vender gasolina €1,809 o litro e que entretanto foi desmascarada pelo jornal Polígrafo (tratava-se do preço normal da gasolina premium).

No entanto, um facto que pareceu escapar aos jornalistas e aos milhares de internautas que partilharam esta imagem: naquele posto havia este tipo de gasolina. Sim! E isso só foi possível porque preço era mais alto. Muitos outros postos podiam ainda ter gasolina e gasóleo disponível se, durante período de greve, tivessem aumentado preços dos combustíveis, obrigando consumidores a gerir melhor os seus consumos.

Lição para o futuro? Gostava que portugueses aprendessem com erros do passado e cenário descrito neste post fosse realidade aquando da próxima “crise energética”. Mas minhas expectativas são baixas.