A esquerda contra a liberdade de expressão

Millennials don’t fear censorship because they plan on doing all the censoring

Matt Ridley’s fine recent Times column was hardly the first to raise the alarm about the pseudo-Soviet intolerance of the left emerging from university campuses. Yet he began with arresting statistics: ‘38 per cent of Britons and 70 per cent of Germans think the government should be able to prevent speech that is offensive to minorities.’ Given that any populace can be subdivided into a veritably infinite number of minorities, with equally infinite sensitivities, the perceived bruising of which we only encourage, pretty soon none of us may be allowed to say an ever-loving thing.

(…)

Accordingly, the young casually assume not only that they’re the cutting-edge, trend-setting arbiters of the acceptable now, but that they always will be. The students running campuses like re-education camps aren’t afraid of being muzzled, because they imagine they will always be the ones doing the muzzling — the ones dictating what words we can use (cis, not heterosexual), what books we can read (Tom Sawyer is out), what practices we can embrace (white people may not wear dreadlocks). These millennials don’t fear censorship because they plan on doing all the censoring.

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BE e PCP dirigidos diretamente via Largo do Rato

joao-gomes-almeida

Um crónica interessante de João Gomes de Almeida:
O BE, o PCP e o Oportunismo.

Alguém que, como eu, acompanha de perto a vida política nacional pensava já ter visto tudo. Mas realmente nunca pensei ver o PCP e o BE serem dirigidos diretamente via Largo do Rato, tudo em prol de um ódio à coligação de direita que nos salvou da bancarrota. Como diria Churchill, “o orgulhoso prefere perder-se a perguntar o caminho”. Será que ainda há algum caminho para a extrema-esquerda nacional?

E sim, de facto há uma certa satisfação em ver BE e PC de joelhos frente ao partido fundado pela CIA. Pode ser que assim os seus eleitores diminuam o seu pretencionismo.

Retrato de um político grotesco

O dr. Costa é mau demais para ser mentira, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O dr. Costa, em suma, é mau demais para ser mentira. Infelizmente, como estamos em Portugal, é péssimo o suficiente para ser verdade. E a crítica da especialidade, que alucinadamente começou por atribuir ao homem inconcebíveis virtudes, ainda não terminou de venerá-lo – apenas conteve a veneração durante a semana, já que, parecendo que não, cento e tal mortos sempre impõem algum recato.

(…) A título de contexto, há o passado do dr. Costa na Administração Interna, onde cometeu a proeza de agravar trapalhadas herdadas do dr. Santana e, com típica leveza (para dizer o mínimo), consagrou o SIRESP às três pancadas e, por influência de um amigo e da impunidade, adquiriu os portentosos Kamov. E há o radioso momento em que, semanas antes do último Verão, o dr. Costa trocou as chefias da Protecção Civil por amigos (ele tem muitos) de reconhecida competência. E há Pedrógão Grande. E há a resposta do dr. Costa às vítimas de Pedrógão Grande, abandonadas a protectores que não protegem, um sistema de segurança que não funciona e helicópteros que não voam enquanto Sua Excelência desfilava calções e compaixão numa praia espanhola. E há a conversa fiada e as promessas reles que o dr. Costa despejou sobre os escombros de uma das maiores calamidades registadas do género. E há, quatro meses depois, uma calamidade quase idêntica em dimensão e incúria. E há a criminosa arrogância do dr. Costa, que, inchado pela vitória nas “autárquicas”, redobrou o desdém face aos que o maçam com ninharias (“Ó minha senhora, não me faça rir a esta hora”). E há a pedagógica “comunicação” ao país, na qual exibiu um cinismo que, em cérebro superior ao de um laparoto, talvez sugerisse indícios de psicopatia. E há a demissão, em último recurso, da ministra da Administração Interna, uma inultilidadezinha versada em disparates, e o tapete de que o dr. Costa se serviu para esconder o lixo. E há a substituição da ministra em prol de um amigo do dr. Costa (não disse que são imensos?), garanhão celebrizado por chamar “frígida” a uma adversária. E há, sobretudo, a reacção apressada ao ralhete do prof. Marcelo, encenada numa sessão parlamentar em que o dr. Costa tentou fingir que chorava e conseguiu demonstrar aos distraídos o indivíduo extraordinariamente lamentável que de facto é. (…)

150 mil é um número bonito: 150 mil empregos, 150 mil cabras

Cabrita para aqui, cabrita para acolá. “Vamo lá ver”, alguém sabe das cabras do Sócrates? E os mil telemóveis para os pastores?

Nacionalizado ao Rui Rocha.

A responsabilidade não pode cair em saco roto

Por respeito aos mais de 100 mortos em incêndios florestais que não são nem podem ser tratados como “desafios” pelos irresponsáveis políticos obcecados pelos resultados dos “focus groups” e pela desproteção civil, incapaz de proteger algo que não sejam os “boys” fica feito o convite a indignarem-se nas seguintes manifestações:

Hoje:  Lisboa – 19h30 – Belém

Amanhã:

Uma morte nos incêndios é uma morte a mais

“No dia 15 de Outubro de 2017, Portugal ardeu à frente dos nossos olhos em 500 fogos espalhados de Norte a Sul. (…)
Indignados com quem nos devia proteger e a quem pagamos um tributo anual, pela sua proteção falhada.
Não devia ser possível deixar os portugueses entrar em comboios que param a meio da viagem, não devia ser possível os carros e autocarros circularem em estradas incendiadas, não devia ser possível o Estado deixar aldeias completamente desprotegidas no meio das chamas.
Todos os portugueses têm direito à indignação, a uma indignação com voz, a uma indignação que peça responsabilidades e uma indignação que grite alto para que não haja uma terceira tragédia que consuma mais vidas inocentes.
Por isso vos pedimos que na próxima 4 feira, dia 18 de Outubro, às 18h30 quando os mortos desta tragédia forem a enterrar, nos mobilizemos e coloquemos uma flor em frente de todas as 308 Câmaras Municipais e da Assembleia da República em Lisboa, vestidos de luto e mostrando apenas uma frase que nos una:
“Um morto nos incêndios é um morto a mais”

Leiria – 21h – Praça Rodrigues Lobo

Sexta-feira:Braga – 18h – Avenida Central 

Coimbra – 18h – Praça 8 de Maio

Sábado:Porto – 16h – Avenida dos Aliados

 Lisboa – 16h – Praça Luis de Camões

Leituras complementares: Protestar para mudar: manifestações contra fogos vão sair à rua e chegam a BelémPortugueses usam Facebook para marcar protestos contra incêndiosIncêndios: vários protestos convocados nas redes sociais“Vão de férias”. Convocada manifestação para hoje em Belém contra a incompetência e inação

Há declarações que é difícil comentar (2)

Ministra não se demite, mas diz que era o mais fácil: “Ia-me embora, ia ter as férias que não tive”

“Temos de nos autoproteger”, disse o secretário de Estado da Administração Interna. Costa admite que não há meios. As frases dos políticos sobre a tragédia. E a lista de terras das vítimas

O rosto sem vergonha da incapacidade assassina de quem não gozou férias

“Ia-me embora, ia ter as férias que não tive. Ia resolver o problema?”

“Acho que não é o momento para a demissão. É o momento para a acção”.

As tiradas são da autoria da eterna ministra da Administração interna. Responsável política pela morte de 65 pessoas no incêndio da zona de Pedrógão e de pelo menos mais 27 29 31  32 35 mortos, ontem, em vários pontos do país.

Leitura complementar: Não faltarão afectos e juras que t@d@s fizeram o máximo.

Não faltarão afectos e juras que t@d@s fizeram o máximo

Não podemos ficar todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver o problema”. O autor da frase é o irresponsável Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna.

O contexto da frase do governante são 68 mortos em incêndios florestais, centenas de feridos e milhares de pessoas que perderam tudo menos a vida. Na semana que passou a ministra que tutela Jorge Gomes, afirmou que  não se demite. Que gente merdosa e incapaz.

O menino d’oiro do PS

Sócrates & Companhia Ilimitada, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O facto é tanto mais notável quanto os amigos de José Sócrates eram imensos. Alguns, fiéis à força, continuam a fazer-lhe companhia nas quatro mil páginas do processo. A maioria passeia-se sorridente. Sorridente e amnésica. Se o pacote de acusados constitui uma amostra razoável da oligarquia que regularmente enxovalha o país, convém notar que, por definição, as amostras deixam o resto de fora.

E o resto é demasiada gente. A gente dos “media”, nulidades amestradas que José Sócrates inventou ou desenterrou para o servir. A gente do comentário “isento”, sob nome próprio ou pseudónimo, cujas avenças cresciam de modo directamente proporcional à beatificação do amo e senhor. A gente dos negócios que prosperava à sombra da criatura e retribuía a prosperidade com juros. A gente da “justiça”, indivíduos com pilosidade auricular que garantiam a impunidade do benemérito que lhes arranjou emprego. A gente das “relações pessoais”, um folclórico grupo de familiares, namoradas e espontâneos que cirandava em redor de dinheiro facílimo. Sobretudo a gente da política, que subiu com José Sócrates, conspirou com ele e zelosamente lhe amparava os delírios.

É possível que essa gente não tenha sabido de nada, dado por nada, reparado em nada, desconfiado de nada, participado em nada. É possível que essa gente constitua o maior aglomerado nacional de débeis mentais desde a inauguração de Rilhafoles. É possível, e nesse caso seria um acto de mera comiseração e humanidade remover essa gente do convívio com os demais, a bem de uns e dos outros. É possível, e não se deve ficar tranquilo quando, ao inventariar a tralha “socrática” que continua a infestar lugares de decisão ou influência, imaginarmos que Portugal pode ser pasto de idiotas terminais. Ou então não é possível, e a intranquilidade aumenta.

Se calhar, não é realmente possível que essa gente não tenha experimentado o vestígio de uma suspeita, ou estranhado a folia, ou mesmo colaborado nela. E se calhar não é possível não saber que, além de obviamente ilegal, a folia acontecia à custa dos cidadãos “comuns” que essa gente finge defender em cada uma das suas descaradas intervenções. Em qualquer das hipóteses, essa gente não merece andar por aí em paz, ou porque é clinicamente incapaz disso, ou porque é moralmente indigna. (…)

30.000

Com as mudanças introduzidas pelo Facebook nas suas políticas internas nos últimos meses, a difusão de conteúdos nessa plataforma ficou (muito) mais difícil para projectos como O Insurgente.

Ainda assim – ou talvez: ainda mais assim – é de assinalar que a Comunidade Insurgente no Facebook ultrapassou a marca das 30.000 pessoas.

Obrigado a todos pela preferência.

70 por cento do actual governo, a dona Câncio e @s d@m@s de honor já terão tido conhecimento deste assunto?

José Sócrates, está acusado de dezasseis crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documentos, três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político e três crimes de fraude fiscal qualificada.

Anatomia de um crime.

Foto: António Carrapato-Lusa

Porreiro, pá!

“The case for colonialism”: assim vai a liberdade académica no Ocidente…

The case for colonialism

WITHDRAWAL NOTICE

This Viewpoint essay has been withdrawn at the request of the academic journal editor, and in agreement with the author of the essay. Following a number of complaints, Taylor & Francis conducted a thorough investigation into the peer review process on this article. Whilst this clearly demonstrated the essay had undergone double-blind peer review, in line with the journal’s editorial policy, the journal editor has subsequently received serious and credible threats of personal violence. These threats are linked to the publication of this essay. As the publisher, we must take this seriously. Taylor & Francis has a strong and supportive duty of care to all our academic editorial teams, and this is why we are withdrawing this essay.

Sobre o assassino que vende t-shirts

Che Guevara: o homem que desprezava a humanidade, por Rui Ramos no Observador.

The Killing Machine Che Guevara, from Communist Firebrand to Capitalist Brand, de Alvaro Vargas Llosa.

O estado do laranjal

A noite das facas rombas, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Mudemos de conversa, então. Nunca falei com Pedro Passos Coelho. Nunca conheci Pedro Passos Coelho. Que me lembre, vi-o uma única ocasião, de relance durante trabalho jornalístico no congresso do PSD em que ele se candidatou pela primeira vez à liderança, alegadamente sob o patrocínio do sinistro dr. Ângelo Correia. Decorridos estes anos, e tudo o que nestes anos aconteceu, tenho de Pedro Passos Coelho a melhor impressão que consigo ter de um político.

Não é uma impressão por aí além. Partilho com diversos pensadores, de Auberon Waugh a Jerry Seinfeld, a convicção de que qualquer sujeito que se acha destinado a orientar a vida dos outros sofre de sérios distúrbios psiquiátricos. Na melhor das hipóteses, um político é um oportunista que, na ausência de competências úteis, procura orientar a própria vida, e se as coisas correrem bem a de familiares e amigos. Para político, Pedro Passos Coelho não me parece terrível. Sendo difícil avaliar o seu egocentrismo ou os seus escrúpulos, não é difícil avaliá-lo pelo sentimento que prepotentes sortidos ou trafulhas incontinentes lhe dedicam: o ódio puro. (…)

O autocarro é um lugar estranho

Os autocarros do amor, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Uma candidata à câmara de Lisboa propôs a segregação de “géneros” no metro local e, sem cedência a falsos pudores ou à hipocrisia, destapou um dos maiores dramas nacionais: o abuso sexual das mulheres nos transportes públicos, pelo menos nos da capital. Corajosa, Joana Amaral Dias não hesita em imitar métodos usados, para fins raciais, na África do Sul do apartheid ou no Alabama de 1950. Democrata, Joana Amaral Dias concede que a utilização dos lugares “protegidos” seja facultativa – as senhoras sérias escolhem-nos; as galdérias, se assim quiserem, permanecem na zona da pouca-vergonha.

Naturalmente, um assunto desta gravidade não podia ficar por aqui, para cúmulo quando a gravidade raia o inominável. A polémica, como é típico das polémicas, instalou-se. E, de acordo ou em desacordo com a segregação, os testemunhos pungentes sucederam-se. Nas “redes sociais”, uma arguta jornalista de investigação, célebre por ter namorado com um trapaceiro sem suspeitar de nada, escreveu: “quero q (sic) as miúdas (sic) d (sic) 11 possam andar na rua sem lhes pedirem broches. não (sic) quero q (sic) andem em autocarros so (sic) p (sic) meninas. quero (sic) q (sic – tenham paciência) a lei as proteja”. Em resposta a este apelo angustiado, outra alegada jornalista, filha do presidente da Assembleia da República (juro), acrescentou: “Quero que andem de autocarro sem receio de que um gajo qualquer se encoste a elas para se vir entre uma paragem e outra.”

Embora não penetre (vade retro) um autocarro desde 1989, não me passa pela cabeça duvidar de gente séria. Parece-me evidente que alguma coisa medonha acontece na Carris e similares, cujos veículos estão aparentemente repletos de exibicionistas apreciadores de fellatio e ejaculadores precoces. Não me parece evidente a maneira de as referidas jornalistas chegarem a informação tão detalhada. Sugiro duas hipóteses. A primeira é o recurso a fontes qualificadas: as senhoras nunca entram em autocarros, mas convivem diária e proximamente com depravados que o fazem com propósitos sórdidos e, desculpem o jargão científico, heterobadalhocos. A segunda hipótese é a observação directa: as senhoras frequentam os ditos autocarros e são, elas próprias, alvo dos pervertidos agora denunciados. Em qualquer dos casos, as senhoras deviam rever o rumo das respectivas vidas. Em qualquer dos casos, os poderes políticos deviam actuar com a pressa e o vigor adequados. (…)

Convém mostrar-lhes que não estão sozinhas. De hoje em diante, sentarmo-nos ao volante do nosso carro deixará de ser um simples pormenor quotidiano. Será, sobretudo, um gesto de solidariedade para com as mulheres assediadas e de resistência aos vastos interesses do assédio, desses que se movem na sombra ou debaixo da gabardina. No sossego do Audi ou do Fiat, os únicos tarados – ou, em prol da igualdade, taradas – são aqueles que convidamos. E as únicas vítimas são as que pagam impostos. (…)

José Soeiro, indocumentado crónico

O indocumentado a indocumentar. A foto é de Paulete Matos, propriedade do Esquerda.net.

Bela resposta de Javier Martin, correspondente do El País, à ignorância e má-fé do bloquista sobre a Catalunha.

“ A rejeição e a anulação do estatuto de autonomia da Catalunha, aprovado pelo povo catalão e negociado com Madrid em 2006, foi um poderoso carburante para o sentimento nacionalista ”

Falso. O Estatuto de Autonomia está vigente, não foi anulado. O Tribunal Constitucional anulou alguns artigos que iam contra a Constituição, como acontece em Portugal ou em qualquer país com uma Constituição. Ao contrário, foi a maioria do Parlamento de Catalunha que nos dias 6 e 8 de setembro aprovou leis contra o seu próprio Estatuto.

“ Até ver, o seu gesto autoritário [do governo do PP], que na prática impõe um estado de exceção e suspende direitos fundamentais como a liberdade de expressão e o direito de reunião na Catalunha, só pode atiçar ainda mais o incêndio.”

Pergunto, está o senhor Soeiro em Barcelona ou lê as notícias na internet? Tenho todas as dúvidas. Se o senhor Soeiro for a Barcelona poderá acampar e dormir nos jardins públicos, frente ao Ministério das Finanças ou dos Tribunais de Justiça; também poderá ler jornais independentistas, ouvir rádios independentistas e ver televisões independentistas; e também poderá levar cartazes para dizer qualquer borrada, pode também fazer chichi dentro dos carros da Guardia Civil, como fizeram os manifestantes, e nada aconteceu. Nem uma detenção.

“… o governo de Madrid lançou uma vaga de repressão política, com aintimidação de altos funcionários catalães (acusados dos crimes de desobediência, prevaricação e desvio de fundos, por estarem a organizar um referendo “não autorizado”), a interdição da atividade pública de líderes eleitos e, agora, a apreensão de mais de 10 milhões de boletins de voto, o confisco das urnas e a prisão de altos dirigentes.”

Falso, não foi o Governo, foi um juiz (catalão, aliás). (…)

Não é um tema de votar, como bem sabe o senhor Soeiro. Votam muito em Cuba e em Venezuela. O voto não é garante de democracia e a votação do referendo do dia 1 não é uma votação nem democrática, nem livre, nem legal. (…)

Estamos bem entregues

É por estas e por outras que nunca votei nas “autárquicas”, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Uma destas noites, sonhei que levava a Natalie Portman a jantar fora. Guardo os pormenores comigo. Na noite seguinte, sonhei que, por insondáveis processos, assistia a uma reunião do comité central do Bloco de Esquerda, onde um@ dúzi@ de sujeit@s pessimamente lavad@s escolhia a medida mais “fracturante” e demente a impôr ao parlamento, perdão, ao governo, perdão, ao país. Partilho os pormenores convosco.

— E se, dizia um@, criminalizássemos o uso de bikini na praia, por discriminação das muçulmanas que, no usufruto da sua liberdade, desejam banhar-se tapadas até ao cocuruto?
— Acho pouco, dizia outr@. E se, além disso, obrigássemos toda a gente a vestir “burkini”, a fim de prevenir a desigualdade de género?
— Nem pensar, já que essa atitude pressupõe o género apenas binário, claramente um constrangimento fascista.
— Exacto! Temos de inserir a não-binaridade no debate!
— Claro que sim. Até o Facebook, que é americano, logo fascista, inventariou 56 géneros.

— Significa então que precisamos de estipular 56 vestuários de praia?
— E 56 lavabos nos cafés das imediações?
— No mínimo!
— E com multas pesadas para os recalcitrantes!
— O que quer dizer recalcitrantes?
— Depois vês, mas pergunto-me se fará sentido discutir um tema tão pertinente fora da época balnear.
— Pois, é quase Outubro… Mas então vamos discutir o quê?
— Talvez a mudança de sexo das crianças ou assim…
— Isso, isso. Vamos obrigá-las todas a mudar para o oposto!
— E qual é o oposto de cada um dos 56 géneros?
— É pá, não compliques…
— E se algumas crianças não aceitarem mudar coisa nenhuma?
— É porque são vítimas de uma socialização retrógrada.
— E fascista, não te esqueças.
— Desculpem: e fascista.
— Não levem a mal, mas não há hipóteses de as crianças não quererem mudar de sexo?
— Criança não tem querer!
— E se apenas permitíssemos que as crianças decidissem?
— Só permitir não tem piada…
— E se proibíssemos os pais de opinar a propósito?
— Isso sim, é falar!
— E se os pais que discordarem forem processados?
— Pelos próprios filhos? Espectacular!

— Ficamos então por aqui: os putos transformam-se na Guida Scarlatty aos 16 anos e os paizinhos calam-se.
— E os outros 54 géneros?
— Agora não chateies, pá… Já viste as horas?
— Desculpem. Fui um bocado fascista.
— Pois foste, mas já passou. Não se esqueçam que para a semana vamos debater a legalização do casamento com moluscos.
— Excelente. Quantos géneros têm os moluscos?
— Vai chatear o Camões… Tenho de me despachar para apanhar o miúdo na escola.
— O miúdo não quer mudar de sexo?
— Levava um estaladão…
— Um fascista, é o que tu és.

Direitos dos animais

Cabras aguardam, com alguma impaciência, pelos donos antes de entrarem no restaurante.

Proponho que os animais sejam obrigatórios nas cozinhas e casas de banho dos restaurantes frequentados pelas criaturas do PAN.

Um caso curioso

Bagão Félix apoia Medina, mas está nas listas… do CDS

António Bagão Félix, antigo ministro das Finanças em governos do PSD e do CDS, aceitou o convite de Fernando Medina para fazer parte da Comissão de Honra da sua recandidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas também aceitou o convite para integrar a lista do CDS-PP à Junta de Freguesia das Avenidas Novas.

No país do faz de conta

Quatro notas soltas, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) 2. Raquel Varela, uma “historiadora” que após perder um debate contra uma criança de 16 anos foi naturalmente recrutada para o panteão de pensadores da RTP, explicou que, como a Autoeuropa se limita a montar carros, não produz riqueza. Se a senhora tivesse ao menos um amigo, este haveria de explicar-lhe a estonteante genialidade da sentença. Infelizmente, a prof. dra. arq. Varela não dispõe de vida social, ocupadíssima que está a criar gado, drenar solos, plantar legumes, costurar casacos, cimentar tijolo, inventariar o material necessário para construir automóveis e, em suma, tirar o tapete dos pés da ganância capitalista. Mais uns anos, poderá esfregar na cara desses exploradores um cachecol, dois rabanetes e meia pastilha de travão.

3. Em “entrevista” ao “Diário de Notícias”, o ministro da Defesa afirmou que “no limite, pode não ter havido furto” no caso do furto de armas em Tancos. Primeiro, garantiu-se que o roubo não era o maior da História dos Paióis Arrombados. Depois, esclareceu-se que as armas roubadas não eram caras. De seguida, informou-se que as armas roubadas não funcionavam por aí além. Agora, sugere-se que o roubo não existiu. Não tarda, a nação aprenderá que mesmo a base de Tancos é fictícia, que os “estadistas” que por lá desfilam desde o roubo que não houve são imaginários, que Portugal é um país normal e que tudo isto foi um pesadelo de que acordaremos sem mazelas. (…)

Pela desmercadorização de Boaventura Sousa Santos e do Islamismo

O Professor Doutor Boaventura Sousa Santos, académico de renome internacional, anunciado nas tv’s e na grande maioria da acéfala imprensa portuguesa, gere como poucos o seu quintal, também conhecido como Centro de Estudos Sociais. Autor e patrono de  muitos  disparates, o Homem que sonha desmercadorizar o Universo, sabe-se agora que lucra com os inesgotáveis fundos provenientes da Comissão Europeia especialmente dedicados a projectos ímpares como o Islamic Human Rights Commission.

Se é conhecido o apelo do distinto académico a correntes de pensamento e acção que visam, a título meramente exemplificativo, a destruição física de Israel e do Ocidente tal como foi construído e joga todo o seu prestígio na defesa de uma coisa islâmica intitulada  Islamic Human Rights Commission (com sede no Reino Unido, local propício a infelizes incidentes), ainda consigo ser apanhado de surpresa quando é o Centro de Estudos Sociais a não desmercadorizar-se do vil metal, proveniente da ultra-liberal Comissão Europeia.
Perdoem-me a blasfémia mas por Alá, nem o Professor Doutor Boaventura Sousa Santos nem o Centro de Estudos Sociais parecem conseguir erradicar as necessidades e a ânsia de uma acumulação infinita de riqueza, obtida a qualquer preço, parecendo que se esqueceram de aplicar a si mesmos o que defendem para os outros. Em síntese, a Pacha Mama, não fica bem tratada mas o Islamismo fica bem servido. No final das contas e como bem sabe o Boaventura Sousa Santos, tudo se compra e vende.

Assim se vê a força do pêcê

A salvação dos “media” parece-se imenso com um velório, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Escandalizou muita gente o facto de os alimentos à venda na Festa do “Avante!” não pagarem IVA. Extraordinário. O PCP anda há quase 100 anos a legitimar, a defender e, nos momentos de entusiasmo, a tentar reproduzir alguns dos maiores crimes da História. Mas verdadeiramente indecoroso é o partido fintar um imposto qualquer. É – e a Reductio ad Hitlerum por uma vez vem a propósito – como detestar o nazismo porque as chefias da Gestapo estavam isentas de multas de estacionamento. Imagino a indignação nos cafés ou lá onde é que o povo hoje se enfurece: “É isto que me enerva, pá. Que os gajos aplaudam a chacina de milhões aqui e ali ainda vá. Mas venderem bifanas sem os 13% é de um tipo ir aos arames…” O problema não é o PCP não ter IVA: é não ter vergonha. Nem, já agora, escrutínio.

Guerra às crianças

O meu texto de ontem no Observador.

‘Eu sei, eu sei: os milhões doados para alívio das vítimas de Pedrógão, de que o PS apressadamente se apoderou para distribuir como se fosse a generosa origem do dinheiro, estão em parte incerta; o relatório sobre Pedrógão foi atrasado para depois das eleições autárquicas, que o PS não brinca em serviço nem deixa que 66 mortos lhe atrapalhem pretensões eleitorais; a ministra da Administração Interna pede relatórios atrás de relatórios sobre o que corre mal – no caso, as refeições próprias de alturas de más colheitas na África subsaariana dadas aos bombeiros – como se não lhe coubesse antecipadamente garantir que uma ou outra coisa, pelo menos, corresse bem. E um quilométrico etc.

Mas deixem-me voltar ao caso dos cadernos de atividades que foram retirados por coação do ministro Eduardo-‘frígida’-Cabrita e a sua Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Porque, com a recomendação da CIG, iniciou-se a tentativa de institucionalização daquilo que as crianças do sexo feminino não podem fazer.

Em 1917 as meninas tinham de ser prendadas, não podiam correr como os rapazes nem subir às árvores, tinham de saber bordar e tocar piano, usavam roupas que lhes tolhiam os movimentos, desporto só, com sorte, ténis. Em 2017, as meninas não podem vestir cor de rosa (atenção, um menino transgénero pode vestir cor de rosa para se afirmar menina, mas as miúdas têm de escolher azul ou uma cor neutra), as princesas foram guilhotinadas e joguem futebol feminino faz favor.

Os espartilhos colocados às meninas mudam mas permanecem afiados. Jamais deixar a meninada escolher cores e atividades e brinquedos, com toda a liberdade conforme os gostos, desde o karaté à ginástica rítmica. Melhor negar o direito às miúdas de usufruírem de qualquer divertimento associado ao universo feminino. (Horror! Repitam mantras satânicos para vos proteger desse pavor que são TODOS os comportamentos femininos.)’

O resto está aqui.

Censura no tempo da geringonça

O tempo sem Cavaco, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

A propósito do Grande Escândalo da semana passada, perguntei aos meus botões porque é que os novos censores se ofenderam tanto com os livrinhos “sexistas” da Porto Editora e não se ofendem com milhares de obras literárias de facto, facilmente condenáveis por “sexismo”, “racismo”, “xenofobia” “homofobia” ou qualquer outra calamidade equivalente. Dito de maneira diferente: a que título, em Portugal, os novos censores ignoram as inúmeras “discriminações” em Defoe ou Eliot, Twain ou Nabokov? Sensatos, os meus botões responderam: porque os novos censores nunca leram nada assim, e se leram não perceberam.

Na verdade, os novos censores exibiram vasta incapacidade em perceber os exactos livrinhos da “polémica”, conjuntos de exercícios e passatempos destinados a criancinhas de tenra idade. Conforme Ricardo Araújo Pereira mostrou no Governo Sombra, as edições “para o menino” e “para a menina” são rigorosamente iguais, excepto pelas ilustrações, assinadas por autoras diferentes. No meio das semelhanças, os novos censores lá conseguiram descobrir o rabisco de um labirinto cuja exigência era aparentemente maior na versão masculina do que na feminina. Alguns dos novos censores ainda estão a tentar sair de ambos.

Não estamos apenas no domínio da infantilidade: a coisa já roça a perturbação mental. Ao longo dos séculos, os partidários das repressões raramente se distinguiram pela inteligência. Os novos censores distinguem-se pela assustadora falta dela. Essa deficiência impele-os a farejar bibliotecas de creches, à cata de obras blasfemas para alimentar fogueiras. Ia acrescentar que é melhor isso do que andarem na droga. Mas a droga talvez envergonhe menos. (…)

Mas será amor reiterado à mentira?

Apareceu-me este texto à frente e fiquei indisposta. Dê as voltas que dê, não entendo a razão por que um sacerdote católico escreve um texto cheio de mentiras e aldrabices a propósito de Diana Spencer. É certo que este padre católico escreve com frequência coisas que revolvem as entranhas, mas que decida mentir à conta da Princesa Diana, que morreu há vinte anos, é algo que me escapa. Poderia dar-se o caso de querer reeditar a guerra – de que agora ninguém se lembra e que os mais novos nem deram pela conta – entre os partidários de Diana e os da família real britânica, em prol da causa monárquica. Mas nem isto tem razão de ser. A rainha aprendeu a lição com a morte de Diana, soube ser humilde e perceber que o papel que os súbditos dela esperavam se alterara – é ver por exemplo a reação da Rainha depois do incêndio de Kensington deste verão, ou depois dos atentados terroristas em Londres em 2005 -, está tudo pacificado, o filme A Rainha já mostrou o seu lado, agora até a série The Crown pretende mostrar o lado humano da soberana e os seus dilemas e lhe ganha a simpatia por todo o mundo. Porquê mentir?!

Já é bastante indecoroso ter um sacerdote católico dedicando um artigo quase competo à árvore genealógica de umas tantas pessoas e comparando quem é mais nobre e quem é mais real. Mas para que inventa a história de que alguém alguma vez chamou a Diana ‘princesa do povo’ para fazer crer que ela era plebeia (esse supremo defeito para o articulista)?! Tony Blair chamou a Diana ‘princesa do povo’, e o nome pegou, numa alusão ao enorme amor e fascínio que o povo britânico lhe dedicava, visível na catarse lacrimal coletiva que ocorreu depois de Diana morrer. Nunca ninguém lhe escondeu o título de ‘lady’, nem a ascendência na família Spencer, impossível de camuflar, que deu rebentos (pela derivação dos duques de Malborough, o primeiro chamado John Spencer) tão desconhecidos como aquele discreto primeiro-ministro durante a segunda guerra mundial, Winston SPENCER Chulchill, de quem ninguém em Inglaterra ouviu falar ou recorda.

Também é notório, pelo que vai escrevendo, que o articulista, apesar de padre católico, gostaria de um deus-juiz e não aprecia grandemente a misericórdia. Por isso aproveita para terminar o texto informando que Diana não se portou sempre como a sua posição exigia. Sinceramente, que nojo. Isto perante uma pessoa que já morreu, e que com todos os defeitos que teria (todos temos, e os de Gonçalo Portocarrero de Almada são gritantes), e problemas de saúde vários, tinha um inegável espírito de serviço, grande coragem e – algo que o articulista não percebe – empatia pelo sofrimento alheio. Mostrando o ranço que lhe vai na alma, apesar de declarar que Diana nem sempre se portou como devia, branqueia o comportamento do seu marido, falando na ‘alegada infidelidade conjugal de Carlos’. Bom, Carlos de Gales assumiu numa famosa entrevista televisiva que foi infiel a Diana. Não há nada de alegado nisto.

Enfim, não percebo o objetivo de tanta aldrabice. Mas como dizia Jesus, bem-aventurados os pobres de espírito’.

Trumpices

As trumpices a misturarem-se com o putinismo nada têm de mal. Trump e Putin são apenas dois seres humanos que querem, cada um à sua maneira, fazer render o seu pé de meia. Nesse sentido, todas as ajudas facilitam o são empreendedorismo.

Incapazes e avariadas

Rapsódia em Agosto: meninos, meninas, medricas e outras mariquices, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Rita Ferro Rodrigues, filha do estadista com o mesmo nome (menos o “Rita”), indignou-se com uns livros de passatempos da Porto Editora. A sra. dona Rita, que deve ter imenso tempo livre e não se indigna com as figuras do pai ou com o tratamento que culturas exóticas dispensam à fêmea da espécie ou, sei lá, com um país a arder por incúria criminosa. Por sorte, lá reservou um pedacinho da agenda para achar indecente que os ditos livrinhos sejam orientados “para o menino” e “para a menina”.

De facto, é grave. Quase tão grave quanto, por exemplo, criar um site de opiniões e desabafos cometido exclusivamente por mulheres, onde se publicam textos acriançados sobre assuntos sérios e textos pedantes a propósito de patetices. Nas suas páginas virtuais, o primarismo do pensamento e o péssimo domínio da língua debatem-se para apurar quem leva a pior. Ambos saem vencedores por larga margem. O site “Maria Capaz” parece imaginado por um pervertido elemento do “heteropatriarcado”, a fim de tentar demonstrar que o cérebro feminino médio é vazio como os que se apresentam ali. O curioso é que foi imaginado pela sra. dona. Rita.

Entretanto, por contágio ou coincidência, o processo infantil pelo qual alguns querem reduzir o mundo às pastagens que lhes ocupam o crânio ganhou força. O zelo censório entrou em roda livre, os inquisidores das “redes sociais” exigiram fogueiras, a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género – coisa que rivaliza em utilidade com um Trabant avariado – “recomendou” a censura dos livrinhos e a Porto Editora obedeceu. No que toca ao fim da desigualdade de género, e enquanto não retiram do mercado 99,7% da literatura universal, a actualização gradual do Index Librorum Prohibitorum é um passo importante. Porém, insuficiente: se queremos legar um mundo sem discriminação aos nossos filhos, ainda falta a castração compulsiva destes. Mas já faltou muito mais. (…)

Ideias com passado e com futuro

As perguntas de Fernanda Câncio numa “entrevista” no DN

A entrevistada, uma governante do PS, não tem, presumivelmente, culpa, mas é sintomático que nos dias que correm isto passe por ser uma “entrevista” no DN:

Incapazes indignadas

A Rita Ferro Rodrigues lançou mais uma vibrante campanha contra uns livros de actividades “para menino” e “para menina” da Porto Editora, em que só compra quem quer. Temo que existam questões um tudo nada mais fracturantes importantes que afectam as mulheres como a mutilação genital feminina, uma tragédia normalmente esquecida pelas progressistas de pacotilha a que temos direito.

Leitura recomendada às capazes:80% OF WOMEN IN MUSLIM SECT IN DETROIT CASE HAD FGMWomen in small Muslim sect say they have had FGM in CanadaMUTILATING LITTLE GIRLS IN MICHIGAN’S LITTLE PALESTINE A female genital mutilation horror in the Midwest.