A liberdade é um bem escasso na Turquia

O confisco de propriedade de igrejas e a islamização da Turquia vai bem obrigado.

Erdogan Seizes 50 Syriac Churches and Monasteries, Declares Them Turkish State Property

Leitura complementar: Momento cultural turco.

Anúncios

Até o SIRESP fez o máximo que podia

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

O relatório do SIRESP é um insulto às vítimas dos incêndios e mais uma prova do processo de venezuelização em curso. Afinal a vida tem de continuar, excepto para todos aqueles  que a perderam, por responsabilidade do estado.

“É lógico que houve falhas” no SIRESP em Pedrógão Grande, diz comandante de Castanheira de Pera

Caixa negra da Proteção Civil revela pedidos de ajuda sem resposta por falha do SIRESP

SIRESP: uma PPP à portuguesa

A história do SIRESP em números. Por Joaquim Miranda Sarmento.

Do ponto de vista operacional, o contrato não tinha cláusula de fiscalização e acompanhamento da instalação dos equipamentos. Também tem um anexo (anexo nº 29) de penalizações que faz com que o valor a pagar pelo Estado apenas se reduza em casos em que o sistema falhe durante vários dias, o que significa que no caso de Pedrógão Grande, não se afigura que as cláusulas de penalização possam ser acionadas.

Além disso, o contrato tem uma cláusula standard nas PPP que aqui não faz sentido nenhum: a alocação do risco “acts of God” (ou seja, desastres naturais) ficou do lado do Estado. Isso faz sentido numa infraestrutura de transportes ou social, uma vez que o privado constrói a ponte ou a estrada ou outra infraestrutura para ser operada, e não para resistir a um terramoto. Mas no SIRESP essa clausula mostra negligência na elaboração do contrato, dado que o objetivo do sistema é que ele funcione exatamente em caso de calamidade. Esta cláusula iliba qualquer responsabilidade da empresa privada no falhanço que ocorreu no fim-de-semana do incêndio.

Continue reading “SIRESP: uma PPP à portuguesa”

O dinheiro é do PS: o dador põe, o PS dispõe

Leio  o comunicado do Conselho de ministros e onde diz:

Este fundo, de âmbito social, tem o objetivo de gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada dando-lhe um destino coordenado de apoio à revitalização das áreas afetadas, garantindo prioritariamente a reconstrução ou reabilitação de habitações e o seu apetrechamento, designadamente mobiliário, eletrodomésticos e utensílios domésticos. Este apoio complementa o apoio público existente nas áreas da Segurança Social, do Planeamento e Infraestruturas, da Economia, da Agricultura e da Habitação.

O Governo pretende, deste modo, garantir uma maior eficiência, não só na gestão desses recursos, mas também na sua afetação aos que dele necessitam, promovendo um reforço da celeridade em todo o processo, com a participação de representantes das autarquias de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande e do sector social local.

deve ler-se: o tal fundo do governo é criado através do confisco dos donativos particulares e com este dinheiro gerido com a eficiência que se reconhece ao estado – a começar na sua primeira obrigação: a de proteger a vida dos cidadãos, nomeadamente em incêndios florestais.

Distribuídas as verbas com a celeridade devida e de acordo com os interesses políticos do governo, tudo isto configura uma nacionalização e posterior gestão dos donativos.

O brilharete do governo socialista com o dinheiro dos outros está uma vez mais assegurado. Afinal, “o dinheiro é do Estado, é do PS.”  Nunca nos esqueçamos.

SIRESP: é altura de pedir responsabilidades a António Costa

Síntese perfeita da reportagem da TVI, feita por um amigo: o SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) funciona perfeitamente, excepto em situações de emergência.

Antecipando-se a um escrutínio sério, António Costa pede respostas urgentes. Para que fique tudo na mesma.

62 mortos depois, altera-se a cartilha do Bloco de Esquerda

Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia

Trovoada seca socialista

Nacionalizado ao Vicente‏ @vicente79.

O Siresp continua a dar boa conta de si. Os helicópetros Kamov continuam parados e  Lacerda Machado , percebe mesmo de tudo e mais um par de botas. Abençoados.

Os 62 mortos e a ausência de responsáveis

Só há responsabilidade para as boas notícias? Por Rui Ramos.

O fogo de Pedrógão-Grande pode ter tido as origens mais extraordinárias, mas ocorreu numa região, numa época do ano e num contexto meteorológico em que os incêndios florestais não são extraordinários. É difícil, por isso, não admitir a hipótese de ter havido uma falha da protecção civil. Não se previu o risco de incêndio florestal, não se pôs a população em alerta para a possibilidade do fogo, não se prepararam meios para uma eventualidade, e quando o incêndio rebentou, não se tomaram todas as providências, como, por exemplo, controlar a circulação automóvel. Ao contrário do que disse o Presidente da República, não parece ter-se feito tudo o que se pôde.

Continue reading “Os 62 mortos e a ausência de responsáveis”

Republican House Whip Steve Scalise shot in Virginia

Republican House Whip Steve Scalise, congressional staffer shot in Virginia shooting

Rep. Steve Scalise was shot Wednesday morning in Alexandria, Virginia, a House colleague told CNN, in what sources are calling an apparent “deliberate attack.” A congressional staffer was also shot.

Scalise, a member of the House Republican leadership as the majority whip, appeared to have been shot in the hip and it appeared two Capitol Hill police agents were shot, according to Rep. Mo Brooks, who told CNN he was on deck when the shooting occurred.

The shooting took place at a practice for the GOP congressional baseball team.

Continue reading “Republican House Whip Steve Scalise shot in Virginia”

Manuel Pinho, Columbia e a EDP

Manuel Pinho professor em Nova Iorque? “Era impossível só com americanos”

Nuno Garoupa recorda um processo semelhante que envolveu a Universidade de Nova Iorque, o Santander e o juiz Baltasar Garzón. Os processos acabaram todos arquivados — quer contra Garzón que era acusado de ter recebido dinheiro de várias empresas, além do Santander, para a sua estadia em Nova Iorque em 2005 e 2006 — como contra na altura o líder do Santander Emilio Botín. A Universidade de Nova Iorque nem se deu ao trabalho de comparecer como testemunha no processo.

As universidades americanas têm cadeiras que são financeiramente apoiadas, mas a escolha dos professores é feita de forma independente pela escola, explica Nuno Garoupa. Casos como o de Manuel Pinho — uma ex-tutela ser paga pelo tutelado para dar aulas — seriam impossíveis envolvendo apenas americanos. Não por serem ilegais mas porque se criaria “burburinho” na comunicação social, com efeitos negativos reputacionais para a universidade. Com os estrangeiros, as universidades norte-americanas têm sido mais permissivas.

Manuel Pinho foi dar aulas para a Universidade de Columbia em Nova Iorque porque foi criada uma cadeira ou cátedra paga pela EDP, empresa que tutelou como ministro da Economia. O caso foi revelado logo em 2010, e o financiamento da EDP estava enquadrado num conjunto de iniciativas pagas pela empresa, como na altura disse a escola de Nova Iorque quando questionada.

Valladolid, 3 de Junho de 2017

Un hombre irrumpe al grito de «Alá es grande» en una iglesia de Valladolid durante una boda

Un hombre ha sembrado por unos minutos el miedo en la tarde de este sábado en la Iglesia de San Pablo de Valladolid, donde mientras se estaba celebrando una boda, en torno a las 18.30 horas, ha entrado un hombre profiriendo gritos de «Alá es grande» y se ha acercado al altar con la intención de derribar varios objetos litúrgicos.

Según han relatado a ABC algunos de los testigos presenciales, el hombre tendría «entre 20 y 30 años de edad, rasgos morenos, algo de barba», y «aparentemente no llevaba ningún arma». También han detallado que cuando algunos de los invitados han intentado reducir a este sujeto en el mismo templo ha tratado de agredir al sacerdote que estaba oficiando la ceremonia.

Londres, 3 de Junho de 2017

“Isto é por Alá”. O ataque de Londres contado pelas testemunhas que o viram

Londres. O que se sabe e o que falta saber

A utopia de esquerda em formato fotográfico

O sucesso do modelo socialista: de fracasso em fracasso, até à miséria final.
Oscar B. Castillo/Fractures Collective fotografou a espera por produtos básicos
State of ruin,  a Venezuela de Maduro retratada por oito fotógrafos venezuelanos.

Costumes liberais e fait-divers IV

Barbas sim, mas sem design

Barbudos, não caiam na blasfémia.

(…) During the council meeting, a local leader of an Islamic political party, the Jamiat Ulema-e-Islam (F) objected to the growing practice of cutting beards in different shapes and designs by local barber shops. JUI-F leader Molvi Muhammad Amin claimed that the practice of cutting beards in new designs and shapes was against Islamic Sharia (Law) and an act of Blasphemy which needs to be stopped.

Taking note of the objection raised by Amin, Chairman of the Council Amir Iqbal issued orders barring hair dresses from trimming beards into different styles. He urged officials to make sure that the hairdressers are in compliance with the new ruling by Monday. (…)

O terrorismo e a tranquilidade do Xeque Munir

Foto: Rádio Renascença

O líder religioso dos muçulmanos da mesquita central de Lisboa para além da reconhecida capacidade no jogo de cotovelos/quebra narizes, decidiu tranquilizar-nos sobre o Islão e o atentado de Manchester. O Paulo Tunhas, no Observador, faz o favor de levantar a ponta do véu sobre o que o imã disse e o mais que ficou por dizer.

(…)   Chegando a este plano de generalidade, é imperioso reconhecer que o terrorista não tem religião nem pátria. Não tem religião? De acordo com o Sheik Munir, e em função da imunização teológica antes referida, não. O que é ele então? A resposta é de uma assombrosa simplicidade: é um louco. De uma certa maneira, porque não? Mas qual a natureza singular dessa loucura, quais os seus motivos essenciais, quais as razões porque adopta manifestar-se assim? Silêncio. Tudo é feito para manter a discussão na mais extrema generalidade que impeça qualquer atenção ao concreto e ao particular.

Generosamente, o Sheik Munir concede que a situação é também da sua responsabilidade, para logo lembrar que todos temos um papel. Todos, sem distinção, e supõe-se que em idêntico grau. Depois de tudo o que veio antes, já nada surpreende. Como não surpreende a candura da interrogação: como é que eu posso contribuir? A questão supõe uma desarmante inocência. Ainda não tinha pensado no caso? Ou a resposta é de uma tal complexidade que a perplexidade é infindável? A questão é no entanto necessária porque, mais uma vez, ninguém gosta de viver no medo. É importante que as pessoas se sintam seguras nas mesquitas, nas igrejas, nas sinagogas e nos seus lugares de lazer e hoje em dia não há essa segurança. Isso preocupa o Sheik Munir. Note-se mais uma vez que o abstracto “viver no medo” substitui qualquer referência às vítimas.

Depois de ouvir este depoimento, confesso que saí dele igualmente preocupado com o Sheik Munir. Imagino, e quero imaginar, que a muito reduzida comunidade muçulmana portuguesa (cerca de 50.000 pessoas, creio) seja tão pacífica quanto possível. Mas nos tempos em que vivemos o que se pede antes de tudo aos líderes religiosos dessas comunidades são condenações concretas dos crimes que em nome do Islão são perpetrados, o que implica o exercício, eventualmente penoso mas necessário, de assumir a partilha de uma religião comum com aqueles que são fautores desses crimes. Para, é claro, depois se demarcarem da interpretação corânica dos criminosos. Só assim a tal reciprocidade no respeito que o Sheik Munir reivindica pode ser vivida de forma limpa e plena.

Ora, o depoimento do Sheik Munir vai num sentido que é o exacto oposto disto. A quente, logo a seguir ao atentado de Manchester, começa, sem qualquer referência às vítimas, por exigir reciprocidade no respeito. Critica os preconceitos contra os muçulmanos. Decreta, contra toda a evidência, a completa inocência do Islão, quer dizer: a completa ausência de relações entre o Islão e as motivações dos terroristas. As referências aos crimes reais são substituídas pela abstracta menção ao medo. Os assassinos são acusados de uma loucura difusa sem nenhum traço particular que a identifique. A comunidade islâmica não tem qualquer obrigação maior do que o resto dos cidadãos de condenação firme, inequívoca e muito concreta da barbárie que em seu nome é levada a cabo. Pudera: a ouvir o depoimento do Sheik Munir, os terroristas podiam perfeitamente ser marcianos. Quem fica tranquilo a ouvir isto?

Salman Abedi

Salman Abedi named as the Manchester suicide bomber – what we know about him

The suicide bomber who killed 22 people and injured dozens more at the Manchester Arena has been named as 22-year-old Salman Abedi, according to US officials.

Born in Manchester in 1994, the second youngest of four children his parents were Libyan refugees who came to the UK to escape the Gaddafi regime.

His mother, Samia Tabbal, 50, and father, Ramadan Abedi, a security officer, were both born in Libya but appear to have emigrated to London before moving to the Fallowfield area of south Manchester where they have lived for at least ten years.

Sobre o ataque terrorista em Manchester

Manchester Arena attack: Children among 22 killed at Ariana Grande concert as police make first arrest after suicide bombing

Manchester. Polícia já terá identificado bombista suicida que matou 22 pessoas

O que já se sabe (e o que falta saber) sobre o ataque em Manchester

Apoiantes do Estado Islâmico festejam ataque de Manchester na Internet

Compreender o putinismo LXVII

Vladimir Putin numa demonstração de grande proximidade com a então mulher Lyudmila Putina e o Taj Mahal a servir de cenário idílico. Fotografia: REUTERS/Pawel Kopczynski/

Lyudmila Putina, ex-mulher de Vladimir Putin é uma espécie de Fava local. Uma história de sonho, de grandes e profícuas amizades.

Cegueira socialista

Fotografia: Juan Barreto, AFP.

O que vê o ilustre deputado Miguel Tiago, do pcp, nesta imagem? Uma senhora em frente a um blindado sem ninguém lhe fazer mal.

Por falar em cegueira, vale a pena recuperar o legado de Hugo Chávez ao mundo, segundo o chefe dos socialistas britânicos.

Compreender o putinismo LXVI

Testemunhas de Jeová, alvo de perseguição por parte do estado de Vladimir Putin.

Russia bans Jehovah’s Witnesses deeming it an ‘extremist’ organisation after prosecutors said it ‘destroys families and fosters hatred’

Russia’s Supreme Court has banned Jehovah’s Witnesses on Thursday It ruled the organisation was ‘extremist’ and shut down its headquarters

Authorities have put several publications on the banned extremist literature list

Russia’s Supreme Court has banned the Jehovah’s Witnesses, deeming them an ‘extremist’ organisation.

The ruling means the religious group’s 175,000 followers in Russia are equated to Islamic State members.   (…)

Admirável Mundo Novo Progressista…

Lawsuit: Male Student Accused of Sexual Harassment for Rejecting Gay Advances Commits Suicide After Title IX Verdict

Sobre as viagens de “finalistas”

Finalistas de quê? Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

O Miguel, nome fictício de outro estudante, corrobora a mesma versão dos acontecimentos, pois afirma que “os estragos foram mínimos”, embora depois esclareça que os desacatos começaram após um incêndio no quarto de uma estudante de Lisboa. De facto, um incêndio num quarto é, precisamente, o que tecnicamente se classifica como estrago mínimo, porque um grande estrago seria um terramoto, um vulcão ou um tsunami e, felizmente, nada disso aconteceu. Honi soit qui mal y pense!

Como consequência dos ditos “estragos mínimos”, o empresário hoteleiro exigiu a caução a que os turbulentos hóspedes lusitanos tinham sido obrigados, em previsão dos possíveis danos. Como explica Miguel, foi essa a gota que fez transbordar o copo: “Aí sim, fizemos estragos no hotel. É verdade. No desenrolar da acção, após nos dizerem que não havia caução. Se nos vão tirar o dinheiro pelos estragos que não fizemos, vamos realmente fazer estragos. E aí os estragos foram feitos …”. Muito educativo, não é? Esta rapaziada, decididamente, promete.

Continue reading “Sobre as viagens de “finalistas””

França submersa em ódio

Rotina, um grande artigo de Helena Matos no Observador.

(…) Já não há velas, nem flores, nem lágrimas. Entrou na rotina. Por rotina também tento confirmar se já saíram notícias sobre a morte de Lucie Sarah Halimi. Não encontro nada. O silêncio, o faz de conta que não tem interesse, o não é bem assim ou quiçá falar nisso seja “anti-islão” predominam há largo tempo nesta matéria. Por isso a morte de Lucie Sarah Halimi passou como se tivesse sido o caso de uma senhora sexagenária assassinada por um jovem vizinho prontamente classificado como desequilibrado. (…)

Lucie Sarah Halim foi agredida por um jovem seu vizinho de 27 anos. Segundo alguns vizinhos este gritava Allah ou-Akhbar enquanto a atirava pela janela. A confirmar-se esta versão dos factos Lucie Sarah Halimi é a última vítima da violência crescente exercida sobre os judeus em França. (…)

Os agressores regra geral são muçulmanos que os vizinhos dizem radicalizados mas que as autoridades começam por apresentar como doentes mentais, pequenos traficantes ou ladrões tão inofensivos que até acreditam que todos os judeus são ricos. (…)

O recente assassínio de Lucie Sarah Halimi, os gritos “porcos judeus” e as garrafas atiradas aparentemente por magrebinos sobre as pessoas que integraram a manifestação de pesar pela sua morte a par da quase invisibilidade mediática deste caso só surpreendem quem não segue a realidade francesa.

O desinteresse com que as redacções europeias começaram por olhar para as agressões aos judeus em França transferiu-se em seguida para a Suécia: os ataques aos judeus em Malmo foram um dos primeiros sinais de que no paraíso oficial da multiculturalidade algo estava correr muito mal. Depois veio a fase da negação. Agora temos uma fé: acredita-se que os factos não ocorrem se não os referirmos.

Mas por mais que isso nos custe a admitir os judeus partem porque os fundamentalistas já estão aqui. E estão a mudar o nosso modo de vida. (…)

Compreender o putinismo LXV

O putativo agente da CIA.

Algumas horas após o atentado terrorista que teve lugar em São Petesburgo, está encontrado o culpado: a CIA.  Não entendo a razão de existir da interrogação do mítico Pravda.

CIA engaged in St. Petersburg terror act?

A fragilidade da Rússia e a omnipresença do terrorismo

Rússia. Pelo menos dez mortos em explosão no metro de São Petersburgo

Os primeiros vídeos e fotos das explosões na Rússia

Estrela Serrano, como seria de esperar

Recorde-se que Estrela Serrano, doutorada em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação pelo ISCTE, foi também membro da ERC: Membro do Conselho de Opinião da RTP diz que agressões a jornalista “seriam de esperar”

Estrela Serrano, membro do Conselho de Opinião da RTP, sugeriu nesta sexta-feira no seu blogue Vai e Vem que a equipa de jornalistas da RTP agredida junto a uma escola em Chelas, Lisboa, não se deveria ter deslocado ao local para fazer a cobertura jornalística de uma eventual violação de um aluno de 12 anos a um outro de nove anos. Conclui mesmo que “como seria de esperar [a equipa] acabou agredida”.

A presunção de inocência e os prazos no dia da felicidade

O meu texto de ontem no Observador.

‘Vejam por exemplo os disparates que foram ditos e escritos sobre a presunção de inocência de Sócrates. A presunção de inocência é um conceito jurídico que garante que ninguém é condenado sem que existam provas sólidas de um crime cometido. Ponto final. Ora como qualquer pessoa pensante percebe, o que existe e ocorre no mundo, seja criminoso ou não, não é apenas o que é suscetível de ser provado em tribunal – e provado segundo regras que são elas próprias mutáveis e discutíveis, não desceram dos céus como presente intergaláctico de uma qualquer deusa da justiça do mundo greco-romano.

Alguém ser absolvido em tribunal, ou nem sequer ser acusado, não é selo de garantia de que não cometeu nenhum crime: é reconhecimento de que não há indícios suficientemente fortes para levar à privação de liberdade, ao pagamento de multas e indemnizações, à censura pública em forma de condenação. Desde logo porque muitos crimes são difíceis de provar – os criminosos geralmente aproveitam-se da falta de testemunhas e de registos de imagem e som para cometerem os crimes. Só nas séries televisivas como The Closer é que Kyra Sedgwick convence os meliantes a confessarem tudo. Acresce que a justiça é administrada por humanos, limitados, com a tendência para disparatar que todos temos (mesmo quando com boas intenções), e suscetíveis a preconceitos e estados de alma.

Mas do que se lê por aí os argumentos pela presunção de inocência de Sócrates são ainda mais salazarentos que esta constatação de que a justiça humana é falível. Segundo nos dizem, enquanto não houver uma sentença judicial transitada em julgado, devemos permanecer todos intimamente convencidos que Sócrates é inocente como um rebento de jasmim a aromatizar um chá verde. Quando, e se, houver condenação pelos tribunais, passaremos então, no momento em que lermos ou ouvirmos tal ansiada notícia, a acreditar convictamente (por ordem do tribunal) que Sócrates é culpado dos crimes por que for condenado.

É isto: temos gente que tem espaço em jornais e televisões, numa democracia liberal em 2017, a afirmar que os indivíduos não podem ajuizar por si próprios da culpabilidade de um ex primeiro-ministro. As convicções de cada um não podem ser por si determinadas, nada disso, temos de ficar à espera que um tribunal nos diga como devemos considerar, na nossa consciência, Sócrates – inocente ou culpado. Vade retro conceito demoníaco de formar opinião em regime de livre iniciativa. O estado ensina-lhe generosamente em que acreditar.’

O texto completo está aqui.