Ordem e Progresso

O meu artigo de hoje no Observador: Não teve golpe: o triunfo da ordem constitucional no Brasil

O significado do afastamento de Dilma da Presidência sem ruptura com a ordem constitucional vigente não deve ser subestimado, já que a máquina de poder do PT instalada em torno do Estado foi abrangente, meticulosa e absorvente. Face a essa máquina, só o facto de o Brasil continuar a contar com algumas importantes instituições independentes e com uma vigorosa sociedade civil possibilitou que o processo de impeachment de Dilma Rousseff pudesse decorrer de forma pacífica e ordeira.

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A Comunidade Insurgente no Facebook agrega já mais de 18.000 pessoas.

Obrigado a todos pela preferência.

O lançamento do ano: “Manual Modernista para a Modernidade”

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O lançamento do livro Manual Modernista para a Modernidade, de Vítor Cunha terá lugar na Feira do Livro do Porto no dia 6 de Setembro às 18h00, com apresentação do insurgente Carlos Guimarães Pinto, sendo de destacar também que a obra conta com a colaboração do inigualável Bel’Miró. Mais informações aqui.

O nacionalismo e a contabilidade das medalhas

O meu artigo desta semana no Observador: O fracasso olímpico português e o culto das medalhas.

O que é feito dos Panamá Papers?

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Abafaram a lista de avenças do GES a políticos e jornalistas? Por António Galamba.

Em breve decorrerão quatro meses (quatro!) desde que um semanário do consórcio de órgãos de comunicação social associados às revelações dos Papéis do Panamá – a maior investigação jornalística de sempre! – anunciou urbi et orbi que havia políticos e jornalistas avençados pagos pelo saco azul do Grupo Espírito Santo, a ES Enterprises. E quatro meses depois (quatro!), a higiénica divulgação da lista de políticos, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas constantes da folha de pagamentos através de um paraíso fiscal não aconteceu.

O que terá feito esboroar toda a gigantesca encenação mediática montada em torno das revelações bombásticas dos Papéis do Panamá que tanto prometiam? A falta de zelo e de amor à profissão dos jornalistas envolvidos na investigação? O poder dos interesses em presença perante a possibilidade da divulgação dos nomes de quem estava condicionado pelo Grupo Espírito Santo? O embuste entre a documentação prometida e a que foi disponibilizada? A verdade é que quatro meses depois (quatro!), o assunto morreu, nada acontece e quase ninguém se indigna.

Over Half Who Met With Clinton as Secretary Gave Money to Foundation

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Many Donors to Clinton Foundation Met with Her at State

More than half the people outside the government who met with Hillary Clinton while she was secretary of state gave money — either personally or through companies or groups — to the Clinton Foundation. It’s an extraordinary proportion indicating her possible ethics challenges if elected president.

At least 85 of 154 people from private interests who met or had phone conversations scheduled with Clinton while she led the State Department donated to her family charity or pledged commitments to its international programs, according to a review of State Department calendars released so far to The Associated Press. Combined, the 85 donors contributed as much as $156 million. At least 40 donated more than $100,000 each, and 20 gave more than $1 million.

Um velho truque da imprensa

A partir do automóvel, um condutor palestiniano ataca soldados israelitas. Decide  sair da viatura e, supõe-se que por mero acaso, esfaqueia um militar e é abatido a tiro. A agência de notícias Reuters notícia o incidente assim: “Israeli soldier shoots dead Palestinian driver in West Bank: army.

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Permanece um mistério as razões pelas quais as armas rudimentares continuam a ser usadas para matar pessoas e a mesma agência de notícias ter alterado o título inicial da notícia para “Palestinian who stabbed Israeli soldier shot dead: army“, de modo a clarificar o incidente.

É fácil ser bloquista em Portugal

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A insustentável leveza de Catarina. Por José Manuel Fernandes.

É fácil ser Catarina Martins, e não é por causa dos arrependimentos. É fácil porque não é preciso ter um discurso coerente, apenas seguir os ventos que sopram e repetir os lugares comuns mais na moda.

(…) Neste seu país de conto de fadas não custa a Catarina despejar frases sonantes mas sem grande sentido – tudo porque no país real que somos ninguém lhe faz a pergunta que era importante fazer: mas quem é que cria a riqueza para pagar mais Estado e mais consumo? Nós ou os alemães? E quererão eles pagar – democraticamente – os nossos défices?

Por isso ainda bem que há entrevistas “fofinhas” para percebermos a insustentável leveza de alguns dos nossos heróis políticos.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo (2)

A conspiração neoliberal na imprensa portuguesa e o Público. por Sebastião Bugalho.

Ao contrário do que hoje publicou, o medo de Vítor Malheiros não é a “hegemonia do pensamento conservador”. O seu medo, na realidade, é a existência do pensamento conservador em democracia. É verdade. Ele existe, está cá e chateia. Especialmente aqueles que lidam mal com diversidade.

José Vítor Malheiros, 2016: um caso de estudo

O jornalista vazado. Por CCC.

Não há ali sombra de argumentos. Não há, por ali, uma molécula que seja do tipo de decência intelectual de que nos falava Karl Popper. Nem sequer uma partícula subatómica de lógica ou de racionalidade. É um simples caso de vacuidade que o sr. Malheiros «jornalista» entendeu preencher com uma estrondosa bagunçada de absurdidades, num tom ora paranóico, ora persecutório. A visão estreita do que é a liberdade jornalística, o gosto pela distopia e a ampla assunção da sua ignorância em matéria de concepções políticas, são a prova de que a parlapatice não preenche vazios: amplifica-os.

A história de uma rosa do deserto

Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS
Foto: WAEL HMEDAN / REUTERS

Sabe Deus as razões pelas quais o exercício de relações públicas a entrevista  à Primeira Dama síria, Asma al-Assad que saíu na Vogue desapareceu mas vale a pena ler o artigo de Joan Juliet Buck, My notorious interview with Mrs. Assad, the first lady of hell que revela detalhes preciosos.

António Costa comenta governação de António Costa

Costa Parvo

Dívida pública volta a aumentar e já está perto dos 132% do PIB

A dívida pública portuguesa voltou a crescer entre Abril e Junho deste ano, fixando-se, na Óptica de Maastricht, nos 131,6% do produto interno bruto (PIB). Um valor que está acima da meta anual do Governo e das instituições internacionais.

Valores da dívida pública são “más notícias”, diz António Costa

António Costa criticou as “más notícias” sobre a evolução financeira do país, apontando o dedo às políticas de “austeridade” do Governo, que afirmou terem “fracassado”.

O líder do PS disse que “só com uma economia sã, teremos finanças públicas sãs”, comentando os números divulgados pelo Banco de Portugal que indica que a dívida das administrações públicas na óptica de Maastricht fixou-se em 128,7% do PIB em 2014, acima do verificado em 2013 e da meta fixada pelo Governo para o ano passado.

Parabéns Wikileaks

FREE ASSANGE

A Wikileaks decidiu revelar ao mundo informações pessoais e financeiras de centenas de bandidos. De entre os expostos contam-se algumas vítimas de abusos sexuais, relatórios médicos  de crianças e adultos e gays.

O caso já seria muito grave e revelador do encanto da organização de Julian Assange mas o detalhe da exposição ter como palco a Arábia Saudita – esse oásis – da democracila liberal e dos direitos humanos -, apimenta a coisa.

A organização informativa está, uma vez mais, de parabéns. Nem imagino o que o jornalismo-cidadão e a polícia religiosa local serão capazes de fazer com tamanha quantidade e qualidade de informação. O mundo respirará melhor quando a liberdade da verdade completar o seu caminho.

Private lives are exposed as WikiLeaks spills its secrets.

WikiLeaks’ global crusade to expose government secrets is causing collateral damage to the privacy of hundreds of innocent people, including survivors of sexual abuse, sick children and the mentally ill, The Associated Press has found.

In the past year alone, the radical transparency group has published medical files belonging to scores of ordinary citizens while many hundreds more have had sensitive family, financial or identity records posted to the web. In two particularly egregious cases, WikiLeaks named teenage rape victims. In a third case, the site published the name of a Saudi citizen arrested for being gay, an extraordinary move given that homosexuality is punishable by death in the ultraconservative Muslim kingdom.

“They published everything: my phone, address, name, details,” said a Saudi man who told AP he was bewildered that WikiLeaks had revealed the details of a paternity dispute with a former partner. “If the family of my wife saw this … Publishing personal stuff like that could destroy people.” (…)

O FBI e os emails de Hillary

FBI descobre mais 15 mil emails que Hillary Clinton não divulgou

O FBI encontrou mais cerca de 15 mil emails que Hillary Clinton alojou num servidor privado quando era Secretária de Estado. Em 2014, já tinha entregue 30 mil emails e disse que não havia mais.

Continue reading “O FBI e os emails de Hillary”

Leopoldo Lopez ameaçado de morte na prisão

Na Venezuela – à semelhança do que habitualmente acontece nos países onde o socialismo se aproxima da sua concretização totalitária – ser oposição implica arriscar a própria visa: Líder de oposição venezuelana foi ameaçado de morte na prisão

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Uma questão de publicidade

Esqueçamos a tirada "não existe má publicidade: apenas publicidade. " Reuters Tv/Reuters.
Esqueçamos a tirada “não existe má publicidade, apenas publicidade. ” Reuters Tv/Reuters.

Iran ends Russian use of air base because of unwanted publicity.

Sei o plano que apresentaste no Verão passado… (2)

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São mais as pessoas que preferem mentiras. Por Alexandre Homem Cristo.

O “Cenário Macroeconómico” do PS surgiu, em Abril de 2015, para satisfazer uma necessidade política concreta: legitimar o discurso de António Costa quanto a alternativas às políticas de austeridade de PSD-CDS e, servindo de apoio ao programa eleitoral socialista, credibilizar medidas como a acelerada reposição de salários da função pública – que, na opinião pública, seria recebida com desconfiança enquanto medida despesista e irresponsável caso não estivesse enquadrada pelo “Cenário Macroeconómico”. Ou seja, o documento teve uma finalidade política, mediática e eleitoral, e não uma utilização prática do ponto de vista económico. Assim, o rigor das contas foi sempre o aspecto secundário da questão – de resto, substituindo-se a transparência das mesmas (o PS nunca divulgou a base de dados com que trabalhou) pela exibição do currículo de Mário Centeno, que deu a cara e a reputação pela fiabilidade das previsões. O objectivo era, portanto, simples: acertar-se na mensagem para levar o PS ao poder, mesmo que, para tal, se tivesse de errar nas contas.

Sim, o PS perdeu as eleições – e, assim, poder-se-ia considerar que também dessa perspectiva o “Cenário Macroeconómico” fracassou. Mas essa leitura seria uma precipitação. Em boa verdade, o “Cenário Macroeconómico” foi um sucesso. É que nele consta a mensagem política – uma alternativa à austeridade sustentada no crescimento económico por via do aumento do consumo – que está na base do entendimento político entre PS e partidos à sua esquerda. Não importa se o documento ficou condenado à prateleira da ficção, nem aflige a “geringonça” que essa estratégia económica esteja a derrocar. O que importa é que foi essa ficção, partilhada por PCP e BE, que permitiu o conciliar da mensagem política do PS com a dos partidos à sua esquerda. No final, o “Cenário Macroeconómico” foi uma peça determinante na estratégia socialista para chegar ao poder – e, portanto, cumpriu o seu papel.

Leitura complementar: O plano macroeconómico do PS e a realidade.

As opções editoriais sobre crianças II

Rslan ym "fotógrafo" com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.
Rslan um “fotógrafo” com amigos e passatempos verdadeiramente caridosos.

Realidades que os media portugueses não noticiarão e que não se tornarão virais.

Syrie : la face obscure du photographe qui a immortalisé l’enfant blessé

Mahmoud Rslan, dont les images ont fait le tour du monde, ne cache pas sa sympathie pour un groupe rebelle qui a décapité un enfant, en juillet.

Leitura complementar: As opções editoriais sobre crianças.

Leitura dominical

Os malucos, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)Os filhos do embaixador do Iraque que, em Ponte de Sor, espancaram um rapaz quase até à morte não possuem apenas imunidade diplomática: aparentemente possuem também imunidade noticiosa. Houve pelo menos um canal televisivo que tratou o caso sem sequer referir a origem dos agressores. Se a ideia era evitar críticas preconceituosas, acho bem. Acolher os representantes oficiais de nações amigas é compreender os respectivos costumes. Alguém condenaria os filhos do embaixador americano por organizarem uma partida de softball com colegas? Ou os filhos do embaixador cabo-verdiano por participarem numa sessão de mornas? Cada um diverte-se como sabe e pode. São as diferenças culturais que fazem do mundo um lugar lindo. E o respeito pelas diferenças torna-o ainda mais bonito.

O plano de Paulo Portas

Paulo Portas, em reacção às críticas de Manuel Monteiro: Paulo Portas em Luanda demarca-se de polémica interna no CDS-PP

“Nunca dei troco a polémicas de natureza interna, muito menos a pessoas que até já fizeram partidos contra o CDS ou saíram até do CDS. Sendo muito breve, o meu plano é sempre o das relações do Estado português”, disse Paulo Portas, em declarações à imprensa.

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Sei o plano que apresentaste no Verão passado…

Na realidade, foi na Primavera passada mas o Verão é uma boa altura para fazer o necessário balanço: O plano macroeconómico do PS e a realidade

Independentemente do final que o filme que estamos a viver venha a ter, há no entanto uma coisa que é certa: o plano macroeconómico do PS chocou de frente com a realidade.

Os truques do Público (2)

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Jornalismo lixo no Público. Por josé.

Este jornalismo é lixo porque não é jornalismo mas propaganda política pura. E com custos ocultos.

Os truques do Público

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Um extraordinário critério “jornalístico” do Público para o destaque na primeira página (que é o que mais interessa, já que poucas pessoas lêem os artigos do jornal): interessam mais os 475.000 euros que a coligação PaF gastou num contrato publicitário do que o militante do PS que decorou salas pela módica quantia de 751.000 euros…

Caixa Geral de Depósitos, 2016

Serviço Público de Blogosfera: documento de apoio a futuras comissões de inquérito*. Por Rodrigo Moita de Deus.

CêGêDê. Por CCC.

As opções editoriais sobre crianças

O Observador noticía no artigo intitulado Omran e Aylan, as opções das crianças sírias a tragédia de duas crianças sírias que simbolizam o drama da guerra na Síria.

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E a propósito do cartoon de  Khalid Albaih, divulga as imagens  tão brutais quanto virais de Kurdi e de Omran Daqneesh.

Espero que continue a ser mantida a discrição do Observador e dos restantes orgãos de comunicação social em relação às crianças feridas e mortas, vitímas dos ataques terroristas, islâmicos ou não.

Nice

Sobre esta temática, valerá a pena recordar o que escrevi há seis anos por, de algum modo, permanecer actual.

(…) A propaganda terrorista usa o distanciamento moral das consequências dos seus actos e mensagens sanguinárias. Quem os pratica é como se nunca os tivesse feito. Ninguém com os cinco alqueires bem medidos pode justificar um homem-bomba ou um atentado a um meio de transporte público.
As vítimas, os sobreviventes, os familiares e amigos vivem uma situação traumática fácil de entender mas, por certo, difícil de (sobre) viver. A presença permanente de jornalistas em buscas de imagens e histórias sensacionais e emotivas, muitas vezes com a parva pegunta do “como se sente?” é constante e passam a estar associados a parte da tragédia. Nestas ocasiões, é bom recordar um princípio: as vítimas são seres humanos, não são seres com lágrimas, prontos a serem retratados. E neste ponto, existe uma clara diferença entre culturas e os media na relação com a morte e a tragédia. É diferente, para pior, o tratamento que, por exemplo, os media árabes fazem das notícias que envolvem mortos e feridos. Há linhas que no Ocidente não se devem ultrapassar.
Nos atentados de Londres, a BBC, a ITN ou a Sky basearam boa parte da sua informação visual em imagens amadoras. Blogues, twitter, facebook noticiaram histórias que foram aproveitados por aqueles meios mas todos eles desempenham um papel importante de informação mas também na passagem da sensação de vulnerabilidade.
O acto terrorista lança um desafio ao estado, ao indivíduo, através dos media. Existe uma estreita relação entre todos os actores neste processo. O que se deseja é que as respostas dadas pelo estado, vítimas e media sejam reponsáveis.

Quem o comete sabe que o assassinato de inocentes é um meio para atingir um fim – a fractura social – e que a sua divulgação multiplica o seu impacto. A lógica terrorista é ser a primeira página. Por essa razão, é preciso ser crítico, até na terminologia usada. Para a generalidade dos media, o contexto é importante e as imagens apresentadas, por definição, retratam, realidade simplificada . Enxaguada a destruição e a dor, existe um fascínio pelas causas e não pelas consequências – as vítimas. Desta realidade resulta uma consequência: o jornalista passa a “narrador” dos terroristas . É comum assistir durante as entrevistas (um dos estilos jornalísticos mais difíceis de fazer bem) a que sejam os terroristas a controlar (e claro, a distorcer a realidade). A informação deve tratar com cuidado e conhecimento o terrorismo. Não pode legitimar, não pode apenas reproduzir a propaganda.

 

 

Hélder Amaral, o CDS e o MPLA

Assunção Cristas furiosa com o enviado do CDS ao congresso do MPLA, Hélder Amaral

O i sabe que a direção aguarda a chegada de Hélder Amaral para esclarecer as declarações e, se necessário, acertar nova reação. Michael Seufert, ex-deputado do CDS na Assembleia da República, afirmou ao i que, na sua opinião, “o CDS não deveria enviar uma delegação a congressos de partidos totalitários”.

José Miguel Cerdeira, economista militante do CDS, resumiu: “De um ponto de vista patriótico e de proteção dos interesses nacionais, percebe-se uma presença de representação, sendo, mesmo assim, duvidosa. Contudo, o entusiasmo manifestado é totalmente despropositado.
No mínimo, colide com outros valores do CDS como o respeito pela democracia e pelo pluralismo. Foi demasiado além do que a cortesia diplomática exige. E isso tem custos.” Francisco Rodrigues dos Santos, presidente da “jota” do CDS, não tardou também a pronunciar-se sobre a polémica. Na sua página pessoal de Facebook, escreveu: “A Juventude Popular não se revê em nenhuma outra força juvenil que baseia a sua matriz no marxismo-leninismo. Seja cá dentro ou lá fora.
A JCP ou a JMPLA.” Ao i, o líder da Juventude Popular tornou a sublinhar que “o CDS e o MPLA são partidos antagónicos”, contrariando o deputado Hélder Amaral.

(…) José Ribeiro e Castro, um antigo presidente dos centristas, também mostrou o seu desagrado perante o sucedido. “O congresso do CDS talvez venha a contar também com a presença de delegações do Partido Comunista de Cuba e do Partido do Trabalho da Coreia do Norte”, ironizou.

A ministra da festa cor de rosa e da reforma agrária

O meu texto de ontem no Observador.

‘Faço já a declaração de interesses: não tenho nada contra festas, nem contra revistas cor-de-rosa, nem contra ministros divertindo-se, nem contra fotografias de pessoas aperaltadas em eventos sociais. Eu própria passei uma parte das férias num local com alguma influência britânica onde ainda se valoriza o vestir bem para jantar, no fio da navalha entre a formalidade e a informalidade. Percebo, portanto, que a ministra da administração interna, Constança Urbano de Sousa, tenha decidido ir a uma festa durante as férias e nela se tenha feito fotografar.

Mas a ministra não é uma capitalista impenitente como eu. Detenhamo-nos, então, por momentos nesta propensão que os socialistas têm, mesmo agora extremados à esquerda e adeptos da luta de classes, de se aliarem a eventos com uma inegável frivolidade social e a revistas de fofocas. Afinal os socialistas empedernidos nunca resistiram ao luxo. Veja-se como os Castro celebraram a miséria cubana contratando Christian Louboutin para fornecer as fardas para os Jogos Olímpicos. Ou Bernie Sanders, que prometia uma revolução socialista americana e acabou a comprar uma casa cara num lago idílico (os Adirondacks, lá perto, são dos sítios que me estão atravessados na garganta para visitar).

De resto, o comportamento da ministra é consistente com o de António Costa, agora ‘chocado’, quase lacrimejante (levem-lhe chá de verbena), mas que também se fez fotografar numa praia algarvia, risonho e feliz da vida. Nem sei se este género de ação não terá magicado pelas cabecinhas do PS que se supõem génios de estratégia política. A mensagem seria inspirada em Pangloss: estamos no melhor dos mundos, a governação está encarrilhada, como podem ver corre tudo tão bem que até nos podemos despreocupadamente dedicar a festas e riso durante as férias. Afinal é este governo que acredita nos poderes mágicos do otimismo, porventura depois de terem lido meia dúzia de best sellers de autoajuda: se acreditares que vai correr bem, então vai correr bem. E, se não correr, a comunicação social amiga finge que sim e os papalvos dos eleitores pensarão que as suas desgraças individuais não se replicam pelo resto da população.

Houve o problema do costume em se tratando de um governo socialista: a realidade. Estava António a rir na praia e Constança na festa cor de rosa quando já o país ardia como se não houvesse amanhã. Que não tenham arrepiado a estratégia propagandística ‘ministros, festejemos ostensivamente a boa governação’, mostra uma falta de senso e de noção e de respeito atroz e perturbante.

Claro que Constança Urbano de Sousa teve de abandonar as suas festas cor-de-rosa para fazer controlo de danos. Desde aí tivemos entrevistas da ministra quase todos os dias, declarações à comunicação social, textos elegíacos sobre a senhora em jornais, tentativas de culpar a União Europeia. E descobrimos que afinal a reação mais ajuizada da ministra da administração interna aos fogos que consomem as florestas é mesmo participar em festas.’

O resto está aqui.

Portugal, 2016: o jornalismo a que temos direito

Agora está tudo bem. Por Alexandre Homem Cristo.

(…) não foram apenas BE e PCP que mudaram a forma como encaram os factos políticos, mas também vários jornalistas que, cobrindo temas sociais, abdicaram do dramatismo que marcou os últimos anos. Não é necessário um grande esforço de memória para recordar como, entre 2013 e 2015, o debate público foi invadido de notícias sobre crianças com fome nas escolas, sobre jovens que emigravam em fuga pela ausência de oportunidades profissionais, sobre estudantes que desistiam do ensino superior por falta de recursos, sobre idosos abandonados em condições de pobreza, sobre famílias carenciadas para as quais o Estado não tinha resposta. Mas, desde as eleições legislativas, essas notícias desapareceram. Afinal, em Portugal já não há fome, pobreza, abandono dos estudos e emigração?

(…) Aconteça de forma voluntária (por motivações políticas) ou de forma involuntária (por recurso preguiçoso às fontes partidárias), esta súbita ausência implica que parte do nosso jornalismo está demasiado apoiado nas fontes e agendas partidárias, em vez de construir as suas próprias notícias e reportagens. E o problema vai muito além da questão da fiabilidade das notícias. Está, sobretudo, no enfraquecimento do próprio jornalismo.

“Sei o que disseste o Verão passado”

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Pedro Soares, do Bloco de Esquerda, não poupou nas palavras nas violentas críticas que dirigiu ao Governo por causa do flagelo dos fogos florestais: “Este é o terceiro pior ano dos últimos dez em matéria de fogos florestais. Já ardeu uma área de 28 780 hectares, quando, no ano passado, por esta altura, tínhamos 7 575 hectares ardidos”. Antecipando as habituais justificações com base em condições meteorológicas extraordinárias, acrescentou taxativamente: “Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”.

Por isso o responsável bloquista declarou, em tom grave, que “a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”, salientando: “Sabemos que a região sul da Europa e Portugal têm condições da floresta e meteorológicas propícias para a deflagração de incêndios, mas compete a um Estado competente colocar um dispositivo no terreno que permita contrariar os efeitos, tanto ao nível do ataque direto como da prevenção”.

O título deste post – sugerido pelo leitor Nuno Granja – tinha sido um excelente título alternativo para o meu artigo desta semana no Observador.

“a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”

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O meu artigo desta semana no Observador: Em 2016, Portugal arde mais docemente.

Infelizmente o mais provável é que nos próximos tempos se vá enterrar ainda mais dinheiro público nas estratégias falhadas de gestão dos incêndios que nos conduziram até aqui – para gáudio dos lobbies