Mad World

Na sequência das denúncias de assédio e abuso sexual por figuras públicas, uma mãe da vila inglesa de North Shields resolveu subir a parada e exigir a retirada de um perigoso livro da lista de leituras da escola do seu filho de seis anos. Trata-se da Bela Adormecida, estando Sarah Hall preocupada com o impacto no seu filho do comportamento predatório do príncipe (que beija Aurora sem o consentimento desta). Se ao menos Harvey Weinstein e Kevin Spacey não tivessem sido expostos ao livro dos irmãos Grimm ou mesmo, quem sabe, ao filme da Disney…

Com notícias destas e outras como a das Rainhas Magas vem-me à cabeça o refrão da canção: “It’s a very very mad world…” (na versão de Gary Jules para o Donnie Darko).

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O sacrifício do cordeiro

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Não é cordeiro nem se sacrificou, mas Ricardo Araújo Pereira foi estendido e simbolicamente enterrado pela turba inquisitorial que policia o pensamento e que faz birra porque o mundo teima em não ser como tweetam. O crime do Ricardo? Ter opinião — e não ser um cordeiro.

Percebe-se. Afinal, há coisas invioláveis à luz da mais nobre ética republicana. A primeira é duvidar da sacrosantidade de José Sócrates e da incapacidade das amásias em questionar de onde vinha o dinheiro — o que acontece em Formentera fica em Formentera. A segunda é achar que até não estamos mal, e que aqueles rituais obscurantistas de supressão da liberdade de expressão e de ideias, tão em voga no séc XVI, não devem ser mais do que um pequeno compêndio nos livros de história.

Daqui se conclui que se não estás com eles, estás contra eles, Ricardo. Ou contra elas. Ou contra el@s. Ainda que tenhas defendido a legalização do aborto, pairado pelo PCP, votado no Bloco, apoiado o Livre, não é aceitável que não alinhes em toda e qualquer causa progressista do dia.

Se dúvidas houvesse da importância do progresso, ainda ontem se dava conta de mais um flagelo acometido no Reino Unido, que só não tomou outras proporções porque uma mãe atenta decidiu interceder. Não é que foram passar o filme da Bela Adormecida na escola da filha de 6 anos? Esse mesmo, o filme em que a Princesa, que não havia previamente autorizado o beijo do Príncipe pois encontrava-se a dormir, foi beijada de supetão. Ilustrado, sim, mas assédio sexual.

Perguntam-te enfim, como derradeiro momento de redenção, antes mesmo de desembrenharem a faca: de que lado vais estar, Ricardo? Eu não sei, mas o jardim visto do lado de lá do manicómio parece um lugar bem mais agradável.

1984 actualizado

1984 foi escrito numa época em que não havia internet. Assim, o autor teve de imaginar um sistema de microfones, câmaras e televisões.

O PCC (Partido Comunista Chinês) beneficia de tecnologias como a internet e o microchip, com tudo o que estas permitiram: ligação das pessoas em rede, partilha de informação nas redes sociais, compras on-line, id virtual, sistemas de pontuação creditícia, entre outros. E está a construir o futuro, que a UE e os EUA seguirão.

O resultado: Social Score. Em vez do Credit Score, este mede o vosso valor como bons cidadãos. Compram fraldas, +. Vêem notícias na TV, +. Lêem O Insurgente, -. Lêem Fernando Rosas, +. Lêem 1984, -. Partilham um feito da Geringonça no Facebook, +. Um amigo partilha um artigo do Blasfémias, – (coeficiente de queda menor, pois foi apenas um amigo). Ligam para um tio que vota direita, -. Assistem a um vídeo de YouTube com publicidade, +. Compram um livro no index aprovado, +.

Querem internet rápida? Querem serviços a preço baixo? Querem pagar menos impostos? Querem prioridade nos correios? Têm de ter uma boa pontuação. E desamigar os que não a têm claro. Afinal, a vida será muito mais fácil se forem bons cidadãos…

Thought Police persegue “PeterSweden”

Muitos dos comentários no meu artigo “Geringonça assume poderes ditatoriais” entristeceram-me. Não por serem legalmente incorrectos (aprende-se sempre algo com os comentários), mas porque o princípio de aceitação do abuso estatal está lá – e basta exacerbar alguns casos nos media para que esse à-vontade se traduza num “Police State” completo com uma “Thought Police” digna de 1984.

Para ilustrar este meu ponto, deixo aqui um caso do YouTuber PeterSweden (que recomendo, para quem quiser saber o que vai acontecendo nos países nórdicos e não passa nos legacy media, pois foi neste canal que soube das 11 bombas que explodiram na Suécia em Outubrover também este), que anda a ser perseguido no Reino Unido por perturbar a ordem pública com as suas opiniões.

Sim, no Reino Unido existe uma divisão da Scotland Yard para perseguir trolls na internet (Telegraph, Sun, The Guardian, RT). Com base no que li nos comentários do outro artigo, basta criarem a lei entre o governo, os Estalinistas e os Trotskistas: depois certamente surgirão comentadores a detalhar-me como eu desconheço a lei e como aquilo é tudo legal e portanto facto consumado. Nestes tempos, tiram-se livros de circulação, fecham-se espaços públicos e calam-se vozes incómodas nos media tradicionais com uma facilidade incrível. E depois está tudo bem porque alguém do estado afirma que “quem não deve não teme”, “o estado agiu na legalidade” e “não pode haver complacência”. O Nanny State está bem e recomenda-se.

Edição – Nota importante para quem não viu o vídeo: para mim o principal problema é que já estamos no ponto na Europa em que se alguém na polícia achar que demos a opinião errada no Twitter, Facebook ou YouTube, pode passar repetidamente na casa da família à noite para nos prender.

PAGUEM! Paguem, seus gulosos!

Veja quanto sobem as batatas, bolachas ou cereais com o OE. O artigo fala sobre diversos artigos (Bolachas Água e Sal, Bolachas Maria, Corn Flakes, Ruffles, …), mas fica aqui o exemplo do Sunquick:

O Sunquick, um dos concentrados de sumo de fruta mais conhecidos, pode quase duplicar de preço. Um frasco de um litro desse concentrado custa atualmente 4,99 euros. De acordo com os cálculos da consultora EY, em resultado da reformulação do imposto, este produto pode passar a custar no próximo ao 9,16 euros. Ou seja, mais 4,17 euros ou 84% a mais face ao preço que vigora este ano.

Isto acontece porque se para 2017 a taxa definida para estes produtos foi igual à estipulada consoante as gramas de açúcar por hectolitro (8,22 euros por hectolitro até 80 gramas de açúcar e 16,46 euros por hectolitro acima dessa quantidade de açúcar), para 2018 o Governo pretende que os concentrados sejam tributados também consoante a sua forma (líquida ou sólida). “Na forma líquida, 50,01 e 100,14 euros por hectolitro, aplicando-se ao teor de açúcar o fator seis; apresentado sob a forma de pó, grânulos ou outras formas sólidas, 83,35 e 166,90 euros por 100 quilogramas de peso líquido, aplicando-se ao teor de açúcar o fator dez”, diz a proposta de OE de 2018.

Ou seja, caso o imposto seja repercutido na totalidade no preço de venda ao consumidor, o preço não só do Sunquick como dos produtos congéneres sofrerá um agravamento muito elevado.

Imagem Sunquick

Ou se cria uma associação de defesa do contribuinte para ontem, ou dentro de pouco tempo todos os bens terão várias cargas de impostos sobre eles, pelos motivos mais “newspeak” imagináveis.

Desafio para debate nos comentários:
Acham que este imposto criado pelas esquerdas é progressivo ou regressivo? 😉

150 mil é um número bonito: 150 mil empregos, 150 mil cabras

Cabrita para aqui, cabrita para acolá. “Vamo lá ver”, alguém sabe das cabras do Sócrates? E os mil telemóveis para os pastores?

Nacionalizado ao Rui Rocha.

Não faltarão afectos e juras que t@d@s fizeram o máximo

Não podemos ficar todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver o problema”. O autor da frase é o irresponsável Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna.

O contexto da frase do governante são 68 mortos em incêndios florestais, centenas de feridos e milhares de pessoas que perderam tudo menos a vida. Na semana que passou a ministra que tutela Jorge Gomes, afirmou que  não se demite. Que gente merdosa e incapaz.

Mensagem dos Orçamentos de Estado

Lobo Neoliberal

Depois admiram-se que o país não saia da cepa torta…

Afro-matemática versus matemática racista

O marxismo cultural está bem e recomenda-se.

Graças ao Lula da Silva e à carteira dos contribuíntes brasileiros, a Universidade Federal do ABC (UFABC), criou duas novas disciplinas no curso de Licenciatura em Matemática: Estudos Étnicos-raciais e Afro-matemática como Transformadora Social. Não sei do que é que está à espera o Ministério da Educação da Geringonça para colocar um travão progressista ao racismo da matemática.

(…) A proposta foi criada pelo “Coletivo Negro Vozes” para “combater o racismo na matemática”. De acordo com o coordenador do coletivo, Jorge Costa, “a disciplina de matemática é uma das responsáveis pela exclusão de negros e negras das escolas e consequentemente dos cursos superiores nas áreas tecnológicas”.

Após objeções conceituais do Núcleo Estruturante da Licenciatura em Matemática da UFABC, a disciplina de “Afro-matemática” foi renomeada como Seminários em Modalidades Diversas em Matemática. A ementa e a bibliografia proposta pelo “coletivo”, entretanto, foi a mesma, o que foi comemorado por Jorge: “Este talvez seja o primeiro ou um dos primeiros cursos de licenciatura em matemática que se propõe a discutir o racismo de modo estruturante como uma obrigatoriedade da instituição”. (…)

Esquerda Vs Direita – a Biologia explica!

Na natureza há 2 estratégias para uma espécie se adaptar a um ambiente: r & K.

r é a estratégia dos coelhos: não há luta entre coelhos, o foco é na quantidade sobre a qualidade, a sexualidade é muito presente e imposta desde uma idade precoce, há pouco investimento dos pais nas crianças e a lealdade entre animais do mesmo grupo é baixa.

K é a estratégia dos lobos: altamente competitivos, baixa taxa de reprodução pois o ambiente não o permite, sexualidade tardia e baixa, elevado investimento parental em cada cria e elevada lealdade dentro do grupo.

Computing Forever

Este vídeo explica muito bem como esta realidade biológica explica as diferenças políticas em diferentes circunstâncias em 17 minutos.

Eu gostaria ainda de relacionar esta informação com este outro vídeo sobre os sinais de decadência de uma sociedade. Essencialmente há 6 fases que uma sociedade passa ciclicamente: Pioneiros, Conquista, Comércio, Afluência, Intelectualidade e Decadência. Como creio ser evidente, estamos neste momento no ocidente na fase de Decadência e os sinais estão todos lá: um exército esticado para além do razoável, o consumismo e exibicionismo, uma disparidade brutal de meios (não adquiridos por mérito), um desejo de viver às custas de um estado obeso, e uma obsessão com prazeres como culinária e, sobretudo, Sexo – sobretudo “não-baunilha”.

Combinando as duas informações, parece natural a subida da esquerda, não parece?

Seja feita a obediência absoluta à vontade do estado

Face ao exposto, a CIG, por orientação do Ministro Adjunto, recomendou à Porto Editora – tendo em conta o seu relevante papel educativo – que retire estas duas publicações dos pontos de venda, disponibilizando-se para colaborar na revisão dos conteúdos das mesmas, no sentido de eliminar as mensagens que possam ser promotoras de uma diferenciação e desvalorização do papel das raparigas no espaço público e dos rapazes no espaço privado.

23 de agosto de 2017

Um grande dia para o Partido Único, o Ministério da Verdade e a Polícia do Pensamento.

Leituras complementares: 1984, George Orwell; Incapazes indignadas.

Assessor do governo quer ilegalizar PCTP-MRPP

Um dia, de acordo com os desejos do Mestre Rui Cerdeira Branco, adjunto do gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, todos os partidos serão o Partido Socialista.  Aguardo com expectativa a reacção do Camarada Arnaldo Matos face ao desejo de Rui Cerdeira Branco de acabar com o MRPP.

O Grande Irmão, O Partido Socialista e a Polícia do Pensamento fazem o seu caminho.

Leitura recomendada: 1984, de George Orwell. Rápido, antes que seja “extinto” pela nobre vontade dos burocratas em obediência absoluta ao Estado.

Compreender o putinismo LXXX

O Ocidente quer destruir a santa mãe rússia de Putin. Como? Com um brinquedo que veio substituir o Pokemon Go e o bandido Alexey Navalny.

Have you tried the fidget spinner? The toy that enjoys a wave of global popularity has now also reached Russia – only to be blamed on national TV for being instrumental in a conspiracy to topple the Kremlin leaders.

 

Compreender o putinismo LXIX

Punitive Psychiatry Reemerges in Post-Soviet States, de Madeline Roache.

Discarded after the Soviet collapse, punitive psychiatry has reappeared again in Russia under President Vladimir Putin, as well as in some neighboring states.

Last summer, Crimean Tatar political activist Ilmi Umerov was receiving treatment for high blood pressure in a Simferopol hospital when FSB officers showed up one day and hauled him off to a psychiatric facility for an evaluation. Umerov, a former deputy chairman of the Mejlis, the Crimean Tatar representative body, had been a vocal critic of Russia’s annexation of Crimea.

In May 2016, the FSB charged him with criminal separatism after he declared, in Tatar: “We must force Russia to withdraw from Crimea.” At the psychiatric facility, a doctor quickly let him know that he would be punished, not treated. “You just need to admit that you’re wrong, and everybody will stop bothering you,” Umerov, in an interview with Euromaidan Press, quoted the doctor as saying. “Simple as that.” When Umerov would not make a deal, he was detained at the facility.

The conditions he endured were appalling. According to his lawyers, he was kept in an overcrowded room with severely mentally ill patients, denied access to his heart and diabetes medications, and forced to go long stretches of time without food.

Umerov was released three weeks later, but he remained subject to criminal prosecution. His trial commenced in June. Human rights activists point to Umerov’s case as an indicator of a troubling resurgence of punitive psychiatry in the former Soviet space.

The practice of using psychiatry to punish religious and political dissidents, including many well-known writers and artists, became notorious during the late Soviet era. The method was reportedly the brainchild of then-KGB Chairman Yuri Andropov, who saw psychiatry as a tool of systematic political repression: victims would be released only after retracting “wrong ideas” that the authorities deemed dangerous to Kremlin rule.

Discarded after the Soviet collapse, punitive psychiatry has reappeared again in Russia under President Vladimir Putin, as well as in some neighboring states.

Over the past five years across the former Soviet Union, more than 30 similar instances have been documented in which activists and journalists have been improperly detained in psychiatric institutions, sometimes for as long as 10 years, reports the Federation Global Initiative on Psychiatry (FGIP), a human rights watchdog. Experts say the real number of victims could be considerably higher. (…)

Trumpices

Trumpismo no seu melhor. As autoridades podem apreender a propriedade de pessoas que nem sequer estão acusadas de crime, incluíndo em estados onde esta forma de roubo se encontra banida. Só pode ser fake news pois a fonte é jornalista da CBS.

Costumes liberais e fait-divers IV

Barbas sim, mas sem design

Barbudos, não caiam na blasfémia.

(…) During the council meeting, a local leader of an Islamic political party, the Jamiat Ulema-e-Islam (F) objected to the growing practice of cutting beards in different shapes and designs by local barber shops. JUI-F leader Molvi Muhammad Amin claimed that the practice of cutting beards in new designs and shapes was against Islamic Sharia (Law) and an act of Blasphemy which needs to be stopped.

Taking note of the objection raised by Amin, Chairman of the Council Amir Iqbal issued orders barring hair dresses from trimming beards into different styles. He urged officials to make sure that the hairdressers are in compliance with the new ruling by Monday. (…)

O socialismo de Cristas strikes again

Mas as pessoas do CDS enlouqueceram?! Fiquei boquiaberta com esta notícia. Agora quer o CDS como bandeira o valor do trabalho – quando devia preocupar-se com condições para aliviar as empresas de custos desnecessários, inúteis, consumidores de recursos e, lá está, inimigos da produtividade e da acumulação de capital, que é o que melhora salários e condições de trabalho?! Terão noção que só perdem votos à direita com esta converseta e não ganham um único voto à esquerda? Farão ideia do que é o eleitorado preferencial de um partido de direita?!

E a ideia da sabática é do mais ridículo e diletante que já li. Devem supor que todos os trabalhadores são gente com possibilidades de ir fazer um mestrado ou uma pós graduação para enriquecer o CV. Quando, na verdade, para a maioria dos trabalhadores – pouco escolarizados e muito indiferenciados – parar de trabalhar por algum tempo é suicidário, sobretudo depois dos quarenta anos. De resto se o CDS se preocupa com os trabalhadores, devia informá-los como prejudica uma futura contratação alguém ter estado todo o tempo do subsídio de desemprego sem trabalhar, nunca incentivá-los a parar por seis meses para um tempinho de enriquecimento pessoal ou – delírio completo ( o país está cheio de gente capaz de se sustentar seis meses sem trabalhar) – lazer. Só falta darem o passo seguinte e proporem que este tempo agradável seja pago pelos contribuintes.

Enfim, Assunção Cristas sempre se gabou de ser pouco de direita e pouco ideológica, mas isto é abuso.

Braços para trabalhar na Função Pública – em que ficamos: Sobram ou Faltam?

Tentando seguir o fio histórico dos acontecimentos:
1 – Os funcionários do Estado trabalhavam 35 horas semanais e os trabalhadores do sector privado 40. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiam que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade.
2 – O tenebroso governo de Passos Coelho decidiu que os funcionários públicos deviam trabalhar a barbaridade de 40 horas semanais, equiparando o tempo de trabalho ao que é prestado no sector privado.
3 – O governo patriótico de António Costa reverteu a medida, regressando os funcionários públicos a um horário semanal de 35 horas. Os trabalhadores do sector privado continuaram nas 40 horas. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiram que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade. As mesmas pessoas garantiram que a redução do horário de trabalho não implicava quaisquer custos acrescidos para o Estado (e para os contribuintes) e que as horas perdidas de trabalho, em rigor, não eram necessárias.
4 – O governo patriótico de António Costa prepara-se para integrar na função pública dezenas de milhares de precários com os respectivos custos para os contribuintes. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantem que o trabalho destes precários é absolutamente necessário apesar de terem jurado que as 5 horas a menos que os funcionários públicos trabalham agora por semana não eram de todo necessárias.
5 – Ninguém pergunta, ninguém questiona. Ninguém quer saber.

Gostava de ter sido eu a escrever mas não fui. Foi Rui Rocha. E muito bem.
Depois perguntam porque a imprensa está em queda de finanças e de popularidade.

Compreender o putinismo LXVI

Testemunhas de Jeová, alvo de perseguição por parte do estado de Vladimir Putin.

Russia bans Jehovah’s Witnesses deeming it an ‘extremist’ organisation after prosecutors said it ‘destroys families and fosters hatred’

Russia’s Supreme Court has banned Jehovah’s Witnesses on Thursday It ruled the organisation was ‘extremist’ and shut down its headquarters

Authorities have put several publications on the banned extremist literature list

Russia’s Supreme Court has banned the Jehovah’s Witnesses, deeming them an ‘extremist’ organisation.

The ruling means the religious group’s 175,000 followers in Russia are equated to Islamic State members.   (…)

PdVeC* de vento em popa

Depois do insuportável peso do estado e da interferência deste na vida de pessoas e empresas, agradeçamos ao governo da geringonça o *Processo de Venezuelização em Curso. Graças ao bizarro governo, a república portuguesa tem uma página na internet que marca o dia internacional da felicidade e que, imagine-se dá pelo nome de “FELICIDADE” – assim mesmo, a gritar.

Aos poucos mas de forma consistente, enganam-se todos aqueles que julgam que Portugal ainda possuí uma cultura democrática ligeiramente acima da Venezuela.

Adenda: Como bem assinala a leitora c3lia na caixa de comentários, o Presidente venezuelano criou o vice-ministério para a suprema felicidade do povo, com os resultados conhecidos.

Sinais de perigo

Porque os sinais de perigo são cada vez em maior número. O meu artigo no ‘i’.

Sinais de perigo

Quando o país discutia o triângulo das Bermudas que é a CGD, a esquerda inventou uma polémica sobre algo já conhecido há meses e desviou as atenções para as offshores. Se o neoliberalismo é chavão dos que fogem para denegrir quem debate, os paraísos fiscais são o novo filão para, com ignorância e demagogia, mudar de assunto.

Sobre as offshores, a esquerda não explica por que razão é que a CGD tem uma sucursal nas ilhas Caimão (https://www.cgd.pt/English/Contacts/International-Network/Pages/Cayman-Islands.aspx); que, se sai dinheiro para offshores, também entra dinheiro vindo de offshores; e que estas são importantes nos negócios internacionais, o que talvez leve a que o banco público, que a esquerda – e boa parte da direita – tanto preza, tenha a dita sucursal num paraíso fiscal.

A informação é poder. E estar informado é estar protegido. Protegidos contra a má-fé, a mentira, a demagogia e o populismo. Não esqueçamos que foi aproveitando-se da falta de conhecimento sobre as questões mais importantes que ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo, imperaram. Fomentando o ódio que nasce da ignorância.

A demagogia dos partidos extremistas portugueses, de que este PS – que ainda não tirou as ilações da sua derrota eleitoral – se aproveita, é preocupante. E quando as offshores cumpriram o seu papel de desviar as atenções, eis que surge o ataque ao Conselho de Finanças Públicas por não subscrever a narrativa dominante. No meio de tantos perigos, estar alerta tornou-se um dever.

O socialismo a dar novos rumos ao progresso

Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O chavismo reina há quase duas décadas na Venezuela, um dos países que conta com uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Com o sistema económico colapsado, o Presidente Nicolás Maduro, de quando em vez, reconhece que “há problemas económicos”, cuja culpa é dos imperialistas do costume que invejam o revolucionário estado venezuelano. De frente perante a dura realidade que criou, o governo socialista venezuelano aposta sempre no aprofundamento das soluções progressistas que tão bons resultados tem dado. Também na área da saúde, o modelo socialista é trágico exemplar.

Venezuelan plumber Marcos Heredia scoured 20 pharmacies in one day but could not find crucial medicines to stop his epileptic 8-year-old from convulsions that caused irreparable brain damage late last year.

The once giggly and alert boy, also called Marcos, could no longer sit on his own and began to shut off from the outside world.

“I called people in the cities of San Cristobal, Valencia, Puerto La Cruz, Barquisimeto, and no one could find the medicine,” Heredia, 43, said in the family’s bare living room in a windy slum overlooking an international airport in the coastal state of Vargas.

“You can’t find the medicines, and the government doesn’t want to accept that.”

Heredia ended up traveling 860 km (540 miles) by bus to the Colombian border to pick up medicine a cousin had bought him in the neighboring country. He was back at work the next day.

Venezuela’s brutal recession is worsening shortages of medicines from painkillers to chemotherapy drugs. (…)

Erdogan e a importância do jornalismo

erdogan

De acordo com Erdogan, um jornalista é um terrorista. Na melhor das hipóteses um agente secreto, cujo lugar natural é numa prisão.

Em 2013, recorde-se, a Turquia alcança mesmo a proeza de  ultrapassar o Irão e a China no número de jornalistas presos. Os mais indesejados foram acusados de terrorismo e por outros crimes contra o Estado. O então Primeiro-Ministro Tayyip Erdogan, acusava igualmente polícias, procuradores e juízes de estarem na base de uma cabala contra si, procurando envolvê-lo num alegado esquema de corrupção de grandes dimensões.

Na altura, algumas das medidas do executivo turco aprofundaram o maior controlo da internet e das redes sociais por parte do estado. Desde há muito que a liberdade é um bem escasso na Turquia.

Adenda: When The Last Barricade Falls: Remembering Unlawful Takeover Of Turkey’s Largest Daily.

O diabo está nos planos e nos lapsos informáticos

O meu texto de hoje no Observador.

‘Isto tudo para dizer que não me choca que adolescentes de treze anos leiam Valter Hugo Mãe, com as suas frases polémicas que lemos nos últimos dias. Eu nunca li nada de Valter Hugo Mãe, não adquiri grande vontade, e, sobretudo, tenho demasiados livros que quero mesmo, mesmo ler e que permanecem fielmente à espera da minha atenção na mesa de cabeceira e nas estantes lá de casa. Mas o autor escreveu um post no Facebook bastante consequente sobre este escândalo. E se, como diz, no livro estas frases provocam sofrimento à criança, então são mesmo pedagógicas: mostram que palavras fortes de conteúdo sexual são muitas vezes usadas para magoar. E que isso merece julgamento moral. Por mim, nada contra.

Mas, claro, também não tenho nada contra os pais que objetam a uma ou outra palavra crua nas leituras dos seus filhos. É conveniente começarem já uma petição para banir Gil Vicente da poluição educativa que se oferece às crianças, bem como a referência, quando se fala de Bocage, das suas Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas –, mas cada um sabe aquilo que prefere que os seus filhos leiam.

Em todo o caso – não podia deixar de ser – tenho bastante contra uma geringonça do calibre de um ‘plano nacional de leitura’. Atenção: parece-me bem que se forneçam leituras de apoio aos conteúdos das várias disciplinas; e que para as aulas de português haja certas balizas entre as quais os professores possam escolher.

Mas por que diabo o Estado tem de recomendar leituras aos pobres cidadãos menores para os seus tempos livres? A que propósito uma escola manda os alunos lerem o livro tal e tal nas férias de Natal? Não era mais divertido, e respeitador da individualidade dos alunos, deixá-los escolher (pelo menos os que quisessem escolher)? E de seguida até verificar o que cada um havia escolhido e porquê? Havendo sugestão (repito: sugestão) de leituras, não poderiam ficar a cargo de cada professor ou de cada escola? Supomos que os educadores não sabem escolher livros para cada turma, sem necessitar de grandiosos planos? Não chega já de formatação, com os conteúdos programáticos iguais nos nossos oitenta e nove mil quilómetros quadrados, e dados da mesma forma? O Estado precisa de nós tão arrumadinhos a ponto de todos lermos os mesmos livros, independentemente de gosto e interesse? E que disparate é esse de serem os burocratas do Ministério da Educação a decidirem qual é a idade adequada para ler que livro (já descontando lapsos informáticos)?’

O texto completo está aqui.

Donald Trump e “A Era da Desmiogarquia”

 

Um texto meu no site britânico CapX:

“Sullivan’s words might sound overly-dramatic, but there’s some validity to them. Not in the sense that America’s first orange president will become a true tyrant, but that his election does say something about the predicament of the American Republic. It is a symptom of the American democracy’s degeneration into a desmiogarchy – the government of the shackled, of those in bounds.

This degeneration has been a feature of European politics for several years now. All over the continent (Austria, Poland, Sweden, Denmark, Portugal), an increasing number of voters have transferred their support from mainstream, “centrist” parties to extremist, populist ones, or have elected not to participate in the democratic process at all. The pattern will likely be repeated in future elections in the continent, whether in Germany, Italy or most particularly in France.

At the root of this “desmiogarchization” of European democracies lies the exponential growth of the state. Since the turn of the century, across the continent, public spending has soared as a share of national income – from 51.6 per cent in 2000 to 55.9 per cent in 2012 in France; from 45.9 per cent to 49 per cent in Italy; from 41.6 per cent to 46.9 per cent in Portugal.

(…)in the end, these welfare states created a series of problems that seem difficult to overcome. They’re ineffective: they respond not to the needs of those who use them, but to the bureaucratic goals of political decision-makers. They’re unsustainable: there is an ever smaller number of workers paying for an ever-growing number of beneficiaries. And they’re unfair: because they try to provide for those who need it and those who don’t, they end up giving too much to those who don’t need it and not enough to those who do.

On the one hand, the inefficiency of these services feeds the electorate’s high – and growing – level of dissatisfaction with governments and politicians. On the other, European electorates seem pretty reluctant to give their support to any reform that might mean they would have to give up some of the things they take for granted.

The combination is lethal: most voters make their electoral choices on the basis of who they believe will be capable of keeping things as they are, but at the same time, those voters who want to keep the statist status quo intact grow unhappy with the practical results of that same statism. So voters blame the traditional governing parties for not being able to give them the statism of plenty they long for.”

O resto pode ser lido aqui.

Episódio de uma teocracia exemplar

cool

As leis são para cumprir na terra dos Ayatollahs. Yaser Mosibzadeh, Saheb Fadayee e Mohammed Reza Omidi estiveram presos por ofensas às leis da religião da pás. Saíram da prisão após o pagamento da fiança, detalhe que não impede a execução do resto da sentença – 80 chicotadas, em espectáculo público.

Ninguém os manda converter ao cristianismo, blasfemar nem beber o vinho da Comunhão no Irão moderado.

Episódio de uma democracia popular

A face visível do comunismo, versão chinesa.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

Compreender o putinismo LXI

putinismo

O estado russo sabe o que é melhor para os seus cidadãos. A rede social LinkedIn foi banida na Rússia. 

Progressistas pela moral e contra os vícios

O meu texto desta semana no Observador.

‘Vejamos os religiosos do aquecimento global, por exemplo. E em minha defesa – antes que me excomunguem – digo já que sou bastante sovina, e poupada, no que toca a bens isentos de qualidades estéticas como gasolina e eletricidade, e que tenho uma forte paranoia com a reciclagem e reutilização de uns tantos materiais. Mas, lá está, falta-me o fervor religioso.

A incitação para que as populações se abstenham de consumir, um exemplo, costuma mergulhar-me na vontade de praticar vudu contra os detentores de tal opinião. Não (ou sim, mas de maneira diferente) que estejam preocupados ser mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha que um rico entrar no reino dos céus. Credo, os religiosos ambientalistas não se querem confundir com os religiosos católicos, que esses são ultamontanos e rústicos. Que proponham exatamente o mesmo é um mero pormenor. As motivações são muito mais nobres que essas tretas de não nos deixarmos escravizar pelos bens materiais. Os ecofanáticos defendem que se extermine o consumo (e, de caminho, o bem estar das populações) para poupar os recursos do planeta (estes religiosos nunca leram Malthus) e para não causar poluição com transportes de mercadorias.

Outro tipo de moralista, bem mais perigoso, é o purista sanitário. Pode-se praticar sexo à vontade, felizmente está estabelecido, e uma ou outra consequência para a saúde ou para a vida (uns sopapos do cônjuge enganado, por exemplo) devem ser encarados com bonomia, que as pulsões sexuais são fortes e difíceis de conter.

Mas não há cá complacência com o álcool (já os antigos diziam que era o pai de todos os vícios, e os antigos alguma vez haviam de ter razão), ousar ter a comida bem apaladada com sal (as pessoas puras de corpo e alma não têm de lhe pagar os comprimidos para a tensão arterial) ou beber refrigerantes açucarados (agora que já se verificou que afinal o colesterol e a gordura não causam o apocalipse humano que os médicos prometeram, teve de se encontrar novo inimigo para atormentar as populações e viraram-se para o açúcar, o novo supervilão; até, claro, dentro de uns anos se reconhecer que o açúcar é essencial para um bom desenvolvimento cerebral das crianças, entre outras maravilhas que então o açúcar de súbito conquistará).’

O texto todo está aqui.

Compreender o putinismo XLVI

putin

Os americanos são lixados. Força, Putin.