António Costa, o esquerdista bem sucedido (até ver)

António Costa foi escolhido pelo jornal Politico como uma das 28 personalidades mais influentes da Europa na actualidade, surgindo na 9ª posição. O texto sobre o primeiro-ministro português incorpora um breve comentário meu e pode ser lido na íntegra aqui.

“If there is one thing all commentators agree on, it’s António Costa’s political savvy,” says André Azevedo Alves, a political expert at Lisbon’s Catholic University and St. Mary’s University in London. “There’s near unanimity on his political skills.”

Next year, Costa will have to continue his economic balancing act, face down a new opposition leader and deploy his political skills to manage a tricky relationship with the two far-left parties that prop up his minority government.

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Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (4)

Os meus comentários de ontem sobre a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, no jornal das 20h do Porto Canal, podem ser vistos (ou revistos) aqui.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (3)

Centeno no Eurogrupo, a direita num beco. Por Alexandre Homem Cristo.

A vitória do ministro das Finanças na corrida ao Eurogrupo surge como o prego que faltava no caixão do discurso de PSD-CDS desde que se sentaram na oposição: aquele que defende que apenas à direita se garantem finanças em ordem, défices controlados e contas certas. Sim, foi assim durante muitos anos, com particular intensidade nos anos de desastre dos governos Sócrates. Mas, com Centeno, deixou de ser assim: a contenção orçamental é imposta sem cedências e as metas do défice são cumpridas à risca. Isto não quer dizer que, por exemplo, o orçamento para 2018 seja bom e esteja isento de críticas – muito longe disso. Ou que as opções políticas deste governo, algumas bastante prejudiciais para o sector privado, sejam acertadas e responsáveis. Nada disso. Isto quer simplesmente dizer que, da perspectiva do debate público, a associação entre a esquerda liderada pelo PS e o descontrolo na gestão das contas públicas deixa de ser plausível – e ainda menos o será com Centeno a dar rosto à ortodoxia orçamental da Zona Euro.

Ora, a extinção dessa associação expõe finalmente, no discurso da direita, o grande vazio de ideias com que tem feito oposição desde 2015: se não puder acusar a geringonça de ser irresponsável na gestão das contas públicas, que alternativa propõe a direita ao país? Nenhuma. Não se percebe qual é o projecto do CDS e percebe-se que o PSD não tem projecto. É, aliás, essa a nota dominante da actual campanha interna dos sociais-democratas – cujo partido, pela dimensão, tem a responsabilidade de liderar um projecto alternativo à frente de esquerda. Nem Rui Rio nem Santana Lopes são capazes de se definirem de direita, nenhum trouxe propostas para modernizar a política portuguesa, e a ambos falta a capacidade para desencostar o PSD ao Estado, abrindo as portas à sociedade civil – como bem notou Henrique Monteiro. Eis, portanto, a direita num beco. Em parte, porque lá se colocou a si mesma. Em parte, porque a vitória de Mário Centeno representa a derrota final do seu discurso político. E agora? Agora o tempo acabou: o que nos próximos meses a direita fizer para sair deste beco vai definir onde chegará nas eleições legislativas de 2019.

Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo (2)

A redefinição política imposta por Centeno. Por Adolfo Mesquita Nunes.

Há anos a fazer dois discursos, um na Europa, austeritário, rigoroso, mostrando os orçamentos a executar e não a aprovar, e outro em Portugal, expansionista, de fim de austeridade, não admitindo qualquer corte, o Governo terá de adaptar-se agora à circunstância de não poder ter um ministro e presidente do Eurogrupo a dizer coisas contraditórias, sob pena de tal duplicidade ser escancarada, comprometendo a autoridade do presidente do Eurogrupo e a credibilidade do ministro das Finanças. Governo e Eurogrupo terão simultaneamente de aproximar os seus discursos, algo que em bom rigor convém a ambos.

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Mário Centeno é o novo presidente do Eurogrupo

Estarei a comentar a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo mais logo a partir das 20:00 no Jornal Diário do Porto Canal (emissão deve poder ser seguida online aqui).

Centeno conquista presidência do Eurogrupo em segunda votação

Para já, além de dar os parabéns a Mário Centeno (independentemente das leituras políticas que se possa fazer, a eleição é uma inequívoca vitória pessoal sua), gostaria de recordar dois artigos que escrevi há algum tempo no Observador, sendo que ambos me parecem relevantes para interpretar e ajudar a compreender a eleição de Centeno e suas implicações:

Os sectários

Não há dinheiro para pagar mais socialismo

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Irlanda e Portugal: descubra as diferenças

Ireland to repay €5.5bn in bailout loans after ESM approval

European authorities have given Ireland the green light to fast-track the repayment of €5.5 billion in outstanding loans from the International Monetary Fund (IMF), Denmark and Sweden.

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The EU budget after Brexit

Commission gets glimpse of post-Brexit EU budget horrors

In the worst-case scenario, radical budget cuts would mean no more cohesion funds in most of Western Europe.

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FTSE 100 new record high

Passos Coelho Vs Tsipras – Quem combateu a desigualdade?

Os anos da troika. Portugal foi o único país a sair da crise com menos desigualdade:

Estudo académico olhou para os países do sul da Europa e, criticando a política da austeridade, destaca Portugal como o único destes países onde o “aperto do cinto” causou menos desigualdade.

Há a diferença entre falar palavras e fazer as medidas. Parabéns Passos Coelho!

Enquanto isso na República Checa…

Mais um partido socialista tradicional colapsa perante a ascensão de partidos cépticos face à UE: Million dollar Babiš

The result is something of a slap in the face for Brussels. Not only has Babiš opposed EU-mandated immigrant quotas and repeatedly accused Brussels of “meddling,” but the ODS has also been firmly anti-EU since the days of its founder, the famously Euroskeptic former Prime Minister and President Václav Klaus.

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O dia em que Merkel voltou a ganhar mas a política alemã mudou

Caso se confirmem as exit polls, com a AfD a ascender a terceiro partido na Alemanha e com mais de metade da votação do histórico SPD, o sistema partidário alemão mudou hoje de forma significativa e essa mudança dificilmente deixará de ter impacto na política (interna e externa) da Alemanha: German elections 2017 live: Exit poll predicts victory for Angela Merkel and major gains for AfD

Angela Merkel secured a decisive election victory on Sunday, according to exit polls, while the far-right AfD made major gains in a significant shake-up of the German political establishment.

Alternative fur Deutschland (Afd) won 13.5 per cent of the vote according to the exit poll, meaning it is the first far-right party to enter the German parliament for more than a half a century.

25 years ago…

A Alemanha vive a paz perpétua

O radicalismo alemão estava a destruir a Europa. Lembram-se? A minha crónica no i.

A Alemanha vive a paz perpétua

A Alemanha vai a votos no dia 24 e a importância que em Portugal se atribui ao facto está ao nível da relevância que o PSD dá às autárquicas. Durante a crise do euro, muitos esperavam que o radicalismo invadisse a política alemã pondo fim ao reinado de Merkel e, dessa forma, à moeda única.

A expectativa assentava na AfD (Alternative für Deutschland), um partido de extrema-direita que se opõe ao apoio que a Alemanha tem, dentro do quadro da União, concedido aos países em dificuldades, entre os quais Portugal. Como por cá alguns partidos, como o PCP e boa parte do BE, defendem a saída de Portugal do euro, um bom resultado da AfD seria, depois do Brexit e do crescimento do extremismo na Holanda, Áustria e França, o derrube do último pilar seguro da moeda única.

Mas nada disto aconteceu. A Alemanha vai a votos num ambiente tão pacífico que lembra Portugal nos anos 90. O debate entre Merkel e Schulz mostrou à evidência o que os junta, e não o que os separa. Os dois estavam tão de acordo que o sonho europeu lá parece não ter sido esquecido.

A Alemanha hoje é a Europa onde podíamos viver, caso a maioria dos países tivesse encetado as reformas que os alemães levaram a cabo com o socialista Gerhard Schröder. Não deixa de ser interessante que, enquanto o radicalismo cresce em boa parte dos países europeus, seja na Alemanha, depois de tudo o que se disse do extremismo alemão, com tantos a acusá-los de nazismo, que a tão desejada paz perpétua de Kant se tenha propagado.

O que é que o PS pensa da nova União Europeia?

Hoje mesmo Jean-Claude Juncker defendeu que a União Europeia deve passar a ter um ministro europeu das finanças. Acrescentou, ainda, que a UE precisa “de um ministro europeu da Economia e Finanças, alguém que acompanhe as reformas estruturais nos nossos Estados-membros.”

O que Juncker disse hoje no Parlamento Europeu não está longe do que Emmnauel macron tem defendido para a Europa e que referi neste meu artigo no Jornal Económico saído no passado dia 2 de Junho. Macron quer um orçamento comunitário para a zona euro direccionado ao investimento estratégico. Um orçamento que implica, necessariamente, um ministro das finanças europeu que tutele todos os demais ministros das finanças. Este orçamento servirá também para apoiar os países que se encontrem numa situação de emergência financeira, como sucedeu com Portugal. A moeda de troca, ou seja, a condição para que um país da zona euro beneficie dessa ajuda e beneficie dos referidos investimentos estratégicos é a apresentação de reformas estruturais: no Estado e na economia, nomeadamente na lei laboral.

A pergunta que então coloquei nesse meu artigo, volto a repetir agora: Como é que o PS, o PCP e o BE vão lidar com este projecto europeu? Considerarão que um orçamento europeu e um ministro das Finanças da zona euro ferem a soberania nacional, ou aceitam os fundos daí provenientes em troca de reformas, como a liberalização do Código Laboral que sempre recusaram?

The EU racket

Daniel Hannan – The EU racket

Nazismo e Comunismo

Deveria ser óbvio mas infelizmente para muita gente não é.

Atentado terrorista em Barcelona

Um morto e 20 feridos. Carrinha atropela dezenas de pessoas em Barcelona

Uma carrinha atropelou dezenas de pessoas nas Ramblas, centro de Barcelona. Haverá pelo menos um morto e 20 feridos. Polícia admite ataque terrorista. Atacantes refugiados em restaurante.

Pound v euro

Brexit pain for holidaymakers as pound expected to fall further against euro

Sterling is trading at €1.09 after collapsing from €1.31 on the day before the UK voted to quit the European Union in June 2016.

This has meant Brits holidaying in the likes of Spain and Italy have had their spending power slashed, which has meant more people than usual opting for “staycations” in the UK despite some poor summer weather.

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The Franco-British Union

When Britain and France Almost Merged Into One Country

On June 16, 1940, with Nazi Germany on the brink of crushing France, British prime minister Winston Churchill and French undersecretary of defense Charles de Gaulle met for lunch at the Carlton Club in London. These two great symbols of patriotism and national independence made an incredible agreement: Britain and France should be united into a single country called the “Franco-British Union.”

This was just two weeks after British and French troops were rescued from the beaches of Dunkirk, where they had become surrounded by German troops—a story captured in the new Christopher Nolan film Dunkirk. Although that battle story is fairly well known, the accompanying political drama that almost saw Britain and France merge is now largely forgotten. But the drama of that near-fusion can help explain the origins of European integration—and the reasons why Britain ultimately pulled away from the European Union in the decision we know as Brexit.

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Macron e a liberdade de circulação na UE

Acumulam-se cada vez mais sinais preocupantes para o futuro da UE: Macron plots free movement CRACKDOWN: French president on course for huge EU row

But the Swedish PM now has a particularly powerful ally in the form of Mr Macron, who has taken a surprisingly tough line on internal EU migration since his election in a bid to assuage supporters of Marine Le Pen.

The new Paris chief has railed against Polish haulage firms for undercutting French businesses and has vowed to put an end to cheap Eastern European labour which he says is dragging down people’s working conditions.

Eastern European leaders have been caught by surprise by the way Mr Macron, who was painted as the saviour of the EU during his election campaign, has aggressively attacked one of the bloc’s founding principles.

Macron avança com redução de impostos

Caso se confirmem, serão excelentes notícias para a França e para a Europa: Em primeira reforma econômica, França reduz impostos em 7 bilhões de euros

Governo de Emmanuel Macron decide começar em 2018 política de redução de impostos para a classe média e sobre grandes fortunas; governo precisa compensar queda na arrecadação para cumprir déficit de 3% do PIB

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Notas breves sobre a cimeira do G20

1. Como se previa, Trump foi toureado por Putin no encontro do fim de semana. Alegadamente Trump acusou Putin de interferir nas eleições americanas, estamos seguros que com grande convicção, já que veio depois de várias tiradas tonitruantes de Trump assegurando que o hacking russo não existiu e não influenciou as eleições. Mas apesar de não ter existido nenhum hacking russo – Putin disse que não e alguma vez o senhor faltaria à verdade? Trump, a grande custo (vide as tiradas tonitruantes), lá acreditou em Putin – Trump e Putin resolveram criar não sei o quê de cibersegurança (pelo meio vai o reconhecimento de que os States não conseguem garantir a sua segurança sozinhos, pelo que se aliam aos que mais põem em perigo essa segurança; é tudo muito lógico, se virem bem depois de beberem uns dez gins tónicos) para prevenir que não volte a acontecer aquilo que nunca aconteceu – o hacking russo nas eleições americanas. De caminho, negociou-se um cessar fogo que mesmo que se efetue não cessará quase fogo nenhum. Uma vitória diplomática americana, portanto. Só ensombrada por outra, a daquele acordo de comércio (cof) com a China, verdadeiramente groungbreaking, em que um país vendia carne ao outro e, em compensação, recebe os seus cartões de crédito. O mundo não será igual depois de um entendimento desta dimensão entre os Estados Unidos e esta potência. Em Hamburgo, Trump não só concedeu tudo que tinha para conceder a Putin, sem nada de retorno, como o elevou à categoria de par do POTUS. O que, em boa verdade, neste momento é.

2. Merkel – com o seu rolar de olhos com Putin e o scolding a Trump por causa dos acordos de Paris – mostra como é, atualmente, A Líder do mundo ocidental, sem reverência por quem não merece reverência, e sem problemas em constatar publicamente que aquilo que a Europa, no seu melhor, é, está muito acima de produtos políticos como Trump ou Putin.

3. O estado da administração Trump vê-se por termos uma Ivanka a substituir o pai nas mesas dos líderes quando este estava ocupado. Ivanka não percebe nada do que se passa naquelas mesas (ok, não é muito diferente do seu pai, mas este foi eleito), e pelo menos teve o bom senso de ficar calada todo o tempo e não se embaraçar. Mas das duas, uma. Ou Ivanka pediu muito ao pai para ir ela para a mesa, apesar de nada saber do que lá é dito, e o pai disse que sim, da mesma maneira que os pais deixam os filhos criança sentarem-se nas suas secretárias nos seus escritórios para brincarem aos donos ou diretores de empresas – o que, enfim, mostra que Trump devia ter ficado com o seu robe no seu quarto da Casa Branca a tuitar em vez de ir à cimeira. Ou, em alternativa, Trump não confia em absolutamente ninguém da sua administração e teve de mandar a filha, em quem confia absolutamente apesar de não perceber nada, para espiar o que se passa na sua ausência e, quem sabe, impedir que fosse gozado pelos seus pares nas suas costas.

“O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo”

Juncker chama “ridículo” a Parlamento Europeu vazio

“O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo. Saúdo os que se deram ao trabalho de estar na sala. Mas o facto de haver só uma trintena de deputados presentes neste debate é suficientemente demonstrativo que este parlamento não é sério”, disse Jean-Claude Juncker, intervindo no primeiro debate do dia em Estrasburgo, às 09:00 (08:00 em Lisboa), e perante uma sala praticamente vazia.

Caminhos para a dívida pública portuguesa

Uma reflexão importante: Ensaio: Que caminhos para a dívida pública portuguesa? Por Joaquim Miranda Sarmento e Ricardo Santos.

Não deixa de ser paradoxal que, sendo a sustentabilidade da dívida pública um dos temas que mais condiciona o nosso presente e o nosso futuro, o seu debate se realize, em regra, de forma superficial e sem sentido de compromisso. Temos pois que criar as condições para que se gere uma solução de compromisso, realista, mas ambiciosa.
Sendo verdade que a redução da dívida é imperiosa e deve ser assumida como uma prioridade, não é menos verdade que não existem soluções milagrosas e que medidas radicais de reestruturação comportam custos económicos e sociais muito elevados. Custos que seriam, aliás, muito superiores aos benefícios de redução da dívida e da despesa com juros.

Assegurar uma trajetória sustentável da dívida pública, num contexto de grande incerteza internacional, é uma tarefa que, sendo muito exigente, está ao nosso alcance: a combinação de saldos primários com excedente em torno de 3% PIB (que deveremos já atingir este ano) e taxas de crescimento nominais acima dos 3%/ano (obtido este ano), permitiria reduzir a dívida pública a um ritmo razoável, e no espaço de 10-15 anos, trazê-la para valores significativamente abaixo de 100% PIB.

(…)

Neste ensaio fazemos uma síntese e analisar as três principais vertentes do documento: primeiro, a caraterização da dívida pública no momento presente; segundo, avaliar possíveis cenários de reestruturação com “hair-cuts” e terceiro, que gestão e soluções existem para reduzir o peso da dívida pública?

A Europa segundo Macron

Ouço falar em reformar a UE. Mas alguém discute as propostas de Macron para Europa? A minha crónica no Jornal Económico.

A Europa segundo Macron

No dia a seguir a tomar posse, Emmanuel Macron foi à Alemanha conversar com Angela Merkel. Na bagagem levou a sua proposta de refundação da Europa. Mas ao contrário de Hollande, que foi a Berlim de mãos vazias, o novo presidente francês propôs e ofereceu algo em troca. Que Europa quer Macron?

É no seu livro ‘Révolution’, publicado em Novembro último, que Macron explana a sua visão para a Europa. O plano apresentado a Merkel divide-se em três propostas. Em primeiro lugar, que a Alemanha aligeire a política de austeridade orçamental. A segunda consiste na implementação de um orçamento para a zona euro direccionado ao investimento público estratégico, e de apoio aos países cujas contas públicas coloquem em risco a estabilidade da zona euro. Este orçamento exigirá um ministro das Finanças que tutelará e fiscalizará os ministros das Finanças dos países da zona euro.

A terceira proposta de Macron à Alemanha é a moeda de troca. Ou seja, cada país da zona euro terá de implementar reformas estruturais para que possa beneficiar do novo orçamento europeu. Macron defende mesmo que o desacordo de um país não deve impedir que os restantes sigam em frente no projecto de integração europeia. Ou seja, dentro da zona da euro, e no que diz respeito às reformas estruturais e aos dinheiro do novo orçamento comunitário, podemos vir a ter uma Europa a duas, ou três velocidades. Algo que está em consonância com o que François Hollande propôs em Versalhes no dia 6 de Março, quando se encontrou com os líderes da Alemanha, Itália e Espanha.

Para dar o exemplo aos restantes países, como Portugal, Macron vai apresentar, até ao final de Setembro, um pacote de reformas estruturais que pretende levar a cabo durante o seu mandato. A primeira é a alteração do Código do Trabalho, que o governo francês já se encontra a estudar. Além do exemplo que pretende que venha da França, Macron quer com essas reformas mostrar que Paris está realmente comprometida no projecto europeu, prontificando-se a levar a cabo as reformas que a Alemanha implementou no início deste século.

Perante este cenário, a nossa atenção vira-se para o Governo português. Como é que o PS, o PCP e o BE vão lidar com este projecto europeu que vem do Eliseu? Considerarão que um orçamento europeu e um ministro das Finanças da zona euro ferem a soberania nacional, ou aceitam os fundos daí provenientes em troca de reformas, como a liberalização do Código Laboral que sempre recusaram?

Estas questões não são de somenos importância. São fulcrais para que entendamos se o Governo tem um rumo, ou se limita a gerir acontecimentos. Se Portugal vai estar na Europa, ou se viramos costas e ficamos orgulhosamente sós.

A morte anunciada do Partido Socialista em França

Ex-primeiro-ministro Manuel Valls é candidato por Macron

“Este Partido Socialista está morto. Faz parte do passado. Temos de o superar”, afirmou Manuel Valls, que confirma que será candidato em junho pelo movimento de Macron.

Liberalização: um PREC em França?

formacao-da-espinha-dorsal-1Após esta noite eleitoral, parecem ter saído 3 partidos a prepararem-se para repartir o parlamento daqui a pouco mais de um mês: Em Marcha (que vai engolir parte significativa do PSF), Republicanos e Frente Nacional.
Resulta deste novo desenho que dos três principais partidos, a Esquerda no poder vai ser pró-UE, pró-Liberalização, pré-desregulação e pró-Elites… enquanto que a extrema-direita será pró-saída do Euro, pró-regulamentação e tarifas e pró-Rust Belt. Não é por acaso que Le Pen cativou na 2ª volta muitos votos de Mélenchon.
A confirmar-se, esta transição será uma verdadeira revolução no mainstream político, que poderá obrigar os legacy media (imprensa e televisão) a redefinirem ou os seus valores ou o seu alinhamento político.
Querem ver trapezistas sem espinha dorsal? Peguem em pipocas.

Quando ganha o Media Darling tudo é diferente…

Não ligo muito à França e portanto as eleições presidenciais naquele país passaram-me um pouco ao lado, mas há algumas lições a reter sobre os media internacionais:

  1. Como o Media Darling era homem e a opositora era mulher, nesta eleições não houve nem Sexismo nem Misoginia, ao contrário das eleições americanas, em que estes foram graves problemas que obviamente decidiram a eleição;
  2. Nas eleições americanas, houve intervenção externa (nunca provada), nas eleições europeias, os parceiros europeus não costumam apoiar, nestas eleições houve apoios quer americanos quer europeus. Sem qualquer reação claro.
  3. Ganhou um banqueiro, logo da banca de investimento, tanto diabolizada pelos membros da legacy media (imprensa e televisão). Macron, Make Banking Great Again!
  4. Os legacy media agem cada vez mais em bloco. Um fenómeno cada vez mais dominante quer na França, quer na América, quer em Portugal – onde reina a paz social perante as maiores asneiras por parte do PS. O 4º poder é cada vez mais organizado: quem os beneficiar tem um apoio maior do que o imaginado por Emídio Rangel; quem se opuser…
  5. Como os legacy media os protegem, os Media Darling sentem-se seguros e invulneráveis. Resultado: cada vez serão mais frequentemente vítimas de Leaks na WikiLeaks.

Os media sempre foram inclinados, mas estão cada vez mais inclinados. A política é uma derivada da cultura e esta evolução da cultura dos media é bastante preocupante.

O proteccionismo e o socialismo nacionalista de Marine Le Pen

Daniel Hannan, como quase sempre, spot on: Marine Le Pen is winning votes by pushing rhetoric that caused France’s problems

Protectionism inflicts the greatest harm on the least well off – who are often, paradoxically, its supporters.

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Macron arrisca-se a perder

Emmanuel Macron has taken French voters for granted. Now he risks defeat. Por Olivier Tonneau.

In theory Macron should beat Marine Le Pen hands down. But he has little commitment from the electorate

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