“o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus”

As palavras que nunca te direi. Por Michael Seufert.

Já afastado do dia-a-dia da liderança do país que tanto lhe deve, não deixou de estar no coração do seu povo, que tanto chora a sua morte, e que continuava a acreditar na sua liderança e na sua entrega abnegada. A sua morte,após invulgar resistência contra a doença, abre caminhos para novas reformas no regime e a melhoria de relações com o exterior, o que se saúda. O seu povo, enlutado, não o esquecerá e certamente se daqui a 40 anos a televisão quiser fazer a retrospectiva da sua vida o seu povo o elegerá como o maior de entre os seus, muito na frente daqueles que, derrotados pela história, lhe fizeram frente.

Vergonha em tons multiculturais IV

Foi condenada a  rede que abusou de crianças em Rotherham.

Ringleader of Rotherham child sexual abuse gang jailed for 35 years

Judge praises ‘immeasurable courage’ of victims as three brothers are jailed for between 19 and 35 years for leading exploitation of girls

Leitura complementar: Leituras recomendadas, Vergonha em tons multiculturaisVergonha em tons multiculturais IIVergonha em tons multiculturais III e Rotherham, socialismo e multiculturalismo.

Fidel Castro e as ditaduras fofinhas

O meu texto de hoje no Observador.

‘As reações dos políticos foram igualmente repugnantes. Do PCP veio o gozo descarado costumeiro. Jorge Sampaio, essa insignificância política de que não rezaria a história se um dia Cavaco não tivesse perdido umas eleições, deu um testemunho (e porquê, Deus meu, alguém se lembra de pedir um testemunho a Jorge Sampaio?) onde aplaudiu a simpatia do hirsuto Castro, entre outras qualidades adoráveis. Do atual Presidente, que há pouco tempo se fez fotografar sorridente ao lado do tirano, também nada de tragável veio.

Mas o pior chegou na forma dos votos de pesar que o parlamento aprovou pela morte da criatura. E se do PS extremista se espera todos os enlevos com as ditaduras comunistas, já não se perdoa que o PSD tenha escolhido abster-se nesta votação. É por estas e por outras que a suposta direita parlamentar merece todas as geringonças que a atropelem: os eleitores não respeitam quem não se dá ao respeito.

Enfim. Para terminar com uma nota de humor, depois das entranhas revolvidas com as reações portuguesas à morte de um carrasco das Caraíbas, podemos pelo menos reconhecer que ninguém por cá foi tão ridículo como Trudeau – deu azo a uma das hashtags mais divertidas dos últimos tempos –, que produziu um tributo a Fidel Castro que até a canadiana CBC chamou de ‘deliberadamente obtuso’. Parece que Fidel amava de amor profundo o povo cubano (matou e prendeu uns tantos, mas o que interessa isso?) e criou um maravilhoso mundo com boa saúde e educação.

O que é verdade. Quem não aprecia um destino de turismo sexual com oferta de gente muito escolarizada a prostituir-se? Também me lembro do filme Guantanamera, dos idos dos anos 90, onde uma professora universitária e um seu antigo aluno referiam áreas do saber cubanas, utilíssimas em qualquer curso superior, da estirpe de ‘marxismo dialético’ ou ‘socialismo aplicado’. Quem não saliva pela oportunidade de estudar isto?’

O texto com princípio, meio e fim está aqui.

Era um humano

Foto: Kevin Stankiewicz | Oller Reporter
Foto: Kevin Stankiewicz | Oller Reporter

A criatura que não dominou o carro e que experimentou uma faca de talhante noutras criaturas, frequentou um ATL virado para o sucesso.

Vale a pena ler uma pequena mas emotiva entrevista ao humano Abdul Razak Ali Artan.

(…) “I just transferred from Columbus State. We had prayer rooms, like actual rooms where we could go pray because we Muslims have to pray five times a day.

“There’s Fajr, which is early in the morning, at dawn. Then Zuhr during the daytime, then Asr in the evening, like right about now. And then Maghrib, which is like right at sunset and then Isha at night. I wanted to pray Asr. I mean, I’m new here. This is my first day. This place is huge, and I don’t even know where to pray.

“I wanted to pray in the open, but I was scared with everything going on in the media. I’m a Muslim, it’s not what the media portrays me to be. If people look at me, a Muslim praying, I don’t know what they’re going to think, what’s going to happen. But, I don’t blame them. It’s the media that put that picture in their heads so they’re just going to have it and it, it’s going to make them feel uncomfortable. I was kind of scared right now. But I just did it. I relied on God. I went over to the corner and just prayed.”

Leitura dominical

Um sucesso com precedentes, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) O prof. Marcelo, especialista em selfies e obituários, chamou a Fidel Castro uma personalidade “marcante”, “cujo peso na história não se pode negar”. De facto, a criatura marcou sobretudo as suas incontáveis vítimas, executadas, torturadas ou, nos dias em que acordava bem-disposto, apenas presas por delito de opinião. E não serei eu a negar o tal “peso” de Fidel na história, a par de figuras estimáveis como Estaline, Hitler, Mao, Pol Pot, os ditadores argentinos e, numa escala modesta mas comparável na barba, o estrangulador Landru. Por sorte, dele e nossa por osmose, o prof. Marcelo ainda foi a tempo de conhecer o Carniceiro, perdão, o Comandante de Havana. Temos, em suma, um presidente esclarecido. Já os americanos terão o sr. Trump, que considerou Fidel um “ditador brutal”. Tamanha ignorância assusta.

Trump e a esquerda

Qual é o problema da esquerda com Trump? Por Rui Ramos.

Qual é, afinal, o problema das esquerdas com Trump? Trump propôs-se rasgar tratados de comércio, reduzir compromissos militares, aumentar o défice. Não é isso, num mesmo patamar de demagogia, que desejam os inimigos do “neoliberalismo” e da “austeridade”? Muitos eleitores da esquerda americana não viram onde estava o problema, e votaram Trump. São racistas, diz-se agora. Mas em 2008, quando elegeram Obama, também foram racistas?

25 de Novembro de 2016 na Venezuela

venezuelasocialismo

Hungry Venezuelans Flee in Boats to Escape Economic Collapse, por Nicholas Casey (texto) e Meridith Kohut (fotografias).

(…) “I’m leaving with nothing. But I have to do this. Otherwise, we will just die here hungry.” (…)

Espera-se, a todo o momento,  que o governo revolucionário venezuelano coloque em marcha um conjunto de medidas mágicas que resolverá de vez a escassez de bens essenciais e que potenciará os bons resultados do modelo socialista.

 

Trump and higher education

Higher education is awash with hysteria. That might have helped elect Trump. Por George Will.

Many undergraduates, their fawn-like eyes wide with astonishment, are wondering: Why didn’t the dean of students prevent the election from disrupting the serenity to which my school has taught me that I am entitled? Campuses create “safe spaces” where students can shelter from discombobulating thoughts and receive spiritual balm for the trauma of microaggressions. Yet the presidential election came without trigger warnings? (…) Academia should consider how it contributed to, and reflects Americans’ judgments pertinent to, Donald Trump’s election. The compound of childishness and condescension radiating from campuses is a reminder to normal Americans of the decay of protected classes — in this case, tenured faculty and cosseted students. (…) Institutions of supposedly higher education are awash with hysteria, authoritarianism, obscurantism, philistinism and charlatanry. Which must have something to do with the tone and substance of the presidential election, which took the nation’s temperature.

Polícia chavista em grande plano

Pela captura e exibição do inimigo número 1 da Venezuela, apanhado na posse de cinco abóboras ogivas nucleares, com as quais pretendia destruir o caminho de glória do socialismo.

venezuela

Os foguetes e a dura realidade

Estamos tão afogados em boas notícias que nem notamos que estamos… afogados. Por José Manuel Fernandes.

(…) a dura verdade é que estes números permitem que o crescimento fique, muito provavelmente, pelos 1,2% da mais recente previsão do Governo, ou seja, metade do que o PS prometera no seu programa eleitoral e um terço menos do que estava inscrito no Orçamento do Estado, que já fora revisto em baixa. Mais: 1,2% ou mesmo 1,3% de crescimento em 2016 compararão sempre com os 1,6% de 2015. Deitar foguetes quando se falha tão estrondosamente os objectivos não deixa de ser paradoxal. Como paradoxal é o quase silêncio com que este falhanço tem sido recebido pelos que no passado fustigavam qualquer desvio de 0,1% nas previsões económicas.

A melhor arma contra a diabetes é o socialismo (2)

A minha vizinha anda a acumular um proto-fascismo que põe em risco o elevador. Por Vitor Cunha.

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Sim, podemos

Foto: EFE
Foto: EFE

La gran incoherencia de Podemos: hijos de la ‘casta’, especuladores y millonarios

Los líderes de la extrema izquierda española son comunistas, pero su ideología no se corresponde con la dolce vita de la que disfrutan. (…)

La moraleja de todo esto es clara: vive como tú quieras y deja que los demás vivan como tú quieras también. Y, sobre todo, haz lo que yo diga, no lo que yo haga.

Leitura dominical

Os serviçais públicos, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Não é por conselho do meu médico de família, o qual aliás desconheço, que em geral não vejo “informação” política nas televisões. Nessa matéria, confesso automedicar-me para evitar fenómenos precoces de degeneração mental. No outro dia, furei o boicote e imprudentemente apanhei com cinco minutos de um “debate”. Moderado por José Adelino Faria, incluía o deputado ou ex-deputado do PSD José Eduardo Martins, o grande historiador e grande ex-promessa do trotskismo Rui Tavares e um mocito chamado Adão não sei quê.

A certa altura, o moderador pede ao mocito que compare o famoso populismo do sr. Trump com o menos famoso populismo do Podemos, do Syriza e do Bloco de Esquerda. O mocito recusa compará–los, sob o argumento – cito de cor – de que, ao contrário dos partidos nomeados, o sr. Trump é anti-semita, e isso, principalmente isso, o mocito não admite. Aliás, o mocito adverte que desde a eleição americana, e só desde então, o anti-semitismo regressou em força à Terra.

Não sei se o mocito sofre de percepção limitada (é burro), pseudologia fantástica (é aldrabão) ou pratica uma modalidade alternativa de comédia (é génio). O facto é que, mesmo num meio em que a mentira descabelada é língua franca, não me lembro, nem sequer nas intervenções do dr. Louçã, de alguém se aliviar de tantos e tão desmesurados delírios em tão pouco tempo. É verdade que Adelino Faria e Eduardo Martins tentaram, sem demasiada convicção, desmentir a enxurrada de asneiras. O mocito permaneceu imperturbável. Os idiotas têm essa vantagem. Ou os charlatães encartados. Ou os génios.

Não adianta, pois, dizer ao mocito que o sr. Trump, que será imensas coisas desagradáveis e possivelmente perigosas, não é, que se saiba, anti-semita, apesar de ter sido apoiado por gente que o é (há uma diferença). Ou esclarecer o mocito de que a filha, o genro e alguns dos principais conselheiros do sr. Trump são judeus. Ou elucidar o mocito sobre a promessa do sr. Trump de mudar a embaixada americana para Jerusalém. Ou lembrar ao mocito o júbilo do primeiro-ministro israelita ao congratular o sr. Trump pela vitória.

E ainda que o sr. Trump fosse anti-semita, de que modo sairia desqualificado da comparação com o Syriza, que além de coligado com um partido neonazi possui dirigentes que acusam os judeus de incendiarem – metaforicamente, espero – a Grécia com os candelabros do Hanukkah? E da comparação com o Podemos, cujos sobas envergam lenços palestinianos, veneram o Hamas e, na melhor tradição de Goebbels, “desvendam” os “interesses” judaicos “ocultos” nos filmes da Disney? E da comparação com o BE, rival dos comparsas acima em matéria de “anti-sionismo”, a versão “correcta” do anti-semitismo de sempre?

Como o mocito ignora ou finge ignorar isto, não vale a pena informá-lo de que o anti-semitismo não voltou ao Ocidente na semana passada: é há muito dominante nos votos da ONU, nos boicotes de universidades e nas estatísticas dos crimes de ódio. Também não vale a pena aguardar que o poder, qualquer poder, ganhe vergonha e feche uma RTP hoje quase totalmente ocupada por funcionários da propaganda oficial: o mocito é apenas um entre inúmeros moços de recados. Mas quando orgulhosa e descaradamente referem o célebre “serviço público”, podiam explicitar o “público” que servem. Pensando melhor, não é preciso: já fazemos uma ideia.

Nem para a Palestina são bons

Os intolerantes mostram que o terror de Arafat & co. está vivo e de boa saúde.

Restaurante de José Avillez no Porto vandalizado por movimento pró-palestiniano

O restaurante Cantinho do Avillez foi vandalizado na sexta-feira. Na origem do ataque estará o movimento pró-palestiniano BDS. Avillez esteve recentemente num festival gastronómico em Israel.

Episódio de uma teocracia exemplar

cool

As leis são para cumprir na terra dos Ayatollahs. Yaser Mosibzadeh, Saheb Fadayee e Mohammed Reza Omidi estiveram presos por ofensas às leis da religião da pás. Saíram da prisão após o pagamento da fiança, detalhe que não impede a execução do resto da sentença – 80 chicotadas, em espectáculo público.

Ninguém os manda converter ao cristianismo, blasfemar nem beber o vinho da Comunhão no Irão moderado.

Episódio de uma democracia popular

A face visível do comunismo, versão chinesa.

Nacionalizado ao Romeu Monteiro.

Steve Bannon sobre cristianismo e capitalismo

How Donald Trump’s chief strategist thinks about capitalism and Christianity

Soon after winning the election, President-elect Donald Trump created waves of controversy by naming Steve Bannon, his former campaign CEO, as chief strategist and Senior Counselor in the new administration.

Yet while Bannon’s harsh and opportunistic brand of political combat and questionable role as a catalyst for the alt-right are well-documented and rightly critiqued, his personal worldview is a bit more blurry. Much has been written of Bannon’s self-described “Leninist” political sensibilities and his quest to tear down the GOP establishment, but at the level of more detailed political philosophy (or theology), what does the man actually believe?

Offering a robust answer to that question, BuzzFeed recently unearthed a transcript from an extensive Skype interview Bannon gave to a conference held inside the Vatican in 2014. Though the topics range from ISIL to Russia to the racial tensions within the conservative movement, Bannon spends the bulk of his initial remarks on the intersection of economics and Christianity, offering what’s perhaps the most detailed insight to Bannon’s own thinking that I’ve found.

Given the growing mystery of the man and his newfound position of influence in the next administration, it’s well worth reviewing his views on the matter.

Nojo

Violadores de crianças, casai-vos com as vítimas. Assunto arrumado.

Turkey’s governing party has sparked an outcry after putting forward a bill that would pardon up to 3,000 child rapists if the perpetrator married his victim.

Critics have warned that such a law would encourage sexual abuse, while the government has defended the bill as an attempt to deal with legal complications arising from child marriage.

The controversial proposal would apply to statutory rape cases without use of “force, threat, or any other restriction on consent” involving girls aged 15 or younger.

Men convicted in such cases between 2005, when a similar law was abolished, and Nov 16 this year would be eligible to have their sentences “deferred” if they married their victims.

In case of a divorce that is the “fault of the perpetrator”, the sentence would once again come into effect.

The bill — which was brought forward by President Recep Tayyip Erdogan’s conservative AKP — was approved on Thursday night, but did not reach the number of votes required for it to be passed into law. Parliament will vote on the proposal again on Tuesday.  (…)

A esquerda progressista e a proibição de jornais nas Universidades

Trigger warning: students vote to ban ‘offensive’ newspapers at journalism school

Although journalism is a competitive field, students at City University — which boasts one of the country’s top journalism departments — have today taken action to narrow the field further. Students have voted for a campus ban on the Sun, Daily Mail and Daily Express. Why? The student union has deemed the views expressed by these popular papers unacceptable — claiming their editorial lines fuel ‘fascism, racial tension and hatred in society’.

Sobre o alarmismo anti-Trump

Casa Branca 2016: Afinal, o “sistema” não estava “viciado”. Por João Carlos Espada.

Não há por isso, em meu entender, motivo para todo este alarme que vai por aí.

Em primeiro lugar, não vejo motivo para auto-críticas do chamado “establishment” que era contra Trump: o facto de alguém ganhar eleições não implica que todos os derrotados passem a concordar com ele. Apenas têm de aceitar a derrota e… continuar a criticá-lo, se acharem que ele merece ser criticado. Só nas ditaduras é que a vitória de um candidato implica a unanimidade nacional em torno do vencedor.

Pelo mesmo motivo, em segundo lugar, são descabidos os ataques ao presidente eleito que o descrevem como fascista e que anunciam a iminente conversão da América ao fascismo.

Esses ataques com efeito fazem recordar os ataques que as esquerdas americana e europeia lançaram contra Ronald Reagan, em 1980. Também nessa altura foi dito que o presidente eleito era ignorante, populista e até mesmo fascista. Reagan provou ser um grande presidente. E, com Margaret Thatcher, derrubou pacificamente o comunismo, promovendo uma ordem mundial fundada no comércio livre e inspirada pelo ideal democrático.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler (2)

Uma ajuda imprescindível para compreender o “debate” na generalidade da comunicação social portuguesa (e não só!…).

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Every Republican Presidential Candidate Is Hitler

McGovern had set a record for comparing Nixon to Hitler, which made him very popular with the left, but he hadn’t originated it. Comparing any Republican presidential candidate to Hitler had been a standard Democratic political tactic for some time no matter how inappropriate it might be.

Before McGovern was comparing Nixon to Hitler, he was comparing Barry Goldwater to Hitler. Goldwater had a Jewish father and a distaste for Socialism, which would have made him unwelcome in the ranks of the racially and politically pure National Socialists, but that didn’t stop the Hitler accusations from being hurled by the Democratic party and its political allies in the press.

Governor Pat Brown of California said, “Goldwater’s acceptance speech had the stench of fascism. All we needed to hear was Heil Hitler.” Mayor Jack Shelley of San Francisco claimed that Goldwater strategists got all their ideas from Mein Kampf.

Even though Goldwater had been an early NAACP member, NAACP leader Roy Wilkins warned, “Those who say that the doctrine of ultra-conservatism offers no menace should remember that a man come out of the beer halls of Munich and rallied the forces of rightism in Germany. All the same elements are there in San Francisco now.”

Leitura complementar: If everyone is Hitler, then no one is Hitler.

If everyone is Hitler, then no one is Hitler

Seguindo uma tradição com décadas na esquerda, o novo Presidente dos EUA já foi oficialmente declarado como o “novo Hitler”. Como em todos os casos passados, quem se atreva a colocar em dúvida a nova verdade oficial chamando a atenção para factos e argumentos só pode ser, naturalmente, um fascista.

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(via Daniel Hannan)

Black Trump supporters

Black Trump supporters called ‘racist’, ‘Uncle Tom’ speak out. A call for unity.

Trump: compreender o “impossível”

Leitura complementar: Trump: o bom, o mau e o incerto; Os deploráveis elegeram Trump; O caminho para a vitória de Trump.

Leitura dominical

A vitória de Trump explicada às criancinhas, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…)  8. A propósito de Portugal, cá como lá os canais televisivos colocaram criaturas que não perceberam nada do que se passou até às eleições para nos elucidarem acerca do que se vai passar a seguir. E todas continuam a não entender que cada uma, à sua microscópica escala, simboliza exactamente a cegueira e a arrogância que alimentaram o sucesso de Trump.

9. Fervorosos apoiantes do governo português, um bando de oportunistas a reboque de leninistas, guevaristas e estalinistas, alertaram repetidamente e sem se rir para as mentiras e a demagogia de Trump. É preciso cuidado com quem manda na América; aqui, qualquer porcaria serve.

10. O inquilino da Câmara de Lisboa, que ninguém elegeu, mandou pendurar pela cidade uns cartazes alusivos à vitória do presidente eleito dos EUA. Se calhar, a coisa pretendia ter graça. Como os cartazes estão escritos num inglês pior do que o dosrednecks de Trump e tão mau quanto o português do antecessor na autarquia, a coisa tem graça.

11. A SIC convidou uma psicóloga para ensinar a explicar a vitória de Trump às criancinhas (a julgar pela sensatez das análises, a vitória de Trump tem sido até aqui explicada pelas próprias criancinhas). A Visão publicou um editorial intitulado “Merda, merda, merda.” O popular fundador, líder e membro do falecido partido Livre convocou um colóquio destinado a combater o trumpismo (?). Aparentemente, o combate faz-se pela comédia involuntária.

12. O facto de haver tantos comentadores, politólogos e analistas a garantirem que Trump é mau não garante que Trump seja bom. O homem é avesso a Washington e à globalização e à Europa e à NATO. O homem privilegia o “investimento” público e a “criação” de emprego. O homem entende-se com Putin. De repente, Trump confunde-se com um esquerdista comum. Porém, dado que irrita esquerdistas, é possível que tenha alguma virtude.

13. Simplificando imenso, Trump ganhou porque prestou, ou fingiu prestar, atenção à parte da população que só não é desprezada quando a usam para protagonizar momentos de chacota. Às vezes, as pessoas cansam-se.

14. Trump não foi o primeiro não político a chegar à Casa Branca, mas foi o primeiro não político que não precisou de ganhar uma guerra civil ou mundial para o conseguir. Sob certo ponto de vista, trata-se de uma proeza. Quanto ao resto, convém esperar para ver. A beatificação de Obama acabou por ser precoce. Talvez a demonização de Trump também o seja. É questão de fé: tenho pouca em Trump, e nenhuma na lucidez dos analistas.