Síria: back to basics XXIX

Pára tudo: a guerra acabou e a santa mãe rússia retira as tropas de uma Síria pacificada.

pravda

Ah esperai é uma notícia do renovado Pravda.

Síria: back to basics XXVIII

assad

Perante a histeria do carniceiro Assad: Triumphant Assad: ‘History is being made in liberated Aleppo’  faz ainda mais sentido ler o comentário sobre a Síria de Miguel Monjardino, na sua página de Facebook:

(…) 2. A vitória militar numa guerra urbana que dura há 5 anos representará um grande triunfo político para Damasco. A constelação de grupos revolucionários sunitas e rebeldes que combatem contra o regime de Bashar al-Assad está a caminho de deixar de representar uma ameaça existencial para a sobrevivência de Damasco.

3. Porém, a queda de Palmira e dos poços de petróleo à volta da cidade para o Daesh é um embaraço político para Moscovo e Damasco. Por duas razões. A primeira é tornar excessivamente claro que a verdadeira prioridade de Bashar al-Assad na guerra não tem sido o Daesh mas sim os outros grupos armados sunitas. A segunda mostrar que que Damasco não tem o número de tropas e milícias suficientes para controlar a capital, Alepo e uma parte do país e lutar contra os revolucionários do Daesh, Al Qaeda e outros grupos rebeldes sunitas ao mesmo tempo. O número de baixas das forças armadas sírias durante a guerra tem sido muito elevado. (…)

5. É importante ter em conta que os interesses de Damasco, Teerão e Moscovo não são coincidentes. Todas estas capitais estão dispostas a pagar um preço elevado em sangue e dinheiro para manter o regime de Bashar al-Assad. A determinação desta coligação foi superior à da Turquia, Arábia Saudita e Qatar que tentaram usar a guerra civil síria para derrubar o regime sírio e criar um baluarte sunita na costa do Mediterrâneo. Dito isto, o Kremlin não tem grande interesse em ver a guerra pelo controlo de todo o território sírio continuar. Moscovo aproveitou o recuo da administração Obama no Médio Oriente e a aposta estratégica de Washington na negociação do acordo nuclear com o Irão para intervir militarmente na Síria. O principal objectivo de Vladimir Putin é melhorar a sua posição estratégica na Europa: levantamento das sanções económicas, financeiras e tecnológicas impostas pelos EUA e a União Europeia, negociação do estatuto geopolítico da Ucrânia e impedir que tropas NATO sejam estacionadas nos estados da Aliança Atlântica a leste. Ou seja, a Rússia não quer aumentar o seu empenhamento militar na guerra síria. O interessa a Vladimir Putin é voltar a dar à Rússia um papel indispensável na política internacional. O que o líder russo ambiciona é uma mistura de estatuto e respeito em Washington. Damasco é um instrumento para Moscovo voltar a ser o nº 2 a nível mundial. Damasco e Teerão olham para o problema de outra forma. O mesmo pode ser dito dos grupos de revolucionários e rebeldes sunitas que combatem em território sírio. A sua determinação em continuar a combater mantém-se.

6. O que é que as capitais europeias podem fazer no meio de toda esta violência? Se não estivermos dispostos a agir militarmente para defender interesses ou valores, a resposta é “Nada!” Como Tucídides escreveu na sua “História da Guerra do Peloponeso” – esse grande clássico sobre a política, a estratégia e a natureza humana -, “a guerra é um professor muito violento.” Esta é uma lição que as sociedades europeias que decretaram ter abolido o problema do uso da força militar para conquistar ou manter o poder político vão ter de aprender. Restam os gestos como este em Paris e as redes sociais que geram emoções. O que está em jogo, porém, não são as emoções mas sim o poder. A paz, essa, levará mais algum tempo a chegar às cidades, vilas e aldeias sírias. (…)

Compreender o putinismo LXII

Não faço ideia do número de almas que continuam na libertada cidade síria de Allepo mas o porta-voz do Ministro da Defesa russo, o general Igor Konashenkov  nega tudo, cambada de russofóbicos.

The Russian Defense Ministry’s spokesman Maj. Gen. Igor Konashenkov has refuted allegations of “250,000 trapped” Aleppo civilians.

“All dramatized outcries allegedly in defense of ‘trapped 250,000’ Aleppo civilians, especially loudly voiced by representatives of Britain and France, are nothing more than russophobic chatter,” he said.

Konashenkov underscored that terrorists had used more than 100,000 civilians as human shields in Eastern Aleppo.

É de pequenino que se atira ao pepino

Neste recreio para a educação dos mais que tudo, a entrada, a anizade, a partilha e o amor são grátis.
Neste recreio para a educação dos mais que tudo, a entrada, a anizade, a partilha e o amor são grátis.

Mesmo no moderado Irão.

WAR GAMES Iran opens chilling kids’ military theme park with AK47s where children as young as 8 fire bullets at US flags and effigies of the Israeli PM

THE Iranian government has opened a sinister kids’ war-based theme park which instead of roller-coasters and roundabouts has military checkpoints and AK47s.  The City of Games for Revolutionary Children park lets youngsters dress up in full combat gear and pretend to be attacking Iran’s enemies like Israel and the West. (…)

A violência simpática da esquerda que nos salva da barbárie

O meu texto de hoje no Observador.

‘Apoiar assassinos, ditadores, protoditadores e catalisadores de pobreza generalizada, sendo estes de esquerda, é bom. Visitar um evento na única democracia decente do Próximo Oriente é mau.

Vai daí, um blogue anarquista decide punir o chefe português provocador que ousou associar-se ao extorsionário cubano, perdão, aos guerrilheiros terroristas colombianos, perdão, (muito pior!), aos israelitas. Fizeram muito bem. Pintalgaram-lhe o restaurante de tinta encarnada. É para o chefe aprender. Deixo aqui a justificação do ato:

‘O vermelho que escorre no vidro é o sangue que Avillez avilta com a sua colaboração culinária. A cola que veda a fechadura é a fome provocada que Avillez quer gourmet. As ementas recheadas de realidade são a face visível de que ‘o destino das nações depende da forma como elas se alimentam.’

Eu não percebi nada do que queriam dizer, ofereço um bombom a quem traduzir a algaraviada, mas em boa verdade as sequências de palavras e frases vindas das pessoas de extrema-esquerda costumam gritar falta de lógica formal e conteúdo revelador de um autor com QI aí, no máximo, 79. Pelo que não me espantei. Como de resto considerei a lambuça pretensiosa a armar ao poético refrescantemente consistente com o que esperamos da extrema-esquerda. Gosto sempre que não me desfaçam as desilusões.

E o chefe nem pode argumentar que não estava avisado, que estes anarquistas, perdão, anjinhos, que destroem propriedade privada são leais e avisam atempadamente o mundo das consequências das suas aleivosias. Depois do chefe ter ignorado os avisos feitos na ‘imprensa dos monopólios’ (e quem ousa ignorar avisos de maluquinhos deste calibre?), os criminosos, perdão, os justiceiros decretaram ‘que não nos encheu os olhos, deixando um travo amargo nos nossos estômagos de poetas, que apenas um copo de ação direta – essa forma máxima de poesia – mitigará’. Mais uma vez não se percebe nada, mas dá para rir com o estilo de escrita adolescente. E para nos questionarmos se os ‘estômagos de poetas’ não estarão a necessitar de transplante à conta da ingestão de comprimidos com substâncias alucinogénias.’

O texto completo está aqui.

Episódio de uma teocracia exemplar

cool

As leis são para cumprir na terra dos Ayatollahs. Yaser Mosibzadeh, Saheb Fadayee e Mohammed Reza Omidi estiveram presos por ofensas às leis da religião da pás. Saíram da prisão após o pagamento da fiança, detalhe que não impede a execução do resto da sentença – 80 chicotadas, em espectáculo público.

Ninguém os manda converter ao cristianismo, blasfemar nem beber o vinho da Comunhão no Irão moderado.

Compreender o putinismo LX

Soldado desconhecido ou para a famíla e amigos: Maxim Kolganov,
Soldado fantasma ou  Maxim Kolganov, para a famíla e amigos. Fotografia Reuters/Maria Tsvetkova.

Na Ucrânia ficaram conhecidos como os homens verdes, simples agricultores com óbvios problemas de orientação. Na Síria, passaram a soldados fantasma.  Só ao alcance de uma santa mãe pátria.

Ghost soldiers: the Russians secretly dying for the Kremlin in Syria