“resistência identitária”

Sugiro o seguinte exercício: substituir “negro” por “branco” nesta narrativa e imaginar quais seriam as reacções…

“Uma ferramenta de resistência identitária” chamada Djidiu

Ao longo de um ano, vários afrodescendentes reuniram-se em Lisboa para dizer poesia e partilhar a experiência de ser negro. A associação Afrolis edita agora algumas dessas vozes em formato de livro. O lançamento é esta terça-feira, no Museu do Aljube.

Anúncios

Tamos fecundados

O péssimo selvagem, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Muitos acharão que, sendo o dr. Costa um indivíduo que usurpa as eleições para alcançar o poder, abre o poder a forças totalitárias, derruba a austeridade através do generoso aumento dos impostos, nacionaliza subtilmente o que se mexe e o que não se mexe também, regulamenta os comportamentos e não tarda a respiração, compra parcelas da sociedade mediante benesses e a devastação do resto, controla os “media” que consegue controlar e censura o que não controla, subtrai à ralé para resgatar compinchas e “elites” e despreza com estranho descaramento tragédias inéditas, o pormenor dos atentados lexicais é só um pormenor, um anexo, um pechisbeque minúsculo e até divertido. Não é. Sem o analfabetismo, acumulado em militância partidária de décadas, seria improvável que alguém cometesse as proezas acima descritas. A espectacular ignorância da criatura é essencial para compreender a criatura e as respectivas acções.

A História, claro, prova que a sabedoria não garante a virtude. Porém, não faltam histórias sobre a facilidade com que a boçalidade extrema propicia a malvadez, e assegura calamidades proporcionais à influência do boçal. O mito do “bom selvagem” é exactamente um mito. Por definição, o selvagem – incluindo aquele a quem se vestiu um fatinho e largou no Rossio às gargalhadas – é manhoso, cruel e incapaz de experimentar empatia. O selvagem torce a realidade até esta se encaixar nos seus pobres delírios. O selvagem confunde delírios com princípios e convicções com apetites. O selvagem é mau. O selvagem é péssimo. Reduzido ao primitivismo, o ser humano dedica-se a uma actividade exclusiva: a sobrevivência, à custa de tudo e de todos. (…)

Trump and the empowerment of women

Trump’s first year in office was the year of the woman

It is a feat so great that President Barack Obama was unable to accomplish it.

President George W. Bush did better than his republican predecessors, but still fell a bit short.

Even President Bill Clinton came under fire from women’s organizations for his shortcomings on delivering a cabinet that “looks like America.”

The unattainable feat?

Hiring an astounding number of women for senior-level positions in the White House.

Luckily for women everywhere, in 2018 it has finally been accomplished.

(…)

Despite impressive hiring practices during his first year in the White House, President Donald Trump has received little to no credit for his choice of women for the most senior positions on his cabinet, as well as the West Wing.

Continue reading “Trump and the empowerment of women”

22:00 no Porto Canal: a nova liderança do PSD e a situação política nacional

Juntamente com Luís Miguel Duarte, da Universidade do Porto, e Salvador Malheiro, director nacional de campanha de Rui Rio, sou um dos participantes do debate “Estado do País” no Porto Canal sobre as implicações da nova liderança do PSD para a situação política nacional que vai para o ar hoje às 22:00.

“Há algo de suicida nesse triste espectáculo”

Globos de Ouro, elites de palha. Por António Pedro Barreiro.

Há algo de suicida nesse triste espectáculo em que os agentes culturais se voltam contra a liberdade de expressão. Sobretudo, quando o fazem com gosto. Porém, é ainda mais macabro que a elite cultural se disponha a atacar as estruturas tradicionais da nossa civilização, vendo-as como arranjos opressivos e desiguais. Tragicamente, não estão sozinhos nesta sanha.

Continue reading ““Há algo de suicida nesse triste espectáculo””

Sobre as directas e a próxima liderança do PSD

Artigo e podcast com comentários meus sobre as directas e a próxima liderança do PSD publicados hoje no Público:

Pode o próximo líder relançar o PSD?

Podcast Poder Público: “Há uma percepção de que estamos perante um líder de transição” no PSD

SNS, pós-austeridade…

Por uma vez, Ordem dos Médicos e Ordem dos Enfermeiros estão de acordo.


Trumpices

 

Proteccionistas de todo o mundo, uni-vos.

Los fabricantes mexicanos de automóviles prosperan debido al libre comercio con el mundo, por  Gary M. Galles

(…) A pesar de la diatriba y grandilocuencia de Trump, en realidad está transitando un sendero trillado de proteccionismo que es más probable que resulte en restricciones mutuamente dañinas que en beneficios mutuos para los estadounidenses y otros. Un comercio más libre, y no las amenazas de castigar a los que no hacen lo que Trump desea, será una manera mucho más eficaz de promover los intereses de los estadounidenses.

Do Irão moderado, com amor

O ensino de inglês nas escolas (primárias públicas e privadas) está proibido no Irão.  O passo seguinte será a proibição do ensino do hebraico?

 Iran has banned the teaching of English in primary schools, a senior education official said, after the country’s Supreme Leader said early learning of the language opened the way to a Western “cultural invasion”.

Trumpices

Quando um presidente condiciona e sonha proibir a edição de um livro, estamos perante o mais liberal (certificado) dos presidentes ou um destacado crítico literário?

RTP 2: um caso sintomático

Audiências em 2017 – Panegírico dos grandes líderes da RTP. Por Eduardo Cintra Torres.

O ano termina com uma ligeira perda de audiência dos quatro canais generalistas, RTP 1 e 2, SIC e TVI. Os canais privados estancaram a queda; a diminuição deve-se apenas à RTP 1 e 2. Os canais do Estado confirmaram a tendência de perda dos últimos anos. A RTP 2 perdeu num ano um quarto dos seus espectadores. Embora seja o segundo mais antigo canal nacional, sustentado pelos impostos dos cidadãos, estes viram-lhe a cara e é hoje, incrivelmente, em audiência, o 12º canal no país. No cabo, estão à sua frente canais de informação, de filmes e séries e até dois canais infantis, quando a própria RTP 2 dedica muitas horas a esse público. É este o remate de quatro anos dos mandatos do Conselho Geral Independente (CGI) e da actual Administração da empresa, anos que reiteram em glória as promessas estratégicas e os amanhãs cantados pelos administradores à imprensa e ao parlamento. O meu conselho ao CGI: renovem-lhes já o mandato, sem abrir concurso.

Trumpices

Steve Bannon numa relação complicada com a família Trump. Ou como costuma dizer o povo, zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Donald Trump’s former chief strategist Steve Bannon has described the Trump Tower meeting between the president’s son and a group of Russians during the 2016 election campaign as “treasonous” and “unpatriotic”, according to an explosive new book seen by the Guardian.

Bannon, speaking to author Michael Wolff, warned that the investigation into alleged collusion with the Kremlin will focus on money laundering and predicted: “They’re going to crack Don Junior like an egg on national TV.”

Fire and Fury: Inside the Trump White House, reportedly based on more than 200 interviews with the president, his inner circle and players in and around the administration, is one of the most eagerly awaited political books of the year. In it, Wolff lifts the lid on a White House lurching from crisis to crisis amid internecine warfare, with even some of Trump’s closest allies expressing contempt for him.

Bannon, who was chief executive of the Trump campaign in its final three months, then White House chief strategist for seven months before returning to the rightwing Breitbart News, is a central figure in the nasty, cutthroat drama, quoted extensively, often in salty language.

 

Nicolau Santos, homem do sistema

Panegírico do comendador Nicolau. Por Eduardo Cintra Torres.

Com 35 anos de jornalismo e muitos de direcção, Santos sabe da poda. É cordato, um democrata e exibe gosto pela cultura. Há anos que reproduz um poema na sua página de opinião no ‘Expresso’. Não gosta, porém, apenas de poesia, aprecia também o aroma do poder. É homem para se ambientar aos que forem, em cada momento, os Donos Disto Tudo. É dos jornalistas que mais bem demonstraram nestas décadas a grandeza de estar próximo dos poderosos. A sua extensa obra jornalística revela esse olhar a sociedade de cima para baixo. Para a apimentar com preocupações sociais, Santos era e é um “homem de esquerda”, nacional virtude santa que retoricamente desinfecta da proximidade com os poderosos e embala os leitores.

Medina ajuda os carenciados III

A começar pelo vice-presidente da capital do país, Duarte Cordeiro omissões. Um bom trabalho de Rui Pedro Antunes, do Observador.

A época da geringoça em resumo

2017, ano saboroso a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Incêndios florestais arrasaram Pedrógão Grande e parte dos concelhos vizinhos. Sempre oportuno, às primeiras notícias o prof. Marcelo assegurou que fora feito tudo o que era possível. O dr. Costa, uma ministra macambúzia e um secretário de Estado disseram coisas ainda mais tranquilizadoras. No final, contaram-se, pelos vistos por baixo, 64 mortos, o 16º pior evento do género na História e o terceiro neste século. Para os poderes públicos, foi igual a nada, ou uma dispensável chatice que os obrigou a trabalhos para apurar quem se queimava (sem trocadilho) menos com o assunto. Pouco dado a trabalhar, o dr. Costa partiu para a praia. (…)

Medina ajuda os carenciados II

CML, uma amiga dos seus amigos. Porreiro, pá!

Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

(…) Os aumentos nas avenças em causa são significativos e foram atribuídos a assessores com ligações ao PS. Catarina Gamboa, ex-dirigente da JS e mulher do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, teve um aumento de mais de 2 mil euros no atual mandato e viu a sua remuneração subir para 4.615,57 euros ilíquidos mensais. O mesmo aconteceu com o filho do blogger que assinava como “Miguel Abrantes” no blogue Câmara Corporativa, que o Ministério Público acredita ter recebido verbas de José Sócrates dirigidas ao pai para defender o antigo governante socialista: António Mega Peixoto teve um aumento da avença de 2.135,39 euros para 3.468,04 euros mensais. O mesmo aconteceu com o vice-presidente da Federação do PS de Aveiro, Pedro Vaz — número dois de Pedro Nuno Santos nesta estrutura — que teve um aumento de 2.899,11 euros, para 4.615,57 euros.

Olhando para as 34 nomeações de gabinetes de vereadores eleitos nas listas PS publicadas até agora no site Base.gov, houve 30 reconduções de membros que já estavam na autarquia no anterior mandato. Em 26 desses 30 casos houve aumentos das avenças. (…)

Notícias do moderado Irão

Falta “pernil” no Irão.

 

A biografia de Oriana Fallaci

How Oriana Fallaci’s Writings on Islamism Are Remembered—and Reviled

The first authorized biography of a controversial Italian reporter sheds a new light on her legacy.

Leitura complementar: “Brava, la Fallaci. Brava”.

Portugal ordinário

O Estado, essa doença comum, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) E é uma história edificante. Aos poucos, Paula Costa trocou o pretexto declarado da associação por objectivos não declaráveis: melhorar os níveis de conforto das pessoas envolvidas, naturalmente a começar por ela própria. Principiou pelo essencial, leia-se mudar o nome, a que acrescentou o “Brito” e o “e”. E continuou a fazer o que os simples imaginam que as classes sofisticadas fazem: ser arrogante para com os funcionários, passear-se em carro alemão, vestir roupas de marca, viajar a “trabalho”, frequentar “ilustres”, chafurdar no PS, etc., tudo alimentado pelo dinheiro despejado na Raríssimas. Tudo, ou quase tudo, alimentado pelo Estado. A história de Paula Brito von Costa é, em larga medida, a história do Portugal contemporâneo. (…)

Fora do manicómio em que saltita boa parte da “opinião”, o problema da Raríssimas não é ser “particular” na designação, nos estatutos e na teoria: é não ser particular na prática. Os truques de Paula Brito de la Costa, apenas condenáveis pela origem dos financiamentos, não diferem dos praticados ou invejados por milhões dos nossos queridos conterrâneos. Num lugar em que o Estado asfixia o que pode, muitos acham o exercício erótico e, no lado certo, lucrativo. Fora da esfera pública, sobra pouco. Nove em dez portugueses (estimativa baixa) dedicam os respectivos expedientes, e horas extra, a catar o patrocínio dos portugueses em redor. Uns vão directamente à fonte e alistam-se na política e adjacências. Outros preferem simular independência empresarial. Os terceiros, nem de propósito, ficam-se pelo “terceiro sector”, o da “solidariedade social” e de Paula Brito van der Costa. Descontadas as excepções da praxe, todos querem o mesmo. Em geral, conseguem-no. Em geral, até ao dia em que o golpe se torna público, um raríssimo momento em que os portugueses respeitam o que é privado. (…)

 

 

O caso Raríssimas e o Estado (2)

O país pequenino onde uma mão lava a outra. Por José Manuel Fernandes.

A Raríssimas não é raríssima. Pior: se virmos como desde o topo do Governo a um pouco por todo o Estado há demasiados amigos e familiares, percebe-se que o exemplo até vem de cima. E ninguém estranha.

O caso Raríssimas e o Estado

Raríssimas: o Estado é parte do problema. Por Rui Ramos.

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.

Uma argumentação raríssima…

João Galamba e o caso Raríssimas: “Há uma falha aqui, que é dos denunciadores à TVI”

Paula Brito e Costa: “Sinto-me muito magoada com o meu país”

Raríssimas e Manuel Delgado (2)

Raríssimas e Vieira da Silva

Vieira da Silva foi vice-presidente da Assembleia Geral da Raríssimas

Raríssimas: Ministro Vieira da Silva conhecia irregularidades desde outubro

Raríssimas. Vieira da Silva já tinha sido alertado em outubro

US Presidents saying Israel’s capital is Jerusalem

Presidents saying Israel’s capital is Jerusalem

Continue reading “US Presidents saying Israel’s capital is Jerusalem”

Governance Portuguese style

Uma excelente e muito pertinente reflexão do Nuno Garoupa, aplicável ao Estado, a múltiplos sectores de actividade, a IPSS’s e a fundações públicas e privadas: Para que servem os Conselhos Fiscais, os administradores não executivos e os curadores em Portugal?

Raríssimas e Manuel Delgado

Presidente da Raríssimas acusada de usar subsídios públicos para fazer vida de luxo

A TVI emitiu uma reportagem onde é demonstrado como a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais, pode ter recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais. Surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação recebendo 3 mil euros por mês, e a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que viajou até à Noruega paga pela Associação.

Raríssimas. Secretário de Estado da Saúde diz que “nunca colaborou em decisões de financiamento”

Deputada diz que Raríssimas lhe pagou viagem à Suécia, mas que despesas foram reembolsadas

Página de Facebook da Raríssimas inundada de comentários e avaliações negativas

Jerusalém, capital de Israel

Sem dramas.

E uma derrota para os dirigentes das facções palestinianas que usam a violência como modo de ser e estar.

(…) The leaders of Hamas and other Palestinian groups use violence as a deliberate tactic to get their way. If policy-makers allow this tactic to deter them from doing the right thing, it will only incentivize the opponents of a peaceful resolution of the conflict to threaten and employ violence every time they do not get what they want. Violence should be responded to by police and military action, not by giving in to the unreasonable demands of those who use violence as a tactic. (…)

 

 

 

Prosperidade socialista e apatia generalizada

A ignorância é uma bênção, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

Há dias, o primeiro-ministro lembrou: “O maior défice que temos não é o défice das finanças, é o que acumulamos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de preparação”. Tipicamente, e decerto a título exemplificativo, o homem tropeçou nos conceitos e a frase não faz sentido nenhum (um défice de desconhecimento é mau?). Ainda assim, percebeu-se a ideia, que além de um impiedoso retrato dos senhores que governam, é igualmente um retrato fiel de boa parte dos governados. Não é fácil cometer um erro, insistir em errar e não aprender um bocadinho no processo. Sofrer a hecatombe socialista, pagar pelas respectivas consequências e voltar a abraçar as causas do desastre com a inocência e a esperança iniciais não está ao alcance de qualquer sociedade. Talvez seja necessária uma extraordinária abundância de primitivismo, ou infantilidade, ou estupidez, se preferirem a ofensa.

E há pior. Num país não propenso a confundir-se com um jardim-escola, a reacção natural dos eleitores ao colapso engendrado pelo PS seria escorraçar a seita em definitivo, simbólica ou literalmente. Aqui, pelo contrário, o PS floresce nas sondagens, o CDS é liderado por uma aprendiza do marxismo e o PSD “reforma-se” com entulho de modo a competir em votos com a toleima em curso. Por pudor, não menciono o quinto da população que orgulhosamente escolhe os herdeiros de Lenine e sonha com a felicidade venezuelana. De um lado, há milhões de cidadãos encantados com o saque dos seus impostos para alimentar a pândega (eles chamam-lhe “consciência social”). Do outro, um deserto povoado por meia dúzia de excêntricos. O povo – equívoca palavra – não só tolera a desgraça: exige-a.

António Costa, o esquerdista bem sucedido (até ver)

António Costa foi escolhido pelo jornal Politico como uma das 28 personalidades mais influentes da Europa na actualidade, surgindo na 9ª posição. O texto sobre o primeiro-ministro português incorpora um breve comentário meu e pode ser lido na íntegra aqui.

“If there is one thing all commentators agree on, it’s António Costa’s political savvy,” says André Azevedo Alves, a political expert at Lisbon’s Catholic University and St. Mary’s University in London. “There’s near unanimity on his political skills.”

Next year, Costa will have to continue his economic balancing act, face down a new opposition leader and deploy his political skills to manage a tricky relationship with the two far-left parties that prop up his minority government.