Mais um caso encerrado à moda da geringonça

Acabar com a democracia por SMS, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Embora a escolha não seja fácil, confesso que a minha estratégia favorita é a Send in the Clowns, na qual o PS lança os maluquinhos disponíveis para emprestar um toque surreal ao “debate” e adensar o nevoeiro. Um dia, em programa televisivo, o porta-voz do partido garante que “o PR está profundamente implicado nisto”. No dia seguinte, indiferente ao vídeo que o desmente ao comprido, garante ter garantido que “o PR não está implicado em nada”. Pelo meio, o dr. César dos Açores esclarece que o porta-voz do partido nem sempre é o porta-voz do partido. E uma senhora chamada Estrela, que em tempos quase se notabilizou por crer na honradez do eng. Sócrates, junta-se ao circo e adianta em dialecto evocativo do português: “Domingues foi útil p conseguir o apoio de Bruxelas à CGD e p isso era necessário ele acreditar q seu património n iria ao TC. PR colaborou.” Existem cabeças iluminadas. A da dona Estrela não é uma delas.

Perante isto, há boas e más notícias. A boa é que, numa democracia civilizada, tamanho desfile de incompetência, fraude e descaramento terminaria em investigações a sério e, provavelmente, na morte política dos implicados. A má notícia é que estamos em Portugal, reino da impunidade selectiva e das clientelas vorazes. A franca sabotagem da comissão parlamentar de inquérito prova que a maioria de esquerda abdicou de vez do verniz “institucional” e assumiu, por gestos ou omissões brutais, o seu único objectivo: manter o país sob controlo, custe o que custar. Na verdade, não custa muito. Na verdade, custará imenso. Desde o momento em que o dr. Costa derrubou o tal muro e abriu o regime à barbárie leninista que a nossa democracia prometia pouco. Hoje promete menos. Pode-se argumentar que o muro era fraquito e permeável. Mas era um muro. (…)

Advertisements

Governo acaba com imposto*

geringonca

*Poluídores-gulosos-fascizantes, é apenas o fim da reavaliação do imposto sobre os combustíveis que “servia  para garantir que os consumidores não seriam penalizados se o preço do petróleo subisse.”

“apesar de conservador”

WinstonChurchill

Mais espantoso ainda: apesar de conservador, não há registo de que Churchill batesse na mulher.

observador_churchill

Churchill College – University of Cambridge

Mentiu, demitiu-se

flynn

Outras realidades, outros padrões: Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, demite-se

Michael Flynn, renunciou ao cargo ontem à noite, após informações de que teria enganado o vice-presidente, Mike Pence, sobre os seus contactos com a Rússia.

Os ateus-carrapato

O meu texto da semana passada no Observador. Esta semana duplamente pertinente.

‘Nem todos os ateus são carrapatos, claro. A maioria são pessoas normais que vivem a sua vida sem incomodar os outros em excesso. Não fazem da descrença na divindade uma batalha de vida, não escarnecem dos crédulos obscurantistas que têm fé, não esbugalham os olhos transidos de fúria de cada vez que referem a Igreja Católica. São pessoas com quem se pode ter (e frequentemente tem) conversas bem pertinentes sobre espiritualidade e religião. No meu caso (de católica), tenho mais valores e pontos de vista em comum com a maioria dos meus amigos ateus do que com os católicos conservadores fundamentalistas.

Mas há ateus-carrapato, consideravelmente diferentes das pessoas ateias normais minding their own businesses. Caracterizam-se, grosso modo, pelo ódio de morte à religião católica e pela irracionalidade absoluta e agressiva de cada vez que um católico se expressa publicamente – onde estão as purgas nos jornais e nas televisões quando precisamos delas?! Se por acaso quem se expressa publicamente é um padre, o transtorno é tal que ficamos em cuidados se algum destes carrapatos não vai para casa auto mutilar-se. Qualquer dinheiro dos contribuintes que vá parar a uma instituição católica ou de católicos dá-lhes ímpetos de emigrarem – que, infelizmente, não concretizam.

São pessoas suscetíveis. Tal como não conseguem sobreviver com sanidade (e nota-se) sem uma bateria de sessões de psicoterapia de cada vez que ouvem um piropo obsceno na rua, também se ofendem com crimes hediondos como receber desejos de um ‘santo natal’. (Que género de psicopata deseja um ‘santo natal’ a uma pessoa de religião desconhecida?!)’

O resto do texto está aqui.

$obre o 44 e o$ amigo$

Os avençados da vida, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Há meses, o país em peso conheceu o “caso” do Câmara Corporativa. Durante uma década, e através de milhares de “posts”, esse empenhado blogue praticara a nobre tarefa de aplaudir o génio de José Sócrates e denunciar a velhacaria intrínseca dos seus adversários. Os textos eram assinados por Miguel Abrantes, que uma jornalista de “causas”, à época próxima do ex-primeiro-ministro, afiançou ser um sujeito real (prova cabal: a senhora almoçou com ele). Entretanto, uma das pontas da Operação Marquês apurou tratar-se de um sujeito imaginário, pseudónimo de pelo menos um tal António Peixoto (possivelmente, a jornalista de “causas” esteve sozinha à mesa e nem reparou – é por causa destas cedências à fantasia que algum jornalismo perde a alegada credibilidade). Segundo o Ministério Público (MP), o sr. Peixoto auferia 3.500 euros mensais pelo fervor patriótico demonstrado no blogue. Eis, afinal, a célebre avença. O MP suspeita da origem das verbas (a do costume) e suspeita que outros indivíduos recebiam pelos mesmos meios para os mesmos fins. Hoje, em suma, a investigação pondera a existência de crime.

É neste ponto que eu e a investigação divergimos. Pelos vistos, o que as autoridades condenam é que se receba dinheiro para dizer bem do eng. Sócrates. Independentemente de o dinheiro ser sujo ou limpíssimo, o que me parece incompreensível é que se elogie o eng. Sócrates de borla. A primeira hipótese, não sendo um modelo de ética, ainda revela vestígios de racionalidade utilitária. A segunda revela um quadro psiquiátrico assustador. Dito de maneira diferente, uma coisa é ser mercenário, outra é ser maluco. Em vez de perseguir os infelizes que tentavam ganhar a vida – e que tinham pudor suficiente para ocultar nome e rosto –, o MP devia inventariar os que glorificavam o ex-primeiro-ministro por pura convicção. E encaminhá-los para avaliação no SNS. (…)

Compreender o fenómeno Trump

9982175558e94852998196272f66ca1a_18

Trump is no fascist. He is a champion for the forgotten millions. Por John Daniel Davidson.

America is deeply divided, but it’s not divided between fascists and Democrats. It’s more accurate to say that America is divided between the elites and everybody else, and Trump’s election was a rejection of the elites.

That’s not to say plenty of Democrats and progressives don’t vehemently oppose Trump. But the crowds of demonstrators share something in common with our political and media elites: they still don’t understand how Trump got elected, or why millions of Americans continue to support him. Even now, recent polls show that more Americans support Trump’s executive order on immigration than oppose it, but you wouldn’t know it based on the media coverage.

Support for Trump’s travel ban, indeed his entire agenda for immigration reform, is precisely the sort of thing mainstream media, concentrated in urban enclaves along our coasts, has trouble comprehending. The fact is, many Americans who voted for Trump, especially those in suburban and rural areas across the heartland and the south, have long felt disconnected from the institutions that govern them. On immigration and trade, the issues that propelled Trump to the White House, they want the status quo to change.

Leitura complementar: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

Particularidades da política francesa

Sex and the French Elections

Mr. Macron and his wife met when he was a 15-year-old 10th grader at a Jesuit high school in Amiens, and Ms. Trogneux was a 40-year-old married mother of three children, one of whom was in Mr. Macron’s class. Then known by her married name, Auzière, she taught French literature and ran the theater club.

Continue reading “Particularidades da política francesa”

Notícias do melhor cronista aqui do jardim

Bem-vindos, refugiados da América, a opinião de Alberto Gonçalves (uma excelente contratação do Observador).

Em duas ocasiões recentes, o eng. Guterres referiu-se às origens judaicas do Monte do Templo, em Jerusalém. Indignada, a Autoridade Palestiniana invocou uma resolução da UNESCO e exigiu um pedido de desculpas. Quem tem razão? Ambos. O actual Muro das Lamentações é evidentemente o que sobra do Segundo Templo, ou ao que consta uma parede contígua. Por outro lado, há meses que o braço da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (a designação é irónica) passou a referir-se ao Monte do Templo exclusivamente pelos seus nomes árabes, de modo a enterrar a desagradável conexão hebraica e a legitimar as pretensões da Fatah e similares.

Perante isto, resta ao eng. Guterres uma de duas saídas. Ou manda os palestinianos à fava, por respeito à História e – eis um termo em desuso – à verdade. Ou ata uma corda ao pescoço e parte de joelhos ao encontro do sr. Abbas, por respeito à utilíssima instituição a que preside e a que o pérfido sr. Trump, para consternação universal, ameaça cortar subsídios. Até ver, o eng. Guterres apenas lamentou (longe do Muro) as políticas do último, e não abriu a boca sobre o primeiro. É assim que se vai longe.

Vergonha em tons multiculturais V

rotherhamchildsexgang

De alguma forma, fez-se justiça.

Rotherham child sex gang shout ‘Allahu Akbar’ in court as they are jailed for 80 years for abusing girls, including one who became pregnant at just 12, after being groomed with alcohol and drugs

Members of a Rotherham sex gang today yelled ‘Allahu Akbar’ in court as they were jailed for abusing a girl who fell pregnant aged 12 after being groomed with alcohol.

Six men were given sentences between 10 years and 20 years – and totalling more than 80 years – by a judge who heard details of how two young girls were sexually abused in the South Yorkshire town between 1999 and 2001.

Judge Sarah Wright described how one of the girls was plied with alcohol and drugs and was having sex with a number of men from the age of 11.

The victim, in a statement read to the court, said: ‘There’s evil and truly evil people in the world. I feel my child was the product of pure evil.’

The sentencing marks the end of a series of three major trials after a report on child sexual exploitation in Rotherham revealed that more than 1,400 youngsters had been groomed, trafficked and raped in the town over a 16-year period.

It has led to 18 people being jailed for sentences totalling more than 280 years.

Leitura complementar: Leituras recomendadas, Vergonha em tons multiculturaisVergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais IIIVergonha em tons multiculturais IV e Rotherham, socialismo e multiculturalismo.

Trump, Costa e Le Pen

De Trump a Costa, por Paulo Tunhas.

Se quisermos manifestar a nossa virtude e a excelência dos nossos princípios (uma pessoa fica surpreendida coma quantidade de gente que aparentemente os tem ininterruptamente presentes ao espírito) há objectos de oposição bem mais urgentes do que Trump, até porque os americanos sabem tomar muito bem conta de si, como tomaram durante muito tempo conta de nós. Em França, por exemplo. Uma vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas seria incalculavelmente mais nociva para nós do que a vitória de Trump nos Estados Unidos. A ideologia e a tradição são completamente diversas, e é disso que se deve ter medo. Gritar “populismo, populismo” como se a palavra abarcasse tudo e quisesse dizer sempre o mesmo não adianta nada. E esse medo tem mesmo uma razão de ser razoavelmente definida, até porque as trapalhadas em que se encontra François Fillon por causa dos supostos pagamentos chorudos à mulher, bem como a escolha socialista de Benoît Hamon, um esquerdista absurdo, facilitam, e muito, a vida à filha de Jean-Marie. Não se compare isto, por favor, com Trump ou o Brexit. A vitória de Marine Le Pen e da velhíssima tradição que, por mais camuflada que seja, ela traz consigo seria, de facto, o fim do mundo como nós, os europeus, o conhecemos.

Ou então, por razões mais comezinhas, Portugal. Costa e os seus, na ficção incongruente que construíram, estão a levar-nos disciplinadamente para o precipício. It’s a way of life. Os juros da dívida a dez anos, que para Marcelo parecem suaves prestações mensais, são um entre muitos outros sinais. Vai uma aposta? Mais depressa Trump fará coisas boas pelos Estados Unidos, e até pelo mundo, do que Costa o fará por Portugal. Mais depressa? Muito mais depressa.

Os maiores aliados de Trump (2)

9982175558e94852998196272f66ca1a_18

Espanto e choque. O que fazer face a Trump. Por José Manuel Fernandes.

Quase tudo aquilo que os adversários de Trump têm vindo a fazer tem contribuído para que ele reforce a sua posição. Quando os actores milionários de Hollywood fazem comícios em cada cerimónia em que aparecem, os eleitores de Trump não vacilam, cerram fileiras. Quando Obama quebra a regra do silêncio que os ex-presidentes sempre respeitam está a dar força aos que protestam, mas não a enfraquecer a legitimidade de Trump, antes a reforçá-la. Quando os órgãos de informação tratam de forma totalmente desproporcionada os protestos anti-Trump e as manifestações de apoio estão a fechar-se ainda mais na “bolha” que os impediu de perceberem o descontentamento anti-establishment que grassava (e grassa) na América que não vive nas grandes cidades.

Leitura complementar: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

O “milagre” orçamental de 2016

O “PERES” Natal e os números de 2016. Por Joaquim Miranda Sarmento.

O milagre orçamental de 2016 resultou exclusivamente de medidas pontuais, como o PERES, e de corte no investimento.

Continue reading “O “milagre” orçamental de 2016″

Trumpices

A sério, Sean Spicer?

seanspicer

Sean Spicer Retweets Onion Video Saying He Provides ‘Robust Misinformation’: ‘You Nailed It’

Make us poorer, again IV

trump

Vale a pena ler o artigo de opinião de Juan Ramón Rallo, Gobierno de Trump: los planes de Trump o cómo empobrecer a las clases medias de EE.UU.

(…)  Al respecto, el Peterson Instituteha estimado que una guerra comercial entre EE.UU., por un lado, y China y México, por el otro, provocaría que la economía estadounidense perdiera cinco millones de empleos hasta 2019: tanto las compañías locales que se dedicaran a exportar a China o México cuanto las empresas locales que distribuyeran mercancías importadas se verían enormemente penalizadas. Los sectores más afectados serían los manufactureros, con caídas del empleo potencial de hasta el 10%. A su vez, los estados más negativamente afectados serían Washington, California, Texas y también el cinturón industrial de EE.UU. (Michigan, Illinois, Wisconsin, Pensilvania u Ohio), los cuales sufrirían pérdidas de puestos de trabajo superiores al 4%.

En definitiva, quienes podrían salir más perjudicados de una escalada proteccionista entre EE.UU. y el resto del mundo son justamente aquellas clases trabajadoras cuyos intereses Trump dice querer defender: tanto sus rentas nominales cuanto su poder adquisitivo se verían muy negativamente afectados por una guerra comercial. Por supuesto, los habrá que piensen que el presidente republicano jamás tolerará que otros países dañen comercialmente a EE.UU., pero entonces deberá renunciar a uno de los principios expuestos en su (horrible) discurso de investidura: el aislacionismo. Recordemos que, de acuerdo con el magnate neoyorquino: “Buscaremos amistad y buenas relaciones con las distintas naciones del planeta, pero lo haremos entendiendo que todas las naciones tienen el derecho a anteponer sus propios intereses”. Si todas las naciones tienen derecho a anteponer sus propios intereses, ¿cómo rechazar que China o México represalien a EE.UU. castigando con aranceles a sus productos para así proteger a ciertas industrias locales? ¿O cómo frenar una carrera arancelaria global absteniéndote de intervenir en la política extranjera?

Una hora después de que Trump se convirtiese en presidente, la nueva Administración difundió un esbozo de las políticas que planea aplicar en energía, empleo, política exterior y comercio

Todos hemos salido ganando con la globalización de los últimos 30 años. Una guerra comercial a gran escala nos perjudicaría igualmente a todos y solo beneficiaría a los populistas nacionalistas que acceden al poder dividiendo, enfrentando y envenenando la concordia entre los distintos ciudadanos del planeta. ‘Make globalization great again‘.

O comércio gera riqueza e não é imoral, ao contrário do proteccionismo.

Leituras complementares: Make us poorer, again, Make us poorer, again IIMake us poorer, again III.

 

A verdade do padeiro

Não me dão condições para explorar, a crónica de José Diogo Quintela no CM.

Quando aceitei fazer a empresa, o objectivo era claro: tornar-me num grande patrão explorador.

Como um dos donos da Padaria Portuguesa (PP), fiquei chocado com as declarações do meu primo e sócio Nuno Carvalho à SIC, sobre o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) e legislação laboral. Disse o Nuno que, com o aumento, 25% dos trabalhadores da PP, que até agora ganhavam acima do SMN, passam a recebê-lo. É um escândalo! Quer isso dizer que os trabalhadores da PP são pagos? Em dinheiro, ainda por cima? Mais indignado fico com a preocupação do Nuno com a flexibilização da lei laboral. Então a PP respeita legislação? Mau!

Não foi com esses pressupostos que entrei no negócio. Quando aceitei fazer a empresa, o objectivo era claro: tornar- -me um grande patrão explorador (passe a redundância). Basicamente, ambicionava parasitar empregados. Qualquer que fosse o negócio. Calhou a panificação por ser uma área em que não existia concorrência (quem já tinha ouvido falar em ‘padarias’?), mas que, por outro lado, já tinha um mercado estabelecido. Toda a gente se lembra das filas de potenciais consumidores à porta de lojas devolutas espalhadas por Lisboa, a acenar com notas e a dizerem: ‘Queremos pão de Deus! Como é que ninguém nos vende pão de Deus quando nós, potenciais consumidores, demonstramos enorme desejo de pão de Deus e até nos organizámos à volta de 50 localizações ideais para situar lojas que vendam pão de Deus?’

Pessoalmente, preferia um negócio que envolvesse burlar idosos, mas a padaria era a via mais rápida para me tornar num porco capitalista. Só precisámos de: 1) expropriar uma fábrica que produzia próteses gratuitas para vítimas de minas em África, para passar a fazer pão; 2) obrigar órfãos sírios a construírem lojas a troco de não lhes batermos muito; 3) adquirir vários contentores de escravos prontos a oprimir. Depois, o plano era esmifrar trabalhadores, vampirizar fornecedores, ludibriar consumidores e gastar o esbulho na compra de marfim e diamantes de sangue, como boas sanguessugas plutocratas. Descubro agora que fui enganado e não ando a espoliar empregados como era suposto. Pelos vistos, a PP cumpre leis e obrigações. Assim não é giro. Se era para isso, não me convidavam. O meu primo traiu-me. Aliás, já não vale a pena disfarçar. O leitor decerto percebeu que não somos primos. Os humanos é que têm primos. A única relação familiar que temos é que os nossos ovos foram incubados na mesma cova. Quando saímos da casca, a primeira língua bífida que lhe silvou foi a minha.

Os répteis são animais de sangue frio, de modo que não ficaremos zangados muito tempo. Em breve faremos as pazes, enquanto brindamos com o sangue de um pasteleiro (reserva de 2012, um óptimo ano) e combinamos o próximo negócio. De preferência, que envolva tortura de gatinhos ou extorsão de invisuais sem abrigo. Quando fazemos o que gostamos, o dinheiro é secundário. (…)

Então votos de boa administração Trump

O meu texto de hoje no Observador. Porque, caros amigos liberais, o problema de Trump não é só a defesa do protecionismo. Nem, sequer, tratar-se de um apalpador compulsivo. (Ainda que qualquer das duas chegue e sobre para repelir eventuais apoios a Trump.) O maior problema é ser um autoritário, muito poderoso, que não admite limites ou o simples escrutínio à sua ação – e que, podendo (e quem pode conter Trump não está com vontade disso), vai deteriorar a democracia americana de uma forma talvez irreparável. As boas instituições não estão imunes aos humanos viciados, como bem nos ensina a História.

‘Entretanto, no meio de tudo isto, temos Trump mandando o seu press secretary mentir garantindo que teve a MAIOR multidão de sempre a assistir a uma tomada de posse. Ponto final. Além das divertidas tendências para o culto da personalidade – Trump tem mais gente a vê-lo porque é o mais arrebatador político desde que o poder centralizado do estado surgiu na noite dos tempos, como bem nos informam os superlativos que o POTUS usa sobre si próprio e as suas habilidades – há o mote que foi dado à presidência: mentir quando os factos não confirmam a estonteante maravilha que é Trump. Os funcionários do irmão americano do INE bem podem começar a estudar métodos de inventar estatísticas, caso a realidade tenha a falta de senso de não brindar Trump com o MAIOR crescimento económico desde Adam Smith, ponto final.

Trump no seu discurso fez promessas sensatas e cumpríveis como (cito livremente) exterminar os terroristas e acabar em definitivo com o crime. Declarou o dia da sua tomada de posse um Dia de Devoção Patriótica (façamos uma genuflexão) com ecos da Primeira Guerra Mundial. Inventa que só perdeu o voto popular para Hillary Clinton (por quase 3 milhões de votos) porque imigrantes ilegais lhe roubaram a eleição. Mantém a recusa de mostrar a sua declaração de impostos (algo que até na nossa democracia de pantomina se faz) impossibilitando, assim, os americanos de escrutinarem as suas atividades económicas e o seu património. Garantiu ser uma contradição nos termos um presidente com conflitos de interesses. O prestável partido republicano (aquele com que os crédulos contam para limitar os disparates trumpistas) já tentou, de resto, emprateleirar um departamento de vigilância independente para as questões de ética no Congresso. Foi só parado pela fúria popular; até Trump teve de reprovar a pressa. […]

Um presidente megalómano propenso a mentir, fazer negócios que ninguém poderá avaliar e comprar uma guerra para distrair os seus detratores e energizar os indefetíveis. Uma primeira dama oficiosa, influente, com alma de feirante desonesta. Uns apaniguados obedientes que não recusam mentir. Um partido, com maioria nas duas câmaras do Congresso, que se vendeu e renega o que sempre promoveu (o comércio livre, por exemplo) para alimentar o projeto de poder próprio de Trump. Não, não: não é nenhum bombardeamento à democracia liberal como a conhecemos. Nem nunca houve na história instituições que soçobraram devido a homens viciosos que as usaram e desacreditaram. Só pode correr bem.

Mas não esquecer: o perigo real são os manifestantes contra Trump. Não têm poder para ordenar ataques com drones, ao contrário do seu alvo, mas o que interessa? E as maldosas fake news – que são todas as que expõem Trump. Mas especialmente tóxicas são as desavergonhadas das mais de 3 milhões de mulheres que se manifestaram pacificamente nos Estados Unidos. Deixo-vos um bom plano: fingir que estas manifestações não tiveram números impressionantes, nem são importantes, e exibir só as maluquinhas (existem sempre) que lá se passearam. Que tenham mão pesada para estas aleivosas que não descansam na perseguição (juro que li isto) a um pobre homem que acaba de ser eleito.’

O texto completo está aqui.

Os maiores aliados de Trump

Incisivo, brilhante e claro, como (quase) sempre, Daniel Hannan: Donald Trump’s enemies will keep him in power.

There’s a viral video from Washington DC on Inauguration Day. Anarchists have started a fire on K Street, prompting a public-spirited Trump supporter to turn up with a fire extinguisher. The crowd jeers as he puts out the flames, then throws things, then attacks him. It’s hard to watch the clip without your sympathy swinging, however slightly, to Trump’s supporters and, by extension, to the president himself.

Truly, Trump’s best friends are his detractors. That’s the sort of aphorism that columnists like to toss out, but, on this occasion, it is literally true. Donald Trump would not have been elected without the hysterical, inchoate rage of the other side; and that continuing rage seems set to prop him up in office.

Leitura complementar: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

Make us poorer, again III

Trump’s Scrapping of TPP Will Make America Poor Again, por Shikha Dalmia.

American consumers, exporters and manufacturing will get screwed

Leituras complementares: Make us poorer, againMake us poorer, again II.

Donald Trump e “A Era da Desmiogarquia”

 

Um texto meu no site britânico CapX:

“Sullivan’s words might sound overly-dramatic, but there’s some validity to them. Not in the sense that America’s first orange president will become a true tyrant, but that his election does say something about the predicament of the American Republic. It is a symptom of the American democracy’s degeneration into a desmiogarchy – the government of the shackled, of those in bounds.

This degeneration has been a feature of European politics for several years now. All over the continent (Austria, Poland, Sweden, Denmark, Portugal), an increasing number of voters have transferred their support from mainstream, “centrist” parties to extremist, populist ones, or have elected not to participate in the democratic process at all. The pattern will likely be repeated in future elections in the continent, whether in Germany, Italy or most particularly in France.

At the root of this “desmiogarchization” of European democracies lies the exponential growth of the state. Since the turn of the century, across the continent, public spending has soared as a share of national income – from 51.6 per cent in 2000 to 55.9 per cent in 2012 in France; from 45.9 per cent to 49 per cent in Italy; from 41.6 per cent to 46.9 per cent in Portugal.

(…)in the end, these welfare states created a series of problems that seem difficult to overcome. They’re ineffective: they respond not to the needs of those who use them, but to the bureaucratic goals of political decision-makers. They’re unsustainable: there is an ever smaller number of workers paying for an ever-growing number of beneficiaries. And they’re unfair: because they try to provide for those who need it and those who don’t, they end up giving too much to those who don’t need it and not enough to those who do.

On the one hand, the inefficiency of these services feeds the electorate’s high – and growing – level of dissatisfaction with governments and politicians. On the other, European electorates seem pretty reluctant to give their support to any reform that might mean they would have to give up some of the things they take for granted.

The combination is lethal: most voters make their electoral choices on the basis of who they believe will be capable of keeping things as they are, but at the same time, those voters who want to keep the statist status quo intact grow unhappy with the practical results of that same statism. So voters blame the traditional governing parties for not being able to give them the statism of plenty they long for.”

O resto pode ser lido aqui.

Best of

Na sequência do fim de ciclo na minha colaboração regular com o Observador, pareceu-me oportuno registar os 10 artigos que mais partilhas tiveram. Aqui fica a lista:

Continue reading “Best of”

Jared Kushner e Bobby Kennedy

Justiça diz que Trump pode nomear genro para cargo na Casa Branca

Robert F. Kennedy

Trump, as sondagens e o futuro

O artigo que marca o fim de ciclo na colaboração regular com o Observador que mantive, com muito gosto, desde o início do projecto: O Presidente Trump, as sondagens e o futuro.

O enviesamento, arrogância e sobranceria com que a sua candidatura e os seus apoiantes foram sistematicamente analisados dificultaram e muito a compreensão do fenómeno Donald Trump.

O que importa é a amizade entre as pessoas

amizade

O verdadeiro significado da amizade, está na TAP.

Amizade é a relação afetiva entre os indivíduos. É o relacionamento que as pessoas têm de afeto e carinho por outra, que possuem um sentimento de lealdade, proteção etc.

A amizade pode existir entre homens e mulheres, irmãos, namorados, maridos, parentes, pessoas com diferentes vínculos. É um relacionamento social voluntário de intimidade. Algumas bases do sentimento de amizade são a reciprocidade do afeto, ajuda mútua, compreensão e confiança.

A amizade pode ter diversas origens, como o meio em que as pessoas convivem, por exemplo, o trabalho, o colégio, a faculdade, amigos em comum, mas também pode surgir por acaso. Alguns amigos, inclusive, se chamam de melhores amigos, pois se consideram mais que amigos, um irmão de coração.

A amizade não precisa acontecer com pessoas exatamente iguais, com os mesmos gostos e vontades, e em certos casos é exatamente esse o fato que os une. A amizade tem a função de acrescentar ao outro, com suas ideias, momentos de vida, informações, ou é apenas ter alguém para dividir momentos e sentimentos.

Alguns valores, atitudes e comportamentos relacionados com a amizade podem variar de acordo com a sociedade ou com o momento específico da história.

in Significados.

Make us poorer, again II

trump

“We will follow two simple rules: Buy American and hire American”.

Donald Trump, o nacional-socialista no discurso de abertura do fim do mundo.

Leitura complementar: Make us poorer, again.

Make us poorer, again

Trump, o proteccionista.

Therefore, despite the naive proclamations from Trump about “making America great again” with protectionism and tariffs, the economic analysis above demonstrates that protective tariffs make the country imposing them worse off,on net, and that proposition is supported by 200 years of economic theory and hundreds of empirical studies. That is why economists almost universally support free trade and oppose tariffs and trade protection – because economic analysis and empirical evidence clearly show that there are always net economic losses from protectionism.

If Trump is successful with his mercantilist and protectionist trade policies, it will be average Americans who will be punished by punitive tariffs, not the Mexicans or Chinese. And while Trump’s protectionism might save some U.S. jobs in the short run, his tariffs and other protectionist measures will unavoidably lead to even greater job losses in the long run, and less prosperity and a lower standard of living for the average American. That’s not a formula for greatness, it’s a guaranteed formula for economic impoverishment.

Sobre os jornais

O meu artigo hoje no ‘i’.

Sobre os jornais

Perdoem-me os jornalistas, mas vou falar de jornalismo. Da minha perspectiva, enquanto leitor de jornais e revistas, sobre a transformação do modo como lemos notícias e somos informados, ou desinformados.

O meu avô lia o “Jornal do Fundão” para se manter a par do que acontecia na região de onde vinha. Todos os dias comprava um vespertino que lia com cuidado. E todos os dias aguardava pelo noticiário das oito e via o que acontecia no mundo. Para ser informado, ele passava pela papelaria e comprava o jornal quando regressava a casa ao fim do dia. Tinha de se sentar, de o abrir e de o ler. Tinha de ter iniciativa.

A internet e os tablets mudaram isso. Com acesso directo à notícia a toda a hora, a maioria fica-se pelos títulos dos artigos, cuja leitura adia para mais tarde, para um momento em que outros títulos lhe tiram o tempo que tinha para ler o que o tempo já deixou para trás. Pior que isso, a notícia vem ter connosco, sem esforço. Esta passividade matou o interesse.

E sem interesse não vejo grande futuro nos jornais diários em formato de papel. A época do meu avô já não existe. Uma publicação precisa de ter conteúdos para nos fazer sair da redoma em que vivemos e sermos ativos. E para termos algo que tenhamos tempo de ler, a imprensa escrita talvez deva ser menos generalista e menos periódica. Noticiar não é ir atrás da notícia. Deixem os títulos com o telemóvel e examinem o que se passa. Precisamos disso. Porque se pensar é perigoso, não pensar é muito pior.

Geringonça no eucaliptal

A assinatura do acordo de constituição da geringonça foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital
A assinatura do acordo de constituição da geringonça entre Heloísa Apolónia e António Costa foi feita num produto nefasto, oriundo da exploração do eucalipto pelo grande capital

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) tem a arte de existir, possuir um grupo parlamentar sem nunca se conhecer a quantidade de votos expressos em qualquer urna de votos, desde que existe, decorria o mês de  Dezembro do ano de 1982.

Este partido claramente democrático e de votações expressas muito constantes, criado pelo PCP durante a Guerra Fria por forma a acudir aos desejos ambientalistas de Moscovo e a enganar algum ecologista militante mais distraído, comtempla a “ecologia como concepção  política”. No fundo, como “portadora de uma nova forma de pensar o mundo e a organização das  sociedades. A ecologia política toma a espécie humana como uma componente da Natureza, tal  como outras espécies, constatando a sua dependência em relação a elementos naturais  imprescindíveis à sua sobrevivência – como o ar, a água, o solo, a fauna e a flora.” O PEV descobre mesmo o  demónio no planeta Terra (pois deconhece-se a sua acção noutros planetas):“os modelos liberais e  neo-liberais, que têm imperado no mundo, têm resultado no esgotamento e na delapidação dos  recursos naturais, corporizando formas de organização económica que fomentam a produção  intensiva e descontrolada e o consumismo desregulado, concentrando e intensificando sempre mais  a riqueza nas mãos de uma pequena minoria, sem pudor na negação de direitos a largas faixas da  população e na generalização da pobreza a biliões da seres humanos.” A solução apontado é o “eco- desenvolvimento”.

Quero acreditar que a convergência política na geringonaça é possível com o investimento de milhões na indústria de papel e a exploração económica do eucaliptal. As palavras do Primeiro-Ministro, António Costa são, como é costume, claras como o petróleo verde:

(…) Assinados os contratos de investimento, que vão permitir criar a maior unidade de descasque e destroçamento de madeira da Europa, o primeiro ministro plantou a ideia de reconstruir o setor florestal e explicou como fazê-lo: “valorizando os nossos recursos autóctones, que são decisivos para a riqueza do país, mas também necessariamente a plantação do eucalipto”.

Portugal precisa de melhorar a produtividade da Floresta e com isso melhorar a produtividade do eucalipto. É “o grande desafio que temos pela frente”, assume António Costa, que acrescenta que “a produtividade média por hectare é baixíssima. Não são só os matos que estão ao abandono, há muita área de eucalipto que também o está”.

Uma melhor produção de eucalipto permite responder à procura das indústrias e aumentar a produção de pasta de papel, setor onde Portugal dá cartas e que ajuda a equilibrar a balança comercial. Tal como está previsto desde 2015, na estratégia florestal nacional, a área prevista para a plantação de eucaliptos permitirá responder àquilo que é a procura crescente por parte da indústria, permitindo aumentar a produção de pasta e de papel”, afirma.

Mário Soares da discórdia

Um texto meu na Folha de São Paulo, sobre as opiniões que se formaram sobre Soares pela minha geração e querubins ainda mais novos. Um amuse-bouche:

‘Algumas pessoas em Portugal estão por estes dias espantadas pela ausência – gritante e ostensiva – do povo comum português nas cerimónias fúnebres de Mário Soares. Houve funeral de estado cuidadosamente preparado e executado – e bonito. Os políticos louvaram em abundância Soares. Os jornalistas lamentaram-se como se tivesse morrido o gatinho preferido. As televisões e jornais esqueceram que existia resto do mundo. A população? Não quis saber.’-

Aqui.