Talvez não seja possível

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Talvez o nosso entorpecimento crónico não tenha mesmo solução. Os funcionários públicos, resignados, preferirão aqueles que mais patacas prometem. Os pensionistas, preocupados, optarão pelos que desdenham dos riscos do futuro e por quem os acalenta com promessas pífias de que tudo está bem, tudo vai bem. Os jovens, abnegados, continuarão à margem de um sistema político que nada lhes diz. Os empresários, estafados, querem é ser deixados em paz, privilegiando assim a certeza do sofrível à incerteza do superlativo, favorecendo a previsibilidade da máquina que, atormentando-os, não os assusta. Os trabalhadores, esmorecidos e rendidos à marcha lenta que dita os seus miserentos salários, revoltados mas conformados, levantarão as suas vozes mas assinalarão a mesma cruz, o mesmo caminho de sempre que os levou exactamente ao mesmo sítio onde sempre estiveram e de onde nunca saíram. E todos juntos digladiar-se-ão pelas migalhas que saem dos seus bolsos e voltam a entrar, tocados pela graça daqueles que lhes prometem ser a sua salvação.

E talvez esta enorme letargia que asfixia Portugal e o condena à estagnação, nos paralisa no marasmo e nos hebeta a alma, não tenha solução. Talvez estejamos mesmo condenados, num qualquer fado batê a que os deuses nos condenaram, a sermos isto, nada mais do que isto, e sempre menos do que poderíamos ser. Talvez tudo isto seja verdade. Mas não menos verdade é que um conjunto de indivíduos — são sempre indivíduos — capitosos, persistentes, achou que a ideia de que Portugal é isto, mas pode ser muito mais do que isto. Olhando para a toalha que ali jaz, no chão, e de que já quase todos abdicamos, estes teimosos tiveram o arrojo de dizer: só depende de nós. E por tudo isto, e mesmo que falhem, e mesmo que não seja possível fazer melhor, no Domingo irei votar Iniciativa Liberal.

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O Berardo Expiatório

Quem vir as inúmeras manifestações públicas de virtude a vilipendiar Joe Berardo poderia facilmente ser induzido em erro: Até parece que a Caixa Geral de Depósitos não era o braço armado de sucessivos governos para financiar operações de pessoas amigas do regime. Até parece que os créditos concedidos pela CGD a investidores, para comprarem ações da PT e do BCP, não tinham como propósito fazer pender as decisões das Assembleias Gerais dessas empresas num determinado sentido, pretendido pelo governo (e por Ricardo Salgado). Até parece que os administradores da CGD Santos Ferreira e Vara não se tornaram administradores do BCP depois dos créditos concedidos aos novos acionistas.

O grau de demagogia relativamente a Berardo atinge o cúmulo nas declarações do Primeiro-Ministro, que se manifesta muito indignado pela CGD ficar sem receber a totalidade de um crédito para compra de ações tendo apenas estas últimas como garantia (e isto não é totalmente verdade, pois as garantias foram reforçadas depois), quando isso era a prática corrente do banco na altura e estando a tutela do banco sob um governo do seu partido e de que ele próprio tinha feito parte até umas semanas antes. A lata estanhada do PM é incrível, quase igualada pelo grau de hipocrisia das declarações de José Miguel Júdice, que “ameaça” devolver a condecoração que recebeu se Marcelo não retirar o grau de Comendador a Berardo. Ainda assim o populismo demagógico mais miserável veio de Paulo de Morais, que sugeriu que Berardo enriqueceu à custa do crédito que potenciou esta operações desastrosa para todos os envolvidos, como se tivesse desviado o dinheiro.

Não há inocentes nesta indignação colectiva. Todos os partidos deram para o peditório. O que é extraordinário, tendo em conta que a dita indiganação ajuda a atirar areia para os olhos dos portugueses e esconde as responsabilidades do PS e de vários membros do atual governo num periodo que foi altamente lesivo dos interesses dos contribuintes. Mas nada disso interessa. Todos a bater no peito: Queimem o porco capitalista na fogueira! Malandro! Gatuno! O que interessa a carga fiscal mais elevada de sempre quando o malandro do Berardo conseguiu um crédito sem aval pessoal e não foi morar para debaixo da ponte?

Fake news com a alta chancela do DN

Circula por aí a teoria que postula que as fake news terão sido uma criação das redes sociais. Até ao surgimento destas redes, o mundo contemplava apenas a verdade com estoicismo. Na verdade, na verdade as fake news já existem há séculos, mas sob outro nome: propaganda. E a propaganda, diligentemente veiculada pelos apparatchiks e demais idiotas úteis, serve fins políticos. Lenine sabia-o: pese embora ter ganhado apenas por um voto, apelidou o seu grupo de bolshevicks (maioria) e ao grupo oposto de menchevicks (minoria), e assim ficou. A política é a arte da percepção.

Logo, não é de estranhar que surjam notícias que são pura propaganda, ou, como agora se diz, fake news. É o caso desta. Depois de fazer capa com o Maserati de um dirigente sindical — como se isso tivesse qualquer relevância política no caso em apreço —, o DN excede-se a si mesmo (já de si uma tarefa difícil) e consegue uma artifício propagandístico de igual monta e engenho: vender um aumento da despesa como uma arrecadação para o Estado. Veja-se: os aumentos da Função Pública, oportunamente anunciados em vésperas de eleições, custarão 1462 milhões de Euros aos contribuintes. Parte desse montante são impostos, pelo que o custo líquido estimado será de 1334 milhões. O DN distorce assim a notícia, servindo os interesses políticos do governo.

Comprova-se, portanto, que as redes sociais são apenas um catalisador, carecendo sempre de uma fonte que produza a propaganda. Neste caso foi o DN. Recomenda-se, assim, que a Lusa actualize da seguinte forma o parágrafo que reproduz em todas as suas peças a propósito das fake news:

As notícias falsas, comummente conhecidas por ‘fake news’, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. São também exemplo disso os anúncios do ex-Ministro Pedro Marques e as capas do Diário de Notícias.

Empresa pública retira ilegalmente cartaz do partido Iniciativa Liberal

A Infraestruturas de Portugal, uma empresa pública, contra a Lei e contra o que a GNR disse, tira ilegalmente a estrutura de um cartaz da Iniciativa Liberal (e deixa os outros do PS/BE/etc. lá).

O diálogo lá entre os burocratas socialistas deve ter sido algo do género:

– Cartaz do PS?

– ok!

– Cartaz do PCP ou do BE?

– ok!

– Cartaz da Iniciativa Liberal ?

– Tira já isso !

– Mas a polícia diz que é legal … e até é ilegal tirarmos.

– Tira já isso! Tudo o que for novo e puser em causa o sistema é para tirar mesmo que ilegalmente. E não te esqueças do que o querido Pedro Marques fez por nós… ele agora está a concorrer às Europeias pelo PS temos de dar uma ajudinha.

Conclusão, a estrutura do cartaz foi “nacionalizada” ilegalmente, porque ao que parece ali só socialistas/comunistas podem ter cartazes …. Sabem quantas notícias saíram até agora (tirando a de ontem do jornal económico) sobre esta censura ilegal ? ZERO.

Estado, estado e mais estado

Depois do devaneio de cunho estatista de Emmanuel Macron em carta aberta a todos os cidadãos europeus (aqui a versão portuguesa), esperemos que o raciocínio de Matthew Lynn apresentado neste artigo no The Spectator se verifique certeiro.

It is hard to believe anyone can seriously believe that yet more protectionism, state investment, expensive labour laws and intrusive regulation are any kind of a recipe for the European economy.

Ocasio-Cortez declara a sua incapacidade: “I am at least trying”

Depois de todas as críticas ao seu “Green New Deal”, que a obrigaram até a tirar o FAQ da internet e a culpar os estagiários por terem carregado a versão errada, a menina Ocasio-Cortez tem uma nova linha de defesa. Por favor ouçam este minuto de puro ouro demagógico:

Uma sugestão menina: da próxima vez que lançares uma ideia cá para fora do teu gabinete, fala apenas dos peidos das vacas e não sobrecarregues cada família americana com 650.000$ de custo adicional. Ah, e já agora: presunção e água benta cada uma toma a que quer, mas tu não mandas em nada – a única coisa pela qual és co-responsável é pelo apoio dos moderados a Trump.

PS: ouçam mesmo o vídeo.