Chefe Índio Nathan Phillips, o mentiroso

O Observador, no artigo infame sobre o grupo de índios que perturbou os menores de um colégio católico, escreveu:

Para agravar o caso, Nathan Phillips é, além de ancião da tribo Omaha, um veterano da guerra do Vietname. O idoso disse ter servido no Vietname entre 1972 e 1976.

Não. Não é um veterano da guerra do Vietname, não é um marine, nunca esteve lá.
Passou o tempo na Califórnia e foi expulso por motivos disciplinares.

Segundo o Washington Post, Nathan Phillips, man at center of standoff with Covington teens, misrepresented his military history:

In reality, Phillips served from June 1972 to May 1976 in the Marine Corps Reserve, a service spokeswoman, Yvonne Carlock, said Wednesday. He spent much of his enlistment in California, did not deploy and left the service as a private after disciplinary issues.

Para quem não sabe, fazer-se passar por veterano é punido por lei nos EUA, de acordo com o Stolen Valor Act de 2013.

Até o Huffington Post alterou o artigo. Veremos se o Observador faz o mesmo.

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Observador & Covingtongate

Fox News: Journalist fired after wishing death on Covington Catholic HS students, parents: report

O tweet referido é este:

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É um (o mais grave?) dos exemplos da tolerância (!) da esquerda em relação aos miúdos que esperavam o autocarro quando um bando de índios foi cantar cânticos índios para o meio deles.

O Observador escreveu um artigo porque alguém não saiu da frente do índio. Participou numa campanha infame contra menores. Este jornalista desejou a morte dos miúdos e dos respectivos pais e foi despedido devido a isso. Vou ficar à espera do artigo do Observador sobre este jornalista. E outros exemplos semelhantes. Mas vou esperar sentado: e pensar que o Observador já foi diferente…

 

 

 

O dilema dos prisioneiros (2)

As dificuldades do Reino Unido neste seu processo de saída da União Europeia podem ser entendidas recorrendo a um enquadramento de teoria de jogos. Como escrevi uns tempos depois do referendo de 2016, a decisão de permanecer ou não na União é uma espécie de Dilema do Prisioneiro (DP). O que parece ter ocorrido é que o Reino Unido optou pela estratégia não dominante (a que resulta sempre pior). Correndo o risco de tentar atribuir racionalidade a uma decisão que provavelmente teve muito pouco de racional, como se milhões de motivações individuais pudessem realmente levar a uma vontade geral coerente, podemos explicar a decisão de duas formas alternativas:

  1. A fleuma britânica resultou numa escolha sub-óptima por uma questão de princípio (mais vale mais pobre mas mais livre para decidir localmente sem restrições pan-continentais); ou
  2. A decisão seria o prólogo numa série de decisões sequenciais que terminaria no cenário de cooperação mútua do DP (aposta numa queda de dominós na União).

O presente bloqueio parlamentar sugere que nem a questão de princípio era tão forte, nem o tecido comunitário tão fraco.

Abaixo deixo uma explicação mais detalhada do DP para os interessados.

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Observador mente sobre adolescentes com bonés com slogan de Trump

Que o Observador pertence à união de legacy media que ataca tudo o que seja relacionado, mesmo que da forma mais ténue, com Trump, já eu sabia. Só não sabia que ia ao ponto de mentir descaradamente para o fazer. Mas este caso prova-o.

Escreve o Observador:

Jovens com bonés com o slogan de Trump — Make America Great Again — cercaram e gozaram com ancião da tribo Omaha, que fazia uma marcha em Washington.

Mais abaixo acrescenta:

Vários adolescentes com bonés com a inscrição Make America Great Again — o “grito de guerra” de Donald Trump — cercaram e gozaram com um ancião nativo-americano, da tribo Omaha, que estava a executar um cântico e a tocar um tambor indígena, à margem da Marcha dos Povos Indígenas, perto do Lincoln Memorial, em Washington D.C, noticiou a CNN.

(…)

Phillips [um ancião da tribo Omaha] foi até à multidão de adolescentes e as coisa até se acalmaram, contou Taitano. Pelo menos até Phillips chegar perto do rapaz que aparece a sorrir no vídeo. “Aquele miúdo recusou-se, simplesmente, a sair e pôs-se mesmo cara a cara com o Nathan”, disse a estudante.

Da leitura parece que aconteceram 2 coisas:
1. Os miúdos, sobretudo o focado na reportagem, moveram-se
2.  Os miúdos gozaram com o ancião índio

Na verdade, como se pode ver nos vídeos abaixo, não só foi o índio que foi ter com os miúdos – que na maioria se foram mexendo até que aquele decidiu ficar a olhar para o espectáculo  – como a maioria ficou calada, sobretudo o tal rapaz que mais não fez do que sorrir e achar piada ao que o índio estava a fazer. O miúdo não se mexeu, o miúdo não gozou, o miúdo nem sequer moveu um músculo que não fosse para sorrir. Aparentemente, isso hoje é motivo para ser pedida a sua expulsão da escola, para ser pedido o despedimento do seu pai, e para fazerem bullying internacional ao miúdo. Vergonhoso.

De seguida ficam os vídeos onde esta informação pode ser confirmada, informação que quer o Observador podia facilmente pesquisar e incluir na sua reportagem. Mas dava muito trabalho e estragava a narrativa. Enfim. Espero agora a retração do Observador e, já agora, o pedido de desculpas ao miúdo e respectiva família por terem participado na sua humilhação indevida. Era o mínimo, se forem sérios.

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Between a rock and a hard place

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O Reino Unido está proverbialmente perante uma escolha impossível. No seu parlamento não existe maioria disposta a apoiar o acordo de saída negociado com a União Europeia. Não existe uma maioria favorável à saída sem acordo, nem maioria favorável à permanência à revelia do referendo de 2016. Estas divergências são insanáveis. A divisão dos britânicos é total e qualquer dos cenários não reúne maioria parlamentar.

Este é o problema de decisões constitucionais tomadas por maioria simples em vez de maioria qualificada. A maioria formada circunstancialmente no referendo de 2016 tinha presumivelmente vontades contraditórias: Uns queriam sair totalmente da UE, outros queriam sair mantendo acesso ao mercado único; Uns queriam restringir a imigração, outros queriam esticar o dedo do meio à Comissão Europeia; Uns pretendiam obter independência regulatória para poder liberalizar e abrir a economia, outros pretendiam essa independência para ser mais intervencionistas; Uns achavam que o Brexit traria um paraíso conservador, outros um paraíso socialista.

O referendo é um instrumento que pode ser útil para ratificar determinadas decisões. Ou para decidir sobre matérias simples em que uma resposta sim/não é fácil de implementar. Mas é um instrumento perigoso pelo potencial de decisões contraditórias. Por exemplo, no estado da Califórnia foram aprovados em tempos duas propostas: Uma que tornava aumentos de gastos automáticos na educação e outra que limitava os impostos a cobrar pelas autoridades locais (responsáveis pelo sistema educativo). É também perigoso quando a pergunta feita não é respondida de forma capaz pela alternativa sim/não. Dificilmente se pode esperar uma resposta inteligente a uma pergunta estúpida.

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Onde está o repúdio ao PCP depois do repúdio ao Mário Machado?

Ao contrário do Bloco, que já não consegue disfarçar a ditadura socialista que na Venezuela vai levando milhares à fome e já levou milhões a emigrar (sem falar nas mortes, censura, fraudes eleitorais, etc.), o PCP continua o seu apoio público ao totalitarismo da Maduro.

Desta vez saudou em nota a “eleição” de Maduro e a “importante vitória na resistência às manobras de ingerência e desestabilização contra a Venezuela e de crescente bloqueio económico e financeiro do imperialismo, com destaque para o imperialismo norte-americano”.

Lembram-se do que aconteceu a semana passada com Mário Machado? Até à ERC se pediu para investigar. Ora, o PCP está no Parlamento, nas TVs, nos sindicatos, nos jornais, etc. a defender ditadores e assassinos… e poucos se indignam. Pior, dão-lhes voz.

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Retirado do filme Milada (a dar na Netflix cá)

O filme conta a história de Milada HoráKovà, política checa primeiro presa e julgada pelos Nazis durante a WW2 e depois presa e morta pelo regime comunista depois da guerra pela sua recusa em parar a sua oposição política e abandonar o país.