“it’s not about winning or losing”

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Trump and the empowerment of women

Trump’s first year in office was the year of the woman

It is a feat so great that President Barack Obama was unable to accomplish it.

President George W. Bush did better than his republican predecessors, but still fell a bit short.

Even President Bill Clinton came under fire from women’s organizations for his shortcomings on delivering a cabinet that “looks like America.”

The unattainable feat?

Hiring an astounding number of women for senior-level positions in the White House.

Luckily for women everywhere, in 2018 it has finally been accomplished.

(…)

Despite impressive hiring practices during his first year in the White House, President Donald Trump has received little to no credit for his choice of women for the most senior positions on his cabinet, as well as the West Wing.

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O risco de Rui Rio

A minha crónica no i.

O risco de Rui Rio

Ao que parece Rui Rio está disponível para entendimentos com o PS. Se tal suceder o PSD passará a concorrer com o BE, o PCP e, possivelmente, também o CDS, na aprovação das políticas no parlamento. A confirmar-se, a decisão de Rui Rio apresenta uma razão de ser e representa um risco.

A razão de ser prende-se com a revolução partidária que tem lugar em alguns países, nomeadamente, Espanha e França. Ainda esta semana uma sondagem colocou pela primeira vez os Ciudadanos à frente do PP e do PSOE. Há menos de um ano Emmanuel Macron foi eleito presidente da França sem o apoio dos partidos tradicionais e, um mês depois, o seu partido, La République en marche!, venceu as legislativas.

Há quem, como eu, considere que o PSD deve ser mais liberal, tornar-se numa verdadeira alternativa ao socialismo, em vez de uma peça na mera rotação do poder em prol dos favores estatais. Ao contrário, Rui Rio prefere um partido de menor carga ideológica porque vê que essa é também a marca que distingue os Ciudadanos e o fenómeno Macron que pertencem ao centro político.

O raciocínio de Rio parece também ter em conta o Portugal ser um país avesso à mudança. Na verdade, as possibilidades de o PSD perder o lugar para o CDS são mínimas. O CDS não tem condições para substituir o PSD, não só porque tem tantos anos e vícios como o PSD, como a sua veia ideológica nunca existiu, ou quando existiu foi confusa.

Mas representa também um risco. E o maior é que, caso Rio confirme a sua estratégia de viabilizar uma governação socialista não dependente da extrema-esquerda, o PSD perde contacto com o país a longo prazo. Preso às negociações das medidas de efeito imediato, o PSD perde discurso, legitimidade, para se afirmar mais tarde quando a falta de reformas, os efeitos perversos de uma governação que se cinge a aproveitar a conjuntura internacional, se fizerem sentir porque essa mesma conjuntura se alterou.

Nessa altura, algo como Macron ou os Cuidadanos terá todas as condições para surgir e se impôr na política portuguesa, mas dificilmente o PSD. Porque nessa altura o país precisará de gente sem mácula, liberta dos arranjos partidários para que um partido que não venceu governe. Uma força política deste género, atenta aos reais problemas das pessoas, aos verdadeiros desafios do país, sem passado, mesmo que sem grande carga ideológica pode pôr em causa a predominância do PSD. Por muito que se perceba a razão de ser da sua estratégia esta comporta um grande risco para Rui Rio.

A doença do centralismo

Sim, a ideia de enviar o Capoulas Santos e o Ministério da Agricultura para a Zebreira ou o Vieira da Silva e o seu (com sentido de propriedade, mesmo) Ministério da Segurança Social para as ilhas Selvagens apraz-me de sobremaneira, mas não iria resolver o problema do centralismo. O problema do centralismo é outro. É este:

http://observador.pt/opiniao/a-doenca-do-centralismo/

A Dádiva da dívida – Grémio Literário – 26/01/2018, 19h.30 com Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos

Tomem nota:

26 de Janeiro 2018, pelas 19:30, terá lugar no Grémio Literário, em Lisboa, uma Tertúlia sobre as consequências negativas da dívida pública no Portugal de hoje, tendo como pano de fundo a experiência portuguesa no século XIX e início do século XX.

São convidados Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos, dois reconhecidos professores de História, com especial ênfase no período em questão.

O desenvolvimento alcançado com a democracia foi conseguido à custa de um forte endividamento, tanto do Estado como dos indívíduos e das famílias. Mas, ao contrário do que possa parecer, o problema não é de décadas, pois há séculos que Portugal vive debaixo das consequências da dádiva da dívida.

Será a dívida assim tão indispensável que o país não seja capaz de reconhecer os seus efeitos nefastos? Ou será que o passar para as gerações futuras o pagamento do nosso bem-estar revela, não uma forma de desenvolvimento, mas o egoísmo dos cidadãos que ainda não perceberam o que o conceito de interesse público verdadeiramente pressupõe?

Candidaturas IEP-UCP – Até 18 de Janeiro

Encerram a 18 de Janeiro as candidaturas para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

22:00 no Porto Canal: a nova liderança do PSD e a situação política nacional

Juntamente com Luís Miguel Duarte, da Universidade do Porto, e Salvador Malheiro, director nacional de campanha de Rui Rio, sou um dos participantes do debate “Estado do País” no Porto Canal sobre as implicações da nova liderança do PSD para a situação política nacional que vai para o ar hoje às 22:00.

Alma minha gentil, que te partiste

imagesDiz a Dra. Manuela Ferreira leite, ex-Presidente do PSD, hoje, em entrevista à TSF:

“Da mesma forma que o Bloco de Esquerda e o PCP têm vendido a alma ao diabo, exclusivamente com o objetivo de pôr a direita na rua, eu acho que ao PSD lhe fica muito bem se vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua.”

Toda a gente tem direito às suas infelicidades, mas esta tirada parece-me particularmente infeliz.

  1. É infeliz desde logo porque, ao comparar o PSD com o BE e o PCP, está a colocar o PSD ao nível daqueles dois partidos. Tradicionalmente, e até por respeito à expressão eleitoral de cada partido, o “espelho” do PSD seria o PS e apenas o PS. Isso é, aliás, essencial para a estratégia de “alternância” entre os dois grandes.
  2. Daqui resultaria que o PSD deixa de alternar com o PS no governo para passar a alternar com BE e PCP na formação da maioria parlamentar de apoio ao PS. De facto, na equação montada por Ferreira Leite parece resultar que, ao fazer como o BE e o PCP, o PSD estaria disposto a assumir a posição presentemente ocupada por eles, assim vendendo “a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua”. Assumir esta posição de menorização e subalternidade é mau. Fazê-lo no dia seguinte às eleições directas no seu partido é péssimo.
  3. E é esta menorização, esta disponibilidade para “vender a alma ao diabo”, que não se admite a uma ex-Presidente do PSD. Não é apenas uma proposta de venda, é uma confissão de falta de alma. E, infelizmente, talvez a Dra. Ferreira Leite tenha razão, é isso que falta hoje ao PSD: alma.

“Há algo de suicida nesse triste espectáculo”

Globos de Ouro, elites de palha. Por António Pedro Barreiro.

Há algo de suicida nesse triste espectáculo em que os agentes culturais se voltam contra a liberdade de expressão. Sobretudo, quando o fazem com gosto. Porém, é ainda mais macabro que a elite cultural se disponha a atacar as estruturas tradicionais da nossa civilização, vendo-as como arranjos opressivos e desiguais. Tragicamente, não estão sozinhos nesta sanha.

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Sobre as directas e a próxima liderança do PSD

Artigo e podcast com comentários meus sobre as directas e a próxima liderança do PSD publicados hoje no Público:

Pode o próximo líder relançar o PSD?

Podcast Poder Público: “Há uma percepção de que estamos perante um líder de transição” no PSD

Catalunha e secessão

Foi com muito gosto que aceitei o convite do Pedro Correia, a que correspondi com este pequeno texto sobre a questão da Catalunha e a teoria da secessão numa perspectiva liberal clássica (e, em particular, influenciada pela Escola Austríaca):

Espanha, Catalunha, Tabarnia… *

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SNS, pós-austeridade…

Por uma vez, Ordem dos Médicos e Ordem dos Enfermeiros estão de acordo.


Seminário Adérito Sedas Nunes sobre a Sociedade Portuguesa

Caro Pedro Santana Lopes

A crónica de hoje no i é um risco que corro. Não faz mal, apeteceu-me. Infelizmente, o mais certo é que não valha a pena. Não valha a pena que Pedro Santana Lopes a leia, não valha a pena que se candidate a líder do PSD, nem que tente ser primeiro-ministro. O mais certo é que nem tenha valido a pena escrever esta crónica.

Caro Pedro Santana Lopes,

Ao que tudo indica o senhor será o futuro líder do PSD, o partido com mais deputados no Parlamento. Além de sobejamente conhecido o senhor tem dado mostras de conhecer bem a natureza do país que quer governar, natureza essa na qual também se revê. A razão desta minha crónica em forma de carta aberta si dirigida é, pois, outra. Prende-se em saber se está preparado para ser diferente de Guterres, Durão Barroso, Sócrates e Costa.

Portugal encontra-se numa encruzilhada porque tem uma dívida colossal, cuja resolução obriga a um enorme esforço e sacrifício, a que se soma uma maioria de esquerda social-comunista que capturou o Estado e impede qualquer alternativa que não seja o caos que, historicamente, boa parte dessa esquerda deseja. Veja-se, a título de exemplo, o que sucede no Hospital de Faro, conforme denúncia dos enfermeiros que lá trabalham: situações indignas para qualquer doente num país europeu, num país como Portugal em que os cuidados de saúde são a pedra basilar do Estado social que construímos.

Situações como esta, a par de escolas sem aquecimento ou papel higiénico, acontecem porque o governo social-comunista de António Costa usa os dinheiros públicos para pagar a sua base eleitoral de apoio em detrimento, quando necessário, dos cuidados sociais, esses sim, uma função a que, constitucionalmente, o Estado se encontra obrigado. O fim último do Estado não é pagar salários, mas prestar serviços sociais. Goste-se ou não é o que está na Constituição.

A situação das finanças públicas é tão calamitosa que, para se manter no poder, a esquerda social-comunista pretere os que precisam em benefício dos que a apoiam. Nesta matéria o PS aprendeu com os melhores ou não fosse o comunismo pródigo neste tipo de estratégia para segurar o poder.

Caro Pedro Santana Lopes, se quiser ser primeiro-ministro não lhes restam muitas alternativas: ou reduz a dívida ou empobrecemos; ou temos um governo PSD/CDS ou a dita maioria de esquerda refém do PCP e do BE. O clima de urgência é semelhante ao do tempo de Sá Carneiro. Do tempo daquele homem que o senhor diz tanto admirar.

Pergunto-lhe directamente, caro Pedro Santana Lopes: está em condições para derrotar o PCP e o BE? Está em condições para governar sem endividar o país? Consegue convencer os eleitores a não se conformarem a trabalhar no Estado ou nas grandes empresas que beneficiam das ligações políticas? Tem condições para separar o Estado dos negócios? Tem condições para quebrar com a oligarquia? Consegue romper com os aristocratas? Quer respeitar uma Justiça soberana e independente? Está preparado para ser um novo Sá Carneiro ou quer só ser mais um na lista de cima?

Não basta responder que sim. Precisa de se convencer do seguinte: que se estiver, não vai ter vida fácil; se o fizer vai ter todos contra si, principalmente essa esquerda que vive do sistema que critica. Mas se não estiver disposto a isso, disposto a marcar a diferença, não vale a pena. Não vale a pena ler esta crónica nem candidatar-se, menos ainda governar o país.

Viver sem dívida: um salto civilizacional

Já me disseram que sou um chato por estar sempre a falar da dívida pública. A tertúlia no Grémio Literário com Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos é sobre isso (falarei sobre isso noutra oportunidade, mas podem já tomar nota: 26 de Janeiro, às 19.30). Faço-o porque este é o assunto mais premente dos nossos dias.

Se uma pessoa tem dívidas e morre, os seus herdeiros (filhos, netos incluídos) podem renunciar à herança. Até podia estar em causa um grande património, mas se a dívida for colossal e anular esse património têm sempre escapatória.

Com o Estado isso não sucede. Se o Estado (nós) vive com dívidas, os nossos filhos e netos não podem renunciar a ela, não podem renunciar à sua herança. Ficam de mãos e pés atados. Viver com dívida é uma ofensa e meter na cabeça que o Estado não se pode endividar como se não houvesse amanhã é um salto civilizacional que o país, no seu todo, tem de dar. Se não o fizer, a única forma dos nossos filhos e netos terão de escapar ao que lhes deixamos é ir embora. Isso será injusto para eles e significará o fim do país.

Se quiserem podemos pôr o assunto nos termos das questões ambientais.

Candidaturas IEP-UCP – Semestre de Primavera

Candidaturas abertas até 18 de Janeiro para os programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Afastar Joana Marques Vidal será uma opção política

A intenção e opção política do Governo liderado por António Costa é agora absolutamente clara e explícita. Tem a palavra o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: Constituição não impede renovação de mandato da PGR

A 10 meses de acabar o mandato da PGR, ministra abriu a porta à saída de Joana Marques Vidal. Costa secundou a “opinião jurídica”. Mas os especialistas são unânimes: a Constituição não diz nada disso.

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Joana Marques Vidal e a peculiar doutrina do “mandato único”…

Esta parece uma situação clara em que muito importaria que fosse também conhecida a “perspetiva de análise jurídica” do Presidente da República, ainda para mais sendo Marcelo Rebelo de Sousa um dos mais destacados constitucionalistas portugueses: Governo abre porta à saída da Procuradora-geral Joana Marques Vidal

A ministra da Justiça abriu hoje a porta de saída à Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, que termina o seu mandato no próximo mês de outubro. Em entrevista à TSF, Francisca Van Dunem defendeu, na sua “perspetiva de análise jurídica”, que “há um mandato longo e um mandato único. Historicamente, é a ideia subjacente ao mandato”. Uma “grande questão” que, recorda, já se colocava quando Cunha Rodrigues era procurador — “o que se estabeleceu foi um mandato longo e um mandato único”, reforçou a responsável pela pasta da Justiça.

Trumpices

 

Proteccionistas de todo o mundo, uni-vos.

Los fabricantes mexicanos de automóviles prosperan debido al libre comercio con el mundo, por  Gary M. Galles

(…) A pesar de la diatriba y grandilocuencia de Trump, en realidad está transitando un sendero trillado de proteccionismo que es más probable que resulte en restricciones mutuamente dañinas que en beneficios mutuos para los estadounidenses y otros. Un comercio más libre, y no las amenazas de castigar a los que no hacen lo que Trump desea, será una manera mucho más eficaz de promover los intereses de los estadounidenses.

Do Irão moderado, com amor

O ensino de inglês nas escolas (primárias públicas e privadas) está proibido no Irão.  O passo seguinte será a proibição do ensino do hebraico?

 Iran has banned the teaching of English in primary schools, a senior education official said, after the country’s Supreme Leader said early learning of the language opened the way to a Western “cultural invasion”.

Jair Bolsonaro, o PSL e o Livres

Corrente do PSL deixa partido após a filiação de Bolsonaro

O grupo Livres, corrente interna do Partido Social Liberal (PSL), anunciou a saída da agremiação após o anúncio da chegada à legenda do deputado federal Jair Bolsonaro (RJ).

“A chegada do deputado Jair Bolsonaro, negociada à revelia dos nossos acordos, é inteiramente incompatível com o projeto do Livres de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa”, diz a nota do Livres, divulgada no Facebook.

De acordo com a nota do Livres, o grupo recusa “a reciclagem do passado”. “Não vamos arrendar nosso projeto à velha política de aluguel. Nosso compromisso não é com a popularidade das pesquisas da semana passada, mas com a população de um País que exige a transformação da política partidária.”

Mais cedo, o presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), havia informado que fechou um acordo com Bolsonaro, confirmando a disposição dele de ceder a legenda ao presidenciável. “Existem mais semelhanças do que diferenças entre Bolsonaro e o nosso pensamento liberal. É um orgulho tê-lo ao nosso lado”, disse.

Jair Bolsonaro e o PSL

Bolsonaro decide concorrer à Presidência pelo PSL

O deputado federal Jair Bolsonaro e o presidente do Partido Social Liberal (PSL), Luciano Bivar, assinaram um termo, nesta sexta-feira (5), em que se comprometem a estar juntos na disputa à Presidência da República na eleição de 2018. O documento diz que o PSL “recebe Bolsonaro e sua pré-candidatura” e que o deputado “se sente abrigado pela legenda”.

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À atenção d@s feminist@s…

…que, estranhamente, ainda não manifestaram o seu entusiasmo perante esta possibilidade: Ivanka Trump, husband agreed she’d be the one to run for president, book says

Rebekah Mercer distancia-se de Steve Bannon

Mercer issues rare public rebuke of former ally Bannon

Rebekah Mercer, the billionaire backer of Bannon and Trump, chooses sides

The rift between the two deepened Thursday, when the notoriously press-shy Rebekah Mercer — whom Newsmax Media owner Christopher Ruddy has admiringly called “the First Lady of the alt-right” — publicly rebuked Bannon and stood by the president in a statement. “I support President Trump and the platform upon which he was elected,” Mercer said. “My family and I have not communicated with Steve Bannon in many months and have provided no financial support to his political agenda, nor do we support his recent actions and statements.”

Vazio

MPMaduro

O recente artigo de Miguel Poiares Maduro, no Publico, será o melhor que o PSD tem
para oferecer. A mim sabe-me a pouco. Demasiado pouco.

O texto está formalmente bem escrito, como seria de esperar. É um texto escrito por alguém que sabe pensar e que, neste preciso momento, quer marcar a sua posição no xadrez interno do partido. Mais a mais, o texto não só percorre todas as capelinhas sagradas do laranjal como apresenta os melhores pergaminhos: não será por acaso que, no mesmo parágrafo, junta Bernstein, Sá Carneiro e o seu Pai, que identifica como um dos primeiros presidentes de câmara eleitos em democracia.

O enquadramento referencial está perfeito, o que só aumenta ainda mais a expectativa para o verdadeiro enquadramento que procuramos e que titula o artigo: “a matriz ideológica do PSD”.

Foi esse, aliás, o desafio que eu comprei:

 

 

“Chamem-nos o que quiserem, mas compreendam aquilo que defendemos.”

Pois bem, eu bem tentei e continuo a tentar, mas não consigo. Terei certamente as minhas limitações, mas o que fui encontrando foram referências demasiado vagas, que dificilmente poderão não ser partilhadas por qualquer partido político no âmbito da vigente Constituição da República Portuguesa.

Fica, portanto, a afirmação de fé no PSD: “é a sua matriz ideológica aberta e moderada que está em condições de oferecer o melhor e mais claro projeto político ao país.”

Tudo muito bonito, sem dúvida, mas se fosse António Costa a dizê-lo num comício do PS, por certo que receberia a aclamação o seu partido com uma salva de palmas monumental.

Todos diferentes, todos iguais. E, por isso, desisto. Resignado. Não há nada a fazer. Resignado, sim, mas indignado também. Esta pequena passagem resume o ponto:

“O interesse público pode facilmente ser capturado pelo interesse do governo. (…) o modelo de intervenção do Estado deve separar o interesse público da sua gestão pelo governo (como fizemos com o serviço público de televisão).”

Se bem me recordo, Miguel Poiares Maduro teve responsabilidades directas sobre a RTP há não muito tempo. Na altura eu acreditei que ele seria capaz, se não de derrotar, pelo menos de enfraquecer o monstro. Enganei-me: o monstro continuou a crescer. Como continua a crescer o vazio do PSD.

Trumpices

Quando um presidente condiciona e sonha proibir a edição de um livro, estamos perante o mais liberal (certificado) dos presidentes ou um destacado crítico literário?

RTP 2: um caso sintomático

Audiências em 2017 – Panegírico dos grandes líderes da RTP. Por Eduardo Cintra Torres.

O ano termina com uma ligeira perda de audiência dos quatro canais generalistas, RTP 1 e 2, SIC e TVI. Os canais privados estancaram a queda; a diminuição deve-se apenas à RTP 1 e 2. Os canais do Estado confirmaram a tendência de perda dos últimos anos. A RTP 2 perdeu num ano um quarto dos seus espectadores. Embora seja o segundo mais antigo canal nacional, sustentado pelos impostos dos cidadãos, estes viram-lhe a cara e é hoje, incrivelmente, em audiência, o 12º canal no país. No cabo, estão à sua frente canais de informação, de filmes e séries e até dois canais infantis, quando a própria RTP 2 dedica muitas horas a esse público. É este o remate de quatro anos dos mandatos do Conselho Geral Independente (CGI) e da actual Administração da empresa, anos que reiteram em glória as promessas estratégicas e os amanhãs cantados pelos administradores à imprensa e ao parlamento. O meu conselho ao CGI: renovem-lhes já o mandato, sem abrir concurso.

A política tramou-nos

2017 foi o ano da crise dos partidos e da popularidade esmagadora de Marcelo. A minha crónica no i desta semana é sobre os riscos da personalização do poder.

A política tramou-nos

Um dos factos mais interessantes de 2017 foi a importância que a esquerda social-comunista que governa o país passou a dar à economia. Durante o período da troika, PS, PCP e BE só queriam saber da política. Da política que tinha de mandar na economia, lembram-se? Agora, quando politicamente o Estado falhou aos cidadãos (incêndios e degradação dos serviços públicos), a esquerda agarra-se aos ainda positivos resultados económicos.

O consolo com a eleição de Centeno para presidente do Eurogrupo é um sinal disso mesmo. Apesar de a presidência do Eurogrupo perder relevância com a criação da figura ministro das Finanças para a zona euro, o mais irónico é que a política continua. O discurso de Ano Novo de Marcelo é mais um sinal disso mesmo.

Devidamente traduzida, a frase “se o ano tivesse terminado a 16 de junho, podíamos falar de um ano singular constituído de vitórias” recorda-nos que a vida não é só economia. Também há política. E que nesse campo, o governo, a maioria de esquerda que o sustenta, falharam.

E, pior que isso, a frase chama a atenção para um facto que um Presidente de afectos por vezes faz esquecer: Marcelo é um político. E como político que é sabe muito bem que o regime está nas suas mãos. Marcelo, que se colou aos sucessos económicos de curto prazo do governo, não esquece que o Estado depende dos credores. Com o episódio do financiamento a desacreditar os partidos, com o PSD a colar-se a Marcelo, o processo de personalização do regime está em marcha, o que é negativo numa democracia liberal. Politicamente falando, estamos tramados.

Trumpices

Steve Bannon numa relação complicada com a família Trump. Ou como costuma dizer o povo, zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Donald Trump’s former chief strategist Steve Bannon has described the Trump Tower meeting between the president’s son and a group of Russians during the 2016 election campaign as “treasonous” and “unpatriotic”, according to an explosive new book seen by the Guardian.

Bannon, speaking to author Michael Wolff, warned that the investigation into alleged collusion with the Kremlin will focus on money laundering and predicted: “They’re going to crack Don Junior like an egg on national TV.”

Fire and Fury: Inside the Trump White House, reportedly based on more than 200 interviews with the president, his inner circle and players in and around the administration, is one of the most eagerly awaited political books of the year. In it, Wolff lifts the lid on a White House lurching from crisis to crisis amid internecine warfare, with even some of Trump’s closest allies expressing contempt for him.

Bannon, who was chief executive of the Trump campaign in its final three months, then White House chief strategist for seven months before returning to the rightwing Breitbart News, is a central figure in the nasty, cutthroat drama, quoted extensively, often in salty language.

 

A extrema-esquerda, o Povo e as pessoas concretas

Faz hoje três anos que publiquei este texto no Observador. Infelizmente, creio que mantém plenamente a sua actualidade: Raquel Varela, o Povo e os porcos