Trumpices

Quando um presidente condiciona e sonha proibir a edição de um livro, estamos perante o mais liberal (certificado) dos presidentes ou um destacado crítico literário?

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RTP 2: um caso sintomático

Audiências em 2017 – Panegírico dos grandes líderes da RTP. Por Eduardo Cintra Torres.

O ano termina com uma ligeira perda de audiência dos quatro canais generalistas, RTP 1 e 2, SIC e TVI. Os canais privados estancaram a queda; a diminuição deve-se apenas à RTP 1 e 2. Os canais do Estado confirmaram a tendência de perda dos últimos anos. A RTP 2 perdeu num ano um quarto dos seus espectadores. Embora seja o segundo mais antigo canal nacional, sustentado pelos impostos dos cidadãos, estes viram-lhe a cara e é hoje, incrivelmente, em audiência, o 12º canal no país. No cabo, estão à sua frente canais de informação, de filmes e séries e até dois canais infantis, quando a própria RTP 2 dedica muitas horas a esse público. É este o remate de quatro anos dos mandatos do Conselho Geral Independente (CGI) e da actual Administração da empresa, anos que reiteram em glória as promessas estratégicas e os amanhãs cantados pelos administradores à imprensa e ao parlamento. O meu conselho ao CGI: renovem-lhes já o mandato, sem abrir concurso.

Trumpices

Steve Bannon numa relação complicada com a família Trump. Ou como costuma dizer o povo, zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Donald Trump’s former chief strategist Steve Bannon has described the Trump Tower meeting between the president’s son and a group of Russians during the 2016 election campaign as “treasonous” and “unpatriotic”, according to an explosive new book seen by the Guardian.

Bannon, speaking to author Michael Wolff, warned that the investigation into alleged collusion with the Kremlin will focus on money laundering and predicted: “They’re going to crack Don Junior like an egg on national TV.”

Fire and Fury: Inside the Trump White House, reportedly based on more than 200 interviews with the president, his inner circle and players in and around the administration, is one of the most eagerly awaited political books of the year. In it, Wolff lifts the lid on a White House lurching from crisis to crisis amid internecine warfare, with even some of Trump’s closest allies expressing contempt for him.

Bannon, who was chief executive of the Trump campaign in its final three months, then White House chief strategist for seven months before returning to the rightwing Breitbart News, is a central figure in the nasty, cutthroat drama, quoted extensively, often in salty language.

 

Nicolau Santos, homem do sistema

Panegírico do comendador Nicolau. Por Eduardo Cintra Torres.

Com 35 anos de jornalismo e muitos de direcção, Santos sabe da poda. É cordato, um democrata e exibe gosto pela cultura. Há anos que reproduz um poema na sua página de opinião no ‘Expresso’. Não gosta, porém, apenas de poesia, aprecia também o aroma do poder. É homem para se ambientar aos que forem, em cada momento, os Donos Disto Tudo. É dos jornalistas que mais bem demonstraram nestas décadas a grandeza de estar próximo dos poderosos. A sua extensa obra jornalística revela esse olhar a sociedade de cima para baixo. Para a apimentar com preocupações sociais, Santos era e é um “homem de esquerda”, nacional virtude santa que retoricamente desinfecta da proximidade com os poderosos e embala os leitores.

Medina ajuda os carenciados III

A começar pelo vice-presidente da capital do país, Duarte Cordeiro omissões. Um bom trabalho de Rui Pedro Antunes, do Observador.

A época da geringoça em resumo

2017, ano saboroso a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Incêndios florestais arrasaram Pedrógão Grande e parte dos concelhos vizinhos. Sempre oportuno, às primeiras notícias o prof. Marcelo assegurou que fora feito tudo o que era possível. O dr. Costa, uma ministra macambúzia e um secretário de Estado disseram coisas ainda mais tranquilizadoras. No final, contaram-se, pelos vistos por baixo, 64 mortos, o 16º pior evento do género na História e o terceiro neste século. Para os poderes públicos, foi igual a nada, ou uma dispensável chatice que os obrigou a trabalhos para apurar quem se queimava (sem trocadilho) menos com o assunto. Pouco dado a trabalhar, o dr. Costa partiu para a praia. (…)

Medina ajuda os carenciados II

CML, uma amiga dos seus amigos. Porreiro, pá!

Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

(…) Os aumentos nas avenças em causa são significativos e foram atribuídos a assessores com ligações ao PS. Catarina Gamboa, ex-dirigente da JS e mulher do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, teve um aumento de mais de 2 mil euros no atual mandato e viu a sua remuneração subir para 4.615,57 euros ilíquidos mensais. O mesmo aconteceu com o filho do blogger que assinava como “Miguel Abrantes” no blogue Câmara Corporativa, que o Ministério Público acredita ter recebido verbas de José Sócrates dirigidas ao pai para defender o antigo governante socialista: António Mega Peixoto teve um aumento da avença de 2.135,39 euros para 3.468,04 euros mensais. O mesmo aconteceu com o vice-presidente da Federação do PS de Aveiro, Pedro Vaz — número dois de Pedro Nuno Santos nesta estrutura — que teve um aumento de 2.899,11 euros, para 4.615,57 euros.

Olhando para as 34 nomeações de gabinetes de vereadores eleitos nas listas PS publicadas até agora no site Base.gov, houve 30 reconduções de membros que já estavam na autarquia no anterior mandato. Em 26 desses 30 casos houve aumentos das avenças. (…)

Notícias do moderado Irão

Falta “pernil” no Irão.

 

A biografia de Oriana Fallaci

How Oriana Fallaci’s Writings on Islamism Are Remembered—and Reviled

The first authorized biography of a controversial Italian reporter sheds a new light on her legacy.

Leitura complementar: “Brava, la Fallaci. Brava”.

Portugal ordinário

O Estado, essa doença comum, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) E é uma história edificante. Aos poucos, Paula Costa trocou o pretexto declarado da associação por objectivos não declaráveis: melhorar os níveis de conforto das pessoas envolvidas, naturalmente a começar por ela própria. Principiou pelo essencial, leia-se mudar o nome, a que acrescentou o “Brito” e o “e”. E continuou a fazer o que os simples imaginam que as classes sofisticadas fazem: ser arrogante para com os funcionários, passear-se em carro alemão, vestir roupas de marca, viajar a “trabalho”, frequentar “ilustres”, chafurdar no PS, etc., tudo alimentado pelo dinheiro despejado na Raríssimas. Tudo, ou quase tudo, alimentado pelo Estado. A história de Paula Brito von Costa é, em larga medida, a história do Portugal contemporâneo. (…)

Fora do manicómio em que saltita boa parte da “opinião”, o problema da Raríssimas não é ser “particular” na designação, nos estatutos e na teoria: é não ser particular na prática. Os truques de Paula Brito de la Costa, apenas condenáveis pela origem dos financiamentos, não diferem dos praticados ou invejados por milhões dos nossos queridos conterrâneos. Num lugar em que o Estado asfixia o que pode, muitos acham o exercício erótico e, no lado certo, lucrativo. Fora da esfera pública, sobra pouco. Nove em dez portugueses (estimativa baixa) dedicam os respectivos expedientes, e horas extra, a catar o patrocínio dos portugueses em redor. Uns vão directamente à fonte e alistam-se na política e adjacências. Outros preferem simular independência empresarial. Os terceiros, nem de propósito, ficam-se pelo “terceiro sector”, o da “solidariedade social” e de Paula Brito van der Costa. Descontadas as excepções da praxe, todos querem o mesmo. Em geral, conseguem-no. Em geral, até ao dia em que o golpe se torna público, um raríssimo momento em que os portugueses respeitam o que é privado. (…)

 

 

O caso Raríssimas e o Estado (2)

O país pequenino onde uma mão lava a outra. Por José Manuel Fernandes.

A Raríssimas não é raríssima. Pior: se virmos como desde o topo do Governo a um pouco por todo o Estado há demasiados amigos e familiares, percebe-se que o exemplo até vem de cima. E ninguém estranha.

O caso Raríssimas e o Estado

Raríssimas: o Estado é parte do problema. Por Rui Ramos.

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.

Uma argumentação raríssima…

João Galamba e o caso Raríssimas: “Há uma falha aqui, que é dos denunciadores à TVI”

Paula Brito e Costa: “Sinto-me muito magoada com o meu país”

Raríssimas e Manuel Delgado (2)

Raríssimas e Vieira da Silva

Vieira da Silva foi vice-presidente da Assembleia Geral da Raríssimas

Raríssimas: Ministro Vieira da Silva conhecia irregularidades desde outubro

Raríssimas. Vieira da Silva já tinha sido alertado em outubro

US Presidents saying Israel’s capital is Jerusalem

Presidents saying Israel’s capital is Jerusalem

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Governance Portuguese style

Uma excelente e muito pertinente reflexão do Nuno Garoupa, aplicável ao Estado, a múltiplos sectores de actividade, a IPSS’s e a fundações públicas e privadas: Para que servem os Conselhos Fiscais, os administradores não executivos e os curadores em Portugal?

Raríssimas e Manuel Delgado

Presidente da Raríssimas acusada de usar subsídios públicos para fazer vida de luxo

A TVI emitiu uma reportagem onde é demonstrado como a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais, pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais. Surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Associação.

Raríssimas. Secretário de Estado da Saúde diz que “nunca colaborou em decisões de financiamento”

Deputada diz que Raríssimas lhe pagou viagem à Suécia, mas que despesas foram reembolsadas

Página de Facebook da Raríssimas inundada de comentários e avaliações negativas

Jerusalém, capital de Israel

Sem dramas.

E uma derrota para os dirigentes das facções palestinianas que usam a violência como modo de ser e estar.

(…) The leaders of Hamas and other Palestinian groups use violence as a deliberate tactic to get their way. If policy-makers allow this tactic to deter them from doing the right thing, it will only incentivize the opponents of a peaceful resolution of the conflict to threaten and employ violence every time they do not get what they want. Violence should be responded to by police and military action, not by giving in to the unreasonable demands of those who use violence as a tactic. (…)

 

 

 

Prosperidade socialista e apatia generalizada

A ignorância é uma bênção, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

Há dias, o primeiro-ministro lembrou: “O maior défice que temos não é o défice das finanças, é o que acumulamos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de preparação”. Tipicamente, e decerto a título exemplificativo, o homem tropeçou nos conceitos e a frase não faz sentido nenhum (um défice de desconhecimento é mau?). Ainda assim, percebeu-se a ideia, que além de um impiedoso retrato dos senhores que governam, é igualmente um retrato fiel de boa parte dos governados. Não é fácil cometer um erro, insistir em errar e não aprender um bocadinho no processo. Sofrer a hecatombe socialista, pagar pelas respectivas consequências e voltar a abraçar as causas do desastre com a inocência e a esperança iniciais não está ao alcance de qualquer sociedade. Talvez seja necessária uma extraordinária abundância de primitivismo, ou infantilidade, ou estupidez, se preferirem a ofensa.

E há pior. Num país não propenso a confundir-se com um jardim-escola, a reacção natural dos eleitores ao colapso engendrado pelo PS seria escorraçar a seita em definitivo, simbólica ou literalmente. Aqui, pelo contrário, o PS floresce nas sondagens, o CDS é liderado por uma aprendiza do marxismo e o PSD “reforma-se” com entulho de modo a competir em votos com a toleima em curso. Por pudor, não menciono o quinto da população que orgulhosamente escolhe os herdeiros de Lenine e sonha com a felicidade venezuelana. De um lado, há milhões de cidadãos encantados com o saque dos seus impostos para alimentar a pândega (eles chamam-lhe “consciência social”). Do outro, um deserto povoado por meia dúzia de excêntricos. O povo – equívoca palavra – não só tolera a desgraça: exige-a.

António Costa, o esquerdista bem sucedido (até ver)

António Costa foi escolhido pelo jornal Politico como uma das 28 personalidades mais influentes da Europa na actualidade, surgindo na 9ª posição. O texto sobre o primeiro-ministro português incorpora um breve comentário meu e pode ser lido na íntegra aqui.

“If there is one thing all commentators agree on, it’s António Costa’s political savvy,” says André Azevedo Alves, a political expert at Lisbon’s Catholic University and St. Mary’s University in London. “There’s near unanimity on his political skills.”

Next year, Costa will have to continue his economic balancing act, face down a new opposition leader and deploy his political skills to manage a tricky relationship with the two far-left parties that prop up his minority government.

The abject failure of communism

Socialism still kills. Por Kishore Jayabalan.

Talk long enough to European conservatives and they will eventually remind you that the communists in the western and eastern parts of the Old Continent have never been held accountable for their crimes. Certainly nowhere near to the extent that Nazi party members were following World War II. This lack of accountability has meant that communism was never made completely disreputable on the political left, so some variant of communism/socialism was bound to re-surface, despite the insurmountable evidence of its human cost and abject failure.

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Como comprar uma notícia?

HOW BRANDS SECRETLY BUY THEIR WAY INTO FORBES, FAST COMPANY, AND HUFFPOST STORIES

An Outline investigation found that contributors to prominent publications have taken payments in exchange for positive coverage.

Mas o melhor não é a história: é a referência a uma agência da área: Article Hub.

Article Hub

Article Hub

Ou seja: 1) a crise levou a sérios problemas financeiros em todos os sites noticiosos, 2) os sites noticiosos despediram dezenas de milhares de jornalistas, contratando simultaneamente colunistas não-pagos, alguns ocasionais, alguns profissionais a 100%, 3) os colunistas não-pagos que se dedicam a 100% a escrever artigos têm contas para pagar, criando uma… oportunidade no mercado, 4) surgiram agências para fazer a ligação entre marcas que preferem ser notícia do que publicitadas, e os tais colunistas não-pagos dedicados a 100% à escrita. E quando me refiro a marcas, refiro-me a empresas, a indivíduos, a campanhas políticas, a causas financiadas, … tudo o que conseguirem imaginar.

Depois disto, apenas 62% é pouco.

Em defesa do consumismo

O meu texto de hoje no Observador.

‘Desde a bendita black friday que tenho apanhado alguns vídeos assaz perspicazes sobre o consumismo do mundo desenvolvido. O meu preferido alterna imagens de multidões a entrar em lojas, passagens de modelos e gente com roupa e sapatos (provavelmente uma ofensa em si mesma; quem não se veste como Gandhi é um globalista explorador) com imagens de bairros de lata, campos a levarem pesticidas, camiões de caixa aberta apinhados de gente, uma mulher com a pele do rosto descolorada.

A mensagem implícita? É o consumismo do mundo rico que provoca todas estas atrocidades.

Como se sabe, se não fosse o consumismo desenfreado dos ricos explorando os países pobres, estes teriam sistemas de transportes públicos irrepreensíveis, limpos, com lugar sentado para todos os utentes, muito mais pontuais do que o metro de Lisboa. Os ataques com ácido às mulheres não ocorreriam. Todas as famílias viveriam, pelo menos, num T3 com ar condicionado. Os malvados desenvolvidos, que desataram a consumir sem parar, é que estragaram este paraíso que eram os países mais pobres antes da última vaga de globalização.

Agora um bocadinho de realidade. A China, desde as reformas económicas de Deng Xiaoping em 1978, que tornaram a China na tal ‘fábrica do mundo’, já tirou entre setecentos e oitocentos milhões de chineses da pobreza. A taxa de pobreza extrema (atualmente menos de 1,90USD/dia) caiu de 84% em 1981 para 15,9% em 2005; anda agora na casa dos 10%. Entre 1994 e 2012, cento e trinta e três milhões de indianos saíram da extrema pobreza. Nas duas décadas entre 1990 e 2010, mil milhões de pessoas saíram da pobreza. Repito: mil milhões de pessoas pelo mundo. Nove zeros: 1.000.000.000 de pessoas.’

O texto completo aqui.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (4)

Os meus comentários de ontem sobre a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, no jornal das 20h do Porto Canal, podem ser vistos (ou revistos) aqui.

Marques Mendes sobre Mário Centeno e o Eurogrupo

Luís Marques Mendes continuará – presumivelmente – a debitar semanalmente os seus recados e comentários no prime time da SIC, o que diz mais sobre o espaço mediático nacional do que sobre o próprio Marques Mendes.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo

Estarei a comentar a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo mais logo a partir das 20:00 no Jornal Diário do Porto Canal (emissão deve poder ser seguida online aqui).

Centeno conquista presidência do Eurogrupo em segunda votação

Para já, além de dar os parabéns a Mário Centeno (independentemente das leituras políticas que se possa fazer, a eleição é uma inequívoca vitória pessoal sua), gostaria de recordar dois artigos que escrevi há algum tempo no Observador, sendo que ambos me parecem relevantes para interpretar e ajudar a compreender a eleição de Centeno e suas implicações:

Os sectários

Não há dinheiro para pagar mais socialismo

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O Natal antecipado da geringonça

Uma semana no Terceiro Mundo, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O PSD tem muito menos encanto na hora da despedida de Pedro Passos Coelho. Terminada a vigência desse homem afinal tão decente que se calhar passou por aqui ao engano, o que sobra? Sobra, pelos vistos, o socialismo nem por isso envergonhado de Santana Lopes e de Rui Rio, sobre os quais não é fácil arranjar um argumento que os distinga. Felizmente, o dr. Rio dá uma ajuda: a sua comissão de honra e a sua lista de apoios declarados, repletos do pior entulho oligárquico que o partido produziu em décadas, são quase um manifesto favorável ao rival. Nomes como Ângelo Correia, Manuela Ferreira Leite, Couto dos Santos e Ferreira do Amaral, isto para não falar das paixões assumidas de Pacheco Pereira ou daquele sr. Capucho, são, ou parecem ser, razões sucessivas para um optimista achar que, apesar de tudo, o PSD ficará mais bem servido com o embaraçoso dr. Santana. Mas um realista percebe que o país está desgraçado. (…)

Trumpices

Há circos com espectáculos mais pobres.

Trump diz que Michael Flynn não fez nada de ilegal, mas que teve de o despedir por mentir ao FBI.

Emails Dispute White House Claims That Flynn Acted Independently on Russia.

Kushner Told Flynn to Sabotage U.S. Policy With Russia’s Help.

 

 

Lições de propaganda

O meu texto desta semana no Observador.

‘Perante isto, o que dizer do comportamento dos ministros durante a ação de propaganda? Percebo que o ministro Cabrita deu o melhor uso possível àquele pedaço de tempo: dormiu. Quem nunca reprimiu um bocejo quando de repente, quase à traição, ouviu a voz de Costa na televisão ou na rádio? Também me solidarizo com Maria Manuel Leitão Marques, que resolveu ler jornais ou por as mensagens e o mail em dia. Bom uso do tempo, ou não fosse uma mulher. De resto era a única que sobressaía pela cor da roupa, num mar de ministros visualmente entediantes. E, de facto, não se deseja ao pior inimigo, nem sequer a um ministro da geringonça, uma tarde a ouvir António Costa.

Mas e a mensagem que passaram, de ignominioso desinteresse pelas respostas que o querido líder dava à amestrada assistência? Sopapos e anos de cadeia talvez sejam excessivos para Cabrita e Leitão Marques, mas que tal enviá-los em licença prolongada para a Mongólia Interior? Ou para as zonas ardidas este ano (há uma ampla escolha neste critério) para um campo de reeducação pelo trabalho?

Depois dos desaires do cenário composto pela universidade e dos ministros que não revelaram adequada veneração pelo seu bom pastor, felizmente a assistência portou-se à altura quanto à devoção e ao respeito pelo aniversariante governo. Não houve perguntas difíceis, foram exibidas publicamente simpatias por tão excelso grupo, só faltou alguma das senhoras questionadoras assumir uma paixão secreta por Mário Centeno e enviar-lhe o número de telefone tossicando em código Morse.’

O texto com princípio meio e fim está aqui.