As contas da associação Capazes (2)

Desmentida fiscalização às contas da associação Capazes

O programa que atribuiu mais de 73 mil euros à associação de Rita Ferro Rodrigues garantiu que não existe uma investigação às contas da Capazes. Trata-se de uma “verificação administrativa” regular.

Anúncios

O problema da imigração

Quem inventou o problema da imigração? Por Rui Ramos.

Parece que é agora moda entre os bem pensantes dizer que não há um problema de imigração, que é tudo uma invenção daqueles políticos que não são bem pensantes, como Donald Trump, que, para se divertir, separa os filhos dos pais. Falemos portanto de quem inventou o problema.

Dizer que a imigração este ano está abaixo do pico de 2015 e que por isso não tem qualquer significado — é uma manipulação estatística grosseira. A migração legal e sobretudo ilegal para o Ocidente cresce desde a década de 1990, e não por acaso. Cresce, como é óbvio, devido ao desnível entre o Ocidente e algumas regiões próximas que não têm conseguido participar na globalização a não ser através da circulação de pessoas. Mas cresce também por causa dos cálculos e cinismos das elites ocidentais, em que uns estão tentados a resolver o recuo demográfico através da importação de mão de obra barata, e outros andam fascinados pela transformação dos migrantes em blocos eleitorais cativos (como a esquerda americana, esperançada com a expansão do “voto latino”). Sim, o problema da imigração foi criado pelos políticos, mas por políticos do “sistema” como Angela Merkel, que ao tentar fazer do descontrolo migratório uma prova de virtude provocou uma enchente em que demasiada gente se arriscou e morreu.

The media kinda forgot to cover this story under Obama (2)

The media kinda forgot to cover this story under Obama

Que a próxima seja Guantanamo

Jordan Peterson vs. “Social Justice Warriors”

Stossel: Jordan Peterson vs. “Social Justice Warriors”

Photo of ‘immigrant child’ in a cage

The truth behind this photo of an ‘immigrant child’ crying inside a cage

A photo of a little boy crying in a cage is being shared on social media as seemingly another heart-rending byproduct of the White House’s “zero tolerance” immigration policy, which separates undocumented parents and kids at the border.

There’s only one problem: The picture is being completely taken out of context — and does not show what it is purported to show.

Continue reading “Photo of ‘immigrant child’ in a cage”

Programa do acampamento de Verão do Bloco de Esquerda

Alguns destaques:

– Boicote a Israel e celebração da Palestina
– Desconstrução da masculinidade tóxica
– A propriedade é roubo: socialização dos meios de produção
– Direito à boémia: necessidade de vida noturna para produção e radicalização cultural

(via Cristina Miranda)

Words give the means to meaning

A propósito desta notícia.

Numa das minhas encarnações, a de militar, houve uma altura que durante o fim de semana fazia um cartoon, a que chamava “Nota de Culpa”, a gozar com alguém, segunda feira afixava-o na Messe de Oficiais do Regimento e por lá ficava durante uma semana. Não deve haver nenhuma instituição com uma hierarquia mais rígida e respeitada que as Forças Armadas. Invariavelmente os cartoons gozavam com algo que um superior hierárquico meu tivesse feito na semana anterior. Nunca nenhum achou mal ou mandou retirar o cartoon, pelo contrário, cheguei a ouvir de mais que um, superiores meus, porque raio nunca eram visados. Acabavam por ser, deixavam ficar a “Nota de Culpa” afixada durante uma semana e na seguinte pediam-me se podiam ficar com ela. Até o Comandante do Regimento lá esteve e divertiu-se. Quase todos os alvos dos cartoons os levaram para casa. Ninguém se importava de ser gozado, achavam piada (só houve um Oficial que nunca me atrevi a gozar, sabia que ele ia levar a mal, mas enfim há de tudo) e nunca nenhum ficou incomodado.

Há uns 10 a 12 anos fiz uns cartoons que fui publicando neste blogue. Na altura criei o personagem “Doh!” a gozar com o Daniel Oliveira e confesso que alguns (poucos) tinham piada e quanto mais violentos fossem para o visado mais piada tinham. Um dia tive meia surpresa: o próprio republicou um ou dois desses cartoons no blogue dele (na altura o Arrastão) e escreveu sobre o assunto em termos elogiosos e divertido. Continue reading “Words give the means to meaning”

Catarina Martins e as Descobertas

“Não matem os velhinhos”

A resposta de Vera Guedes de Sousa, autora do cartaz “Por favor não matem os velhinhos”:

Maio de 68

Maio de 68: um nada que gerou alguma coisa. Por Miguel Morgado.

Muita apologia da originalidade e da espontaneidade, mas dos lugares-comuns do marxismo ninguém estava disposto a prescindir, e isso colocava limites ao que se podia dizer sobre a economia e a sociedade. Em grande medida, a sujeição intelectual ao marxismo que ainda persistia em 68 circunscreveu as possibilidades do movimento dos estudantes. Havia coisas que, apesar de tudo, eram mesmo proibidas. Poucos anos mais tarde, em meados da década de 70, e nalguma medida e paradoxalmente devido ao choque de Maio, o marxismo estaria intelectualmente morto em França, e devidamente enterrado por alguns dos intelectuais que nasceram com Maio ou com outros que o admiraram, como Michel Foucault.

Não deixa de ser irónico que um movimento tão contestário do legado da “civilização ocidental” tivesse como efeito mais expressivo a radicalização – dir-se-ia até caricatural – do projecto especificamente moderno dessa mesma “civilização ocidental”.

Celebrar o SNS em contexto pós-austeridade: o caso do INEM

INEM em estado crítico: reportagem revela insuficiências graves

Ambulância do INEM incendeia-se dentro do hospital de Torres Novas

A nova moradia de Pablo Iglesias e Irene Montero

REN, EDP e a China

Não tenho uma posição definida sobre a matéria mas acho intrigante (e porventura também revelador) que outras operações e tentativas de operações (como a compra da PT pela Altice ou a anterior tentativa de compra da PT pela Sonae, só para dar dois exemplos mediáticos relativos a grandes empresas portuguesas) tenham sido alvo de tanto debate, preocupações e intervenções políticas enquanto o controlo simultâneo da REN e EDP por empresas estatais chinesas se processa em quase absoluto silêncio: EDP: um intrigante silêncio. Por João Carlos Espada.

O assunto tem sido noticiado na imprensa, mas o silêncio político tem sido de chumbo — para além da curiosa declaração do nosso primeiro-ministro sobre a inexistência de qualquer obstáculo político à operação. Refiro-me, como o leitor já terá calculado, à proposta de compra da EDP, a maior empresa portuguesa, pela empresa chinesa denominada “China Three Gorges” (que já detém 23,2% da EDP). Recorde-se que uma empresa estatal chinesa “State Grid” é também accionista maioritária da REN, a empresa distribuidora de energia em Portugal.

Continue reading “REN, EDP e a China”

The ‘Intellectual Dark Web’

I Was Liberated by the ‘Intellectual Dark Web’. Por Max Diamond.

Some, like Weiss, worry that we are now living in a culture “where there are no gatekeepers at all”—where there are no longer people who are clearly beyond the pale and who ought not to be given a platform. Weiss criticizes the intellectual dark web for not acting as gatekeepers and drawing such boundaries. But hoping that other people take the burden of drawing intellectual boundaries takes that responsibility off of the individual. The point of becoming educated is to become intellectually free: capable oneself of judging a Jordan Peterson from a Milo Yiannopoulos from a Jared Taylor, and more simply, of distinguishing a well-evidenced and well-reasoned idea from a bad one. The intellectual dark web influenced me less in regard to specific propositions and far more in my ability to reflect upon my own assumptions. That is, these thinkers have helped me become educated so that I can decide for myself what is reasonable without the aid of “guardians”—whether professors, mainstream journalists, college students, or Paul Krugman. When college protesters silence speakers, the concern is not they have the drawn boundary of reasonable speech too thin, but rather that they are undermining individuals’ ability to become educated: to learn, and to decide for themselves what are reasonable and unreasonable ideas.

Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”?

5008a

Em linha com a tradição insurgente por esta altura do ano, recomendo um texto já clássico: Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”? Por Luís Aguiar Santos.

Ano após ano, as comemorações do “25 de Abril” estão enredadas numa série de equívocos que seria pueril esperar que políticos ou jornalistas desfizessem. Supostamente, festejamos nessa data a “democracia”. Mas qual “democracia”? A que estava pressuposta no abraço frentista entre Álvaro Cunhal e Mário Soares dias depois do golpe de estado (que não seria muito diferente da dos oficiais da Coordenadora do M.F.A.)? Ou a que estava pressuposta na acção do general Spínola (e que, doa a quem doer, é aquela que hoje temos e quase todos defendem)?

Ao contrário do que possam pensar alguns distraídos, os liberais identificam-se com muito pouco no regime derrubado em 1974: não gostam de um figurino “constitucional” que limitara bastante as liberdades individuais instauradas no século XIX (e não na I República, como os mesmos distraídos pensam); não gostam da arbitrariedade com que o poder executivo se permitia violar as liberdades restantes; não gostam do monopólio político e sindical que o Estado patrocinava (União Nacional e estrutura corporativa); não gostam do regime económico profundamente regulado e proteccionista que fôra herdado do passado, mas que Salazar aperfeiçoara, sistematizara e tornara ainda mais pesado; não gostam da férrea regulação da educação e das actividades culturais que a burocracia e a polícia impunham.

Talvez tenham alguma simpatia pela geral ordem financeira em que o Estado vivia e pela política do “escudo forte”; mas, convenhamos, é pouco quando tanto estava tão mal. No que os liberais divergem dos “democratas de Abril” é no pouco entusiasmo com que olham para a cultura política que surgiu em 1974 como alternativa ao Estado Novo.

Continue reading “Deverá um liberal festejar o “25 de Abril”?”

Paridade “à la carte”…

Sou, como não surpreenderá quem vai seguindo o que escrevo e digo, completamente contra qualquer obrigatoriedade legal que imponha quotas por “género” mas isto, a ser verdade, é ainda pior (além de ridículo) – uma espécie de defesa da paridade “à la carte” que descredibiliza o CDS e a sua líder Assunção Cristas: Paridade. CDS vai propor que lei não afete próximas eleições para proteger Mota Soares

CDS vai propor alterações à lei da paridade, que prevê um homem e uma mulher no topo das listas. Ideia é que lei, se for aprovada, não afete eleições de 2019. Mota Soares quer ir a 2º nas europeias.

O fracasso do Maio de 68

Maio de 68: 50 anos depois. Por João Carlos Espada.

A verdade é que Maio de 68 fracassou porque as eleições livres deram a vitória aos defensores das “estruturas invisíveis da opressão da oligarquia burguesa.” E a verdade é que, devido a essa vitória da “oligarquia burguesa”, as ideias libertárias de Maio de 68 puderam continuar a ser livremente defendidas — o que evidentemente não teria acontecido se tivesse ocorrido a revolução comunista redentora. Basta olhar para a repressão intransigente que se abatia sobre a mais leve dissidência nos regimes comunistas do Leste europeu — e que se abateu brutalmente sobre a Primavera de Praga nesse mesmo ano de 1968.

Muitos comentadores discutem hoje que avaliação devemos fazer das ideias libertárias de Maio de 68. É certamente um tema importante. Mas não creio que seja o essencial. O essencial é que, contra os anseios revolucionários de Maio de 68, a França permaneceu “burguesa” — isto é, livre e democrática. Por essa razão, pôde absorver muitas ideias de Maio de 68. Pela mesma razão, pôde e continua a poder também contrariá-las.

A corrupção e a inquestionável superioridade moral da esquerda

Sobre a corrupção — e a inquestionável superioridade moral da esquerda. Por Luís Rosa.

A corrupção não é de esquerda nem de direita, não é católica nem protestante, não é branca nem preta e não é do norte nem do sul. A corrupção atinge todos os países, partidos e grupos sociais.

Continue reading “A corrupção e a inquestionável superioridade moral da esquerda”

Uma boa pergunta sobre Lula, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra…

Bernardo Lapa, homem da “Cultura”

A história de Bernardo Lapa, homem da “Cultura” Por Alberto Gonçalves.

Um ano depois, a companhia Cabaça dos Mafarricos, que Bernardo Lapa fundara com um amigo e cinco bonecos, adquirira largo prestígio no eixo Príncipe Real-Campo de Ourique. Restava um problema: estava-se em 2012 e a austeridade “neoliberal” restringia selvaticamente os subsídios à “Cultura”. Por motivos óbvios, a sra. Merkel e Pedro Passos Coelho não queriam expôr o povo ao exacto tipo de conhecimento patente nas obras da Cabaça dos Mafarricos. A peça inaugural, “Presos Por um Fio”, descrevia justamente (nos dois sentidos) a angústia de um licenciado em malabarismo – Tomás – que, por intervenção de um poder maligno e avesso à criatividade, se vê forçado a descer a trabalhos típicos da ralé. No derradeiro acto, desesperado pela falta de apoios, Tomás lança-se de um rés-do-chão e magoa-se um bocadinho. Na estreia, os seis espectadores aplaudiram de pé.

Nessa época, a contestação de Bernardo Lapa não se limitou aos fantoches. Politizado, marchou quase diariamente contra Israel, as touradas, a destituição daquela senhora brasileira, o exílio do cançonetista Tordo, o consumo de bacalhau, o aquecimento global, o arrefecimento global, o sr. Trump, a proibição das drogas, o boicote ao Haiti, perdão, a Cuba (ele confundia-os), o Belenenses e, claro, cantou a “Grândola” nas imediações de cada ministro da “direita”. Afinal, Bernardo Lapa era um homem da “Cultura”.

A esquerda “anti-fascista” e o fascismo

A esquerda “anti-fascista” tem muito em comum com os fascistas originais. Por Antony Muller.

No final, comunismo, socialismo, nazismo e fascismo são rótulos que se unem sob o estandarte do anti-capitalismo e do anti-liberalismo. São contra o indivíduo, contra a propriedade privada, e contra a liberdade empreendedorial.

O sexo e as quotas

Mudança de sexo, quotas e igualdade de género. Por Nuno Lobo.

É precisamente este contexto revolucionário e de duvidosa boa fé que os deputados à Assembleia da República devem ter em conta nas suas ponderações relativamente a duas propostas de lei do Governo, aparentemente distintas mas intimamente ligadas e mutuamente contraditórias, que vão por estes dias a votos: a possibilidade de as pessoas mudarem de sexo e nome no Cartão do Cidadão, agora com a alteração de não se exigir qualquer relatório médico que a justifique; e o aprofundamento da lei da paridade na composição das listas eleitorais dos partidos, que passarão a ter de incluir pelo menos 40% de mulheres (ou de homens).

Desde logo, a aprovação das duas propostas resulta na situação caricata de, por um lado, termos os partidos obrigados a compor as suas listas com pelo menos 40 mulheres e 60 homens (ou o inverso) por cada 100 candidatos, ao mesmo tempo que, pelo outro lado, poderão recorrer ao expediente de compor as listas com um sexo apenas desde que pelo menos 40% se dirijam ao registo civil e peçam para o mudar no Cartão do Cidadão. Todavia, por mais caricata que a situação possa parecer, as novas circunstâncias que decorrem da aprovação das duas iniciativas legislativas do Governo adquirem uma redundância ainda mais absoluta se forem olhadas através da lente com que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género olha a educação dos nossos filhos e tenta dirigir o futuro das suas vidas.

Não há sobrecarga turística em Chelas

Não somos todos marxistas

Não somos todos marxistas. Por João Carlos Espada.

Ao contrário do que costuma ser dito sobre Marx, o que é distintivo da sua doutrina não é o impulso moral de indignação perante a pobreza das classes trabalhadoras. Esse impulso moral existiu em vastos movimentos sociais não marxistas e anti-marxistas, vários aliás de forte inspiração cristã. (…) O que foi distintivo do marxismo foi a atribuição de um carácter alegadamente científico à teoria da luta de classes. Marx reclamou ter descoberto as leis do desenvolvimento histórico, à semelhança das leis do desenvolvimento da natureza orgânica conjecturadas por Darwin. O marxismo seria por isso uma “doutrina científica” que explicava toda a história da humanidade com base em leis inexoráveis. Daí decorria que o socialismo e o comunismo sucederiam inexoravelmente ao capitalismo, da mesma forma que este sucedera inexoravelmente ao feudalismo, como este sucedera ao regime esclavagista e este, por sua vez, sucedera ao “comunismo primitivo”.

O CDS Feminista

Cds_simbolo_2.png
Foi ontem anunciado que será aprovada na AR a mudança da funesta Lei da Partidade, com o aumento da percentagem prevista para 40% e o alargamento do critério a todos os órgão politicos electivos. Na minha curta jornada pelo mundo da política já conheci, pessoalmente e pela via literária, uma imensidão de opiniões dentro das próprias ideologias, mesmo dentro das direitas, diversidade essa, em muitas ocasiões, bem fundamentada. Ora eu já conheci pessoas de direita, incluindo bons conservadores, defendendo a legalização das drogas leves ou da prostituição e socialistas que se lhe opunham. Já conheci quem de direita se opusesse à liberalização do porte de arma para defesa pessoal ou fosse um ambientalista fervoroso – como este que vos fala – e socialistas que optassem pelas posições contrárias. Muito se pode escrever acerca destas questões e muito se pode e se tem teorizado sob o seu enquadramento, legítimo ou não, à luz das ideologias relevantes.
O que eu nunca conheci pessoalmente, nunca encontrei nos livros, nem nunca ouvi num podcast foi uma feminista – nos moldes em que actualmente o feminismo se enquadra, na sua terceira via – que fosse de direita. Sendo improvável a existência de um cavalo com asas, nem pelas leis da biologia nem pelas da física, é mais provável eu ter exagerado nos shots de tequila do que estar na presença da mítica criatura. O que me leva a concluir que, dada a diferente natureza entre os fenómenos da própria e os ideológicos, quando me deparo com a primeira pessoa, supostamente à direita, que se diz feminista, é mais provável essa pessoa não ser, de facto, de direita do que estarmos na presença de um cisne negro, terminando eu a indagar acerca do escombro do espectro político em que a Presidente do CDS habita. Dito isto, revivo o debate que se acendeu pelas posições tomadas, na AR, por um deputado do partido, debate esse que gerou páginas de discussão na imprensa, no Facebook, na blogosfera e nas suas caixas de comentários, pois dizia-se ser impensável o partido ser tão complacente a uma suposta violação grave da matriz do partido.

Continue reading “O CDS Feminista”

CDS – Uma Reflexão Pré-Congresso

img_817x4602016_06_13_15_50_22_287628

O CDS padece, desde a sua génese, de uma lamentável disposição a ser bengala. Esta disposição, originada, a meu ver, por um medo de parar, permite-lhe ir andando, mas também o impede de correr. Nas ocasiões, poucas, em que o CDS resolveu tentar aspirar a marcar a sua posição no espectro político, ora obteve votações expressivas da parte do povo português – ver este artigo de Richard A. H. Robinson -, ora foi esmagado por circunstâncias da época, como o foi o choque de Lucas Pires e do Grupo de Ofir – ver artigo do Adolfo MN – com a ascensão do Cavaquismo. Faz falta pensar, sobretudo pensar. Os tecnocratas que nos apoquentam, os que nos bombardeiam diariamente com chavões como challenge e leadership e branding, não entenderam, ou não quiseram entender, o poder da marca na política: e essa marca é a ideologia, firme, segura de si.

Ao ambicionar diminuir-se ideologicamente, para com isso assaltar o eleitorado ao centro, o CDS consolida a desconfiança já tremida daquela que é a sua base: a direita. E porque um mal nunca vem só, enxota de vez os desapontados, aqueles que nos mais de 40% de abstenção não se reconhecem neste sistema putrefacto do arco da governação. Hipoteca o futuro por umas migalhas no presente, apesar de ser, mais tarde do que imaginam os arautos da serenidade do bom povo português, Pinheiros de Azevedo desta vida que tomam por fumaça o êxodo dos jovens da política, candidato a como os outros perecer na poeira do tempo, olhado daqui a uns anos como relíquia de uma época menos afortunada.

Continue reading “CDS – Uma Reflexão Pré-Congresso”

Os fascistas do futuro

TELEMMGLPICT000156565364_trans_NvBQzQNjv4Bq3C4DDbsH65fm6X__oq5DkMojHqa2Q4TcJA5isZ8nj1M.jpg

Dizia Churchill (na verdade foi Ignazio Silone, embora não se saiba bem se Churchill alguma vez terá usado também esta expressão em discurso não registado) que os fascistas do futuro apelidar-se-ão de anti-fascistas. Curiosamente, os Antifa exibem justamente este comportamento fascista, procurando censurar e boicotar eventos dos quais não gostam, e o nome e as acções fazem mesmo jus ao prenúncio.

Seja como for, é muito preocupante que uma universidade, que deve ser um espaço de discussão, de pluralidade e de confronto de ideias, especialmente a KCL, pela sua notoriedade, compactue com coisas como esta, em especial com isto:

“Safe space” marshals are employed by the students’ union to patrol speaker events on campus where there is a potential for audience members to be offended.

Três séculos depois voltamos ao Obscurantismo, com o alto patrocínio das chancelas do regime. Depois admirem-se que os partidos populistas ganhem eleições e conquistem cada vez mais eleitorado.

Varoufakis e Centeno

Varoufakis acusa Centeno de insultar a Grécia​

Seria interessante confrontar comunistas, bloquistas e também a ala varoufakista do PS com estas declarações. Pela minha parte, relativamente a Mário Centeno, mantenho o que escrevi em 2015.