É fácil ser bloquista em Portugal

catarina_martins_marisa_matias

A insustentável leveza de Catarina. Por José Manuel Fernandes.

É fácil ser Catarina Martins, e não é por causa dos arrependimentos. É fácil porque não é preciso ter um discurso coerente, apenas seguir os ventos que sopram e repetir os lugares comuns mais na moda.

(…) Neste seu país de conto de fadas não custa a Catarina despejar frases sonantes mas sem grande sentido – tudo porque no país real que somos ninguém lhe faz a pergunta que era importante fazer: mas quem é que cria a riqueza para pagar mais Estado e mais consumo? Nós ou os alemães? E quererão eles pagar – democraticamente – os nossos défices?

Por isso ainda bem que há entrevistas “fofinhas” para percebermos a insustentável leveza de alguns dos nossos heróis políticos.

Paulo Trigo Pereira e o Cenário Macroeconómico do PS

centeno_galamba_costa_trigo_pereira

Uma boa análise crítica de uma posição muito difícil de sustentar: A dialética socialista do Incumprimento. Por Vasco Mina.

Ontem, o economista e deputado do PS, Paulo Trigo Pereira, também ele um dos subscritores do citado Cenário Macroeconómico, apresenta a sua abordagem da situação económica e financeira do País. Começa humildemente por reconhecer o seguinte: “O crescimento económico é fraco há década e meia, não sendo por isso imputável nem a este nem ao anterior governo”. Assim sendo, por que subscreveu a tese de um crescimento de 2,4%? Ou seja, quando se é oposição (era o caso em 2015) então crescer é fácil e demonstrável num documento; quando se passa à governação, então o problema é do passado e resulta de uma observação estatística.

Leitura complementar: O plano macroeconómico do PS e a realidade.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo (2)

A conspiração neoliberal na imprensa portuguesa e o Público. por Sebastião Bugalho.

Ao contrário do que hoje publicou, o medo de Vítor Malheiros não é a “hegemonia do pensamento conservador”. O seu medo, na realidade, é a existência do pensamento conservador em democracia. É verdade. Ele existe, está cá e chateia. Especialmente aqueles que lidam mal com diversidade.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo

O jornalista vazado. Por CCC.

Não há ali sombra de argumentos. Não há, por ali, uma molécula que seja do tipo de decência intelectual de que nos falava Karl Popper. Nem sequer uma partícula subatómica de lógica ou de racionalidade. É um simples caso de vacuidade que o sr. Malheiros «jornalista» entendeu preencher com uma estrondosa bagunçada de absurdidades, num tom ora paranóico, ora persecutório. A visão estreita do que é a liberdade jornalística, o gosto pela distopia e a ampla assunção da sua ignorância em matéria de concepções políticas, são a prova de que a parlapatice não preenche vazios: amplifica-os.

Mais 5 mil milhões para a CGD…

Reforço de capitais da Caixa chega a 5.160 milhões. Estado mete capital, privados investem em dívida

Processo da Caixa é “espécie de manual do que não se deve fazer num Estado democrático”

O efeito “geringonça” no mercado de trabalho

António Costa comenta governação de António Costa

Costa Parvo

Dívida pública volta a aumentar e já está perto dos 132% do PIB

A dívida pública portuguesa voltou a crescer entre Abril e Junho deste ano, fixando-se, na Óptica de Maastricht, nos 131,6% do produto interno bruto (PIB). Um valor que está acima da meta anual do Governo e das instituições internacionais.

Valores da dívida pública são “más notícias”, diz António Costa

António Costa criticou as “más notícias” sobre a evolução financeira do país, apontando o dedo às políticas de “austeridade” do Governo, que afirmou terem “fracassado”.

O líder do PS disse que “só com uma economia sã, teremos finanças públicas sãs”, comentando os números divulgados pelo Banco de Portugal que indica que a dívida das administrações públicas na óptica de Maastricht fixou-se em 128,7% do PIB em 2014, acima do verificado em 2013 e da meta fixada pelo Governo para o ano passado.

Sei o plano que apresentaste no Verão passado… (2)

centeno_galamba_costa

São mais as pessoas que preferem mentiras. Por Alexandre Homem Cristo.

O “Cenário Macroeconómico” do PS surgiu, em Abril de 2015, para satisfazer uma necessidade política concreta: legitimar o discurso de António Costa quanto a alternativas às políticas de austeridade de PSD-CDS e, servindo de apoio ao programa eleitoral socialista, credibilizar medidas como a acelerada reposição de salários da função pública – que, na opinião pública, seria recebida com desconfiança enquanto medida despesista e irresponsável caso não estivesse enquadrada pelo “Cenário Macroeconómico”. Ou seja, o documento teve uma finalidade política, mediática e eleitoral, e não uma utilização prática do ponto de vista económico. Assim, o rigor das contas foi sempre o aspecto secundário da questão – de resto, substituindo-se a transparência das mesmas (o PS nunca divulgou a base de dados com que trabalhou) pela exibição do currículo de Mário Centeno, que deu a cara e a reputação pela fiabilidade das previsões. O objectivo era, portanto, simples: acertar-se na mensagem para levar o PS ao poder, mesmo que, para tal, se tivesse de errar nas contas.

Sim, o PS perdeu as eleições – e, assim, poder-se-ia considerar que também dessa perspectiva o “Cenário Macroeconómico” fracassou. Mas essa leitura seria uma precipitação. Em boa verdade, o “Cenário Macroeconómico” foi um sucesso. É que nele consta a mensagem política – uma alternativa à austeridade sustentada no crescimento económico por via do aumento do consumo – que está na base do entendimento político entre PS e partidos à sua esquerda. Não importa se o documento ficou condenado à prateleira da ficção, nem aflige a “geringonça” que essa estratégia económica esteja a derrocar. O que importa é que foi essa ficção, partilhada por PCP e BE, que permitiu o conciliar da mensagem política do PS com a dos partidos à sua esquerda. No final, o “Cenário Macroeconómico” foi uma peça determinante na estratégia socialista para chegar ao poder – e, portanto, cumpriu o seu papel.

Leitura complementar: O plano macroeconómico do PS e a realidade.

As opções editoriais sobre crianças II

Rslan ym "fotógrafo" com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.
Rslan um “fotógrafo” com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.

Realidades que os media portugueses não noticiarão e que não se tornarão virais.

Syrie : la face obscure du photographe qui a immortalisé l’enfant blessé

Mahmoud Rslan, dont les images ont fait le tour du monde, ne cache pas sa sympathie pour un groupe rebelle qui a décapité un enfant, en juillet.

Leitura complementar: As opções editoriais sobre crianças.

O plano de Paulo Portas

Paulo Portas, em reacção às críticas de Manuel Monteiro: Paulo Portas em Luanda demarca-se de polémica interna no CDS-PP

“Nunca dei troco a polémicas de natureza interna, muito menos a pessoas que até já fizeram partidos contra o CDS ou saíram até do CDS. Sendo muito breve, o meu plano é sempre o das relações do Estado português”, disse Paulo Portas, em declarações à imprensa.

manel_monteiro_paulo_portas

Sei o plano que apresentaste no Verão passado…

Na realidade, foi na Primavera passada mas o Verão é uma boa altura para fazer o necessário balanço: O plano macroeconómico do PS e a realidade

Independentemente do final que o filme que estamos a viver venha a ter, há no entanto uma coisa que é certa: o plano macroeconómico do PS chocou de frente com a realidade.

Os truques do Público (2)

publico_campanhas_truques

Jornalismo lixo no Público. Por josé.

Este jornalismo é lixo porque não é jornalismo mas propaganda política pura. E com custos ocultos.

Ditadura fiscal não poupa ninguém

Fisco ataca casa de padres e pobres

As cartas das Finanças começaram a chegar no mês passado e dizem respeito a residências paroquiais, salas de catequese, conventos e largos existentes em frente às igrejas. Em Paço de Sousa, Penafiel, até as casas mandadas construir pelo padre Américo, fundador da Casa do Gaiato, para alojar pessoas em extrema dificuldade financeira vão, pela primeira vez em 66 anos, pagar imposto. E, em Braga, 20 padres já se dirigiram à diocese para contestar o pagamento de IMI em prédios com fins sociais e pastorais, isentos pela Concordata. Aveiro, Bragança, Leiria e Setúbal são outras dioceses em que o pagamento do imposto foi solicitado.

Leitura complementar: Quando a ditadura fiscal nos bate à porta; Da ditadura fiscal à miséria moral.

Os truques do Público

publico_campanhas_truques

Um extraordinário critério “jornalístico” do Público para o destaque na primeira página (que é o que mais interessa, já que poucas pessoas lêem os artigos do jornal): interessam mais os 475.000 euros que a coligação PaF gastou num contrato publicitário do que o militante do PS que decorou salas pela módica quantia de 751.000 euros…

Caixa Geral de Depósitos, 2016

Serviço Público de Blogosfera: documento de apoio a futuras comissões de inquérito*. Por Rodrigo Moita de Deus.

CêGêDê. Por CCC.

Manuel Monteiro sobre Paulo Portas, o CDS e o MPLA

CDS foi a Angola defender “interesses” de Paulo Portas, acusa Manuel Monteiro

Manuel Monteiro diz-se “profundamente chocado” por ver “a direita portuguesa ou alguns responsáveis da direita portuguesa mais preocupados com os seus negócios e com os seus interesses particulares do que com os interesses do país”. As críticas duras do ex-líder do CDS, em entrevista à SIC Notícias, surgem na sequência da polémica participação de Hélder Amaral, do CDS-PP, no congresso do MPLA, onde o responsável fez um discurso que terá deixado Assunção Cristas “chocada”, segundo o i. (…) “Este partido, ao tomar estas posições, está, no fundo, na minha perspetiva — e eu assumo totalmente a responsabilidade pelo que vou dizer — a fazer uma cedência aos interesses pessoais e de negócios do seu anterior presidente, o Dr. Paulo Portas”, afirmou Manuel Monteiro em entrevista à SIC Notícias na noite de quinta-feira.

Hélder Amaral, o CDS e o MPLA

Assunção Cristas furiosa com o enviado do CDS ao congresso do MPLA, Hélder Amaral

O i sabe que a direção aguarda a chegada de Hélder Amaral para esclarecer as declarações e, se necessário, acertar nova reação. Michael Seufert, ex-deputado do CDS na Assembleia da República, afirmou ao i que, na sua opinião, “o CDS não deveria enviar uma delegação a congressos de partidos totalitários”.

José Miguel Cerdeira, economista militante do CDS, resumiu: “De um ponto de vista patriótico e de proteção dos interesses nacionais, percebe-se uma presença de representação, sendo, mesmo assim, duvidosa. Contudo, o entusiasmo manifestado é totalmente despropositado.
No mínimo, colide com outros valores do CDS como o respeito pela democracia e pelo pluralismo. Foi demasiado além do que a cortesia diplomática exige. E isso tem custos.” Francisco Rodrigues dos Santos, presidente da “jota” do CDS, não tardou também a pronunciar-se sobre a polémica. Na sua página pessoal de Facebook, escreveu: “A Juventude Popular não se revê em nenhuma outra força juvenil que baseia a sua matriz no marxismo-leninismo. Seja cá dentro ou lá fora.
A JCP ou a JMPLA.” Ao i, o líder da Juventude Popular tornou a sublinhar que “o CDS e o MPLA são partidos antagónicos”, contrariando o deputado Hélder Amaral.

(…) José Ribeiro e Castro, um antigo presidente dos centristas, também mostrou o seu desagrado perante o sucedido. “O congresso do CDS talvez venha a contar também com a presença de delegações do Partido Comunista de Cuba e do Partido do Trabalho da Coreia do Norte”, ironizou.

A renacionalização da TAP e o Porto

Líder do PS-Porto descontente com Governo por causa da TAP

Se a privatização não servia os interesses do Porto, com a “renacionalização” também não se viram melhorias. É esta a opinião do deputado e presidente da concelhia do PS do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, que está descontente com a companhia aérea e com a decisão de cortar rotas directas a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro. O socialista também não está satisfeito com o Governo e pede mais.

Continue reading “A renacionalização da TAP e o Porto”

A CGD e o “regular funcionamento das instituições” em Portugal

Caixa Geral de Depósitos: Governo vai mudar a lei para aprovar administradores chumbados

BCE aprovou nova administração, mas não aceita oito administradores porque a lei portuguesa impõe limitação à acumulação de cargos. O Governo diz que vai mudar a lei para a tornar menos exigente.

A ministra da festa cor de rosa e da reforma agrária

O meu texto de ontem no Observador.

‘Faço já a declaração de interesses: não tenho nada contra festas, nem contra revistas cor-de-rosa, nem contra ministros divertindo-se, nem contra fotografias de pessoas aperaltadas em eventos sociais. Eu própria passei uma parte das férias num local com alguma influência britânica onde ainda se valoriza o vestir bem para jantar, no fio da navalha entre a formalidade e a informalidade. Percebo, portanto, que a ministra da administração interna, Constança Urbano de Sousa, tenha decidido ir a uma festa durante as férias e nela se tenha feito fotografar.

Mas a ministra não é uma capitalista impenitente como eu. Detenhamo-nos, então, por momentos nesta propensão que os socialistas têm, mesmo agora extremados à esquerda e adeptos da luta de classes, de se aliarem a eventos com uma inegável frivolidade social e a revistas de fofocas. Afinal os socialistas empedernidos nunca resistiram ao luxo. Veja-se como os Castro celebraram a miséria cubana contratando Christian Louboutin para fornecer as fardas para os Jogos Olímpicos. Ou Bernie Sanders, que prometia uma revolução socialista americana e acabou a comprar uma casa cara num lago idílico (os Adirondacks, lá perto, são dos sítios que me estão atravessados na garganta para visitar).

De resto, o comportamento da ministra é consistente com o de António Costa, agora ‘chocado’, quase lacrimejante (levem-lhe chá de verbena), mas que também se fez fotografar numa praia algarvia, risonho e feliz da vida. Nem sei se este género de ação não terá magicado pelas cabecinhas do PS que se supõem génios de estratégia política. A mensagem seria inspirada em Pangloss: estamos no melhor dos mundos, a governação está encarrilhada, como podem ver corre tudo tão bem que até nos podemos despreocupadamente dedicar a festas e riso durante as férias. Afinal é este governo que acredita nos poderes mágicos do otimismo, porventura depois de terem lido meia dúzia de best sellers de autoajuda: se acreditares que vai correr bem, então vai correr bem. E, se não correr, a comunicação social amiga finge que sim e os papalvos dos eleitores pensarão que as suas desgraças individuais não se replicam pelo resto da população.

Houve o problema do costume em se tratando de um governo socialista: a realidade. Estava António a rir na praia e Constança na festa cor de rosa quando já o país ardia como se não houvesse amanhã. Que não tenham arrepiado a estratégia propagandística ‘ministros, festejemos ostensivamente a boa governação’, mostra uma falta de senso e de noção e de respeito atroz e perturbante.

Claro que Constança Urbano de Sousa teve de abandonar as suas festas cor-de-rosa para fazer controlo de danos. Desde aí tivemos entrevistas da ministra quase todos os dias, declarações à comunicação social, textos elegíacos sobre a senhora em jornais, tentativas de culpar a União Europeia. E descobrimos que afinal a reação mais ajuizada da ministra da administração interna aos fogos que consomem as florestas é mesmo participar em festas.’

O resto está aqui.

O acesso do Fisco a todas as contas bancárias

Bem a CNPD, mas infelizmente é praticamente certo que as reservas colocadas serão insuficientes para travar o apetite do monstro fiscal que tritura todos os direitos, liberdades e garantias que encontra pela frente: Acesso do Fisco a todas as contas bancárias. Governo invoca acordos com UE e EUA

O projeto que prevê o acesso do Fisco a todas as contas bancárias é, no essencial, uma consequência “dos compromissos internacionais com caráter vinculativo assumidos pelo Estado português”, adiantou o Ministério das Finanças ao Observador, na sequência das reservas emitidas pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) sobre a legalidade desta legislação que foram noticiadas esta quarta-feira.

O reforço do acesso pelo Fisco aos dados das contas bancárias é justificado com o combate internacional à evasão fiscal, através da troca de informação com autoridades fiscais de outros países.

Leitura complementar: Quando a ditadura fiscal nos bate à porta; Da ditadura fiscal à miséria moral.

Como sempre, será uma grande surpresa que ninguém tinha previsto

Havia uma altura em que eu mantinha um acervo de avisos à navegação que iam sendo feitos a este governo e a esta governação. Desde bancos, agências de rating, UTAO, CFP, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc. Até que desisti, dada a quantidade infindável de notícias que vão surgindo. Recentemente saiu mais uma. Até à próxima, que não deve tardar.

DBRS: ÚLTIMA CHAMADA (Paulo Gorjão)

É a terceira vez, no espaço de pouco mais de um mês, que a DBRS — a única agência de notação que atribui a Portugal a categoria de investimento não especulativo, o que segundo alguns observadores permite ao BCE englobar Portugal no seu programa de quantitative easing — se pronuncia sobre Portugal.

A primeira foi a 6 de Julho. Adriana Alvarado, a analista responsável por acompanhar Portugal, destacou que a DBRS centraria a sua atenção na forma como “o Governo [iria] responde[r] à Comissão, se lhe fo[sse] exigida a apresentação de medidas adicionais”. Enfim, como sabemos, António Costa e Mário Centeno continuam a resistir, ainda que a Comissão o tenha exigido explicitamente.

A segunda vez que se pronunciou foi a 27 de Julho. Adriana Alvarado, uma vez mais, veio avisar que se houvesse desvios na execução orçamental, o Governo deveria “reagir rapidamente”. Segundo os dados oficiais da Direcção-Geral do Orçamento tudo está sob controlo, mas a verdade é que quase ninguém acredita nisso, interna e externamente.

Sensivelmente a dois meses da próxima avaliação do rating de Portugal pela DBRS, agendado para 21 de Outubro, a agência de notação pronunciou-se pela terceira vez. Esqueçam a Adriana Alvarado. Num claro upgrade, desta vez é o próprio responsável pela análise de ratings soberanos da DBRS, Fergus McCormick, quem se pronuncia publicamente sobre Portugal. Uma simples entrevista, aliás, foi o suficiente para de imediato subirem os juros de Portugal. Calculem como seria catastrófica a perda da categoria de investimento não especulativo. Adiante. O que disse McCormick?

O responsável da DBRS alertou para o facto de o baixo crescimento económico estar a dificultar o problema relacionado com os elevados níveis de dívida pública e privada, o que por sua vez está a reforçar a pressão sobre o rating de Portugal. Acresce que McCormick não se esqueceu igualmente de frisar a resistência de António Costa em cortar na despesa, tal como exigido por Bruxelas.

Enfim, como não concordar inteiramente com Pedro Passos Coelho quando destacou no Pontal o óbvio ululante: “esta solução de Governo está esgotada, e não tem nada para oferecer do ponto de vista económico, a não ser estagnação e conflito com os credores”. Repito, estagnação e conflito com os credores. É isso que o futuro nos reserva.

Aniversário do Plano Macroeconómico do PS

Celebra-se por estes dias o 1º aniversário do plano Macroeconómico detalhado que o PS apresentou a eleições. O plano foi louvado pela imprensa e muitos comentadores como algo inovador, como a demonstração da preparação técnica do PS para governar. Os leitores mais frequentes do blog lembrar-se-ão que, por inúmeras vezes, pedimos aqui que fosse disponibilizado o modelo que deu origem ao plano, sempre sem sorte. Na altura, coloquei aqui em causa se os pressupostos e resultados eram realistas. Passado quase 1 ano da sua apresentação, podemos hoje verificar como está a correr a implementação desse plano.

Nos gráficos abaixo podem ver na primeira coluna aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PS fosse governo. Na segunda coluna, aquilo que os economistas do PS previam que iria acontecer em 2016 se o PSD/CDS se mantivessem no poder. Na terceira coluna, podem ver o que está realmente a acontecer até ao final do 2º semestre.

cente1

cente2

cente3

Os gráficos falam por si: Os números homólogos indicam que temos um terço do crescimento, um terço do emprego criado e um crescimento da dívida pública em vez da pevista queda. Não só a economia está bastante pior do que o plano original do PS, como está bem pior do que o PS previa que iria estar se PSD/CDS fossem governo. Reparem que isto não são números do PSD ou do CDS. São os próprios números do PS que dizem que a economia estaria melhor se eles não tivessem sido governo. Veremos se os próximos 6 meses reverterão a situação. Cá estaremos para acompanhar.

Para além de Mário Centeno, estiveram envolvidos na elaboração desse plano as seguintes pessoas:

Vítor Escária
Fernando Rocha Andrade
Francisca Guedes de Oliveira
João Nuno Mendes
João Leão
Manuel Caldeira Cabral
Paulo Trigo Pereira
João Galamba
José Vieira da Silva
Elisa Ferreira
Sérgio Ávila

Portugal’s “Doom Loop”

portugal_doom_loop

Portugal Gaining On Italy In The European Banking “Doom Loop”

The graphic also shows that Portugal’s doom loop metric has soared over the past two years. Portuguese banks have been gorging on Portuguese sovereign debt, taking it from 7 percent of total assets to 10 percent – the same level as Spain. If they continuing loading up at this pace, they will reach Italian levels by 2018.

This is worrying because Portugal has a government debt-to-GDP ratio of 129 percent (just below Italy’s 136 percent) and is set to fall short of its deficit target for a third year running. Spain, with debt to GDP at 101 percent, will fall short for the 9th straight year. And slowing growth means that current budget projections may prove overoptimistic yet again, leading to ratings downgrades.

What does this mean from a practical perspective? Well, we calculate that a 15 percent fall in the bond prices of their respective sovereigns would erase 35 percent of Italian bank capital, 22 percent of Portuguese bank capital, and 18 percent of Spanish bank capital.

Abusos de poder na fronteira ao serviço do INE

Operação STOP. Por José Meireles Graça.

Que não cabe nas funções da GNR coagir cidadãos a prestarem declarações fora do âmbito de processos criminais ou da realização dos fins de fiscalização do cumprimento de normas legais, ou de segurança e protecção de pessoas e bens, não carece de demonstração. E por isso o graduado que anuiu à requisição e que instruiu os seus homens para a cumprirem não entende a sua função nem os seus deveres: a ordens ilegais, se o seu cumprimento puder dar origem à prática de crimes, não é devida obediência. E mandar parar pessoas para as submeter a interrogatórios grotescos para defesa de um vago, e abstracto, interesse público, é, claramente, um abuso de poder.

Portugal, 2016: o jornalismo a que temos direito

Agora está tudo bem. Por Alexandre Homem Cristo.

(…) não foram apenas BE e PCP que mudaram a forma como encaram os factos políticos, mas também vários jornalistas que, cobrindo temas sociais, abdicaram do dramatismo que marcou os últimos anos. Não é necessário um grande esforço de memória para recordar como, entre 2013 e 2015, o debate público foi invadido de notícias sobre crianças com fome nas escolas, sobre jovens que emigravam em fuga pela ausência de oportunidades profissionais, sobre estudantes que desistiam do ensino superior por falta de recursos, sobre idosos abandonados em condições de pobreza, sobre famílias carenciadas para as quais o Estado não tinha resposta. Mas, desde as eleições legislativas, essas notícias desapareceram. Afinal, em Portugal já não há fome, pobreza, abandono dos estudos e emigração?

(…) Aconteça de forma voluntária (por motivações políticas) ou de forma involuntária (por recurso preguiçoso às fontes partidárias), esta súbita ausência implica que parte do nosso jornalismo está demasiado apoiado nas fontes e agendas partidárias, em vez de construir as suas próprias notícias e reportagens. E o problema vai muito além da questão da fiabilidade das notícias. Está, sobretudo, no enfraquecimento do próprio jornalismo.

“Sei o que disseste o Verão passado”

pedro_filipe_soares_bloco_de_esquerda

Pedro Soares, do Bloco de Esquerda, não poupou nas palavras nas violentas críticas que dirigiu ao Governo por causa do flagelo dos fogos florestais: “Este é o terceiro pior ano dos últimos dez em matéria de fogos florestais. Já ardeu uma área de 28 780 hectares, quando, no ano passado, por esta altura, tínhamos 7 575 hectares ardidos”. Antecipando as habituais justificações com base em condições meteorológicas extraordinárias, acrescentou taxativamente: “Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”.

Por isso o responsável bloquista declarou, em tom grave, que “a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”, salientando: “Sabemos que a região sul da Europa e Portugal têm condições da floresta e meteorológicas propícias para a deflagração de incêndios, mas compete a um Estado competente colocar um dispositivo no terreno que permita contrariar os efeitos, tanto ao nível do ataque direto como da prevenção”.

O título deste post – sugerido pelo leitor Nuno Granja – tinha sido um excelente título alternativo para o meu artigo desta semana no Observador.

“a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”

2015-11-04-antonio-Costa-Catarina-martins-Jeronimo-de-sousa

O meu artigo desta semana no Observador: Em 2016, Portugal arde mais docemente.

Infelizmente o mais provável é que nos próximos tempos se vá enterrar ainda mais dinheiro público nas estratégias falhadas de gestão dos incêndios que nos conduziram até aqui – para gáudio dos lobbies